domingo, 22 de abril de 2012

{clube-do-e-livro} Grande Sertão Veredas -Hist. do RGS, O Novo Futuro do Cristianismo, A Educação na Grécia, Gramática da Língua Portuguesa - Pasquale

Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
Grande Sertão :Veredas - travessia que Riobaldo, narrador-personagem, faz em suas memórias a fim de narrar suas vivências a um "senhor" durante três dias. Travessia que Guimarães Rosa faz através do caráter insólito e ambíguo do homem, tornando uma experiência individual (Riobaldo ) em caráter universal - "o sertão é o mundo". A primeira parte do romance (até aproximadamente à página 80), Riobaldo faz um relato "caótico" e desconexo de vários fatos (aparentemente sem relações entre si ), sempre expondo suas inquietações filosóficas (reflexões sobre a vida, a origem de tudo, Deus, Diabo, ...) -Eu queria decifrar as coisas que são importantes. E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se fôr jagunço, mas a matéria vertente. "O discurso ambivalente de Riobaldo (...) se abre a partir de uma necessidade, verbalizada de maneira interrogativa". No entanto, há uma grande dificuldade em narrar e organizar seus pensamentos : Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que tem certas coisas passadas - de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. É o compadre Quelemém de Góis que lhe socorre em suas dúvidas, mas não de forma satisfatória, daí a sua necessidade de narrar. A partir da página 80, Riobaldo começa a organizar suas memórias. Fala da mãe Brigi, que o obrigava à esmolação para a paga de uma promessa. É nessa ocasião, à beira do "Velho Chico", que Riobaldo se encontra pela primeira vez com o garoto Reinaldo, fazendo juntos uma travessia pelo rio São Francisco. Riobaldo fica fascinado com a coragem de Reinaldo, pois como este afirma : "sou diferente (...) meu pai disse que eu careço de ser diferente (...). A mãe de Riobaldo vem a falecer, sendo ele levado à fazenda São Gregório, de seu padrinho Selorico Mendes. É lá que Riobaldo toma contato com o grande chefe Joca Ramiro, juntamente com os chefes Hermógenes e Ricardão. Selorico Mendes envia o seu afilhado ao Curralinho, a fim de que tivesse contato com os estudos. Posteriormente, assume a função de professor de Zé Bebelo (fazendeiro residente no Palhão com pretensões políticas. Zé Bebelo, querendo pôr fim aos jagunços que atuavam no sertão mineiro, convida Riobaldo a participar de seu bando. Riobaldo troca as letras pelas armas. É desse ponto que começa suas aventuras pelo norte de Minas, sul da Bahia e Goiás como jagunço e depois como chefe. O bando de Zé Bebelo faz combate com Hermógenes e seus jagunços, onde este acaba por fugir. Riobaldo deserta do bando de Zé Bebelo e acaba por encontrar Reinaldo ( jagunço do bando de Joca Ramiro), ingressando no bando do "grande chefe". A amizade entre Riobaldo e Reinaldo acaba por se tornar sólida , onde Reinaldo revela o seu nome - Diadorim - pedindo-lhe segredo. Juntamente com Hermógenes , Ricardão e outros jagunços , combate contra as tropas do governo e de Zé Bebelo . Depois de um conflito com o bando de Zé Bebelo, o bando liderado por Hermógenes fica acuado, acabando-se por se separar , reunindo-se posteriormente . O chefe Só Candelário acaba por integrar-se ao bando de Hermógenes , tornando-se líder do bando até o encontro com Joca Ramiro . Nessa ocasião , Joca Ramiro presenteia Riobaldo com um rifle , em reconhecimento à sua boa pontaria (a qual lhe faz valer apelidos como "Tatarana" e "Cerzidor") . O grupo de Joca Ramiro acaba por se dividir para enfrentar Zé Bebelo , conseguindo capturá-lo . Zé Bebelo é submetido a julgamento por Joca Ramiro e seus chefes - Hermógenes , Ricardão, Só Candeário , Titão Passos e João Goanhá - acabando a ser condenado ao exílio em Goiás . Depois do julgamento, o bando do grande chefe se dispersa, Riobaldo e Diadorim acabam por seguir o chefe Titão Passos. Posteriormente, o jagunço Gavião- Cujo vai ao encontro do grupo de Titão Passos para informar a morte de Joca Ramiro, que foi assassinado à traição por Hermógenes e Ricardão ("os judas"). Riobaldo fica impressionado com a reação de Diadorim diante da notícia. Os jagunços se reúnem

