sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

livro - a noiva de Atlântida - Marie Morin



























A Noiva de Atlântida
Marie Morin


"... Quando Alexis Stanhope se encontra cativa em um mundo que não é o seu, cheio de maravilhas tão selvagens quanto formosas, se dá conta de que deve encontrar
uma forma de escapar, para retornar a seu próprio mundo e sua própria gente, e assim vingar o assassinato de seu pai. Desgraçadamente, no momento em que conhece
o Guardião, vê que é impossível resistir à tentação de entregar-se, de coração, corpo e alma.
Ao render-se ao poder de conquistar o coração do guerreiro mais poderoso que jamais viu, perde seu coração, somente para aprender que nem sequer o amor pode conectar
o abismo que existe entre dois seres de mundos tão diferentes..."

Nota da Lu Avanço: muito lindo esse livro amei, alem de sexy é engraçado, eles não entendem muito bem o humor da mocinha ai é só diversão
Nota de Meli: O livro é bom e tem cenas hot, mas são cenas sensuais e bonitas. Adorei quando ela tenta seduzi-lo. Mas achei que ficou uma sensação de que podiam
explorar mais a história.


Capítulo Um

- Só quero que saiba que eu matei seu pai, sussurrou Eric em seu ouvido.
Alexis Stanhope tinha esperado palavras de amor quando o sentiu virar-se contra ela e quando sentiu o calor de seu fôlego contra seu pescoço. Por isso se surpreendeu
tanto pela confissão de seu novo marido que não pôde se mover. A cena que faz pouco momento a tinha assombrado - A lua cheia dançando nas águas do Caribe, agitadas
somente pelo navio do cruzeiro - desapareceu, e ela só pôde ver seu pai, atirado sobre o piso da cozinha, com um lago de sangue ao redor dele.
Ela não podia entender o que ele dizia.
- Você estava em Seattle. Como...? Como poderia...?
Seus lábios se enrijeceram. As palavras se enredavam em sua língua, como se ela estivesse falando pela primeira vez.
- Fiz inteligentemente - disse - lhe Eric, dando um passo para trás e golpeando-a tão forte entre as omoplatas que ela tropeçou e caiu sobre o corrimão.
Durante vários segundos, ela vacilou sobre o corrimão, muito assombrada e petrificada pelo terror para fazer mais que ofegar incapaz ainda de gritar enquanto
lutava por se segurar no lustroso corrimão. O belo vestido comprido que ela tinha usado em sua elegância, agora a apanhava, lhe negando qualquer espaço para manobrar,
apesar da abertura da saia na parte traseira, por isso ela logo mal podia fazer algo mais que agitar-se como um verme apanhado por um anzol.
Então ela o sentiu tomar suas pernas e jogá-la totalmente sobre o corrimão. Vários pregos se romperam enquanto ela perdia o balanço e depois caiu ao mar, lentamente,
em câmara lenta, olhando com incredulidade o rosto zombador de Eric, enquanto se fazia cada vez menor à distância, enquanto as ondas pareciam subir para apanhá-la.
Ela entrou na água quase de pé, primeiro com os pés.
Ao emergir, a baixa temperatura da água terminou com o bloqueio mental que até então tinha mantido suas cordas vocais paralisadas.
De maneira subconsciente, sabia que era inútil gritar pedindo ajuda. Como era muito tarde, a música ainda saía do salão de baile e do cassino, onde os ébrios
passageiros riam e falavam tão forte como permitiam seus pulmões, para poder ser escutados por cima da música. O rugido das máquinas e o tamborilar da água contra
o navio não faziam mais que aumentar o clamor. Era inclusive muito duvidoso que ela fosse ser ouvida ainda se tivesse gritado antes de ter sido lançada pela amurada.
Agora era mais que inútil.
Mas ainda assim, recusava-se a morrer sem dizer ao homem que a tinha traído como o odiava por seu covarde ataque.
- Divorciarei-me de ti -- gritou furiosamente.
De maneira remota ouviu, ou acreditou ouvir, uma risada, e as palavras Muito Tarde.
A pesar do fato de que ela tinha entrado na água com os pés primeiro, não tinha entrado na água calmamente. Seus pés tinham recebido a maior parte do impacto,
mas seus joelhos dobrados e a parte superior de seu tronco receberam um golpe tão duro que uma onda de dor percorreu todo seu corpo, como se tivesse golpeado contra
o cimento.
O mais terrível, entretanto, tão terrível que inclusive conseguia eclipsar a aguda dor, era o fato de que continuava baixando, cada vez mais e mais, quase para
sempre, parecia.
A escuridão já a tinha envolto antes que seu instinto de sobrevivência reagisse e começasse a brigar contra a água que a devorava, primeiro interrompendo sua
descida e finalmente, subindo. Seus braços queimavam com o esforço. Seus pulmões estavam ardendo. Sentia sua cabeça como se fosse explodir devido à pressão que lhe
ordenava conter a respiração.
Algo roçou sua perna.
Ela gritou um grito silencioso, perdendo muito do ar capturado e tragando um bom gole de água de mar. O susto galvanizou sua cambaleante força, e ela lutou ainda
mais duro para chegar à superfície, com a necessidade de respirar ar fresco eclipsando todos seus demais medos.
A água a sua volta se fez mais clara... ou seus olhos se acostumaram à escuridão. Não estava segura, mas esta vez, quando algo a roçou, ela viu, ou pensou que
viu, a forma de um homem.
Eric?
Teria estado enganada? Tinha vindo ele por ela? A forma se afastou, mas ela já estava muito desesperada por ar para pensar sequer em procurá-la.
Podia ver a superfície da água sobre ela. O brilho da lua se refletia sobre as incansáveis ondas, arrancando resplendores de prata e de pedras preciosas à água.
Durante alguns momentos, a esperança alimentou suas hesitantes forças, mas não importava quanto lutava, não parecia aproximar-se da superfície. Seus braços se moviam
cada vez mais lentos. Um tipo diferente de escuridão se aproximou dela. Já não podia conter a respiração por mais tempo.
Começou a inalar a água ao mesmo tempo em que algo a tomou e a lançou para a superfície, como se de repente tivesse tido um jato Pack (uma mochila propulsora)
amarrado a suas costas. Pensou que a velocidade fosse produto de sua imaginação, mas estava movendo tão rápido que quando seu corpo chegou à superfície, saltou vários
metros por cima da água antes de cair de novo sobre ela.
Emergia, afundava e voltava a sair, como um cachorro meio afogado, movendo seus braços e golpeando a água torpemente, afundando uma e outra vez, antes de subir
à superfície de novo.
Passaram alguns minutos antes que pudesse controlar sua tosse e seus espasmos. Finalmente conseguiu uma baforada pura de ar, e depois outra. Pouco a pouco, seu
pânico de afogar-se deixou de ser seu pensamento dominante, conforme outras considerações começavam a entrar em sua mente.
Freneticamente, procurou o navio a seu redor.
Quando finalmente o viu, pensou que seus olhos a enganavam. Certamente, não estaria já tão longe, ou sim?
Era inútil.
Foram sem ela.
Ninguém tinha visto o covarde ataque de Eric. Ninguém a tinha ouvido gritar ao cair da amurada.
Ninguém exceto o homem que tinha feito... seu marido por cinco dias.
Esta sim que era uma lua de mel!

* * *

Não havia nenhuma esperança de alcançar ao navio. Disso estava totalmente segura, com uma certeza terrível. Estava agora a vários quilômetros de distância. Lentamente,
deu a volta. Até onde podia ver não havia nada mais que água e mais água.
Ia morrer aqui.
Algo rompeu a calma da água a uns metros dela, saltou em direção ao céu e logo caiu sobre o mar com tanta força, que lhe salpicou mesmo à distância a que se
encontrava.
Ela gritou, e depois começou a rir um pouco histericamente. Era um golfinho. Devia ser o golfinho que a tinha empurrado para a superfície. Bom se o golfinho
queria tirar o lixo de seu território, ia ter que empurrá-la muito mais longe. O navio havia passado em seu último porto várias horas antes e não estava programado
para chegar em casa a não ser, dentro de várias horas mais. Ela estava a quilômetros e quilômetros de distância de terra firme em qualquer direção. Ouviu o chapinhar
outra vez, agora atrás dela e tratou de aproximar-se do som. A cabeça de um homem emergiu a menos de um metro de distância dela. Assombrou-se tanto, que somente
pôde ficar olhando.
De uma maneira irracional, inundou-se de esperança.
Mas morreu quase instantaneamente, quando pensou que já tinha procurado um navio, um bote, algo. Não tinha visto outra coisa, a não ser o navio, que se afastava
rapidamente. Se realmente ele estava aí e não era nenhum truque de sua imaginação, então somente era um acompanhante com o qual se afogaria. Possivelmente tinha
caído, ou tinha sido empurrado do mesmo navio.
Olhou-o com pena enquanto se movia para ela e finalmente pensou que provavelmente não era nada mais que um truque de sua histeria, ou a desesperança encarnada.
À luz da lua, pôde ver que era excepcionalmente bonito, com a perfeição nos traços que se espera encontrar somente em modelos ou as estrelas de cinema.
A luz da lua cheia arrancava brilhos de seu comprido e macio cabelo. Esses brilhos se viam - pensou quase divertida - como pequenos raios de lua. Então se sentiu
estranhamente comovida por sua boa sorte. Não era o sonho de toda mulher, depois de tudo, ser resgatada por um bonito e jovem herói?
Entretanto, ele era muito formoso para ser real, não? E de qualquer maneira, parecia extremamente improvável que ele a resgatasse. Obviamente, sua mente lhe
estava pregando algumas brincadeiras, lhe dando esperanças onde não havia nenhuma. Ou possivelmente eram somente seus olhos? Seria isto um efeito da luz lunar? Se
este homem era real, então não podia ser tão perfeito como o parecia. Além disso, a menos que tivesse habilidades para nadar, muito fora do comum, era muito improvável
que acabasse sendo seu herói.
- Speken ze duetch? - Perguntou-lhe enquanto se detinha a menos de um metro de distância dela, movendo sua cabeça de um modo enigmático.
Maravilhoso! Nem sequer falava sua língua! Que tipo de sorte, ou fantasia era aquela?
- Parle vous francais?
Alexis abriu a boca, surpresa. Bilíngüe? Aqui? Em meio a nenhum lugar?
- Fala inglês?
Demônio, agora estou alucinando.
- Ah! Inglês. Espera. Americana?
- Tem que estar brincando.
Ele enrugou o cenho.
-Isto quer dizer... uma brincadeira?
-Não, não quer dizer brincadeira, demônio. Bom, sim, mas... esquece. Alex se deu conta, não sem certa surpresa, que estava tão zangada como espantada. Claro,
tinha todo o direito de estar zangada. Seu novo marido não só tinha admitido que havia assassinado seu pai, mas também o tinha jogado ao mar. Entretanto, não queria
agora pensar em todas as implicações dos atos dele, ou em seus últimos comentários, e se afastava destes pensamentos quase tão rápido como eles penetravam furtivamente
em sua mente. Seu medo, se dava conta agora, converteu-se em irritação defensiva. Estava furiosa porque estava muito assustada para pensar em algo exceto que ela,
que odiava totalmente o mar, ia morrer nesse lugar.
Devia estar totalmente louca ao deixar que Eric a convencesse a tomar nesse cruzeiro de lua de mel. Onde estava seu instinto de proteção natural quando se apaixonou
por esse estelionatário? Onde estava a cabeça, quando se deixou convencer? Não deviam ter soados sinos de alarme? Todas as mulheres se convertiam em estúpidas sem
mente cada vez que um homem atraente fazia a grande pergunta, ou só tinha passado a ela?
Seu pai era o dono de uma pequena empresa de construção. Não era rico, somente acomodado, mas tinha tido suficiente dinheiro para atrair aos tubarões. Ela tinha
passado a maior parte de sua vida adulta suspeitando de todos os homens que a tinham cortejado alguma vez.
Então conheceu Eric. Ele parecia possuir muito mais do que a família dela tinha. Mas não lhe tinha ocorrido pensar nem por um momento que ele também era um tubarão,
o pior de todos os que tinham chegado antes dele.
Tinha-o levado para casa, conhecer seu pai e ele tinha matado a seu pai sem que ela se desse conta... tinha enganado inclusive à polícia, que tinha se convencido
de que seu álibi era perfeito. Depois a apressou ao altar, nem sequer seis meses depois, e a esse cruzeiro de lua de mel onde pôde desfazer-se dela da maneira mais
singela.
Como tinha arrumado para colocá-la em um cruzeiro?
Embora tentasse, não podia recordar como tinha arrumado para colocá-la em um navio sem nada mais que um simbólico protesto, quando em circunstâncias normais,
ela tivesse ido gritando e esperneando.
Sempre tinha tido medo da água, e especialmente do oceano... qualquer lugar com água, de fato, que não estivesse feito pelo homem e rodeado de concreto. O oceano
era escuro, profundo e havia coisas dentro dele, coisas vivas que mordiam, picavam e/ou devoravam ao incauto.
Não ajudava em nada a seus sentimentos, nem sequer um pouco, ter uma companhia para morrer.
- O navio se foi. Vamos morrer - murmurou ela, mais que nada, para si mesma.
O homem virou-se para ver o navio.
- Posso te levar de volta, se isso for o que você quiser.
Alexis ficou olhando, muito assombrada para falar durante vários momentos. A esperança voltou a surgir nela.
- Pode fazê-lo?
Ele voltou para olhá-la, quase com pena.
- Há perigo para você lá.
Ela ficou olhando. Ele tinha saltado para salvá-la. Tinha que ser. Não existia outra explicação para sua aparição.
Tivesse sido muito mais útil se tivesse deslocado ao reportá-la. Pelo menos então, o navio não iria sem eles.
- Não pode me ajudar. Não a menos que possam crescer-te asas - disse ela sarcasticamente, sabendo que soava como uma ingrata ante sua tentativa de salvá-la.
Mas, ainda assim, não lhe importava. Por Deus! Ele não tinha feito outra coisa que saltar para afogar-se com ela. Que tipo de ajuda era aquela?
Ele a olhou de uma maneira misteriosa.
- Se puder.
- Pode o que? - perguntou ela de maneira distraída.
- Crescer asas, se seu quiser. Preferiria isso a nadar?
- Sim, claro. Não era suficientemente mal estar na metade do oceano, tragando água, esperando a ficar sem energias para afundar-se ao fundo. Tinha que estar
aí com um lunático.
- Ensinarei-te se você quiser - ofereceu ele.
- Claro, por que não? De todas as maneiras, não temos nada mais que fazer - respondeu Alexis sarcasticamente, tratando de controlar os calafrios que tinham começado
a invadi-la da cabeça até os dedos dos pés, enquanto o frio do mar começava a baixar a temperatura de seu corpo.
Por que estava tão fria? perguntava-se ausentemente, tratando de controlar os espasmos de seu queixo que anunciavam um iminente bater dos dentes. Estas eram
águas do sul, e já estava bem na entrada da primavera.
Era de noite, é obvio.
E ela estava quase nua. Os vestidos de noite não oferecem uma barbaridade de amparo. Mas certamente não estaria sofrendo hipotermia, ou sim? Possivelmente era
só o terror o que a fazia tremer dessa maneira. Entraria primeiro em um coma hipotérmico? E possivelmente depois, quase inconsciente, ou melhor ainda, totalmente
inconsciente, afundaria para sua perdição?
Possivelmente deveria flutuar de barriga para cima. Sempre tinha sido bastante boa nisso. Distraiu-se de seus pensamentos ociosos pelo estranho homem que tinha
caído para lhe fazer companhia e olhou sentida como ele parecia levitar para cima, até que se deu conta de que estava nu da cintura para cima... e que era tão musculoso
como um levantador de pesos.
Ela ainda se estava perguntando como as haveria ele arrumado para subir tão acima do nível da água, quando ele estendeu seus braços para cada lado.
- OH, Deus - pensou ela. - Este louco acredita que pode separar como um avião. Estaria pensando em bater as asas com seus braços? Ou pensaria simplesmente que
ia separar?
Não fez nenhuma das duas coisas. Simplesmente estendeu seus braços e inclinou sua cabeça para frente. Enquanto ela observava, surpresa e em silêncio, a pele
da parte inferior de seus braços e a de seus flancos, sob seus braços, pareceu quase estender-se, de maneira plaina, e começou a formar asas. Asas como as de um
dragão.
- NÃO! - cobriu-se o rosto com as mãos. Deveria haver-se dado conta de que se estava voltando louca. O terror tinha convertido seu cérebro em lodo. Simplesmente
não podia aceitar que estava sozinha neste grande vazio e sua mente tinha inventado um companheiro. Não importava se vivia ou morria agora. Era uma maldita lunática.
Sentiu os puxões dos pulsos, obrigando-a a separar as mãos do rosto. Tinha uma expressão preocupada.
- Não quis te assustar
Ela estalou em soluços, chorando. Libertou as mãos abruptamente, quase como se quisesse saltar longe dela.
- Não! Não me deixe! Não me importa se for um truque de minha mente. Não posso suportar estar sozinha aqui, esperando a morrer. Fica comigo, por favor!
Moveu-se para ela, aproximando-a para si. Sentia-se maravilhosamente quente e vivo para ser um engano da mente. Quase podia acreditar que estava realmente aí.
- Se te levar de volta, ele te matará. Se te deixar aqui, morrerá.
E necessitava ela que lhe dissesse isso?
Ele enrugou o rosto. Não parecia zangado. Parecia como se estivesse fazendo um grande esforço por concentrar-se. No momento seguinte, emergiu sob as ondas, levando-lhe
com ele, tão rápido, que não teve tempo de gritar.
Alex tratou de inalar ar.
Abriu os olhos. Depois piscou. Esfregou os olhos e os abriu de novo. Havia uma... bom, parecia uma bolha rodeando-a. Quase tinha medo de tocá-la, temerosa de
que desaparecesse e ela se encontrasse lutando por ar. Mas se encontrava igual de assustada de não tocá-la, porque precisava saber que era real.
Tentativamente, estirou sua mão e pressionou contra o filme quase transparente que a rodeava. Esta se estirou, cedendo um pouco. Ela retirou sua mão, temerosa
de exercer muita pressão sobre a bolha. Não podia decidir que era aquilo exatamente. Parecia real. Não acreditava estar alucinando ou sonhando.
Mas que tinha passado com seu herói? Com cuidado, voltou para olhar atrás. Reconheceu o rosto do homem que empurrava a bolha de ar que a encapsulava. Definitivamente
era o mesmo homem que tinha falado com ela, e que lhe tinha devotado fazer crescer asas. O problema era que não era realmente um homem.
Da sua cintura para baixo, iridescentes escama de cores verde e azul cobriam sua larga cauda e aleta. Alexis sentiu de repente que lhe tinha acabado o ar. Desmaiou.
* * *
Estava tão escuro quando Alexis finalmente recuperou a consciência, que pensou que tinha ficado cega. Levantou a mão e tratou de sentir seus arredores. Algo
suave a rodeava. Um grande frio a penetrou e ela tremeu, dando-se conta então de que estava molhada.
Levou alguns segundos recordar seus últimos momentos lúcidos, mas quando o fez, pensou que simplesmente tinha tido o pior pesadelo do mundo.
Mas, estava molhada.
Possivelmente teria desacordado no regador e teria golpeado a cabeça? Entretanto, estava se movendo. Não podia ver muito, mas podia sentir que se movia. Também
podia sentir a magra membrana que recordava ter explorado.
Se tinha sonhado tudo aquilo, poderia ainda assim ter estas sensações? Poderia ser isto alguma outra coisa que sua mente tinha interpretado erroneamente como
uma bolha?
De repente, notou uma suave luz e se voltou para ela.
Abaixo dela, podia ver agora o que parecia ser um banco de coral. Estava adivinhando, naturalmente. Nunca havia sentido a mais mínima inclinação de mergulhar
e em realidade nunca tinha visto um coral, exceto possivelmente, em algumas fotografias. Entretanto, aquilo parecia um banco de coral, salvo pela entrada em forma
de gruta e o suave brilho de luz que emanava dele.
Estaria acaso sonhando? O comer frutos do mar normalmente lhe provocava sonhos extremamente estranhos. Mas tinha estado ela comendo frutos do mar? Decidiu que
provavelmente o tinha estado fazendo, embora não pudesse recordá-lo.
Ou estaria possivelmente flutuando inconsciente na superfície do oceano, alucinando enquanto lhe escapava a vida?
O homem - o tritão - estava a empurrando, a ela e a sua estranha bolha, diretamente para a luz.
Uma vez que passaram a entrada, Alexis se deu conta de que aquilo não podia ser uma gruta. Era um corredor em forma de túnel que parecia seguir para sempre e
estava feito pelo homem, porque era reto como uma flecha... ou pelo menos feito por alguém ou algo, de qualquer forma. De maneira quase segura, não era uma gruta
natural.
Devia ser de uma ou duas milhas de comprimento, possivelmente mais, porque lhe pareceu que viajavam através dela durante um longo tempo. Passaram, eventualmente,
através do túnel ao que parecia ser uma grande câmara, ou bem, uma caverna e um lago subterrâneo, embora não pôde ver nenhum sinal de estalactites, que sabia teriam
que estar pressente forçosamente em uma gruta natural.
Então, enquanto se moviam para a superfície da água, Alexis se deu conta de que o teto emitia um tênue brilho - como um céu noturno brilhante. Levemente, pôde
distinguir a piscadas das estrelas.
Então não estavam clandestinamente?
Não fazia nenhum sentido. Tinham que estar em algum tipo de subterrâneo, mas se assim fosse, ela não poderia estar vendo o céu noturno. Pensou sobre isto um
bom momento, mas era como tratar de somar dois mais dois e obter sempre seis, porque a situação não fazia nenhum sentido. Antes de entrar no túnel, tinham estado
rodeados pela escuridão das profundidades marinhas. Ela estava tão seguro disso, como podia estar o de qualquer dos eventos dessa noite. Além disso, o túnel que
tinham seguido era reto como uma flecha, e quase tão nivelado, como se tivesse sido medido com o laser de um empreiteiro. E, se não tinham subido, então era uma
impossibilidade física que isto pudesse ser qualquer outra coisa que não fosse uma gruta.
A menos que... seria isto como a parte inferior de um vulcão inativo? Possivelmente este lugar estava sob o nível do mar, mas estava aberto ao céu porque a caverna
não tinha nenhum teto.
Abandonou todas suas especulações inúteis quando finalmente saíram à superfície. A bolha se desvaneceu tão abruptamente como tinha aparecido e se encontrou suspensa,
carregada contra o peito daquele homem. Agora mais curiosa que assustada, olhou a seu redor.
Ainda havia uma milha, possivelmente duas, de distância para a costa. Na distância pôde ver as luzes brilhantes de uma cidade, estendendo-se a ambos os lados
da costa, tão longe como ela podia ver. A pergunta era que cidade era aquela?
Não podia ser parte dos Estados Unidos. Abundavam as cidades costeiras em seu país, mas certamente, não tivessem podido aproximar-se da cidade como ela e seu
tritão o tinham feito, se essa fosse uma cidade americana.
Sul América? Acaso teriam chegado tão longe? Alexis não era nenhum gênio quando se tratava de geografia, mas tudo isto parecia estar mais à frente do reino da
possibilidade. Mas igual, faz umas quantas horas ela houvesse dito que tudo o que tinha experimentado agora estava também, fora de toda possibilidade.
- O que é este lugar? - perguntou-se, mas a si mesma, que a seu companheiro - Não se vê como nenhuma das ilhas que tenha visto antes.
- Não é uma ilha. Não no sentido exato da palavra, de qualquer maneira. - respondeu ele. Soava cansado.
Alexis voltou a vê-lo. Via-se, também, cansado. Que coisa tão estranha era que sua alucinação tivesse defeitos humanos. Se isto fosse realmente um sonho se sentiria
ele cansado? Tinha um feio pressentimento de que não seria assim, mas decidiu que não podia dirigir mais ginástica mental no momento. Estava totalmente esgotada
e sua cabeça lhe doía como se fosse a explodir.
Tratou de diminuir a dor, tratou de não pôr um grande esforço em pensar algo e optou melhor por simplesmente olhar enquanto se aproximavam mais e mais à estranha
cidade.
Enquanto se aproximavam da praia e ela podia ver mais claramente, um estranho sentido de desorientação se apoderou de Alexis. O lugar... cada edifício, tinha
um estilo definitivamente similar à Grécia antiga... exceto que estes edifícios não estavam em ruínas. Alguns edifícios eram velhos, e possivelmente um pouco gastos,
mas nenhum deles se estava derrubado. A grande maioria pareciam ser edifícios de um só andar, e talvez somente um punhado deles tinham dois ou três andares. Na distância,
no que parecia ser o centro da cidade, havia um grupo de edifícios em uma colina. Estes pareciam ser os únicos que se pareciam um pouco aos edifícios de múltiplos
andares que alguém esperaria ver em uma cidade destas dimensões. No centro deles, uma torre se elevava muito mais alta que todo o resto que a rodeava, quase como
se fosse um farol, ou possivelmente uma torre de observação.
- É muito belo - murmurou Alexis.
A sensação de ausência de peso quase total da água, tinha passado para dar lugar a um sentimento de peso e o ar frio golpeando sua pele úmida fez que se desse
conta de que se encontravam saindo da água. Fez um gesto de contrariedade ao dar-se conta de que tinha perdido todo sentido de lógica de novo. O tipo que a estava
carregando era metade peixe, um tritão. Como podia simplesmente parar e caminhar fora da água? Inclinou sua cabeça para ver a cauda e a aleta de tritão , mas enquanto
o fazia, estas desapareceram.
Ele a colocou no chão e ela se inclinou para olhá-lo a tênue luz, observando com assombro que suas iridescentes escamas tinham cedido seu lugar à pele, com a
parte de abaixo de seu corpo dividindo-se, para converter-se em duas pernas.
Bom, duas pernas e meia.
Estava totalmente nu.
Alexis se endireitou abruptamente, ruborizando-se enquanto se encontrava com seu travesso sorriso.
- Aquiete, menino. Não me importa que tão contente esteja de ver-me, não te vou estreitar a... mão!
A expressão dele mostrava claramente que não tinha entendido a brincadeira.
- Esquece - disse enquanto se voltava para revisar a área. Descobriu que estavam parados sobre o que parecia ser um cais de pedra. Os degraus subiam, facilitando
um caminho que levava a uma muito bela casa de pedra com um estilo muito mediterrâneo.
Uma onda de enjôos caiu sobre ela e cambaleou, tomando fortemente o braço de seu companheiro para não cair.
_Onde estamos? - perguntou.
Ele tomou de novo entre seus braços e a carregou sobre os degraus de pedra até chegar à parte superior. Sem pausar nem sequer um momento, abriu a porta, e entrou.
- Minha casa
- Imaginei - respondeu ela secamente enquanto ele a baixava, devorando-a para estreitá-la a seu lado. Encontrando ao fim suas próprias pernas, Alexis se afastou,
observando o mármore, as mesas lavradas, os cofres... os copos feitos de ouro... todas estas coisas tinham um estilo que ela não podia reconhecer.
- Mas onde está sua casa? E quem é você? Nunca me disse seu nome.
- Sou conhecido como Adônis - disse ele, e se inclinou em uma forma antiquada que se via estranhamente galante, considerando que estava totalmente nu.
Alexis conteve a gargalhada - risada nervosa, talvez. Não estava segura - recusando-se absolutamente a olhar algo que estivesse abaixo de seu pescoço.
- Não o duvido nem por um instante. Mas não deixe que vá à cabeça - disse ela firmemente - e onde estamos?
- Atalantium




