quinta-feira, 13 de maio de 2010

Homeopatia

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Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Linhares, Waltencir, 1922
1.728h Homeopatia e pediatria: 1° e 2° nível / Waltencir
Linhares. - 1. ed. - - São Paulo: W. Linhares, 1988
1. Crianças - Doenças - Tratamento homeopático
2. Homeopatia 1. Título.
CDD-615.532
88-1734 NLM-WB 930
-WS

Índice para catálogo sistemático:
1. Homeopatia em pediatria : Ciências médicas 615.532
2. Pediatria: Tratamento homeopático : Ciências 615.532

Copyright c 1988 by Waltencir Linhares

Direitos reservados
Dr. Waltencir Linhares

Pedidos: Rua Brigadeiro Gavião Peixoto, 846
CEP 05078 - SP - Capital

Printed in Brazil/Impresso no Brasil
Capa: Leone
Composição: Marisa
Composto por: Square Artes, Composição e Assessoria Gráfica S/C Ltda.
Av. Jabaquara, 99 - 4° andar - cj. 44 - CEP 04045
Tel.: 579-4695 - SP - Capital

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A minha esposa Yvette:
Temos filhos e até netos... Junior, Rejane e Flavio.
Já plantei uma árvore...
Agora não falta mais nada...
Exceto que nosso amor permaneça sólido como a Homeopatia.

Agradecimento

Ao homeopatófilo Jamyr Tognini, as mãos que me permitem escrever...
Aos 100.000 pacientes que contribuiram para meu aprimoramento.
Ao meu filho Sidney, autor das ilustrações.

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O AUTOR

Dr. Waltencir Linhares
Escola Paulista de Medicina - 1952
Especialista em Pediatria
Pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Membro da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Homeopata - Associação Paulista de Homeopatia - 76/77
Julgador do Prêmio Alberto Seabra - 1978
Secretário do XIV Congresso Brasileiro de Homeopatia - 1978
Palestrista da Associação Paulista de Homeopatia - 79/87
Idem do Instituto Homeopático François Lamasson - Ribeirão Preto
Secretário Geral da Associação Paulista de Homeopatia - 79/87
Redator da Revista de Homeopatia da A.P.H. - 79/87
Secretário do XVII Congresso Brasileiro de Homeopatia - 1986

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1NDICE

Prefácio......................... 7
Esclarecimento................... 9

1ª Parte
ABC da Homeopatia

Experiência no homem são......... 13
Lei dos Semelhantes.............. 14
Doses mínimas.................... 15
Medicamento único................ 16
História......................... 18
Conceitos fundamentais........... 19
Limitações ...................... 24
Livros........................... 24
Cursos e aprendizado............. 28
Testemunho....................... 30
Panorama internacional........... 32
Panorama nacional................ 33

2ª Parte
Propósito
Começo de conversa............... 37
Medicamentos mais usados......... 38
Conquista e educação dos pais.... 42
Diagnóstico do medicamento....... 43

Como eu trato As mais Frequentes
Amigdalites...................... 47
Anorexia......................... 48
Broncopneumonias................. 49
Bronquite asmática............... 50
Cólicas do bebê.................. 52
Diarréias........................ 52
Eczemas.......................... 56
Estrófulo........................ 57
Febre............................ 58
Masturbação...................... 58
Obstrução nasal.................. 59
Prisão de ventre................. 60
Resfriado-coriza................. 61
Tosse............................ 62
Verminoses e parasitoses......... 63
Vômitos.......................... 64

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As menos frequentes
Abscessos........................ 64
Anemias.......................... 65
Assaduras........................ 65
Brotoeja......................... 66
Cefaléias........................ 66
Contusões........................ 67
Convulsões....................... 67
Crosta láctea.................... 69
Dentição......................... 69
Enurese.......................... 70
Epistaxes........................ 70
Estomatites...................... 71
Febre reumática.................. 72
Furunculose...................... 76
Hepatites........................ 77
Infecções urinárias.............. 78
Impetigo......................... 78
Insônia.......................... 79
Intolerância alimentar........... 80
Irritabilidade................... 80
Laringites....................... 81
Moléstias da infância............ 82
Olho de peixe.................... 87
Piodermite....................... 87
Regurgitação..................... 87
Rinite alérgica.................. 88
Rinites especiais................ 88
Sinusite......................... 88
Terçóis.......................... 89
Terror noturno................... 89
Timidez.......................... 90
Tiques (cacoetes)................ 90
Torcicolo........................ 90
Urticária........................ 91
Vagìnites........................ 91
Verrugas......................... 92

Generalidades
Como prescrever.................. 93
Nosódios......................... 96
Agravações....................... 98
Supressão........................ 99
"Noxas" ou causalidades..........105
Livros consultados...............108

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APRESENTANDO A 2á EDIÇÃO

O livro que você acaba de adquirir, teve sua 1° edição esgotada em 45 dias..
Gentileza dos colegas? Atualidade dos temas? Simplicidade e sinceridade do autor? Não sei...
O fato é que em 45 dias, pouco mais se pode aprender em Homeopatia.
Portanto, esta 2ª edição, ao contrário do que é clássico, não está ampliada nem melhorada, senão em sua parte estética. Além disso está piorada em seu preço, não
por culpa do autor.
Acrescentei apenas um capítulo sobre supressão e alterei meu ponto de vista quanto à catapora.
Espero merecer a mesma acolhida e ser útil a um número maior de interessados.
O autor

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PREFÁCIO
Graças a Deus os fatos da hist6ria se repetem. Por várias vezes a "conversão" de colegas para a homeopatia tem trazido surpresas e alegrias. Não foram poucas as
conversões que fizeram despontar para o nosso meio cientifico personalidades de destaque na medicina e na clinica.
Aqui está o exemplo do Linhares, cuja "conversão" exigiu-me bastante paciência a perseverança. De princípio houve relutância e dificuldade, pois era muito natural
que isso acontecesse para quem estava firmemente alicerçado em conhecimentos antes elaborados.
Clínico, lidando com bebês e passando da 1ª infância até a puberdade, lhe era exigida uma ação rápida e pronta no atendimento de suas perturbações de saúde. Achava,
então, que a simplicidade da homeopatia não iria lhe garantir a conquista de resultados desejados.
Mas isso não aconteceu.
Alguns anos de experiência e respostas positivas com a homeopatia lhe deram a convicção de uma conduta adequada. Hoje seus clientes raramente recebem a prescrição
alopática. Já se sente seguro e verificou que pode contar com resultados efetivos tomando a sua satisfação profissional muito maior.
Justificando a sua posição e a sua evolução está aqui para testemunho de todos n6s seu "HOMEOPATIA EM PEDIATRIA".
É uma exposição real de sua experiência nas principais patologias das perturbações infantis, que será, certamente, de grande utilidade para os novos colegas dessa
especialidade. A sinceridade com que aponta as várias prescrições para as diversas patologias é uma característica original de seu trabalho, apresentado numa leitura
simples, sem abordar temas polêmicos e sem passar pelas tediosas explanações filosóficas.

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Todos nós vamos aproveitar bastante a sua experiência que, sem dúvida, há de despertar nos, principiantes o desejo de conhecer e se apossar desse tesouro de irrefutável
valor, que é a terapêutica homeopática.
Ainda bem, a graças a Deus, que os fatos da história se repetem.
É um novo valor que desponta nos meios médicos homeopáticos.
Dr. Alfredo Castro,
Ex-Presidente da
Ass. Paulista de Homeopatia

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ESCLARECIMENTO
O presente livro representa a ampliação de um trabalho que apresentei ao XIV Congresso Brasileiro de Homeopatia, em 1978. O trabalho intitulava-se "ABC da Homeopatia";
foi editado por duas vezes em forma de livreto e contribuiu para que muitos estudantes e médicos tivessem uma informação sintética e simples da Homeopatia. Vários
deles nos escreveram e frequentaram o Curso de Especialização em Homeopatia da Associação Paulista de Homeopatia, ou de outras entidades. Sua utilidade foi reconhecida,
entre outros, por Roberto Costa, que o transcreveu nas páginas iniciais de seu excelente livro "Homeopatia Atualizada" - Ed. Vozes - 2á edição - Petr6polis - 1984.
Nada mais 1ogico, portanto, que ele preencha a 1ª parte da atual obra, com as devidas alterações ditadas pela expansão da Homeopatia.
Por outro lado, os dez anos que se seguiram a sua publicação, intensamente vividos no ensino e na clínica homeopática em pediatria, reforçaram em mim a idéia inicial
de que a homeopatia é simples e eficiente, não sendo privilégio dos gênios.
Se, por tantos anos foi e ainda é praticada com êxito por leigos, não há razão para que médicos, com um mínimo de bom senso, não possam exercê-la com resultados
ainda melhores.
Observo, porém, que a influência de alguns autores argentinos e mexicanos, vem contagiando colegas brasileiros com suposições e teorias vazias de conteúdo, não
experimentais e distantes da realidade do consult6rio ou do ambulat6rio. Em resumo, estão "complicando" a homeopatia desnecessariamente e com enfoques dificilmente
aceitáveis pela medicina acadêmica.
É fatal, que a persistir tal influência, ocorrerá no Brasil o mesmo que ocorreu nos Estados Unidos: a morte da homeopatia.
Considerando o desenvolvimento e aceitação que aqui foram conseguidos, à custa do trabalho insano e da competência dos que nos precederam, é um pecado permitir
que isso aconteça.
Para evitá-lo, escrevi este livro.

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Ele ensina com a maior simplicidade, como atender eficientemente, algumas das ocorrências mais comuns em Pediatria. Ensina o "feijão com arroz". Você terá êxito
em 80% dos casos, mesmo não sendo psicanalista, desconhecendo mitologia, cabala, espiritismo, astrologia etc. Desejamos desmistificar a homeopatia, e dar a você,
coragem para estudá-la e pô-la em prática, sem receio de agravações, metástases mórbidas, ou interferência "nos mais altos fins da existência!"
Sem esquecer que é médico, sem se empolgar com o sucesso, sem abater-se pelo fracasso, sem desprezar o bom senso clínico.

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1ª PARTE
"ABC DA HOMEOPATIA"
MOTIVAÇÃO

Para felicidade do povo brasileiro, doente ou sadio, vivemos no Brasil o que o Prof. Alfredo E. Vervloet - (RJ) chamou de "explosão da Homeopatia".
Um "estilhaço" dessa explosão é o fato de que o 1° Encontro de Estudantes interessados no Estudo da Homeopatia, tenha reunido em abril de 1977, no Rio de Janeiro,
217 acadêmicos. Um pouco depois, em novembro do mesmo ano, em Juiz de Fora, realizou-se o II° Encontro, agora com a presença de 422.
Convites para palestras ou cursos, partindo de Diretórios Acadêmicos ou cátedras de Faculdades, estão se avolumando. Pacientes, em número cada vez maior, sentam-se
diante do homeopata e declaram, antes de qualquer coisa: agora só quero Homeopatia!"
Como atender essa demanda? Formando novos homeopatas. Assim percebeu, há alguns, o Dr. Alfredo Castro, que é hoje responsável pela iniciação de quase 30 novos
homeopatas em São Paulo. Esses colegas estão prosseguindo o trabalho de formação de homeopatas, em um Curso Permanente que a Associação Paulista de Homeopatia realiza
todos os anos, com a duração de 20 meses.
Todavia, nem todos os interessados poderão frequentá-lo. Dificuldades diversas impedirão que médicos ou estudantes, sequer conheçam a Homeopatia. É para estes
que escrevi esta "cartilha", este ABC...
Não pretendo que venha a formar homeopatas. Pretendo sim, que lhes dê uma idéia do que é a Homeopatia, que lhes desperte a curiosidade e que lhes permita formar
um juízo pessoal, despido de todas as crendices e tolices que os que nada leram a respeito, pensam ou dizem sobre a Homeopatia. Atrevi-me a fazê-lo, não porque tenha
profundos conhecimentos, mas porque é simples ensinar Homeopatia... Vejamos.

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I - BASES
O edifício da Homeopatia está assentado em 4 pilares:
a) experiência no homem são
b) lei dos semelhantes c)
c) doses mínimas
d) medicamento único

EDIFICIO HOMEOPATIA
4 PILARES
1. Experiência no homem são
2. Lei dos semelhantes
3. Doses mínimas
4. Medicamento único

CONCEITOS FUNDAMENTAIS
U.S.M. - Unidade do ser humano
M.D. - Medicamento dinamizado
D.E.D. - Doentes e doenças
E:V. - Energia vital
E.X. - Exonerações
M.I. - Miasmas

OUTROS CONCEITOS
"Abra" as janelas
(Estude)

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1 - EXPERIÊNCIA NO HOMEM SÃO
a) Experiência no homem são? - É claro! De que outro modo V. poderia conhecer a verdadeira ação de uma droga sobre o ser humano? Experimentando-a nos doentes?
Nesse caso V. não poderá estar seguro do que se deve à droga, à doença ou aos dois. Experimentando em animais? Com todo o carinho que me merecem, por favor, não
me compare...
Hahnemann (depois lhe apresento...) começou experimentando em si mesmo. Primeiro experimentou a quinquina (China officinalis) e verificou que, enquanto a tomava,
sentia uma série de sintomas "semelhantes" àqueles da febre intermitente. Ora, a China off. (quinquina) oferecia útimos resultados no tratamento da referida febre.
Raciocinou então: Não será esse efeito devido ao fato de provocar uma sintomatologia "semelhante" no homem são?
Experimentou o enxofre (sulphur) e verificou que produzia uma erupção cutânea "semelhante" àquela que era capaz de curar. Com o mesmo espírito de observação, experimentou
, a Belladonna, o Mercúrio, a Ipecacuanha (Ipeca), a Digitalis... confirmando sempre seu raciocínio inicial.
Estes experimentos possibilitaram a aplicação prática da:

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2 - LEI DOS SEMELHANTES
1º PATOGENESIA 2º SINTOMATOLOGIA
b) Lei dos semelhantes, isto é, o quadro sintomatológico apresentado por um paciente, é curado pela substância que, experimentada no homem são, l
lhe produziu quadro sintomatológico "semelhante".
Esta lei está expressa na frase "similia similibus curentur", enunciada inicialmente por Hypócrates. Foi tida como válida também por Paracelso. Muitos outros cientistas
já admitiram, antes de Hahnemann. Este último, porém, sempre se indagou por que o Criador haveria de permitir que houvesse tantas doenças, sem que ao mesmo tempo
deixasse ao alcance do homem - sua obra favorita recursos naturais para curá-las? Seu gênio sempre esteve atento na busca desses recursos que "deveriam existir".
E quando realizou a primeira experiência em si mesmo, sentiu que a resposta fora encontrada, e que era bem simples. Testou-a centenas de vezes. Submeteu-a aos seus
amigos e colaboradores. E os resultados têm confirmado o acerto e a invariabilidade dessa lei. Coube a Hahnemann a g1ória de por ao alcance da Medicina esta lei.
Sua simplicidade porém, é talvez um obstáculo a sua aceitação: o homem gosta de complicar as coisas...

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3 - DOSES MÍNIMAS
c) Doses mínimas - Ao transportar para a prática clínica os conhecimentos "a" e "b", Hahnemann (V. não perde por esperar) verificou que, nas doses habituais,
algumas vezes a ação da droga agravava muito o enfermo e passou a diminuí-las. Com espanto observou que tanto mais diluída maior era a ação curativa e menores as
agravações. Se Hahnemann espantou-se, imagino V. ! Como acreditar que uma diluição em que o soluto ultrapassou o n° de Avogadro, possa ter efeito medicamentoso?
Só experimentando... Não usarei nenhum argumento relativo aos infinitamente pequenos, tais como virus, eletrons, radiações etc... que V. aceita.
Cabe no entanto perguntar àqueles que duvidam da ação de um medicamento em diluição elevada: V. já leu algum relato de pessoas alérgicas a rosa, que sofrem uma
crise de asma ou rinite, quando entram em um recinto com 20m2 por 3m de altura onde existe uma rosa? Em que "diluição" estaria esse perfume?
Realmente, só experimentando...

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4- MEDICAMENTO ÚNICO
1ª Consulta - 2ª Consulta - Fez bem ou agravou
d) Medicamento único - Este é o grande ideal do homeopata. Encontrar um só medicamento que tenha provocado no homem são, o máximo de sintomas apresentados pelo
paciente que tem diante de si. Os homeopatas que o conseguem, chegaram ao "final da carreira". São chamados "unicistas".
Boa parte fica em dúvida entre 2 ou 3 medicamentos e os indicam ao paciente, para que os tome alternadamente. São os. "alternistas". Se a melhora ocorrer, a qual
deles V. atribuiria o êxito? Tente sempre, portanto, chegar ao máximo, em tempo mínimo.
Existem também, no mercado, para automedicação, remédios homeopáticos chamados "complexos", constituídos por 2 a 4 medicamentos de ação predominante sobre determinadas
entidades mórbidas. Geralmente não são receitados pelo médico, embora o público faça uso deles, gabando suas virtudes. V. entendeu bem quais são as bases da Homeopatia?
Não lhe parecem lógicas?

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Se V. não entendeu, vamos deixar os livros em paz e vamos falar em termos de "cartilha": imaginemos que conhece muito bem uma pessoa; "por dentro e por fora" (experiência
no homem são). V. é capaz de descrever os seus caracteres físicos, psíquicos e morais (seus "sintomas"). Por exemplo: Napoleão Bonaparte. Mandão, detestava ser contrariado,
liderança incontestável, ambicioso, ajustava as leis à sua vontade... Fisicamente, foi bem divulgado. Está na sua memória...
É claro que se apresentarem a V. um sósia de Napoleão (paciente com "sintomas" semelhantes), V. logo se lembrará dele (medicamento homeopático). Todavia, essa
condição de sósia, tem que ser a mais completa possível. Não somente física. Quanto maior for a "semelhança" entre a pessoa que V. conhece bem (medicamento homeopático)
e o paciente que tem diante de V. (sósia com os "sintomas semelhantes"), maior o seu êxito terapêutico.

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II - HISTÓRIA
A Homeopatia existe há 190 anos, e sempre que corretamente aplicada, oferece resultados uniformes. Ela tem, portanto, uma tradição. Não é volúvel, não dança conforme
a música, não é uma "onda".
Nosso receituário não varia de 3 em 3 meses, acompanhando as bonitas e convincentes literaturas e pesquisas dos grandes laborat6rios multinacionais. Nem por isso
ignoramos o progresso tecno16gico ou as conquistas da Medicina.
Foi fundada por um médico alemão, chamado Samuel Hahnemann. Esse nosso colega, de ótima clínica e reputação, desiludiu-se antes que nós, com as agressões e ineficácia
da terapêutica clássica. Fechou seu consult6rio e foi viver de traduções, chegando a conhecer a miséria.
Era profundamente culto. Desde os 12 anos de idade falava e ensinava grego e latim. Aos 24 anos, quando formou-se em Medicina, já acrescentara a esses idiomas
o inglês, o árabe o hebraico, o sírio, o italiano e o espanhol. V. acha que esse homem poderia ser considerado um ignorante?
Em 1790, quando traduzia um livro de William Cullen, discordou da explicação referente ao êxito da quinquina (China off.) no tratamento da malária. Resolveu tomá-la
e observar o que aconteceria... Daqui por diante V. já conhece a hist6ria.
Mas convém conhecer os detalhes. Existem "capítulos" eletrizantes e principalmente edificantes, dessa novela que ainda não chegou ao fim, e onde V. poderá vir
a ser um personagem importante.
Hahnemann nasceu em Meissen, na Saxonia, em 10.04.1755 e morreu em Paris em 02.07.1843, depois de readquirir excelente clientela e respeito a sua doutrina. Muito
do que se apresenta hoje como novidade e progresso, já fora escrito por Hahnemann em 1796 - os conceitos relativos à psicossomática por exemplo.

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III - CONCEITOS FUNDAMENTAIS
A leitura do "Organon" (Bíblia dos homeopatas), escrito por Hahnemann, põe em destaque uma série de conceitos surpreendentes para a época, e de grande aplicabilidade
prática.
Nesta "cartilha" vamos focalizar apenas alguns, cumprindo a V. o aprofundamento de seu estudo. Observe quantos deles são hoje aceitos pela escola clássica, sem
"dar a mão à palmatória".
ORGANON

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a)Unidade do ser humano - Cada indivíduo é um todo moral, físico e psíquico, em que as diferentes "partes" estão intimamente relacionadas, em uma interação permanente
entre si, com o meio e com os outros indivíduos. Não seria portanto correto tratar o estômago do sr. Fulano. Devemos tratar o sr. Fulano como um todo para que seu
estômago vote à normalidade. Basicamente, pois, não existem doenças locais ou de aparelhos. Existem, sim, indivíduos doentes, com manifestações 1ocais ou de aparelhos.
É preciso tratar o "todo" para que nenhuma "parte" adoeça.
b)Há doentes e doenças - A homeopatia sempre achou muito importante "individualizar" o doente, dando-lhe uma importância maior que à doença propriamente.
Para n6s, interessa muito mais "quem" tem a doença do que "qual" é a doença. Daí a crendice de que o homeopata não examina nem faz diagn6stico. N6s o fazemos na
medida em que isto seja possível e nos esforçamos para chegar a esse objetivo. Todavia, se não conseguimos, não estamos impedidos de tratar e curar nosso paciente.
O que realmente precisamos é de conhecer o mais detalhadamente possível "quem" está apresentando uma pneumonia, por exemplo.
Há pneumonias que curamos com Lycopodium, outras com Phosphorus, outras com Bryonia alba... A doença é a mesma, porém os "doentes" são diferentes. E são "os doentes",
segundo suas peculiaridades, que permitirão ao homeopata, decidir-se por um ou outro medicamento.
A medicina moderna, em uma reviravolta desnorteada, vem apregoando que "não existem doenças, mas sim doentes". Desejam agora, enfatizar o valor das variações individuais,
a importância de "quem" tem a doença. Estão começando a trilhar o caminho certo. Mas é um êrro negar a existência das doenças. É um extremismo ignorar quadros mórbidos
perfeitamente estabelecidos, de sintomatologia e etiologia constantes, como o sarampo por exemplo. O sarampo é uma doença. Se V. chegar a ser homeopata, portanto,
deverá aceitar que existem "doentes" e "doenças".

