quinta-feira, 1 de julho de 2010

Estadão - A pilha de batata

** Estadão- A pilha de batata
Fernando Reinach
Dos quase 7 bilhões de pessoas que habitam a Terra, 1,6 bilhão moram em casas que não possuem energia elétrica. Para ouvir rádio ou procurar algo durante a noite,
essas pessoas são obrigadas a comprar eletricidade na sua forma mais cara: uma pilha. Uma pilha alcalina de 1,5 V tipo AA custa R$ 3,50 e fornece 0,0042 kWh. É
fácil
calcular que o preço da eletricidade contida em uma pilha é de R$ 833 por kWh. A novidade é que um grupo de cientistas desenvolveu uma pilha feita de batata capaz

de gerar eletricidade a R$ 16 por kWh.
Poucos se lembram, mas foi utilizando músculos de sapos que Luigi Galvani descobriu, em 1791, o princípio físico que levou Alessandro Volta a desenvolver a primeira

pilha em 1800. Desde então, dependemos cada vez mais das pilhas. Elas estão em nossos relógios, celulares, lanternas e marca-passos. Durante o século 20, em muitas

escolas os alunos construíam pilhas. Um dos experimentos populares consistia em cortar um cubo de batata com aproximadamente 2 cm de lado, colocar em faces opostas

do cubo uma placa de zinco e uma de cobre (os chamados eletrodos). Por fim, o professor ligava um fio a cada eletrodo e conectava os fios a uma minúscula lâmpada

de lanterna. Para espanto geral dos alunos (eu entre eles), o filamento da lâmpada emitia uma luz muito fraca. Obtida a atenção dos alunos, discutíamos o peixe
elétrico
e as reações químicas de oxidação e redução, que são o princípio do funcionamento das pilhas e baterias.
Agora, cientistas da Universidade de Jerusalém e da Universidade da Califórnia resolveram utilizar os métodos modernos de caracterização de pilhas para produzir

uma pilha barata, biodegradável e capaz de fornecer um pouco de eletricidade para o 1,6 bilhão de pessoas sem rede elétrica. A escolha da batata se deve ao fato

de ela ser produzida em 130 países e ser uma das principais fontes de alimento para grande parte da população sem eletricidade. A batata é o quarto alimento mais

importante para a humanidade, depois do milho, do trigo e do arroz. O mundo produz 320 milhões de toneladas de batatas por ano.
A grande descoberta feita por esses cientistas é que, se rompermos as membranas que existem em volta das células presentes na batata, a capacidade de ela produzir

eletricidade aumenta dez vezes. De início, eles usaram um processo chamado eletroporação para destruir as membranas, mas logo descobriram que o mesmo resultado
era
obtido cozinhando as batatas.
Uma pilha de batata feita com um cubo de 5 cm de lado pode produzir 0,9 V de tensão. Se conectarmos a ela uma lâmpada com 300 ohms de resistência, a batata crua

produz, durante 20 horas, 20 micro watts. Mas, se a batata for cozida, essa mesma pilha pode produzir 200 microwatts durante as mesmas 20 horas. Parece pouco, se

lembrarmos que as lâmpadas que utilizamos em nossas casas consomem entre 40 e 100 watts.
Mas há outro desenvolvimento tecnológico que pode ser combinado com as pilhas de batata. São as lâmpadas LED (light-emitting diode) presentes nas novas televisões.

Essas lâmpadas, que vêm sendo desenvolvidas nos últimos 40 anos, produzem muito mais luz com muito menos eletricidade. Desde 1970, a quantidade de luz emitida por

watt de energia gasta por lâmpadas LED aumentou 100 mil vezes.
Utilizando cinco blocos de batata cozida, eletrodos de zinco e cobre e duas lâmpadas LED, os cientistas construíram uma lanterna capaz de iluminar um pequeno quarto

por 20 horas.
A grande vantagem desse sistema de iluminação é que ele utiliza material abundante, produzido localmente e que não necessita ser reciclado. O único risco é que
a
batata, após ter sido utilizada como pilha, vai conter aproximadamente 1 miligrama de zinco. Mas, como se acredita que a dose a partir da qual o zinco é prejudicial

à saúde é de 15 miligramas por dia, valeria a pena estudar se seria saudável comermos, no café da manhã, a pilha utilizada durante a noite.
Mas se você imagina que essa eletricidade que custa R$ 16 por kWh é a solução definitiva, você deve examinar sua conta de luz e descobrir quanto paga pela eletricidade

em sua casa. Eu pago R$ 0,29 por kWh. Conectar todas as casas à rede elétrica ainda é uma solução mais barata que a pilha de batata.
Renata Coutinho

"Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado, um amigo que espera;
esquecido, uma alma que perdoa; destruído, um coração que chora."
(Rabindranath Tagore)

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