Capítulo dois


Alex o olhou fixamente.
- A Atlântida?
Ele se encolheu de ombros.
- Assim a chamam as pessoas de fora.
Pouco a pouco, Alexis se deixou cair ao piso, colocou sua cabeça em suas mãos e renunciou a qualquer esforço por manter-se estóica e lógica. Odiava às mulheres
que choravam a menor provocação ou que se entregavam à histeria quando qualquer pessoa com sentido comum trataria de comportar-se judiciosamente, mas não podia evitar
comportar-se fracamente. Chorou.
Não entendia nada disto. Suspeitava fortemente que estava morta ou que seu marido - o desgraçado - tinha-a encerrada em um hospital mental e que lhe tinham dado
algum tipo de droga que lhe alterava o cérebro.
Mas o único no que realmente podia pensar era em que seu pai estava morto, ela se tinha casado com a serpente que o tinha matado e não havia ninguém que fosse
procurá-la onde estava ela agora.
Ele a tocou antes que se desse conta de que se ajoelhou frente a ela. Estranhamente, no momento em que sentiu o roçar de sua mão em sua cabeça, uma estranha
calma se apoderou dela. Custou-lhe um terrível esforço elevar a cabeça para olhá-lo. Ele sorriu, tomou uma vez mais entre seus braços e a carregou pelas escadas
que saíam da sala de entrada.
O pequeno quarto ao que a levou parecia um banheiro, mas não o era. Tinha formosos mosaicos que se viam muito antigos. Mas os motivos somente tinham um vago
parecido com algo que ela tivesse visto antes.
O trono se via... bom, como um trono verdadeiro, e não como parte de um banheiro. Não viu nada que se parecesse nem remotamente a um lavabo, mas se perguntou
se uma pequena fossa que se via em uma parede funcionaria como um.
Não havia nenhuma tina, mas ocupando todo um extremo do quarto, estava o que parecia ser uma câmara menor. Adônis passou aí, ainda carregando à garota, e finalmente
a colocou em um banco que ocupava toda a longitude de uma parede. Não havia nenhuma cortina à vista, nem chuveiro, nem chaves e entretanto, quase no mesmo momento
no que entraram, foram golpeados por algo que se sentia como água quente, mas não o era.
Ainda sumida em uma estranha letargia, deu-se conta de que a banhavam, como se não fora nada mais que uma criatura indefesa. Em seu seguinte momento de consciência,
estava deitada e despida, em uma grande cama que estava coberta com cobertas de cetim e cheia de travesseiros de todas as formas e tamanhos. A cama era macia e para
seu desgosto, deu-se conta de que estava nua sobre os lençóis, como se não tivesse nem um grama de modéstia.
Com um grande esforço, se arrumou para voltear sua cabeça e descobriu que Adônis estava sentado ao lado dela, esvaziando algum líquido sobre suas mãos. O aroma
de jasmim invadiu seus sentidos. Óleo?
Ele se moveu para os pés dela, levantou um e começou a esfregá-lo - homem maravilhoso - massageando cada pé por turnos até que ela quase sentiu que queria ronronar.
Lhe dobrando os joelhos, Adônis se aventurou para cima colocando um pé em cada uma de suas coxas, e começou a trabalhar um pouco mais acima sobre suas pernas, massageando
cada uma delas a consciência até que os músculos, dolorosamente tensos, começaram a sentir-se suaves e relaxados.
Alexis não queria pensar. Simplesmente desejava desfrutar dos maravilhosamente relaxantes efeitos da massagem - mas já se sentia muito relaxada. De algum jeito,
tinha quase a sensação de sentir-se ausente - sentia-se completamente relaxada, e não se surpreendia de nada do que estava passando, de fato não se sentia nem sequer
incomoda sobre o fato de que estava nua na cama de um homem desconhecido. Seu sentido comum estava totalmente desabilitado.
Entretanto, não tinha tomado nada ainda que lhe tivesse podido produzir esse efeito. Tampouco se sentia enjoada, simplesmente se sentia incapacitada para fazer
algo, mas ao mesmo tempo se dava conta de que tampouco lhe importava.
Sua atenção voltou precipitadamente para as mãos dele quando se deu conta de que a tinha movido até suas coxas. O calor começou a sentir-se em seu ventre no
momento em que as mãos dele começaram a subir de acima a baixo sobre as coxas, desde sua virilha até o joelho.
Ela franziu o cenho, tratando de lutar contra a estranha letargia que não a deixava protestar, lutando contra os efeitos da paixão.
O calor aumentou quando ele continuou descaradamente seu trabalho sobre seu ventre e depois sobre seus seios nus.
Apesar de seus melhores esforços, um gemido de prazer lhe escapou.
Ele sorriu, levantando cada um dos braços de Alexis sucessivamente, massageando-os, antes de colocá-los com cuidado a cada lado do travesseiro que suportava
sua cabeça. Ela queria exigir uma explicação, saber o que estava fazendo ele, mas se deu conta de que não podia falar.
- Tudo está bem - disse-lhe ele, como se pudesse ler sua mente - Simplesmente te relaxe. Desfruta-o.
Isso era o que todos diziam, pensou ela secamente, mas a verdade é que estranha vez o desfrutava. De qualquer maneira ela mal conhecia este tipo! como se atrevia
a tomar-se estas liberdades com ela?
- Shhh! murmuro o homem, colocando um dedo em seus lábios. Não pense.
Alexis franziu o cenho de novo, ao dar-se conta de que ele já não estava fincado entre suas pernas abertas, mas sim se tinha movido e agora se deitava junto
a ela, estirando-se, com seu corpo mal tocando o seu. Quando tinha passado tudo isso? Teria cochilado?
Ele se voltou e tomou um pequeno cacho de uvas de um prato que estava ao lado da cama. Por um momento, pendurou a fruta sobre ela, baixando-a pouco a pouco e
esfregando-a brandamente, primeiro contra um mamilo, e depois contra o outro. O frio das uvas e o suave roçar puseram a seus mamilos eretos, enviando uma nova onda
de calor através de seu ventre.
Mordia os lábios enquanto ele a acariciava, lentamente, preguiçosamente, levando as uvas desde seu seio até seu púbis e de retorno a seu outro seio. Alexis fechou
os olhos, brigando contra o desejo de ceder às urgências de seu corpo.
Repentinamente, a porta se abriu violentamente, golpeando contra a parede.
Como entre sonhos, Alexis abriu os olhos, e depois de uma pequena luta interna, conseguiu elevar a cabeça, sentindo-se estranhamente alheia à intrusão. Não estava
assustada, nem aliviada, mas pensava que alguém vinha resgatá-la.
Adônis rodou da cama e ficou de pé em um instante, encarando furiosamente ao invasor. Entretanto, Alexis se encontrava vagamente consciente de Adônis. Estava
hipnotizada pelo zangado guerreiro que se encontrava na porta e que a revisava como se ela não fora algo mais que um inseto.
Este recém-chegado era, em uma só palavra, magnífico. E tão nu como Adônis. meu deus, que homem - pensou ela, com seu olhar atraída como um ímã a seu membro,
o qual cresceu e ficou ereto ante o olhar nada discreto dela. Entretanto, Alexis se perguntava se não seria, possivelmente, um pouco maior do que ela poderia dirigir.
O grande sempre era impressionante e muito tentador, mas uma garota poderia resultar ferida com o tamanho dessa coisa!
Depois de um momento, ela conseguiu separar seu olhar do troféu do desconhecido e analisá-lo como através de um sonho, de uma maneira relaxada que não se perdeu
de nada. Seu rosto, com altas maçãs do rosto, magro nariz e queixo quadrado, a fazia recordar as palavras do Chefe Índio, especialmente porque tinha o cabelo comprido
e negro. Entretanto, ainda através do quarto, podia ver que seus olhos eram azuis. Sua boca era uma linha dura e direita que fazia que os músculos do estômago do
Alexis se movessem prazenteiramente, como com mariposas. Era alto, ainda mais alto que Adônis, que devia medir mais de 1.90. Seu peito era maciço e cheio de músculos.
Todo seu corpo era musculoso, mas não tinha a massa pouco natural e venosa de um fisiculturista. Suas pernas lhe eram particularmente agradáveis, principalmente
porque ela não estava acostumada a ver pernas bem formadas em um homem. Em sua opinião, os fisiculturista forçavam os músculos de suas pernas até que estas já não
ficavam bem juntas, e a maioria dos outros homens se viam como se suas pernas estivessem atrofiadas.
O desejo que Adônis tinha estado tratando de despertar, correu por suas veias como fogo enquanto olhava a esta homem e sua mente conjurava imagens de seus grandes,
duras e poderosas mãos acariciando-a... seu grande, duro e poderoso tudo lhe fazendo o amor. Sua vista retornou ao rosto, detendo-se desejosa em sua boca, enquanto
novas imagens daquela boca substituindo às mãos com carícias, dançavam em sua cabeça.
O quarto cheirava a testosterona. Alexis sabia que tinha que estar sonhando.
- Thor! como...? - começou a dizer muito zangado.
Esse não podia ser Thor, pensou Alex divertida. Thor era um deus nórdico! Teria que ter belos cabelos dourados. Este tipo se via suficientemente forte e o suficientemente
poderoso para ser um Thor, mas seu cabelo era negro.
O homem ao que Adônis tinha chamado Thor, levantou algo que se via assombrosamente parecido a uma espada e apontou ao Adônis.
_ Sou o guardião. Não pode ocultar seus pensamentos de mim. Tem quebrado a primeira lei. - gritou zangado.
Alexis riu.
O homem se via surpreso. Voltou a vê-la por um momento - como se estivesse seguro de que não tomaria mais que isso para subjugá-la propriamente - e retornou
sua atenção ao Adônis.
- O conselho decretou...
- O conselho decretou que seriam ELES os que julgariam aos externos
- Ela poderia ter morrido.
Thor levantou suas sobrancelhas, e girou a cabeça para estudar a Alexis durante um longo momento. Ela não podia ver nada em seus olhos que indicasse algo mais
que uma tênue curiosidade. Definitivamente não havia compaixão por seus problemas.
- Os assuntos dos externos não são de interesse do conselho
Adônis avançou um passo, furioso.
- E o que há com respeito a você?
- Sou um guardião das leis. Obedeço às leis. Asseguro-me de que todos obedeçam às leis. Sem ela não haveria ordem, só caos.
- Se não sentir nada, então não fica humanidade e portanto não é digno de ser um guardião.
Por um momento Alexis pensou que o homem chamado Thor ia atacar ao Adônis. Possivelmente essa era a intenção do Adônis, provocar uma briga? Se assim fosse, tinha
que estar louco. Este tipo se via como se pudesse fazê-lo comida para ratos.
Depois de um momento, e para alívio de Alexis, Thor pareceu acalmar-se um pouco.
- Deve retorná-la com sua gente, não trazê-la aqui. Sabe que está proibido trazer externos aqui.
-Foi atacada e lançada ao mar para morrer. Se tivesse retornado, o homem a teria matado.
Thor apertou os lábios.
-Terá que apresentar isto ao conselho... como devia ter feito desde o começo. Vêem. Eles lhe esperam.
Adônis voltou a ver Alexis. Via-se muito triste.
- Ela irá comigo.
A cabeça do Adônis girou rapidamente quando este voltou a ver o Thor suspeitamente.
- Por quê?
- Se não deixar que venha comigo, levarei a pela força.
Adônis se via muito surpreso.
- Mataria-a.
- Não. Você o faria.
Alexis não entendia o que falavam os dois homens, mas depois de um momento Adônis voltou a vê-la e a tocou brandamente na frente. Foi como se de repente estivesse
de novo totalmente acordada. Sentou-se na cama, cobrindo-se com os lençóis, olhando grosseiramente ao redor.
- O que está acontecendo aqui? - demandou, enquanto Adônis caminhava para um closet para pegar uma tiara metálica que colocou na cabeça. Quase instantaneamente
esteve totalmente vestido. Ou pelo menos se via totalmente vestido com uma espécie de túnica curta branca. Dedicou-lhe um último olhar e inclusive parecia que lhe
ia dizer algo, mas então, sem dizer uma palavra, saiu enojadamente do quarto.
O homem ao que Adônis tinha chamado Thor se aproximou da cama, estudou-a durante um momento e depois estendeu sua mão.
- Vamos - disse - Tenho que te levar ante o conselho.
Ela se sentiu aliviada ao ver que ele também levava uma túnica e se perguntou que teria sido o que lhe fez pensar que estava nu. Mas embora se encontrava aliviada,
não sentia nenhuma inclinação a obedecer.
- Nem o sonhe amigo! Não sei quem demônios crê que é, mas não vou a nenhum lado contigo.
Aproximou-se dela. Alexis saltou para o outro lado da cama, olhando-o com desconfiança. Ele tomou os lençóis, a devorando tão duro que ela tivesse pirado pelo
quarto para cair junto a ele, exceto ela a soltou, ficando nua de novo.
Alexis tomou um travesseiro e lançou à cabeça. Thor a evitou. Tomou mais, as lançando uma atrás de outra em uma corrida. Ele as atirou todas ao lado. Finalmente,
ela conseguiu lhe dar no rosto com uma. Estava a ponto de lhe lançar a última, mas decidiu conservá-la e a abraçou contra seus seios nus. Olhou ao redor para ver
se podia encontrar algo mais pesado para lhe lançar, mas infelizmente era ele quem estava de pé ao lado do prato de fruto que estava junto à cama.
- Isto é infantil - disse-lhe
- Infantil! - repetiu Alex - Olhe amigo, não te conheço...
- Meu nome é Thor!
- Ah, vá. Isso faz toda a diferença do mundo. Suponho que agora que te conheço, deveria deixar de ser infantil e permitir que me leve e me assassine.
O rosto do Thor se deformou de desgosto.
- É sua gente a que assassina por prazer. Não nós.
Alexis mantinha sua distância.
- Minha gente? Está tratando de me dizer que é uma espécie de extraterrestre ou algo? Porque estaria pronta para acreditar. Sinto que caí do navio e cheguei
a Marte.
- Não seja absurda. Sou tão humano como você.
- Me permita que o duvide.
- Não discutirei contigo - disse secamente, obviamente ofendido.
A Alexis não importava. É certo que Thor se viu o suficientemente bom para comer-lhe quando ela tinha estado sob a influência de - o que tenha sido - mas também
se via o suficientemente grande e zangado para rompê-la em dois. Não permitiria que a apanhasse, se pudesse evitá-lo.
- Bem - disse - porque não ganharia.
Pensou durante alguns momentos que ele perderia o controle. Seu coração fez um pequeno baile diante da ansiedade que sentia.
- Sou o guardião. Vêem comigo. Agora! - ordenou, estendendo sua mão, imperiosamente.
- Supõe-se que eu devo entender isso? Porque não entendo. Não tenho idéia de que caralho está falando e não vou contigo a nenhum lado. E especialmente não vou
a nenhum maldito lugar sem minha maldita roupa.
Thor baixou sua mão e a estudou com um olhar perplexo durante alguns momentos.
- Tem uma língua grosseira.
- Carinho, ainda não ouviste nada! Meu papai trabalhava na construção. Te aproxime de mim e te darei toda uma repassada de meu vocabulário. E se te atreve a
me tocar, te vai doer.
Ele a olhou, duramente. Alexis sentiu uma estranha sensação dentro de sua cabeça. Quase como se uma molesta mosca estivesse voando ao redor dela. Inconscientemente,
agitou a mão, tratando de afastá-la.
Ele levantou as sobrancelhas, com uma expressão de surpresa em seu rosto.
- QUE?! - demandou Alexis, enquanto um calafrio percorria sua espinha, ao mesmo tempo em que lhe ocorria perguntar-se se não haverá detrás dela, algo do que
certamente preferiria não inteirar-se. Depois pensou que não cairia nesse velho truque.
Ele não disse nada. Depois de um momento, dirigiu-se ao guarda-roupa do qual Adônis tinha tirado sua tiara metálica.
- Não pense nem por um momento que vou sair daqui usando somente essa coisinha na cabeça.
Thor tirou uma túnica e voltou para ela
- Você não tem permissão de usar uma tiara. É uma externa.
- Sinto-me como se tivesse caído pelo buraco do coelho branco. De todas as maneiras, acabo-te de dizer que não queria usar uma maldita tiara na cabeça, não?
Ele apertou seus dentes, aparentemente lutando de novo com seu temperamento, mas finalmente se aproximou de novo à cama, com o rosto de pedra e lhe estendeu
a túnica.
Alexis olhou a roupa.
- Suponho que não terá outro destes para me cobrir o outro pedaço - perguntou ela, esquisitamente cortês. Ele não a entendeu.
- Isso não é suficiente para cobrir tudo o que quero me cobrir.
- É tudo o que temos
- O que aconteceu com a roupa que estava usando? - perguntou Alexis, apertando os lábios.
Thor pensou um pouco.
- Adônis a destruiu.
- Meu vestido - gritou ela, cheia de coragem - É um... bastardo.
- Não, não é. Seus pais se casaram.
- Esquece - disse Alexis, estirando-se para lhe arrebatar o minúsculo pedaço de roupa de suas mãos. Não foi o suficientemente rápida. Ele tomou seu braço e a
arrastou pela cama para ele. Antes que pudesse reagir, colocou a mão que tinha livre sobre sua frente. De fato, sua mão era do tamanho de um prato. Cobria todo seu
rosto. Que caralho acredita que está fazendo? - alcançou a pensar ela, enquanto uma estranha debilidade a invadia. Lentamente, sentou-se na cama, olhando-o confusa.
Ele sorriu triunfante, atirou a parte de tecido sobre a cama, levantou-a e lhe passou a túnica por sobre a cabeça. O último pensamento que Alexis teve enquanto sentia
que a carregavam fora do quarto foi que realmente Thor tinha um belo traseiro.
Baixou sua mão e o acariciou, descobrindo que era tudo o que ela tinha esperado. Era firme e curvado. Ele se deteve abruptamente. Bonito - pensou ela enquanto
a escuridão nadava a seu encontro.
* * *
O quarto em que Alexis se encontrou quando despertou abruptamente era cavernoso. Não podia mover-se. Em todo caso, só podia mover seus olhos. Era quase como
se a tivessem amarrado onde estava estendida. Olhou ao redor, perguntando-se onde estaria e, de maneira mais importante, por que estaria aí.
O pouco que podia ver lhe recordava um estádio, ou possivelmente um teatro. Ao que parecia, ela se encontrava em uma plataforma elevada no centro do quarto.
Tinha quinze a vinte linhas de assentos e todos eles estavam cheios ao batente de gente que variava em idade, possivelmente dos vinte aos sessenta anos. Parecia
uma junta do povo. Mas nenhum deles fazia nenhum som, e muito menos, falava.
Era muito, muito estranho, ainda comparado com as coisas que já tinha experimentado. Tivesse podido pensar que não eram outra coisa que manequins, exceto ela
podia vê-los mover-se. Chiando os dentes pelo esforço, conseguiu fazer girar sua cabeça para poder ver um pouco mais.
Viu então que havia uma fila de cadeiras de pedra que pareciam tronos perto de onde ela se encontrava. Nas cadeiras se sentavam seis das pessoas mais velhas
que Alexis houvesse vista em toda sua vida. um pouco mais atrás, em um trono elevado mais acima que os que se encontravam à frente, sentava-se uma criatura que se
via facilmente duas vezes mais velha que os anciões em frente dela.
Felizmente, todos eles usavam largas túnicas brancas.
Nem Thor nem Adônis tinham parecido estar apaixonados pela roupa e ela tinha temido que ninguém neste lugar a usaria. Esse pensamento fez que soassem sinos de
alarme dentro de sua cabeça. Quando as arrumou para olhar para baixo, para si mesma, tirou o chapéu tão nua como o dia que tinha nascido e recostada sobre algo que
se via como um divã ao bordo da plataforma central, onde todos podiam vê-la.
Ia matar ao Thor mal pusesse suas mãos nele. deu conta, para seu imenso alívio, de que podia mover-se se concentrava fortemente. Moveu uma perna sobre a outra,
conseguindo cruzar, e subindo seu joelho apenas o suficiente para que seu sexo não ficasse à vista de todos. Depois moveu um de seus braços sobre seus seios. Se
tivesse tido uma grande quantidade de cabelo, como Rapunzel, seria muito melhor.
Com antecedência já tinha tido estes pesadelos onde estava nua, mas a pesar que tinham sido estranhos, esta era o maior de todas. Uma vez tinha sonhado que estava
às compras e de repente descobria que não levava roupa posta. Também tinha sonhado que tinha ido à escola e que tinha perdido suas roupas em algum lugar entre a
casa e o colégio. Mas esta era a primeira vez que sonhava que tinha decidido ir a uma reunião política totalmente nua.
Sentindo-se um pouco menos exposta, deu-se conta pela primeira vez de um forte zumbido. Sem dúvida, esse ruído era o que fazia que sentisse sua cabeça a ponto
de explodir. Estava tentada a massagear as têmporas, mas decidiu que sua cabeça não lhe doía tanto como para descobrir seus seios.
- Liberaste-a, Guardião?
A voz ecoou dentro do mortalmente silencioso quarto, fazendo que Alexis saltasse, surpresa. Sem considerar que era virtualmente impossível mover-se, Alexis voltou
por volta da fonte do som tão simplesmente como se não tivesse estado lutando durante os últimos dez minutos simplesmente para mover seu corpo alguns centímetros.
Pôde então ver que era o mais velho do grupo o que tinha falado em voz alta. Thor avançou um passo e se inclinou ligeiramente.
- Não, Alto Conselheiro. Ela tem quebrado a atadura.
Uma expressão de assombro pareceu elevar-se e mover-se ao redor do grande quarto como uma onda. A criatura - Alexis não poderia ter sabido, nem que sua vida
dependesse disso, se aquilo era um homem ou uma mulher, porque nem o timbre de sua voz dava uma pista - voltou a olhá-la durante compridos momentos, com uma coisa
muito similar a uma expressão de assombro em seu rosto.
Atrás dela, Alexis ouviu um murmúrio, de muitas vozes, mas baixo, estranhamente calado para um grupo tão grande.
Adônis tomou um passo à frente.
- Fala - disse o Alto Conselheiro - A conversa com a mente causa dor a nossa hóspede.
Adônis olhou brevemente ao Alexis
- Quero conservá-la como meu par. - disse ele finalmente.
Alexis tinha a boca aberta. De qualquer jeito? Que ela não teria nada que dizer no assunto? O Alto Conselheiro a olhou.
- Pode fazê-lo
- Fazer o que? - Alexis olhava com um grande assombro ao Conselheiro.
O Alto Conselheiro se via visivelmente incomodado. Olhou aos outros na plataforma e depois dirigiu seu olhar para ela.
- Perguntou se não teria algo que dizer com respeito a esta decisão. Fala.
- Eu não... - Alexis se deteve. Tudo neste lugar era absolutamente estranho. Não podia ser ou ser? - vocês podem ler a mente?
- Conversamos. - O Alto Conselheiro duvidou - Sua gente chama telepatia.
Os pensamentos de Alexis se voltaram agora caóticos. O que mais ressaltava em sua mente eram seus encontros iniciais com o Thor. Voltou a olhá-lo, horrorizada,
perguntando-se se ele também poderia ler sua mente e se efetivamente o teria feito. Ao mesmo tempo tratava de recordar, freneticamente, o que era o que tinha passado
por sua mente então. Desgraçadamente, recordava mais do que tivesse desejado. Parecia-lhe agora que se eles foram liberar a de todas suas inibições, pelo menos deveriam
ter a cortesia de lhe fazer esquecer tudo o que tinha pensado durante sua influência. Thor não olhou em sua direção absolutamente, mas se ruborizou.
Alexis sentiu o sangue subir a suas bochechas até que estas se acenderam como um letreiro de luz néon. cobriu-se o rosto com suas mãos. Me matem agora - pensou
- Eu vou morrer de pena, de todas maneiras. Ou mas ainda, viverei.
Com um grande esforço, conseguiu empurrar todas essas memórias à parte de trás de sua mente, lutando por um pouco de compostura. Olhou ao homem que Thor tinha
chamado Alto Conselheiro.
- por quê?
- Não podemos ser ouvidos pelos de sua raça se somente conversarmos telepaticamente. Ninguém, sem telepatia, pode ouvir os pensamentos.
- Então... vocês decidiram converter-se em telepáticos de um dia para outro?
A criatura se via divertida.
- Algo assim. Meu nome é Aurora.
Alexis ficou totalmente vermelha quando se deu conta de que... bloqueou esse pensamento.
As sobrancelhas de Aurora se elevaram.
- Não é como o resto de sua raça
A Alexis não gostava como soava isso.
- Foi um simples comentário. Não um julgamento.
- Sinto muito. Não quero ser desrespeitosa, mas me parece muito grosseiro que leia a minha mente.
Aurora se via zangada.
- É uma externa. Uma intrusa aqui. Nosso direito a nos proteger tem maior prioridade que seu direito à privacidade.
Alexis apertou os lábios.
- Está bem. me dêem minhas malditas roupas e irei! De todas maneiras, tenho alguns negócios sem terminar que tenho que atender. E minha raça não anda por aí
nua. E esse... esse cão guardião de vocês me arrastou até aqui sem sequer um pedaço de tecido para me cobrir.
Alexis sentiu uma onda maciça de irritação e de incredulidade cair sobre ela. Sabia, de algum jeito, que era a reação que toda a multidão tinha por seu pequeno
discurso. O problema era que ela não estava totalmente segura de que parte era a que tinha ofendido a todos. Possivelmente tinha sido todo o discurso? Voltou para
encontrar ao Thor olhando-a. Ela o olhou de volta, mas ele decidiu ignorá-la. Alexis fez um gesto de desprezo e retornou sua atenção ao Alto Conselheiro.
- Thor é o guardião - disse Aurora, imperiosa.
- Sim, isso foi o que ele disse.
- Suficiente
Alexis sentiu um estremecimento, e tratou de dissimular seu desconforto, desejando ao mesmo tempo em que seu nervosismo não a tivesse levado a um comportamento
descaradamente agressivo.
Aurora se voltou para o Adônis.
- Tenho que negar seu desejo.
Adônis parecia lutar com sua própria irritação.
- Por quê? É óbvio que ela carrega genes latentes da raça. Poucos, ainda entre nós, tivessem podido romper a atadura. - disse enquanto lançava um olhar suspeito
ao Thor.
Thor o ignorou.
- Você quebrou a primeira regra. Não pode ter uma recompensa por ter quebrado as leis, sem importar as circunstâncias. Se ela tivesse escolhido, isso poderia
se considerar como um castigo apropriado. Mas ela te rechaçou. - entoou em uma voz que se desgastou pela falta de uso, um de quão velhos estava sentado em frente
de Aurora.
Alexis sentiu uma onda de culpabilidade ante o olhar que lhe lançou Adônis. Lhe tinha salvado a vida. Ela não queria parecer mal agradecida, e estava triste
de que obviamente, comportou-se como tal. Mas o fato era que ela não queria ficar aqui, ainda se eles tivessem desejado que o fizesse. Essa serpente com a que se
casou se saiu com a sua em um assassino - em um assassinato duplo. Ela não podia lhe permitir gozar da vida que lhe tinha arrebatado a seu pai, lhe arrancar de seu
pai as recompensas de anos e anos de trabalho árduo que seu pai tinha suportado para poder-se retirar comodamente. Quase ao mesmo tempo, todos os anciões voltaram
a vê-la. Em suas caras se viam distintos graus de simpatia. Aurora falou.
- Desgraçadamente, ainda quando sua causa é justa, não é tão singelo. Em nossa sociedade teria o direito de exercer vingança sobre aquele que assassinou a seu
pai. Mas não podemos te permitir que simplesmente vá. Se está determinada a seguir esse caminho, terá que te submeter a uma absorção de cor.
Alexis ficou com a boca aberta, e com um sentimento de horror que a invadia. Não gostava nada de como soava aquilo.
- Exatamente do que estamos falando aqui?
- Não podemos permitir que leve memórias. Devemos as apagar.
Alexis esqueceu completamente que estava nua. ficou de pé, furiosa, horrorizada.
- De maneira nenhuma vou permitir que toquem meu cérebro.
Os conselheiros não se viam impressionados por seu ataque de fúria.
- É a lei - entoaram todos ao uníssono.
- Tomem sua maldita lei e metam-lhes.
Aurora olhou ao Thor. Ele caminhou então para Alexis muito decidido. Alexis saltou do divã, conseguindo ficar apenas fora de seu alcance e lançando um olhar
sobre seu ombro para assegurar-se de que ninguém pensava atacá-la por onde ela não pudesse vê-los. A multidão parecia cravada em seus assentos em choque. Adônis
não se moveu em sua direção tampouco, mas tinha uma expressão divertida. Os anciões não se viam nem surpreendidos nem divertidos, mas permaneceram sentados. Alexis
duvidava de toda maneira que eles fossem uma ameaça, assim que se concentrou no Thor. Ele tinha uma expressão que refletia ao mesmo tempo surpresa, desconforto e
irritação.
- Alto.
Alexis lhe tirou a língua, desafiando-o a que a seguisse. Ele se lançou sobre ela, mas esta vez, Alexis estava preparada para a assombrosa velocidade do Guardião.
Saltou no ar e o apanhou com um chute de mariposa diretamente ao queixo.
Ninguém estava mais assombrada que ela mesma de que aquilo tivesse funcionado.


Capítulo Três

Alexis estava correndo ao bordo da plataforma ainda antes de ter posto os pés sobre o piso. Alcançou o bordo em três pernadas, saltou e alcançando o corredor
que corria por abaixo da plataforma, começou a correr sobre ele para a saída mais próxima. Esperava que fosse uma saída. Quase tinha alcançado sua meta, quando uma
mulher saltou de uma das bancas inferiores, caindo em frente a ela e lhe bloqueando a saída. Era possivelmente a criatura mais bela que Alexis tinha visto em sua
vida, e não pôde evitar sentir um prazer perverso quando executou um chute voador perfeito, fazendo que a mulher caísse justo aí. Sem deter-se saltou sobre ela e
chegando à saída, correu por um comprido e escuro corredor.
Essa gente vivia perto da água. Sabia que tinha que haver um bote perto. Ouviu uns fortes passos atrás dela, antes de chegar na metade do corredor... muito pesados
para a mulher. Sem dúvida era Thor. Tinha esperado poder ter uma vantagem maior, mas o som levantou sua adrenalina e isso lhe permitiu correr mais rápido. Tão rápido
que se estrelou contra a parede quando o corredor deu um giro inesperado.
Alexis seguiu correndo, mas podia ouvir os passos aproximar-se. Ignorando sua dor no braço e no ombro, voltou a acelerar, e passou quase voando pela porta aberta
ao final do corredor, tão rápido, que o vento que soprava por seus ouvidos quase fazia que não pudesse ouvir seus perseguidores.
Não precisava deter para recolher seus pertences. Não se atrevia. Já era de amanhã. Muito cedo, mas suficientemente iluminado para dar-se conta de que estava
no lado da cidade que tinha visto quando Adônis havia a trazido. Com somente uma pequena pausa, encaminhou-se para a praia. Chegou ao bordo da água em minutos. Felizmente,
o Coliseu só estava a uma quantas quadras de seu objetivo. O cais se via muito escuro com apenas o leve brilho da manhã, mas não pode ver nenhum bote. Foi para a
direita, esperando, quase estando segura de que veria algum bote de algum tipo, se seguia a linha da costa.
Entretanto, seu perseguidor se encontrava cada vez mais perto dela. obrigou-se a correr mais rápido, mas de todas maneiras pareciam estar cada vez mais perto.
Não aparecia nenhum bote que pudesse ajudá-la a escapar. Thor - ela sabia que tinha que ser ele - apanharia-a se continuasse correndo pela costa, antes que passasse
muito mais tempo. Correu para o seguinte cais, meteu-se na água e começou a nadar com todas suas forças.
Quando finalmente se atreveu a olhar por cima de seu ombro, viu o Thor parado no bordo do cais. Enquanto olhava suas pernas se fundiram juntas e escamas fosforescentes
substituíram à pele, uma cauda apareceu onde antes tinham estado seus pés.
Pedalou e nadou tão forte como podia quando o viu meter-se à água, mas sabia que era inútil. Seu pequeno momento de liberdade era uma causa perdida. Sentiu uma
mão apanhar seu tornozelo, devorando-a até detê-la, tão forte, que a afundou. Ela lançou um chute que conectou com algo. Quando sentiu que a pressão da mão se afrouxava,
impulsionou-se à superfície.
Thor saiu junto com ela. Ela o olhava, enquanto lutava por aspirar ar. Ele se via ligeiramente cansado. Estirou-se para ela, tomando suas duas mãos e a puxou
para ele. Estavam virtualmente nariz contra nariz.
Alexis não pensou. Não podia fazê-lo. Olhou sua boca dura e agressiva, recordando haver-se perguntado como se sentiria sobre a sua e levantou seus olhos aos
dele em uma súplica inconsciente.
Como se não pudesse controlar-se, ele colou sua boca na dela. O calor correu por ela com esta primeira tentativa de seus lábios contra os próprios. Alexis tomou
ar, confusa pela onda de desejo que corria por dentro dela, enquanto a boca daquele homem se fechava sobre a sua. Uma estranha debilidade seguiu ao calor, quando
seu corpo se derreteu como resposta à cercania dele.
Repentinamente, Alexis tratou de golpeá-lo com o joelho. Infelizmente, ele era muito mais alto que ela, e falhou no intento de golpear seu ventre. Além disso,
a água fazia mais lentos seus movimentos, assim que o golpe não tivesse sido muito efetivo, ainda se ela tivesse alcançado sua meta, na zona onde normalmente tivessem
estado às genitálias dele.
De todas maneiras, Thor estava tão surpreso pelo ataque, que a soltou. Alexis sabia que estava muito fraco para ter uma boa oportunidade. Ainda assim, tratou
de escapar, lançando água a seu rosto, antes de dar a volta, e tentar nadar de novo. Ele a apanhou antes que tivesse podido dar duas braçadas, voltando-a, para poder
ver seu rosto.
Quando ela viu que sua mão se aproximava de seu rosto, seu primeiro pensamento foi que a empurraria dentro da água e a manteriam aí até que deixasse de lutar.
Em lugar disso, a mão cobriu seu rosto. Caiu a escuridão e desapareceu toda consciência.
* * *
Alexis esteve olhando as vigas que se entreteciam no escuro teto por vários momentos antes que sua memória retornasse. Quando o fez, ficou de pé rapidamente,
procurando alguma possível escapatória.
A câmara onde despertou desta vez era muito mais feminina que o Coliseu, mas ainda assim era muito grande para ser um quarto normal. Ao igual à casa do Adônis,
este lugar estava cheio de tesouros além da imaginação. Mas a diferença da casa daquele que era bastante espartana, este quarto emanava o sentimento caseiro de alguém
que viveu em um mesmo lugar muitíssimos anos e acumulou muitas posses apreciadas.
Aurora estava sentada em uma cadeira, observando-a. Era a única outra pessoa no quarto.
- Não poderá escapar.
Isso soava a um desafio. A expressão de Aurora se converteu em uma mescla de diversão e simpatia.
- Suponho que poderia soar como um desafio, e não duvido que seja uma jovem com muitos recursos, mas não é... possível, humanamente falando.
Alexis simplesmente a olhou durante algum tempo, perguntando-se que parte do que diziam seria o que discutiria primeiro.
- Humanamente? - perguntou finalmente.
Aurora sorriu ligeiramente.
- Não estou segura de que o pudesse explicar a você...
- Eu tenho um entendimento razoavelmente bom.
Aurora assentiu.
- Não duvido de sua inteligência. É simplesmente que não aceitaste que tudo isto é real e não um simples truque de sua imaginação.
- Tem que admitir que não é algo fácil de aceitar.
- Admito. Se não fôssemos temas de mitos e fábulas, possivelmente seria mais singelo, mas duvido que ainda assim... - Aurora tremeu.
Alexis também sentiu um calafrio, estreitando-os braços inconscientemente. Aurora inclinou a cabeça para o bordo do divã onde Alexis estava sentada.
- Aí há uma bata, se te faz sentir melhor.
Alexis tomou agradecida. Descobriu que era um pouco parecido a uma toga, com uma abertura no pescoço e não na frente e a pôs por cima da cabeça.
- Ainda não respondeste a minha pergunta.
- Somos humanos, mas não como você.
- Não o tinha notado. - disse Alexis, secamente.
Um gesto de irritação cruzou o rosto de Aurora, mas depois de um momento, desapareceu.
- Faz muito tempo nos demos conta de que possuímos muitos dons que outras raças ou tribos, podes chamar de algum jeito, não tinham. Ou, para pôr o de maneira
mais precisa, suponho que tínhamos dons mais fortes que outras pessoas. Nós -- cultivamo-los.
- A telepatia?
- Entre outras coisas
- Quer me fazer acreditar que vocês são realmente de Atlântida? A Atlântida? Da que se fez tantas histórias?
Aurora riu.
- Não me importa que crê ou não. Esta é Atalantium, a única Atlântida, se prefere chamá-la assim, que jamais existiu.
- Mas... mas - Alexis lutava por encontrar palavras - Isso foi faz milhares de anos, antes de Cristo, antes ainda... do Platão. Pode que não saiba muito de história,
mas pelo menos sei isso.
- O tempo significa muito pouco para nós.
Alexis a estudou durante um longo momento.
- Então todos aqui têm milhares de anos de idade? São... imortais ou algo?
De novo, Aurora riu um pouco.
- Não imortais. Alguns um pouco mais velhos que outros. Somos gente que vive muito tempo - muitas vezes uma vida de vocês - mas acredito que não entendeu o que
quis dizer quando te disse que o tempo significa pouco para nós. Não é uma barreira para nós.
- Não é uma barreira? - disse Alexis, pensativa - Viajam através do tempo? Está dizendo que viajam através do tempo?
- Caminhamos pelo tempo. Atlântida tem centenas, não milhares de anos. Nossa idade é de centenas e não de milhares de anos -- embora eu sou a Atlante mais velha.
De fato tudo fazia sentido -- de algum jeito louca. Com razão os Atlantes lhes tinham parecido tão avançados comparado com todos outros no mundo antigo. Eles
simplesmente tinham caminhado pelo tempo, tinham aprendido o que tinham necessitado ou tomado o que tinham querido, colecionando o melhor de qualquer era que desejassem.
Aurora assentiu.
- Temos muito conhecimento -- sabedoria valiosa -- mas toda nossa tecnologia não é emprestada, mas tampouco é totalmente nossa.
- Mas são humanos? Não são extraterrestres?
- Somos humanos. Somos humanos melhorados geneticamente. Por isso disse que não poderia escapar. NÓS podemos ir e vir. Nenhum humano que não tenha nosso dom
para caminhar pelo tempo, poderia deixar Atlântida. Temos poucos botes, porque realmente não os necessitamos. E se lhe arrumasse isso para tomar um, ou fazer um,
não poderia sobreviver o corredor que nos conecta ao mar, ou a pressão submarina tão forte a que nos encontramos.
Os olhos do Alexis se fizeram pequenos.
- Quase me enganou. Deve pensar que sou tola, mas posso ver o céu. Sei que isto deve ser uma ilha.
Aurora deixou escapar um grande suspiro.
- É uma ilusão. Separamo-nos do resto da humanidade faz muito tempo. Por culpa de nossos dons e de nossa tecnologia, olhavam-nos como se fôssemos o produto de
bruxaria, de magia. Fomos muito admirados e às vezes fomos adorados, mas também nos temiam e nos odiavam. Quando pensamos construir nossa civilização, muito tempo
antes do homem moderno, cremos que estaríamos a salvo e que poderíamos viver em paz. E assim foi por um tempo, só porque possuíamos a habilidade de viajar grandes
distancia muito rapidamente. Muitos vieram -- a destruir, a tomar, a tratar de nos apagar da face da história. Finalmente nos demos conta de que teríamos que renunciar
a todas as coisas que nos causavam uma grande alegria ou viver longe daqueles que eram diferentes a nós, já que não teríamos paz de nenhuma outra forma. Assim, construímos
um grande domo para proteger nossas cidades e inundamos nossa civilização abaixo do mar, longe daqueles que a tivessem destruído a ela ou a nosso modo de vida. Mas
não contamos com os efeitos do isolamento -- ou o efeito de viver no que para todos efeitos práticos não era mais que uma gruta. Tivemos que criar a ilusão de viver
no mundo que tínhamos deixado. De outra maneira, tivesse-nos sido simplesmente insuportável.
Certamente, Alexis não era uma perita no campo da história, muito menos da história antiga, mas podia entender as razões de ter tomado uma decisão tão drástica.
Não tinha feito a China mais ou menos o mesmo? Não se tinha isolado do mundo civilizado? Mas a China se uniu de novo ao mundo eventualmente, e se tinha dado conta
de que tinha sido adiantada por quão bárbaros que tanto desprezava.
- Tudo isso foi faz muito, muito tempo. Posso entender porque pôde ter sido uma boa idéia naqueles tempos, mas por que alguma vez voltaram a unir-se à raça humana?
Mudamos muito, tornamo-nos mais civilizados.
Aurora se via divertida.
- E seríamos aceitos agora?
Alexis teve que admitir que, pelo menos como eram agora, não o seriam.
- Se puderam adaptar-se a isto, poderiam se adaptar a tudo.
- Mas seguiríamos sendo fenômenos. Diferentes. Ninguém nos deixaria em paz. Os governos atuais brigariam por nossa tecnologia. Os cientistas quereriam nos provar
e nos estudar. Não estamos totalmente isolados. Estamos muito conscientes do mundo exterior.
- Por isso não podem permitir que alguém de fora... um externo, entre e depois se vá de novo.
- Não com lembranças de nós.
- Não acredito que ninguém me acreditasse, ainda se estivesse o suficientemente louca para falar disto.
- Alguns poderiam acreditar. Muitos ainda procuram a Atlântida.
Alexis ficou vendo durante um comprido momento.
- Não vou deixar que ninguém jogue com minhas memórias. Eric me confessou que tinha matado a meu pai. Pensa que também matou a mim. Tenho que retornar. Tenho
que fazer que o assassino de meu pai seja levado ante a justiça. Se tira minhas memórias, não só não poderei fazê-lo, mas também além disso estarei indefesa. Iria
diretamente para uma emboscada e ele simplesmente terminaria o que já tratou de fazer uma vez.
- Conservaria todas suas memórias, exceto as memórias de ter sido resgatada pelo Adônis e todo o relacionado conosco.
Alexis não disse nada. Não podia lhe acreditar, sem importar que maravilhosa fora sua tecnologia, que poderiam apagar tão seletivamente algumas memórias e deixar
outras.
- Assim... posso ficar, ou posso ir e não recordar nada.


