quarta-feira, 26 de maio de 2010

Globo - DNA revela origem de escravos

** Globo- 22-5-2010
DNA revela origem de escravos
Renato Grandelle
Tecnologia de ponta promete revelar mistérios de nosso passado. Cientistas começarão a buscar no DNA a origem dos escravos que, nos séculos XVIII e XIX, foram
trazidos
ao Rio. Um número imenso deles morreu em condições subumanas e foi enterrado no Cemitério dos Pretos Novos, na Gamboa. Os vestígios desse cemitério - cenário de

um dos capítulos mais sombrios da História da cidade - foram redescobertos por acaso em 1996, durante a reforma de uma casa.
Agora, dezenas de ossos e dentes das pessoas enterradas lá serão analisados. Depois das escavações, os restos mortais foram levados para o Museu Nacional.
O Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ fará a análise do DNA, indicando o grupo
étnico ao qual pertenciam os africanos trazidos ao Brasil como escravos.
As investigações serão feitas pelo exame de trechos curtos na sequência do DNA capazes de apontar a ancestralidade. A expectativa é também encontrar vestígios do

material genético de parasitas, transmissores de doenças como malária, tuberculose e
esquistossomose, responsáveis pela morte de muitos escravos.
- Trabalharemos com uma parte restrita do material, porque, para fazermos sua análise, precisamos destruí-lo - explica Franklin Rumjanek, da UFRJ. - A parte exterior

dos ossos está muito contaminada pelo ambiente úmido em que foram encontrados. O interior foi menos atingido por bactérias e manipulado por estudiosos.
Além de descobrir a origem étnica e o DNA de parasitas, Rumjanek tem um terceiro desafio à frente. Por questões de higiene, os corpos eram queimados antes do enterro.

O procedimento, no entanto, era feito sem qualquer critério, e os pesquisadores terão a seu dispor ossos carbonizados em diversos estágios. É a condição ideal para

responder outra questão que movimenta a genética forense: até que ponto é possível extrair o DNA de um material calcinado?
Embora os ossos já tenham sido matéria-prima de estudos, a nova investida sobre os restos mortais ainda poderá esclarecer muitos detalhes sobre os escravos.

- Começamos a reestudar os ossos e dentes para ver itens que ainda não foram analisados, como a condição detalhada da saúde dental e os hábitos de higiene - revela

Sheila Mendonça, especialista em bioarqueologia e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/ Fiocruz).
- É possível verificar se houve algum tipo de tratamento ou polimento dos dentes.
A retomada das pesquisas foi elogiada por Júlio César Medeiros, autor do livro "À flor da terra: o Cemitério . dos Pretos Novos no Rio de Janeiro"(Editora Garamond).

De acordo com o historiador, o espaço servia para o enterro dos escravos recém-chegados à cidade. De cada 100 trazidos em navios negreiros, quatro morriam durante

a viagem.
- Sabemos que vieram mais negros de portos como os de Angola e Moçambique, mas essa mão de obra era capturada no interior do continente. A análise dos ossos pode

ajudar a descobrir esta origem - diz. - Havia, inclusive, etnias africanas que se especializaram em escravizar as outras.
O cemitério foi fundado em 1722, no Largo de Santa Rita. Quando o mercado de escravos, então na Rua Direita (atual Primeiro de Março), foi transferido para o Valongo,

o Pretos Novos também mudou-se para lá. Foi fechado em 1831 - um ano após o Brasil comprometer-se, em tratado com o Reino Unido, a abolir o tráfico negreiro.
Em seus seis últimos anos de funcionamento, o cemitério recebeu cerca de 5.868 escravos - cerca de 2 mil a menos que o cemitério a Santa Casa, que, além dos negros

recém-chegados, também enterrava brancos e escravos libertos.
- Não havia cova individual no Pretos Novos - ressalta Medeiros. - Todos eram enterrados à flor da pele. Havia, também, corpos não sepultados, que apodreciam e
faziam
os vizinhos reclamarem do mau cheiro. Alguns chegaram a escrever para o Príncipe-regente, solicitando a transferência do cemitério. O lugar era maldito para os
escravos,
por não respeitar suas tradições fúnebres. Entre os bantos, o grupo africano mais comum no Rio, sepultamento e o culto ao antepassado eram traços essenciais a religião.

Segundo sua cultura, se não fossem respeitados, trariam doença e morte.
Certa vez, o chefe de policia, convocado pela população, fez uma vistoria no Pretos Novos e espantou-se com sua insalubridade.
Com a análise do DNA, os pesquisadores esperam contribuir para revelar um pouco mais sobre a vida dos milhares de africanos que morreram no anonimato.
Renata Coutinho

"Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado, um amigo que espera;
esquecido, uma alma que perdoa; destruído, um coração que chora."
(Rabindranath Tagore)

Contatos:
msn: srenatacoutinho@yahoo.com.br
skype: srenatacoutinho2
Celular Vivo: 0xx27-9993-92-87
Celular Tim: 0xx27-8145-26-60

--
Visite também nossa comunidade no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=14404700

Para entrar em contato com a moderação envie email para:
moderacao-CantinhoDaLeitura@googlegroups.com

Para postar neste grupo, envie um e-mail para
CantinhoDaLeitura@googlegroups.com

Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
CantinhoDaLeitura-unsubscribe@googlegroups.com

Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com.br/group/CantinhoDaLeitura

Nenhum comentário:

Postar um comentário