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E sua maior e mais gratificante tarefa é identificar "quem" tem a doença.
c) Energia vital - O ser humano em estado de saúde, mantêm uma homeostase maravilhosa entre seus diferentes órgãos, funções e com o meio. Atribuimos essa homeostase
ou essa hanronia, a uma determinada energia ou força, que chamamos Energia Vital.
Verdadeiro "regente" da "orquestra" de nossa vida, ela é' responsável pela harmonia entre os diversos "instrumentos".
Note bem: é um conceito. Nunca a vimos, pegamos ou fotografamos (seria o "efeito Kirlian"?). Desconhecemos sua cede. Admitimos que os agentes agressivos de qualquer
natureza (que eu chamo "nóxios") atuam sobre essa Energia Vital desequilibrando-a, desnorteando-a. Então surge o "descompresso" da orquestra - a doença.
Que é a doença para nós? É a exteriorização ou a manifestação através de sintomas, do esforço que a Energia Vital está realizando para "voltar ao compasso", voltar
à saúde. Os sintomas representam, portanto, a tentativa natural do organismo de defender-se, de recolocar as coisas em seu lugar, de "por a casa em ordem". Por esta
razão, exceto quando muito incômodos, ou quando ponham em risco a vida do paciente, não devem ser antagonizados. A febre, por exemplo, é um mecanismo natural de
esterilização. Sabemos que diversos microorganismos morrem à temperatura de 38,5 graus.
As curas são possíveis, somente graças a uma reação da Energia Vital. Os medicamentos homeopáticos estimulam essa reação.
d) Exonerações - Entre os muito mecanismos de que a Energia Vital lança mão, para conseguir restabelecer a hormeostase geral, estão as exonerações. Trata-se de
sintomas que o raciocínio mais elementar, diria que não devem ser contrariados. Por exemplo as secreções nasais ou brônquicas, a tosse e até algumas hemorragias.
Quantas vezes, impedida a tosse expectorante, sobrevem a pneumonia? Quantas vezes,

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suprimida uma epistaxe, surge um A.V.C? Quanto casos de eczema V. conhece, que ao "desaparecer" dão origem a uma bronquite asmática? Por isto procuramos não suprimir
estas exonerações, repetimos, até onde não haja risco para o paciente. É muito importante não contrariar a natureza, pois ela é, em geral, mais sábia que todos nós.
V. irá atender pacientes que, após um abuso alimentar ou ingestão de comida deteriorada, apresentam intensa cefaléa, febre alta, dores abdominais, mal estar geral
e náuseas e vômitos. Algumas horas depois, surge uma diarréia intensa. Melhora a cefaléa, cai a temperatura, aliviam-se as dores. Acha que deveremos arrolhá-los?
Ou simplesmente repor suas perdas hiodroeletrolfticas?
Na maioria dos casos, qual é a conduta "moderna"?
Observe como diminuiu o receituário de anti-diarréicos, principalmente contendo antibióticos.
e) Medicamento dinamizado - Nossos medicamentos não são simples diluições de uma substância ao infinito.
Cada vez que o medicamento é diluído, é "sucussionado", é agitado... Acreditamos que esse processo (tão simples) "desperta" uma energia medicamentosa latente em
cada substância. "Dinamiza-a". "Liberta" uma energia que de outra forma não manifestaria. Existem provas disso? Sim! Lycopodium (vegetal), Silícea
(mineral), são absolutamente inertes quando apenas diluídos. Todavia, quando "dinamizados" tornam-se potentes medicamentos. Além disso, quanto mais diluído e quanto
mais "dinamizado" um medicamento, tanto maior sua "potência", seu poder curativo.
Nossos medicamentos tem origem nos três reinos da natureza: vegetal, mineral a animal. Alguns, os que nunca saíram de moda, também usados na Alopatia: Ipeca, Digitalis,
Papaverina, Belladonna, Ferrum, Calcium... Sua nomenclatura é latina, para que seja universal. A preparação dos medicamentos é feita principalmente em 2 escalas:
decimal e centesimal.
Na escala decimal, diluímos uma parte da substância básica, ou de sua tintura mãe (aprofundando-se V. saberá o que é) em 9 partes de um veículo e agitamos ("sucussionamos")
100 vezes.

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Está pronta a 1 X ou 1 D, ou seja, primeira dinamização decimal ou primeira potência decimal.
Se diluírmos uma parte de 1 D em 9 partes do mesmo veículo e sucussionarmos 100 vezes, estará pronta a 2 D e assim sucessivamente. Mais freqüentemente, no Brasil,
utilizamos a escala proposta por Hahnemann, a centesimal. Nessa escala tudo se passa da mesma forma, porém com a seguinte alteração: a diluição é feita em 99 partes
de veículo. Escrevemos 1 C, Cl ou apenas l.a, e lemos primeira dinamização centesimal ou primeira potência centesimal.
Obs.: - Sempre que passamos de uma diluição à seguinte, usamos um novo frasco.
e) As dinamizações ou potências mais receitadas são a 3.a, 6.a, 12.a, 30.a, 200.a e M (centesimais). O medicamento homeopático age, na maioria das vezes, como
estímulo da Energia Vital, por especificidade, não pela massa. Por isto as doses são infinitesimais. Sua ação é dinâmica, energética, não substancial.
E as "bolinhas"? As bolinhas são glóbulos de sacarose inerte, embebidos com uma dessas diluições.
f) Miasmas ou "terreno" - Este conceito é muito difícil de abordar em um ABC. Corresponderia a um XYZ.
Sumariamente poderia adiantar que se refere a "predisposições mórbidas" ou suscetibilidades que os indivíduos têm para contrair determinadas doenças. Costumamos
dizer que não tem artrite, por exemplo, quem quer e sim quem pode.
Hahnemann descreveu três miasmas: psora, sycose e syphilis. Equivaleria cada um a uma diátese, a um "terreno", ou a uma tendência. Essas tendências ou esses "miasmas",
são principalmente herdados, embora também, influenciáveis pelo meio. Essa divisão dos indivíduos é apenas didática, podendo se encontrar em um só ser, 2 ou 3 miasmas.
Os autores modernos acrescentaram mais dois miasmas: tuberculinico e cancerínico. Qualquer que seja o nome que se queira dar, é inegável sua existência, e a Homeopatia
faz uso prático desse conhecimento.


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IV - LIMITAÇÕES
Convém aqui distinguir as limitações do homeopata, e as da pr6pria Homeopatia. Do mesmo modo que em qualquer profissão ou especialidade, há os mais hábeis e os
- menos hábeis. Os iniciantes sentirão dificuldades e limitações, que os "coroas" resolverão facilmente. Mas a Homeopatia tem, sem dúvida, suas limitações. E é muito
bom que V. saiba disso. Não pense que ela pode 'solucionar toda a patologia humana. Por seus fundamentos 16gicos, racionais, experimentais, e naturais, ela deve
ser uma preferência, jamais um dogma.
Todavia, diante de grandes traumatismos, fraturas, corpos estranhos, obstruções mecânicas, graves intoxicações ou envenenamentos, asfixias, hemorragias maciças
ou de órgãos vitais, ou patologias realmente cirúrgicas, o homeopata não hesitará em encaminhar seu paciente a quem lhe possa oferecer o socorro de que necessita.
Do mesmo modo, em qualquer situação em que haja risco de vida, seja qual for o motivo.
Vale porém ressaltar que a Homeopatia pode ser útil em qualquer especialidade, pode evitar uma série de cirurgias inúteis (amigdalites recidivantes por exemplo),
pode beneficiar o pré e pds-operatório, acelerando a consolidação de fraturas, encurtar o tratamento ou, até dispensar a psicoterapia e levar seu paciente à cura
sem os riscos de efeitos colaterais.
Hahnemann (agora seu conhecido), escreveu que "na arte de curar, salvadora da vida, deixar de aprender é crime". Isto se aplica a todos os médicos. Estou tentando
ajudar V. a aprender Homeopatia a vou lhe dar mais algumas pistas.

V - LIVROS
a) Organon - De Hahnemann, 6ª edição em português - de leitura obrigat6ria para que V. se aprofunde nos conceitos e

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chegue à conclusão de que seu autor foi um gênio, um idealista, um sábio que anteviu a verdadeira arte de curar.
b) Matéria Médica - É um livro onde estão descritos, em ordem alfabética, os principais medicamentos experimentados, os sintomas que são capazes de despertar
no homem são, e conseqüentemente de curar (conforme a lei dos semelhantes), quando se apresentarem em seu paciente.
Uma definição que V. deve aprender: chamamos patogenesia de um medicamento, àquele conjunto de sintomas que provocou ao ser administrado no homem são: A patogenesia
é, portanto, o "retrato" de um medicamento. E a Matéria Médica é um
"álbum de retratos", um "álbum de fotografias". De tanto folheá-lo, V. acabará guardando na memória a "fisionomia" de vários medicamentos. Um dia V. vai ter a sua
frente, um doente queixando-se de vários sintomas. Ao final do interrogatório e dos exames sua memória dirá: "eu conheço esse sujeito de algum lugar..." Volte ao
"álbum de fotografias" e veja qual a "foto" (patogenesia) que lhe é "mais semelhante". De repente, V. gritará como Arquimedes. Eureka! É este aqui mesmo! É o Nux
vômica! (chamamos o paciente pelo nome do medicamento que lhe é semelhante). Se V. o identificou, esteja certo, ele se curará (se for curável).
Sugiro, para iniciantes, a Matéria Médica de Vannier, em espanhol.
Matéria Médica

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c) Repertório - De Kent-Eizayaga. Este livro é em espanhol. O autor, James Tyler Kent, levou 35 anos para organizá-lo. Por aí V. já vê que Homeopatia não
é feitiçaria... Costuma-se dizer que o Repertório é a Matéria Médica invertida. Na primeira, V. tem a relação dos medicamentos e os sintomas que produziram. No segundo,
V. tem uma relação de sintomas seguidos dos medicamentos que os produziram. Na minha linguagem mais simples, primária mesmo, eu diria que o repertório é um "quebra-cabeça"
composto com as "fotografias" recortadas daquele "álbum" que nós chamamos de Matéria-Médica.
O Repertório seria uma espécie de "Identi-Kit" - aquela caixinha contendo as características fisionômicas dos indivíduos, por partes, com a qual a polícia monta
o "retrato falado" do indivíduo que pretende identificar.
Essa "caixinha", se V. não sabe, contém diversos "modelos" de caracteres faciais, que permite várias composições. Por exemplo: modelos de nariz (chato, grosso,
fino...), de olhos (rasgados, pequenos, grandes...), testa (larga, estreita, enrugada...), boca (grandes, pequenas...) etc... Para "compor" um "retrato falado",
o técnico vai fazendo diversas combinações possíveis, obedecendo à descrição dos informantes, até que estes "reconheçam" no retrato composto, a figura procurada.
O Repertório contém praticamente todos os sintomas que V. possa imaginar.
E até alguns com os quais V. jamais sonhou. Juntando os sintomas observados por V. ou relatados pelo paciente, V. também poderá, como a polícia, "compor" um "retrato
falado" e "identificar" o medicamento procurado. Supondo que tenha entendido esta figuração "primária", e antes que vá ao Repertório (que é para "nível universitário"),
leia atentamente o seguinte:
d) Técnica Repertorial - De Hui Bon Hoa - traduzido e melhorado por Rezende
Filho. E Repertório e Repertorização, pelo último autor citado. Aqui V. terá uma espécie de "cursinho" para poder finalmente "quebrar a cabeça" com o Repertório.
e) Biografia - Procure conhecer a de Cristiano Frederico SAMUEL HAHNEMANN. Vale a pena. É muito atual: a luta de um homem contra o "sistema".

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REPERTÓRIO

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VI - CURSOS E APRENDIZADO
Se consegui abrir seus olhos; se pode obrigar V. a fazer algumas perguntas que ficaram sem resposta; se, por exemplo, V. achou estranho que as Faculdades não digam
uma palavra sobre a Homeopatia; se não deseja ser mais um colega que trata os familiares com Homeopatia, mas não a estuda e não a utiliza em seus pacientes; se V.
enfim aprendeu o ABC da Homeopatia e gostaria de conhecer todo o seu alfabeto, procure frequentar um Curso de Homeopatia. Serve este?
1) Associação Paulista de Homeopatia Rua Dr. Diogo de Faria, 839 - São Paulo Duração: 20 meses - início em fevereiro
Ou este?
2) Departamento de Estudos Homeopáticos Centro de Ciências da Saúde UNIRIO Rua Frei Caneca, 94 - Rio de Janeiro Detalhes no local
Ou
3) Ass. Médica Homeopática do Paraná R. Dr. Keller, 265 Curitiba
4) Inst. Homeopático François Lamasson R. Campos Sales, 1.693 CEP 14015 - Rib. Preto - S. Paulo Tel.: 636-9817
5) I.B.P.E.H. - Tel. 262-4482 - S. Paulo

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Agora que fiz minha parte, ensinando facilmente o ABC da Homeopatia, vem a sua parte: aprender e praticar.
Esta é um pouco mais difícil. Mas como depende de V., eu confio em que será capaz. Vou adiantar os requisitos necessários:
1 - Estudo constante da Matéria Medica, para recordar num instante as "fisionomias" mais em evidência.
2 - Estudo constante do Repertório, para "recompor" essas "fisionomias" quando vieram "por partes".
3 - Boa memória - óbvio.
4 - Paciência, para colher todos os dados necessários à identificação que busca. A pressa poderá levar V. a encontrar um "parecido", em lugar do "mais semelhante".
5 - Empatia (Cordialidade) - O homeopata é comumente procurado por sofredores desesperados ou desiludidos, em tratamento há longos anos, exigindo de V. muita simpatia,
compreensão, tolerância e apoio.
6 - Observação apurada - Principalmente para alguns sintomas, nem mencionados nos livros clássicos e que podem auxiliar muito na identificação do medicamento.
7 - Saber ouvir, saber perguntar - Muita coisa que o doente refere, não têm o
menor valor prático para o médico clássico. Para o homeopata pode ser decisivo. Ao interrogar, não fazê-lo de forma a obter respostas "telegráficas".
8 - Saber valorizar os sintomas - Somente nos cursos e na prática V. aprenderá.
9 - Admitir suas limitações e as da Homeopatia - O homeopata não deve sentir-se um Deus, apenas porque é capaz de curar alguns pacientes que estavam no
fim da "via sacra". É muito comum a pergunta: vocês têm alguma coisa para curar o câncer?
10 - Conhecer, estudar e aplicar todos os conhecimentos médicos benéficos ao bem estar ou à garantia de vida dos seus pacientes.

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VII - TESTEMUNHO
Penso haver deixado bem claro que em Homeopatia, precisamos "individualizar", isto é, analisar, "quem" tem a doença e, se possível "qual" a doença, para melhor
agirmos.
Existem, todavia, condições mórbidas, em que a sintomatologia é muito uniforme em diferentes doentes, e que permitem medicá-los com o mesmo medicamento. São situações
que, a meu ver, se prestam a satisfazer a pergunta matemática que os alopatas nos fazem: o que é que vocês dão nos casos de...? A resposta, também matemática, e
muito desanimadora é: depende de "quem" é o doente. Temos vários medicamentos que poderiam servir...
Fui um desses alopatas. "Vivi o drama"... Convivo com homeopatas há 20 anos a só ha 14 resolvi "entregar-me". E entreguei-me porque experimentei. Acho, portanto,
que revelar essas situações em que V. pode, com boa porcentagem de acerto, receitar o medicamento homeopático, é um serviço à Homeopatia e aos pacientes. Reconheço
que esse procedimento é "entrar para a Homeopatia pela porta dos fundos". Mas se você entrar, irá até os mais íntimos aposentos...
Por isso convido V. a experimentar, em pelo menos 5 casos, o seguinte:
1 - Amigdalites agudas: Mercurius sol. C 6
4 glóbulos, de 2 em 2 horas por 2 dias, e de 4 em 4 horas mais 2 dias.
2 - Escarlatina: Belladonna C6
4 g1óbulos de 2 em 2 horas, por 2 dias, de 4 em 4 horas mais 4 dias e 3 vezes por dia até o 10° din. Sem antibiótico.
3 - Distúrbios da menopausa, especialmente ondas de calor:
Lachesis C 30 - 2 tabletes, 3 vezes por dia. Sem hormônios.
4 - Alcoolismo: Sulfuris acidum C 30 - Um tablete por dia, ao lado de eventual psicoterapia. Mudança ambiental.
5 - Criança "nervosa", birrenta, insone (sem patologia evidente): Chamomilla C 30 - 4 gotas pela manhã e Nux vômica C 30 - 4 gotas à noite. Redução ou retirada
progressiva em 15 dias.

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Repito: o ideal é a individualização de cada caso que V. só poderá atingir com estuda e prática. Pode começar...
Se falhar culpe a mim, ou a V. Jamais à Homeopatia.

VIII - RESUMO E CONCLUSÕES
1 - O autor prevê de início a necessidade urgente de um maior número de homeopatas.
2 - Considera fácil ensinar Homeopatia, e se propõe a fazê-lo com simplicidade, lançando mão de figurações e linguagem acessível a qualquer principiante.
3 - Discorre superficialmente sobre seus princípios básicos, sua história e conceitos fundamentais.
4 - Aborda suas limitações e os livros destinados ao aprendizado mínimo, informando ainda as entidades que oferecem cursos completos.
5 - Considera mais difícil o aprendizado e a prática, comentando os requisitos que o aluno deve possuir.
6 - Presta finalmente um testemunho de seu caso, sugerindo indicações clínicas destinadas à experimentação pelos incrédulos.

IX - OBRAS CONSULTADAS
1 - Boerick, Garth - Princípios da Homeopatia para estudantes de medicina - Editorial Homeopática Brasileira - S. Paulo 1967.
2 - Charette, G. Que é a Homeopatia?
3 - Duprat, H. - A Teoria e a Técnica da Homeopatia - Rio de Janeiro 1974.
4 - Eizayaga, F.X. - Tratado de Medicina Homeopática - Ediciones Merecel - B. Ayres - 1972.
5 - Galhardo, E.R. - Iniciação Homeopática. Tip. Henrique M. Sandersen - Rio de Janeiro - 1936.

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X - SUGESTÕES PARA LEITURA
1 - Homeopatia - Medicina de Base Experimental - Denis Demarque - Gráfica Olímpica Editora - Rio - 1973.
2 - Curso de Homeopatia - Margaret L. Tyler - Editorial Homeopática Brasileira - S. Paulo - 1965.

XI - PANORAMA INTERNACIONAL
Os relatos que temos ouvido ou lido, dão-nos conta de que os ventos sopram a favor da Homeopatia, em vários países. Assim, no México, existem duas faculdades,
onde o ensino da Homeopatia é obrigat6rio e seu emprego se faz em ambulat6rios e hospitais de clínicas.
Na Alemanha, segundo exposição do Dr. IIIing, 40% dos médicos receitam medicamentos homeopáticos, e só na Federação Central dos Médicos Homeopatas, estão inscritos
900 colegas. Existem sete outras sociedades regionais. O ensino é ministrado em cursos de duas semanas e frequentados por 20 a 100 médicos, conforme a época. Um
detalhe curioso é a obrigatoriedade imposta ao aluno de fazer em si mesmo uma experiência medicamentosa.
Na França existem cerca de 6.000 médicos homeopatas, grandes laborat6rios industriais e de pesquisa. Praticamente, todas as farmácias têm um setor destinado à
venda de produtos homeopáticos.
Na Áustria, segundo o prof. Matias Dorcsi, que nos visitou em agosto de 1977, a situação e proporção é muito semelhante à da Alemanha.
Na Inglaterra, existem aproximadamente 1.500 homeopatas, e a prática hospitalar é exercida livremente. A família real britânica sempre foi e continua sendo assistida
por famosos homeopatas.
A Índia realizou - em outubro de 1977 - o Congresso Internacional de Médicos Homeopatas. Nesse país, segundo colegas paulistas que lá estiveram, clinicam 10.000
homeopatas.

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Em virtude de circunstâncias locais, o exercício da Homeopatia é permitido ao pessoal para-médico, especialmente treinado, que totaliza 500.000 pessoas. A literatura
é muito desenvolvida e estimulada.
Nos países sul-americanos, o desenvolvimento da Homeopatia é uma realidade palpável. A Venezuela, por exemplo, realizou - em 1977 o seu primeiro Congresso.
A Argentina possui duas centenas de ilustres homeopatas. Sua Escola para Graduados proporciona cursos de altíssimo padrão. Existem em Buenos Aires 300 farmácias,
que vendem produtos homeopáticos.
Os países comunistas não fogem à regra, e na Rússia a Homeopatia é praticada por muitos médicos e aceita sem restrições.
E nos Estados Unidos? Que se saiba, o entusiasmo é bem menor que nos demais países. É difícil informar quantos homeopatas sobreviveram por lá. É curioso que os
dois maiores homeopatas, depois de Hahnemann, exerceram a Homeopatia na pátria de Lincoln: Constantino Hering e J. Tyler Kent. Graças a eles, a Homeopatia floresceu
vigorosamente até 1935, quando havia 8.000 homeopatas em atividade, 28 hospitais exclusivos, com 3.400 leitos, a Homeopatia era ensinada em oito faculdades de medicina.
Entrou a seguir em uma fase negativa, da qual nos parece ainda não haver se recuperado. Os motivos não nos parecem ser de ordem científica: acreditamos dever-se
ao fato de que a Homeopatia não é exportável.