Capítulo Quatro

Alexis pensou que ninguém lhe acreditaria se simplesmente dizia que tinha decidido ficar depois de tudo. Se ela estivesse no lugar deles, duvidaria e isso que
ela era muitas vezes ingênua - para mostra bastava recordar Eric - e Aurora se via muito conhecedora do mundo exterior para ser ingênua.
Assim simplesmente disse que gostaria de ter tempo para pensar.
Para seu alívio, Aurora aceitou isso. Disse, entretanto, que era uma decisão um pouco mais complicada que simplesmente ir ou ficar. Ainda se Alexis decidisse
ficar, não seria automaticamente aceita como membro da comunidade. Para poder ser aceita, teria que passar certas provas.
A Alexis não gostou do som daquilo. Imediatamente visualizou o tipo de provas arcaicas que envolviam tortura de algum tipo. Aurora riu então e explico que eram
mais de natureza médica e relativamente indolores.
Alexis não acreditou.
- A confiança é algo difícil para alguém que vem de seu mundo. Sei. Mas, com o tempo, entenderá que nós não mentimos.
- Não quero ser grosseira, mas não disse que eram vocês parte da raça humana?
- Somos telepatas - disse Aurora brandamente, sorrindo.
Isso era verdade. Mas por outro lado, ainda era parte da natureza humana dizer mentiras, pelo menos por um instinto de conservação, e sempre havia formas de
fazer as coisas, se a gente queria realmente as fazer.
Foi liberada aos cuidados de outra Atlante: uma mulher chamada Helena. A expressão da Helena quando Aurora as apresentou não denotava nenhuma emoção, mas como
Alexis a reconheceu quase imediatamente como a mulher a que tinha golpeado quando esta tinha tentado deter sua fuga, duvidou seriamente que pudessem converter-se
em amigas.
Por sua parte, mostrou-se cuidadosamente cortês enquanto abandonavam a câmara de Aurora, não porque tivesse medo desta gente, mas sim porque não via nenhum benefício
em dar a notar suas intenções sendo abertamente antagônica.
Fechando cuidadosamente a porta de Aurora atrás delas, Helena girou para Alexis e sorriu cuidadosamente.
- Vocês os externos são primitivos e ásperos. Não tenho idéia de por que Aurora e Adônis lhe consideram especial. Somente pensa algo e esse pensamento fica aí,
para que todos o percebam.
Alexis apertou a boca. Uma série de grosserias lhe veio à mente. Não fez nenhum esforço por detê-la, nem tampouco por deter as ameaças de violência física que
a acompanhavam.
- Como o disse. Bastante selvagem.
- Ah sim? Bom, de todas maneiras te chutei o traseiro.
Ainda Alexis se dava conta de que seu comentário não fazia nenhuma lógica a sua defesa, mas decidiu que não lhe importava. Aquela mulher a obrigava a procurar
uma saída para sua frustração.
- Pegou-me despreparada, selvagem.
Alexis pôs suas mãos em sua cintura. A mulher já não lhe caia bem, e além disso, já estava muito cansada de que todo mundo queria lhe dar ordens e a tratar com
atitudes de superioridade Atlante. Sob circunstâncias normais, nunca lhe tivesse ocorrido nem sequer considerar a violência física, mas neste momento, essa forma
particular de liberação soava extremamente atrativa.
- Então -- em guarda. Farei de novo
Helena somente fez um gesto de desprezo.
- Não tenho nenhum desejo de me rebaixar a seu nível.
Deu a volta e começou a caminhar pelo corredor no que se encontraram quando saíram do apartamento de Aurora.
Alexis pensou, com pouco interesse, que a estrutura em que estavam devia ser algo assim como um edifício de apartamentos, com portas alinhadas a ambos os lados
do comprido corredor. De qualquer maneira, estava muito mais interessada na briga que Helena tinha iniciado, somente por insistir em comportar-se de maneira tão
pedante, situação que não tinha feito as coisas para Alexis ou melhorado sua situação. Caminhava atrás da Helena.
- Quererá dizer que não tem nenhum desejo de que lhe chutem o traseiro novamente... - murmurou, provocativamente.
Helena se deteve abruptamente, enfrentando-a.
- A violência não está permitida aqui. Thor chegaria instantaneamente no momento em que aceitasse sua provocação.
- Essa é uma desculpa tão boa como qualquer - disse Alexis, encolhendo-se de ombros.
Helena voltou de novo e começou a caminhar rapidamente. Era bastante mais alta que Alexis e esta tomava um grande esforço caminhar a sua velocidade.
- Thor também pensa que é uma selvagem. Fez-me prometer que te cuidaria muito bem.
- Detenha. Está machucando meus sentimentos. - Esta vez foi o turno do Alexis de burlar-se.
- É uma criatura muito provocadora - respondeu Helena, entrecerrando os olhos.
- Eu não gosto de ser amável. Não é como se eu tivesse querido estar aqui.
- Adônis foi um idiota ao te trazer.
- Só estava tratando de me ajudar.
- Desejava-te, selvagem. Isso é tudo. Se não te tivesse desejado, estaria agora com os peixes.
Apesar de seus melhores esforços, Alexis não pôde evitar sentir medo ante a lembrança. Helena riu maliciosamente.
- Estou segura de que muita gente pensa que é bonita. Papai dizia que há gente bonita por dentro e por fora, mas você é tão desgraçada, que simplesmente não
te visualizo assim.
- Thor pensa que sou bonita. Sou sua primeira esposa.
Alexis estava surpresa.
- A primeira? Pois quantas tem?
- Você não entende nossos costumes. Eu sou sua primeira esposa. Não importa a quantas tome. Eu sempre serei sua primeira esposa.
- Que afortunada - disse Alexis secamente - Eu não gosta de compartilhar.
Helena riu de novo.
- Eu nunca o compartilharei. É a mim a quem ama. Ele pode tomar outras esposas ou concubinas, mas eu sou a única mulher que ele amou.
- Bom para você - explodiu Alexis, recusando-se a analisar por que os comentários da Helena a incomodavam tanto.
- Ele é o mais poderoso entre nós, nosso maior guerreiro. Por isso é o Guardião.
Alexis teria se impressionado se não tivesse estado tão irritada.
- O que é esta intriga do Guardião do que todo mundo fala e fala? Não entendo
- Thor é o protetor da paz, o defensor das leis e o protetor do nosso povo.
- Não me leve a mal, estou segura de que tudo isso é muito impressionante -- mas considerando tudo -- não posso imaginar que sua gente realmente necessite muito
amparo. Não é como se todo mundo soubesse que estão aqui.
- É certo que não foi chamado a defender Atalantium durante muitos anos - disse Helena muito séria -- mas é muito tranqüilizador saber que o temos para nos defender
se se desse a necessidade.
- Penso que necessitariam um exercito de Thors se a Atlântida sofresse um ataque sério alguma vez.
- Isso é porque não sabe do que ele é capaz. Ainda suas mais poderosas armas seriam inúteis contra ele.
Isto já era realmente exagerar. Alexis decidiu ignorá-la. Obviamente a mulher estava louca... certamente obcecada pelo cara. Pensou que podia compreendê-la,
até certo ponto. Ele era muito bonito. Pena que fosse tão estúpido.
- Ele tampouco pensa muito bem de você. Disse que não podia entender como Adônis estava tão perdido por você, já que não é nada fora do ordinário... muito simplista,
de fato.
- Suponho que chorarei toda a noite por isso. - Apesar de sua pedante resposta, Alexis se sentiu doída, mas não estava disposta a demonstrá-lo.
Helena sorriu, lhe dando a entender ao Alexis que tinha perdido seu tempo tratando de ocultar seus sentimentos. Alexis mal pôde resistir à urgência de lhe dar
uma bofetada. Tinham chegado por fim ao final do comprido corredor. Ignorando o olhar indignado de Alexis, Helena abriu a porta, lhe indicando que passasse primeiro.
A forte luz do sol era quase cegadora, depois da penumbra do corredor, mas era cálida e acolhedora. Uma agradável brisa roçou as bochechas da garota, lhe fazendo
recordar a primavera. Levou vários momentos dar-se conta de que nenhuma das sensações que acabava de interpretar como um ensolarado dia da primavera eram reais.
Sentindo-se quase desorientada pelo achado, Alexis caminhou precavidamente para fora e se encontrou em um jardim. Havia vários vasos de pedra que se estendiam em
todas as direções, em um desenho geométrico. Entre os corredores, havia flores exóticas que criavam uma revolução de cores, perfumando o ar com suas essências combinadas.
Recordava-lhe o jardim de seu pai. Que sua mãe tinha desenhado fazia já tantos anos que mal podia recordá-lo. Fez ter saudades sua casa, como nada mais tivesse podido
fazê-lo.
- Terá que ficar no lar do Adônis por agora, até que o conselho dite seu destino.
Definitivamente não gostava como soava aquilo, mas não queria que Helena visse sua preocupação. Em lugar disso, concentrou-se no Adônis.
- E Adônis? Onde ficará ele?
- Adônis foi banido. É seu castigo por te trazer até aqui. Não lhe permitirá retornar durante um ciclo completo da terra.
- Um ciclo completo?
- Um ano.
- Um ano! - exclamou Alexis, indignada de que o estivessem castigando tão duramente porque tinha sido o suficientemente amável para ajudá-la. - Isso não me parece
justo.
- Rompeu a primeira lei. Tem sorte que tenha sido só um ano.
* * *
Alexis ficou um pouco surpresa quando Helena se despediu e começou a retornar sozinha por onde tinham vindo.
- Não me vais levar lá?
Helena voltou a vê-la com uma mescla de alegria e surpresa.
- Que não pode encontrar o caminho sozinha?
- Somente estava perguntando se sou livre para ir e vir sozinha - disse, ruborizando-se.
- Não pode escapar. Não vejo razão alguma para te levar. Não me pediram que o fizesse.
- Cadela - murmurou Alexis, dando a volta e caminhando para a porta que podia ver no outro lado do jardim. Quase golpeou ao Thor com a porta do jardim quando
a açoitou para abri-la. Ambos ficaram quietos, olhando-se surpreendidos. recuperaram-se de seu assombro ao mesmo tempo, enquanto se observavam.
- Devia saber que mandariam ao cão polícia - disse Alexis zangada - mas não sei por que não puderam ter mandado a alguém mais divertido, como o coveiro.
- Sempre açoita as portas assim?
Alexis o estudou por um momento.
- Bem. Agora que esclarecemos quão contentes estamos de nos ver, adeus.
Olhou ao redor para orientar-se e começou a caminhar por uma larga rua empedrada em direção do que acreditava era a casa do Adônis. Não pensava que poderia perder-se
muito. A cidade estava estruturada como as raias de uma roda. O Coliseu e os edifícios de governo estavam na parte central. As ruas formavam as raias, saindo do
centro. Cada rua tinha o que pareciam ser lojas de um tipo ou outro de um lado e edifícios similares ao que acabava de deixar do outro. Pensava que certamente também
seriam edifícios de apartamentos. além das lojas, havia lugares para famílias, as casas dos Atlantes. Se seguisse a rua até o cais, teria que encontrar a casa do
Adônis sem muita dificuldade.
Só esperava poder reconhecê-la. Todos os edifícios se viam muito similares e ela só tinha visto a casa do Adônis uma vez e de noite. Thor começou a caminhar
ao lado dela enquanto passava por um tumultuoso mercado, tratando de ignorar que a metade deles que via não estavam usando nem um pedaço de roupa. Alguns poucos,
a maioria as pessoas mais velhas, usavam batas similares a que Alexis estava usando agora. Outros estavam vestidos com pinturas exóticas, desenhadas no corpo. Algumas
pessoas mais jovens estavam vestidas com roupas muito amalucadas com plumas, peles e roupas muito transparentes. Ao parecer, os Atlantes não tinham um grande pudor.
A seu redor, as pessoas faziam gestos e assinalava, mas ninguém falava.
Realmente não era difícil ignorá-los, ainda com suas estranhas roupas, ou a ausência destas. Thor era, entretanto, um assunto totalmente diferente.
- Estou surpresa - disse Alexis secamente quando ela acelerou o passo, mas ele se recusou a perdê-la.
- Não me enviaram a te escoltar - disse ele.
Alexis se deteve, estudando-o durante um comprido momento.
- Aurora diz que os Atlantes nunca mentem. Diz que não lhe enviaram a me escoltar, mas aqui está, me seguindo.
- Muito poucas vezes.
- O que?
- Os Atlantes mentem muito poucas vezes.
- Ah há! - disse Alexis, triunfante. -Sabia - era possivelmente a primeira coisa que alguém lhe havia dito desde que estava aqui e que podia acreditar completamente.
Thor sorriu ligeiramente, mas se via confundido.
- Dá-te gosto saber que algumas vezes mentimos? É uma criatura estranha.
O comentário levantou imediatamente sua ira, porque Helena se referiu a ela como uma criatura, repetidamente e não como uma adulação.
- Se me voltar a chamar criatura, incharei-te a boca - disse, sem poder conter-se.
- Violenta, também - disse, elevando as sobrancelhas e com um leve sorriso desenhando-se em seus lábios.
- O que é divertido? - demandou ela, tratando de decidir se a estavam ou não insultando de novo.
- Em alguém tão pequeno, sim.
- Estou no meio. Você é grande. Há uma diferença.
- Como de duas mãos - assentiu Thor.
Os lábios de Alexis se curvaram, mas resistiu à tentação de sorrir, enquanto voltava e começava a caminhar de novo.
- Tuas ou minhas?
Thor a seguiu, alcançando-a e caminhando com ela. via-se confuso.
- O que quero dizer é que suas mãos são do tamanho de um prato para bolo. Se está pensando em duas mãos de seu tamanho, imagino que teria razão. A ti todo mundo
deve parecer pequeno.
Uma expressão de preocupação apareceu em rosto dele.
- Isso te incomoda?
- Não tem caso tratar de obter adulações aqui. Não os conseguirá. - Disse-lhe ela, apontando com o dedo a maneira de recriminação. Thor se ruborizou ligeiramente.
Alexis estava surpresa e intrigada. Decidiu que a inocência dele era bela. Não estava acostumada a ver homem ruborizar-se. Pelo menos não quando tinham o físico
do Thor. Não podia imaginar sofrendo um momento de insegurança pessoal. Se era possível, via-se agora mais incômodo.
- Pareceu-me antes que me encontrava... ameaçador.
Os olhos do Alexis se encolheram até converter-se em frestas.
- NÃO vamos ser amigos, se referir ao de ontem à noite. NUNCA mais! Não estava em meus cinco sentidos. Adônis tinha me hipnotizado ou algo.
Thor levantou as sobrancelhas. depois de um momento, um tímido sorriso apareceu em seus lábios.
- Referia a quando estava tratando de... mmm.... te convencer para que viesse comigo.
- Ah. - Alexis ficou vermelha, mas o olhou suspeitosamente.
- Disse que me via o suficientemente grande e zangado para te romper em dois.
- Ah. - Alexis pensou nisso por um momento, embora tivesse preferido nunca mais recordar a noite anterior enquanto vivesse. Apertou os lábios. - Eu não disse
isso. Possivelmente o estava pensando, mas você não tem porque invadir meus pensamentos privados, maldição.
Thor lutava contra sua própria paciência.
- Não estava invadindo. É difícil poder distinguir a diferença quando está acostumado a viver como nós vivemos. Eu não me proponho a ler sua mente - pelo menos
não à maioria das vezes - Simplesmente está aí, como se o houvesse dito.
Alexis não estava segura de que pudesse lhe acreditar.
- É a verdade. Juro.
Supôs que soava razoável. Era difícil julgar quando ela mesma não podia fazê-lo. Isso não queria dizer que gostasse. Se ressentia fortemente.
- Somente queria saber se meu tamanho é algo que te ofende.
- Como poderia me ofender? - perguntou Alexis, embora somente escutava distraidamente. Ainda estava irritada pela falta de privacidade de seus pensamentos.
- Ameaça-te, então.
- Tampouco - respondeu, encolhendo-se de ombros. - Quando está muito zangado, definitivamente, mas não crê que porque é maior que eu, vou deixar que me espante.
Thor se deteve, retendo-a para que parasse,puxando-lhe braço para que o olhasse.
- Não tem nenhuma necessidade de ser antagônica. Ninguém aqui te fará mal.
- Suponho que pensa que fazer que alguém fique inconsciente não é violento - permitiu-se duvidar.
- Sofreu algum dano?
Alexis teve que admitir que não a tinha machucado, mas não isso não trocava o fato de que ele a tinha aprisionado e a tinha levado, nua, publicamente.
- E isso te incomoda?
- Incomoda-me muitíssimo que vocês sigam me lendo a mente. Acho muito, muito grosseiro.
- Você tem a habilidade de evitá-lo - mas referia ao desconforto que te produz à falta de roupa.
Alexis se deteve, ignorando o último comentário, o qual, a sua maneira de ver as coisas, dificilmente merecia uma resposta.
- Posso evitar?
- Não sabia?
- Sempre tem que responder a uma pergunta com outra pergunta?
- Pensei que estávamos conversando - riu.
- Não muito bem. Como posso evitar?
- Suponho que da mesma maneira em que nós o evitamos.
- A qual é...? - perguntou Alexis, com determinada paciência.
- É difícil de explicar - disse Thor, simplesmente.
- Isso é muito útil.
- De nada
- Posso assumir que está familiarizado com o sarcasmo?
- Não muito, mas posso reconhecê-lo - disse Thor, solenemente.
Apesar de sua irritação, Alexis não pôde evitar soltar uma gargalhada.
- Bom. Ainda não te perdoei por me arrastar em frente do conselho tão nua como o dia em que nasci.
- Ofereço-te meus mais humildes desculpa. Não me tinha dado conta de que isso era tão importante para os externos.
- hmm. Dei-me conta de que ninguém aqui se preocupa muito por isso. - disse Alexis, secamente.
- Não temos necessidade de sentir vergonha por nossos corpos. Muitos usam roupa para adornar-se, ou para mudar, dependendo de suas habilidades e sua natureza.
Alguns usam roupa porque são velhos e sentem mais que os jovens o frio ou a umidade. Mas não há uma verdadeira necessidade de cobrir-se. O clima se mantém a uma
temperatura cômoda para quase todos.
Alexis se perguntou como podia fazer que algo tão radical soasse tão razoável. Finalmente, encolheu-se de ombros. Supunha que devia ser razoável -- para ele.
A nudez não era algo ao que ela desejava acostumar-se. Além disso, onde estaria a diversão e a excitação em ver alguém nu pela primeira vez? Se alguém se acostumasse,
já não provocaria emoção.
Thor sorriu.
Alexis voltou a vê-lo zangada.
- Detenha
Fingiu arrependimento, mas era um ato, porque em realidade não o estava. Ela podia saber pelo brilho travesso de seus olhos. Preferiu levar a conversação em
uma direção mais cômoda.
- O que queria dizer quando disse mudar? Aurora o mencionou também.
- Aceleração molecular. Temos descoberto que podemos mudar nossos corpos para satisfazer nossas necessidades, ou algumas vezes, por simples diversão.
Alexis olhou com cuidado o corpo do Thor.
- Está-me dizendo que em realidade não traz posto nada?
- As roupas são requeridas no conselho, mas restringiriam minha capacidade para mudar se fosse necessário assim simplesmente... mudou. Parece que estou vestido.
Alexis o estudou com cuidado por um momento. Finalmente começou a caminhar de novo, perguntando-se porque aparentava ter roupa agora, se estava cômodo sem ela.
Mas por outro lado, tinha que admitir que estava mais cômoda falando com ele quando ao menos aparentava ter um pouco posto. E supôs, depois de alguns momentos, embora
nunca lhe ocorrera considerar um pouco parecido antes, que todas as coisas que teria entre as pernas poderiam lhe fazer a vida difícil se era um herói de ação e
que certamente teria que preocupar-se de balançar na brisa. Definitivamente se interporiam na ação, especialmente suas bolas. Começou a olhar nessa direção, antes
de pensar que ele poderia dar-se conta. Então, muito consciente de seus próprios movimentos olhou rapidamente a seu rosto. deu-se conta de que ele estava ruborizado
de novo -- aparentemente tinha dado conta. Sentindo que suas próprias bochechas se acendiam, decidiu fingir que não se deu conta e iniciou a conversação de novo.
- Parece lógico quando o diz assim, essa coisas de mudar, mas -- as pessoas não podem fazer isso. Como poderia acelerar suas moléculas?
- Simplesmente o fazemos, igual quando você te move ou pisca ou estica para tomar algo, sem pensá-lo. - disse Thor, sorrindo.
- Parece com magia.
- A magia somente pode ser algo que não existe ou algo que não entende totalmente. Quando o homem descobriu pela primeira vez o fogo, pensou que era magia.
- Suponho que tem razão, mas mudar não é algo que os humanos possam fazer. Não os humanos ordinários, pelo menos. Tampouco têm telepatia.
- Não agora. Não em seu tempo.
- A coisa de caminhar no tempo, outra vez. Tampouco podemos fazer isso.
- Só os Atlantes podem fazê-lo.
- Ninguém mais? Nem sequer as pessoas no futuro? -- Porque estou assumindo por seu outro comentário que quer dizer que as pessoas, algum dia, poderão falar com
a mente.
- Até onde eu sei, ninguém mais além de nós pode caminhar no tempo -- mas se, no futuro distante, ou no passado distante. É algo que o homem perdeu, mas encontrará
de novo.
- Você sabe isso como um fato?
- Sim. Eu sei isso.
- Tudo isto realmente me dá uma dor de cabeça.
Um olhar de preocupação apareceu no rosto do Thor.
- O mais provável é que seja a conversa mental. Infelizmente, não tem direito a uma tiara até que o Conselho lhe autorize isso.
- Essa coisa que Adônis colocou na cabeça?
Thor assentiu.
- Pensei que essa coisa era para que parecesse que vestiam roupa .
Thor riu.
- Não. Não nos ofereça violência. A tiara é para nos proteger de outros. Para dar privacidade a nossos pensamentos. Podemos filtrar esta conversa à vontade,
mas isso pode ser muito cansativo. A tiara nos protege sem fazer nenhum esforço.
- Mas eu não posso ter uma?
- Não até que se dita se ficará ou irá. Até então, o único momento em que terá privacidade, será quando estiver dentro de um edifício ou uma casa. Poucos têm
a habilidade de penetrar nas paredes.
Alexis suspirou. Estava obrigada a admitir que era perfeitamente razoável que não lhe dariam nenhuma vantagem até que não soubessem se podiam confiar nela ou
não, mas isso era muito inconveniente. além das dores de cabeça, como poderia...? interrompeu o pensamento. Thor a olhou.
-Você bloqueou seus pensamentos.
- Fiz?
Thor deixou de caminhar.
- Tenho curiosidade por saber como aprendeu isto.
- Nem idéia - disse Alexis, detendo-se também e olhando a seu redor.
- O que significa isto?
- Não sei. Oxalá soubesse.
Viu, não sem certa surpresa, que tinham chegado à casa do Adônis. Contente por havê-la encontrado tão facilmente, olhou para a rua pela que tinham caminhado,
dando-se conta de que tinha estado tão absorta na conversa que não tinha emprestado atenção ao caminho.
- Bom -- obrigado por me trazer.
- O gosto foi meu - disse ele inclinando-se.
Alexis o estudou cuidadosamente.
- Porque caminhou comigo até aqui? Não lhe ordenaram isso.
Thor levantou as sobrancelhas. Olhou à rua distraidamente, por um momento, como considerando sua resposta cuidadosamente, antes de voltar a olhá-la .
- Curiosidade?
Alexis o examinava cuidadosamente. Embora soasse perfeitamente razoável, dadas as circunstâncias, ela tinha um forte pressentimento de que essa resposta só era
parte da verdade. Ele se via incomodo.
- Não quero que sejamos inimigos.
Ela se surpreendeu.
- Não o tinha pensado assim - seus lábios se torceram - não te conheço o suficientemente bem para te odiar... ainda.
A última parte era uma brincadeira. Thor olhou de novo para outro lado. Alexis não podia decifrar sua expressão, exceto pelo fato de que obviamente não tinha
entendido que era uma brincadeira e não estava contente.
- Ouça, só era uma brincadeira. Provavelmente não estarei aqui muito tempo, assim e que importa?
- Importa.
Esta singela resposta a incomodou. A pesar que não estava totalmente segura, tinha a impressão de que ele não estava falando somente de ser amigos e não estava
tampouco segura de quais eram as regras de moralidade, aqui em Atlântida. Seria aceitável fazer algo mais, tomando em conta que ela só queria ser amigos? Ou se converteria
em uma mulher escarlate ou algo assim? Helena havia dito que ela era sua primeira esposa, sugerindo que eles, ou os homens pelo menos, tomavam a mais de uma. Esperava
que ele não estivesse pensando em conseguir outra mulher, porque sem importar quais fossem aqui as tradições, ela não acreditava na poligamia. Thor se via confuso,
incrédulo e finalmente, zangado.
- Minha primeira esposa?
Sacudida abruptamente de seus pensamentos, levou um momento a Alexis sair de sua concentração. Assentiu, dando-se conta que ele tinha lido os pensamentos. O
qual estava começando a confundi-la muitíssimo, porque agora lhe custava muito trabalho recordar o que era o que havia dito e o que era o que somente tinha pensado.
Era um pouco comum ter o hábito de falar em voz alta com si mesmo, e logo descobrir que todos podiam ouvir o que se pensava.
- Helena. Ela te disse isso?
- o que?
- Que era minha esposa?
- Sim. onde mais poderia eu teria ouvido?
- Não estamos casados. - disse Thor apertando os lábios.
- Uh OH. Então imagino que já não me contará nada, verdade?


Capítulo Cinco

Alexis esteve um momento olhando ao Thor enquanto se afastava. Não ia muito contente. Ela encolheu os ombros. Como podia ela saber que Helena lhe tinha mentido
descaradamente? ou que isso ia incomodar ao Thor?
Certamente, Helena tinha decidido aproveitar do fato de que Alexis era a única pessoa dos arredores que não era telepática e portanto, não tinha maneira de saber
se lhe estavam mentindo ou não.
A pergunta era por quê? e porque essa mentira em particular? depois de um momento, Alexis se esqueceu disso. Possivelmente, se ficava o suficiente em Atlântida,
averiguaria. Estava muito mais interessada, entretanto, em encontrar uma forma de assegurar-se de não ficar muito tempo neste lugar. Dando a volta, subiu as escadas
para a casa e tentou abrir a porta. Não estava fechada com chave. Olhou com cautela.
- Há alguém em casa?
Ouviu alguns passos. Momentos depois, uma garota entrou na sala de um dos quarto adjacentes. Estava vestida -- com pintura para o corpo e nada mais. Felizmente
para ela, tinha uma excelente figura. Como quase todas as mulheres Atlantes que Alexis tinha visto, era alta, atrativa e muito loira. Estranhamente, não caiu mal
ao Alexis, apesar de uma vida de odiar às mulheres loiras, altas e atrativas.
A garota sorriu, convidando Alexis a entrar, mas ela estava mais inclinada a fugir. Pensou que devia ter chegado à casa equivocada depois de tudo. O gesto da
garota mudou e parecia zangada. Moveu seus lábios em uma forma quase cômica e finalmente pôde falar, movendo sua mão ao mesmo tempo.
- Vêem. Vêem
Alexis ainda não estava segura de se queria aproximar-se ou não. De algum jeito, o lugar não se via familiar. É obvio, não tinha estado em situação de emprestar
grande atenção à decoração, mas lhe parecia que a sala tinha estado coberta de um mármore branco, não a pedra cinza que agora se via.
A garota, que se via ao redor dezesseis anos, moveu sua cabeça.
- Sim. você fique aí.
Alexis pensava que isso era o que dizia, de qualquer maneira. Falava como alguém para quem o inglês é sua segunda língua, ou como alguém que não tivesse falado
nunca. Isto ia ser divertido.
Alexis entrou, fechou a porta detrás dela e olhou ao redor. A impressão de que estava no lugar incorreto seguia em sua mente.
- Eu ensino quarto.
Alexis se estremeceu. A garota parecia ter estado esperando-a. Não havia razão para brigar de todas maneiras, particularmente porque a garota não parecia ser
capaz de seguir um debate falado. Certamente Alexis acabava de conhecer seu primeiro Atlante que estranha vez, se é que alguma vez o tinha feito, tinha usado suas
cordas vocais.
Estava, deu-se conta depois de um momento, muito cansada para discutir, de todas maneiras. Aparentemente, ser reduzida a inconsciência, não era tão útil para
descansar como dormir. E ela não tinha dormido -- durante um bom momento. Encontrou que não podia calcular fazia quanto não tinha dormido por que não sabia se os
dias e as noites Atlantes coincidiam com os do resto do mundo, mas seu corpo lhe estava dizendo que havia andando um comprido trecho com muito pouco descanso.
E também sem comer. Seu estômago começou a fazer ruído enquanto seguia à garota acima. A moça riu.
- Comida? Tem 'fome' ?
Triste, Alexis assentiu.
- Para ser honesta, não sei se tenho mais fome que sono. Não comi ou dormi durante... horas. Possivelmente dias.
A garota a levou a um quarto na parte superior das escadas, e lhe fez gestos para que entrasse. Alexis se deteve na entrada. Apesar de que antes estava sob o
domínio de algum tipo de controle mental, estava totalmente segura de que este não era o quarto no que tinha estado.
A garota foi a um grande armário e tirou um pedaço de roupa de uma de suas gavetas. Fez um gesto de irritação quando viu que Alexis estava ainda parada na porta.
- Aqui - disse, apontando ao piso.
Finalmente entendeu. Este seria o quarto onde ela viveria. Isso era pelo que o quarto não era familiar. Realmente tinha que estar muito cansada se não lhe tinha
ocorrido que em uma casa tão grande tinha que haver muitos quartos, e que a faxineira -- assumia que aquela garota era a faxineira -- a levaria ao quarto principal.
Seguiu uma pequena batalha. A garota insistia em ajudar Alexis a trocar-se, mas esta insistia em fazê-lo sozinha. Finalmente, a garota cedeu, deixou a roupa
sobre a cama e saiu. Alexis atirou a bata que Aurora lhe tinha emprestado e tomou a roupa, examinando-a.
Não só podia ver a luz através do tecido, mas também estava segura de que podia ler um jornal através dela. Isso sim que era transparente! Mas o tecido era maravilhoso.
O passou por cima de sua cabeça. Não havia um espelho no quarto, mas não o necessitava. Estava segura de que se via totalmente indecente.
Não que importasse realmente. Estava sozinha na casa, exceto pela garota. Ouviu então passados e saltou sobre a grande cama de quatro postes. Arrancou as cobertas
e se cobriu com elas até o queixo. A garota entrou com uma bandeja, cruzou o quarto e a deixou em uma mesa, perto da cama. Alexis sentiu uma onda de agradecimento.
- Obrigado - exclamou, atirando as cobertas e lançando-se ao outro lado da cama para examinar a bandeja, que tinha vários tipos de frutas, vegetais, queijos
e pães. Tudo se via tão maravilhoso que não podia decidir onde começar primeiro e finalmente optou por morder um pedacinho de algo, e depois um pedacinho de outra
coisa, mal esperando a terminar antes de tomar outra peça. A garota assentiu e sorriu. Não se foi, e Alexis começou a sentir-se um pouco incômoda sob seu incessante
olhar.
- Como te chama? - perguntou-lhe, enquanto mastigava um pedaço de maçã.
A garota enrugou suas sobrancelhas, e inclinou sua cabeça, como perguntando algo.
Alexis se destacou a si mesmo.
- Eu sou Alexis. E você é?
- Moira - assentiu a garota, muito excitada.
- Moira. Bonito nome. Muito bonito.
- Tu come. Tu dorme. - sorria Moira.
Alexis assentiu.
- Depois vai ao conselho.
- Ai. Tão rápido?- disse Alexis, enquanto sentia que seu apetite se esfumava. Moira enrugou as sobrancelhas de novo. Ao parecer, este último segmento do diálogo
estava além de sua compreensão.
- Não importa. - concluiu Alexis, retornando a maçã pela metade a bandeja e tomando o copo de água que lhe tinham dado. Moira recolheu a bata que tinha atirado.
- Crê que poderia lavá-la e devolver a Aurora e lhe agradecer de minha parte?
Moira se via confusa.
- Limpa?
Moira assentiu.
- Limpa. Aurora. Obrigado.
Alexis se meteu dentro das cobertas, bocejando. Nunca ouviu quando Moira se foi.
* * *
Algo fazia cócegas no nariz. Sonolenta, Alexis se arranhou. Ouviu uma risada profunda e se incomodou.
- Suma - disse em uma voz turva pelo sono, dando a volta e cobrindo-se com os travesseiros. Estava a ponto de adormecer de novo, quando sentiu o calor de uma
mão colocada brandamente sobre seu quadril. Sua pele despertou. Experimentou uma breve luta interna, dividida entre a necessidade de retornar a dormir e as primeiras
urgências do desejo. Finalmente, decidiu ignorá-lo.
A mão começou a viajar lentamente de seu quadril a suas coxas. O calor irradiava dela. O desejou triunfou, substituindo a necessidade do sono com a paixão que
despertava. A mão se deteve quando chegou ao joelho. Ela tomou ar, esperando, com antecipação. A mão se deslizou dentro de seu vestido, tocando a pele nua e começou
a mover-se para cima de novo, sobre seu quadril, com os dedos revoando pelo estômago, pausando-se. Seu coração galopava com antecipação, o desejo invadindo-a, despertando
sua carne às sensações, com o toque dele enviando mariposas a seu estômago e seu ventre.
Para sua desilusão, depois de uma pequena pausa, a mão duvidava. Era como se ele estivesse tratando de decidir-se se devia deslizar suas mãos sobre seu ventre
e entre suas pernas ou continuar como tinha começado. Moveu sua mão para cima, sobre a curva de sua cintura e finalmente a colocou sobre um seio, tomando-o todo
brandamente. O calor a sufocava, viajando desde seus seios até seu púbis.
- Mmm - murmurou Alexis resistindo agora a sair de seu estado semi-consciente, por que a mão que sentia lhe estava fazendo coisas muito prazerosas.
A boca dele se colocou sobre a sensível e exposta pele de seu pescoço e enviou calafrios por seu ombro e seu braço. Seu sexo se umedecia. A antecipação flutuava
em seu ventre. Quase com preguiça, rodou para a calidez de sua boca e a buscou com seus próprios lábios. Sentiu o peso dele colocar-se sobre ela, enquanto sua boca
cobria a sua, seu beijo suave e sedutor.
Sua essência, seu sabor, a dura firmeza de sua boca e de seu corpo lhe enchia os sentidos como um delicioso vinho. Ela levantou sua mão, para colocá-la sobre
o peito dele. Sua pele estava morna e suave como veludo abaixo de seus dedos, mas com os músculos duros como a pedra.
O doce desejo cedeu o lugar à fome. Pôs sua língua sobre seus lábios, colocou-a dentro da boca dele e montou sua língua com a própria, unindo-se. Sentiu o coração
saltando sob sua mão, e sua respiração se fez pesada. Ele afundou sua língua na boca dela, respondendo o convite com um assalto de escala completa a seus sentidos.
Ela fechou a boca ao redor se sua língua, chupando. Ele gemeu e girou até que ela esteve deitada de barriga para cima na cama, debaixo dele, sua boca chupando-a,
faminta e demandante.
Seu vestido estava enredado ao redor de sua cintura, com seu sexo exposto enquanto ele se movia contra ela, incessantemente. Ela levantou seus quadris, apertando-se
contra ele, tratando de girar seus quadris de modo que seus clitóris pudesse receber a atenção que demandava urgentemente. Ele girou novamente, levando-a com ele.
O som de tecido rompendo-se alcançou os ouvidos de Alexis e pôde sentir o frio sobre sua pele nua. Seus mamilos estavam eretos, faziam-se duros, inchados e quase
dolorosamente sensíveis.
Resistiu quando ele tirou os lábios dos seus, mas gemeu em êxtase quando sentiu sua boca navegar para baixo por seu pescoço e ficar em seus seios, com sua língua
saindo para prová-la. Revolveu-se, tratando de comunicar sua urgência por sentir seu mamilo dentro da boca dele. Ele cobriu o mais próximo deles com seus lábios.
Alexis pôde sentir o suave e inquietante raspão de seus dentes e de sua língua, atendendo seu mamilo. Gemeu de novo com prazer, passeando seus dedos por seu cabelo,
estreitando-o perto de si, enquanto ele a beijava, sentindo seus suaves lábios umedecer-se e fazer-se mais inchados com o desejo.
Seu coração começou a correr tão forte que ela teve que tomar ar, enjoada. Protestou quando ele separou sua boca, perdida entre seus seios.
Ele começou a acariciar o outro seio com sua mão e ela pôde sentir sua boca perto do mamilo, chupando, e depois estimulando com a língua. Tomou sua mão e a guiou
desde seus seios, através de seu estômago, até que pôde sentir seus dedos estabelecer-se em seus clitóris.
Ele acariciou o sensível botão e o beliscou brandamente entre seus nódulos. Alexis perdeu o ar e se lançou por seu sexo. Mas ele era muito alto. Não podia alcançá-lo.
Frustrada, arrastou sua mão pelo estômago dele, tirou-o dos quadris e lhe exigiu que se movesse para cima. Ele o fez. Ela então envolveu seus dedos em torno do sexo,
massageando-o, tomando-o firmemente e movendo sua mão para cima e para baixo, até que ele começou a gemer com prazer.
Ele procurou sua boca novamente enquanto se movia sobre ela. Ela devolveu o beijo fervorosamente, separou suas pernas, girando seus quadris para recebê-lo. Sentiu
a cabeça de seu membro explorando, procurando. Girou um pouco mais e sentiu a cabeça do membro provando sua umidade. Lentamente, ele separou suas carnes, penetrando-a.
Ela se levantou para ir a seu encontro, sentiu a resistência de sua carne enquanto se ajustava a seu incomum tamanho e logo o sentiu dentro, muito dentro de si.
Ela o queria inteiro. Mas não estava segura de que pudesse resisti-lo. Ele ficou quieto por um momento e depois mudou de posição, suportando a parte superior
de seu próprio corpo com seus braços.
Ela se apertou contra os tensos músculos de seus braços, desejava todo o peso dele sobre seu corpo e abriu os olhos por um segundo quando ele ficou quieto.
Thor a olhava diretamente, seus escuros olhos azuis, quase da cor de uma safira, pelo desejo. Enquanto se olhavam, a necessidade a invadiu, enviando uma onda
de sucos, quentes e inchados, a seu sexo. Os músculos entre suas pernas se contraíram, apertando-o dentro dela. A tensão se manifestou no queixo do Thor. Pouco a
pouco, sem deixar de olhá-la aos olhos, começou a sair. Mas Alexis levou suas mãos dos braços dele até seus lados e para baixo, até apertá-lo pelo quadril. Então
o devorou, urgindo-o de novo para frente.
Ele apertou os dentes, e começou a entrar lentamente de novo nela. Quando se introduziu totalmente, grudou seus quadris nela, e o pêlo da parte baixa de seu
ventre começou a raspar o clitóris da mulher.
Alexis gemeu, podia sentir todo seu corpo preparando-se para o orgasmo enquanto seu amante se movia, muito lentamente, para dentro e para fora, esfregando-se
contra seu corpo cada vez que se encontrava totalmente dentro de sua vagina. Fechou seus olhos, saboreava o momento enquanto ele continuava esfregando-a, lentamente,
construindo um fogo dentro de seu ventre. Então ela levantou suas pernas, abraçando-o com elas pela cintura, de maneira que agora podia controlar o ângulo de ataque
do Atlante, sentindo-o onde precisava senti-lo.
Isso a levou ao final.
Conteve seu fôlego, tratando de prolongar o prazer tanto como fosse possível, mal movendo-se, esperando. Seu orgasmo a assaltou, tomando-a totalmente por surpresa,
enquanto gritava seu prazer. Ante seus gemidos, ele também se queixou, como em agonia, cravando-se profundamente nela, muito rápido agora, penetrando-a profunda
e duramente, mais e mais rápido. Cada investida enviava um novo espasmo de prazer ao corpo da garota, aumentando o orgasmo que acabava de ter até que se sentiu escalar
para outro pico, ainda mais alto. Quando finalmente ele gemeu expressando o máximo gozo, Alexis foi com ele, ainda mais intensamente que antes. Teve que lhe morder
o ombro para evitar gritar, enquanto ele, acabado, paralisava-se contra ela, tomando ar e murmurando coisas em uma língua estranha que ela não podia entender.
Alexis apenas o ouviu. Seu corpo estava esquartejado com prazer tão intenso que quase desmaiou. Cansada, recebeu o corpo do Thor enquanto se deitava contra ela.
Sentia-se maravilhosamente esgotada. Finalmente, ele rodou até baixar-se dela e ficar a seu lado. Recuperou seu fôlego e a abraçou contra seu corpo. Alexis estava
muito cansada como para sequer protestar.
* * *
Quando Alexis despertou, o cinza da manhã que começava mal tinha começado a filtrar-se dentro do quarto. Dois grandes troncos descansavam contra ela, um em seu
peito e o outro sobre seu quadril. Os troncos se revelaram finalmente como a grande perna e o grande braço do Thor.
Com um grande esforço, ela os lançou longe e girou para o outro lado da cama. Aí se sentou durante um momento, com seu rosto em suas mãos, enquanto a modorra
da manhã desaparecia lentamente, sendo substituída pela consciência plena.
Thor deixou escapar um ronco e Alexis se sentiu invadida pelo alívio. Se ele estava dormido, era seguro permitir o luxo do pensamento - e o arrependimento profundo.
O que lhe tinha arrematado a permitir - ou urgir - ao Thor ter sexo com ela? Apenas o conhecia. Nem sequer estava segura de que lhe caísse bem. Ela não era uma
aficionada do sexo casual. Nunca tinha sido. Possivelmente o sexo casual funcionava para alguns, ela não era ninguém para julgá-los. Mas o fato era que ela não podia
desfrutar do sexo a menos que se encontrasse envolta emocionalmente com a pessoa.
Ela soube do momento em que ele a tocou, adormecida ou não, que não era Eric. Não podia usar a desculpa, nem sequer ante si mesma, de que tinha estado embrutecida
de sono e que tinha atuado acreditando que era seu marido. Nem sequer um namorado.
Tinha sabido do momento em que a beijou, que não podia ser ninguém mais que Thor. E não havia lhe importando. Ela desejava que ele fizesse precisamente o que
tinha feito. Tinha-o desfrutado totalmente, tinha participado, tinha-o estimulado. Inclusive a punha quente de novo simplesmente pensar nisso. As ramificações de
sua auto análise lhe apresentaram subitamente e a congelaram onde estava.
Olhou ao homem que dormia em sua cama. Seu coração deu um pequeno salto que nada tinha que ver com o fato de que ela pensasse que ele tinha um estupendo corpo
e que podia ser um fabuloso brinquedo sexual.
A desesperança a invadiu. Não podia permitir o enredar-se emocionalmente com ele... ou com qualquer deste lugar. Ela não pertencia aqui. Não se podia ficar.
Ainda o considerar uma pequena aventura por puro prazer podia resultar problemático.
Acalmou-se. Eram as circunstâncias disse a si mesma. Ela tinha sido lançada junta a um homem ao que poucas mulheres tivessem podido rechaçar e viver consigo
mesmas depois. Ela simplesmente tinha sucumbido a seus instintos animais. Sempre havia uma primeira vez para tudo e a noite passada tinha sido seu primeiro encontro
sexual casual e totalmente desligado emocionalmente.
Essa era sua história e ela estava disposta a mantê-la.
Decidida, afastou-a de sua mente. Não podia dar o luxo de mais pensamentos íntimos. O despertaria em qualquer momento e ela ainda não tinha decidido como se
comportaria depois do modo em que se comportou já.
Ficou de pé quando ele começou a despertar, fechando firmemente sua mente a novos pensamentos. Concentrou-se em encontrar algo com que cobrir-se, e foi para
o armário onde Moira tinha encontrado sua bata. Pôde ver que havia pouco para escolher. Quase tudo era tão transparente como a roupa que tinha usado antes e que
Thor lhe tinha arrancado. Finalmente se decidiu por algo que se parecia vagamente a uma saia. De fato, não era mais que um pedaço de tecido, que se sustentava da
cintura com um conjunto de cordas. A parte superior era quase tão má, igual de transparente e somente cobria seus seios, deixando seu estômago e suas costas nuas
à exceção das cordas com as que se amarrava. Quando voltou notou que Thor estava deitado de lado, olhando-a, com sua cabeça suportada por seu braço e mão dobrados.
Sua expressão era inescrutável
Alexis disse a primeira coisa que lhe ocorreu.
- Foi muita consideração da parte do Adônis deixar estas roupas aqui.
Seu tom era seco. A roupa era quase mais indecente que andar nua. Simplesmente elogiava o conceito da roupa. Uma expressão de descontente cruzou o rosto do Thor.
- Eu fiz que Moira te encontrasse algumas roupas.
Surpresa, Alexis levantou as sobrancelhas.
- Tinha pensado, que sendo esta a casa do Adônis, teria sido ele.
- Esta não é a casa do Adônis. É minha casa.
Alexis tomou ar, confusa.
- Mas eu pensei... VOCÊ! Você me trouxe aqui! Helena disse que tinha que ficar na casa do Adônis.
Thor lançou suas pernas ao bordo da cama e ficou de pé.
Estava gloriosamente nu.
A mente de Alexis ficou perfeitamente em branco.
- Eu sou o guardião. Você me foi confiada.
Algo passou pela mente de Alexis, quase como tocando-a. Alexis o reconheceu esta vez, soube que ele estava tratando de ler sua mente. Ela ficou vendo, desejando
fortemente liberar todos os sentimentos entupidos que tinha com respeito a sua situação, era impossível manter seus pensamentos a raia e permitir às emoções entrar.
- Está me escondendo seus pensamentos. Por quê?
Apesar de seus melhores esforços, um sorriso de triunfo curvou os lábios de Alexis.
- Será porque quero privacidade? - disse brandamente.
Ele fez um gesto de desgosto.
Alexis se voltou para ver o quarto, pensando de que devia haver-se dado conta desde o começo de que a ela, em sua qualidade de prisioneira, possivelmente não
lhe daria um cárcere, mas certamente um carcereiro. Provavelmente os Atlantes nem sequer tinham uma prisão verdadeira ou de outra forma, teria se encontrado em uma
cela.
Thor a tirou do braço, forçando-a a voltear a vê-lo. Para seu alívio, ele havia de novo assumido a aparência de um homem vestido, com as roupas que normalmente
usava.
- Sou seu protetor, não seu carcereiro. Pode ir e vir como você queira.
- Mas tenho que ficar aqui, verdade?
- Até que tudo se arrume.
Alexis assentiu. Tudo isso já tinha imaginado. Thor levantou uma mão, acariciando sua bochecha.
- Tanto te desgosta isto?
Alexis ignorou a carícia com um esforço, e se afastou.
- Estar em Atlântida me incomoda. Não acredito que seja uma questão de onde fique. Este é tão bom lugar como qualquer.
Algo, alguma emoção que Alexis não pôde decifrar cruzou pelo rosto do Thor. Mas no seguinte momento, seu rosto estava inexpressivo de novo.
- E o que passou antes? Foi tão bom como qualquer?
Alexis sabia exatamente o que ele estava perguntando, mas apesar disso, pôs um rosto de total confusão. Ele gesticulou para a cama. Alexis olhou a cama, fingindo
incompreensão. Entretanto, sabia que teria que responder. O problema era que não tinha terminado de entendê-lo ela mesma e dado que não podia decidir como se sentia
com respeito a isso, não queria compartilhar sua confusão.
- Ah, isso - exclamou, como se tivesse iluminado de repente - Obrigado. Não, foi grande sexo. De verdade! Nada como o sexo para aliviar a tensão não? Não posso
te dizer o bem que me sinto agora: relaxada, descansada... embora também tenho fome.
Thor apertou fortemente os lábios. Entretanto, depois de um momento, pareceu esquecê-lo.
- Vêem. Moira terá alguma comida.
Alexis avançou diante dele pelo quarto e para baixo pelas escadas. Quase podia sentir sua irritação enquanto ricocheteava em ondas enquanto ele a seguia em silêncio.