para combaterem os judas . Por essa época , Riobaldo tem um caso com Nhorinhá (prostitutriz), filha de Ana Danúzia. Conhece Otacília na fazenda Santa Catarina, onde tem intenções verdadeiras de amor. Diadorim, em determinada ocasião, por ter raiva de Otacília, chega a ameaçar Riobaldo com um punhal. Medeiro Vaz junta-se ao bando para a vingança, assumindo a chefia. Inicia-se a travessia do Liso do Sussuarão. O bando não agüenta a travessia e acaba por retornar. Medeiro Vaz morre. Zé Bebelo retorna do exílio para ajudar na vingança contra os judas, tomando a chefia do bando. Por suas andanças, o bando de Zé Bebelo chega à fazenda dos Tucanos, onde são encurralados por Hermógenes. Momentos de grande tensão. Zé Bebelo envia dois homens para informarem a presença de jagunços naquele local. Riobaldo desconfia de uma possível traição com esse ato. O bando de Hermógenes fica acuado pelas tropas do governo e os dois lados se unem provisoriamente para escaparem dos soldados . Zé Bebelo e seus homens fogem à surdina da fazenda, deixando os hermógenes travando combate com os soldados. Riobaldo oferece a pedra de topázio a Diadorim, mas este recusa, até que a vingança tenha sido consumada . Os bebelos chegam às Veredas-Mortas. É um dos pontos altos do romance, onde Riobaldo faz o pacto com o Diabo para vencerem os judas. Riobaldo acaba assumindo a chefia do bando com o nome de "Urutu-Branco"; Zé Bebelo sai do bando. Riobaldo dá a incumbência a "seô Habão" para entregar a pedra de topázio a Otacília, firmando o compromisso de casamento. O chefe Urutu-Branco acaba por reunir mais homens ( inclusive o cego Borromeu e o menino pretinho Gurigó). À procura dos hermógenes, fazem a penosa travessia do Liso do Sussuarão, onde Riobaldo sofre atentado por Treciano, que é morto pelo próprio chefe. Atravessado o Liso, Riobaldo chega em terras baianas, atacando a fazenda de Hermógenes e aprisionando sua mulher . Retornam aos sertões de Minas, à procura dos judas. Encurralam o bando de Ricardão nos Campos do Tamanduá-tão, onde o Urutu-Branco mata o traidor. Encontro dos hermógenes no Paredão. Luta sangrenta. Diadorim enfrenta diretamente Hermógenes, ocasionando a morte de ambos. Riobaldo descobre então que Diadorim se chama Maria Deodorina da Fé Bittancourt Marins, filha de Joca Ramiro. Riobaldo acaba por adoecer (febre-tifo). Depois de se restabelecer, fica sabendo da morte de seu padrinho e herda duas fazendas suas. Vai ao encontro de Zé Bebelo, o qual o envia com um bilhete de apresentação a Quelemém de Góis : Compadre meu Quelemém me hospedou , deixou meu contar minha história inteira. Como vi que ele me olhava com aquela enorme paciência - calma de que minha dor passasse; e que podia esperar muito longo tempo. O que vendo, tive vergonha, assaz . Mas , por fim , eu tomei coragem , e tudo perguntei: -"O senhor acha que a minha alma eu vendi , pactário?! " Então ele sorriu, o pronto sincero, e me vale me respondeu : -"Tem cisma não. Pensa para diante. Comprar ou vender, às vezes, são as ações que são as quase iguais ..." (...) Cerro. O senhor vê. Contei tudo. Agora estou aqui, quase barranqueiro. (...) Amável senhor me ouviu, minha idéia confirmou: que o Diabo não existe. Pois não? O senhor é um homem soberano , circunspecto. Amigos somos. Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se fôr ... Existe é homem humano. Travessia.
4 - Linguagem
Em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa faz uma recriação da linguagem ,