XII - PANORAMA NACIONAL
Em nosso meio, após um período áureo, em que pontificaram homeopatas de extraordinário brilho (José E. Rodrigues Galhardo, Joaquim Murtinho, Alberto Seabra, Licínio
Cardoso... ) a Homeopatia sofreu estagnação paralela à dos Estados Unidos.
Seus herdeiros, embora também famosos e capazes, não fizeram

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discípulos. Talvez porque os ventos "do norte" fossem adversos, talvez por desânimo frente aos grandes obstáculos. Acontece que a cultura médica brasileira, antes
muito influenciada pelos europeus, passou a espelhar-se no modelo americano.
As circunstâncias porém mudaram. Médicos e pacientes, mesmo sem grande esforço, começaram a verificar que as verdades americanas eram de curta duração. Que as
"maravilhas" da indústria farmacêutica nem sempre correspondiam aos eloqüentes gráficos e estatísticas que as acompanhavam. E que ao lado de efeitos desejados, estavam
efeitos colaterais nocivos, muitas vezes não referidos na bibliografia.
Estas e outras razões, inclusive a "volta ao naturalismo", resultaram no ressurgimento da Homeopatia, também entre nós. De um total de meia centena de homeopatas,
há 5 anos, somos hoje quase 3 centenas (1978) e 2 mil em 1988.
O interesse pelo estudo da Homeopatia, por parte dos alopatas, cresce em progressão geométrica.
Estão em atividade, grupos de estudos em várias cidades do Brasil: Curitiba, Londrina, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Maceió, Belém, Salvador, Recife, Campinas,
São José dos Campos, Ribeirão Preto...
Por fim, meu caro leitor, reproduzo, para meu orgulho e para que você não hesite mais, a seguinte notícia:
A Homeopatia, sob o título de "Farmacologia e Terapêutica Homeopáticas", foi incluída na relação de especialidades médicas da Associação Médica Brasileira (AMB).
V. Jamb. 981, e reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução 1.000/80).
Atualmente (1988) é aceita pelo INAMPS e pelas Secretarias de Saúde de vários estados, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro.

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2ª PARTE
PROPÓSITO
Facilitar o atendimento primário em consult6rios, ambulat6rios ou em grandes instituições, públicas ou privadas, sem se desviar da Lei dos Semelhantes, fazendo-o
porém de acordo com a realidade e não com a fantasia
A realidade mostrou ao autor, exercendo a Pediatria desde 1953, e a Homeopatia desde 1976, que:
1) a atenção primária em consult6rio ou em ambulat6rio de Pediatria, gira em torno de, mais ou menos, 15 ocorrências muito frequêntes e outras 35 um pouco menos
frequêntes. As síndromes de Fulano ou Beltrano, ou de grave risco, vemos apenas nos hospitais-escolas;
2) tais ocorrências, com grande vantagem para o paciente e para a instituição, podem ser perfeitamente tratadas pela Homeopatia;
3) a elas corresponde, obedecida a similitude, um número também restrito de medicamentos ( ± 60);
4) esta similitude, etio1ógica, geral, regional, local, e às vezes global, é suficiente para obter resultados que satisfazem ao médico e ao paciente;
5) é bem difícil, em Pediatria, a seleção correta dos sintomas mentais, não sendo porém impossível. Mas a modalização dos sintomas objetivos é um caminho muito
seguro para a individualização do paciente;
6) estabelecida ou não a patologia, e modalizados os sintomas indiscutíveis, de qualquer natureza, você pode fazer com a Homeopatia, em Pediatria, um bom Atendimento
Primário, sem absurdo dispêndio de tempo (± 1/2 hora) e com resultados muito confortadores;

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7) se você se "fixar" na busca do "similimum", errará muitas vezes e desperdiçará inúmeras oportunidades de beneficiar seu paciente. De acordo com minha
experiência, "o similar" não provoca supressões e é graças ao seu emprego que a Homeopatia resistiu por todos esses anos a todas as críticas e conceituou-se cada
vez mais entre os maiores interessados - os pacientes.

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"COMEÇO DE CONVERSA"

O Pediatra lida com um número restrito de patologias no seu dia-a-dia.
A tais patologias corresponde, pois, um número também restrito de medicamentos. Objeção imediata: "não tratamos doenças, mas sim doentes".
Teoricamente correto. Na prática, porém, querem os pais que livremos sua criança rapidamente dos sintomas que a afligem. Para consegui-lo, um dos diagnósticos
que o homeopata, como médico que é, deve fazer, é o diagnóstico clínico (cobrado inclusive pelos pais).
Além disso, o universo infantil é muito menor que o de um adulto e as crianças, embora diferentes entre sí, apresentam diferenças bem menores que os adultos. Admite-se
por exemplo que no. Brasil, 60% das crianças de consultório, abaixo de um ano, são Calcares carbônica Entre os medicamentos crônicos ocuparia pois, o 1° lugar:
Acresce ainda que modalizar os sintomas da Patologia, é individualizar. É buscar a aplicação da Lei dos Semelhantes. Vejamos um exemplo: é um caso de amigdalite
aguda. É purulenta ou não? Há hiperemia? É dolorosa? A dor irradia para o ouvido? Para a nuca? A instalação foi repentina? A febre é alta? Baba muito? Está prostrada?
Agitada? Tem sede? Há edemas?
Este breve exemplo mostra que nossa pretensão não é tratar uma amigdalite, mas sim a amigdalite daquela criança Ou seja, ao lado do diagnóstico clinico, valorizamos
"o paciente", a forma peculiar de padecer sua amigdalite, levando-nos à seleção do medicamento mais semelhante, entre aqueles mais consagrados pela prática no tratamento
das amigdalites. Aí está, para os principiantes, "o pulo do gato". A simplificação do que muitos "mestres" adoram complicar.
Quais são esses medicamentos? Belladona, Mercurius Sol. e Hepat sulfur,
nessa ordem. Mais raramente teremos Lachesís, Pulsatilla, Apis, Lycopodium ou alguns outros. Os primeiros citados, porém, resolverão 80% dos casos.

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Entramos em seguida na 2ª etapa. Porque tem amigdalites com freqüência? Como reduzir ou anular essa suscetibilidade? Dentro do possível, conforme a idade da criança,
os esclarecimentos que possamos obter, ou o comportamento que observamos, tentamos selecionar seu medicamento crônico. Aqui também a freqüência com que ocorrem é
diferente da dos adultos. Poderá ser qualquer dos_ policrestos, mas a incidência maior é de Calcarea carb., Lycopodiam, Sulfur e Pulsatilla Ao tratamento crônico,
costumo acrescentar o uso do nosódio Streptococcinum CH200, uma vez por semana, por 2 a 4 meses.
Em princípio, desde que haja semelhança com o nosso paciente qualquer medicamento pode ser usado para o tratamento de casos crônicos ou agudos. Todavia, para fins
práticos e didáticos organizamos uma relação dos medicamentos mais receitados em nossa clínica, distribuídos em 3 Grupos:
M.P.A. - Medicamentos preferencialmente agudos (35)
M.P.C. - Medicamentos preferencialmente crônicos (09)
M.V. - Medicamentos versáteis (16) - Os que ora usamos como crônicos, ora como agudos. Aqui incluímos os nosódios que mais receitamos.

M.P. A.
1) Aconitum nap. - Arsenicum alb. - Belladonna Hepar sulf Mercurius sol.
2) Antimonium tart. - Bryonia alb. - Drosera. rot. - Ipeca - Kalium carb.
3) Allium sat. - Allium cepa - Amonium carb. - Ferrum phosph. Gelsemium semp
- Kalium bich. - Sambucus nig. - Spongia tost.
4) Agraphis nut. - Apis well. - Arnica mont. - Chamomilla - Coccus cacti - Hydrastis can. - Mephites put. - Phytolacca dec.

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5) Aethusa cyn. - Borax ven. - Cantharis ves. - Capsicum an. Eupatorium perf. - Ignatia am. - Podophyllum pel. Mercurius corr. - Rhus tox.

M.P.C.
1) Calcarea carb.
2) Lycopodium - Sulfur
3) Natrum mur - Silicea
4) Calcarea phosph. - Lachesis - Phosphorus
5) Causticum

M.V.
1) Baryta carb. - Natrum sulf. - Pulsatilla
2) Streptococcinum - Thuya occ. - Tuberculinum
3) Medorrhinum - Nux vomica - Oscilococcinum
4) Calcarea sulf. - Dulcamara - Graphites
5) Colibacillinum - Staphysagria
6) Hyosciamus nig. - Stramonium
São portanto 60 medicamentos a cujo estudo você deve consagrar-se especialmente. O procedimento que adotei é estritamente pessoal e não exclui o enquadramento
de outros em qualquer grupo. Por exemplo: muitos usam Magnesium carb. Raramente, porém, eu o receito. O mesmo acontece com Sulfar iod., Calcarea iod. ou Sepia.
Vejamos agora as queixas ou diagnósticos mais freqüentes em um consultório ou ambulatório de Pediatria.

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A meu ver: amigdalites, anorexia, broncopneumonias, bronquite asmática, c61icas do bebê, diarréais, eczemas, estrófulo, febre, masturbação, obstrução nasal, otites,
prisão de ventre, resfriados comuns (coriza), tosse, verminoses a parasitores, vômitos.
A vigência de epidemias altera essa rotina. Menos frequêntes, mas de ocorrência obrigatória, surgem também: abscessos, anemias, assadura, brotoeja, cefaléias,
contusões, convulsões, crosta lactea, dentição, enurese, epistaxes, estomatites, insônia, intolerância alimentar, irritabilidade (birra, manha), laringites, moléstias
da infância, "olho de peixe", piodermite, regurgitação, rinites, sinusites, terçóis, terror noturno, timidez, tiques (cacoetes), torcicolo, urticária, vaginites
e verrugas.
Na experiência de autores (Eizayaga) mais vividos (40 anos de prática), muitas outras situações, de maior gravidade, podem ser tratadas com êxito pela homeopatia.
Penso que não deva tentá-lo fora do âmbito universitário, e enquanto não houver aval e consenso da medicina clássica a respeito.
Quando uma criança morre de meningite bacteriana no Hospital das Clínicas ou no Hospital Emílio Ribas (e morrem algumas), o fato é por todos lamentado, mas não
tem qualquer repercussão. Morrer sob tratamento clássico é normal. Morrer, porém, sob tratamento homeopático, seria inconcebível e imperdoável, ainda hoje. Sua reputação
e o prestígio da homeopatia, ficariam seriamente abalados.
Diante dessas ponderações, muitos alopatas e homeopatas costumam indagar. "Então a homeopatia só serve para tratar "doencinhas"? E eu lhes pergunto: o que é que
você vê no seu dia-a-dia de consult6rio e ambulat6rio? Por acaso são "doençonas"?
De minha parte, em 35 anos de clínica, dos quais 10 em ambulat6rio do INAMPS, depois de haver realizado mais de 100 mil consultas, só vi 2 casos de difteria, 1
de tétano, meningites (+ 20 na epidemia de 73), 2 de Legg-Perthes, 2 Tumores de Wilms, 2

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aucemias e uma ou outra síndrome de fulano ou beltrano, também é freqüênte ouvir dizer que essas "doencinhas" têm cura expontânea. Só que existem milhares de medicamentos
para tratá-las, receitados por milhares de médicos, provocando inclusive efeitos colaterais e custando preços absurdos. Cabe ainda indagar se quem as padece considera
que sejam "doencinhas".
Assim, se pudermos tratá-las com medicamentos suaves, atóxicos e accessíveis, não há razão para não fazê-lo.

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CONQUISTA E EDUCAÇÃO DOS PAIS
Para conquistá-los é imprescindível deixar claro que somos Pediatras, além de homeopatas. É preciso que vejam que sabemos fazer um exame físico, que palpamos,
que usamos estetosc6pio, que entendemos de puericultura, que medimos e pesamos, que sabemos informar sobre leite e outros alimentos, que internamos se necessário,
que conhecemos a utilidade do soro, do oxigênio, do sangue, da cirurgia, dos exames complementares e até antibióticos.
Já recebemos pacientes que abandonaram seus homeopatas por have-los encaminhado a "um Pediatra normal" e fim de lhes receitar um antibiótico.
Seja, portanto, capaz e compreensivo. Não "excomungue" seu paciente por haver dado umas gotas de Novalgina em um momento de aflição. Certas condutas profundamente
enraizadas, deverão ser corrigidas, passo a passo.
Discuta com eles, pacientemente, o desacerto de conceitos ou práticas habituais, como o pavor em relação à febre, a necessidade de vitaminas e fortificantes, o
tratamento de cada sintoma isoladamente (isto é para a febre, isto para a coriza, este é para a tosse e este para a dor de cabeça...).
Desperte-lhes a observação dos "detalhes" (modalização) dos sintomas. Assim, a coriza é aquosa ou espessa? Qual a cor? Assa ou não? Quando melhora? Cor da pele?
Transpiração? Sede? Isto facilitará muito, especialmente as consultas telefônicas (que serão milhares).
Além dessa disponibilidade telefônica, deve indicar um colega que o substitua, um P.S. homeopático e outro alopático para emergências cirúrgicas, traumáticas ou
de risco de vida imediato.

MAIS IMPORTANTE QUE CURAR É NÃO DEIXAR MORRER

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DIAGNÓSTICO DO MEDICAMENTO
O objetivo da consulta homeopática, também em Pediatria, é a seleção correta de um só medicamento, se possível, capaz de reequilibrar a energia vital do paciente.
Esta seleção está alicerçada em:
a) interrogatório;
b) observação;
c) conhecimento da Matéria Médica;
d) idem do Repertório;
e) idem de Patologia Pediátrica;
f) arte médica.

a) do interrogat6rio
Não existe um esquema especial para Pediatria. Os esquemas gerais, propostos por Hahnemann, Nash, Kent, Vannier, Zissu e Pierre Schmidt, estão condensados em livro
do Prof. David Castro, em português: "O Interrogatório do Doente". Cumpre lê-lo e selecionar o que for aplicável à Pediatria. Quase tudo refere-se a casos crônicos.
Em pediatria predominam os casos agudos. Daí uma primeira adaptação: dar prioridade à queixa clínica. Ou seja, mostrar interesse pelo que trouxe o doente à consulta.
Em seguida apurar os sintomas gerais, mentais (possíveis), regionais e locais, modalizando-os. O encontro de sintomas raros, peculiares, em qualquer categoria,
tem enorme valor. Ex.: espirros por pentear ou cortar o cabelo: Silicea (263-3 - único remédio). Esta criança terá por certo mais alguns sintomas de Silicea Mas
este sintoma peculiar facilitou o encontro de seu medicamento.
As perguntas devem ter caráter geral que impossibilitem o "sim"" ou "não". Ex.: como é sua sede? Como é seu sono? Nunca: tem muita sede? Dorme bem? As respostas
devem ser testadas no final da consulta.

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Exs.: Quer dizer então que ela não tem sede? (se isto fora dito). Isto mesmo, doutor. Não toma uma gota de água. Agora, se eu der chá, é capaz de tomar
a mamadeira toda... (resposta inicial) anulada.
Porque acha que é calorento?
Porque quando joga muita bola ou corre muito, chega em casa com a camisa ensopada... (afirmação inicial anulada).
Para o Pediatra-Homeopata, os itens de um interrogat6rio clássico também devem ser apurados: antecedentes familiares (Tbc - Diabéte...), gestação, pós-natal, diéta,
doênças pregressas, erros alimentares, ambiênte familiar, dentição...

b) da observação
Considerando a dificuldade frequênte da coleta de sintomas mentais em crianças menores, sua interpretação errônea pelos pais e pelos médicos, a observação minuciosa
do paciente pediátrico assume posição excepcional. Foi reconhecida desde Hahnemann e motivou trabalho utilíssimo de Bergel e Stiefelmann, apresentado ao XIV Congresso
Brasileiro de Homeopatia.
A observação nos proporciona sintomas objetivos que não dependem de interpretação. Até alguns mentais podem ser "vistos": desejo de ser carregado (4-1), loquacidade
(61-3), timidez (89-3), pior por consolo (18-2)...
No exame físico, indispensável, aspecto da língua, cor da face, natureza da pele, lesões diversas... Embora não definitivos, todos ajudam ou orientam na seleção
do medicamento.

c) Conhecimento da Matéria-Médica
Embora muito se tenha escrito contra os preconceitos ou pré-julgamentos, a realidade é que esse conhecimento permite ao homeopata experiente, "com uma simples
olhadela" (Kent), a escolha do medicamento.

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O estudo da Matéria Médica, difícil e maçante sem dúvida, facilita muito essa escolha, dispensando na maioria das vezes a técnica repertorial, atualmente tão divulgada
e estimulada.
Ex.: Uma criança alegre, social, corada, pés quentes, muita sede, logo se despe apesar do dia frio, pele doentia... dificilmente não será Sulfur. É um preconceito?
É um protótipo? É um "retrato"? Vale a pena repertorizar? Júlio Ambr6s acha que devemos repertorizar todos os casos. Pessoalmente, não estou convencido. Meu objetivo
é "o mais comum", pois é este que verei muitas vezes. Não as exceções.

d) Conhecimento do Repertório
Procure estudá-lo como curiosidade, como lazer. Assim ele se torna agradável é desperta seu interesse. Na medida em que for encontrando sintomas bizarros, quase
cômicos, acabará por gostar. Decore primeiro as secções. A ordem, que por sinal é 1ógica. Depois demore-se nas secções mais úteis em Pediatria: tosse, face, febre,
mentais, nariz, boca, garganta, transpiração; respiração, pele, estômago, reto, urina e generalidades. Eu o tenho e utilizo como auxiliar. Não como ferramenta principal.

e) Conhecimentos de Patologia Pediátrica
São indispensáveis para diagnóstico e prognóstico. Algumas vezes, particularmente nos casos agudos, podem decidir a escolha do medicamento. Quem é Homeopata, não
deixou de ser Pediatra. Ao contrário, deve ser um Pediatra mais habilitado.

f) A Arte Médica
Consiste na harmoniosa utilização dos requisitos precedentes. Perguntas bem feitas e respostas testadas.

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Observação aguçada desde a sala de espera:
- aquela "tosse de cachorro" era dele?
- ela passou baton ou seus lábios são sempre rubros?
- "desça dai! Não encoste no médico".!
- você é teimoso como seu pai!
Se essa mãe afirmar que o filho "é nervoso", merece crédito? A mem6ria em relação às patogenesias é fundamental para "pistas" iniciais. V. exemplo de Sulfur.
Do mesmo modo, saber que tal ou qual sintoma é graduado com 3 pontos no Repert6rio.
Finalmente, a patologia pediátrica nos dirá o que podemos esperar.
A arte-médica consiste ainda e principalmente em valorizar (hierarquizar) os sintomas colhidos: quatro a oito sintomas indiscutíveis, marcantes e característicos,
ou um s6 bizarro, peculiaríssimo, podem ter mais importância que 10 ou 20 comuns e não modalizáveis.

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COMO EU TRATO
AS MUITO FREQÜENTES
1 - AMIGDALITES
BELLADONNA CH 6 - Instalação repentina - Febre alta. Sede ausente ou de molhar a boca. Rubor facial. Olhos brilhantes. Midríase. Delírio. Faringe intensamente
hiperemiado. Às vezes pintinhas vermelhas (pode ser escarlatina). Abatimento. Prostração. Adenopatias dolorosas. Deglutição dolorosa para líquidos. Suor melhora.
Boca seca.
MERCURIUS SOL. CH 6 - Instalação lenta. Febre pouco elevada. Sede freqüente de pequenos goles. Pontos brancos sobre amígdalas vermelhas. Sensação de corpo estranho.
Boca úmida. Baba. Odor ofensivo. Língua esbranquiçada com a impressão dos dentes. Dor irradia para o ouvido. Suor não melhora.
HEPAR SULFUR CH 6 - Instalação com calafrios - Febre alta. Melhora com bebidas quentes. Sensação de espinho na garganta. Dor ao bocejar ou mover a cabeça. Irradia
para a nuca. Irritabilidade. Hipersensível ao toque. Tendência à supuração. Placas de pús sobre as amígdalas. Hálito ofensivo.
OBS.: - 1) A cura deve se processar no máximo em 72 hs., em 80° dos casos. Se tal não ocorrer, estude Apis-Lachesis Lycopodium - Pulsatilla - Phytolacca.
2) Pontos brancos nas amígdalas, sem febre, bom estado geral, não é amigdalite. É "caseum". A mãe diz que é pús.

AMIGDALITES DE REPETIÇÂO
O ideal é identificar o crônico. Ministro em CH 30 ou CH 200, 1 vez por semana ou 1 vez por mês, por 4 meses.
Na incerteza, sigo esquema eficientíssimo:
Baryta carb. CH 30 - 4 glóbulos, 2ª - 4ª - 6ª.
Thuya occ. CH 30 - 4 g1óbulos, 3ª - 5ª - sáb.
Streptococcinum CH 2004 glóbulos, domingos.

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Todos por 2 meses. A seguir reavalio. Se deu resultado, prossigo mais 4 meses, reduzindo a freqüência: só 2ª, só 5ª e de 15/15 dias.
OBS.: - 1) Se ficar muito claro que ocorrem pós resfriados, substitua Streptococcinum por Tuberculinum CH 30.
2) Se for evidente que ocorrem por umidade, substitua Thuya occ. por Dulcamara dec. CH 30.
32) Se estiver seguro de que se iniciaram após determinada vacinação, substitua Thuya occ. por Vac. trip. CH 30, por exemplo.
Amigdalites de repetição em amígdalas hipertróficas (é o comum), só vão para cirurgia, quando tratadas homeopaticamente, em 1% dos casos, se os pais forem persistentes.