Capítulo Seis

Thor se foi imediatamente depois de comer. Alexis supôs que teria algumas coisas que atender, mas não podia imaginar. Passou boa parte do dia caminhando em círculos.
Não estava acostumada a não ter nada que fazer. A televisão teria sido bem-vinda. Teria podido vê-la sem pensar em nada durante horas. Desgraçadamente, a televisão
não parecia ser uma maravilha moderna em que os Atlantes estivessem terrivelmente interessados. Ela supôs que, considerando sua localização, realmente não importava.
Não imaginava que o sinal de televisão chegasse muito bem aonde se encontrava agora.
Encontrou livros e esteve bastante emocionada durante uns dois segundos, até que se deu conta de que estavam escritos em uma linguagem que não podia decifrar.
O alfabeto nem sequer se via familiar.
Havia outros livros em outros idiomas, mas ela não era lingüista. Não podia dizer mais que algumas palavras em francês e em espanhol, e realmente não podia ler
nenhum dos dois. Os únicos livros que encontrou em inglês foram uma tradução dos três mosqueteiros de Alexandre Dumas e um livro de matemática.
Já tinha lido o clássico três vezes e não podia usar matemática.
Descobriu - OH surpresa - que havia um problema de comunicação entre ela e Moira. Não se supunha que tivesse que aparecer de novo ante o conselho durante quase
uma semana. Assim tinha uma semana para pensar como sair de Atlântida. Era mais fácil dizer que fazer. Para começar Moira estava na casa, embora Thor não o estivesse.
Moira podia não ser uma grande vocalizadora de palavras, mas isso não queria dizer que teria algum problema com a telepatia. Se deixava a casa para pensar, qualquer
perto poderia ouvir seus planos. Não tinha forma de saber que limitações à distância teria a telepatia.
Finalmente, depois da comida, Moira saiu com uma cesta que sugeria que possivelmente iria ao mercado. Alexis se sentou para planejar uma estratégia. Provavelmente,
a coisa mais simples, embora não a mais fácil, seria ver se podia roubar um bote ou possivelmente rogar que a aceitassem em um. Havia vários problemas que imediatamente
lhe apresentaram com respeito à última idéia. Por isso ela sabia, não havia uma só alma na Atlântida que não pudesse identificá-la instantaneamente. Além disso,
existia o pequeno detalhe de que ela não era telepática e portanto, não podia comunicar-se. No minuto em que tivesse que abrir sua boca, ainda se não a tinham reconhecido,
saberiam que não era de Atlântida.
Perguntou-se se haveria gente muda por aqui, mas de algum jeito, duvidava.
E quanto a roubar um bote, ou pelo menos tratar de obter transporte em um, a menos que Aurora lhe tivesse mentido, não lhe serviria de nada.
Mas tratar de pôr suas mãos em um bote era, entretanto, o único método no que podia pensar para provar a veracidade de Aurora. lhes permitir apagar sua memória
simplesmente não era uma opção, embora fosse o caminho que oferecia a menor resistência.
Assim, se arrumava para roubar um bote e navegar ao redor de Atlântida e descobria que não havia forma de sair se não era com um submarino, suas opções se reduziriam
grandemente.
Isso somente deixava como opções, permitir que lhe apagassem a memória ou convencer a algum Atlante de que a tirasse. Era uma pena que Adônis tivesse desaparecido.
Embora claro, ele era o que a tinha metido neste problema, para começar, ao trazê-la aqui em lugar de levá-la a qualquer parte do mundo exterior onde tivesse tido
mais oportunidades de encontrar seu caminho a casa.
E além disso tinha usado seus poderes nativos para lhe pôr um feitiço, com o único propósito de seduzi-la... o qual era muito certamente a razão pela que a tinha
salvado e levado a esse lugar, para começar.
Mas como tinha quebrado a lei para trazê-la, não se imaginava que ele estivesse muito ansioso de romper mais leis para levar a de retorno a casa.
Alexis suspirou profundamente, tratando de esquecer a possibilidade de encontrar outro Atlante que queria a tirar de Atlântida.
Dos poucos que conhecia, Helena era possivelmente a única que se deixaria convencer, e só porque ela simplesmente não Thor perto do Alexis. O que queria dizer
que tampouco podia confiar nela.
Assim era o bote ou nada.
Foi à cozinha e reuniu algumas coisas para comer. Não sabia quanto tempo estaria viajando e não tinha dinheiro... ou a coisa que os Atlantes usavam como dinheiro.
depois de que reuniu bastante comida, envolveu-a em um pedaço de tecido e a pôs em uma cesta, foi para o andar de acima para encontrar um lugar onde escondê-la.
decidiu-se pelo quarto que estava mais afastando do de Thor na casa. Quanto mais longe, melhor. Além disso, assim seria menos provável, pensou, que Thor pudesse
ler seus pensamentos.
Simplesmente diria a Moira que estaria dormindo nesse quarto durante o resto de sua estadia, esperaria a que a casa estivesse calada e todos estivessem dormindo
e então iria e levaria a cabo seu plano.
Para a tarde, Alexis já estava sofrendo de um esgotamento de natureza nervosa. Fez várias tentativas em explicar a Moira seu desejo de mudar-se de quarto, mas
nenhum deles tinha sido bem-sucedido. Finalmente tinha desistido. Não importava. Moira era simplesmente uma faxineira. A ela não devia lhe importar e de qualquer
forma, até onde Alexis podia ver, não tinha podido lhe entender nada, assim não seria Moira a que se desse conta do plano.
Entretanto parecia extremamente estranho a Alexis que Moira não pudesse ler sua mente tão facilmente como o fazia Thor ou qualquer outro Atlante. Suspeitava
que estava se fazendo de boba. Se era assim, estava fazendo um excelente trabalho.
Já era bem tarde quando Alexis começou a pensar que Thor não retornaria. Esteve tentada a ir então. Moira ainda estava na casa, até onde ela podia ver, mas ainda
se ela a questionava, poderia simplesmente dizer tinha decidido sair a dar uma caminhada.
Mas por outro lado, se Thor retornava, aí estaria Moira para lhe dizer que Alexis se foi e que não tinha retornado e isso poderia reduzir seu tempo de vantagem
grandemente. Finalmente decidiu tomar uma sesta. O descansar primeiro lhe daria melhores oportunidades de êxito. De outra maneira, o esgotamento poderia impedir
seus planos.
Não pensava que poderia dormir, mas certamente devido a que tinha passado todo o dia muito nervosa, estava tão cansada que dormiu em questão de minutos.
Despertou quando sentiu que a tocavam -- despertou totalmente.
Ficou quieta durante um momento, perguntando-se, ao princípio, que era o que a tinha despertado.
Não teve que esperar muito tempo para descobrir. Sem dizer uma palavra, Thor tomou em seus braços e a levou a seu quarto.
Alexis se sentia dividida. Deveria fingir que seguia adormecida? ou seria melhor protestar agora? Mas se não estava com ele, então não poderia estar segura
de onde estava dormindo seu guardião. Por outro lado, resultava-lhe muito chocante do deixar que ele pudesse decidir como se fosse um rei que era o que ela podia
e não podia fazer.
Bom, pensou ela enquanto ele entrava em seu quarto e a colocava em sua cama, que nem lhe ocorresse pensar que ia repetir a função da noite anterior!
Para sua irritação, ele nem sequer o tentou. Simplesmente se deitou junto a ela, apertou-a contra seu corpo e se foi direto a dormir.
Ela tinha vontades de golpeá-lo. Podia pelo menos, lhe haver dado a oportunidade de rechaçá-lo! Para sua surpresa, e apesar de sua irritação, ela também ficou
adormecida. Despertaram algum tempo depois os suaves e rítmicos roncos que lhe indicaram que Thor estava morto para o mundo.
Infelizmente, tinha um braço e uma perna sobre ela.
Alexis tratou de rodar para afastar-se. Mas o braço do Thor se apertou sobre ela. Apertou seus dentes, forçando-se a relaxar-se. Quando ela contou até cem, e
ele ainda parecia estar dormido, levantou seu braço cuidadosamente e girou a parte superior de seu corpo sobre a cama, de tal maneira que ele pudesse colocar seu
braço sobre o travesseiro que ela tinha estado ocupando.
Descansou durante um par de minutos, enquanto pensava que o braço do Thor devia pesar uns 2 quilos. Só Deus sabia o que pesaria essa perna que a estava cravando
contra a cama. Estava sobre seu quadril e então se deu conta de que não podia sentar-se. Tratou de mover-se para cima da cama, mas se encontrou com um objeto que
não poderia mover: a cabeceira. deteve-se, ofegando com o esforço.
Depois de alguns momentos, decidiu que possivelmente poderia arrastar-se sob sua perna. Girou, tomou fortemente os lençóis e começou a mover-se cuidadosamente
cm por cm , até que liberou seus quadris e a perna dele somente descansava sobre as dela.
Dobrando-se, tratou de elevar a perna do Thor. Somente precisava elevá-la um pouco, raciocinou, para liberar a pressão. Acabava de tomar a perna dele, quando
algo se chocou contra suas nádegas. Podia sentir algo justo entre elas. Seu nariz! Ele tinha ido cravar seu rosto justo no traseiro dela.
Alexis teve medo de mover-se durante um bom momento. Tratou, um pouco freneticamente, de sacudir-lhe mas o rosto / nariz a seguia, como se estivesse pega a ela.
Deixou de mover-se, tratando de decidir se devia mover-se mais longe para tratar de tirar suas pernas, ou pelo menos uma delas, debaixo dele. Infelizmente para
este momento, estava quase dobrada em dois, e seu próprio corpo lhe impedia de elevar seu joelho o suficientemente alto para tirar a debaixo da perna dele.
Girou de novo, tratando de olhar detrás dela. Se, definitivamente era sua cabeça. Perguntou-se como era que ele não se estava sufocando, considerando que firmemente
estava plantado.
Se o puxava pelo cabelo, poderia separar-lhe mas certamente isso despertaria. Colocou a palma da mão em sua frente e empurrou brandamente. A cabeça apenas se
moveu. Deus! Sua cabeça era como chumbo. Haveria alguma parte deste homem que não pesasse uma maldita tonelada?
Paralisou-se contra a cama, pensando.
Finalmente, decidiu tratar de sustentar sua cabeça somente o suficiente para voltar-se. Possivelmente quando estivesse em frente dele, poderia movê-lo mais facilmente.
Para quando pôde manobrar até o outro lado e ficar em frente dele, já estava suando. Entretanto, descobriu que não podia separar sua cabeça. Cada vez que tratava
de separá-lo, ele plantava sua cabeça no púbis da Alexis.
Ficou quieta durante um bom momento, olhando a parte de atrás da cabeça do Thor. Agora já estava muito acima sobre os travesseiros para poder fazer qualquer
tipo de alavanca. Levantou a cabeça e baixou um pouco, até que esteve em um melhor ângulo para tomá-lo do ombro e fazê-lo rodar, oxalá, para o outro lado.
Mas mal pôs a palma de sua mão contra o ombro, ele levantou seu braço, o braço que lhe tinha levado vinte minutos mover, e o deixou cair sobre ela de novo.
Alexis chiou os dentes. Deu-se conta de que agora sabia como se sentia o coelho que tinha ficado apanhado no breu. de repente se deu conta de que o ombro do
Thor estava tremendo. Furiosa, golpeou-o aí.
- Estúpido. Quanto tempo tem acordado?
Ele a olhou, com cara de inocência.
- O que?
- Nem sequer trate de fingir que estava dormido, estúpido.
Ele se levantou, erguendo-se em seu cotovelo e a estudou durante vários momentos.
- Tinha algum lugar ao que ir?
A consciência substituiu rapidamente a irritação de Alexis.
- O banheiro - disse.
Ele a soltou. Alexis partiu ao banho e açoitou a porta. plantou-se no trono, furiosa, mas não se atrevia a pensar nada. Esse idiota estava ouvindo tudo o que
pensava. Seus olhos se fizeram mais meninos enquanto olhava os mosaicos do piso.
Finalmente, sabendo que não era seguro, nem sequer considerar suas opções, retornou ao dormitório.
- Acredito que preferiria dormir no outro quarto - disse friamente.
Thor simplesmente a olhou, mas não disse nada. Alexis partiu do quarto e se foi à outra habitação. Ainda estava olhando zangada o teto quando Thor entrou, se
aconchegou junto a ela na cama como se tivesse sido convidado, puxou-a para si e dormiu.
Na manhã seguinte, durante o café da manhã, estava ainda tão zangada que se comportou como se estivesse sozinha. Mas podia sentir o olhar do Thor. Finalmente,
ele empurrou a cadeira para trás, levantou-se, estendeu-lhe a mão e lhe disse Vêem.
Alexis olhava a mão estendida.
- Aonde? - perguntou, com dúvidas.
- Mostrarei minha casa.
Alexis ficou vendo.
- Já a conheço. Obrigado.
- Quis dizer a Atlântida - disse ele, sorrindo um pouco.
- Ah - Alexis ficou olhando como se suspeitasse algo estranho, mas não pôde ver nada em sua expressão ou em seus olhos que lhe desse alguma pista de algum motivo
diferente.
Estava realmente tentada de mandá-lo a voar depois do que lhe tinha feito a noite anterior, mas a verdade é que estava farta de estar prisioneira. E é obvio,
queria conhecer Atlântida.
Ignorou a mão do Thor e ficou de pé.
- Não estou vestida para sair a um lugar público - deu-lhe a notar, ruborizando-se quando Thor examinou suas transparentes roupas, com uma lentidão tal que produziu
muito mais calor em Alexis que somente o que se via em suas bochechas.
- Ninguém te verá.
Alexis estava tratando, sem muito êxito, ignorar o calor nos olhos do Thor e a própria resposta de seu corpo a esse olhar.
- Como lhe pensa arrumar isso.
Ele se moveu para ela, até que seus corpos estiveram quase tocando-se. Alexis olhou para cima, para ele, com uma expressão interrogante. Ele colocou sua mão
debaixo do queixo dela e se inclinou até que seus lábios quase roçavam os seus.
- Confia em mim.
Os olhos do Alexis tinham começado a fechar-se conforme ele lhe aproximava. Olhou seus lábios por um momento, e depois levantou os olhos para encontrar-se com
seu olhar.
Ele retrocedeu e puxou pela mão. Ela não resistiu enquanto ele a guiava para cima pelas escadas e até o terraço. Não protestou quando fez que lhe rodeasse o
pescoço com os braços, nem quando a apertou contra si, colocando seus poderosos braços sobre ela.
Gritou como louca e fechou fortemente os olhos quando ele saltou do terraço ao vazio. Seus braços o apertavam cada vez mais forte ao redor do pescoço enquanto
esperava o impacto.
- Tenho que te dizer que se contínuas me enforcando, posso desmaiar e então certamente cairemos.
Alexis afrouxou seu abraço só um pouco e abriu ligeira e timidamente um olho. Não sabia se sentir-se aliviada ou aterrorizada quando descobriu que Thor tinha
trocado, e que agora tinha as asas de um grande pássaro. Voltou a fechar os olhos quando viu que a Atlântida se fazia cada vez menor abaixo deles.
- Não verá muito se mantiver seus olhos fechados.
Alexis estava muito assustada para falar. depois de alguns momentos, Thor subiu o olhar para vê-la.
- Alexis?
- O que? - respondeu fracamente.
- Está realmente assustada?
- Estou realmente a-aterrorizada - alcançou a gaguejar, tremendo como se acabasse de sair de um congelador. Pensou que adoeceria quando Thor mudou subitamente
o rumo e começou a descer para terra firme.
- Ai, Deus - alcançou a dizer, esperando chocar contra o piso em qualquer momento.
Passaram vários momentos depois de que se detiveram antes que Alexis se fizesse valor para abrir os olhos. Quando o fez, viu que Thor tinha aterrissado, mas
que não tinha feito nenhum intento por soltá-la.
Realmente lhe custou trabalhar afrouxar o forte abraço com que se afiançou a seu pescoço. Quando finalmente o soltou, suas pernas estavam tão fracas que os joelhos
lhe falharam. Thor a apanhou, e sentou, sentando-a sobre suas pernas.
Alexis não protestou. Não tinha forças para fazê-lo. depois de um momento deixou de tremer, exceto por um calafrio ocasional. Finalmente levantou a cabeça, olhou
ao redor e descobriu que tinham deixado a cidade. ao redor deles só havia campos semeados. Thor tinha sentado em uma baixa parede de pedra que parecia continuar-se
por milhas para ambas as direções.
Ela pôde ver, quando olhava ao Thor, que ele a estava estudando, com uma expressão de preocupação em seu rosto.
- Eu não gosto das alturas.
- Não sabia.
- Não me perguntou isso - o sorriso de Alexis estava um pouco inclinado.
O rosto do Thor escureceu.
- Fiz mal. Devia me haver dado conta. Não é como nós.
- Não - disse ela, tratando desesperadamente de não chorar como um bebê, já que ele a tinha aterrorizado totalmente.
Ele a puxou para ter seu corpo mais perto e a abraçou fortemente.
- Sou um idiota, mas não te quis assustar a propósito. Por minha honra juro que nunca te faria mal.
- Sei que não o faria - disse ela sorvendo-a nariz e recuperando o controle com um grande esforço.
Ele a afastou um pouco e estudou sua expressão.
- Perdoa-me?
Alexis deixou escapar um som que era um pouco risada e um pouco pranto.
- Somente se prometer não voltará a fazer.
Thor levantou sua mão, lhe acariciando a bochecha.
- Juro isso por minha vida - acariciou-lhe o cabelo e depois sob sua mão, tocando suas costas. - Alexis?
- Hmm?
- Eu poderia te tirar esse medo.
- Como?
Ele tocou a frente.
- Aqui. Eu poderia tirar.
Alexis se separou e ficou de pé. deu-se conta de que ainda tremia, mas podia estar parada.
- Não.
Thor se mostrou sentido saudades.
- Quer conservá-lo?
Alexis negou com a cabeça.
- Não particularmente, mas tampouco que ninguém jogue com minha mente.
Alexis se dava conta de que ele simplesmente não entendia. Como poderia fazê-lo? Era óbvio que os Atlantes não pensavam que fosse grave modificar a memória das
pessoas ou com seus desejos. Estavam acostumados ao controle e ao autocontrole. Como poderiam entender então que alguém como ela encontrasse todas essas práticas
abomináveis?
Thor olhou ao longe.
- Somos tão diferentes, então? - perguntou- Thor a Alexis.
Por alguma razão que não entendeu, e não quis analisar, sua pergunta a entristeceu.
- Somos - respondeu.
Parecia que Thor ia dizer algo mais, mas em lugar disso parou, olhando ao redor dos campos.
- O canal está pra lá - disse, assinalando. Alexis levantou as sobrancelhas.
- Se não podermos voar, então terei que encontrar outro modo de te mostrar a Atlântida.
* * *
Tinham caminhando à borda do canal por quase um hora quando viram uma pequena lancha. Thor fez alguns sinais ao piloto e ele usou sua vara para aproximar-se
à beira de pedra do canal artificial. Thor saltou para o bote e se voltou para tomar a Alexis da cintura e subi-la. Quando chegaram à cidade de Oceanus, deram obrigado
ao homem e subiram ao cais.
O medo das alturas de Alexis tinha evitado que ela pensasse nas indecentes roupas que levava, mas agora começou a dar-se conta, enquanto Thor mostrava o lugar,
lhe mostrando os pontos de interesse, que a maior parte da gente com a que se cruzavam, voltava para vê-los.
Apesar de que se encontrava incomoda, pensou que aquilo era muito estranho. Não podia ver que estivesse vestida muito mais indecentemente que qualquer deles.
- É porque é muito formosa.
Assombrada, Alexis olhou ao Thor.
- Ficam olhando, porque é muito formosa.
- Ai, por favor! - disse ela, olhando ao céu.
Thor riu.
- Incomodam-lhe as adulações?
- Somente quando são muito exagerados para ter créditos.
Thor tratou de ver-se ofendido.
- É a verdade.
- Obrigado - murmurou Alexis, ainda duvidando.
Thor se deteve e puxou de seu braço até que ela também se deteve. Sua expressão era totalmente sincera.
- A meus olhos, você é muito formosa.
Alexis o olhou durante um comprido momento, desarmada.
- Ah, assim agora só é a seus olhos, não? Já sei aonde vai isto. - disse brincando.
- Então porque crê que ficam olhando?
Alexis o pensou durante um momento.
- Possivelmente porque se dão conta de que não sou daqui?
- Pensa que é tão diferente?
Ela se estremeceu.
- Não cruzamos com uma só mulher que não seja magra e alta... loira. Com razão pensava que eu era pequena!
Mais baixa, um pouco cheinha e com o cabelo castanho avermelhado. Sobressaía-me como um amendoim solitário em uma tigela de pipocas .
- Que é esta palavra cheinha?
A cabeça de Alexis saltou para voltar a vê-lo. Fez um gesto de desgosto, mas não podia recordar se tinha feito o comentário em voz alta ou somente pensando.
- Suave e redonda.
Os olhos do Thor brilharam.
- Ah, sim. Muito agradável.
- Não é uma adulação, torpe!
- Não?
- Não importa. Crê que poderíamos retornar agora?
Thor a estudou durante um momento, mas se deu a volta sem dizer uma só palavra e começar a retroceder seus passos.
Alexis estava sombria quando retornavam a casa. Somente tinham visitado uma das cidades, mas já tinha descoberto que não tinha muito caso as visitar todas. Cada
uma estava construída como uma ilha, conectada por canais às outras cidades. Cada uma tinha um canal que a conectava com o mundo exterior, como o que tinha a Atlântida
ou Atalantium.
Suspeitava também que por isso, Thor a tinha levado naquele passeio: para que visse se por acaso mesma que qualquer plano de fuga era inútil.


