sábado, 19 de junho de 2010

Blog de Época - O inventor da vuvuzela

Blog de Época- Diário do Centro do Mundo - Paulo Nogueira
O inventor da vuvuzela
Freddie 'Sadam" Maake, sul-africano de 53 anos, pai de nove filhos, é um torcedor fanático do Kaizer Chiefs, um time cheio de ambições. A visão, registrada no site
como se o clube fosse uma multinacional, é dupla: se tornar uma referência para os torcedores na África do Sul e uma marca reconhecida no mundo. Uma bandeira do
KC tremula na frente da casa alugada de Maake em Tembisa, um município criado em 1957 com a finalidade de acomodar negros removidos da capital Johannesburg. Tembisa
deriva de uma palavra zulu que significa "Temos Esperança".
É provável que você jamais tenha ouvido falar de Maake, falante e colorido como um rapper. Mas é impossível que não conheça a sua invenção: a vuvuzela, a prima
pobre
da corneta que está atormentando boa parte do planeta desde que começaram os jogos na África do Sul. A vuvuzela, cujo nome deriva do som que produz (vuvu), tem
sido
comparada ao som de milhões de abelhas ou ao ruído da tromba de elefantes. É um pseudoinstrumento com um som e uma nota. Se alguém se sente diminuído por não tocar
nada, basta ter pulmão para dominar a vuvuzuela.
Potente ela é. Segundo uma medição, ela emite um som de 128 decibéis. Domina com tranquilidade outros sons familiares a quem vai aos estádios, como o bumbo (122

decibéis) e o apito do juiz (121,8). Maake afirma que inventou a vuvuzela em 1965, a partir da buzina de borracha de sua bicicleta. As vuvuzelas da Copa são de
plástico.
Num certo momento, foram de alumínio. Tiveram que ser transformadas depois de brigas em que os torcedores as usaram para bater na torcida adversária. O próprio
criador
admite ter feito este uso de sua criação. Fora da África do Sul, a vuvuzela tem vida mais difícil. Torcedores austríacos a adotaram, mas foram podados. "Elas são

usadas como projéteis", disseram os cartolas da Áustria.
Maake não patenteou nada. Portanto, não ganha dinheiro diretamente com a vuvuzela. Indiretamente, é outra história. Ele gravou um disco, na década de 1990, basicamente

com sons feitos com a vuvuzela. O nome éVuvuzela Cellular, e contém dez faixas. Ainda hoje ele vende seu disco nos estádios. Vive, ao que parece, disso. É difícil

que os fabricantes chineses - elas são feitas em boa parte na China - decidam dar alguma espécie de recompensa financeira a Maake. Ele diz, neste vídeo, que gostaria

de ver uma final entre a África do Sul e o Brasil. E lamenta a ausência de Ronaldinho.
A descrição da vuvuzela que você encontra num site chinês pelo qual você pode comprá-la (em lote, porque o preço da unidade é insignificante) deixaria muito telespectador

ainda mais furioso. "Um produtor de ruído surpreendente para os estádios, eventos esportivos, shows, desfiles e festas", está dito. "Divertido, cool, incrível.
Quando
soprado, faz um som muito!" Há duas ressalvas no site do vendedor chinês.
A primeira: a vuvuzela é desrecomendada para crianças menores de 5 anos. A segunda: ela não deve ser utilizada perto dos ouvidos devido ao volume do som."
Milhões e milhões de pessoas foram surpreendidas pela vuvuzela nos últimos dias, mas é um caso clássico de ignorância e não de novidade. No bom site da FIFA, há

um tributo quase emocionado à vuvuzela. Bem antes da Copa havia um movimento para bani-la dos estádios. Como se viu, fracassou. Agora, outra vez quiseram matá-la.

A FIFA a defendeu: é como os sul-africanos torcem. Mas os vendedores prometeram que colocarão na praça instrumentos menos barulhentos. A nova safra, é a promessa,

terá 20 decibéis a menos.
Se a palavra for cumprida, algum alívio virá para dezenas de milhões de espectadores à beira de um ataque de nervos. Algumas emissoras estão procurando outras saídas.

A BBC recebeu centenas de reclamações e está considerando a possibilidade de oferecer um áudio alternativo em suas transmissões sem a invenção de Maake. Também
os
jogadores estão incomodados. Para eles, o zumbido monocórdio irrita, desconcentra. Eles sentem dificuldade em falar no campo. Ora, não poderia haver maior elogio,

paradoxalmente. O objetivo de quem leva a vuvuzela ao campo é exatamente perturbar os jogadores adversários. Sabiamente, o técnico da África do Sul, o brasileiro

Carlos Alberto Parreira, diz: "Quero um som cada vez mais alto. É uma vantagem nossa."
Não é uma unanimidade entre os sul-africanos. Um jornalista local escreveu: "Na falta de futebol, inventamos a vuvuzela. É nossa única contribuição para o espetáculo

magnífico do futebol." Mas a visão dominante entre os torcedores da África do Sul é que ela pode funcionar, sim, como um projétil virtual contra os outros times.

No empate contra o México, jogadores sul-africanos se queixaram do barulho "insuficiente". Mais que as estratégias que Parreira possa armar, mais que as jogadas

que os atletas possam executar, as maiores esperanças de uma campanha boa da África do Sul estão depositadas na vuvuzela. Passar para a segunda fase já seria uma

façanha para uma equipe que não aparece entre as 80 primeiras da lista da FIFA. Se isso acontecer, um pedaço do mérito caberá ao inventor humilde de Tembisa, na

periferia de Johannesburg.
Renata Coutinho

"Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado, um amigo que espera;
esquecido, uma alma que perdoa; destruído, um coração que chora."
(Rabindranath Tagore)

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