3 - ANOREXIA
Sob a rubrica geral "Falta de apetite", constam no Rep. de Kent Eizayaga, mais de 200 medicamentos, 20 deles com 3 pontos.
O pediatra sabe que esse sintoma é comum na fase de incubação e na vigência de
várias moléstias. Em tais situações seria absurdo medicar.
Nossa referência é, portanto, para condições diferentes. A queixa é comum em 80% das consultas ao pediatra. A meticulosa indagação informará que a queixa é falsa
em grande porcentagem. Em primeiro lugar constatamos que a criança "não come nada"... daquilo que a mãe gostaria que ela comesse.
Logo verificamos também, que o estado geral e o desenvolvimento pôndero-estatural discorda da queixa. É comum ainda a afirmação de que não come nada em casa ou
quando a mãe oferece. Por incrível que pareça, a mãe. não interpreta os fatos e cabe ao pediatra o papel de orientador educacional, muito mais que o de receitador.
Excluídas todas essas circunstâncias, 2 medicamentos costumam atuar muito bem: China off. CH 6 ou Nux vomica CH

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6 - 4 glôbulos, 4 x dia. Para sua escolha é preciso encontrar mais 1 ou 2 sintomas da patogenesia de cada um. Uma segunda hipótese, mais acertada, porém mais difícil,
é dar o medicamento crônico.
A terceira solução, mais fácil e menos homeopática (filosoficamente) é receitar Avena sat. D 1 ou TM - 10 gotas, em água, 1/2 hora antes das refeições, ou Medicago
sat. D 1 ou TM do mesmo modo, ou ainda Gentiana D 1 ou TM igualmente.
A ação é muito mais química que energética, sendo os resultados bastante inconstantes, exigindo tentativas.
Cada medicamento deve ser dado no mínimo por 2 meses. A grande vantagem que levamos é a ausência dos efeitos colaterais, freqüentes com o uso da Ciproheptadina,
e o preço reduzido.

3 - BRONCOPNEUMONIAS
ACONITUM NAP. - Instalação repentina. Após frio seco. Pior à 1/2 noite. Agitação e ansiedade. Medo de morrer. Febre alta desde o início. Pele seca. Não transpira.
Face corada de um lado, pálida do outro. Sede de grandes quantidades de água fria. Poucos estertores. Lateralidade esquerda. Tosse seca. Pele ardente. Comum para
a fase inicial. Empalidece ao sentar-se.
ANTIMONIUM TART. - Estertores abundantes, grossos, ouvidos à distância. Expectoração escassa. Melhora se expectora. Prostrado. Sonolento. Suores abundantes. Vômito
difícil e agravante. Sede ausente. Sensação de asfixia. Debilidade. Língua branca. Bronquiolites.
BRYONIA ALBA - Cura a maioria dos casos. Porque? Por coincidir com a sintomatologia de grande parte dos pacientes: sede intensa e freqüente de grandes goles; melhora
em repouso; piora pelo movimento; lateralidade direta; melhora deitando sobre esse lado; instalação insidiosa; chora ao tossir; segura a cabeça ou o torax ao tossir.
FERRUM PHOSPH - Para fase inicial. Febre baixa (38). Ansioso, atraca-se à mãe. Brinca e distrai-se. Pouco se abate. Pior

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entre 4 e 6 da manhã. Ondas de calor. Expectoração com raias de sangue, escassa. Pontada nas costas.
IPECA - Estertores finos, abundantes. Tosse sufocante, com náuseas e vômitos que não aliviam. Língua limpa. Sede ausente. Expectoração difícil. Epistaxes. Cianose
perilabial. Sufocação. Estupor após o vômito. Segue bem à Bryonia.
LYCOPODIUM - Expectoração ferruginosa com sabor salgado. Fase de hepatização à direita. Tosse irritante. Batimento de asa dó nariz. Fronte enrugada. Pior entre
16 e 20 hs. Intolerância à contradição.
PHOSPHORUS - Piora deitado sobre lado esquerdo. Lóbulo inferior esquerdo. Melhora pela pressão. Sensação de calor na palma das mãos e planta dos pés. Expectoração
copiosa sanguinolenta. Febre ardente. Sede intensa de grandes quantidades de água fria. Vômito quase imediato.
É freqüente, obedecida a Lei de Semelhança, a seguinte seqüência: Aconitum, Bryonia ou Phosphorus e Antimonium ou Ipeca.
OBS.: - 1) Tratando-se de menores de 2 anos, e observando diariamente a criança, algumas vezes tivemos que abandonar o tratamento homeopático e receitar antibiótico.
É o que fazemos quando não há melhora em 48 hs.
2) O controle radiológico é importante.
3) Sempre iniciamos pelo "método plus", em CH 6.

4 - BRONQUITE ASMÁTICA - Em crise
Antimonium tart. - Arsenicum album - Ipeca - Kalium carb. Sambucus - O primeiro e o terceiro foram estudados no item anterior. Releia.
ARSENICUM ALB. - Crises que surgem entre 1/2 noite e 2 da madrugada. Paciente ansioso. Medo de morrer. Abre as janelas para respirar. Inquieto. Pálido. Suores
frios. Expectoração abundante e espumosa. Sede de pequenos goles de água fria. Edema das pálpebras inferiores.

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KALIUM CARB. - Crises em torno das 3 hs, da madrugada. Melhora inclinado para frente ou apoiado nos cotovelos. Expectora com dificuldade, às vezes expulsa à distância
massas de catarro cinzento. Edema do ângulo interno da pálpebra superior.
SAMBUCUS - Desperta bruscamente, em torno da 1/2 noite, sufocado e com obstrução nasal. Suor por todo o corpo, só quando acordado. Melhora sentado.
OBS.: - 1) Em todos os casos, fazemos "plus" com CH 6. Espaçamos conforme a melhora. Mandamos continuar o remédio por 4 dias.
2) Quando a melhora não ocorre em 2 hs., se estamos muito seguros sobre o remédio e a criança não está grave, subimos a potência para CH 30 em novo "plus".
3) Havendo insucesso, gravidade ou sofrimento, fazer o tratamento alopático, se possível sem corticóide.
4) Você lerá sobre o sucesso de vários outros medicamentos, entre eles Blata or. Colegas da A.P.H. estão realizando um trabalho com esse medicamento e estão entusiasmados.
Nas vezes em que o experimentei, não tive êxito.
Em 3 casos de nossa clientela em que o fator desencadeante era o pó (sem sombra de dúvida), utilizamos com êxito Pothos foetidus.

TRATAMENTO DA INTER-CRISE
Sempre realizado com o medicamento crônico, em potências crescentes, intervalos aumentados, por 2 a 3 anos. Alguns colegas receitam-no em potência baixa, na vigência
de uma crise é acham que é boa conduta. Dessa forma não ferem o dogma do remédio único...
Enquanto você vai procurando o "simillimurn" convém dar uma vez por mês, 4 glóbulos de Tuberculinum CH 30 (baseado no biotipo), ou Medorrhinum CH 30 (se há evidente
melhora à beira-mar). Pode receitar também Natrum sulf CH 30 ou Dul

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camara CH 30, 1 vez por semana se o paciente piora por tempo úmido. Ou ainda adotar o que propõe o Prof. Boucinhas: A Revista da A.P.H. n° 167 publicou um trabalho
(truncado) do Prof. Jorge C. Boucinhas Natal-RN, mostrando excelentes resultados com Pulmo anaphilacticus. Não temos experiência, mas o autor merece crédito. Paulo
Eiró, também confiável, referiu-me ótimos resultados com auto-nosódio de secreção do nariz e garganta, em CH 30 e CH 100, 1 vez por semana.

5 - CÓLICAS DO BEBÊ
Quando alopata, usei todos os antiespasmódicos lançados na praça, sem êxito. Como homeopata, fiado nos clássicos, insisti com Colocynthis (se dobram para frente)
e com Dioscorca vil (se dobram para trás). Resultados inconstantes.
Procurei tentar meu caminho. Não estou totalmente satisfeito, mas recomendo Lycopodium CH 6 ou Chamomilla CH 6, 4 gotas, 4 vezes por dia, com evidente melhora
de muitos pacientes.
Prefira Chamomilla quando a irritação, os gritos e o choro melhoram, ou cessam se a criança for carregada no colo. Adote Lycopodium quando houver muitos gases
que ao serem expulsos trazem alívio. Em Chamomilla as fezes são freqüentes e bem Iíquidas. Em Lycopodium ocorre o inverso.
Kent afirmava que Allium cepa "é maravilhoso". Nunca experimentei. Vale e pena
aconselhar tranquilidade aos pais, não chacoalhar, segurar a criança de bruços a afrouxar-lhe as roupas.

6 - DIARRÉIAS
A grande dificuldade encontrada no tratamento "dos diarréicos", obriga-nos muitas vezes a tratar "as diarréias". Ainda assim a individualização é difícil. Basta
atentar para o fato de que o Repertório de Kent-Eizayaga, na secção "Recto", alinha sob a rubrica "Diarréia", pg. 387, 197 medicamentos (sem modalizar),

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sendo 43 com 3 pontos e 68 com 2 pontos. Predominando entre as crianças, analisamos a sub-rubrica "en niños". Apesar dessa restrição, ainda temos 13 medicamentos
com 3 pontos e 20 com 2 pontos (390 - I, II).
Fomos então à procura dos mais consagrados em vários livros de terapêutica (que consideramos válidos para os iniciantes) e os aliamos a nossa experiência pessoal,
selecionando como principais os seguintes: Mercurius dulcis ou solubilis, Arsenicum alb., Chamomilla, Podophyllum, Croton tig., Ipeca e Veratrum alb. para as agudas.
Nas crônicas: Abrotanum, China, Sulfur e Ipeca.
Convém esclarecer que consideramos agudas as esporádicas e repentinas. Crônicas seriam as repetitivas ou de longa duração. Algumas causalidades evidentes indicam
outros medicamentos. Assim, por indignação: Staphysagria, Colocynthis e Ipeca. Por sustos, más notícias, antecipação (escolares): Gelsemium. Por vacinação: Thuya
occ.
Vejamos a Matéria Médica dos principais:

AGUDAS
Devem apresentar melhora em 24 horas
ARSENICUM ALBUM - (80% na minha experiência) - Fezes escuras ou amarelo-esverdeadas, lientéricas, pequenas quantidades. Mau cheiro acentuado. Sede frequente de
pequenas quantidades. Secura dos lábios e da língua. Hálito fétido. Prostração. Agitação. Angústia. Febre. Pior à noite. Friorento.
MERCURIOS DULCIS - Segundo alguns autores, é o mais indicado. Nunca usei. Para A. Castro é Mercurius sol. Fezes ama relas ou verde-folha, com catarro, frequentes,
pequena quantidade. Cólicas, sede, puxos. Febre. Assa muito. Colibaciloses. Se tem sangue escuro, mudar para Mercurius corrosivus.
CROTON TIGLIUM - Fezes amarelas, profusas, aquosas,

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expelidas em jato, com força. Cólicas, vômitos ou náusea. Pior após comer ou beber.
CHAMOMILLA - (Matricária) - Fezes verdes ou amarelas, lientéricas, quentes, fétidas, cheiro de ovo podre. Febrícula Cólicas. Uma face pálida outra vermelha: Gengivas
vermelhas e doloridas. Durante a dentição. Impertinência, mau humor. Melhora no colo. Insônia. Cabeça e cabelos banhados em suor.
PODOPHYLLUM PELTATUM - Fezes aquosas, profusas, lientéricas, verdes, amarelas ou mistas. Mau cheiro. Pior de manhã e após mamar.
Sem cólicas. Na dentição e no verão. Debilidade, esgotamento.
Muitos gases. Movimento rotatório da cabeça. Prolapso retal.
VERATRUM ALBUM - Diarréias agudas, graves, muito aguadas, abundantes Sede de grandes quantidades de água. Poucos vômitos. Suor gelado e profuso, principalmente
na cabeça e fronte. Pior a cada evacuação. Criança gelada. Prostração acentuada. Colapso. ("Arsenicum vegetal").

CRÔNICAS
ABROTANUM - Emagrecimento, apesar de fome voraz. Febrículas. Fácies de velho. Pele flácida e enrugada. Pernas finas. Fezes lientéricas alternando com constipaçâo.
Cólicas. Marasmo infantil.
CHINA OFF. - Fezes viscosas, amarelas, aguadas, lientéricas, mau cheiro. Sem cólica. Pior à noite e após comer. Debilidade extrema.
IPECA - Diarréia aguada, verde, espumosa. Às vezes com sangue. Pouca sede. Língua limpa. Náusea ou vômito constante, sem alívio pelo vômito.
SULFUR - Enterites crônicas. Marasmo. Aparência de velho. Pele áspera, pálida, enrugada. Calorento. Cabeça quente. Sede de grandes goles. Microadenites. Fome às
11 horas. Fezes de

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aspecto variado. Fétidas, escoriantes, ânus vermelho. Fetidez persiste mesmo após lavar.
Urgência matinal.
NOSÓDIOS - Colibacillinum, Proteus...

FACILITANDO...

Sem cólica : China off., Podophyllun...
Na dentição : Chamomila, Podophyllun...
Grande debilidade: China off., Arsenicum alb...
Pré-colapso: Veratrum alb...
Desnutrição: Abrotanum, Sulfur...
Sanguinolenta: Mercurius corr., Ipeca...
Escoriantes: Arsenium alb., Sulfur...
Mau cheiro: Arsenicum alb., Chamomilla...

GENERALIDADES
Repetimos: o homeopata não pode esquecer que é médico. Sua conduta tem que ser norteada pelo bom senso no que se refere por exemplo:
a) expectativa - a diarréia pode ser um excelente mecanismo de defesa. Uma
exoneraçâo. Seu tratamento só se justifica quando muito inconveniente ou arriscando a vida do paciente;
b) pausa alimentar de 6 a 12 horas, conforme as condições do paciente;
c) hidratação oral ou parenteral, confonne a gravidade do caso (soros,
chá...);
d) realimentação progressiva (água de arroz, leite diluído, frutos
constipantes...);
e) atentar para patologias especiais (Doença celfaca - na qual deve retirar o gluten - Fibrose cística do pâncreas - que exige opoterâpicos.

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7 - ECZEMAS
Observe bem as lesões, para classificar em:. ERITEMATOSOS - SECRETANTES - DESCAMATIVOS ou VESICULOSOS.

ERITEMATOSOS
APIS MEL - Pele rósea. Edema. Sensação de picada. Queimante. Melhora por aplicação fria. Sede ausente. Pior pelo sol.
BELLADONNA - Pele vermelha. Congesta. Quente. Prurido. Calor irradiante.

SECRETANTES
GRAPHITES - Escoa líquido viscoso. Amarelado, cor de mel. Forma crostas ao secar. Atrás das orelhas, rosto, dobras flexoras. Entre os dedos. Nos genitais.
MEZEREUM - Vesículas miliares. Conteúdo amarelo-purulento no início. Mau cheiro. Forma crostas espessas, lembrando impetigo. Pior por calor, banho e coçar.

DESCAMATIVOS
ARSENICUM ALB: - Descamação furfúracea fina. Prurido intenso. Melhora por aplicação quente.
ARSENICUM IOD. - Lesões liquenificadas. Prurido melhora por aplicação fria.
NATRUM SULF. - Pele fina. Vermelha. Brilhante. Fissurada. Grandes escamas finas (Psoriase?).

VESICULOSOS
RHUS TOX. - Vesículas miliares. Conteúdo citrino. Base eritematosa. Prurido e dor. Pior pelo frio. Melhor pelo calor.
RANUNCULUS BULB. - Vesículas de conteúdo hemático.
CROTON TIGLI - Vesículas confluentes nos genitais, alternando

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com diarréia e tosse.
CANTHARIS VES. - Vesículas grandes, penfigoides, tendo por base pele sadia.
A posologia é muito individualizada. Comece com CH 6, 4 vezes por dia, ou 2 vezes por dia. Observe de perto. Reduza a freqüência ou aumente a potõncia, conforme
a evolução. Esses medicamentos não "curam" o paciente. A cura será obtida com o medicamento crônico. Mais frequentemente Calcarea carb - Sulfur - Psorinum - Medorrhinum
- Thuya - Silicea - Natrum mur...
"O eczema é equivalente a uma crise de bronquite asmática mais prolongada".
Este é o conceito que você deve adotar. Seu alívio pode também ser obtido com o emprego inicial do medicamento crônico em potências crescentes, levando desde logo
à cura definitiva.
O emprego do similar permite ganhar confiança em si mesmo e conquistar os pacientes para a Homeopatia. E lhe dá tempo de procurar o "similimum".
Se você curar uma amigdalite e algum tempo depois defrontar-se com uma BCP, pense que foi uma intercorrência natural ou uma coincidência. Não é prova de supressão.
"A supressão só é possível por uma ação violenta por grandes doses contra a economia". (Lição XV de Kent).
Usando doses infinitesimais, isto não pode ocorrer. Medique sempre que seu bom senso ou o sofrimento do paciente exigir. Homeopatia é terapêutica.

8 - ESTRÓFULO
Trata-se de lesões vesiculosas, pruriginosas que alguns médicos confundem com varicela. Sua consistência é porém muito mais dura, além de outros sintomas diferenciais.
Seguramente representam alergia a picada de insetos, por mais que as mães relutem em aceitar.
Recomendamos pincelar com Mercurio cromo, para evitar infecção secundária. Utilizamos a pomada de Ledum palustre para aliviar o prurido.
Receitamos Graphites CH 6, 4 vezes ao dia, por 6 dias, na

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fase aguda e CH 30, 1 vez por semana, por 2 a 4 meses como profilaxia.
Se não temos êxito, ou se a criança é também asmática, preferimos Dermatophagoidinun CH 30, 1 vez por semana, por 2 a 4 meses.
Uma 3ª opção é Culex CH 30, 1 vez por semana, por 2 a 4 meses, se estivermos certos de que se deve ao pernilongo.
Quando estamos seguros de que se deve a formigas, indicamos Formica rufa, na mesma posologia. O resultado costuma ser muito bom.

9 - FEBRE
De início, nem sempre apuramos sua causa. É imperioso buscá-la. Cumpre observar, acompanhar, dar assistência e informar as mães sobre suas vantagens. Os pr6prios
alopatas já não têm tanta ânsia em combatê-la.
Explique para a mãe que fervemos o leite e a água para "matar os bichinhos". A elevação da temperatura corporal, age no mesmo sentido.
Não seja, porém, radical nem intransigente. As mães sofrem muito com essa atitude. Exponha-lhes que o humor é um termômetro mais seguro para avaliar a importância
da febre. Se a criança estiver bem disposta, brincando, alimentando-se, a febre não é preocupante.
Existem crianças, porém, que sofrem muito com a febre. Deixam de se alimentar, têm dor de cabeça, ficam prostadas, irritadas e até convulsionadas.
Levando em conta o que dissemos até aqui, pode ser necessário, para essas crianças, e para reduzir a ansiedade dos pais, "baixar a febre", com banhos ou até com
um antitêrmico. Sinta-se livre para decidir. Não dê atenção a críticas eventuais. O caso é seu.

10 - MASTURBAÇÃO
Investigue bem. Examine o local. Não há prurido? Inflamação? Corrimento?

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Se a queixa merecer crédito, então receite Origanun maj. CH 30 - 1 vez por semana - 1 mês, se for menina a Staphysagria CH 200, idem se for menino.
Recomende às mães desinteresse pelo assunto e proíbe punições.

11 - OBSTRUÇÃO NASAL
Esta queixa está frequentemente relacionada com a hipertrofia de cornetos e adenóides. De acordo com Tubaldini, L.G. ORL homeopata em Ribeirão Preto, sé o "similimum"
pode trazer melhoria.
Temos experimentado tudo que os clássicos sugerem: Calcarea Phosph. - Teucrium - Lemna minor - Tuberculinum - Agraphis nut. - Conium - Thuya occ...
Nossos melhores resultados ocorrem com Sambucus CH 30, à noite, por 15 dias: depois 2ª, 4ª, 6ª, mais 2 meses. Também damos Thuya occ. CH.30, pela manhã, na 3ª,
5ª, sáb., e Tuberculinum CH 30, 1 vez por mês, por 4 meses.
É sempre importante afastar a presença de corpo estranho.

12 - OTITES
Apesar dos muitos remédios indicados, temos grande experiência e sucesso com Hepar sulfur CH 6 em "plus" e depois de 4 em 4 horas, mais 6 dias.
Com essa conduta, 80% dos casos se resolvem. Outros, supuram, com alívio da dor e da febre. Nesses' casos, além do uso local, em instilação de H202, continuamos
o remédio até 2 dias depois de cessada a supuração. Se ultrapassa 10 dias, substituímos por Calcarea sulfúrica CH 6, 4 vezes ao dia, até 2 dias depois de cessar
a supuração.
Raramente não temos êxito. Quando isso ocorre, pensamos em Lycopodium, Chamomilla ou Pulsatilla, sempre inicialmente em CH 6 "plus".
Penso em Lycopodium pelos sintomas mentais, por começar

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à direita a passar para a esquerda. Em Chamomilla pela intensidade do choro (gritos), irritabilidade violenta, melhora no colo. Paroxismo. Em Pulsatilla, quando
se segue a sarampo, escarlatina, secreção nasal verde. Sem sede. Melhor por consolo e ar livre.
Ou ainda em Capsicum, por sensação de água no ouvido, hipoacusia, pós banho de mar ou piscina: Ferram phosph. é indicado por muitos autores.
Para profilaxia, receitamos Oscilococcinum em CH 200, 1 vez por mês, 4 meses. O emprego de auto-nosódio, em CH 200, 1 vez por semana, por 2 meses, é outra opção.