Capítulo Sete

- Está calada.
Alexis sorriu ligeiramente.
- Normalmente, as pessoas que me conhece, não se queixam disso.
Thor enrugou as sobrancelhas.
- Não quer me dizer que é que te incomoda?
Ela ficou de pé. Tinham levado seu jantar ao jardim. Era uma noite muito bela. Isso devia ter sido suficiente para lhe levantar o ânimo. Normalmente o era.
- Desde onde venho, as pessoas mataria por ter uma noite como esta- disse, de maneira ausente.
Thor se mostrou muito surpreso. Alexis deixou escapar uma gargalhada.
- Não matariam literalmente. Quis dizer que a Atlântida é preciosa, calada, pacífica -- segura. Duvido que alguém possa sentir-se seguro no mundo exterior. Há
tanto -- tanto de tudo, realmente: escassez, violência, ruído, contaminação.
- Mas você o estranha?
Assentiu.
- É algo estranho?
Thor não disse nada durante um bom momento.
- Está pensando em retornar?
Alexis voltou, descobrindo surpresa, que Thor estava de pé, muito perto dela. Nem sequer o tinha ouvido aproximar-se.
- Este apagar de memória de que falou Aurora. É algo... doloroso?
Thor olhou para outro lado.
- Não sei. Acredito que não é.
Alexis enrugou seus lábios.
- Mas não está seguro de que não seja doloroso?
Thor se encolheu de ombros.
- Nunca experimentei. Não te posso dizer se doe ou não.
- E depois dele não recordaria nada?
- Não.
- E seria como se jamais estivesse aqui?
- Para você.
Alexis o olhou durante uns instantes. Entretanto, deu-se conta de que não queria averiguar que era o que ele queria dizer.
- O que acontecerá com tudo o que houve antes? Recordaria todo o resto, não?
Thor a estudou durante um momento.
- Acredito que assim seria, sim.
Essa não era a resposta que Alexis queria.
- Mas não está seguro, verdade?
- Não
- E não está seguro porque não o experimentaste?
- Não. Não o experimentei.
Alexis suspirou. Começava a sentir-se um pouco zangada.
- Mas conheceste gente que fez, verdade?
- Outros externos.
- Eles puderam recordar todo o resto? - perguntou Alexis
- Não sei.
Alexis ficou vendo, surpresa.
- Como que não sabe? O que fez? Simplesmente os tirou daqui e os abandonou em algum lado?
- Isso era tudo o que se requeria.
O comentário do Thor a assustou e por isso mesmo, fez zangar-se.
- Assim que o que está dizendo é que se me fazer isto, alguém apagará minhas memórias, levarão-me a algum lugar - com sorte será um lugar onde tenha alguma oportunidade
de sobreviver até que alguém me encontre - e depois posso ou não posso recordar como retornar a minha casa. Isso é o que me está dizendo?
- Eu te levaria. E sim, seria a um lugar seguro.
- E possivelmente me deixaria por aí vagando com algo como a amnésia?
O rosto do Thor mostrou estranheza.
- Não conheço essa palavra.
- Acontece algumas vezes às pessoas quando dão um golpe na cabeça, ou quando estão em um acidente. Algumas vezes simplesmente não podem recordar que aconteceu
o acidente. Às vezes não podem recordar quem são nem nada de seu passado. Uma vez ouvi falar de uma mulher que tinha amnésia e não podia recordar a seu marido ou
a seus filhos. Estava assustada, porque sentia que vivia com estranhos. Deve ter sido terrível para seu marido e seus meninos porque eles a queriam mas ela não os
queria porque não os conhecia.
- Se me permitir, posso apagar as preocupações de sua mente.
- Mas não lhe permito isso - Alexis teve um calafrio - Acredito que irei para dentro agora. Tenho um pouco de frio.
Alexis ainda estava acordada, olhando ao teto, quando Thor entrou no quarto do que ela tinha tratado de apropriar-se, ao final do corredor do dele.
Ficou parado no marco da porta por um momento, estudando-a, mas ela o ignorou. depois de alguns momentos, ele se aproximou da cama, tomou em seus braços e a
carregou até seu quarto.
Alexis não protestou. Obviamente, não tinha servido de nada que ela tivesse estado no outro quarto na noite anterior. Ela já tinha tido suficiente tempo desde
que o tinha deixado no jardim e se convenceu de que o pequeno percurso que tinha recebido hoje era a resposta do Thor ao que ela tinha pensado que eram seus planos
secretos.
Ainda assim, teria preferido dormir sozinha.
O problema era que ele parecia não entender a mensagem. Ou se tinha entendido, não lhe importava. Em qualquer caso, o que mais lhe incomodava era a conversação
no jardim. Tinha esperado segurança. Não somente não havia se sentido mais segura, mas sim Thor tinha revelado uma parte de sua personalidade que lhe incomodava.
A ele simplesmente não tinha importado o que lhes tinha passado a quão externos tinha deixado abandonados a seus próprios meios.
Não era que ele tivesse que fazer-se responsável por eles. Assumia que eram adultos. Os adultos são responsáveis por sua própria sobrevivência. Mas e se tinham
sido inutilizados quando lhes tiraram memórias de coisas que precisavam saber para sobreviver?
- Não te levei esta manhã somente porque sabia que estava planejando escapar de novo - disse Thor calmamente.
Alexis voltou a olhá-lo, dando conta de que, embora a tinha levado a cama, não tinha feito nenhum tento de aproximar seu corpo ao seu de abraçá-la, simplesmente
tinha colocado a um lado da cama e estava deitado no outro. Estava, pôde ver, deitado de barriga para cima, olhando o teto, tal e como ela tinha estado fazendo antes.
- Tinha outras razões?
Ele não respondeu. Alexis suspirou.
- Suponho que isso quer dizer que não vai dizer isso .
Thor se deitou de lado, olhando-a. depois de um momento a puxou perto dele. inclinou-se e a beijou antes que ela se desse conta de suas intenções. O corpo do
Alexis respondeu imediatamente, com uma vontade própria, com o calor acumulando-se em seu estômago e entre suas pernas, com seus mamilos saltando e convertendo-se
em pequenas balas, rogando por ser seus beijos.
Alexis colocou suas mãos contra o peito dele, destroçada. Em um nível puramente físico, queria desesperadamente apagar seu cérebro e deixá-lo fazer o que quisesse.
Mas seu cérebro não tinha deixado de funcionar. Sinos de alarme lhe gritavam em sua cabeça que se arrependeria se cedesse.
Com um grande remorso, afastou-se.
- Não. Não me interprete mal. O sexo da noite passada foi excelente e eu adoraria fazer de novo, mas penso que não é uma boa idéia... para mim.
Era, de fato, uma muito má idéia. deu-se conta de que podia facilmente enredar-se sentimentalmente com o Thor e não era esse um problema que queria ter.
- Enredar-se? - Thor franziu o sobrecenho.
Alexis curvou seus lábios em um gesto de irritação e se voltou sobre seu lado da cama lhe dando as costas.
- Boa noite!
* * *
Teria sido bom ter uma conversação sobre o clima, mas ao parecer, Thor não queria falar. Alexis não pôde pensar em nada que dizer por que tinha medo de abrir
seus pensamentos, todos eles, ao Thor. Por isso, a refeição passou em completo silêncio, sem maior som que o som dos talheres arranhando os pratos e o surdo som
que os copos faziam quando erguidos e quando os retornavam à mesa. Alexis se imaginava que assim devia ser em toda a Atlântida, exceto na maioria das mesas, as pessoas
estariam conversando de maneira telepática.
Somente pensar nisso a cansava.
Gostava de falar. Estava acostumada a falar com as pessoas e as ouvir responder. Viver em uma sociedade telepática era bom para os telepatas. Não era para os
humanos ordinários, como ela, que desejava o som de outra voz humana. Se passasse mais tempo nesse lugar acabaria falando consigo mesma.
Para todo fim prático, ela tinha passado a maior parte do tempo só desde que tinha chegado, com ninguém com quem falar durante horas e horas.
Tipicamente, Thor tinha ido desde muito cedo na manhã e acabava de retornar. Ela tinha curiosidade de saber o que tinha feito ele todo o dia. Era o guardião,
o protetor. Uma frase que ela tinha ouvido alguma vez de um dos diferentes ramos das forças armadas de seu país lhe veio à mente - um exército de um só homem - e
se sentiu um pouco divertida, perguntando-se que pensariam em seu país deste exército de um só homem.
Mas ao parecer não havia nenhuma ameaça que fizesse que a Atlântida necessitasse esse tipo de serviço, assim que ele devia ser algo assim como um policial. Certamente
patrulharia a cidade durante o dia, procurando os problemas, ou possivelmente ouvindo-os, se perguntou se ele patrulharia todas as cidades ou somente esta, a cidade
capital.
- Há outros que mantêm a paz nas outras cidades. - disse Thor.
As sobrancelhas do Alexis se elevaram, mas ela não comentou nada de que ele tivesse estado ouvindo seus pensamentos.
- Como você?
Ele pareceu ponderar a pergunta durante alguns instantes. Finalmente, assentiu, retornando sua atenção a seu prato de comida.
O que era o que tanto lhe incomodava? perguntava-se Alexis. Ele a olhou de maneira enigmática. Alexis decidiu não tratar de investigar mais. Mal havia tocado
sua comida, descobrindo que seu apetite se desvaneceu. Empurrou seu prato e Moira apareceu, levando-o.
Alexis ficou de pé. Precisava fazer algo. Não se atrevia a pensar e se não podia pensar, tinha que fazer algo.
- O que é o que fazem os Atlantes para entreter-se?
Arrependeu-se de ter perguntado quase imediatamente. Thor a estudou durante um comprido momento. Finalmente, ele também parou e lhe estendeu a mão.
- É a época do Festival. Levarei-te.
- Hmm, de fato, não tinha pensado em sair. Não vestida assim. - disse Alexis, cruzando os braços de maneira incômoda quando Thor a olhou de acima a abaixo.
- Nossos costumes são muito difíceis para você.
Não era uma pergunta. Alexis tremeu.
- Suponho que com o tempo, acostumaria, mas em poucos dias...
Thor a olhou de novo, pensativo durante uns instantes.
- Espera aqui.
Retornou depois de alguns minutos, carregando uma túnica, indubitavelmente dele. Quando a pôs sobre os ombros, pôde ver que ficava muita larga. Fez um gesto
de desgosto.
- Faremos isso ficar mais feminina.
- OH não! Odiaria que a cortasse somente por mim. Assim esta bem. De verdade! De fato, bastante bom, como se levasse uma cauda ou algo.
- Estas segura? É provável que escorregue.
- Nisso tem razão - disse ela, com um gesto de desgosto. Agachou, tomou a parte inferior da túnica e a jogou sobre o braço. - Pronto.
Parecia que Thor duvidava, mas finalmente a pegou pelo braço e a escoltou para a saída da casa.
Foi um gesto muito cavalheiresco e fez que ela se lembrasse dos costumes corteses e amáveis dos séculos passados. Infelizmente, não se encontrava do todo cômoda
com o Thor tão perto, mas se lhe leu a mente, preferiu ignorar seus pensamentos.
Pôde ver que era de noite, enquanto deixavam a casa do Thor. Uma suave brisa os alcançou, lhes trazendo a prazenteira fragrância do mar. Sobre eles, uma lua
cheia e um milhão de estrelas iluminavam a noite, banhando a cidade com um suave brilho que projetava sombras nas pequenas esquinas ao redor dos edifícios e abaixo
das árvores.
Era quase impossível dar-se conta de que tudo aquilo era fabricado. Em todos os aspectos, cheirava e parecia como a mais perfeita das noites da primavera.
Ela não podia manter nem sua casa com um clima perfeito. A forma em que os Atlantes as tinham em uma escala tão maiúscula a assombrava.
Estudou os edifícios que passavam, admirando sua arquitetura. Cada um era único, e entretanto, cada edifício complementava outros ao redor, dando à cidade completa
uma continuidade que rara vez se via no resto das cidades, sem importar o tamanho.
Não havia veículos de nenhum tipo nas ruas. Passou um vendedor empurrando um carro com o que pareciam ser abajures de óleo.
Todos em Atlântida - parecia - caminhavam para onde iam ou se transformavam em homens pássaro e voavam ou em sereias, e nadavam.
Não era de se admirar então, que todas as pessoas que passavam se vissem em forma. Alexis se deu conta de repente de que, com a exceção dos anciões, os quais
não eram bonitos, não havia uma só pessoa que pudesse ser descrita como feia ou vulgar.
A vaidade, então, não devia ser um grande problema. Seria muito difícil sentir-se excepcionalmente bonita em um lugar onde todo mundo era tão atrativo.
Para Alexis era fácil sentir-se aborrecida e bonita junto a eles. Entretanto, considerava que tinha uma boa condição física. Sua mãe tinha morrido quando ela
tinha oito anos, deixando-a só com seu pai. De maneira natural, seu pai se havia sentido inclinado a motivá-la aos esportes. Não tinha sido especialmente boa em
nenhum deles, mas suas tentativas para agradar seu pai tinham provocado que crescesse como um adulto fisicamente são e bem formado.
Fora seu pai quem tinha insistido em que ela tomasse aulas de Kick Boxing, apesar de todas as objeções de Alexis. O objetivo era ela aprendesse a defender-se
sozinha. Nunca tinha gostado. Saiu depois de somente alguns meses e isso fora há muitos anos. Estava agora muito surpresa não só de poder recordar ainda os movimentos
básicos, mas também de poder executá-los, e se alegrava de que seu pai a tivesse obrigado tomar aquelas lições.
Todo esse tempo investido chutando o saco havia valido a pena só por ver o rosto de Thor e Helena quando os golpeou. Se houvesse alguma oportunidade de escapar
aquele primeiro dia, os conhecimentos básicos de defesa pessoal que tinha aprendido há tantos anos, teria a liberdade.
Sentia saudades.
Entretanto, não queria pensar nisso e retornou sua atenção aos lugares que percorriam. Descobriu que tinham percorrido várias quadras desde que tinha permitido
que sua mente divagasse.
Enquanto se aproximavam do centro da cidade, o tráfego de pedestres se incrementou. Cada pessoa com que se encontravam sorria e se inclinava, saudando. Ao parecer
Thor era bem conhecido e querido ou respeitado por todos.
Levantou sua vista para olhá-lo.
Tinha mentido. Não acreditava que algum dia poderia acostumar-se a este lugar. Era belo, calmo, pacífico e muito bem ordenado. Era totalmente estranho e quase
a fazia sentir saudades do rugido dos motores, as sirenes, o bulício da conversa, da risada, de gente gritando, o aroma da contaminação.
Sua gente poderia ser todas as horríveis coisas que não eram os Atlantes, mas estavam -- vivos.
Estar em Atlântida era como caminhar por um povo fantasma, vendo pedaços de tecido passar silenciosamente.
Então se deu conta do que estava mau. Não havia meninos. Não tinha visto um só menino em todo o tempo em que tinha estado aí.
- Onde estão os meninos?
- Estarão no festival - Thor não a olhou.
Alexis se sentiu repentinamente tola. Ela não poderia ouvir o ruído e as risadas dos meninos. Ela não era telepática e ao parecer era a única maneira em que
os Atlantes se comunicavam, exceto quando precisavam comunicar-se com externos como ela.
Moira apenas e podia vocalizar algumas palavras.
Thor se deteve, puxando-a para que ela também parasse.
- Há alguns poucos meninos. Você não entende nossos costumes.
Alexis o olhou surpresa.
- Por quê?
- Poucas vezes se permite.
- Ter meninos! - Alexis não podia conter sua surpresa - Necessita uma permissão especial?
Thor assentiu.
Alexis pensou nisso durante um minuto.
- Ah. Controle da população.
Parecia que Thor ia dizer algo mais, mas se deteve. Depois de um momento, simplesmente assentiu de novo.
- Digo-te isto aqui, porque é uma fonte de grande dor para muitos que querem ter meninos. Não acredito que machucaria a alguém a propósito, mas poderia fazê-lo
por ignorância.
Alexis sentiu uma grande pena. Ela tinha desejado, por anos, iniciar sua própria família, mas pelo menos, sabia que podia fazê-lo. Que terrível devia ser para
aqueles que não tinham nenhuma esperança de poder fazer.
Thor levantou uma mão, acariciando suas bochechas com os nódulos.
- Tem um bom coração e um rápido entendimento.
Alexis olhou para outro lado, incômoda. Thor a pegou pelo queixo e a obrigou a vê-lo.
- É um ser humano excepcional.
Alexis se ruborizou.
- Não realmente. Como estava acostumado a dizer meu pai, se não puder impressioná-los com seu brilhantismo, impressiona-os com descaramento.
Thor sorriu, baixando suas mãos aos ombros dela e atraindo-a para si. Instintivamente, Alexis colocou suas mãos contra o peito dele, mas mais adiante nunca soube
se realmente tratava de afastá-lo ou se simplesmente estava colocando uma resistência simbólica.
Estava hipnotizada por sua boca enquanto ele baixava pouco a pouco sua cabeça. Simplesmente ele olha e provocava uma onda de calor, provocava que seu corpo se
aprontasse para ele. Seus mamilos ficaram duros como pedras, seu sexo se alagou de umidade, ainda antes que seu corpo se amoldasse ao dele. Simplesmente com o roce
mais ligeiro, enquanto seus lábios roçavam os seus.
- É mais extraordinária do que pode imaginar - sussurrou-lhe contra os lábios.
Alexis mal ouviu suas palavras. Sua mente, todo seu ser, estava enfocado no toque de seu corpo contra o seu, em seus lábios movendo-se a fazendo caricia nos
seus, explorando primeiro o lábio de baixo e logo o de cima. Cada vez que seus lábios tocavam aos seus, o calor se incrementava um pouco mais, e a emoção enchia
seu peito com a emoção da antecipação.
Se ele a tivesse jogado ao chão aí e nesse momento, ela duvidava muito que tivesse tentado sequer resistir.
- Thor! Não disse que viria ao festival.
Separaram-se culposamente e voltaram para a feminina voz.
Ainda atordoada, levou vários momentos a Alexis reconhecer à mulher que estava a uns quantos metros deles, pálida pela fúria, apesar dos óbvios esforços que
fazia por ocultá-lo.
Maravilhoso! pensou Alexis. Como se Helena não me odiasse já bastante simplesmente por respirar.
Alexis dirigiu seu olhar da Helena ao Thor. Seu desconforto era evidente. Desgraçadamente, a Alexis não lhe ocorreu nada que pudesse diluir o pesado ambiente.
Não deveria sentir pena de Thor. Ele tinha enganado a Helena. merecia, pelo menos a pior repreensão que ela pudesse lhe dar. Mas ela se sentia igualmente culpada.
Helena lhe tinha marcado claramente seu território.
E ao final não era a mulher mais culpada que o homem, ou pelo menos, tão culpado como ele? Os homens estão biologicamente inclinados a paquerar com qualquer
mulher que lhes cruze no caminho. Não que isso seja uma desculpa para seu comportamento. depois de tudo, têm um cérebro. Poderiam escolher usá-lo. Não deveriam ceder
a seus instintos animais. Deveriam aprender um pouco de auto-controle.
Mas por outro lado, para ser totalmente honesto, as mulheres também têm a inclinação de usar sua própria natureza biológica como uma desculpa por seu comportamento,
fazendo manhas de criança e chorando porque estão em seus dias ou porque é muito difícil controlar suas emoções.
- De fato, foi minha idéia. Estava aborrecida.
O olhar de Helena poderia ter feito uma fossa no peito. O olhar que dedicou ao Thor, entretanto, era quase de triunfo.
- De verdade? Tão logo? Pobre Thor. Acredito que isso te põe em seu lugar. Possivelmente ela estranha ao Adônis?
O rosto do Alexis ficou vermelho como um tomate. Até ali tinha chegado a atuar civilizadamente e fingir que nada tinha ocorrido.
Até esse momento, Thor simplesmente se tinha aborrecido. Mas a só menção do Adônis foi suficiente para que a olhasse aborrecido. Alexis sentiu que seu queixo
se abria pela surpresa antes que chegasse a indignação. Como se atrevia a comportar-se como se ela o tivesse enganado? Em primeiro lugar, ele sabia muito bem que
Adônis nem sequer tinha tido oportunidade de terminar o que tinha começado. E em segundo lugar aquilo não era de sua maldita incumbência!
Estava a ponto de lhe dizer tudo isso, quando se deu conta de que provavelmente não teria que fazer. Ele haveria já lido seus pensamentos tão facilmente como
tivesse ouvido sua voz se ela o tivesse gritado.
Entretanto, não se via de causar pena ou mortificado.
Via-se mais zangado que nunca.
- Acredito que posso encontrar o festival sozinha - disse friamente Alexis.
Tratou de ir, mas tomou o braço, obrigando-a a deter-se.
- Iremos todos juntos ao festival - disse ele muito sério.
- Ui que verdadeira maravilha! Será tão divertido! - disse Alexis, sarcasticamente.
Helena não disse nada. Simplesmente passou seu braço pelo do Thor, quase com um olhar zombador dirigido a Alexis, enquanto Thor tomava a mão da última. O silêncio
reinava entre os três enquanto caminhavam em direção às luzes brilhantes que Alexis podia ver a distância. Entretanto, tinha o pressentimento de que Thor e Helena
se encontravam imersos em uma discussão telepática. Depois de um momento, Alexis soltou a mão do Thor para agasalhar-se com a túnica que levava posta. Ele a olhou,
mas não lhe disse nada.
Alexis decidiu concentrar-se em olhar seus arredores. Começava a sentir uma dor de cabeça. Não podia saber se era porque se aproximavam de uma área onde havia
tanta gente, todos eles falando telepaticamente e portanto, bombardeando seu cérebro com ondas que ela podia sentir, embora não pudesse entender o que diziam, ou
se devia a seus próprios esforços por filtrar os pensamentos de seus acompanhantes. Ao final, a causa realmente não importava. Não havia nada que pudesse fazer a
respeito.
A pesar da dor de cabeça, pôde olhar o festival com um pouco de interesse. Parecia-se muito com uma feira. Os postos se alinhavam ao longo de várias ruas, cheios
com as mercadorias dos mercadores que as mostravam. De fato, podia ver pouca diferença, ao princípio, entre o festival e o mercado que tinha visto em seu primeiro
dia quando procurava a casa do Adônis. Quando se aproximaram do centro da atividade, entretanto, pôde ver que o festival incluía a alguns participantes. Postou-se
em um cenário perto de uma fonte. Para sua surpresa, alguns músicos estavam se acomodando aí. Deteve-se, sentindo a emoção da antecipação enquanto olhava. Depois
de alguns momentos, as notas de uma melodia flutuaram sobre a multidão. Todo mundo ficou quieto, escutando com atenção.
Sem dúvida, a música era um estranho privilégio para esta gente.
Lhe encantava a música. Não tinha dado conta de quanto tinha sentido saudades até agora, que podia ouvi-la de novo. Não reconheceu a canção, mas a melodia era
quase hipnótica. Submeteu-se a ela, desejando dançar... mas ninguém estava dançando.
Thor a pegou pela mão e a puxou para ele. Ela o olhou com surpresa, dando-se conta até agora que tinha conseguido apartar o par de briguentos de sua mente quando
se deteve escutar a música.
Helena, pôde ver, tinha desaparecido.
Decidiu desfrutar do baile, e da música. Descobriu que Thor era, surpreendentemente, um excelente bailarino, apesar de ser um homem tão grande. A multidão fez
um círculo ao redor deles, como se houvessem se tornado parte do entretenimento.
Depois de alguns minutos, entretanto, alguns outros casais se uniram ao baile. Alexis se sentiu decepcionada quando terminou a música. Mas depois de uma pequena
pausa, os músicos começaram a tocar de novo, desta vez uma canção muito alegre. Os Atlantes formaram uma linha e começaram a dançar, um pouco parecido a um baile
country norte-americano. Como Alexis não conhecia os passos, voltou-se para ir, não sem certa tristeza. Mas Thor, rindo, trouxe-a de novo ao baile.
- Não é difícil. Vêm. Ensinarei-te.
Alexis negou com a cabeça.
- Não conheço esses passos. Somente pisarei nos seus pés e os dois nos sentiremos envergonhados.
- Deixe de bobagem.
Alexis levantou a cabeça.
- OK. Você pediu. - disse ela rindo.
O que lhe faltava em habilidade, compensou-o com entusiasmo. Arrumou a maior parte do tempo, para não passar sobre os pés do Thor. Entretanto, na metade da terceira
dança já estava pronta para parar.
- Tempo - disse sem fôlego - Necessito de líquido. Estou completamente desidratada.
Rindo, Thor a deixou e foi procurar algo de beber. Acalorada pelo rigoroso exercício, Alexis se sentiu tentada a tirar a roupa. Ninguém estava emprestando nenhuma
atenção e todos tinham roupas tão leves como a sua, ou estavam totalmente nus. Ao final, entretanto, contentou-se simplesmente agitando o pescoço da túnica para
refrescar-se. Estava vendo outros bailarinos quando alguém subitamente se chocou contra ela.
Um pouco surpresa, riu, pensando que possivelmente algum dos Atlantes teria tomado muito vinho ou cerveja e tinha se chocado com ela acidentalmente. Mas no seguinte
momento, sentiu-se presa de um abraço de urso e pôde notar como seus pés se afastavam do chão.
Alexis baixou a vista para olhar os desumanos e escamosos braços que a aprisionavam. Depois girou a cabeça para ver o que era o que a tinha apanhada. Aquela
coisa tinha um bico, como um pássaro gigante, mas em lugar de plumas, estava coberta pela pele dura e escamosa de um réptil. Suas asas se estendiam para trás, como
um grande papagaio e eram similares às de um morcego. Uma língua em forma de garfo saiu do bico. Alexis gritou.


Capítulo Oito

O festival se via cada vez mais abaixo dela, enquanto o vento assobiava em seus ouvidos. Desesperada, Alexis cravou suas unhas nos braços que a sujeitavam tratando,
em um terror cego, de libertar-se, mas finalmente se deu conta de que estava já tão alto que a queda a mataria.
O medo se apoderou dela, convertendo todos seus pensamentos em caos. Tratou de pensar em como libertar-se, mas não podia pensar mais que na terrível criatura
alada que a aprisionava e que provavelmente a usaria para o jantar, possivelmente para seus pequenos.
Abaixo dela e aproximando-se rapidamente, pôde ver outra criatura alada. Seu coração quase se deteve enquanto a assaltava a visão dos dois seres brigando no
ar, lhe arrancando a pele, como dois lobos brigando pelo mesmo pedaço de comida.
Sentiu-se enjoada e se deu conta de que se estava hiper ventilando e que desmaiaria se não controlasse sua respiração. Fechou os olhos, tratando de controlar
sua imaginação, tratando de fazer mais lenta sua respiração. O coração lhe pulsava tão forte que se sentia quase como se fosse sair do peito.
Quando abriu seus olhos de novo, pôde ver que o segundo ser com asas era Thor. Em sua mão levava a espada que carregava sempre a seu lado, a que ela tinha pensado
que era simplesmente decorativa. Enquanto olhava, ele a apontou e disparou da ponta um brilhante raio de luz branca.
- Ai, meu Deus! - fechou os olhos e esticou todo o corpo contra a dor que sabia que sentiria em um momento. Mas em lugar disso, pôde ouvir que a criatura que
a sujeitava gritou em agonia. Seu agarre se afrouxou e Alexis se assustou, tratando de se segurar desesperadamente da criatura da que uns momentos tinha tentado
libertar-se. Sentia seus dedos segurar ao ar, sentia seu corpo cair irremediavelmente.
O chão se apressava a seu encontro. Fechou os olhos à apavorante vista. Caiu com ruído surdo que lhe tirou o ar dos pulmões. Sentiu uns braços que a sujeitaram
contra um peito duro como a rocha. Abriu os olhos, olhou para cima para ver o Thor e desmaiou.
Despertou gritando.
Thor a abraçou fortemente, balançando-a.
Alexis começou a chorar. Não tinha tido a ninguém que a consolasse desde que seu pai tinha morrido. Não tinha esperado esta ternura. Tinha demolido todas suas
defesas. Lentamente, recuperou o controle e se deu conta de que estava na cama do Thor, em sua casa. Teria sonhado tudo então? Não tinha sido mais que um terrível
pesadelo?
- Já se foi. Ele não poderá te danificar. Não o permitirei
Alexis se separou um pouco.
- Ele? - negou com a cabeça. Devia ter estado muito longe e certamente não o pôde ver bem. - Era um monstro. Eu o vi. Era algo horrível.
Thor a estudou durante um momento.Levantando sua mão, limpou-lhe as lagrimas das bochechas.
- Era um homem. Tinha trocado a uma besta voadora para te roubar.
Alexis ficou vendo, surpresa.
- Um homem?
- Não devia ter te deixado sozinha.
- Mas -- não entendo. Você disse -- que todo mundo estava a salvo aqui.
Brandamente, Thor a empurrou de retorno para os travesseiros. Meteu-se na cama e a abraçou, atraindo-a para seu corpo.
Alexis não protestou. Sentia os calafrios até a medula. Se encolheu agradecida contra ele, cravando sua cabeça sob a barba dele. Ele encheu seu sentido: o calor
de pele roçando contra a sua, esquentando-a, a dureza de seus músculos, seu titânico tamanho, enchendo-a, pelo menos da ilusão da segurança, seu aroma bem-vindo
e reconfortantemente familiar.
- Protegerei-te. Não deixarei que nenhum mal chegue a você. Dou-te minha palavra.
- Entretanto não o apanhou, verdade?
- Não.
- Crê que esteja morto?
Thor lutou com seus pensamentos durante um momento.
- Não estava só.
Alexis se afastou um pouco para poder vê-lo claramente.
- Decidi que eu não gosto muito de estar aqui. - disse, fazendo com que as palavras saíssem em um tom de brincadeira. Em lugar disso, saíram como infantis, aterrorizadas,
que era como em realidade sentia.
Thor levantou uma mão, e com isso tirou com cuidado o cabelo da bochecha. Depois passou seus dedos ao redor, tomando a parte de trás de sua cabeça e puxando-a
para ele enquanto baixava sua própria cabeça e capturava a boca dela com a sua.
Alexis respondeu a seu beijo com urgência, abrindo sua boca para ele, enquanto sentia sua língua tocar seus lábios e jogar com sua própria língua enquanto entrava.
Ele gemeu, enquanto movia a mão de seu cabelo para baixo, até que chegou a suas nádegas e as apertou, pressionando-a contra sua ereção, dura como a rocha.
Alexis moveu sua perna sobre o quadril dele, ondulando contra seu corpo em um esforço por ficar perto, mais perto ainda. Quando ele tratou de romper o beijo,
a boca dela o seguiu, cravando sua língua em sua boca. Girando-se até ter meio corpo em cima dele, Alexis esfregou seu púbis contra o inchado membro do Thor, pressionando
seus clitóris contra a redonda cabeça de seu pênis, movendo-se para frente e para trás, liberando a pressão, antes de pressionar fortemente contra ele, uma e outra
vez.
Ele se moveu para poder tomar ambas as nádegas, levantou-a e a empalou com sua ereção. Alexis gemeu, terminando seu beijo, passando seus lábios abertos por sua
bochecha e até seu pescoço enquanto trocava sua posição novamente. Ele se acomodou para estar sentado sobre suas pernas dobradas e com Alexis sobre suas pernas e
a empalou de novo até o fundo com seu inchado membro. Ela tinha colocado seus braços sobre o pescoço dele para manter seu balanço enquanto ele trocava de posições.
Agora afrouxou seus braços e se tombou para trás, para estudar seu rosto enquanto começava a mover-se lentamente contra ele, em um movimento de amasso, quase circular
que enviava agudas agulhas de prazer desde seus clitóris até seu estômago, causando que seus músculos vaginais se apertassem ainda mais contra ele.
O rosto do Thor se endureceu com o desejo, um músculo se flexionou em sua mandíbula enquanto procurava manter o controle, mas suas mãos capturaram as nádegas
do Alexis, urgindo-a a estabelecer um ritmo.
Alexis o ignorou, preocupando-se somente por suas próprias necessidades, sentindo seu corpo aproximar-se do orgasmo enquanto massageava seus clitóris contra
ele, movendo seu corpo para poder sentir o membro masculino esfregar excitantemente seu ponto G, emocionando-a com a promessa de uma liberação iminente.
Ele ofegou, apertando seus dentes, enquanto ela arrojava sua cabeça para trás, gemendo enquanto o prazer começava a produzir pequenos terremotos dentro dela,
com os músculos de seu sexo apertando e afrouxando-se em um ritmo similar aos movimentos de seu corpo.
Dobrando-se, Thor tomou o seio de Alexis em sua boca, sugando fortemente seu mamilo. Alexis gritou, contorsionando-se de prazer enquanto o clímax tomava abruptamente,
mandando quebras de onda de prazer ao longo de todo seu corpo.
Thor a lançou sobre suas costas contra os travesseiros, penetrando-a tão forte e rápido, que a levantava da cama com cada investida. Ela cravou seus calcanhares
na cama, deslizou seus braços ao redor da cintura do Thor e cravou seus dedos nas nádegas dele, enquanto se arqueava para encontrar-se com ele.
Ele se deteve repentinamente, arqueando-se para trás, com seu rosto refletindo a intensidade de seu orgasmo. Dentro de seu púbis, ela podia senti-lo, pulsando,
palpitando, podia sentir a onda de calor em seu sob ventre enquanto a semente do homem a lavava por dentro.
Alexis afrouxou o abraço que mantinha sobre o Thor. Seus braços, débeis e pesados pela fadiga, caíram contra a cama enquanto ele se deitava sobre ela, ofegando
por ar. Alguns momentos depois, ele se colocou a seu lado, atraindo-a para que descansasse brandamente a seu lado.
Alexis girou, lhe dando as costas e arrumando-lhe para colocar o úmido pênis contra suas nádegas.
Um suave sorriso curvava seus lábios. Quem tivesse pensado que um grande He-Man como Thor queria ser tenro e acariciador depois de ter sexo? Era um magnífico
amante. Era uma pena, verdadeiramente.
* * *
Alexis estava inquieta quando Moira a deixou na porta de Aurora na manhã seguinte. Não tinha visto o Thor. De maneira típica, ele já tinha ido quando ela despertou
e Moira, desgraçadamente não era o suficientemente boa com suas cordas vocais para lhe dizer a Alexis aonde ele tinha ido -- ainda se quisesse fazer, ou ainda se
soubesse onde tinha ido ele.
Moira entretanto, tinha arrumado para lhe dizer a Alexis que Aurora a estava esperando.
Alexis sabia o que isso queria dizer.
Provas.
Aurora sorriu ante a expressão de Alexis quando ela entrou no quarto e se deteve nervosa junto à porta. Fez-lhe um gesto para que se aproximasse. Não muito convencida,
Alexis se moveu da porta e se sentou na borda do divã, onde tinha estado à última vez que se encontrou nas habitações de Aurora.
- Esta mortalmente assustada, menina. Que não te disse que não havia nada que temer a respeito das provas?
Alexis assentiu de maneira torpe.
- É só que -- realmente odeio os hospitais, os doutores e as provas médicas.
Aurora a estudou pensativa por um momento e um olhar de simpatia cruzou seu rosto.
- Sua mãe?
Alexis sentiu um toque de surpresa, a pesar do fato de que agora já sabia que seus pensamentos não eram privados neste lugar. Assentiu.
- Não confia facilmente, Alexis.
Alexis tremeu.
- Depende, realmente. Algumas vezes, a respeito de algumas coisas -- e logo normalmente me arrependo.
Aurora fechou seus olhos.
- Ele era um rufião encantador e você foi uma moça, perdida e em desesperada necessidade de carinho. Não te culpe por não ter visto as advertências a respeito
de Eric.
Aquilo foi dito de maneira amável, mas Alexis saberia que nunca poderia perdoar-se, não totalmente. Era ela a que tinha aberto a porta para a morte de seu pai.
Se ela não tivesse permitido Eric entrar em sua vida, ele não teria visto tudo o que se podia ganhar matando seu pai.
- Você não abriu a porta ao lobo, Alexis. O lobo já tinha encontrado e tinha escolhido. Você pensa que foi um crime de oportunidade, um que você lhe apresentou,
quando em realidade, ele já tinha aprendido tudo o que terei que saber a respeito dos interesses do negócio de seu pai, e de você, muito antes da primeira vez que
se encontraram por acaso. É quase impossível te proteger de você ou a seus seres queridos, dos planos de um estranho. Não pode te jogar a culpa.
- Como pode saber tudo isso? - perguntou Alexis, atônita.
Aurora sorriu misteriosamente.
- Tenho meus modos.
Alexis ficou vendo, e o entendimento chegou, junto com uma onda de entusiasmo.
- Caminhou no tempo.
- Algo assim.
Alexis saltou para ficar de pé e depois se fincou em frente da velha mulher.
- Você pode desfazê-lo. Você pode mudar tudo, para que meu pai não morra. Por favor! Por favor, me ajude.
Aurora a olhou tristemente.
- Não se pode mudar o passado. Só o futuro.
- Mas... mas você poderia. Tudo o que tem que fazer é avisá-lo.
Aurora lhe tocou o ombro e a cabeça de Alexis começou a divagar. Várias imagens desfilaram dentro de sua mente. Viu seu pai, de pé na cozinha. Estava cozinhando.
Atrás dele, sentado à mesa, estava Eric. Estavam falando e rindo. Quando seu pai voltou para olhar a comida na estufa, Eric parou. Tirou uma navalha de sua jaqueta,
aproximou-se por trás de seu pai e tomando-o pela cabeça, cortou-lhe a garganta. O sangue salpicou para todos lados. Seu pai segurou a garganta, parecia voltar-se
louco, com olhos que perguntavam ao homem que nunca pensou que seria uma ameaça. Caiu sobre seus joelhos e finalmente, caiu totalmente sobre o piso, onde ficou quieto.
Uma desconhecida apareceu no marco da porta da cozinha, uma mulher que Alexis não reconheceu. Ajudou Eric a tirar o corpo de seu pai até a garagem. Juntos o
colocaram em um congelador, cobrindo-o com comida que sem dúvida a mulher tinha tirado do refrigerador, em preparação para o assassinato. Quando retornaram à cozinha,
limparam cuidadosamente toda a evidência de sua presença e de seu crime.
Em um momento, a cena mudou. Uma mulher, Aurora, falou com seu pai enquanto dormia, avisando-o. Outra vez, a horrível cena da cozinha teve lugar, variando um
pouco da primeira vez. A exceção foi que esta vez, o pai, nervoso pelo sonho que tinha tido, voltou-se bruscamente quando ouviu e Eric detrás dele. Esta vez Eric
apunhalou a seu pai no coração.
Uma vez mais, a cena mudou e Alexis viu aurora tocando à porta de seu pai. Discutiram fortemente sobre algo e depois o pai tirou Aurora da casa. Olhou com suspeita
a Eric quando abriu a porta e o afastou daí. Mais tarde, enquanto o pai dormia, Eric entrou no quarto e o apunhalou repetidamente enquanto dormia.
Alexis se paralisou quando Aurora a soltou e chorou enquanto escondia o rosto entre suas mãos. Aurora lhe tocou o ombro e a acariciou brandamente. Finalmente
Alexis recuperou o controle e levantou seu rosto suja pelas lagrimas.
- Não entendo. Isto que me mostrou. Aconteceu?
Aurora a estudou durante um momento.
- Sinto muito te haver machucado te mostrando isto, mas deve entender. O passado estranha vez pode ser trocado para refletir o que nós queremos. Podia ter mostrado
muitas mais vezes, de muitas maneiras diferentes, mas o resultado teria sido o mesmo. Seu pai teria morrido.
- Então me está dizendo que não tem sentido tratar de mudar o futuro?
Aurora negou tristemente.
- Honestamente, não sei. Não acredito que na natureza humana esteja o simplesmente aceitar. Acredito que não poderíamos viver sem esperanças e a esperança é
a crença de que podemos mudar as coisas. Tudo o que sei é que faz muito tempo aprendemos que era inútil jogar com o que já se foi, com o que já passou. Não podíamos
mudá-lo. Sempre parecia que era uma só coisa, uma ação a que se converteu na catálise de tudo que veio depois, mas vimos que havia muitos caminhos que levavam ao
inevitável. Ao mudar uma delas fazia muito pouca diferença e encontrar todos os eventos que levavam a desenlace era impossível.
Alexis esteve calada durante um bom momento.
- Mas tentou de todas maneiras?
Aurora assentiu.
- A gente sempre pode esperar que a seguinte vez será diferente, mas não fez nenhuma diferença acautelá-lo. Não serve de nada levá-lo a outro lugar. Não serve
de nada atrasar ao Eric. Não pude mudar.
Alexis a olhou durante um momento, enquanto pensava.
- Possivelmente não tentou o suficientemente forte. Possivelmente o que precisava mudar era que eu conhecesse Eric. Então as coisas aconteceriam de maneira diferente.
- Não fizeram.
- Como pode saber? - exclamou Alexis, zangada.
- Porque está aqui.
Alexis deixou cair sua cabeça entre suas mãos. Sentiu a mão de Aurora colocar-se em sua nuca e se sentiu invadida pela paz.
Alexis levantou a cabeça confusa para olhar a Aurora, tentando de recordar o que acabava de passar e como tinha chegado até estar aí, sentada aos pés de Aurora,
mas sentiu que era algo que estava melhor esquecido.
- Vem - disse Aurora energicamente - Devo te apresentar a nossos doutores e verá que não tem nada que temer.
* * *
- Recuperei isto - disse Eros - Não foi fácil. O que a usava lutou muito duro para destruí-la.
Thor tomou e a virou. Não se via como uma dos que usualmente usavam, mas tampouco se via muito diferente, pelo menos, não sob a luz artificial que somente iluminava
de maneira leve a câmara sob a cidadela onde se encontraram. Thor, de pé, aproximou-a mais à luz para vê-la melhor, mas não viu nada significativo.
- Uma tiara?
Eros assentiu.
- Mais poderoso do que a que nós desenvolvemos. Ainda com os magnificadores que nós usamos, não podemos perceber suas comunicações telepáticas. Possivelmente
para você, que não necessita um magnificador, isto não seja um impedimento, mas nós não ouvimos nada que possa ser tomado como uma comunicação rebelde durante semanas.
Eu me tinha estado perguntando por que se tornaram tão estranhamente calados.
- Eu tampouco detectei nada. Tinha pensado que tinham movido seu lugar de reunião além de Atlântida ou que tinham encontrado uma câmara como esta que nós não
sabíamos nada -- ou possivelmente que inclusive tinham modificado uma câmara secreta em algum lugar que impediria que entrassem as ondas telepáticas, como o fazem
estas paredes. Na verdade, o silêncio me incomodava, porque sabia que não era provável que tivessem cessado em suas maquinações. Isto explica porque não pudemos
descobrir nada dos rebeldes. E porque se tornaram tão ousados.
Eros levantou suas sobrancelhas de maneira inquiridora.
- Ontem à noite um rebelde capturou a um externo sob meu amparo.
- E que propósito crê que teria?
Thor estudou ao Eros durante um momento. O homem era seu ajudante de maior confiança, mas mais que isso, também era um amigo. Se não podia confiar no Eros...
- Há várias possibilidades. Eu reclamei o primeiro direito a ela como minha mulher, se é que se decide a ficar. Não é nenhum segredo. O ataque pode ser dirigido
a mim.
Eros pareceu surpreso durante um momento. Depois sorriu e deu umas palmadas ao Thor no ombro.
- Brinca. E eu que pensei sem esperança. Felicitações!
Thor avermelhou.
- É prematuro. Ela não há dito que ficará. Tampouco há dito que me aceitasse. Entretanto, minha reclamação deve ter sido suficiente para lhes fazer acreditar
que poderiam usá-la contra mim.
Eros parecia intrigado. Antes que pudesse fazer mais pergunta que Thor sabia que queria perguntar, este último preferiu dirigi-lo para o problema imediato --
o objetivo dos rebeldes.
- Essa é uma possibilidade. Há outras.
- Que tenham podido raptar de maneira bem-sucedida e justo sob seu nariz, convenceria a qualquer que estivesse duvidando de que eles têm a força para ganhar.
Na verdade, embora não interceptamos nada, meus instintos me dizem que seu grupo cresce dia a dia e que muitos mais uniriam se sentissem que suas probabilidades
de ganhar são mais reais.
Thor assentiu.
- Ou é possível que ela fosse o objetivo.
Eros se via surpreso.
- Por quê? Ela é uma externa. Do que lhes serviria?
- Ela tem muitos dons, muitos mais que qualquer externo que tenha visto, mais ainda que muitos Atlantes.
Eros se via cético, mas sorriu depois de um momento.
- Terei que ver este modelo de virtudes.
Os olhos do Thor se encolheram.
- Valorizo sua amizade, Eros, mas não cometa nenhum engano: a mulher é minha.
Surpreso, Eros o estudou durante um momento, seguro de que estava brincando, mas depois levantou as palmas de sua mão em um gesto de rendição.
- Não queria fazer mal. Em qualquer caso, conheço-te bem. Agora você terá feito sua reclamação de maneira tão completa que ninguém mais teria a mais ligeira
oportunidade de conquistar o coração da dama.
Thor fez um gesto de irritação, mas não tinha intenção de expressar suas dúvidas, com ou sem reclamação prévia. Alexis era um caso nunca visto e Eros era muito
tentador para as mulheres para lhe permitir pensar que tinha a mínima oportunidade com ela. Ignorou o comentário e retornou sua atenção à tiara.
- Temos que analisar isto, para que saibamos ao que nos enfrentamos, mas se tiverem a capacidade de produzir estas, então sem dúvida que o movimento rebelde
é muito maior do que nos tínhamos imaginado. Pôde interrogar ao homem?
- Quando um homem está determinado a brigar até a morte, é virtualmente impossível capturá-lo vivo. O que descobriu você do homem que roubou a sua mulher?
- Nada. Matei-o.
- Mas... não pôde tentar detê-lo?
- Ele... era um perigo para Alexis. Não tentei.
* * *
Alexis descobriu que Aurora não tinha mentido. As provas foram estranhas e muito cansativas, mas com a exceção de uma prova de sangue ordinário, não houve nenhum
tipo de dor, nem rituais estranhos ou engenhosas torturas.
Fizeram-lhe as provas durante um período de três dias. No quarto dia, quando estava cansada além do que tivesse podido acreditar, disseram-lhe que descansasse.
Fez gostosamente, sem poder recordar outra ocasião em que tivesse estado mais cansada.
No quinto dia, chamaram-na o conselho. Para sua surpresa, Helena lhe informou que a reunião seria nas câmaras do Conselho e não frente ao Corpo, como tinha sido
sua primeira audiência. Quando Alexis ficou vendo sem saber o que responder, Helena lhe explicou de muito mau modo que as reuniões no coliseu, com o Corpo, eram
somente quando se devia votar por crimes que tivessem que ver com as primeiras cinco leis. As infrações menores eram decididas pelo Conselho somente, e devido a
que o caso de Alexis não era realmente um crime, também caía sob sua jurisdição. Devido a que seria somente o Conselho o que decidiria sobre o destino de Alexis,
a reunião teria lugar nas câmaras privadas do Conselho.
Quando Helena abriu a porta e conduziu a Alexis ao interior, pôde ver que Thor estava falando com o Alto Conselho. Seu coração saltou quando o viu. Um amontoado
de pensamentos invadiu sua mente antes que ela pudesse impedir, mas ninguém olhou em sua direção, de maneira que ela sentiu alguma esperança de que ninguém se deu
conta de seu lapso. De qualquer forma, seus pensamentos tinham sido tão aleatórios e tão caóticos que inclusive ela mesma os tinha entendido escassamente. E seguro,
ninguém mais tivesse podido interpretá-los.
Enfocou seu olhar, e seus pensamentos, na reunião depois disso, sabendo que essa era sua única esperança de guardar seus segredos mais privados.
Dando-se conta de que tinha chegado, Aurora lhe fez um gesto para que se aproximasse. Quando Helena ia, Aurora a deteve, lhe ordenando que também se aproximasse.
Helena se viu surpresa e não muito contente, mas se aproximou do Conselho como lhe tinham ordenado.
Naturalmente, Alexis não tinha idéia de que assuntos tinha tido Thor que tratar com o Conselho, mas a julgar pela expressão de seu rosto, e pelas expressões
dos membros do Conselho, não tinha sido uma reunião agradável.
Descobriu que ficaria pior.
Aurora estudou a Alexis e a Helena por turnos. Depois falou com a Helena.
- Revisamos sua reclamação e sua petição a respeito do Thor como sua escolha para marido. É bem sabido que você teve um acordo com ele em algum momento, entretanto,
os direitos de uma reclamação anterior não podem ser considerados quando a petição original foi rechaçada. Pode revisar as circunstâncias do rechaço original se
quer fazê-lo, mas a decisão foi sólida e irrefutável. Não adicionaste nada à nova petição que pudesse ser considerado, ou que fizesse que a decisão original fosse
revogada. Devemos negar sua reclamação anterior e rechaçar sua petição.
Esquecendo-se de Helena, quem evidentemente ficou sem fala, Aurora fixou seu duro olhar em Alexis.
- Chamamos-lhe hoje, Alexis Stanhope, para decidir a respeito de sua situação conosco e para te agradecer sua participação voluntária nas provas que encontramos
necessárias para fazer nossa determinação.
Alexis levantou as sobrancelhas. Não tinha sabido que tinha uma escolha.
Aurora fez um gesto de desgosto.
Alexis se concentrou nos dedos de seus pés.
- Menina.
Alexis levantou a cabeça para olhá-la.
- Nós gostaríamos de te dar boas-vindas para que vivesse conosco. Encontramos que é geneticamente superior, que está livres de genes defeituosos de qualquer
tipo. Também encontramos que é geneticamente similar aos Atlantes, no sentido de que possui certas habilidades que não são comuns entre os externos.
Alexis a olhou com surpresa.
- Habilidades?
Aurora assentiu.
- Suspeitávamos, é obvio, mas era necessário confirmar nossas suspeitas sobre o fato de que tem uma habilidade natural para proteger sua mente contra a telepatia
sem necessidade de usar nenhum dispositivo e de que pode romper uma atadura mental. Esses são dons poderosos. Seriam inclusive entre os atlantes. Decidimos te dar
as boas-vindas como uma noiva de Atlântida, como noiva do Thor, quem declarou o primeiro direito sobre você e pediu ao conselho autorização para tomar como sua esposa.