13 - PRISÂO DE VENTRE
Insistir na importância da dieta. De início sempre indicamos Fucus ves. D 1, 2 a 3 vezes por dia para ganhar confiança. Será abandonado aos poucos, na medida em
que o uso de medicamento mais geral começar seu efeito.
Corrigida a dieta, separamos 2 grupos: os que têm desejo e não conseguem e os que nem sequer sentem vontade.
a) desejos ineficazes:
NATRUM MUR. - Fezes duras, secas, desfazem-se na borda do ânus. Espasmo anal doloroso pós defecar. Costuma existir fissura. Às vezes sangra. Friorento. Sede de
grandes quantidades. Desejo de sal. Língua geográfica. Come muito mas é magro.
NUX VÔMICA - Abusou de purgantes. Fezes pequenas, nunca está satisfeito após eliminá-las. Ventre distendido, precisa desabotoar a calça. Gases e arrotos. Hemorroidas
sangrantes. Mal humorado. Sonolência pós prandial. Hipersensível a odores, luz e ruído.
PLUMBUM MET. - Desejos urgentes. Có1ica, com retração da parede abdominal. Fezes em pequenas esferas, negras secas. Eliminação incompleta. Dor no reto de baixo
para cima.
SULFUR - Desejos urgentes especialmente por volta das 5 hs. da manhã. Sensação de calor no reto. Fezes duras, secas. Senta, levanta, faz esforço e não consegue.
É calorento. Transpira muito. Alterna prisão de ventre e diarréia.

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b) não tem desejos:
ALUMINA - Secura das mucosas externas e internas. Fezes argilosas, aderentes. Sensação de teia de aranha no rosto. Não tolera batatas. Muita sede.
BRYONIA ALB. - Fezes duras, secas, grandes, parecem queimadas. Sensação de pedra no estômago. Ardor no reto por defecar. Sede intensa. Língua seca, gruda no pálato.
Sofre náusea e vertigem quando está de pé. Piora a dor de estômago caminhando.
HYDRASTIS CAN. Abuso de purgantes. Comum no desmame. Dor no colon. Fezes duras, em pedaços reunidos por mucosidade viscosa, espessa e amarelada. Sensação de vazio
no estômago com desfalecimento. Não melhora comendo. Língua suja, saburrosa.
OPIUM - Elimina cíbalos duros, isolados, com muito ruído. Às vezes retrocedem para o reto. Sonolência pós-prandial. Não defeca por muitos dias. Muito bom para
fleo pós-cirúrgico.
Fizemos referência aos principais. A totalidade sintomática, porém, poderá indicar Graphites, Causticum, Lycopodium, Palsatilla, Silicea...
A exceção de Hydrastis, que se usa em CH 6 (4 vezes por dia), os demais são usados em CH 30 (1 vez por dia).
Não esqueça de afastar. obstáculos mecânicos, megacolo...

14 - RESFRIADO COMUM (CORIZA)
É uma forma frequente de rinite, que apesar de banal, é incômoda e referida também como "coriza".
Traz muitas crianças ao pediatra. O tratamento homeopático é bastante satisfatório. Você terá que optar por:
ACONITUM NAP. - Quando provocado por exposição ao vento seco. Repentino, febril. Espirros violentos. Secreção irritante. Pele seca.
ALLIUM CEPA - Por tomar chuva. Secreção bem aquosa. Irrita o nariz e o lábio superior, lacrimejamento não irritante. Pior em quarto quente.
EUPHRASIA - Praticamente o inverso de Allium cepa: secreção nasal não irritante, lacrimejamento intenso e irritante. Piora ao ar livre.

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PULSATILLA - Quando a secreção é persistente, esverdeada, não irritante. Melhora ao ar livre. Não tem sede. Perda do paladar e olfato.
KALIUM BICH - Secreção cinza ou verde, espessa, filamentosa. Expulsão difícil. Adere à mucosa, deixando-a em carne viva quando removida. Dores na raiz do nariz.
A inalação do ar parece queimar. Quando espirra forma bolhas de ar no orifício nasal.
EUPATORIUM PERF. - Prostração. Febre precedida de sede. Dores ósseas, articulares, musculares, especialmente nas panturrilhas. Olhos sensíveis e dolorosos.
GELSEMIUM SEMP. - Sonolência. Pálperas caídas. Febre com tremores. Cefaléia ocipital. Coriza irritante, espirros violentos. Melhora urinando bastante.
De um ponto de vista mais prático, consideramos que a "gripe" nada mais é que um resfriado mais grave e mais prolongado. Pensando assim, achamos que os 4 últimos
devem ser reservados para essa virose.
A prescrição em qualquer dos casos é CH 6, 4 vezes ao dia, por 6 dias.
Fazemos a profilaxia com Tuberculinum CH 30, 1 vez por mês - 2 meses, seguido de CH 200, idem.

15 - TOSSE
Sintoma comum, com muitas causas, que devem ser rigorosamente identificadas.
A tosse de um cardíaco e a de um gripado tem implicações muito diferentes. Em pediatria é mais comum nos estados gripais, moléstias da infância, laringites, bronquites,
broncopneumonias...
Os medicamentos são muitos e vamos caracterizá-los resumidamente. Leia com mais detalhes na Matéria Médica.
ACONITUM - Seca, frequente, incessante. Pós vento frio e seco. Início brusco.
ANTIMONIUM TART. - Produtiva. Estertores grossos abundantes, ouvidos à distância. Expectoração difícil.
BALLADONNA - Seca, sensação de côcega na garganta. Face rubra.

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BRYONIA ALB. - Mais ou menos seca. Pior pelo movimento. Segura o tórax ou a cabeça com as mãos.
CAUSTICUM - Rouca. Queimação no laringe. Urina em cada acesso.
DROSERA ROT. - Especialmente noturna. Em acessos. Com vômito.
HYOSCIAMUS - Seca. Acorda com ela. Melhora se sentar. Medo de ficar só.
IPECA - Espasmódica. Sufocante. Estertores finos. Náusea constante. Língua limpa. Sede ausente. Vômito não alivia.
LACHESIS - Provocada por compressão na garganta.
PHOSPHORUS - Seca. Desejo de bebidas frias. Suor. Pior por falar, rir ou cantar.
PULSATILLA - Expectora só de manhã. Verde. Pior em casa. Melhora ao ar livre. Otalgia.
RUMEX CRISP. - Semelhante a Drosera. Melhora cobrindo a cabeça.
SPONGIA - Seca, raspante, crupal.
Todos em CH 6 - 4 em 4 horas - 6 dias, ou "plus'', nas primeiras duas horas.

16 - VERMINOSES E PARASITOSES
Diz Eizayaga que os vermes são corpos estranhos que devemos eliminar com vermífugos. Não há, pois, incoveniente em administrarmos Mebendazol, por exemplo. Em sequência
damos o medicamento crônico. É a conduta que adotamos.
Por outro lado já temos dado o "simillimum" por outras rafes, e a criança elimina vermes, melhorando seu estado geral. Como isto ocorreu várias vezes, admito que
o "similimum" possa dispensar o vermífugo.
Com relação à giardia e ameba a conduta é igual. Uso o Pletil. Alguns colegas referem êxito com os nosódios Giardia ou Ameba CH 30, 1 vez por semana, por 2 meses.
Nunca usamos.
Nas parasitoses externas (escabiose, ptiriase, pediculose)

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adotamos o tratamento alopático. Na escabiose, porém, receitamos sempre Sulfur CH 30, diário, 6 dias. E na pediculose acreditamos que Staphysagria C 200, 1 vez por
mês, 4 meses, é profilático de reinfestações.

17 - VÔMITOS
Habitualmente acompanham as diarréias. A melhora destas e a dieta costumam dispensar outro medicamento.
Em circunstâncias especiais, teríamos:
AETHUSA CYN. - Vômito do lactente por intolerância marcada ao leite materno, logo após ingeri-lo.
ANTIMONIUM CRUD. - Por abuso de alimentos gordurosos.
COCCULUS - Por viajar em veículos. Desaparecem quando deita.
COLCHICUM - Por ver ou sentir o cheiro dos alimentos.
IPECA - Vômitos que não trazem alívio. Língua limpa. Sem sede.
NUX VOMICA - Por abuso de comida e bebida alcoólica. (É o "Engov" da homeopatia.)
PHOSPHORUS - Vômito imediato. Assim que a água chega ao estômago. Sede intensa. Às vezes como "borra de café".
PULSATILLA - Abuso de gorduras e frituras. Tardios. Sem cede.
TABACUM - Tabagismo. Paralelo e suor frio, palidez, tonturas. Melhora descobrindo o ventre e fechando os olhos.
OBS. - Não se esqueça das obstruções, tumores ou lesões cerebrais. Pense na cirurgia.

AS MENOS FREQÜENTES
1 - ABSCESSOS
BELLADONNA - Fase inicial, sem flutuação. Local vermelho, quente, irradia calor. Dolorido ao toque. Lateja.
HEPAR SULFUR - Formou-se o pús. Há febre, calafrio, dor

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intensa ao toque. O rubor circunscreveu-se. Pode ocorrer reabsorção ou drenagem espontânea. O pús é amarelado, sanguinolento. Aqui surge então a indicação para Calcarea
sulfúrica. Se apôs drenagem, há tendência à fistulização, indicamos Silicea. Para os abscessos de tonalidade azulada, o preferido é Lachesis. Tratamento local deve
ser feito com pomada de Cyrtopodium ou Myristica (bisturis homeopáticos).
As considerações aqui formuladas são válidas para os abscessos dentários, não dispensando a desobstrução dos canais.
Sempre "plus" em CH 6, seguido de 4 glóbulos, 4 em 4 horas, por 6 dias.

2 - ANEMIAS
A grande frequência é das ferroprivas. Basicamente é preciso dar Ferrum met. C. 1 em tabletes. 1 tablete após almoço e jantar. Por 2 a 6 meses.
Investigar hábitos alimentares, verminoses e outros distúrbios do metabolismo.
O uso do medicamento crônico contribui bastante.
O ferro em preparações alopáticas, frequentemente é mal tolerado pelo aparelho digestivo, além de manchar os dentes e ser muito caro.

3 - ASSADURAS
Durante ou em seguida a diarréias: Arsenicum alb. - se tem sede de pequenos goles. Chamomilla - se está muito irritada e melhora no colo. Quando existe prurido,
fica em carne viva, segrega líquido semelhante ao mel: Graphites.
Se predomina nas coxas e genitais, em criança que baba muito à noite: Mercurius sol. Quando atinge o escroto e piora por lavar: Sulfur.
Todos em CH 6, 4 vezes por dia - 6 dias. Tenho observado benefício em Medorrhinun CH 30 na fase aguda, aliado ao medicamento selecionado.
Como profilático, 1 vez por mês, 4 meses.

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Outras medidas: lavagem local com sabonete neutro, a cada troca, pincelar Mercurio cromo, untar fartamente com Calendula ou Hipoglós.
Exposição ao sol por 3 a 5 minutos, pós limpeza.

4 - BROTOEJA
Pouca roupa, banhos frios freqüentes, farta oferta de líquidos. Alívio da coceira com talco de Hamamelis ou Calendulado, e Croton tigli-CH6, 4 vezes por dia. (oral).
Tais crianças, em geral, são Calcarea carb. Deve ser ministrado em CH 6, 2 a 4 vezes por dia, por 2 a 4 meses.

5 - CEFALÉIAS
Comuns nos distúrbios alimentares, na febre, nos vícios de refração. Nas crianças maiores, pode dever-se a sinusite ou enxaqueca. Esmere-se na busca da causalidade.
Embora raros, existem tumores e graves infecções.
BELLADONNA - Aparece e desaparece bruscamente. Lateja.
BRYONIA - Mais frontal. Pior por movimento das pálpebras.
SANGUINÁRIA - Vem da nuca e se localiza sobre o olho direito. Sobre o esquerdo é Spigélia.
IRIS VERSICOLOR - Sobre os olhos, mais à direita. Concomitante com pertubação digestiva. Neblina ante os olhos.
NUX VOMICA - Qualquer local. Piora comendo.
GLONOINUM - Por exposição ao sol, insolação.
NATRUM MUR. - Acompanha o horário do sol. Os olhos doem quando movimentados.
Demos apenas as referências essenciais dos principais. Aprofunde-se na Matéria médica de cada um.
Nas crises a prescrição é CH 6 em "plus". Para tratamento é um policresto. CH 30, 1 a 3 vezes por semana. Interrupção ou aumento da potência, conforme evolução.

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6 - CONTUSÕES
Em qualquer contusão externa, em que você costuma receitar um antiinflamatório, receite Arnica mont. CH 6, 4 vezes ao dia, 6 dias. Reduz o edema, o hematoma, a
dor e apressa a evolução.
Nos traumas que atingem a medula ou feixes nervosos, prefira Hypericum. Posologia e potência iguais. Quando o trauma for cerebral, o melhor é Natrum sulL do mesmo
modo.
Só há uma forma de experimentar os 2 últimos: é administrá-los em concomitância com o tratamento alopático. Ninguém permitirá que você o substitua, até que depois
de muitos casos, fique provada a diferença entre as duas condutas.
Trabalho realizado em Glasgow (British Journal of Clinical Farmacology n° 9 - pgs. 453 a 459 - 1980, de Gibson, R.G. e cols.), traduzido pelo Dr. Oswaldo Cudizio
Filho, palestrista da APH, demonstrou entre outras coisas, que o tratamento homeopático da artrite reumatóide, associado ao tratamento alopático clássico, deu resultados
superiores àqueles que usaram tratamento alopático mais placebo. É importante deixar de lado preconceitos não provados e "abrir uma janela" para a homeopatia nos
casos mais graves.
Procedimento semelhante deve ser adotado na medicina esportiva. Fico angustiado por saber que os entorses, as roturas de tendões e as fraturas, não recebem tratamento
homeopático. Os clubes e os atletas lucrariam muito se utilizassem a Arnica (contusões em geral), a Ruta (tendões e ligamentos) e a Calcarea phosph, ou Symphitum
(consolidação de fraturas).
Que o façam em concomitância com a alopatia e a fisioterapia!
O importante é que façam!
Os dois últimos devem ser dados em CH 30, 3 vezes por semana. Ou CH 200, dose única.

7 - CONVULSÕES
Alguns homeopatas radicais consideram que se trata de exonerações

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"desejáveis", benéficas.
Não as quero para qualquer de meus netos ou clientes. Eu as presenciei e mediquei muitas vezes quando alopata. Sou capaz de sentir a angústia de uma mãe ou de
um pai que vê seu filho nessas condições. No que de mim depender, jamais voltarão a repetir-se, não me importando o método usado.
A homeopatia pode muitas vezes controlá-las a impedí-las. São diversos os medicamentos que podemos usar. São muitos os casos em que até EEGs. alterados se normalizam..
O acompanhamento por um neurologista "tolerante", é aconselhável.
BELLADONNA - Bruscas, febris. Pupilas dilatadas. Prostração. Pior por movimento ou luz. Face corada. Olhos congestos. Delírio. Queda para trás. Aura curiosa: sensação
de um rato correndo pela pele.
BUFO - Por raiva ou susto. Na lua nova. Pouco antes os olhos se dirigem para cima e para a esquerda, abre a boca e grita. Dobra os polegares, fechando-os com os
demais dedos. Morde a língua e elimina baba sanguinolenta, inconsciência total, seguida de esquecimento e sonolência.
CHAMOMILLA - Ocorrem após acesso de raiva da criança ou de quem a amamenta. Após castigo. Predomina na dentição. É uma convulsão com agitação, gesticulação e choro.
Em geral antes da meia noite. Agravadas pelo calor.
CICUTA VIR. - Por traumas cranianos ou engasgo. Violentas, iniciadas por um grito. Sua aura é violento espasmo no diafragma. Sente um choque no epigástrio. Começam
na cabeça e na face, estendendo-se para o corpo. Fica em opistótono, arqueando a cabeça para trás. Depois do ataque, grande prostação. Calmos e retraídos.
CINA - Por presença de vermes. Põe-se subitamente rígido e vira para trás. Contrações predominantes nos músculos extensores. Persiste a consciência, em geral.
Crianças com prurido anal e nasal, que rangem os dentes dormindo. Pé esquerdo sempre em movimento.
CUPRUM MET. - Ocasionadas por humilhação ou supressão de erupçôes. Começa por movimentos irregulares nos dedos das

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mãos a pés. Dobra o polegar e prende entre os dedos. Saliva com gosto metálico. Roda os g1óbulos oculares e comprime as pálpebras. Após o ataque, parece morto. Amnésia,
calafrio e vômitos. Na uremia, coqueluche, meningite...
HYOSCIAMUS - Convulsões de preferência à noite ou após alimento. Pupilas dilatadas que não reagem à luz.
MAGNÉSIA PHOSPH. - Convulsões muito dolorosas, acompanhadas de gritos. Melhor pelo calor. Não suporta o frio.
STRAMONIUM - Convulsões com suores frios, mantendo a consciência. Olhar fixo. Provocadas por luz brilhante ou espelho d'água. Terror noturno e medo do escuro.
No intervalo das convulsões deve ser instituído o tratamento crônico. Calearea carb., Calcarea phosph. e Silicea aparecem com frequência. Dar CH 30, 1 vez por
semana.
A retirada dos anticonvuisivantes alopáticos deve ser feita gradativamente.

8 - CROSTA LACTEA
Eczema crostoso da face e cabeça, às vezes secretante. No item sobre eczemas, poderia ser incluído. É porém uma situação particular em que Viola tricolor faz um
sucesso extraordinário. Receite CH 6, gotas ou glóbulos, 4 vezes por dia, 6 dias.

9 - DENTIÇÃO
Li certa vez uma entrevista de abalisados mestres da pediatria em São Paulo e Rio, negando a ocorrência de distúrbios da dentição. É uma afirmação falsa e em desacordo
com a sabedoria popular. A realidade confirma que você encontrará febrícula, diarréia, vômitos, mau humor e sialorréia, na maioria das crianças nessa fase.
É unânime a consagração de Chamomilla como o remédio mais indicado.
Apresenta diarréia com cheiro de ovo podre, gengivas inchadas, febrícula, face corada de um lado e pálida do outro. Melhora no colo e ao ser embalado. Irritadíssimo.

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Para as exceções estude as características de Belladonna, Borax, Cina, Kreosotum, Podophyllum e Rheum. Deste último, só falamos neste capítulo: dentição difícil,
cheiro acre por todo o corpo, mesmo após lavar-se. Fezes diarréicas, marrons, de cheiro ácido, com dores antes e após defecar. Pálido, irritável.

10 - ENURESE
É praticamente impossível medicar por este único sintoma. Não havendo outros que sugiram uma pista, falharemos com frequência.
Tenho verificado, porém, que essa queixa é mais comum em crianças Sulfur, Causticum, Sepia e Pulsatilla.
A maioria é Sulfur. Receito CH 30, 3 vezes por semana ou CH 200, 1 vez por semana, qualquer que seja o medicamento escolhido.
Quando não chego a conclusão, experimento o que sugerem alguns autores: Belladonna CH 30 - Kreosotum CH 30, 3 vezes por semana. Ou Cina CH 6 - Equisetum hye. CH
6, 4 vezes por dia. Não é raro fracassarmos.

11 - EPISTAXES
O sangramento nasal, quando freqüente e sem causa evidente, deve ser encaminhado ao ORL. Pode haver necessidade de cauterização.
Nossos medicamentos principais para o caso são:
ARNICA MONT. - Por traumatismo. Por assoar. Por lavar o rosto.
CHINA OFF. - Após levantar-se. Sangue vivo com coágulos. Debilidade. Frequente.
CROTALUS HORR. - Sangue escuro. Não coagula.
FERRUM MET. - Em jovens anêmicos. Ao sair da cama. Abundante, em jorro.
FERRUM PHOSPH. - Sangue vermelho-vivo. Melhora a cefaléia.
PHOSPHORUS - O sangue fica pendente, em fios.

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Lembre-se também de Ferrum picr. - Lachesis e Millefolium.
Sempre em CH 6, 4 vezes ao dia, 6 dias.

12 - ESTOMATITES
Basicamente encontramos dois tipos: a oidiose ou "sapinho", cujo agente é a Monilia, e as estomatites representadas por aftas, sempre viróticas.
No "sapinho" os pontos ou placas brancas devem ser removidos, manualmente, antes de cada mamada, com um dedo enrolado com gaze umedecida em água bicarbonatada
ou leite de magnésia.
Recomenda-se higienizar os seios e os objetos de uso da criança, deixando estes últimos (chupeta, bicos, mamadeiras), mergulhados em água bicarbonatada, quando
fora de uso.
O medicamento que receitamos é Borax ven., CH 6, de 4 em 4 horas, por 6 dias. Pode-se observar "medo de cair".
Cumpre notar que a Nistatina perdeu muito de sua ação sobre a Monilia, exigindo doses cada vez maiores.
Nas estomatites viróticas (aftas, ulcerações, baba, dor e às vezes febre muito alta), receitamos Mercurius corr. CH 6, de 4 em 4 horas, por 6 dias, com resultados
muito bons.
A alimentação deve ser lactea ou livre de temperos (sal). Para facilitar a aceitação, umedecer um cotonete em xilocaina a 2%, tocando as aftas, 5 minutos antes
de alimentar.
Outros autores sugerem também Arsenicum alb. - Kalium mur. Nitri acid. e Sulfuric acidum (aftas com secreção sanguinolenta).
Temos resolvido, porém, todos os nossos casos, com Mercurius corr.
Nossas concorrentes (vovós e comadres), mandam pincelar "mel rosado" ou violeta de genciana. Tenho horror a este último, pois a criança fica com um aspecto detestável.
Não nego, porém, que são úteis.
Curiosidades: Meu primeiro interesse pela homeopatia relaciona-se com as estomatites. Era alopata

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e me desesperava com os fracassos da medicação usada. Os resultados mais satisfatórios eram obtidos com injeções de Complexo B. Isto me torturava mais que às próprias
crianças. Certa vez, minha sogra sugeriu que desse às crianças "o n° 29 de Humphrey". Trata-se de um "complexo" homeopático. Passei a receita-lo e era muito melhor
que as injeções. Com a posterior dificuldade de encontra-lo na praça, ela me disse que receitasse "Bocaliria" (outro complexo). Fiquei nessa base até fazer o Curso
de Especialização da A.P.H.