Capítulo Nove

Alexis ficou com a boca aberta. Lançou um olhar rápido ao Thor, perguntando-se se ele teria tido algo que ver com esta decisão.
- A decisão está apoiada em suas provas, - disse Aurora brandamente. - Naturalmente, que nós preferiríamos que o emparelhamento fosse uma questão de compatibilidade,
afeto, atração física -- amor, se lhe quer chamar assim, como nos velhos tempos. Mas não temos esse luxo. Em qualquer caso, parece ser que a fortuna é benévola a
sua união, porque ao parecer vocês dois formaram laços emocionais que complementam seus perfis biológicos. -- terminou Aurora, sorrindo ligeiramente.
- Esperem um momento. Olhem. Não poderia ainda se quisesse. Já estou casada. - Disse Alexis, um pouco desesperada.
Aurora levantou as sobrancelhas.
- Estas divorciada.
- Divorciada? - repetiu Alexis, assombrada.
Aurora assentiu.
- Adônis é testemunha. Seu marido divorciou de você -- mmhh -- marido anterior quando te jogou pela amurada.
Alexis ficou vendo sem entender. Repentinamente, recordou as palavras que tinha gritado Eric quando ia caindo. Sacudiu sua cabeça.
- Isso foi... irritação. Humor negro. Não queria dizer nada. Não muda nada.
- Não queria te divorciar dele?
- Descida me divorciar dele assim que possa ir a casa, mas isso não muda o fato de que, por lei, ainda me encontro casada a ele.
- Suas leis?
- Nossas leis.
- Você vive em Atlântida agora -- recordou-lhe Aurora brandamente -- Se ficar, somente nossas leis se aplicarão a você. As leis dos externos não nos importam.
E, por nossas leis, você rechaçou seu casamento ante uma testemunha. Estas divorciada -- livre para te casar.
Alexis ficou vendo. Depois olhou ao Thor, quem estava parado, com cara de pedra, e finalmente olhou a Helena, quem tinha uma palidez de morte.
- Mas -- havia um acerto entre o Thor e Helena. Ela me disse que isso já tinha sido arrumado.
Aurora a olhou durante tanto tempo, que Alexis avermelhou, dando-se conta de Aurora certamente tinha muito claro sua falta de consideração para a reclamação
anterior da Helena.
- Desprezamos a reclamação anterior da Helena. Consideramos a larga liga que ela e Thor tinham, mas ainda fica um impedimento biológico. O tempo não poderá mudar
isto. A ela lhe disse faz muito tempo. Thor aceitou a decisão. Helena o tem que fazer também.
- NÃO! - gritou Helena de repente. - Tia -- conselheira,você sabe que nos amamos um ao outro desde que fomos meninos. Não está bem!
- Helena, conhece as leis. Você sabe, e soubeste durante muitos anos, que isto não pode ser.
Helena correu para o Thor e o pegou pelo braço, sacudindo-o.
- Diga que não importa. Não nos importa se não nos permite ter uma família.
Thor olhou a Helena incômodo.
- Helena, eu te quis como uma companheira de jogos quando fomos meninos. Quis-te como uma querida amiga do tempo quando crescemos, mas você não está mais apaixonada
por mim, como uma mulher ama a um homem, pelo que eu estou de ti, ou do que nunca estive por ti. Não fizemos mais que estar de acordo em que devíamos nos conformar
um com o outro, em altares da companhia. Eu estava disposto, se nos permitia, mas não foi assim. Aceitei que só poderíamos ser amigos. Pensei que você também o tinha
feito.
- Não! Não o fez! Disse que esperaríamos um pouco e que faríamos nossa petição outra vez. Que eu seria sua esposa ou não o seria ninguém.
Thor empalideceu e olhou ao conselho.
Aurora avermelhou e se levantou um pouco de seu assento.
- Helena! Você só te prejudica! Não pode nos mentir. Ainda se estiver disposta a mentir a ti mesma, nós conhecemos a verdade.
Helena se assustou, mas só por um momento. Voltou-se para Alexis, com um olhar que devia havê-la matado aí onde estava, mas antes se voltou a olhar ao Thor uma
vez mais.
- É ela, verdade? É essa criatura feminina que Adônis trouxe para nós. Ela não pertence aqui. Jamais pertencerá.
- Isto não tem nada que ver com Alexis. Isto foi decidido muito tempo antes que ela chegasse. Você me fez acreditar que já estava arrumado e que tinha aceito
como eu o fiz -- disse Thor, com uma decidida paciência.
Helena soltou o braço do Thor e deu um passo para trás. Voltou-se para ver os conselheiros e a Aurora. Seus olhos se encolheram quando se cravaram em Alexis.
Entretanto, não disse nada.
Depois de um momento, Aurora voltou a falar com Alexis.
- Ouviu a decisão do conselho. Deve decidir.
Alexis se sentiu em choque. Ninguém lhe tinha advertido que teria que decidir agora, hoje. Ela tinha pensado que teria mais tempo. Pensou rapidamente.
- Que tal se vou e volto logo. Não posso ficar. Tenho que arrumar meus assuntos. Meu pai merece justiça. Eu sou quão única pode assegurar-se de que isso se cumpra.
Se somente me permitem arrumar isso, eu retornarei por minha própria vontade, ou poderão apagar minhas memórias então. Já não importaria depois.
Aurora consultou com os outros conselheiros durante vários momentos. Quando finalmente retornou sua atenção ao Alexis, ela já sabia qual seria a resposta ainda
antes que Aurora falasse.
- Isso parece ser uma petição razoável...
- Obrigado! Sim... Estarei de acordo em tudo o que vocês queiram... depois.
Aurora franziu o sobrecenho.
- Paciência, menina. Como te estava dizendo, parece uma petição razoável. Entretanto, existem... circunstâncias que surgiram recentemente e que fazem impossível
permitir sua petição.
- Que circunstâncias? - demandou saber Alexis.
- Existe perigo para ti...
- ISSO JÁ SEI - interrompeu-a Alexis de novo.
- Não me interrompa!
Alexis se ruborizou.
- Não conhece o perigo. Não falo de seu marido anterior... e isso não é a única consideração. Você leva o bebê de Thor.
Alexis ficou vendo com horror absoluto. Uma multidão de visões lhe correram pela mente: Thor mudando de forma, com asas que lhe cresciam, Thor mudando a um homem
com cauda de peixe, o horrível homem - besta que a tinha atacado, Adônis como um golfinho e depois em um tritão. Outras imagens seguiram a essas e tivessem sido
cômicas se não tivessem sido tão horrendas, imagens dela, lutando por tirar um bebê e a um doutor sustentando a um golfinho ou a um pequeno tritão, imagens do doutor
procurando desesperadamente um bebê dentro dela, tirando gatinhos e cachorrinhos e olhando-os para ver se não eram um bebê convertido em alguma besta. Não podia
fazer isso! Teria que desfazer-se dele, pensou um pouco grosseiramente.
Aurora saltou de seu assento, distraindo ao Alexis das imagens que desfilavam por sua mente. Caminhando rapidamente para ela, pegou sua mão e a tirou do quarto
como se fosse uma criança malcriada. Alexis estava muito assombrada para protestar. Olhou para trás enquanto Aurora a tirava do quarto. Thor a olhava, pálido e se
via muito alterado.
Helena ria a gargalhadas.
Aurora não se deteve até que chegaram a suas habitações privadas. Puxando Alexis para dentro, açoitou a porta e jogou no Alexis para o divã. Alexis vacilou para
trás alguns passos, mas se arrumou para manter-se de pé, olhando assombrada enquanto Aurora, presa de uma fúria que Alexis nunca tinha presenciado, aproximava-se
de um cofre, tirava dele uma tiara e retornava, colocando-a firmemente sobre a cabeça de Alexis.
Imediatamente, o molesto zumbido contínuo que Alexis já tinha aprendido a ignorar, cessou.
Fraca dos joelhos, sentou-se no divã que estava detrás dela, enquanto via aurora caminhar em círculos em frente dela.
- O que fiz?
- Exatamente! Isso é o que deveria te estar perguntando.
Alexis ficou vendo, dando-se conta de que tinha feito algo imperdoável, mas sem saber o que era.
- Feriste a um bom homem! Machucaste-o com sua ignorância.
A imagem do Thor entrou na mente de Alexis.
- Thor? - perguntou, sentindo-se um pouco doente.
Aurora deixou de caminhar e se paralisou em sua cadeira enquanto a irritação se esfumava. Cobriu o rosto com as mãos.
- Menina, menina, isso foi imperdoável.
- O que? O que fiz? - gritou Alexis, contendo a vontade de chorar.
Aurora respirou várias vezes longamente para acalmar-se e finalmente olhou ao Alexis.
- Que coisa se apossou de ti para que pensasse esses pensamentos?
Alexis pôde sentir como caía seu queixo de assombro. Começou a chorar.
- Não pude evitar. Estava muito surpresa.
- Devíamos te dado uma tiara a muito tempo. Tem uma mente indisciplinada.
Alexis começou a chorar mais forte.
- Já te cale.
Alexis saltou com a seca ordem e lutou por controlar suas emoções. Aurora a olhou por um momento e finalmente se moveu de sua cadeira para sentar-se junto a
Alexis, lhe dando um abraço carinhoso.
- Calma menina. Sei que não era sua intenção machucar ao Thor.
- Não! Não, era. Pensa que queria isso? - perguntou Alexis entre suas lagrimas.
Aurora pareceu ficar sem palavras por um momento. Finalmente falou.
- Então porque pensou todas essas coisas?
Alexis se sentiu tentada a fingir que não recordava ter pensado nada.
- Não sei. É que não ESTOU ACOSTUMADA a que as pessoas mudem, transformem-se. Não sei que esperar -- quer dizer que não veria como...? seria somente um bebê?
- Claro que seria... É um bebê! - perdeu a paciência Aurora - Somos tão humanos como você.
Alexis se ruborizou e finalmente se separou de Aurora, embora se sentia agradecida de que lhe tivesse devotado seu apoio.
- É que - eu não tinha pensado realmente em nada disso até que você disse que eu - que estava grávida. Devo buscá-lo. Devo me desculpar com ele.
Aurora ficou de pé e percorreu pensativa, pelo quarto durante um momento. Finalmente retornou a sua cadeira.
- Não servirá de nada - disse tristemente - Já parece.
Alexis ficou vendo, sentindo uma fossa na boca de seu estômago. Era impossível que não pudesse pedir perdão e que não o dessem. Era impossível que Thor a odiasse
agora somente por um pensamento descuidado. Não pensava que pudesse suportar isso. Sabia que não podia suportar pensar nisso.
- Mas... mas, não quis dizer isso.
Aurora a olhou com tristeza.
- Alexis, foi seu coração o que falou. Todos sabemos que disse o que queria dizer. Entendo que não o fez de propósito para nos machucar, que foi ignorância porque
não estiveste o suficiente tempo conosco para entender completamente quem sou e o que somos, mas é não muda o fato de que você nos vê como... não de sua raça. Possivelmente
deveríamos considerar em abortar ao bebê.
De maneira instintiva, a mão de Alexis voou para cobrir de maneira protetora seu abdômen.
- Não!
Aurora a estudou um momento.
- Até faz só alguns momentos, esse pensamento era o predominante em sua mente.
- Não o entende! Não estava pensando no Thor! Estava pensando em... essa coisa horrível que me atacou. Thor disse que era um homem, um homem que se transformou
em uma besta. E Adônis, a primeira vez que o vi, era um golfinho. E quando Thor me perseguiu quando estava tratando de escapar, ele se transformou em um tritão.
Eu não sou como vocês. Não posso fazer essas coisas. Ninguém que conheço pode fazer essas coisas. E tudo o que eu podia fazer era pensar no bebê e em que ele não
seria como eu e que eu não saberia como dirigir uma coisa assim. Não são vocês, nenhum de vocês. Sou eu! Sinto-me como um alienígena neste mundo e não posso fazer
nada para evitar porque não há nada que me seja familiar.
- Tranqüila, menina. Tratarei de te fazer entender. - Aurora se deteve, pensando. - Somos uma raça muito antiga. - disse finalmente.
- Sei.
Aurora sacudiu sua cabeça.
- Estivemos tão preocupados em preservar a vida, que perdemos nossa juventude.
Alexis fez um gesto de estranheza.
- Não estou segura de entender.
- Vivendo como vivemos, aqui em Atlântida, vivendo os ciclos de vida que nos criamos para nós mesmos, temos tudo mas perdemos a época primaveril de nossa raça.
Em um princípio, não fizemos nada para controlar o crescimento da população, mas logo nos demos conta de que aquilo era um engano terrível. Para corrigir nosso engano,
a ninguém lhe permitiu ter filhos durante muitos anos, mas quando chegou o momento em que sentimos que podíamos fazê-lo de novo, o tempo de começar novas famílias,
descobrimos que muitas de nós éramos muito velhas para nos engravidar. Daquelas que poderiam há -- considerações genéticas.
Alexis ficou vendo sem entender.
- Endogamia. Isto é a fecundação entre indivíduos aparentados geneticamente.
Alexis se sentiu enojada pela idéia e Aurora pôde notá-lo. Aurora apertou fortemente seus lábios.
- Não é uma questão de incesto, mas sim de genética, de pessoas que estão proximamente relacionadas. De algum jeito, toda a raça humana está aparentada. Todos
levamos certas características, mas quando uma população começa a reproduzir dentro de um ambiente genético muito limitado, os problemas começam a surgir. Particularmente
se tudo isto aconteceu, como conosco, quando se estão tratando de introduzir denominadores genéticos específicos. Minha geração é a culpada principal de tudo isto
e como eu sou a última de todos eles, sinto um peso terrível pelo que nos ocasionamos por nossa ignorância. Reproduzimo-nos de uma maneira tão indiscriminada que
somente um em cem de nossos filhos tinham permitido ter descendência, mas ainda assim não pudemos obter um balanço que fosse saudável e finalmente se decidiu que
uma geração completa deveria passar por esta vida antes que a qualquer lhe permitisse ter filhos.
- Sinto muito. Realmente não sei nada de genética, pelo menos não o suficiente para entender.
Aurora considerou a resposta por um momento.
- Sabe algo a respeito de raças animais?
- Não muito -- admitiu Alexis -- Mas um pouco, suponho. Posso reconhecer certas raças, se isso for o que quer dizer.
- O Dobermann?
Alexis sentiu um calafrio.
- Infelizmente, sim. Tive uma experiência muito pouco prazenteira com um deles.
Aurora assentiu.
- Como outras raças que foram criadas para proteger e matar sob ordens, esses cães foram criados durante gerações para produzir certos atributos específicos,
mas junto com esses atributos desejáveis, alguns outros muito indesejáveis, produziram-se.
- Voltam-se contra seus amos.
- Assim se soube. Também podem, de maneira repentina e sem nenhuma razão aparente, atacar e matar.
Alexis ficou a pensar durante um momento.
- Disso falava Adônis quando disse que o conselho tinha acordado considerar os externos?
Aurora sorriu fracamente.
- É uma amostra de desespero, mas nos demos conta de que é necessário que 'poluamos' nossa raça para salvá-la.
- Seletivamente.
Aurora assentiu.
- Isso não é muito adulador para os externos - disse Alexis secamente.
- Não. Mas a pureza de nossa raça é importante para nós. Os externos se reproduziram tão indiscriminadamente como nós. Apesar de que não cometeram os mesmos
enganos que nós cometemos, começaram a perder as características específicas de suas raças, apagando-se, mesclando-se. Um dia somente existirá uma só raça de homem.
- Mas isso é uma coisa boa. Já não haverá prejuízos raciais.
Aurora sorriu fracamente.
- Se acredita que isso trará a paz, então não conhece absolutamente ao ser humano. A raça humana sempre encontrará prejuízos de um tipo ou de outro. É porque
somos, essencialmente, animais de manadas, territoriais, mas animais de manadas ao final. Estamos naturalmente inclinados a gravitar para outros similares a nós.
Dá-nos um sentido de segurança. Os prejuízos de classe, de inteligência, ou possivelmente as considerações financeiras, substituirão aos velhos prejuízos.
Alexis fez um gesto de desgosto.
- O que me está dizendo agora é que nenhum Atlante pode procriar com outro Atlante?
- A alguns lhes permite, mas não a grande maioria. Alguns foram voluntários para deixar seu lugar a uma nova geração, mas tudo isto deixou de ser um problema
de controle de população faz muito tempo. Thor esperou muitos anos para encontrar uma companheira para sua vida, e para que lhe permita fazer uma família. Não pode
entender nem remotamente que devastador deve ter sido para ele te encontrar, para logo te perder frente ao conselho. Mas me dou conta de que esta tragédia é mais
minha culpa que a tua. Apesar das disposições da lei, eu devia ter discutido contigo isto em privado primeiro.
Alexis se sentiu muito mal durante vários momentos. Cobriu seu rosto com suas mãos. Ocorreu=lhe que tivesse gostado que a tivessem matado nesse momento, em lugar
de lhe permitir viver com tantos pensamentos tão difíceis. Finalmente, deu-se conta da razão pela que lhe doía tanto o que tinha feito ao Thor. Amava-o.
Ela teria sentido terrível se tivesse machucado-a.
Mas não teria sentido tão aflita.
Possivelmente, depois de tudo, deveria pedir que lhe tirassem suas memórias. Isso pelo menos lhe daria paz. Não poderia vingar a morte de seu pai, mas se lhe
tiravam suas memórias, isso não a torturaria tampouco. Olhou a Aurora.
- Poderiam me tirar minhas memórias e me retornar por favor?
Aurora a olhou tristemente.
- Desgraçadamente, não podemos.
-Por quê? - gritou Alexis - Antes disse que podia fazê-lo. Agora quero que o faça! Não quero recordar nada! Não me importa já. Quero esquecê-lo tudo e me arriscar
de novo em meu próprio mundo.
Aurora a tirou da mão.
- Não o entende. Os rebeldes lhe encontraram. Agora só estará a salvo conosco, aqui. Só Thor pode te proteger, mas não poderia fazê-lo se lhe enviamos longe
daqui.
Alexis ficou com a boca aberta.
- Rebeldes? - perguntou.
- Pensa que somos uma sociedade utópica, onde todo mundo estaria contente só esperando até que houvéssemos resolvido nossos numerosos problemas? - perguntou
Aurora, friamente. - Os números dos rebeldes estiveram crescendo. encontraram uma maneira de evitar as detecções do Thor e se não encontrarmos um modo de detê-los,
muito em breve serão o suficientemente fortes para destruir a Atlântida.
- Mas... que poderiam querer eles comigo?
Aurora a estudo durante um comprido momento.
- Você rompeu a atadura mental do Thor. Ninguém em Atlântida jamais pode fazê-lo. Essa é a razão principal pela que soubemos que devia te casar com o Thor, para
que a descendência de vocês seja o suficientemente forte para proteger às futuras gerações. Não tem uma idéia de quão importante é para nós... ou para os rebeldes.


Capítulo Dez

Passou uma semana inteira. Alexis tinha ficado com Aurora e finalmente chegou a pensar que tinha entendido mal quando pensou que a Grande Conselheira lhe havia
dito que tinha que permanecer sob o amparo do Thor. Ou seria Thor que se teria negado a cuidá-la?
Ou seria que ele estava muito ocupado tratando de encontrar aos rebeldes?
Depois de um tempo Alexis começou a perguntar-se se não seria que ela e Aurora se teriam equivocado totalmente com respeito aos sentimentos do Thor. Possivelmente
só se havia sentido insultado, mas não ferido. Não teria ele também que haver-se preocupado se ela não estaria machucada?
Ele teria que estar apaixonado por ela para sentir-se machucado. Mas os homens não experimentavam o amor a primeira vista ou sim? E definitivamente, eles não
tinham estado juntos o suficiente tempo para que seu amor fosse outra coisa que um amor a primeira vista. E ainda se isso for o que fosse, tudo aquilo podia também
interpretar-se simplesmente como luxúria ou não? Não havia sentimentos mais complicados envoltos, não havia nada de uma natureza permanente. Luxúria. Algo que se
superava de maneira natural uma vez que se saciava.
Isso devia ter sido um pensamento feliz -- dar-se conta de que ela não era nenhum monstro depois de tudo, um monstro que tinha prejudicado a alguém de maneira
irreparável, dar-se conta de que ela também, depois de algum tempo, teria que sentir-se melhor.
Mas de algum jeito, não era. Supunha que era pelo fato de que tinha falhado em convencer-se a si mesma de que o que sentia por Thor era simplesmente um desejo
sexual.
Alexis não estava segura de que se sentia mais medo ou esperança quando Thor veio finalmente. Só soube que seu coração se sentia como se fosse saltar de seu
peito, que ela estava tão emocionada que estava a ponto de hiper ventilar-se e que tivesse preferido muito mais se lhe tivesse permitido esconder-se no apartamento
de Aurora para sempre, como a covarde que era.
Sentiu como um prisioneiro condenado a morte que ia para sua execução quando Aurora a escoltou para fora. Tinha mais medo a uma confrontação com o Thor que à
morte mesma. De fato, passou alguns minutos rezando a um Deus no que nunca tinha acreditado, que lhe provasse sua existência matando-a aí mesmo onde se encontrava.
Mas Deus não cumpriu seu desejo.
Thor se inclinou mas não lhe ofereceu seu braço. Alexis não se atreveu a olhá-lo. Não tinha absolutamente nenhum desejo por descobrir o que era o que veria se
olhava-o nos olhos.
Covarde! Disse a si mesma.
Ele era muito cortês.
Alexis quis chorar, mas se deu conta que já se deu o luxo dessa debilidade por muito tempo ultimamente. Se não tivesse passado tanto tempo consumida por si mesma,
seus pesares, sua saudade do lar e seus sentimentos, poderia ter usado um pouco de tempo para pensar nos problemas e os sentimentos dos outros. Poderia, de fato,
chegar a entender aos Atlantes um pouco melhor. Não tivesse machucado a pessoas que somente foram amáveis com ela.
Aurora tinha falado somente de machucar ao Thor, mas Alexis se deu conta de que também tinha machucado a Aurora.
Se ELA pudesse retornar no tempo. Se pudesse desfazer o que tinha feito!
Mas inclusive Aurora havia dito que nem os Atlantes, que podiam caminhar no tempo, podiam mudar o passado.
Assim, somente tinha o futuro.
E o futuro se apresentava mal.
Se Thor se comportou como se ela fosse algum tipo de fenômeno, ela nunca se recuperou disso e lhe ocorria agora que certamente Aurora tinha razão. Thor nunca
se recuperaria disso tampouco. Tomou uma profunda e revigorante inalação de ar. Seu pai sempre havia dito, 'Muda as coisas que pode mudar. Não desperdice seu tempo
tentando de mudar as coisas que não pode mudar.'
Tinham-lhe dado uma tiara. Por fim tinha a privacidade para encontrar um método de fuga.
* * *
Uma semana de silêncio cortês foi mais que suficiente para deixar histérica a Alexis. Possivelmente não tivesse sido tão mau se Moira pudesse fazer uma conversação
civilizada, mas estar presa em uma casa com um homem que sempre parecia olhar através dela e não a ela era mais do que Alexis podia suportar.
Começou a tomar caminhadas mais e mais longas. Thor, naturalmente, acompanhava-a. Embora tentasse, não podia sacudir-lhe. Aparentemente, estava determinado a
protegê-la do aparente perigo de um grupo de rebeldes, sem importar quanto a odiasse agora.
Alexis estava determinada a encontrar uma fuga. Estava aproximando-se rapidamente a um ponto de tal desespero que estava considerando seriamente sair nadando.
Não importava o que lhe houvessem dito, ela sabia que tinha que ter algum sistema de transportação que lhe permitiria escapar. Mas ela sabia que nada que fosse menos
que um submarino lhe ajudaria a escapar. Nunca conseguiria conter a respiração o suficiente para sair pelo túnel de entrada, muito menos sair à superfície depois.
Era uma dessas coisas a respeito das quais seu pai lhe tinha advertido -- uma parede de tijolos.
Thor ainda dormia com ela -- mas dormia, e só.
Alexis finalmente começou a perguntar-se se todas aquelas vezes anteriores, quando a tinha aproximado de seu corpo, não teria sido nada mais que segurança --
segurança de que ela seguiria aí quando ele despertasse ou possivelmente de que ele poderia estar seguro de que se daria conta se houvesse alguma ameaça contra ela.
Desesperada, decidiu seduzi-lo.
Ela estava disposta agora a fazer algo para tirar Thor de sua couraça gelada, ainda a risco de sofrer humilhações e rechaços.
Preparou-se para a batalha com o maior dos cuidados, banhando-se em água perfumada com jasmim, penteando seu cabelo até que brilhou com saúde. Era difícil escolher
que colocar, se é que ia usar algo.
Finalmente decidiu não usar nada. Não tinha nenhum sentido usar roupa que depois teria que tirar.
Tinha vivido com sua tiara desde que Aurora a tinha dado, usando-a ainda enquanto dormia. Não sabia agora se devia usá-la ou não. Se a tirasse, certamente seus
planos de fuga seriam conhecidos pelo Thor. Mas se a deixava, então Thor não poderia saber quanto lhe importava realmente, quão arrependida se sentia de havê-lo
machucado e quanto desejava poder fazer que aquilo nunca tivesse acontecido.
Finalmente, decidiu usá-la. Não queria arriscar-se a dar conhecimento de seu plano e além disso, não era provável que Thor ouvisse ou acreditasse que ela o amava,
ainda se o pensasse muito, muito forte, não depois do que tinha feito.
Possivelmente ele nunca poderia perdoá-la por seu horrível prejuízo, mas se Aurora tinha razão e ele a amasse, então talvez ela ainda teria algum poder sobre
ele, algo que lhe permitisse encontrar um pouco de perdão que lhes desse uma oportunidade.
Tendo terminado seus preparativos, deitou-se na cama, sobre as cobertas, esperando. Depois de alguns minutos, lhe ocorreu que tudo aquilo podia ser um pouquinho
muito óbvio. Ele poderia ou não morder a isca. Meteu-se então dentro das cobertas, deitada de barriga para cima. Passou algum tempo e então lhe ocorreu que não estava
se mostrando de uma maneira muito sensual. Possivelmente de lado? Virou-se, tentando imaginar a vista que teria Thor quando se metesse na cama junto a ela -- suas
costas, suas nádegas nuas. Excitaria-o isso? Voltou-se para o outro lado -- uma vista frontal completa. Moveu-se várias vezes, tentando acomodar-se e se colocar
em uma posição sexy, mas não fingida. Dormiria uma pessoa assim? Colocou-se de barriga para cima, estendeu e separou suas pernas, pôs seus braços sobre sua cabeça
e suas mãos sob o travesseiro -- totalmente aberta. Hmm. Sentia-se relativamente segura de que essa seria a posição que um homem interpretaria como sexy, embora
não ela, precisamente, mas era uma posição que se via um pouco evidente para ser interpretada como natural.
Estava a ponto de voltar a mudar de posição quando se abriu a porta. Alexis ficou congelada, tratando de fingir que estava dormindo. Conteve a respiração, tentando
regular sua respiração que sabia que delataria o fato de que não estava adormecida.
Thor se meteu à cama. Esticou sua mão para alcançá-la e a palma de sua mão caiu sobre o estômago dela. Os músculos de Alexis se esticaram, apesar de seus melhores
esforços por parecer adormecida. Ele se deteve. Ela podia SENTIR sua confusão. Ele levantou sua mão e se deitou de barriga para cima a seu lado, colocando suas mãos
sob sua cabeça.
Maldição! Pensou Alexis. SABIA, eu sabia que tinha que ter me deitado de lado. Poderia ter esfregado minhas nádegas contra seu pênis, então.
Ficou quieta, concentrando-se em regular sua respiração. Finalmente, quando sentiu que um bocejo lutava por sair de seus tensos músculos na mandíbula SOUBE que
não poderia retê-lo, assim girou seu corpo de lado, escondendo o rosto no travesseiro com a esperança de que ele não a ouviria... porque se a ouvisse bocejar, saberia
perfeitamente bem que não tinha estado adormecida em nenhum momento.
Ele não se moveu. Alexis tinha vontades de gritar da frustração. Todas as malditas noites ele a abraçava! E justo hoje, de todas as estúpidas noites, ele decide
jogar de se fazer difícil!
Tinha a tentação de simplesmente rodar e subir em cima.
Mas então ele SABERIA. Ela não poderia fingir que estava dormindo, que tinha sido apanhada por ele e que simplesmente tinha decidido ceder.
Maldito!
Filho da puta!
Merda!
Inferno!
Ouviu então um claro ronco.
Esse bastardo! Tomou a Alexis até a último grama de auto controle o evitar cair sobre ele e golpeá-lo.
Alexis estava deitada, totalmente acordada e enojadísima. Quando tinha considerado arriscar-se à humilhação e ao rechaço não tinha considerado que teria que
tomar a iniciativa. Tinha pensado que simplesmente teria que aparecer de maneira sensual e fácil e que ele faria todo o resto.
Agora não podia decidir o que fazer.
De todas maneiras, como demônios podia um homem simplesmente estender-se e dormir? Escutou.
Definitivamente, ele estava roncando, muito ritmicamente. Não parecia que simplesmente estivesse fingindo para atormentá-la. Se ele não fosse uma montanha, ela
o tivesse chutado fora da cama ao piso. De todas maneiras estava muito tentada a fazer isso. Depois de um momento se deu conta de que tinha estado tão tensa durante
tanto tempo, que começou a sentir cãibras. Sentia adormecido seu braço e seu ombro.
Thor estava muito perto para que ela simplesmente pudesse rodar-se totalmente para o outro lado, lhe dando o rosto. Teria que acomodar-se e rodar em seu lugar,
sem mover-se muito. Mas se ela fazia isso, e o não estava realmente dormindo, daria conta de que ela tampouco estava adormecida. Ela IA MORRER se não se movesse.
Começou a sentir fogo nos músculos de suas pernas, mas não tinha nada a ver com paixão.
Acomodou-se de barriga para cima, inalou tão fortemente como pode e conteve a respiração, escutando. Ele seguia roncando, como se estivesse morto para o mundo.
Ela girou a cabeça em sua direção e abriu um olho. Ao parecer, ele dormia. Rapidamente, Alexis revisou seu plano. Poderia girar para ele, adormecida é obvio, jogar
sua perna sobre ele, possivelmente seu braço...
Estava a ponto de voltar-se quando ele o fez -- apresentando-a com suas costas.
Maldição!
Alexis lhe cravava adagas com o olhar em sua nuca. Deveria simplesmente dar-se por vencida. Não ia funcionar. Se ele se dava conta de que ela estava fazendo
de propósito, possivelmente a rechaçaria simplesmente.
Esteve bastante zangada a respeito disso durante um bom momento e finalmente disse, ao diabo contudo, ela ia fazer amor esta noite de uma maneira ou de outra!
Girou, ficando encostada contra suas costas. Ele deixou de roncar. Ela não podia decidir se tinha sido porque ele se virou para um lado ou se teria sido porque
ela o tinha despertado. Finalmente, Alexis deslizou casualmente seu braço ao redor a cintura dele. Estava tenso? Tinha trocado o ritmo de sua respiração? Esticou-se
para alcançá-lo, esperando sentir um membro flácido. Em lugar disso, seus dedos se fecharam ao redor de um pau duro como a rocha e preparado.
O fôlego a abandonou como se a tivessem golpeado no peito.
Durante vários momentos não soube o que fazer. Não podia fingir que o estava massageando enquanto estava adormecida ou sim?
Ao diabo contudo. Assim que ele já sabia que ela estava acordada! Demônios!
Deslizou sua mão para baixo e tomou seu testículo, massageando-os com cuidado. Sentiu como se convertiam em uma bola apertada e dura. Subiu sua mão de novo,
esfregando seu pau com suaves movimentos para cima e para baixo.
A respiração dele ficou irregular.
Ela levantou sua cabeça e esfregou seus lábios contra o pescoço dele, logo o saboreou com a língua, lambendo-o do pescoço até seu ouvido. Apoiou-se no ombro
para chegar a seu ouvido, apanhando o lóbulo da orelha entre seus dentes, mordendo-o brandamente e traçando a forma curva com sua língua, enquanto deixava que sua
mão trabalhasse na ereção de seu pau, massageando-o.
Quando levanto sua cabeça, ele virou, olhando-a.
Devolveu o olhar, desejando que ele pudesse ver em seus olhos que o desejava, que o amava e que lhe estava pedindo perdão.
Ele não disse nada.
Ela não tinha esperado que fosse fácil.
Depois de um momento, ela permitiu que seu olhar seguisse a sua mão, enquanto o massageava.
Ele era realmente magnífico.
Moveu-se sobre ele e tomou sua dura vara dentro de sua boca, absorvendo antes de começar um ritmo, empurrando-o totalmente dentro de sua boca e depois levantando
lentamente sua cabeça para lhe permitir sair de novo, uma e outra vez.
Ele gemeu, empurrando seus dedos dentro do cabelo dela, tomando sua cabeça, guiando-a.
Era enorme.
Depois de alguns momentos, começaram-lhe a doer os músculos do queixo. Mas seguiu, decidida a lhe dar prazer da maneira que sabia que aos homens gostavam mais.
Um crescente gemido escapou do enorme peito de Thor. Seus dedos se apertaram quase de maneira dolorosa sobre o cabelo de Alexis, puxando com força.
Ela levantou a cabeça para vê-lo, mas não o soltou, mas sim simplesmente seguiu passando sua língua pela cabeça de seu pau.
Ele a puxou pelo ombro e a empurrou de retorno à cama, para segui-la um momento depois. Ela abriu as pernas, lhe dando boas-vindas enquanto ele se inclinava
sobre ela, elevando o quadril. Penetrou-a sem nenhuma pausa, entrando totalmente com muito pouca resistência através da umidade da xoxotinha de Alexis. Ela o pelos
ombros, tentando aproximá-lo ainda mais. Ele resistiu, mantendo-se longe do abraço, olhando-a enquanto empurrava dentro dela, uma e outra vez.
Ela estava decepcionada, mas esqueceu rapidamente quando começou a sentir o prazer crescer dentro de seu corpo. Ofegou por ar quando se aproximava do orgasmo,
fechando os olhos.
Ela estava a ponto de gozar quando ele se separou. Alexis abriu os olhos, mas antes que pudesse protestar, ele a virou, levantando-a até que esteve de joelhos
e então a penetrou de novo. Com suas primeiras estocadas, ele chegou até o ponto G dela e Alexis deu um pequeno, enquanto sentia os músculos de seu estômago esticar-se
sobre ele, tendo espasmos de prazer. Apertou os lençóis com seus punhos e colocou o rosto dentro dos travesseiros para sossegar os gemidos e gritos de prazer que
a invadiam feito ondas.
O orgasmo dela disparou o dele. Lançou-se sobre ela uma e outra vez, um forte grito escapou de sua garganta e provocou calafrios sobre a espinha de Alexis. Finalmente
cansado, deteve-se, respirando fortemente, de maneira irregular.
Os joelhos de Alexis cederam e se paralisou de lado sobre a cama, boquejando por ar.
Depois de um momento se deu conta de que Thor não se deitou a seu lado. Levantou a cabeça para olhá-lo.
Ele estava parado junto à cama, respirando fortemente, com uma expressão indecifrável. Sem dizer uma só palavra, voltou-se e saiu do quarto. Incrédula, Alexis
o olhou ir-se, sem poder pensar em nada que dizer.
Lentamente, um nó de miséria se formou na garganta.
- Bom - murmurou - Vou ter que arrumar isso para romper essa concha, não? perguntou-se, entretanto, porque então se sentia como se estivesse no inferno?

Capítulo Onze

Quando passaram trinta minutos, e logo uma hora, e Thor não tinha retornado, Alexis se levantou e acendeu o abajur que estava ao lado da cama.
Era tarde, mas não acreditava que pudesse dormir nem que sua vida dependesse disso.
Finalmente se levantou e foi ao banheiro.
Não se sentia segura do que esperar a primeira vez que tinha usado as instalações, mas tinha sido algo como jamais tinha imaginado. O banheiro definitivamente
não era arcaico. Mas tampouco era moderno, em nenhum sentido em que ela estivesse acostumada. De fato se via como uma coisa saída de um futuro distante.
O chuveiro não tinha água. Não estava segura o que saía. De fato, não se veria como um líquido mas sim como algum tipo de partículas. Entretanto, funcionava
bem. Ela se sentia tão limpa, fresca e revigorada quando a usava como se sentia com um chuveiro tradicional de água quente.
Mas ainda assim tinha desejado, enquanto entrava, ter um simples chuveiro a antiga onde tivesse um grande jorro e deixar que a água levasse sua miséria.
Tirou uma fina camisola do armário quando terminou, deslizou-a sobre sua cabeça e subiu na cama. Estava segura de que não poderia dormir, mas depois de alguns
minutos não soube mais.
Despertou algum tempo depois, sonolenta, desorientada e incerta do que exatamente o que a tinha despertado.
Então sentiu uma mão colocar-se sobre sua cabeça.
Seu coração saltou de felicidade.
- Thor!
Girou seu corpo sobre suas costas. Adônis estava deitado junto a ela, com um estranho sorriso jogando em seus lábios.
- Adônis! o que está fazendo aqui?
- Vim de visita.
- Mas... mas, não pode! Meu Deus! Se Thor te encontrar aqui...
Adônis levantou os ombros, em um gesto de indiferença.
- Não acredito. O vi sair apressadamente faz um par de horas. via-se... zangado.
Alexis se mordeu o lábio.
- De verdade?
Adônis assentiu, esticou-se para alcançar a Alexis e antes que ela pudesse protestar, tomou sua tiara e a jogou longe.
- O que está --
Tocou-lhe a frente com um dedo. Alexis caiu para trás, contra os travesseiros, como um balão desinflado. Ficou vendo Adônis sem poder compreender e lutando para
não cair ante a letargia.
Ele ficou de pé, olhando-a, ainda com o fraco e inquietante sorriso. Depois de um momento, suspirou, agachou-se e tomou o pescoço de sua camisola. O puxão do
tecido enquanto resistia e finalmente quando se rompeu tirou-a durante um momento de seu estupor. Ela fez um gesto de desgosto, concentrou-se e finalmente pôde mover
o braço para cobrir-se.
Ele negou com um dedo.
- Não posso permitir isso. Se você insistir em resistir a minha prisão mental, terei que te atar.
Os olhos de Alexis se expandiram. Ele estava louco. Tinha que estar. Ele soltou uma gargalhada. A risada soava estranhamente familiar. Mas não como Adônis.
Inclinou-se sobre ela, tocou-lhe a cabeça de novo e Alexis se sentiu afundar-se ainda mais profundamente, sentiu como sua resistência caía enquanto sua mente
começava a vagar sem rumo.
Torpemente, observou enquanto ele a arrumava com cuidado sobre a cama, lhe abrindo as pernas. A ação era tão similar a suas recentes tentativas de sedução, que
registrou em sua mente, apesar de sua inabilidade por concentrar-se completamente, por conectar seus pensamentos. Soube, de repente, quais eram suas intenções.
Tentou fechar suas pernas para proteger-se e soube que não podia fazê-lo. Com um esforço, girou sua cabeça a um lado para olhar para baixo e descobriu, para
sua consternação, que a tinha amarrado.
Ele se colocou sobre ela, olhou-a de uma maneira repulsiva e a penetrou tão duro que a levantou da cama.
O corpo dela não estava preparado para este tipo de penetração. Sua carne, como a camisola, resistiu. Sentiu a sua pele rasgar-se com o assalto e apesar da prisão
mental, um grito de dor conseguiu sair de suas congeladas cordas vocais. Esticou-se enquanto esperava o seguinte impulso, muito assustada para dar-se conta de que
poderia ter economizado algo da dor se tivesse relaxado seus músculos, mas estava muito desorientada em qualquer caso, para exercer qualquer tipo de controle sobre
seu corpo sem a habilidade para concentrar-se.
A segunda investida foi ainda mais dolorosa que a primeira, se é que isso era possível, e ela se deu conta de que estava feita de propósito para ser tão brutal
como se pudesse. Mas ela não podia entender o porquê.
Alexis se sentiu afundar-se para a inconsciência quando o ataque terminou tão abruptamente como tinha começado. Seu olhar seguiu ao Adônis enquanto ele se levantava
dela e voava ao redor do quarto, chegando à parede e logo descendo por ela.
Viu-o durante um momento sem compreender e depois a imagem do Thor nadou frente a seus olhos. Piscou olhando-o e sentiu que o alívio a invadia enquanto se dava
conta de que ele estava realmente aí.
Thor a olhou, seu rosto convertido em uma máscara de fúria mal controlada que enviou um raio de medo renovado através de sua alma. Ela fechou os olhos quando
viu que sua mão ia para ela, mas ele só lhe acariciou brandamente a bochecha com um dedo antes de endireitar-se e olhar ao Adônis.
Ela soube enquanto voltava a olhar ao Adônis que Thor tentava matá-lo, não simplesmente controlá-lo. De maneira vaga, estava consciente da necessidade de tentar
de detê-lo, mas não podia mover-se nem pensar.
Thor não se moveu enquanto Adônis ficava de pé e ficava totalmente rígido, olhando-o.
Adônis o olhou durante um momento, com um olhar crescente de horror que se apoderou pouco a pouco de seu rosto.
- Não! - gritou, colocando suas mãos frente a ele, como tratando de proteger-se de um golpe.
Assombrada pelo comportamento de Thor, o olhar de Alexis se moveu para a espada de Thor, mas esta permanecia a seu lado, sem ser tocada. Deu-se conta de que
as paredes tinham começado a mover-se e de que os móveis estavam tremendo. O ar que estava diretamente em frente a Thor fazia ondas e se movia.
Alexis olhava o ar, pensando ao princípio que tudo era uma ilusão de sua mente, ou dos olhos que lhe falhavam, mas aquilo se tornou mais substancial enquanto
olhava. Como os anéis que crescem em um lago quando alguém atira uma pedra ou como em um redemoinho, as ondas de ar repentinamente se lançaram contra Adônis. Adônis
caiu de joelhos, cobrindo a cabeça. A parede atrás dele se desintegrou. Os móveis de ambos os lados dele desapareceram em partículas de pó.
De repente, já não era Adônis, a não ser Helena a que estava sentada em um novelo no canto, sem ter sido tocada, como se tivesse sido capturada no olho de um
furacão.
O fenômeno desapareceu tão rápido como tinha aparecido. Thor ficou vendo a Helena com incredulidade, mas depois de um momento, sua fúria retornou. Caminhou de
maneira veloz para ela e tomou sua cabeça com a mão. Ela caiu inconsciente a seus pés.
Thor a olhou durante um momento e depois caminhou rapidamente para Alexis. Soltando as cordas que atavam seus tornozelos, tomou em seus braços. A dor, mitigada
até agora pela prisão mental, invadiu seu corpo em ondas cegadoras até que Thor lhe tocou a cabeça, libertando-a.
Helena! Incredulidade assombrada e asco banharam a Alexis. Helena se tinha transformado no Adônis simplesmente para violentá-la? Por quê?
Alexis fechou seus olhos com força, tentando bloquear a memória, tentando bloquear a terrível dor. Teria prejudicado Helena ao bebê? Tinha sido esse seu plano?
Um medo diferente a invadiu e com ele, uma terrível dor. Não tinha se dado conta até esse momento, quando lhe ocorreu que poderia perdê-lo, que precioso era
para ela o menino. Apertou seus olhos com força, tratando de bloquear o pensamento de perdê-lo, dando-se conta finalmente de que a umidade que sentia entre as pernas
era sangue.
Thor lhe tirou com cuidado o cabelo do rosto e lhe acariciou a bochecha.
- O bebê, Thor. Acredito que ela matou a nosso bebê. Me ajude. Por favor.
Thor deu a meia volta, caminhou para o buraco que antes tinha sido uma parede de sua casa e saltou por ele.
Alexis aspirou ar, surpresa, esperando um duro impacto. Em lugar disso, ouviu o som do ar e o bater de grandes asas, enquanto ele se transformava. Em questão
de segundos chegavam ao jardim da casa de Aurora.
A pesada porta de madeira que conduzia ao jardim se converteu em pó quando Thor se aproximava. Ele caminhou rapidamente pelo corredor.
A porta de Aurora se abriu antes que eles chegassem a ela. Aurora esperava no marco da porta, com seu rosto desfigurado pela ansiedade.
- Ela não pode se curar sozinha - disse Thor com uma voz angustiada. - ajude-a, mãe.

Capítulo Doze

Alexis não estava segura de que estivesse inconsciente por drogas, por controle mental ou se simplesmente desmaiou pela dor física, mas durante algum tempo soube
muito pouco do que lhe passava, levantando-se somente durante breves instantes para a superfície da consciência antes de cair de novo no poço da escuridão. Ouviu
pedaços de conversação várias vezes, mas não estava segura de se tinham sido reais ou imaginários.
- Não. Fala. A telepatia a machuca. Já tem suficiente dor - disse Aurora brandamente.
- Não a incomodará isso ainda mais?
Alexis não reconheceu a voz e se perguntou se seria um doutor. Sentiu uma mão acariciar brandamente sua bochecha e a reconheceu como a do Thor. Um sentimento
de paz desceu sobre ela e com ele retornou a escuridão uma vez mais.
Quando Alexis despertou de novo, se deu conta de que olhava para o teto dentro do dormitório de Thor. Desorientada, perguntou-se durante vários minutos se ela
somente teria tido um pesadelo.
Girou sua cabeça sobre os travesseiros, olhando a parede da esquina onde Helena a tinha jogado em seu 'sonho'. Seu olhar não encontrou nenhum buraco, mas depois
de um momento se deu conta de que os materiais eram novos. Tinham-no reparado então.
Não tinha sido um pesadelo... pelo menos, não no sentido que tinha sido algo que a tinha assustado, mas que não podia danificá-la.
Sentiu o estômago doer. Era inútil, é obvio. Ela estava, ou esteve, somente grávida durante uns poucos dias. Não havia nenhum sinal tangível de um bebê crescendo
dentro dela.
Mas lhe doía o estômago. Tentou de não pensar no que significaria isso.
A cabeça de Moira apareceu sobre ela. Deixou cair à bandeja que levava na mãos quando viu que Alexis a estava olhando e saiu correndo fora do quarto.
Alexis olhou sua corrida, surpresa.
Depois de alguns momentos, Aurora apareceu no marco da porta, parou mas logo entrou. Sentou-se ao lado da cama, tomou a mão de Alexis.
- Como se sente, menina?
- Dolorida - admitiu Alexis - E o bebê?
Aurora enrugou o rosto e Alexis sentiu como se falhasse uma batida do coração.
- Ainda não sabemos. O médico pensa que há boas probabilidades de que o bebe ainda esteja bem, mas...
Alexis assentiu, mas não podia falar pelo nó que sentia na garganta.
- O que aconteceu a Helena? - perguntou finalmente.
Aurora empalideceu.
- Esta em uma detenção domiciliária. Ela... - Aurora se paralisou, mas depois pôde recuperar o controle de se mesma. - Ela quebrou a segunda lei. O castigo é
muito severo, particularmente dadas às circunstâncias.
- A segunda lei?
- Nenhum Atlante pode falsificar-se para cometer uma fraude.
- Quer dizer, mudar para parecer outra pessoa?
Aurora assentiu.
- Mas nunca antecipamos que alguém o faria para cometer... um crime tão terrível. O conselho não pôde decidir seu castigo. É provável que... seja a morte.
Alexis estava atônita.
- Mas... mas somente o assassinato merece a morte, e isso não em todos os casos. Algumas vezes existem circunstâncias extraordinárias.
Aurora a olhou com tristeza.
- Menina, sabe muito bem que não existem circunstâncias extraordinárias neste caso.
- Mas ela não me assassinou.
- Ela pode ter assassinado a seu filho. Se o bebê sobreviver, a Helena lhe permitirá conservar sua vida.
- Tudo isto deve ser muito duro para você. Ela é sua sobrinha, não?
Aurora assentiu.
- Minha sobrinha neta. Mas é mais duro ainda o que ela tenha ameaçado a vida de meu neto.
Ela não o tinha imaginado então. Thor a tinha chamado mãe, mas Alexis tinha pensado, que possivelmente aquilo não tinha sido mais que um termo de carinho ou
respeito. Parecia... fisicamente impossível que Aurora fosse a mãe do Thor.
O sorriso de Aurora era seco.
- Deveria te devolver sua tiara, antes que seus pensamentos lhe metam em problemas.
Alexis se ruborizou. Acostumou-se tanto à liberdade de pensamentos sem restrições que se esqueceu de que Adônis... não, Helena, tinha lhe tirado a tiara da cabeça.
Aurora a tirou de uma gaveta e a retornou, colocando-a sobre a cabeça de Alexis.
- Não lhe tínhamos retornado isso porque precisávamos te monitorar enquanto estava doente.
Aurora se deteve. Parecia que tratava de organizar seus pensamentos.
- Thor é o resultados de nossas tentativas no campo do nascimento artificial -- nosso único intento bem-sucedido. Eu nunca tive um filho. Ainda não tive. Ele
foi concebido e incubado fora do ventre materno. Mas ainda assim é meu filho, nascido de meu óvulo, o qual tivemos que revitalizar, porque eu já estava muito longe
de meus anos férteis. Esse óvulo foi fertilizado e injetado com o DNA perfeito. Planejávamos que fosse um ser superior. A princípio, pensamos que tínhamos falhado
de maneira grave. Ele tinha dons além de nossas mais loucas fantasias, mas tinha dificuldades de controlá-los, especialmente seu dom principal.
Alexis se ergueu sobre um cotovelo, tentando sentar-se. Aurora fez um gesto desaprovando os esforços, mas a ajudou a acomodá-la travesseiros.
- Qual era esse dom?
- O som.
Alexis arqueou as sobrancelhas, admirada.
- Mas qualquer um pode fazer som.
Aurora sorriu.
- Sabia que seus cientistas aprenderam em tempos muito recentes que os golfinhos são capazes de emitir ondas de som tão poderosamente intensas que podem produzir
calor e que podem usar esta habilidade para matar quando se sentarem ameaçados? Sua ciência mal está começando a dar conta do potencial do som, para utilizá-lo agora
na medicina. Este foi o dom que demos ao Thor, o poder de gerar ondas de som, de projetá-las. Não tínhamos idéia de em que arma tão poderoso o tínhamos convertido
até a primeira vez que usou seu dom. Os resultados foram... horríveis. Não podia controlar a intensidade ou enfocá-la. Destruiu tudo a seu redor, reduzindo a pó.
Durante um tempo, teve medo de usar seu dom, ainda quando necessitávamos de seu amparo. Também nós tínhamos medo. Com o tempo aprendeu a controlá-lo melhor, mas
ainda é a habilidade a que lhe temos mais medo, mesmo Thor.
Surpresa, Alexis só pôde olhá-la durante vários momentos, dando-se conta de que o evento do que Aurora falava tinha passado há muito, muito tempo.
- O deus do trovão.
Aurora se ruborizou e se notava incômoda.
- Os jovens se inclinam para a irresponsabilidade. Não é justo julgar a alguém por suas travessuras de menino, particularmente quando -- se -- crescem e maturam
para converter-se em adultos responsáveis. Thor foi um menino precoce, mas nunca foi cruel e cresceu para converter-se em um homem bom, honesto e responsável.
- Não o estava julgando e além disso, tem razão. Duvido que muitas pessoas possam se eximir de não ter tomado más decisões quando eram jovens e inexperientes.
Eu simplesmente estava pensando em voz alta, porque já tinha adivinhado... mas parece quase inconcebível. Certamente não seria tão velho?
Aurora riu um pouco.
- De fato não é... provavelmente mais velho do que pensa... mas, não. Tampouco sou eu, devo dizer - disse secamente - mas o mundo, em algum momento, foi seu
pátio de jogos, e de fato não foi o único que jogou... esses imperdoáveis truques.
Alexis tinha problemas aceitando estas idéias, mas depois de alguns momentos simplesmente se deu conta de que eram muito irreais para aceitá-los. Realmente não
fazia nenhuma diferença. Thor era Thor, o homem que ela tinha chegado a conhecer e a amar.
- Este poder de que falou -- ele o usou para...
Vendo-se mais que satisfeita de que Alexis tivesse mudado de tema, Aurora assentiu.
- E foi pior do que pode imaginar. Usou-o enquanto era presa de uma fúria aterradora. É pouco menos que um milagre que tenha podido controlar-se. Deixou-nos
por um tempo. Uma vez que viu que foste estar bem, disse que tinha que tentar encontrar aos rebeldes de novo. Soubemos que arrumaram para desenvolver uma tiara que
os protege ainda de Thor, para quem nossas tiaras normais não são um obstáculo. Mas ainda há mais. Thor estava muito alterado por sua incapacidade para evitar suas
lesões, pelos eventos que levaram ao ataque e pelos eventos que seguiram. Necessitava tempo para estar só com seus pensamentos.
Alexis ficou pensando. Pensar que Thor estava se culpando por suas feridas, o que possivelmente queria dizer que ainda lhe importava, era um pensamento muito
reconfortante, mas ainda assim havia outro comentário de Aurora que tinha apagado tudo o que tinha havido antes e também depois da mente do Alexis.
- As tiaras normais não são um obstáculo para o Thor? Está-me dizendo que Thor podia ler meus... os pensamentos de uma pessoa, ainda se essa pessoa estava utilizando
uma tiara?
Aurora parecia surpresa, mas depois, um sorriso começou a formar-se em seu rosto.
- Não sabia?
- Não, não sabia, demônios! Ninguém me disse isso!
Aurora tratava de manter um rosto sério, mas lhe escapou uma risada.
- Menina! Que pensamentos compartilhaste com o Thor?
Obviamente, estava encantada com a idéia. Alexis a matava com o olhar e não estava divertida no mais mínimo.
- Não é divertido!
Aurora negou com a cabeça, mas ainda não podia conter sua risada.
- Não tratou de deter sua leitura quando começou a usar a tiara?
Alexis se afundou na cama, cobrindo a cabeça com os lençóis, tratando freneticamente de recordar todos os pensamentos que lhe tinham passado pela cabeça desde
que havia retornado a viver com o Thor.
Não que importasse muito. Podia recordar o suficiente para desejar encontrar um profundo, escuro e agradável buraco no piso, para esconder-se.
Não sabia a quem queria enforcar mais: a Aurora ou seu filho.

* * *
Thor não esteve ausente por muito tempo e tampouco se manteve separado dela, não que a Alexis importasse muito. Ela estava muito ocupada sofrendo sua humilhação.
Sentia-se como uma mulher cega a que lhe tivessem dado um pedaço de tecido transparente e lhe houvessem dito que podia cobrir-se com ele... sentia-se exposta e enganada.
Às vezes pensava que fora simplesmente uma inocente omissão, mas em outras ocasiões não podia evitar pensar que possivelmente Aurora teria tido outros motivos
para não lhe dizer antes que as tiaras não funcionavam com o Thor.
Também se perguntava se as paredes da casa realmente ajudavam. Recordava que uma vez lhe havia dito que as paredes podiam isolá-la, mas agora pensava que aquilo
tinha sido um conselho pela metade. Possivelmente as paredes podiam isolar de quase todos... mas não de todos.
Demônios! Não era justo! Eles sabiam que ela não entendia a metade do que acontecia em Atlântida, que não estava acostumada a suas habilidades ou a suas tradições.
E ainda assim tinha sido julgada por seus pensamentos e suas ações, como se fora um deles e conhecesse todas as conseqüências.
A única parte positiva do que, de outra maneira, tivesse sido uma existência completamente miserável, era que, conforme os dias se foram convertendo em semanas,
ela pôde dar-se conta de que seu bebê ainda estava a salvo em seu interior, são e crescendo.
Alexis, quase de maneira inconsciente, deu ao Thor uma colherada de seu próprio remédio quando retornou. Estava zangada com ele por que conhecia seus pensamentos
não protegidos e também se sentia com pena por seus próprios pensamentos e ações. Não queria lhe retornar o gélido tratamento que lhe tinha dado antes de seu ataque.
Mas simplesmente não podia decidir-se a lhe falar e estava muito ocupada protegendo seus pensamentos dele, para poder fazer outra coisa, de todas maneiras.
Depois da terceira noite de lhe ver as costas, Thor girou sobre seu lado, tomou e a atraiu à força contra seu corpo. Ela resistiu, mas não serviu de nada. Esteve
furiosa durante alguns minutos, mas se deu conta rapidamente de que tinha sentido saudades do sentido de segurança que tinha quando estava agarrada a seu lado. relaxou-se
depois de alguns minutos e começou a dormir de novo.
- Está zangada comigo?
Alexis se levantou, tentando encontrar sentido na pergunta.
- Zangada é pouco - disse-lhe finalmente.
- Porque rompi minha palavra e não pude te proteger.
- Menos- lhe disse Alexis simplesmente.
Thor esteve calado durante vários minutos. Alexis podia sentir que ele lutava com sua confusão.
- Não é por isso? - perguntou-lhe, suavemente.
- Não.
- Então por quê?
Alexis não queria falar do tema. Queria esquecer que tinha passado alguma vez. Sentiu os lábios dele varrer seu ombro. Pôde sentir que estavam curvados em um
sorriso.
- Se disser uma palavra mais - ameaçou Alexis - juro que te enforco.
Uma gargalhada se acumulou em seu peito.
- Não poderia .
- Quer averiguar?
Lhe mordeu brandamente o ombro.
- Estrangularia ao homem que adora?
Alexis se deitou de barriga para cima, olhando-o enquanto ele se apoiava no ombro, sustentando a cabeça com sua mão para poder olhá-la.
- NÃO te adoro! É o homem mais... mais irritante que conheci em minha vida.
Lhe afastou a mecha de cabelo que tinha na bochecha, acariciando-a brandamente com os dedos.
- Eu pensei... pareceu-me que te importava um pouquinho.
Os lábios de Alexis se curvaram e ela tratou de voltar-se girando para deitar-se voltada do outro lado.
Thor a deteve.
Alexis o olhou e sentiu como sua irritação se dissolvia em um nada ante a expressão de ansiedade mal dissimulada que ele tinha. Um nó de emoção lhe formou na
garganta, lhe fazendo difícil falar ou tragar saliva.
- Amo-te - disse-lhe finalmente - Sei que provavelmente não me acreditará depois de... depois de tudo, mas sim te amo.
Thor tocou seus lábios.
- Shhh. Estava... ferido e zangado porque me tinha causado tanta dor, mas te quis do primeiro momento em que te vi. Não penso que tivesse podido conter meu perdão,
ainda se quisesse. De fato, doía-me mais simplesmente esconde-lo.
- De verdade? - disse Alexis duvidando. - Desde o primeiro?
Thor assentiu.
- Apesar de que...
Thor fez um gesto de desgosto.
- Possivelmente não do primeiro momento.
Alexis suspirou profundamente.
- Isso pensei.
Thor a estudou durante um momento.
- Mas na verdade, pensei que era a criatura mais formosa que tivesse visto em minha vida desde a primeira vez que te vi. Nesse momento, desejei-te. Eu estava
-- ciumento de que Adônis te tivesse.
Alexis se ruborizou, agradada, mas ainda com dúvidas. Tivesse sido mais fácil de acreditar se ele não tivesse sido tão intenso.
Lhe tocou o rosto e fez que o olhasse.
- Coração, mente, corpo, alma, os mais formosos. Por minha vida, juro-lhe isso.
Alexis se moveu, incômoda.
- Então, quando te apaixonou realmente por mim?
- Quando me desafiou. -- respondeu Thor, sorrindo.
Alexis levantou as sobrancelhas.
- Em qual de todas as ocasiões?
- A primeira vez. Quando te mandei que viesse comigo e você me respondeu com palavras pouco cortez.
Alexis soltou a risada.
- Está brincando?
Ele negou solenemente com a cabeça.
- Afetou-te?
- Para ser honesto, pensei durante vários momentos que me tinha posto uma prisão mental. Não podia pensar claramente nem absolutamente.
Alexis sabia que certamente ele estava exagerando, mas ainda assim, soava bem.
- Ainda depois de tudo o que fiz no Coliseu?
- Ainda depois de que me atordoou, me golpeando na cabeça - disse Thor, rindo.
- Sinto muito. Realmente não queria te machucar. Simplesmente queria escapar.
Parecia que Thor debatia uma luta em seu interior.
- Não me machucou. Pelo menos, não na forma em que imaginou.
- Mentiroso!
Ele sorriu fracamente.
- É a verdade. Juro-lhe isso.
Alexis estava sentindo saudades.
- Então como te machuquei, exatamente?
- Nunca tinha visto nada como isso... esse salto e esta pesada. Se meus reflexos tivessem sido um pouco mais lentos, penso que em realidade me tivesse atirado,
mas somente me atordoou. Detive-me mais pelo assombro do que tinha tentado fazer. Somente podia te olhar assombrado enquanto tentava escapar.
Alexis estava indignada, em parte porque lhe parecia que ele estava tratando de enganá-la.
- Estas dizendo que me DEIXOU escapar?
- Não... precisamente.
- Isso foi mau, muito mau. Me deixar pensar que podia escapar.
Thor se mostrou aborrecido.
- Agora está zangada comigo outra vez. Já vai começar a dar medo falar contigo.
Apesar de sua irritação, Alexis não pôde evitar sentir-se divertida.
- Assim é. - respondeu-lhe.
- É verdade - disse Thor, quase com uma sinceridade completa.
- Não acredito que tenha medo de nada. Não tem uma razão para ter medo, depois de tudo.
Thor negou com a cabeça.
- Não tenho medo à morte. Não temo a uma ferida física. Mas tenho medo da dor que só você pode infligir.
- Eu?
- Você. Só você pode romper meu coração. Amo-te.


Capítulo Treze


Alexis levantou a mão, acariciando a parte de trás da cabeça de Thor e puxando-o para si, para que seus lábios se encontrassem com os dela. Ele jogava com ela,
resistindo seus esforços por obter um beijo profundo, roçando apenas seus lábios de maneira tentadora sobre os dela.
- Me faça amor - sussurrou ela contra os lábios dele.
Thor levantou a cabeça.
- Não me atrevo.
Alexis o olhou surpresa, segura, ao princípio, de que ele teria que estar brincando.
- Por quê?
- Ainda não saraste, Alexis. Poderia te machucar. Poderia machucar a nosso bebê. - disse ele, em voz baixa.
- Ah - disse Alexis, desconcertada ao dar-se conta de que ela não tinha pensado em nada disso, mas era que sua mente tinha estado em outro lado e ela não havia
sentido nem sequer uma ligeira pontada de dor no último dia ou dois.
- Não nos machucaria - insistiu ela, depois de um momento.
- Não podemos saber - disse Thor, brandamente.
Tinha razão, infelizmente. Não podiam saber. Ela pensava que estaria bem, mas não podia estar totalmente segura. Suspirou, muito arrependida.
- Tem razão. Deveremos esperar até que o doutor nos diga que é seguro.
Thor se tornou para trás, atraiu-a para seu corpo e começou a lhe acariciar as costas. Passaram vários minutos em silêncio.
- Poderia te dar prazer. - disse ele.
Não precisava ser um cientista espacial para dar-se conta disso, mas Alexis se deu conta de que tinha pouco desejo de algo como isso no momento. O que ela realmente
queria, necessitava, era senti-lo dentro dela, possuindo-a de maneira que a feia memória de sua violação começasse a desaparecer.
- Não. Esperaremos.
Lhe levantou o queixo e esfregou brandamente seus lábios contra os dela. Alexis sentiu seus lábios tremer prazerosamente ao toque e sentiu uma sensação conhecida
e bem-vinda em seu ventre. Seus lábios se abriram convidativos, e o fôlego ficou obstruído na garganta enquanto ele mordia brandamente seu lábio inferior, absorvendo-o
brandamente dentro de sua própria boca. Soltou finalmente o lábio inferior e sua língua começou a deslizar-se pela sensível pele e depois passou ao lábio superior.
O fôlego que Alexis tinha esquecido que estava contendo saiu de seus pulmões e com ele saiu à tensão que não se dera conta de que estava aí e que foi substituída
por uma sensação muito mais prazerosa de espera, enquanto ele colocava sua língua dentro da boca dela, para explorar as sensíveis curvas internas.
Seu beijo foi uma lenta e delicada carícia, sua mão foi suave enquanto se deslizava por suas costas, apertava seus quadris e depois se movia sem descanso por
suas coxas, sem um objetivo fixo, como se fosse um homem cego, aprendendo a sensação de sua pele, a suavidade de sua carne, cada carícia e cada reentrância.
O coração de Alexis se agitou quando ele moveu sua mão sobre a parte interior de sua perna e lhe acariciou sua xoxota, colocando um dedo dentro dela.
Ele se separou de seus lábios e começou a percorrer lentamente o caminho de seu corpo com a boca e a língua, forjando um fogo cada vez mais quente no sangue
de Alexis, enquanto brincava com seus seios de uma forma que a deixava sem fôlego, bêbada de desejo, totalmente rendida e ao mesmo tempo com uma tensão crescente.
Os músculos do estômago, mais sensíveis que nunca ao mais mínimo roce, saltaram quando ele chegou a seu umbigo, mordendo-o brandamente, penetrando-o com a língua.
Ela esperava, sem fôlego pela antecipação enquanto sua boca se moveu sobre seu ventre e seus dentes começaram a morder brandamente a pele sensível no interior de
suas pernas.
Ele se deteve e levantou a cabeça para olhá-la. Sua expressão estava cheia de desejo. Seus olhos brilhavam enquanto a olhava. Tomou suas pernas e as separou,
fincando entre elas. Colocou a palma de uma mão sobre o ventre dela e se deteve assim durante alguns momentos. Depois baixou a mão e separou os lábios de seu sexo,
esfregando o pequeno botão que era o centro de seu prazer.
Os olhos dela estavam nublados, enquanto via como era observada por seu amante. Ele a olhou nos olhos, e a seguia olhando enquanto baixava sua cabeça, substituindo
sua mão pela boca.
Alexis gemeu, apertou os lençóis com os punhos e cravou seus calcanhares no colchão quando sentiu a pontada de incrível prazer que emanava da língua dele, enquanto
lambia e sugava seu clitóris.
O prazer cresceu dentro dela como uma onda, cada vez mais alto enquanto ela lutava por respirar. Sua boca gemia, enquanto sua cabeça nadava em prazer. manteve-se
no limite do prazer supremo por tanto tempo, que pensou que morreria disso. E finalmente, soube que era o que necessitava para levá-la do outro lado do precipício.
Ela o pegou pelas bochechas, sentando-se enquanto puxava sua cabeça, inclinando-se para beijá-lo. Pôde provar o sabor de seu próprio sexo na boca dele. Isso
lhe pareceu extremamente erótico e lhe deu ainda mais desejo. Quando terminou seu beijou, inclinou-se sobre a cama e tomou o ereto pênis dentro de sua boca, banhando-o
com seus cuidados. Ele gemeu, inclinou-se de novo sobre ela e começou a lhe fazer amor com sua boca uma vez mais.
Alexis se deu conta, enquanto movia sua boca sobre o pau, de que se estava aumentando ainda mais o nível de prazer que tinha tido até poucos momentos. Sugou
o membro enquanto seu orgasmo se aproximava. Sentiu como ele ficava rígido e tentava se controlar-se. Ela não aceitaria que ele se separasse, assim o agarrou fortemente
pelas nádegas para mantê-lo dentro de si, chupando ainda mais forte enquanto ele tentava se separar. Gemia como se o estivessem torturando, mas então ela sentiu
os quentes jorros dele se chocando contra sua garganta quando Thor finalmente teve seu orgasmo. Ela o sustentou desta maneira até que ele deixou de tremer.
Quando ela levantou a cabeça finalmente, ele caiu débil, de lado, buscando por ar. Olhava-a, com seus olhos ainda opacos pela paixão que havia sentido.
- Isso não era... necessário.
Um pequeno sorriso curvou os lábios do Alexis.
- Oh, mas era. Oh, se era necessário.
Ele a abraçou e a apertou contra seu corpo.
- Eu queria te dar prazer.
- E eu também lhe queria dar para retribuir. - disse Alexis, contente consigo mesma. Nunca tinha feito isso antes. Não tinha dado conta de que desfrutaria tanto,
mas a verdade era que, sentir o prazer dele tinha aumentado o seu próprio enormemente.
A mão de Thor ainda estava tremendo quando começou a lhe esfregar as costas de novo.
* * *
Alexis vivia simplesmente o momento. Não tinha se dado conta de que se recusou a contemplar as coisas de outra maneira até que Aurora lhe perguntou quando se
casaria com Thor.
Alexis manteve seu sorriso com esforço, contente de que Thor estivesse muito longe -- oxalá o suficientemente longe para não 'ouvir' seus pensamentos -- e contente
de estar usando sua tiara.
- Não discutimos ainda - disse, evasivamente.
- Mas...certamente não vão esperar até que o menino nasça, verdade? -- perguntou Aurora. -- Se não se sentir o suficientemente forte para fazer todos os preparativos,
eu posso fazê-los por você.
Alexis pôde ver a esperança nos olhos da velha mulher, e soube que estava tentando esconder o fato de que isto era algo que ela desejava desesperadamente fazer.
Alexis talvez tivesse encomendado as tarefas com gosto, somente para fazê-la feliz, se não fosse por um obstáculo maior.
Ainda quando ela amava ao Thor, também tinha amado a seu pai. Não podia permitir que seu assassino seguisse livre. Eric tinha lhe roubado seu pai em seus anos
dourados e lhe tinha tirado o prazer de todos os anos que poderia compartilhar com ele. Também tinha tirado a seu novo bebê a oportunidade de conhecer um avô.
Seu amor pelo Thor não mudaria -- não podia mudar nada. Ela ainda tinha que encontrar uma maneira de retornar. Não sabia que aconteceria isso. Possivelmente
lhe permitiriam retornar -- ela esperava desesperadamente que assim fosse. Mas, sem importar as conseqüências pessoais, tinha que ser assim.
- Não decidimos nada ainda, e com Thor perseguindo os rebeldes, poderia levar algum tempo, mas eu gostaria que você planejasse as bodas, quando for se realizar.
Eu não tenho nem idéia das tradições Atlantes.
Por um momento, Alexis pensou que Aurora saltaria e gritaria de emoção como uma menina pequena, mas somente jogou seus braços ao redor, abraçando-a fortemente.
- É a filha de meu coração, Alexis. Quero que saiba que estou mais que contente de que te converterá em minha filha por suas bodas.
Do nada, as lágrimas brotaram para fazer cócegas nos olhos do Alexis. Ela piscou com esforço para enviar de onde tinham vindo.
- Eu também te amo, Aurora.
Aurora a soltou, lhe dando tapinhas no joelho.
- Tenho que começar a fazer os planos. Thor é o guardião. Precisamos ter uma celebração muito elaborada. Será muito tediosa para vocês dois, sei, mas todo mundo
esperará que seja um evento muito especial.
Alexis se sentiu aliviada quando Aurora se foi.
Era difícil manter uma ilusão de felicidade dadas às circunstâncias. Thor, de fato, não tinha pedido que se casasse com ele. Não tinha querido dizer isso a Aurora,
porque não queria que ela o incomodasse, insistindo que a pedisse em casamento. Se ainda não tinha proposto casamento, devia ser porque ainda tinha algumas duvida
a respeito.
Não estava zangada a respeito disso. A verdade era que não estava totalmente segura de que pudesse ser uma Atlante. Thor nunca poderia ser nada mais. Ela tinha
vinte e seis anos, não dezesseis. Não pensava que o amor poderia conquistar tudo. Ainda com tudo o que amava Thor e ainda com tudo o que Thor a amava , eram de dois
mundos muito, muito diferentes e tinha que perguntar-se se o casamento não os levaria a desolação e o desastre de ambos.
Estaria disposta a correr o risco, se Thor decidisse que isso era o que ele queria, mas não podia sacudir as dúvidas.
De qualquer modo, seu objetivo no momento era retornar a seu mundo para arrumar seus assuntos pendentes. Tinham terminado as opções. De fato, realmente nunca
tinha tido nenhuma. Simplesmente não havia nenhuma maneira possível de sair de Atlântida, a menos de que pudesse convencer a um Atlante de que a levasse.
Ela já tinha decidido que Thor era sua melhor -- sua única esperança. Tinha decidido, quando ele retornasse, começar sua campanha para convencê-lo.
Estava no jardim, ensaiando sua campanha quando os sons da guerra civil explodiram. Alexis tinha acostumado tanto ao silêncio da tranqüilidade, que a explosão
de som quase fez que seu coração se detivesse. Caiu de joelhos e cobriu os ouvidos enquanto o som de mil, dez mil pessoas gritando saía repentinamente a seu redor.