13 - FEBRE REUMÁTICA
Vamos relacionar dois casos, apresentados por José Laércio do Egito e Matheus Marim, no XIV Congresso Brasileiro de Homeopatia S. Paulo - Set. - 1978.

CASO I - J.L.E. - 10 a. - Br. - F - Escolar - Iporã - PR.
Febre contínua - Fraqueza - Artralgias piores no m. inf. - Discreto edema dos maléolos - Anorexia.
Em 5-3-77 - Perfil reumático:
A.S.L.O. - 625 u. Todd.
Muco - 8 mg.
Prot. C reat. - +
O quadro agudo (modo de estar) foi assim repertorizado:
Extremities - Inflamation - Joints - (118-I)
Fever - continued fever evening - (1284-II)
Generalities - Weakness - lever dur. - (1417-I)
Extremities - Pain - move, on begining to - (1045-I)
Extremities - Pain - Motion on amel. - (1045-I)
Stomach - Desires - milk cold - (845-I)
Medicamento indicado: Rhus tox...
Quadro constitucional (modo de ser)
Mind - Mildness - (65-I)
Mind - Sympathetic - (86-I)

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Stomach - Desire salt thing - (846-I)
Mouth - Discolor. tongue red insular, with - (402-I)
Mind - Weeping - Consolation agg. - (93-II)
Medicamento indicado: Natrum mur.

EVOLUÇÃO - CASO I
05-03-77 - Rhus tox. CH 12 - 5 gl. - 4 x dia
Após 48 hs. T 37º C
Melhora do estado geral e das dores
05-04-77 - Afebril - Dores 70% melhoradas.
Estacionário há 10 dias. Potência aumentada para CH 30
Fim das dores e demais sintomas físicos
05-07-77 - Paciente sem sintomas. Aumento da potência para CH 200 - 5 gl. 3 x semana
18-07-77 - Perfil reumático:
A.S.L.O. - 625 u. Todd.
Muco - 8 mg.
Prot. C reat. - +
Receitado Natrum mur. CH 30, 5 gl. 3 x dia
08-09-77 - Ausência de sintomas no período
Melhora dos sintomas mentais (choro)
Perfil reumático:
A.S.L.O. - 225 U. Todd.
Muco - 4 mg.
Prot. C reat. - N
Receitado Natrum mur. C 200, 5 gl. 3 x dia
18-11-77 - Perfil reumático:
A.S.L.O. - 166 U. Todd.
Muco - 4 mg.
Prot. C reat. - N

CASO II- R.S.J.C. - 12 a. - PR.
Trazia diagnóstico de atividade reumática. Dores nos membros, febre noturna, sede intensa, boca seca.
Perfil reumático:
A.S.L.O. - 625 U. Todd.

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Prot. C reat. - +
Repertorização do quadro agudo (modo de estar):
Extremities - Pain reumathisme acute - (1045-I)
Extremities - Pain - Motion agg. - (1374-I)
Stomach - thirst extreme - (529-I)
Mouth - dryness thirst with - (403-II)
Generalities -evening 9 p.m. - (1342-II)
Fever - night perspiration with - (1280-II)
Medicamento indicado: Byronia alba

EVOLUÇÃO - CASO II
08-01-78 - Byronia alba - CH 30 - 5 gl. 4 x dia.
Melhora dos sintomas dolorosos e febris a partir do 1° dia.
Dez dias ap6s, nada mais sentia.
08-02-78 - Sem. sintomas físicos. Mantida prescrição
08-03-78 - Perfil reumático:.
A.S.L.O. - 625 U. Todd.
Prot. C reat. - N
Repertorização do quadro constituciorial (modo de ser):
Mind - Consciencious - (16-I)
Mind - Consolation agg. - 16-II)
Mind - Obstinate - (69-I)
Extrem. - Discol. finger white spots - (981-I)
Extrem. - Perspiration foot ofensive (1183-I)
Medicamento indicado: Silicea
Receita: Silicea CH 200 -5 gl. 1 x dia.
03-07-78 - Perfil Reumático:
A.S.L.O. - 166 U. Todd.
Muco - 3,4 mg.
Prot. C reat. - N
Latex - N
Waaler - Rose - N

O resultado que você verificou na fase aguda deses dois casos,

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um com Rhus tox., outro com Bryonia albs, é o habitual. São os principais medicamentos dessa afecção. Mas você poderá também ter a indicação de:
APIS MELL. - Instala-se em poucas horas. Ausência de sede. Melhora por compressas frias. Edema róseo brilhante. Sensação de ferroadas como agulhas em brasa.
BELLADONNA - Fase inicial com febre alta, prostação, rubor intenso e calor irradiante nas articulações. Face vermelha, congesta.
FERRUM PHOSPH. - Início insidioso, muita sede. Edema r6seo. Para Boericke, é o único de que se necessita, se tomado logo no início.
KALMIA LAT. - Migração rápida, de cima para baixo. Quando o coração foi comprometido. Dores precordiais. Palpitações.
RHODODENDRON - Dores articulares e nevrálgicas. Pior à noite. Medo e piora por tempestades, tormentas, trovões. Só consegue dormir cruzando as pernas. Suor generalizado
de odor agradável.
Considerações - Outros autores têm muitos casos de febre reumática tratados pela homeopatia.
Há muita crendice médica a respeito dessa afecção. De início, extirpavam-se as amígdalas ou focos dentários. Isto pode ser importante, mas não é decisivo. Para
que o coração, os fins ou outros órgãos sejam atacados ap6s amigdalite, impetigo etc.. há necessidade de um defeito na embriogénese dos mesmos. É preciso que eles
sejam (desde o nascimento) o "órgão de choque" (Maffei, W.E. - Os fundamentos da medicina vol. 2 pgs. 453 - 455 - Artes Médicas - 2ª ed. - S. Paulo -1978).
Ainda conforme Maffei (Op. cit.) e como provam os dois casos aqui referidos, a Febre reumática não é uma doença das articulações. É uma moléstia crônica geral,
cuja cura só é possível pelo remédio crônico.

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O use "profilático" do antibiótico, com grande sofrimento para a criança, pode a nosso ver e em nossa experiência, ser substituído pelo Streptococcinum CH 200,
de início 1 vez por semana, por 2 meses, e depois 1 vez por mês, até normalização duradoura dos exames subsidiários.
Estes casos mostram ainda que Hahnemann não tinha razão quando afirmava que desaparecidos todos os sintomas, só poderia restar a saúde.
Convém assinalar que os autores do trabalho citado, cursavam o 2° ano do Curso de Especialização da A.P.H., na ocasião dos atendimentos, e que clinicavam em local
distante dos grandes centros. Assim, embora selecionando corretamente os medicamentos, a forma de prescrevê-los seria diversa alguns anos depois de formados.
E para os temerosos e perfeccionistas, fica esta lição do Dr. Felix B. de Almeida, da A.P.H., "A homeopatia, mesmo não executada com perfeição, dá ótimos resultados".
Desde que a seleção do remédio seja acertada.

14 - FURUNCULOSE
O furúnculo isolado ou eventual deve ser encarado como um abscesso e os remédios que dão resultado são os mesmos.
Chamo furunculose à repetição dos mesmos ou sua multiplicidade. Nesses casos, prolongo a administração de Hepar sulfur por 10 a 15 dias.
Se o pús é verde e muito espesso, ou se uma cultura revelou o Staphylococcus, convém indicar Staphylococcinum CH 30, 1 a 3 vezes por semana, por 2 meses. Se a
suspeita ou certeza recai sobre o Streptococcus, fazer o mesmo com Streptococcinum CH 30.
É importante saber que a furunculose. importa em reinoculação e é contagiosa. Já vi três casos concomitantes em mãe e dois filhos.
Recomendo investigar a glicemia e higiene da pele com sabonete germicida.

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15 - HEPATITES
Em geral, não mais se medica, pois a evolução em crianças é muito favorável. Repouso relativo e dieta pobre em gorduras e rica em glicose, promovem a cura em 20
a 30 dias.
Não sujeite a criança a constantes exames. Dois ou três são suficientes, bastando TGO e TGP. Investigação mais minuciosa só tem sentido quando se trata de uma
"icterícia a esclarecer".
Existe uma vasta experiência clínica dos homeopatas, indicando como principal remédio o Phosphorus. Trabalhos franceses em animais, inclusive com cortes histológicos,
demonstram a ação curativa e protetora desse medicamento em hepatites tóxicas provocadas. Se considerar necessário medicar, receite em CH 12, 3 vezes ao dia, 10
a 20 dias.
Recordo-me de um caso relatado pelo Dr. Mário Sposati, cuja repertorização indicou Chamomilla, usada em várias potências sem sucesso. A melhora só ocorreu quando
seguiu a experiência dos clássicos e receitou Phosphoras.
Casos mais especiais podem sugerir outros medicamentos:
BRYONIA - Pontada ao tossir ou respirar fundo. Melhora deitado sobre o lado direito, sede de grandes goles por vez. Pior por sacudida ou movimento. Calafrios que
começam na ponta dos dedos dos pés e mãos.
CHELIDONIUM - Icterícia intensa, nas escleróticas, face e palma das mãos. Prurido intenso, dores no fígado em pontadas que irradiam para as costas. Desejo de líquidos
quentes, especialmente leite, que trazem melhora. Sente-se bem ao meio-dia e depois do almoço.
LYCOPODIUM - Piora deitado sobre o lado direito ou por comer um pouco e sentir-se saciado. Grande flatulência no epigástrio. Não suporta roupa apertada no ventre
nem contradição. Piora entre 16 e 20 horas.
NATRUM SULF. - Pior sobre o lado esquerdo. Diarréia ao levantar, expulsa em jato. Flatos ruidosos que o aliviam. Língua suja na parte posterior, acinzentada.
Em minha experiência, o Phosphorus deve ser dado inclusive profilaticamente, em substituição à Gamaglobulina.

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16 - INFECÇÕES URINÁRIAS
Nessa situação, você vai ficar surpreso pelo sucesso e rapidez.
As queixas habituais - disúria e micção freqüente - são eliminadas em poucas horas (máximo de 48 horas), com Cantharis CH 6, 4 glóbulos de 4 em 4 horas.
A urina é freqüente, em gotas, com fortes dores durante a micção.
Se falhar, use Sarsaparilla CH 6 - urina melhor de pé, sofrendo dor ao terminar a micção.
Dificilmente você não terá êxito com um desses dois.
Requisite apenas um sedimento quantitativo. SOMENTE SE estiver alterado, peça a cultura. É sabido que 90% das I.U. são causadas por E. coli.
Pode, por isso mesmo, receitar desde logo o Colibacilinum CH 30, 1 vez por dia ou em "plus", se houver febre alta. Passada a fase aguda, receite em CH 200, 1 vez
por semana, por 2 meses.
Se a cultura indicar outra bactéria (Klebsiela, Proteus), receite-os do mesmo modo, em substituição ao Colibacílinum.
A investigação radiológica de anomalias será reservada para raros casos. Mesmo naqueles em que havia litíase, obtive a eliminação dos cálculos com o acréscimo
de Berberis CH 6 ou Lycopodium CH 30, segundo o aspecto do depósito. Convém ler a respeito na Matéria Médica.

17 - IMPETIGO
Minha recomendação freqüente é Hepar sulfar CH 6, de 4 em 4 horas - 6 dias. Acrescento por 3 dias o Streptococcinum C 200, 1 vez por dia. Recomendo remoção das
crostas, assepsia com H202 e sabonete germicida.
Alguns homeopatas referem bons resultados com:
ANTIMONIUM CRUDUM - Língua coberta por espessa camada branca como leite. Aversão a ser olhado.

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DULCAMARA - Vesículas, contendo líquido transparente. Logo murcham, transformando-se em crostas amarelo-marrons. Pior na face e queixo. Nesses casos de impetigo
bolhoso, pensar também em Rhus tox e substituir Streptococcinum por Staphy1ococcinum CH 30. Nas raras vezes em que não tive êxito, recorri a similares de Bactrim.

18 - INSÔNIA
O sono interrompido, o dormir mal, a dificuldade para pegar no sono, estão aqui incluídos.
O sono inquieto, dorme um pouco e acorda, lembra Sulfur CH 12, 1 vez por dia. Guie-se por outros sintomas como: calorento, sede de grandes goles, pior no calor,
orifícios rubros, preguiçoso, relaxado, aversão ao banho...
A dificuldade de pegar no sono é comum em China, Lachesis, Nux vomica...
Investigue mais 2 ou 3 sintomas de cada um e decida-se:
CHINA - Debilitado por perda de fluídos orgânicos (poluções, leucorréia, hemorragias). É friorento. Pior, por comer frutas. Desejo de gorduras e doces. É pálido.
Não tem calafrios à noite. As queixas tem periodicidade...
LACHESIS - É ciumento. Piora ao despertar. Por dormir. É falante. Não suporta golas ou cintos justos. Deseja bebidas alcoólicas. Piora pelo calor ou por bebida
quente...
NUX VOMICA - É hipersensível à luz, odores, ruídos, irritável. Ressentido. Agressivo física e verbalmente. Friorento. Perfeccionista. Avesso às correntes de ar.
Deseja bebida alcoólica, café. Constipado com desejos ineficazes. Sonolento após refeição...
Prescreve-se como indicamos para Sulfur.
Quando uma criança pequena não dorme, especialmente o lactente, necessita minuciosa investigação dos cuidados que a cercam: agasalho exagerado, sede, fome, assaduras,
roupa apertada... Excluídos esses fatores e se o medicamento crônico não resolveu o problema, minha conduta é dar 10 gotas de Passiflora inc... 3 vezes por dia,
reduzindo conforme a melhora. (TM)

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Ótimo resultado, também, obtenho com uma dose (quatro gotas) de Nux vomica CH 200 em um dia e Chamomilla CH 200 no dia seguinte. Podem ser repetidos uma semana
ap6s, se o resultado não satisfazer.
Em crianças maiores, preocupadas com tarefas escolares ou doença em familiares, receito Coffea cruda CH 30 todas as noites, até melhora.

19 - INTOLERÂNCIA ALIMENTAR
Aqui também os resultados são surpreendentes e curiosos. Mando preparar na farmácia o alimento acusado, em CH 30, que deve ser ministrado uma vez por semana (4
gotas), por 2 meses. A seguir, faz-se uma introdução progressiva do referido alimento, no cardápio da criança.
Tenho feito isso com lactose, glicose, chocolate, leite de vaca, camarão, ovo, frango, queijo provolone... Só duvide depois de experimentar.
Exemplo dessas curiosas e eficientes receitas:
Para Luiz Henrique
U. int.
Ovo de galinha CH 30 - gotas
Tome 4 gotas, em água, às 5as. feiras. Por 2 meses.
Obs.: Esta conduta é Isopatia.

20 - IRRITABILIDADE
Observe bem a mãe (no bom sentido), analise com critério essa queixa, pois a irritabilidade é atributo normal dentro de certos limites e variável nas faixas etárias,
estando ainda relacionada com o ambiente da criança. Investigue bem "os espelhos da criança". Se concluir que deve ser medicada, selecione:
CHAMOMILLA - Irritável facilmente. Não suporta ser olhado, indagado ou tocado. Pede objetos e os atira quando recebe. Melhora no colo. Fica "roxo de raiva". Chega
a perder o fôlego ou convulsionar.

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COLOCYNTHIS - Encoleriza por dor ou indignação. As dores melhoram por dobrar-se.
HEPAR SULFUR - Colérico e violento. Vontade de matar. Descontente com todos e consigo mesmo. Extrema sensibilidade a qualquer contato. É piromanfaco.
IGNATIA - Intolerante à contradição ou ao consolo. Humor alternante. O que agrada hoje, pode irritar logo depois, e vice-versa. Suspiros profundos.
LYCOPODIUM - Não suporta contradição ou desobediência. Tem que ser como quer. Valente com os pr6ximos. Covarde fora de casa. Agride verbalmente.
NUX VOMICA - Acessos de ira por contradição, por perguntas, por ser interrompido, por ser acordado cedo. Agride fisicamente.
STAPHYSAGRIA - Cólera por indignação reprimida pelo que fez ou lhe fizeram. Fica pálido e trêmulo.

Estude também Mercurius (cospe nas pessoas), Lachesis (enciumada), Aurum met. (disposição suicida).
Todos em CH 30, 1 vez por semana, por 2 meses, salvo se houver agravação. Nesse caso, suspender.

21 - LARINGITES
Todas as laringites, na vigência ou na seqüência de um resfriado comum, com febre, apresentam melhora com Aconitum nap. CH 6, em "plus" ou a curtos intervalos.
Com a melhora, espaçam-se os intervalos (4/4 hs.) mais 4 dias.
A vaporisação do ambiente é vantajosa.
Se não existe febre, a tosse é bem rouca, lembrando ruído de serra na madeira, está indicado Spongia tost. CH 6, do mesmo modo, sendo Moschus CH 6 a segunda opção.
Esteja atento para não desprezar uma difteria. Nesse último caso, os homeopatas experientes administram Mercurius cyan. CH 6, como referimos para Aconitum mas
têm à mão o sôro anti-diftérico, caso ocorra fracasso.

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22 - MOLÉSTIAS DA INFÂNCIA
Neste capítulo temos algumas opiniões, estritamente pessoais, discordantes, ora dos homeopatas, ora dos alopatas. Por exemplo, não fazemos mais restrição à vacinação.
De início (4 anos), acompanhamos a opinião de homeopatas respeitáveis (Moura Ribeiro, Alfredo Castro...); depois mudamos de idéia.
Atualmente concordamos quase na íntegra com Anna Kossak Romanach: "Ao médico homeopata compete colaborar no esforço das autoridades governamentais, as únicas estruturadas
para solucionar o grave problema das doenças contagiosas, cabendo-lhe evitar ou amenizar eventuais distúrbios pós vacinas... Não deve ele anarquizar a situação,
nem atemorizar os clientes sobre eventuais conseqüências indesejáveis, problemas estes possíveis e por demais conhecidos de todos, mas que não podem ser levados
em consideração quando se pretende salvaguardar a comunidade, ou "metade de uma cidade", ou ainda "três quartas partes de todas as crianças", como acontecia antes
da vacinação antivaríola e conforme referência no parág. 46 do Organon." (Homeopatia em 1.000 conceitos - Ed. El Cid - pgs. 474-475 S. Paulo 1984).
Por outro lado, não estamos convencidos das vantagens do BCG. Quando de uso oral, foi cantado em prosa e verso. Depois surgiu o liofilizado, substituído pelo intradérmico
e pelo percutâneo.
Desacreditado por muitos trabalhos na prevenção e gravidade da tuberculose, aventaram-no na da Hansenfase e posteriormente na cura de neoplasias. Atualmente é
tido como vantajoso na prevenção da meningite tuberculosa.
Pessoalmente, mantendo-lhe minhas restrições.

Difteria
Já expressamos nossa opinião ao abordar as laringites.

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CAXUMBA (Parotidite)
Evolução geralmente benigna, em 3 a 6 dias, com: Beladonna ou Mercurius sol. em CH 6, 4 x dia, na fase inicial. Selecione-os pelo estudo da Matéria Médica. Quando
a evolução se arrasta, a dor e os enduramentos persistem, acrescente Barium iod. CH 30, 1 x dia.
A complicação mais temida, embora rara, a orquite, reage muito bem à Pulsatilla CH 30, 1 x dia.

Coqueluche
Temos bons recursos para tratá-la:
DROSERA ROT. - O que nos traz major satisfação. Tosse seca, rouca, quintas sucessivas. Mal pode respirar. Aperta o tórax com as mãos. Ruborização. Pior à noite.
Olhos salientes. Lacrimejamento. Comer, falar ou beber, desencadeiam o acesso. Para Hahnemann, curar-se-ia com uma só dose em CH 30. Antes fosse... Pode dar 2 vezes
por dia, vários dias. Não havendo melhora, dar CH 200 3 vezes por semana. Essa posologia é igual para qualquer um dos que se seguem:
COCCUS CACTI - Acessos matinais, sufocantes. Melhor ao ar livre. Elimina abundantemente mucosidade, que pende em filamentos no canto da boca.
CORALLIUM RUB. - Sucessão rápida dos acessos. Mal termina um e logo começa outro. Fica quase cor de coral. Vômitos que o esgotam. Epistaxe. Sente frio o ar respirado.
CUPRUM MET. - Acessos prolongados, quase sem interrupção. Melhor por bebidas frias. Fica cianótico. Chega à apnéia.
IPECA - Acesso com vômito que não alivia. Náusea persistente. Cianose. Língua limpa.
MEPHITES PUT. - Acesso a intervalo de duas horas. Espasmo laríngeo que se traduz por um grito. Olhos congestos e dolorosos.

Há quem use o Pertussinunn. Não vimos utilidade. Achamos que é muito bom para tosses "coqueluchoides", de repetição. Dar CH 30, 1 vez por semana, 1 a 2 meses.

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Escarlatina
Tratamos vários casos até hoje, sempre com Belladonna CH 6, 4 em 4 horas, por 6 dias. Às vezes de 2 em 2 horas nas primeiras 48 horas. Jamais voltamos a indicar
antibiôtico. Sempre fazemos seguimento por 60 dias, seja para "selar o diagnóstico" (descamação de palma das mãos e plantas dos pés), seja para surpreender as complicações
renais ou cardíacas tão temidas. Nunca as encontramos em nossos casos.
Os clássicos sugerem também:
APIS MEL. - Quando há ausência de sede na febre. A úvula está edemaciada e brilhante, como um badalo de sino. O enfermo está em estupor, que é interrompido por
gritos. As pálpebras estão edemaciadas e há albuminuria. Provável nefrite.
ARUM TRIPH. - Prostração. Delírio com carfologia. Mucosas irritadas, sangrantes, especialmente do nariz, que é frequentemente explorado pelos dedos do paciente.
Os lábios estão fendidos, sangrantes, e o doente lhes arranca "pelinhas" incessantemente.
AILANTHUS GLAND. - Escarlatina muito grave. Febre intensa. Adinamia. Erupção irregular, lenta. Manchas violetas que desaparecem pela pressão e retomam muito lentamente.
Infiltração lenhosa do pescoço, lembrando um flegmão. Faringe ulcerada. Hálito fétido. Delírio. "Vê ratos correndo pela cama". Inconsciência. Casos desesperadores.
Prescrição de todos, igual à de Belladonna.
Felizmente não tivemos casos que sugerissem tais medicamentos.
Quanto ao uso de Belladonna como profilático, não tivemos o sucesso referido por Hahnemann.

Rubéola
Para nós é uma doença benigna, de curta duração. Recomendamos: se não estiver tudo bem, após 3 dias, traga-nos de novo. Ninguém retornou...

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Varicela ou Catapora
Na 1ª edição deste livro, conforme nossa vivência e a opinião contida em tratados clássicos, afirmamos tratar-se de moléstia banal, que raramente medicávamos.
Todavia, a partir do 2° semestre de 1988, avolumaram-se os casos em que os pacientes apresentaram comprometimento do estado geral, além de infecção secundária
e até flegmões.
As lesões foram numerosas e distribuídas em desacordo com o habitual. Em conseqüência, muitos casos exigiram atenção especial e medicação, com Rhus tox. CH 6,
Hepar sulfur CH 6 ou Staphylococcinum CH 30, além de rigorosa higiene corporal.
Considerando a afinidade vir6tíca com o herpes, e os bons resultados que obtemos na profilaxia deste último, com o emprego de Variolinum CH 200, estamos inclinados
a sugerir o tratamento dos casos graves de varicela, com Variolinum CH 30, uma vez por dia, por 6 dias.
E sua profilaxia com Variolinum CH 200, 1 vez por semana, durante um mês.
Vamos tentar?

Sarampo
Na fase inicial, pré exantemática, é vantajoso o uso de Aconitam.
Ansiedade, medo, ausência de suor, sede ardente. Empalidece ao sentar-se. Ou:
FERRUM PHOSPH. - Muito catarro. Congestão ocular. Fotofobia. Epistaxes.
BRYONIA ALB. - Exantema lento, que às vezes retroage. Petéquias. Sede de grandes goles. Pensa estar fora de sua casa. Chora antes de tossir.
DROSERA ROT. - Quando a tosse for o sintoma mais incômodo e tiver as características desse medicamento.
EUPHRASIA - Se a sintomatologia óculo-nasal predomina e concordar com sua patogenesia.

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GELSEMIUM - Quando é marcado por calafrios dos pés e mãos, que sobem e descem pelas costas. Desejo de ficar só. Custa a manter os olhos abertos. Melhora por micção
copiosa.
Quando a fase prodrômica se prolonga e não surge o exantema, pode-se dar 1 dose de Sulfar CH 30, ou seguir a sabedoria popular, em lugar do chá de sabugueiro,
dar Sambucus nig. CH 6, 4 vezes ao dia (que é o sabugueiro).
Depois de ler este capítulo, é bom que você faça algumas reflexões:
1 - Há um dito popular que diz: "é melhor prevenir que remediar".
2 - Eizayaga afirma: "até prova em contrário, o remédio constitucional não confere imunidade contra agentes infecciosos específicos" (Tratado de Medicina Homeopática
- Ed. Merecel, 2a ed. - pag. 350 - B. Aires - 1981).
3 - Na página seguinte, mesma obra, fala com entusiasmo do uso de nosódios etiológicos para profilaxia de várias moléstias infecto contagiosas. Os trabalhos em
que se baseia, lidos por mim, não oferecem a mínima segurança no sentido de substituir a vacinação clássica.
Muito mais significativo é o de David Castro e G.W. Galvão, relativo à meningite, realizado em Guaratinguetá, ou o de Barros da Silva em Minas Gerais. Ambos fazem
parte da bibliografia de trabalhos franceses (Homeopatia e Profilaxia Similia - pgs. 17 a 20 e 3 a 11 - Rio de Janeiro - 1978).
4 - Não existe critério uniforme dos homeopatas relativo às vacinações. No Brasil, em 1980 (inquérito que realizei), 17% eram contra qualquer vacina, enquanto
10% indicavam todas. 41% não proibiam nenhuma e 14% proibiam todas.
5 - No XVII Congresso Brasileiro de Homeopatia, em. 1986 = São Paulo, Sonia A.B. Brito e colegas, apresentaram trabalho contrário às vacinações, com gráficos demonstrativos
de sua ineficácia. Existem, porém, milhares de trabalhos contrariando tal conclusão.
6 - Lembre-se, todavia, que imunidade não depende apenas do choque antígeno-anticorpo. A focalização no agente causal

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pode fazer esquecer fatores como nutrição, moradia, saneamento, nível de vida, de extrema importância.
7 - Acredito que os nosódios possam vir a substituir a vacinação clássica, mas só depois de amplamente testados (segundo o Prof. Otto Bier, no mínimo em 100 mil
casos).
8 - Hahnemann nada escreveu contra a única vacina que conheceu. Ao contrário, elogiou-a.

23 - "OLHO DE PEIXE"
Essa hiperqueratose localizada nos pés, comumente tratada pela Homeopatia livra muitas crianças da exérese cirúrgica.
Em todos os casos receito Antimonium crud. CH 6 - 4 vezes ao dia, por 20 a 30 dias.
Quando se localizam nas mãos, o melhor resultado é obtido com Sepia CH 6.
Num caso e noutro, não ocorrendo cura, convém tentar a potência CH 30, 1 vez por dia. Raramente não tive êxito.

24 - PIODERMITE
Frequente em recém-natos, trato-as com assepsia local, rutura das micro-pústulas e administração de Hepar sulfur CH 6, 4 vezes ao dia, 6 dias, além de Staphylococcinum
CH 30, 1 vez por dia, 3 dias.

25 - REGURGITAÇÃO
Considero a "Papa de Epstein" um grande recurso que indico com freqüência.
Quando medico, faço-o com Aethusa cyn. CH 6 - 4 vezes a dia - 6 dias, ou Silicea CH 6, igualmente.
Já experimentei receitar Silicea CH 200 para a nutriz, mas não me convenci.

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26 - RINITE ALÉRGICA
Ou espasmódica, ou primaveril, ou febre do feno. Diversos rótulos para uma só condição.
Nosso tratamento:
ALLIUM CEPA - Já estudado. EUPHRASIA - Idem.
ARUNDO MAURIT. - Ardor e prurido incômodo no pálato, fossas nasais e conjuntivas. Secreção aquosa que logo se faz mucosa e aderente.
SABADILLA - Espirros espasm6dicos, paroxísticos. Lacrimejamento e secreção nasal abundantes. Pior pelo frio. O doente evita a crise aderindo a língua ao pálato.
A seleção do medicamento crônico é de grande importância, dado em CH 30, 1 vez por semana, 2 a 4 meses.
Costumamos mandar preparar auto-nos6dio da secreção nasal, que indicamos em CH 30, 1 vez por semana, 2 a 4 meses.

Rinites Especiais
Excluídos o resfriado banal e a gripe, encontramos a do recém-nascido (coriza do bebê ou "fungação").
"Desde que veio da maternidade não consegue mamar por que o nariz entope". "Não consegue dormir com a boca fechada". "De noite parece que vai morrer sufocado"...
Aqui podemos exultar por antecipação:
AMONIUM CARB. - CH 6, 4 gotas, de 4 em 4 horas, em água, 6 a 8 dias (pela boca). Se existe secreção bolhosa, clara, visível.
SAMBUCUS NIG. - Igualmente. Há pouca secreção. Muito ruído nasal.
Mande retomar, sem cobrar, após 6 dias: "Foi o mesmo que tirar com a mão"... É o que tenho ouvido...

27 - SINUSITE
Temos tratado muitos casos com êxito. Apesar de estarem indicados muitos medicamentos, nossa vivência aponta a grande utilidade de:

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HEPAR SULFUR. - CH 6 - Dor intensa. Sensação de peso na região frontal, sensibilidade ao toque. Febre. Secreção esverdeada. Odor ofensivo.
PULSATILLA - CH 6 - Dores esparsas, pioradas pelo calor. Corrimento abundante, esverdeado, não irritante. Desejo de ar livre. Ausência de sede.
HYDRASTIS - CH 6 - Secreção amarelada, aderente, de escoamento retro-nasal que obriga a pigarrear.
KALIUM BICH: - CH 6 - Dor frontal e na raiz do nariz. Secreção espessa, esverdeada, filamentosa. Crostas ou tampões elásticos de remoção difícil.
Selecionamos 1 ou 2 e damos 4 vezes por dia, em dias alternados, por 1 mês. Um nosódio, escolhido conforme a cultura, é dado 1 vez por semana, por 2 meses. Comumente
é o StaphyIococcinum CH 200.

28 - TERÇÓIS
Encare-os como um micro-furúnculo ou micro-abscesso.
Seu remédio principal é, portanto, o Hepar Sulfur, CH 6, 4 vezes ao dia, 6 dias.
A situação e pálpebras com blefarite ou eczema, sugere Graphites, CH 6, igualmente.
Em crianças reconhecidas como Pulsatilla, este é o remédio. A posologia é a anterior.
Se houver pouca inflamação, edema r6seo, translúcido, melhora por compressas frias, Apis melL, CH 6, pode ser preferido.
As recidivas costumam ser evitadas com Staphysagria, CH 30, uma vez por semana, 2 meses, ou com Staphylococcinum, CH 30, igualmente.

29 - TERROR NOTURNO
A descrição da cena é bem característica e a indicação favorita dos autores, comprovada em minha experiência, é Stramonium, CH 30, à noite, suspendendo logo que
ocorre melhora.

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Ocasionalmente ocorrem recaídas, que tratamos com Stramonium, CH 200. Dose única.
Nunca precisamos usar outro medicamento.

30 - TIMIDEZ
Essa queixa está presente nas crianças Calcarea carb. Pulsatilla e Silicea, conforme nossa experiência.
Selecione mais 2 ou 3 sintomas e ouvirá muitas vezes no retomo, as seguintes expressões: "ganhei outro filho", mudou da água para o vinho" "as professoras da escolinha
perguntaram se foi ao psicólogo"...
Em nossa casuística, os êxitos maiores foram devidos a Silicea, CH 30, 1 ou 3 vezes por semana, por 2 meses.
Calcárea é apático, lerdo, medroso, gordinho. Adora ovo. Sua muito na cabeça.-
Pulsatilla é meiga, dóci1, vaidosa. Pouca sêde. Desejo de frituras. Piora em lugar fechado. Choro fácil. Sintomas erráticos. Adora consolo.
Silicea, não tem confiança em si mesmo. Recusa consolo. Tem muita sêde. É friorento. Suor ofensivo nos pés. Supura com facilidade. Horror a objetos pontiagudos...
A posologia que adotamos é igual para qualquer dos três.

31 - TIQUES OU CACOETES
Sempre atribuímos a um estado de tensão ou necessidade de "aparecer". A recomendação de "não ligar", nem corrigir, é de suma importância. O medicamento que nos
oferece resultados muito bons, em todos os casos, é Agaricus muse, CH 30, 1 vez por semana - 1 mês.
Eventuais recidivas são resolvidas com CH 200, dose única.

32 - TORCICOLO
Temos visto muitos casos e resolvemos todos eles em poucas horas (máximo de 48 horas), com Bryonia alba, CH 30, 3 vezes ao dia, 3 dias.

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É interessante assinalar que sob a rubrica "Torcicolis" (315-3), no Repertório de Kent Eizayaga, não consta esse medicamento. Valeria a pena acrescentá-lo, tal
é a constância de seus resultados.
Todavia, no mesmo livro, em "Garganta externa" - rigidez dos lados (315-1), ele lá está com 3 pontos.

33 - URTICÁRIA
Temos obtido sucesso, na maioria dos casos, com Apis mell, CH 6, 4 vezes por dia, em 2 a 4 dias.
Preferimos Apis quando o prurido melhora por aplicações frias e o paciente não tem sêde.
Optamos por Arsenicum se o prurido melhora por aplicações quentes e existe sêde frequente de pequenos goles.
Croton tigli, é sugerido por muitos autores quando as placas são confluentes.
Naqueles casos devidos à ingestão de mariscos, a preferência é por Urtica urens, CH 6.
Todavia, Apis ou Arsenicum são nossos favoritos.

34 - VAGINITES
A queixa é feita como corrimento. O exame local e a anamnese revelam muitas vezes mera falta de higiene.
Recomendações nesse sentido, ou até utilização de banhos de assento contendo substância germicida, solucionam muitos cases.
Quando persiste, costumamos indicar Hepar sulfur, CH 6 ou Pulsatilla, CH 6, 4 vezes per dia. Se houver recidivas, pedimos cultura e mandamos preparar o nosódio
correspondente, em CH 30, que deve ser tomado 1 vez per semana, por 2 meses.
O corrimento em Pulsatilla é não irritante. O de Hegar sulfur costuma ser irritante.

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35 - VERRUGAS
Apregoada por todos os autores, Thuya não nos proporcionou os resultados esperados. Já utilizamos em CH 6 e CH 30, e os resultados sempre foram inconstantes.
Temos tido sucesso frequente quando receitamos Causticum para as verrugas situadas sob as unhas ou próximo delas, nas pontas dos dedos. Receitamos CH 30, 3 vezes
por semana, por 2 meses.
O uso local de Thuya T.M., sempre indicado, também não nos satisfez, apesar de consagrada pelo uso popular.

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COMO PRESCREVER
Não deve haver uma norma fixa para a prescrição. Assim como procuramos individualizar o paciente, também devemos individualizar a prescrição.
É tão válido dar potências baixas, quanto altas; doses repetidas ou doses únicas.
Guarde, porém, as seguintes regras gerais:

Casos mais agudos = potências mais baixas (CH3 - CH 6)
Casos mais crônicos = potências médias ou altas (CH30 a CH 200)
Casos lesionais = potências baixas (CH6)
Similitude local ou regional = potências mais baixas (CH3 - CH6)
Similitude psíquica = potências altas ou altíssimas (CH200 a CH10.000)
Casos agudos = doses repetidas
Casos crônicos = doses únicas ou espaçadas (8 a 60 dias)

Nos casos muito agudos, ou quando desejamos resultados muito rápidos, costumamos usar "o chamado método plus".
Consiste em mandar diluir 10 gotas ou 10 glóbulos em 1/2 copo de água e administrar 1 colher das de chá de 15 em 15 minutos, por 1 ou 2 horas, agitando sempre
a solução antes de colhê-la. Não havendo melhora nesse período, o remédio está errado ou não foi bem aviado.
Havendo melhora, desprezar a solução e dar 4 gotas ou g1óbulos de 2 em 2 ou de 4 em 4 horas (conforme o grau de melhora), por mais 4 dias.
Nunca interrompemos a medicação abruptamente. Não é por atavismo alopático. É por experiência clínica.
Gotas ou glóbulos? Alfredo Castro é defensor intransigente das primeiras. Eizayaga é franco defensor dos glóbulos. Não notamos diferença em nossa prática. Mais
uma vez, individualizamos:

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menores de 1 ano, gotas. Maiores de 1 ano, glóbulos. Quantos ou quantas por vez? Não quebre a cabeça. Escolha um número (2-4-6) e receite sempre igual. Eu receito
sempre 4, para qualquer idade e qualquer peso. Em homeopatia, a quantidade não influi. Há exceções: os grandes tóxicos (Mercurius, Phosphorus, Arsenicum...); os
grandes venenos: (Lachesis, Naja, Crotalus...). Se tomamos em potência baixa (CH 3), ou em grande quantidade (20 glóbulos, 3 x dia), oferecem risco.
Medicamentos pouco solúveis, só podem ser receitados em tabletes, quando abaixo de CH 5.
Medicamento único? Sim, sempre que possível. Quando não, 2 ou 3 alternadamente. Nunca na mesma hora, nunca no mesmo frasco.
Mais que três no mesmo dia, você passou meu limite de tolerância.

MODELO DE RECEITAS
1) P. Ricardo - 2 anos
U. Int.
Belladona CH 6 4 glóbulos, de hora/hora, até cair a temperatura. Depois, de 4/4 hs., mais 4 dias.
2) P. Julio - 8 meses U. Int.
Arsenicum alb. CH 6
Diluir 10 gotas em meio copo de água. Dar uma colher das de chá, de 15/15 minutos, por 2 horas. Agite sempre antes de dar. Havendo melhora da diarréia, desprezar
a solução e dar 4 gotas em 1 colherinha com água, de 4/4 hs., por mais 4 dias.
3) P. Marilia - 4 anos
U. Int.
1) Thuya occ. CH 30
4 g1óbulos, 2ª, 4ª e 6ª
2) Calcarea ostr. CH 30
4 glóbulos, 3ª, 5ª e sáb.

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3) Streptococcinum CH 200
4 glóbulos, domingos
Todos, por 2 meses.
4) P. Dirceu - 7 anos
U. Int.
Sulfur CH 200 X/20
Tome de uma vez. No dia da compra.
5) P. Eliane
U. Int.
Lycopodium CH 30
4 glóbulos, 1 vez por semana - 2 meses
6) P. Adriana - 12 anos
U. Int.
Tuberculinum CH 30
4 glóbulos, 1 vez por mês - 4 meses
7) P. Alberto - 10 meses
U. Int.
1) Cantharis ves., CH 6
4 gotas, em 1 colher de chá de água, de 4/4 hs.
6 dias.
2) Colibacilinum CH 200
Tome 4 gotas hoje e depois 1 vez por semana
2 meses
OBS.: - Está escrito nos clássicos que o medicamento deve ser tomado em jejum, ou longe dos horários de agravações, ou no horário das agravaçôes. Não deve ser
tocado pelas, mãos, a boca deve estar bem limpa, não deve ficar sobre o televisor, não deve ser dado a quem esteja tomando alopatia; o paciente não deve ingerir
temperos ou alimentos medicinais (cebola, alho, café, chás...).
Está escrito, mas não conheço qualquer trabalho científico bem elaborado que prove tais afirmações.
Por outro lado, minha experiência não coincide com tais restrições.
Considero-as mistificantes, complicadoras e não as endosso.

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NOSÓDIOS
São medicamentos preparados a partir de secreções ou excreções patológicas, animais ou vegetais, e de microorganismos ou suas toxinas.
Foram incluídos no "Codex" francês em 1965, com a denominação de "bioterápicos".
Recebem o nome de auto-nosódios quando o material é obtido do próprio paciente. O sangue de um paciente é considerado um autonosódio polivalente. tendo sido dinamizado
e empregado por muitos autores (Collet, Rogers, Roy, Vannier...).
O brasileiro Licinio Cardoso escreveu inclusive um livro, narrando sua experiência. Deu ao processo utilizado o nome de "Dyniotherapia autonósica".
Jayme Treiger, no Rio de Janeiro, é um de seus adeptos. Em São Paulo, atualmente, Sérgio Bella (A.P.H.), anda muito interessado no assunto. Uma grande restrição:
o medicamento é injetável.
Mas porque incluí neste livro um capítulo sobre nosódios? Porque os considero de grande utilidade prática e os indico freqüentemente.
Não pensam assim muitos autores homeopatas. Talvez porque Hahnemann chegou a condenar seu uso. Talvez porque nem sempre representem o "Simillimum", ou ainda porque
facilitam e abreviam o tratamento...
Gustavo Bearzi, todavia, na A.P.H. é um de seus grandes partidários.
Diz Eizayaga que nenhum doente crônico se cura se não identificar seu miasma a lhe dermos seu nosódio correspondente.
Assim, Psorinum para a Psora, Medorrhinum para os sic6ticos a Luesinum para os sifilíticos.
Qualquer nosódio pode ser receitado:
1 - Quando houver semelhança entre sintomatologia e patogenesia (não existe, porém, a patogenesia de muitos);
2 - Quando houver similitude etiológica, infecciosa (Pertussinum na coqueluche, Streptococcinum na escarlatina...);

Pag. 97
3 - Por referência do paciente nestes termos: "Desde que teve sarampo (p.ex.), nunca mais teve saúde". Receite Morbilinum CH 30, 1 vez por semana - 1 a 2 meses.
A prescrição de um nosódo também deve ser individualizada, mas como regras gerais, lembre-se: nunca abaixo de CH 30, não muito freqüente (em média 1 vez por semana),
por 2 a 4 meses.
Em pediatria temos receitado muitas vezes, pela ordem: Streptococcinum - Lisado de culturas de Streptococcus pyogones Rosembach.
Staphylococcinum - Idem de Staphylococcus pyogenes e aureus.
Tuberculinum - Extrato de corpos bacilares e suas toxinas. Receite assim: TK CH 30. Se escrever Tuberculinum terá que dar muitas explicações.
Oscilococcinum - Micróbio isolado do sangue de cancerosos.
Colibacilinum - Lisado de 3 cepas de Escherichia coli.
Medorrhinum - A partir do pús blenorrágico.