Capítulo Quatorze

Thor fazia muito pouco progresso em descobrir o quartel rebelde. Estava seguro, entretanto, de que a ameaça, se chegava, não seria de Atlântida, mas sim de uma
de suas cidades irmãs.
Já que já não podia confiar em que seria alertado telepaticamente no evento de um ataque, tinha colocado sentinelas ao redor da cidade que lhe ajudariam a pressentir
os problemas.
Estava falando com os membros do conselho quando soou o alarme de um, logo depois de outro e finalmente de um terceiro de seus sentinelas. Thor saiu rapidamente,
correndo da torre do edifício do conselho, até o posto de observação. Poucos edifícios de Atlântida eram tão altos como o edifício do conselho, e nenhum era mais
alto. A torre oferecia o ponto de melhor visibilidade.
Olhava aflito em direção ao Oceanus quando Aurora, sem fôlego pela subida, chegou até onde se encontrava. Ele apontou ao que a primeira vista, parecia ser uma
escura nuvem movendo-se para a cidade. Aurora estava parada junto a ele, olhando enquanto a nuvem se convertia pouco a pouco em uma horda de bestas voadoras.
- São tantos! Eu não tinha pensado...
- Não teriam atacado até estar seguros de que contavam com números suficientes para lhes assegurar uma boa oportunidade de êxito. Na verdade, eu não teria esperado
que lançassem um ataque completo. Tinha esperado táticas clandestinas. Não há tempo, agora, de trazer meus homens.
- O que podem esperar ganhar? Pensam que somente precisam submeter ao conselho para governar Atlântida?
Thor a olhou, com seu rosto sério.
- Não acredito que eles somente queiram governar Atlântida. Penso que acreditam que seus dons lhes darão o poder necessário para governar também o mundo dos
externos. Tema que vieram levantar Atlântida.
Aurora o olhou assombrada.
- Mas... não podem. O mecanismo nunca agüentaria. É antigo. E mesmo que não fosse, somos três vezes o número que éramos. O simples peso nos destruiria. Atlântida
se partiria pela metade.
- Não acredito que escutarão razões, mãe.
- Deve detê-los! Não pode permitir que se apoderem do dispositivo.
- Não posso aturdi-los todos. São muitos. Espero suas ordens, Alta Conselheira.
Aurora tomou o braço.
- Destrói-os, então.
Thor voltou sua atenção à horda que avançava.
- O domo poderia romper-se. Ainda se pudesse impedi-lo, metade de Atlântida está abaixo de mim, no caminho da destruição. Estaria tomando também as vidas de
nossa própria gente.
Aurora olhou para sua amada cidade, sem decidir-se a dar a ordem que sabia que Thor necessitava para proceder.
- É nossa única esperança. Destrói-os. Eles certamente destruirão a toda a Atlântida se tiverem êxito e então, tudo estará perdido. Mais vale salvar aos que
podemos, que deixar que todos morram. Devemos chamar às pessoas. Eles terão pelo menos uma oportunidade, se lhes advertirmos que devem procurar um lugar seguro.
Thor assentiu e voltou para olhar à cidade. Aurora lhe uniu, combinando sua voz com a dele. Abaixo deles, todos se detiveram e olharam para cima, muito paralisados
pela incredulidade para mover durante vários momentos.
Mas um segundo depois, os gritos de milhares lhes chegaram enquanto o Apocalipse se disparava, com gente correndo em todas as direções, em um esforço por salvar-se.
Thor passou então todas sua atenção ao exército que se aproximava. Já estavam muito perto. Não se atrevia a dar muito tempo a sua população, ou a destruição
seria absoluta.
De maneira instintiva, tirou sua espada enquanto a primeira onda chegava à costa, mas se deu conta de que não podia permitir afastar-se do que pensava que era
o objetivo principal de seus inimigos. Se saísse agora a seu encontro, a cidadela ficaria indefesa.
O mecanismo estava sob a cidadela. Thor guardou sua espada.
- Vai mãe. Leva o Conselho para baixo, até a câmara. Se eu falhar, você deverá proteger o mecanismo. Se sentir que não pode fazê-lo, destrói para que não possam
usá-lo.
Quando ela se foi, Thor se voltou para enfrentar ao exército, levantando os braços, com as palmas para cima, enquanto convocava o poder, canalizando-o. As ondas
se formaram, convertendo-se como um ciclone em miniatura enquanto ele o dirigia para frente. A cidadela, onde ele estava, sacudiu-se com a força. Grandes pedaços
das rampas se quebraram e caíram para a enlouquecida multidão abaixo, criando ainda uma maior desordem. Diante dele, uma parte de Atlântida, de 15 metros de largura,
desapareceu como se nunca tivesse existido, desfazendo-se em pó. O punhado de entusiastas guerreiros que haviam liderado a primeira onda, acenderam-se, gritaram
e caíram ao mar.
Os rebeldes retrocederam e se reagruparam. Passaram vários minutos enquanto conferenciavam, mas depois se dividiram em dúzias de pequenos grupos menores e se
aproximaram de novo.
A consternação encheu Thor. Necessitaria uma onda maciça para absorver a todos agora que se separaram. Não se atrevia a fazer, sabendo que as perdas entre sua
própria gente seriam maciças. Em lugar disso, pôs-se a golpeá-los com uma avalanche de pequenos ataques sônicos: Mas com cada bombardeio, mais de Atlântida ficava
em ruínas, mais pessoas ficavam feridas, esmagadas, mortas ou por morrer.
Quando os rebeldes retrocederam uma vez mais, Thor já sabia que era o que tinha que fazer. Tinha que arriscar tudo em uma só onda que destruíra a todos, mas
que também poderia destruir a Atlântida. Se lhes permitisse separar seu ataque de novo, de todas maneiras se veria forçado a destruir Atlântida, porque somente poderia
acabá-los enviando ondas em todas as direções ao mesmo tempo e todos a seu redor morreriam, todos aqueles a quem tinha advertido que corressem a salvar-se... Alexis.
Procurou sua força interior e esperou até que se formaram de novo a uma distância que considerou segura. O ar ao redor dele estava quieto. Lentamente, formaram-se
ondas no ar. As ondas cresceram em tamanho até que o edifício no que estava parado começou a desintegrar-se e ele estava de pé sobre um precipício. Lançou a onda
para os rebeldes ainda enquanto estes começavam a separar-se.
* * *
Alexis se levantou, dando-se conta de que Atlântida estava sob ataque. Desgraçadamente, não tinha idéia de onde provinha o ataque e tampouco tinha nenhuma idéia
de onde podia correr. Estaria a salvo na casa de Thor?
O piso abaixo dela tremeu, como em uma resposta, e começou a deslocar-se. Alexis olhou para baixo, com terror de que se abrisse uma fissura e a tragasse, segura
de que aquilo tinha que ser um terremoto.
Helena entrou correndo pela porta que dava à rua, respirando pesadamente e com os olhos grandes pelo medo.
Alexis ficou vendo, sem poder acreditar durante vários momentos que era Helena, que Helena tinha sido liberada... ou tinha escapado. Observou incômoda como Helena
caminhava pelo jardim, caindo cada vez que a terra tremia, mas movendo-se decididamente para ela.
- Tenho que te tirar de Atlântida. Tenho que te levar para sua casa.
- Não acredito em você.
- Tem alguma outra escolha? Atlântida está perdida. Se não vir agora comigo, morrerá como todos outros.
Alexis tinha uma expressão muito severa.
- Arriscarei-me com Thor e com todos outros.
A expressão da Helena mudou, endurecida pela malícia.
- Ele não virá. Está muito ocupado tentando salvar sua preciosa Atlântida.
- Ele é o protetor. Sei que fará tudo o que possa por salvar Atlântida. Virá assim que possa.
Helena entrecerrou os olhos.
- Está tão ansiosa de morrer então? O que aconteceu o juramento que tinha feito para vingar seu pai? Ou é que já o esqueceste? Não se necessita nada mais que
um homem entre suas pernas para que perca a vontade própria?
Alexis apertou os lábios.
- Não esqueci meu pai ou meu juramento. Mas não confio em você. Se pensou que era o suficientemente estúpida para cair em sua armadilha, então não é terrivelmente
brilhante.
Helena se encolheu de ombros.
- Tivesse sido mais simples se tivesse cooperado, mas virá.
Muito tarde se deu conta Alexis de que Helena não estava vendo-a. Estava vendo algo atrás dela. Alexis se girou, enquanto uma criatura muito parecida com a que
a tinha apanhado a primeira vez desceu do céu, com as garras de seus pés estendidas para apanhá-la.
Saltou a um lado e correu para a porta da casa. Helena a apanhou pelo cabelo, quase arrancando-se o da cabeça. Alexis resistiu, com sua mão feita um punho. Alcançou
Helena no queixo, voltando à cabeça de lado pela força do impacto. Seus joelhos cederam, ela se afrouxou e caiu contra o piso.
Entretanto, Helena reteve o cabelo de Alexis, arrastando-a com ela para baixo. antes que Alexis pudesse soltar-se, a besta já estava sobre ela. Tomou a perna
de Alexis e a separou da Helena. Alexis a chutou, conseguindo separar-se de novo. Enquanto lutava por ficar de pé, Helena a apanhou com um bloqueio mental.
As pernas de Alexis se pareceram repentinamente de gelatina. A besta a apanhou enquanto caía. Tomando-a fortemente, levantou-se pelo céu.
* * *
Um grande grito triunfal se levantou da multidão enquanto viam os restos da corja dos rebeldes fugir tão rápido como permitiam suas asas, de retorno à cidade
de Oceanus. Cansado pela energia que tinha desdobrado repelindo o ataque, Thor se deixou cair sobre os joelhos, lutado para recuperar o fôlego enquanto os via afastar-se.
Precisava ir atrás deles, segui-los até seu esconderijo. Queria ver Alexis, para estar seguro de que não tivesse machucada.
Depois de um momento, levantou-se, transformou-se em uma besta alada, e seguiu aos rebeldes.
Quase tinha chegado ao corredor que conectava as cidades, quando lhe ocorreu que algo estava errado. Os rebeldes estavam fugindo, mas não estavam fazendo nenhum
esforço para deixá-lo atrás. Ele começou a voar mais lento e depois se deteve e olhou para trás, na direção que tinha vindo. Quando voltou de novo para o Oceanus
uma vez mais, pôde ver que os rebeldes também se detiveram.
Então se deu conta.
O mecanismo não tinha sido o objetivo. Pelo menos não esta vez. Alexis tinha sido o objetivo.
Ele estivera intrigado por sua estratégia, mas não se deu conta de tudo.
Com um rugido furioso, mandou uma onda sônica para os rebeldes, matando-os. Não esperou para ver se algum teria sobrevivido. Girando no meio do ar, voou para
a Atlântida e para sua casa. Viu-os enquanto se aproximava dos limites da cidade.
Havia dois deles. Um sustentava a Alexis que mal estava consciente. O outro -- soube que era Helena. Transformou-se. Estava usando uma das tiaras que os rebeldes
tinham inventado, mas ele soube.
Seguiu-os, esperando alcançá-los antes que entrassem no tubo de saída, mas tinha gasto mais energia que o normal. Apesar de seus melhores esforços, só se tinha
aproximado pouco a eles quando viu que mudavam de bestas voadoras a golfinhos e se afundavam na água.
O coração lhe saltou no peito quando viu Alexis desaparecer com eles sob a água. Um terrível medo o assaltou quando pensou que se eles não a protegessem, morreria.
Sacudiu-se nesse pensamento. Os rebeldes a queriam. Certamente a queriam viva. Se somente dependesse de Helena, certamente Alexis já estaria morta.
Voou muito curta distância da água, transformou-se em um tritão e submergiu sob as ondas, seguindo-os.
Não tinha idéia de onde a estariam levando, mas sabia que era ao mundo exterior. Se não os apanhasse logo, perderia a Alexis para sempre. Sombrio, nadou mais
rápido, alcançando-os pouco a pouco. Não se atrevia a usar as ondas de som contra eles porque tinha medo de machucar Alexis. Eles certamente sabiam.
Estava tentado a tirar sua espada e disparar um raio na parede do túnel, mas não podia estar seguro de que somente os prenderia . As paredes podiam cair em cima
a todos eles.
Ainda ia a um km atrás deles quando os viu sair do túnel. Quando ele chegou também a esse ponto, eles já tinham desaparecido.
Deteve-se, olhando a seu redor, tentando perfurar a escuridão.
Não podia receber ondas de pensamento de nenhum deles.
Isso queria dizer que também tinham colocado uma tiara a Alexis.
Alarmado, ficou simplesmente congelado durante vários segundos, incapaz de decidir que caminho seguir -- sabendo que se escolhia a direção errada, estaria lhes
dando uma vantagem ainda maior.
Chamou os golfinhos.
Em poucos momentos, três golfinhos o rodeavam, movendo suas cabeças, falando. Ele enviou cada um deles a procurar em uma direção diferente. Isso deixou dois
com ele. Depois de um momento decidiu nadar para a superfície. Os Atlantes eram criaturas da superfície. Apesar de suas habilidades para mudar, certamente teriam
conseguido um lugar sobre a água.
Agitou sua cauda, tratando de chegar à superfície.
Quando estava a ponto de sair, ouviu o distintivo som de um motor. Deteve-se, girando lentamente até que pôde deduzir a direção.
Sorriu sombriamente. Um bote. Começou a nadar em direção ao som. Dois dos golfinhos lhe uniram e lhe disseram o que já tinha adivinhado, que os rebeldes tinham
levado a Alexis a bordo de um pequeno bote.
Nadaram silenciosamente ao redor dele por alguns minutos, mas finalmente o deixaram, retornando a seus próprios assuntos.
O rugido do motor ficou cada vez mais forte, assegurando a Thor que se estava aproximando cada vez mais e que seguia na direção correta.
Entretanto, de repente, o motor parou.
Thor saiu à superfície.
O bote se deteve junto a um navio. Thor o estudou durante vários segundos, tentando captar algum pensamento. Finalmente, soltou uma maldição. Era um cruzeiro,
cheio de externos.
Ele devia saber que não ia ser tão simples, que eles teriam antecipado a possibilidade de que ele poderia segui-los. Não podia permitir que os externos o vissem.
Os rebeldes sabiam disso. Agora deviam sentir-se seguros.
Pensando rapidamente, afundou de novo, transformou-se em um grande tubarão e golpeou o pequeno bote. O bote tremeu, mas se manteve direito. Vamos, podia ouvir
os gritos das pessoas que o tinham visto. Um homem correu para o interior do navio. Uns momentos depois tinha retornado com uma pistola, disparando grosseiramente
à água ao redor do bote.
Thor deu vários círculos e se lançou para a pequena nave como um torpedo, rompendo a madeira e fazendo que o bote cambaleasse. Helena, Alexis e o rebelde não
identificado que estavam tentando abordar o navio, caíram de lado do bote à água.
Era o que Thor estava esperando, mas sabia que tinha que mover-se com rapidez ou Alexis se afogaria.
Tomou cuidadosamente a Alexis entre suas garras e submergiu, transformando-se enquanto ganhava distância, formando uma cápsula de ar a seu redor para protegê-la.
Saiu à superfície quando tinha avançado já algumas milhas entre ele e o navio, mudando uma vez mais a um tritão e libertando Alexis da cápsula de ar. Ela se
afundou como uma rocha. Pegando-a, tocou-lhe a frente para libertá-la do controle mental.
Ela não respondeu.

Capítulo Quinze

- Alexis!
Alexis ouviu que alguém a chamava, mas soava como se estivessem muito longe, ou falando através de um túnel. Havia um tom de urgência na voz e ela sentiu uma
faísca de reconhecimento, mas de algum jeito não podia reunir o suficiente interesse para responder. Estava tão fria e tão cansada! Tudo que queria fazer era encontrar
um lugar quente e ficar dormindo.
Começava a fazer isso quando sentiu que alguém a chamava novamente. Custou-lhe um esforço supremo abrir um de seus olhos. Pôde ver que era Thor. Isso era bom.
Era um descanso. Tinha tido um terrível pesadelo, mas tudo estava bem agora. Voltou a perder-se. Esta vez foi sacudida até que sentiu a sua cabeça mover-se sobre
seu pescoço.
Conseguiu abrir os olhos.
- mmhhque?
O rosto do Thor nadou frente a seus olhos. Levou vários momentos poder enfocá-lo corretamente. Enquanto fazia, conseguiu dar conta também de que se sentia muito,
muito fria e úmida.
- Como havia se molhado? - perguntava-se vagamente.
- Alexis. Está bem?
Alexis fez um gesto de desagrado. Que pergunta tão estúpida. Estava fria e molhada. Queria ir para casa. Não sabia que estava fazendo na água. Pensou nisso por
alguns minutos. Ah sim! Eric - a víbora - tinha-a jogado do maldito navio. Mas de algum jeito isso não parecia correto. Pensou a respeito disso um pouco mais. Havia
algo... algo. Uma imagem de grandes peixes que se aproximavam lhe enchendo a mente. Seu coração começou a pulsar rapidamente e ela começou a gritar, arranhando ao
Thor em um esforço por subir fora da água.
Ele a segurou fortemente. Ela pôde sentir que sua mão lhe tocava o rosto e repentinamente estava divagando outra vez. Deixou de brigar e se acomodou contra ele.
Ele estava quente.
Quero ir para casa, pensou melancolicamente.
Sentiu que seu corpo se elevava, como se subitamente tivesse perdido seu peso. O ar frio soprou contra sua pele molhada. Seus dentes começaram a bater de maneira
incontrolável. Isso foi à última coisa que recordou.
Quando despertou, olhava uma brilhante luz branca.
- Alexis! - disse alguém. - Aqui está! Não! Não durma de novo.

Alguém lhe tocava as bochechas, esbofeteando-a ligeiramente. Zangada, abriu os olhos de novo.
- Boa garota! Fica comigo agora.
Pôde ver que estava se movendo. Sobre ela podia ver linha detrás linha de brilhantes luzes fluorescentes passando rapidamente.
- Onde?
- Saint Johns. Tudo está bem. Vais estar bem agora. Escuta-me? Não durma de novo, Alexis.
- Onde está...?
- O homem que te trouxe? Está na sala de espera. Somente agüenta como uma boa garota e lhe deixaremos vê-lo em um momento.
Colocaram a maca onde a levavam a um pequeno quarto. Vamos, novas luzes brilhantes fluorescentes a iluminaram e depois lhe puseram na frente ao rosto uma luz
ainda mais brilhante e alguém se inclinou para vê-la.
Colocaram-lhe um medidor de pressão sangüínea no braço e o inflaram até que sentiu que lhe romperia o braço. Pouco a pouco tiraram o ar do medidor, mas o deixaram.
Uma agulha perfurou seu outro braço, muito perto de seu cotovelo. Puseram-lhe uma coberta e logo outra mais. O calor começou pouco a pouco a entrar em seu corpo
congelado.
- A pressão sangüínea está baixa. Uma pequena queimadura aqui. Parece que tem um interessante pequeno ovo de ganso aqui em sua cabeça. Crê que seja um golpe?
Alguém lhe abriu os olhos e lhe lançou a luz de uma lanterna.
- Ouça, como te chama? Me diga seu nome.
Isso era estúpido. Tinham estado chamando Alexis tão somente fazia uns minutos. Certamente sabiam seu nome, mas ao parecer, o tipo não tinha intenções de deixá-la
em paz.
- Alexis - murmurou.
- Que dia é hoje, Alexis?
- E eu como caralho vou saber? Pensei que era de noite - disse, explodindo e sentindo-se extremamente provocada.
Ele fez um gesto de desgosto.
- OK. Quantos dedos estou sustentando?
Levou-lhe um esforço abrir seus olhos e logo enfocar os dedos.
- Dois.
- Boa garota.
Porque todo mundo lhe falava como se fosse uma estúpida? perguntava-se Alexis irritada.
- Não acredito que tenha sérios danos na cabeça, mas é melhor levá-la ao raios X e examiná-la por via das dúvidas.
- O tipo que a trouxe disse que estava grávida.
- Com quantos meses?
- Um mês possivelmente. Seis semanas ao mais.
- Esperem o raio X então.
Começaram-lhe a medir a pressão de novo.
Cada determinado número de minutos alguém lhe tocava o rosto, golpeava-lhe brandamente as bochechas até que abria os olhos e os revisava. Seus dentes deixaram
finalmente de bater.
Voltou a divagar depois de um momento. O movimento da maca a despertou. Abriu seus olhos e descobriu que estava no corredor de novo, logo no elevador e finalmente
em outro quarto. Colocaram sua maca junto a uma cama. Logo a subiram à cama. Colocaram-lhe um lençol e uma ligeira colcha e a agasalharam com elas.
Uma mulher apareceu a seu lado, com uma seringa.
- Vou te dar algo que te ajudará a dormir. Vais sentir uma pequena picada.
Foi algo muito mais forte que uma singela picada. Ela pensou indignada que poderia dormir tranqüilamente sem medicamento se somente lhe tivessem dado uma oportunidade.
Entretanto, alguns minutos depois começou a perder-se novamente e sua irritação se foi junto com seus pensamentos.
Quando Alexis abriu os olhos de novo, Thor estava parado junto a ela. Sorriu-lhe e seu coração deu pequenos saltos de felicidade.
- Olá, moço bonito. Deixam-lhe andar só em um lugar como este?
Ele não entendeu.
- Ninguém me disse que não posso estar aqui.
Alexis riu e moveu a cabeça.
- Não faça conta. Era só uma brincadeira.
Ele ainda se via confuso.
- Com todas estas mulheres doentes aqui, não estou certa de que seus corações possam suportar. Suportar ver um homem tão bonito como você aqui.
Ele fez um gesto.
- Penso que ainda deve estar um pouco confusa. - disse, lhe tocando a cabeça.
Alexis sorriu ironicamente.
- De fato, acho que estou. Estava começando a pensar que tinha sonhado... tudo até que despertei e te vi. O que aconteceu? Como cheguei aqui?
- Não recorda?
Alexis gesticulou. Sentiu que a invadia um calafrio.
- Algo disto... quase tudo. Mas não recordo como cheguei a você.
- Eu te trouxe.
- Isso eu sei, disse ela secamente. Mas, por quê? Quero dizer, porque aqui? porque não me levou...? Bom, de volta.
- Disse que queria ir para casa. Estava... doente. Pensei que isto seria o melhor para você.
Alexis ficou olhando. Não estava segura de estar contente ou triste de ter retornado a seu próprio mundo. Por um lado, ela queria retornar para casa. Tinha que
fazer algo a respeito de Eric. Mas por outro lado tinha um mau pressentimento a respeito das razões do Thor para trazer a de volta.
- Aurora -- os médicos poderiam cuidar de mim. Porque não me levou de volta lá?
Thor tomou a sua mão, estudando-a com muito cuidado. Como se fosse imensamente fascinante, levantou cada dedo e o olhou, acariciando-o. Finalmente pôs a palma
de sua mão contra a própria, estudando ambas. Depois, levantou-lhe a mão e a beijou.
- Quase morreste duas vezes, Alexis.
- Mas não o fiz. E agora tudo terminou. - disse Alexis, com sua boca seca por um novo medo sem nome.
Thor fez uma careta.
- Duas vezes, quase te perdi... não só porque falhei ao te proteger, mas também por mim. Prefiro viver sem você e saber que está viva, que te manter comigo e
talvez, ver-te morrer.
Alexis o olhou, atônita. Antes que pudesse protestar, alguém tocou na porta e entrou.
Alexis ficou vendo os dois estranhos homens que entraram em quarto e ficaram parados ao pé de sua cama.
- Quem são vocês?
O maior dos dois respondeu.
- Sou o detetive Richardson. Este é o detetive Hiekes. Somente queremos lhe fazer umas perguntas a respeito de seu acidente.
Alexis jogou um rápido olhar para o Thor.
- Qual acidente?
Richardson fez um gesto em direção ao Thor.
- Seu amigo nos disse que você é Alexis Stanhope. Eu investiguei. Você foi dada como perdida no mar há quase dois meses. A prova litográfica quem fez foi...
-- Consultou suas notas -- Eric Stanhope. A história que ele nos deu é que você tinha caído pela amurada ou que possivelmente se havia suicidado.
Alexis sentiu que a ira a invadia.
- Ah, até parece a que foi assim.
Richardson e Heikes trocaram um olhar.
- Já investigamos. Você foi identificada plenamente como Alexis Stanhope. Estou muito interessado em ouvir o que você tem para dizer, se tiver vontade de fazer.
- Eric me lançou pela amurada.
Richardson fez um gesto.
- Você está certa? Não é que duvide de sua palavra, senhora Stanhope, mas algumas vezes, depois de um acidente, as pessoas ficam confusas, com idéias estranhas
na cabeça. Estão desorientadas e não recordam nada com muita claridade.
- Não há nada mal com minha memória. Estávamos parados na parte coberta do navio. Eric se colocou atrás de mim e me disse que tinha assassinado meu pai. E depois,
antes que pudesse reagir, tomou e me jogou pela amurada.
De novo, Richardson e Heikes trocaram olhares.
- Seu marido assassinou seu pai e depois tentou assassinar você? É esta a declaração correta?
Alexis assentiu.
- Meu pai não era um homem milionário, mas tinha suficiente para interessar ao Eric, obviamente. Uma vez que matou meu pai, tudo o que tinha que fazer era se
desfazer de mim, e teria tudo - o negócio, a casa de meu pai, suas ações -- ele valia pelo menos três quartos de milhão.
- Bom senhora, não é que duvide de sua palavra, mas algo não está certo. Se seu marido a lançou pela amurada no meio do oceano faz quase dois meses. Como acabou
aqui? Onde esteve todo este tempo? E quem é este homem? Lhe disse ao pessoal do hospital que era um familiar, mas não posso encontrar nenhum registro de um familiar
com o sobrenome de Thorson.
Alexis voltou a olhar Thor preocupada. Thor moveu sua cabeça muito ligeiramente e depois voltou a olhar ao Richardson e Heikes, lhes dando um duro olhar.
Os detetives devolveram o olhar com seus próprios olhares assassinos. Mas depois de alguns momentos, seus olhos começaram a ver-se cansados, seus músculos faciais
se relaxaram e ficaram olhando ao vazio.
Surpresa, Alexis olhou ao Thor.
- O que aconteceu?
- Não recordarão que estive aqui - disse Thor simplesmente.
A confusão e um terrível sentimento invadiram ao Alexis.
- Vai embora?
Thor assentiu. Inclinando-se, beijou-a ligeiramente nos lábios.
- Amo-te, Alexis. - disse quando se endireitou, acariciando brandamente sua bochecha com a ponta de seus dedos.
O alarme correu pelo Alexis.
- Thor? Retornará? Promete-me isso?
A dor na expressão do Thor lhe disse sem palavras que não faria. Com um dedo, tocou-lhe a frente. Apesar de seus melhores esforços, Alexis sentiu que se afundava
em um escuro poço. Um incrível sentimento de desesperança a invadiu.
- Esquece-me - sussurrou Thor.


Capítulo Dezesseis

A polícia não ficou muito contente de que Alexis não pudesse recordar onde esteve quando esteve perdida por tanto tempo. Tampouco esteve muito contente sobre
o fato de que ela tampouco pudesse recordar como tinha chegado ao hospital.
Os doutores moveram suas cabeças e decidiram que certamente ela teria experimentado algum tipo de trauma que lhe tinha produzido amnésia. Disseram que teria
sido um choque o suficientemente forte ter caído, ou ter sido lançada, pela amurada para produzir uma ligeira amnésia. E o que fosse que lhe tinha passado antes
de ter sido encontrada de novo, certamente a tinha traumatizado ainda mais. Não podiam encontrar nada que estivesse fisicamente mal com ela, assim sem dúvida era
um caso de amnésia histérica.
As autoridades duvidavam, mas de todas maneiras autorizaram uma investigação. Alexis foi definitiva: amnésia ou não, solicitou o divórcio ainda antes de apresentar
queixa por assassinato contra quem logo seria seu ex-marido. O resultado final foi que Eric foi detido antes que Alexis saísse do hospital.
As rodas da justiça se movem lentamente. Alexis estava em seu sexto mês antes que Eric fosse a julgamento.
Na primeira audiência, Eric foi sentenciado a 10 anos por assalto e tentativa de assassinato.
Um mês depois Eric e sua cúmplice, sua esposa, Sylvia Johnson se apresentaram em julgamento pelo assassinato do pai de Alexis. Esse julgamento durou dois meses.
O fiscal de distrito não pôde ganhar o julgamento por assassinato em primeiro grau. Eric foi condenado por assassinato em segundo grau e condenado a quarenta anos
no cárcere. Sua esposa, Sylvia Johnson, recebeu uma sentença de 20 anos.
Alexis não podia acreditar. Ela SABIA que Eric e sua esposa tinham planejado o assassinato de seu pai. Desgraçadamente, apesar do que ela disse, os investigadores
não puderam provar um plano para cometer assassinato -- não que não acreditassem. Mas se necessitava uma maior evidencia para provar um assassinato premeditado e
não puderam encontrar essas provas.
Finalmente, Alexis se deu conta de que teria que aceitar a justiça que tinha obtido. Não era um castigo completo, mas era algo. Sua próxima maternidade o fez
mais fácil.
Ela entendia pouco, e lhe interessava menos ainda, a companhia de construção que seu pai lhe tinha deixado. Vendeu-a e colocou o dinheiro em alguns investimentos.
Sentiria-se culpada a respeito de sua decisão se a empresa tivesse significado algo sentimentalmente para seu pai, mas ele se fartou do negócio da construção muito
tempo antes de ter o suficiente dinheiro economizado para retirar-se e lhe tinha deixado toda a operação com um supervisor de toda confiança. Ele não teria esperado
que ela fizesse cargo da empresa e tentado dirigi-la. De fato se surpreenderia se ela sequer tivesse considerado.
Sendo assim o caso, Alexis decidiu usar o dinheiro para manter-se e manter a seu bebê, de maneira que pudesse ser uma mãe de tempo completo. Pelo menos, até
que o menino fosse o suficientemente grande para ir à escola, suas intenções era dedicar-se completamente a ele. Depois disso - bem, ela não sabia ainda o que faria
depois.
Caminhava todos os dias, decidida a ter uma boa condição física para quando fosse o momento do parto. Entretanto, quando entrou nas últimas semanas, caminhar
se converteu mais e mais em uma penitência e não em um exercício.
Esquecendo-se das caminhadas ao redor da vizinhança, Alexis começou a caminhar duas vezes ao dia ao redor do jardim. Tinha começado a caminhar como um pato quando
seu corpo começou a adquirir volume, mas não era sua estupidez o que a mantinha perto da casa. Era sua certeza de que não desejava estar longe do telefone quando
chegasse o momento.
Estava reclinada em um divã no jardim, sentindo-se e vendo-se, estava segura, como uma baleia na praia, quando viu o homem de novo.
Era a terceira vez que o via em três meses, tentando parecer casual enquanto se encostava contra uma árvore do outro lado do caminho e a estudava suspeitosamente.
Tinha se sentido assustada a primeira vez que o viu. Sempre estava vestido com couro e levava o cabelo comprido. Ela tinha pensado que certamente seria um motociclista
ou um ladrão. Por um momento duvidou, tentando decidir o que fazer. Finalmente rodou do divã e parou. Desgraçadamente os músculos de seu estômago estavam esticados
até sua máxima capacidade com o peso de seu bebê. Mudanças bruscas na posição produziam martirizantes cãibras. Ela pôs suas mãos em seu estômago, dobrando-se. Fechando
fortemente seus olhos, esperou a que a dor se fosse.
Sentiu uma mão tocar seu ombro.
- Necessita ajuda?
Lentamente, conforme os músculos relaxaram um pouco, Alexis se endireitou, olhando ao homem. Seu coração quase parou em seu peito quando viu seu olhar. Seus
pensamentos se difundiram em confusão.
- Por quê? - conseguiu dizer.
Ele fez um gesto de estranheza.
Alexis sentiu que o pranto invadia sua garganta.
- Por que me deixou? Não me amava o suficiente?
A expressão dele se encheu de dor por um momento antes que pudesse controlar suas emoções.
- Penso que me confunde com alguém mais.
- Não faça! Conheço-te! Se estivesse cega, ainda assim reconheceria sua voz. Se estivesse surda, ainda assim reconheceria seu toque.
Ele tragou saliva com óbvia dificuldade, sua expressão incerta agora.
- Não me conhece.
Alexis negou com a cabeça.
- Pensei que te conhecia. Disse, uma vez, que me amava. Foi tão fácil deixar de fazê-lo?
Ele deu um passo para trás, branco agora.
- Você não pode... recordar.
Alexis tragou saliva com dificuldade.
- Eu recordo, Thor. Sempre recordei. Porque tentou de me tirar isto também? Se já não me queria pelo menos devia me deixar as memórias, não me tirar isso também!
Thor olhava para outro lado.
- Foi porque te amava, mais que a minha própria vida, mais que a minha própria felicidade. Não podia suportar te causar dor. Deixei-te livre porque te amava.
Tirei suas memórias para que quão único conhecesse fosse a felicidade.
Alexis foi para ele e colocou uma mão em cada uma das bochechas dele, forçando-o a vê-la.
- Você fez tudo isto por mim? Porque me ama?
- Sim.
- E eu sou livre para escolher?
Thor a estudou durante um comprido momento.
- Você sentia que seu lugar não era a meu lado.
Alexis negou lentamente com a cabeça.
- Acredito que sempre soube que meu lugar era a seu lado. Não me dei conta até que me trouxe de volta aqui, e meu lar, em qualquer lugar que você esteja, aí
é onde ficamos.
- Está certa?
Alexis assentiu.
Thor levantou sua mão para lhe tocar a bochecha.
- Não quis a ninguém mais desde a primeira vez que te vi, quis viver minha vida somente contigo, e me fazer velho te amando. Quero-te para minha esposa, a companheira
de minha vida.
Alexis o estudou.
- E nos ficaremos velhos juntos?
Thor assentiu.
- Por minha honra, que sim.
- Então me leve contigo. Me leve para casa. Quero que meu filho conheça seu pai, que é o ser humano mais maravilhoso que jamais conheci.
Os braços do Thor a rodearam, apertando-a tão duro contra si, que o bebê começou a chutar furiosamente. Ele se afastou olhando para o estômago redondo com surpresa.
Depois de um momento, sorriu, colocando sua mão contra a barriga, rindo enquanto sentia ao bebê lhe chutar a mão.
Sua expressão se tornou pensativa depois de um momento.
- Somente maravilhoso?
Alexis fez um gesto de incompreensão.
Os lábios dele se torceram.
- Uma vez pensou que era magnífico.
Ela tentou olhá-lo com desaprovação, mas uma risada lhe escapou. Baixando sua mão, apanhou seu sexo firmemente. Os olhos dele se ampliaram em surpresa.
- Absolutamente magnífico. Penso que é o mais magnífico... espadachim que jamais haja vivido.
Soltou-o e se levantou nas pontas de seus pés para beijá-lo.
- Mas esta parte é minha segunda favorita - murmurou contra seus lábios.

Ele riu. E levantando os braços, os colocou firmemente ao redor de seu pescoço e logo se agachou e a tomou entre seus braços.
- Fecha os olhos querida.
Ela fez um gesto de surpresa, erguendo as sobrancelhas.
- Agora?
Ele assentiu.
- Meu filho está ansioso por ver seu pai.
- Mas... mas... é de dia. Alguém nos verá.
Thor riu.
- Mas... acreditarão?
F I M



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