E mais raramente:
Carcinosinum - Obtido de diferentes cânceres.
Influenzinum - Partindo da secreção naso-faríngea de um gripado.
Psorinum - Vesícula da sarna.
Luesinum - Raspado de cancro sifilítico.
Pertassinum - Muco de um coqueluchoso.
Variolinum - De conteúdo de pústula da varíola.

Os franceses fazem grandes elogios a Pyrogenium (Drysdale) Extrato aquoso de carne putrefata.
No Brasil, o "Papa" no preparo, pesquisa e emprego de nos6dios é Roberto Costa.
Seus nosódios distinguem-se do comum porque são preparados a partir de microorganismos vivos. Ele os chamava "nosódios vivos". Na verdade, depois de preparados
não estão mais vivos. Portanto, não representam perigo e são mais ativos, segundo afirma.

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AGRAVAÇÕES
Recentemente indaguei de Rezende Filho, um dos mais experientes e capacitados homeopatas mundiais, que apesar disso reside a clinica no Brasil, se esse assunto
mereceria duas aulas em um curso de especialização em Homeopatia. Em outras palavras, se tais agravações eram freqüentes em sua experiência.
Resposta, depois de refletir um pouco: "Ultimamente, sim! Porque esses homeopatas novos dizem a todos os clientes que o medicamento homeopático, para curar, precisa
agravar. Agora, todo mundo agrava!"
Eizayaga, no único trabalho clínico experimental de que tenho notícia a respeito, estima as agravações em 10%, com algumas restrições. Não as tema, portanto. São
muito mais "sugestivas" que reais. Em minha opinião, devem-se muito mais a potências altas para o caso, que propriamente a uma "necessidade". Pode-se curar, sem
agravar.
Se você utilizar potências crescentes (6 - 12 - 30 -. 200...) dificilmente terá problemas maiores.
Como tratá-las? Por 4 processos:
1 - dando o medicamento que mais se assemelha à sintomatologia do paciente;
2- dando o mesmo medicamento em potência mais alta;
3 - dando o mesmo medicamento em potência mais baixa. Prefiro este último, que muitas vezes coincide com o primeiro; 4 suspendendo a medicação por, mais ou menos,
uma semana.

OBS.: - Esse assunto está muito relacionado com "prognóstico clínico dinâmico", e "2ª prescrição".
Recomendo sua leitura detalhada em "Homeopatia em 1.000 conceitos" - "Tratado de Medicina Homeopática" e "Filosofia de Kent" (obras já citadas).

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SUPRIMINDO A SUPRESSÃO
"O trabalho mais laborioso do mundo, é PENSAR - diferente de LER."
Creio que se aplica com perfeição a alguns colegas homeopatas, de raro brilhantismo e extremamente estudiosos, que devoram livros e citações, mas não fazem o principal
que é PENSAR.
Cérebros privilegiados que são, não aceitariam, se o fizessem, tudo que o papel aceitou. Prefaciando a edição brasileira do "Organon", afirmava Sylvio Braga e
Costa: ..."não se pretenda em ciência continuar com o velho misticismo de adotar-se tudo o que o mestre disse, s6 porque foi ele quem disse." (refer. genérica).
Pior que isto, porém, é ser "mais realista que o rei". Ou seja, além de aceitar, levar a extremos, determinados conceitos, generalizando-os, sem um cuidado maior
em sua aplicação em cada caso. É exatamente isto que vem ocorrendo a propósito de SUPRESSÃO.
Para quem lê e pensa, está muito claro que Hahnemann admitia a supressão apenas em alguns casos de cirurgia, nos tratamentos locais de doenças só aparentemente
externas (pgs. 202-203), no caso de medicação antipática conforme a lei dos contrários e no emprêgo de doses ponderáveis. (pg. 61)
Muitos de seus leitores, porém, impensadamente, além de aceitar sem restrições, estes conceitos, generalizaram-nos, tornando assustadora a prática da medicina,
inclusive com medicamentos baseados na Lei dos Semelhantes e em doses infinitesimais.
Esta última conclusão está em total desacordo com o próprio Hahnemann, quando afirma no livro "Doenças Crônicas": "Por si só, nossa força vital jamais seria capaz
de vencer uma doença crônica, NEM sequer subjugar doenças passageiras, sem que fossem causadas perdas consideráveis a algumas partes do organismo, caso este permanecesse
sem ajuda externa, sem auxífio de remédios genuinos. Prestar um tal apoio é o dever imposto à compreensão do médico pelo Mantenedor da vida." E mais adiante: "Apenas
medicamentos homeopáticos podem conferir este poder superior à força vital."

Pag. 100
Todavia, mesmo os conceitos claramente expostos por Hahnemann quanto à supressão, comportam restrições. Porque não fazê-las? Porque não pensar?
Para mim não é fácil aceitar que uma sarna "suprimida" por tratamento tópico, seja capaz de resultar em todos os males relatados no livro "Doenças Crônicas" (pgs.
85-113). Muito menos a "supressão" de uma tinea capitis. Hahnemann, porém, acreditava nisto, e dá inúmeros exemplos de sua casuística pessoal e de colegas. Como
explicaria diversos outros casos, também de tinea ou de sarna, em que as lesões desapareciam sem tratamento e ocasionavam os mesmos males?
Hahnemann certamente era muito mais inteligente que eu, e me pergunto porque não admitia que os referidos casos tratados localmente com unguentos à base de chumbo,
mercúrio ou enxofre, teriam levado os pacientes a uma intoxicação medicamentosa, pela absorção cutânea de tais substâncias. Os sintomas que vieram a apresentar,
concordam frequentemente com a toxicologia de cada um. Ficariam sem explicação, porém, aqueles em que as lesões desapareceram, sem medicação local.
Bem sei que para os "sacerdotes" da Homeopatia, para aqueles que a consideram uma "religião", da qual Hahnemann é o "Deus infalível", não passo de um "hereje pretencioso".
Sinto, porém, que é dever de todos os homeopatas pensar e aparar as arestas de uma homeopatia que não pode ignorar os conhecimentos surgidos depois de 1842. Não
posso, por exemplo, endossar Hahnemann quando afirma que a varíola ou o sarampo são transmitidos de uma criança a outra sem um contágio material (pg. 11); menos
ainda que a Psora resulte de uma sarna suprimida por tratamento local, e favorecida pelo uso do café.
Aceitar, com Hahnemann, que medicamentos que obedecem a Lei dos contrários, possam suprimir, não me é difícil. Se aceito que os sintomas são manifestações exteriorizadas
da Força Vital, no sentido de voltar ao estado de saúde, ao re-equilfbrio, sempre que utilizo medicação contrária a tais sintomas, estou, ao menos teoricamente,
contrariando a natureza, e a supressão é muito possível.

Pag. 101
Quando, porém, faço uso de medicamentos baseados na Lei de Semelhança, com o objetivo de estimular inespecificamente reações naturais da Força Vital, utilizando
doses infinitesimais, custa-me aceitar que possam suprimir.
Conhecemos, porém, muitos relatos de casos, em que mesmo assim procedendo, houve uma aparente "interiorização" da molestia. Para os que acreditam em supressão
com medicamento homeopático, esta é a única explicação.
Conviria pensar, porém, em outras hipóteses mais prováveis. E a mais provável é que "errando o remédio", o paciente "não foi tratado" e a moléstia seguiu seu curso
natural, "interiorizando-se". É clássico o exemplo de reumatismo relatado por Kent, em que desaparecem os sintomas articulares e surge a cardite reumática. Ora,
é sabido desde Bouillaud que "o reumatismo `lambe' as articulações mas `morde' o coração." Nada mais natural, portanto, que um paciente "não tratado" ou com medicação
ineficaz, venha a apresentar o que muitos considerariam uma "metástase mórbida". Outro exemplo, este mais frequente, é o paciente. medicado por um "resfriado comum",
cujos sintomas nasais desaparecem, evoluindo a seguir para um quadro de pneumonia.
Inúmeros são esses casos, qualquer que tenha sido a medicação, ou sem qualquer medicação. Quem pode assegurar que houve supressão, ou que a evolução foi natural,
em virtude de seleção equivocada do medicamento?
E que dizer das "alternâncias mórbidas"? Não s6 os homeopatas as reconhecem. Com medicação, qualquer que ela seja, e mesmo sem nenhuma terapêutica, certos pacientes
alternam períodos de asma e eczema.
Apesar, porém, dessas hipóteses possíveis, admitimos que em raros casos possa haver supressão com medicamento homeopático dinamizado, desde que suficientemente
analisados e descartadas explicações mais lógicas, como as anteriores.
Como isto seria possível? Utilizando potências abaixo de CH 12, em pacientes altamente suscetíveis à ação química da substância base, que mesmo em quantidade mínima,
atuaria sobre eles, segundo a Lei dos Contrários.

Pag. 102
Todos sabemos que o conceito de potência alta, média e baixa é individual. Do mesmo modo o efeito da quantidade de droga. Dentro de limites, às vezes bem amplos,
a mesma quantidade de uma droga pode ser fatal para uns e inócua para outros. Isto explicaria que, para alguns, uma quantidade minima de droga, mesmo dinamizada,
possa exercer um efeito toxicológico conforme a Lei dos contrários, possibilitando uma supressão do tipo enantiopático. Se existe, seria realmente esse o seu mecanismo?
A mim não preocupa. O que me aflige sobre o assunto supressão - tanto quanto sobre agravações, é que está havendo um enorme exagero por parte de alguns homeopatas
com relação a sua ocorrência e aos seus danos.
Os que se iniciam no estudo da Homeopatia, chegam a deixar de praticá-la, com grande prejuízo para os pacientes, receiosos de cometer "pecados", acerbamente condenados
pelos "novos cardeais" de uma te: apêutica de base experimental, por eles transformada em um "catecismo dogmático", cujos "mandamentos" apavoram os neófitos. Na
verdade, poucos são os casos que não poderiam encontrar explicações mais lógicas.
O medo de medicar, especialmente os casos agudos, por receio de supressão ou agravação, é uma atitude em total desacordo com a missão do médico.
Na prática da medicina, devemos utilizar todos os conhecimentos ao nosso alcance, no sentido de minorar ou eliminar o sofrimento de nosso paciente (C. Ética),
afastando de nossa mente conceitos nem sempre bem fundamentados, inclusive relativos a outras terapêuticas, sobre cujos inconvenientes alguns homeopatas também costumam
ser muito extremistas. Afirmar, em 1988, que "meu paciente morre comigo mas não o encaminho à alopatia" é sem dúvida não desejar o apoio dos que tenham bom-senso.
Continuar aceitando que "primeiro vem a caverna tuberculosa e depois a bactéria" (Kent), é fechar os olhos a evidências experimentais gritantes.
Ainda quanto à supressão, é bom saber que esse mesmo Kent (Lic. XV) afirmou que "para suprimir é necessário um estado de violência sobre a economia, por meio de
grandes doses" (dos dissimilares). Logo, se você usar doses infinitesimais de medicamento similar, tem pouca chance de suprimir.

Pag. 103
Além disso, conforme Silvio B. e Costa, o organismo tem certa analogia com os explosivos: o medicamento é apenas a espoleta. Se admitimos que não é ele quem cura,
mas sim a reação (explosão) do organismo (F.V.); se o medicamento homeopático é apenas um estimulante, dificilmente será supressivo.
Guie-se portanto, pelo seu bom-senso. PENSE - não leia nem ouça sem questionar. Não se intimide quando alguém lhe disser que "a Homeopatia pode até matar", pois,
falando da teimosia dos médicos, em não aceitar as pequenas doses, dizia Hahnemann: Poderia ter acontecido algo pior do que se mostrarem ineficientes? ELAS SEM DÚVIDA
NÃO PODERIAM FAZER MAL". (D.CR. lá-Pref. -1828).
Fuja, portanto, dos extremismos. Liberte-se, usando mais a razão e menos o que dizem os mestres, pois eles também, quando pensam, quando não são fanáticos e quando
se baseiam na experiência e não em especulações imaginativas, acabam por render-se à realidade, inclusive alterando conceitos anteriormente emitidos (6 edições do
Organon).
Veja-se por exemplo a supressão atribuída a medicação 1ocal. Diz a propósito a Profa. Anna K. Romanach (pg. 449-450 Homeopatia em 1.000 conceitos):
(449) - "A advertência quanto ao tratamento de manifestações locais tem levado homeopatas ao exagero de privar de recursos tópicos úteis os portadores de escabiose,
de Tinea corporis e de infecções secundárias... tão comuns nas aglomerações humanas e onde assumem o caráter de doenças acidentais".
(450) - "A atitude coercitiva em relação aos tratamentos locais merece ser reconsiderada".
Aliás, o próprio Hahnemann, calcado na sua experiência (pg. 282), considera necessário para a cura de condilomas antigos, o emprego concomitante de específicos
internos E EXTERNOS.

Concluindo:
a) a supressão é bem possível quando você medica pela Lei dos contrários. Você está "contrariando" a natureza;

Pag. 104
b) também quando você usa imunosupressores (o nome é bem significativo);
c) quando você extirpa órgãos eminentemente defensivos;
d) quando você bloqueia ou impede as excreções ou secreções de tendência curativa. Mas uma diarréia pode matar...;
e) quando você se preocupa só com uma lesão externa, que é reflexo de uma condição interna. Discordo de que sarna ou tinea sejam exteriorizações da Psora;
f) também é possível, embora raramente, se você usar um medicamento dinamizado, em potência abaixo de CH 12, em paciente extremamente sensível ao efeito toxico1ógico
de quantidade minima da substância básica.
Finalmente: se estimularmos o atual pavor pela supressão, qualquer que seja, jamais praticaremos cirurgia, jamais ministraremos antibióticos ou antiálgicos, não
trataremos os casos agudos, não medicaremos por telefone, não aliviaremos sintomas episódicos insuportáveis, não utilizaremos antissépticos ou fungicidas localmente
e, em resumo, deixaremos de ser médicos.
A medicina ficará reservada a raros colegas homeopatas, privilegiados por sua inteligência e leitura, capazes de, após algumas consultas, de várias horas, selecionar,
em 10 a 15% dos casos, o "simillinum" e a potência ótima, não supressivos, para seus afortunados pacientes.
Em troca, 90% da humanidade ficaria sem direito ao alívio de seus males, se vocês continuarem a crer que supressão é uma regra geral, principalmente em Homeopatia.
Como, porém, para homeopatas brasileiros, só tem valor a palavra de estrangeiros, reproduzo o que disse a Profa. Micaela Moise (Argentina) em mesa redonda no XIX
Congresso Brasileiro de Homeopatia: "A supressão existe, sim. Mas para cada caso de supressão, existem milhares de casos curados com o similar. Portanto não tenham
medo de suprimir."
Seria, pois, lastimável esse receio injustificado pela prática. Não foi assim que a Homeopatia esteve de pé até hoje. Os próprios "cardeais" admitem que "é preferível
um suprimido vivo"...
Convém, portanto, suprimirmos o pavor à supressão.

Pag. 105
MAIS 5 MINUTOS
Ia dar por finda nossa conversa, quando ocorreu-me um assunto simples e ao mesmo tempo importante.
Trata-se das "noxas", causalidades, causa acidental, agentes nóxicos ou qualquer sinônimo que você prefira.
Às vezes é preciso lembrar o óbvio a alguns homeopatas. Eles se entusiasmam tanto com esta nova visão que é a Homeopatia, que esquecem a realidade. "Noxa" ou agente
nóxico é um fator necessário, mas não suficiente, para produzir uma enfermidade. Conforme a Homeopatia, enfermidade é o resultado da seguinte equação E = N x S em
que E é igual a enfermidade, N é igual a Noxa e S igual a suscetibilidade.
Existem todavia situações que não se enquadram nesse conceito, não são enfermidades, mas que, previstas desde Hahnemann (organon, pr. 7 - 77), exigem atenção médica
para o retorno do bem-estar do paciente. Em tais casos é suficiente afastar a "noxa".
Afastada a causa cessa o efeito. É tolice buscar um medicamento. Retire o corpo estranho, suture a artéria que sangra, reduza a fratura, proíba os excessos alimentares,
físicos ou intelectuais...
É importante, portanto, identificar uma noxa a eliminá-la. O conhecimento da "noxa" tem também outras utilidades práticas, quando se tratar de uma enfermidade
verdadeira:
1 - escolha da potência - Como regra geral, indicamos baixas potências, quando a "noxa" é biológica em caso agudo (microbianas, viróticas...). Quando a "noxa"
é bio16gica, mas de ação cr6nica (Chagas, Sífilis...) ou quando é psíquica
(Ciúmes, Emoções, Medo...) a preferência é por altas potências;
2 - sugere (não decide) o medicamento - Assim:
Noxas psíquicas
Ciúmes - Lach. - Hyos. - Nux v. - Plus...
Có1era Cham. - Coloc. - Nux v. ...
Decepção amorosa Natr. m. - Ign. ...
Emoções - Gels. - Ign. - Nux v. - Plus. ...

Pag. 106
Medo - Gels. - Acon. - Ign. - Op. - Plus. ...
Noxas climáticas
Umidade - Dulc. - Natr. sulf
Noxas tóxicas
Álcool - Nux v. - Lach. ...
Tabaco - Calad. - Gels. - Ign. ... Noxas fisiológicas
Dormir pouco - Cocc.
O homeopata que tem os pés na terra, tem o dever de reconhecer a importância de determinadas noxas, não atribuindo valor APENAS à suscetibilidade.
Por outro lado, os homeopatas, "organicistas" e os alopatas, devem admitir que uma noxa psíquica (ciúme, ódio, injustiça...), pode ser desencadeante até de moléstias
infecciosas (Tbc), auto-imune (artrite) e lesionais (úlcera péptica), nos indivíduos suscetíveis.
Para a seleção do medicamento, porém, a Lei de Semelhança está acima de tudo. Mas não ignore as noxas. Elas existem a podem auxiliá-lo na seleção do medicamento.
Estude, a propósito, a rúbrica "Transtornos por", no Rep. de Kent-Eizayaga - pg. 91.

Pag. 107
FIM DE CONVERSA
Os capítulos que você leu, baseiam-se em experiência pr6pria e na de autores consagrados, quando concordam com o que vivenciei.
Isto nâo basta para que você nos adote. Todos n6s somos falíveis.
Quando, por sua própria vivência, julgar que estamos certos, siga-nos. Se discordar, abra seu próprio caminho.

ADVERTÊNCIA
O presente livro não dispensa o estudo permanente e apurado da Matéria Médica, do Repertório, da Filosofia, da Semiologia e da Farmacologia homeopática O autor
recomenda que você o faça.
Recomenda também que execute primorosamente a semiologia clássica, buscando um diagn6stico clínico, e que esteja a par de todos os conhecimentos da medicina acadêmica.

Pag. 108
LIVROS CONSULTADOS
1 - Barros da Silva. J. - Farmacotécnica Homeopática Simplificada Ed. Imprinta - 1ª ed. - Rio de Janeiro -1977.
2 - Boericke, Garth - Princípios da Homeopatia para Estudantes de Medicina Editorial Homeopática- São Paulo- 1967.
3 - Cairo da Silva, N. - Guia de Medicina Homeopática - Ed. Cupolo 10ª ed. São Paulo -1976.
4 - Castro A. - Emergências Homeopáticas no Lar - Ed. Ave Maria São Paulo.
5 - Castro D. - O interrogatório do Doente - Mauro. Familiar editor R. Maxwell, 43-A - Rio de Janeiro -1980.
6 - Charette, G. - Que é a Homeopatia - Impressora Comercial - São Paulo 1943.
7 - Costa, R.A. - Homeopatia Atualizada - Editora Vozes - 2ª ed. Petrópolis 1984.
8 - Di Vernieri, A. - Homeopatia - Ed. Borsui - 4ª ed. - Rio de Janeiro -1965.
9 - Dorci, M. - Homeopatia - Vol. I - Livraria Roca - 1ª ed. - São Paulo -1982.
10 - Duprat, H. - A Teoria e a Técnica da Homeopatia - Gráf. Olímpica Ed. Rio de Janeiro -1974.
11 - Eizayaga, F.X. - Tratado de Medicina Homeopática - 2ª ed. - Ed. Merecel - B. Ayres-1981.
12 - Eizayaga, F.X. - Enfermedades Agudas Febriles - Ediciones Merecel - B. Ayres - 1978.
13 - Galhardo, E.R. - Iniciação Homeopática - Tip. Henrique M. Sandersen Rio de Janeiro -1936.
14 - Galvão Nogueira, G.W. - Guia Prático de Homeopatia - 2ª ed. São Paulo 1980.
15 - Hahnemann, S. - Organon da Arte de Curar - Assoc. Paulista de Homeopatia - 2ª ed. - São Paulo -1981.
16 - Kent, J.T. e Eizayaga, F.X. - El Moderno Repertório de Kent Talleres Gráficos Rototor- B. Ayres-1979.
17 - Kent, J.T. - Filosofia - Universidade da Venezuela - Caracas 1981.

Pag. 109
18 - Maffei, W.E. - Os Fundamentos da Medicina - Artes Médicas - 2ª ed. São Paulo - 1978.
19 - Maury, E.A. - Dicionário Familiar da Homeopatia - Ed. Almeida Prado São Paulo - 1982.
20 - Romanach, Anna K. - Homeopatia em 1.000 Conceitos - Ed. El Cid - São Paulo -1984.
21 - Seabra, A. - Higiene e Tratamento Homeopático das Doenças Domésticas cia. Lit. Ipiranga - 2ª ed. - São Paulo.
22 - V annier, L. - Terapêutica Homeopática - Ed. Perrua S.A. - 3ª ed. México 1974.
23 - Vijnovski, B. - Tratamiento Homeopatico de las Afecciones y Enfermedades Agudas - Ed. Talleres Gráficos Didot - B. Ayres 1979.
24 - Vinjovski, B. - Sintomas - Clave de la Materia Medica Homeopatica en el Repertorio de Kent - idem - B. Ayres -1974.




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