"recondicionando-a inventivamente, saindo do lugar-comum a fim de dar maiogcniiploorainnenistreetmsarlagraenatlunciuartavmhetdalnaooé)bureigtTOrcstieazmdoeeuodandmssoftdaaeaeeoaia"s)alanraSo.pse)mdacreiar,nndaoougetnmptinsissnaNeaomasicrtnrnrãatiaueertciçeofata.nrnooãiustnrastAsroieoootiv"aismo.ensdabamp,xNdeipsaaétesaousrarRmexsaomartmide)pcaeo.gmaadiombacareplacpdcoe-nolianlosmdnhosodeaotssaasaudiDrabedralaspiiiadmoamrleicicdddmpoaliaúraotaaipíeeesvrdsruoasiíniamemsdrrfsssgiaaaooãriemlommsdssiodu,eedqaagapbnoarusrdo(ráteeeoénanotfriitsoixar(qcidiracoRrlouelaerorusisfaeio-gorcld(fbididorainasolameniormogrzlscdudMuoeióluonaeluisaftngvsisicdncleuaéeõioaozãsasmenn,a.oss(tdenjpAarádseosdrooiliaslosvqonnibenbeaugcuarugaigiieepassunpadmaméoaarçcalógõ.amoeopeecsdsmceromsieoinfn,siaartttcoriuzaeudionldocrtruaidoraosomaemappéaaqsrusaea
4.1 - Aforismos
1234l56e7h891111111p1112ule.......a..01234567890egrv...........VDS..JDVsag..aéeeVQSS.PV.PS.iei..eeruvv...grstraarieeiouu...ouotnee.nveutsarc.rrãssseqdãrrtergeanmttiisoatêgmouaããnraéeééçeãsantuo.ooedoxrégoãspsmucarmdOo.iao,oé:siéadmléeacsu.utd,coétssóoéoeaidioriidsecstdiêgmatadsnomssmsoeenaneozadeoeodanhmscpeeavsnemzeadfoci.enspeéiiataoeuqanrémrroJtlrnlhsuiosiehaeussdg,ueheoopegonaegoodpfjmmoeubdnioaqtshaa.cnpeenehsraodpuaársrmgçaoora..:o;aeoseedrnsmsdámsmnemd:snmpiebtzeeouaãpéeuréieungotnosciinroãit.tulidtao.eooãrosomiomdeo,vddq'oeaobaeaaeuhsinole.seácovggdcrrrreeese.aa,vlenn.bvMhemfttroriaraeeecidapos,einansarm,oeeddãcnoeaoadfodosmeq.qaremulunmc,peeãaôameomnnormçiodaooaébiaausneffitnseoã,drcreooeféthomcepcarseotrró,deezncaeaciudonsrisnromhfpaoacoqztoauadaeursetdreq-aeauoesoqsuexvu.tpniteúasrotrtacseddiiesraaedspmdtreuae.mdadroi.aoaoirpseas.ra
5 - Estrutura de Narrativa
I - TEMPO
Psicológico . A narrativa é irregular ( enredo não linear), sendo acrescidos vários

casos pequenos.
II - FOCO NARRATIVO
Primeira pessoa - narrador-personagem - utilizando-se do discurso direto indireto livre. e
III - ESPAÇO
pcaorrásteerAtrutanrtaiavmreardseoacluo-mr"raoensnaeorrrtsaãetorivtéãaoodmemniunsneaidr,oor"e(.nploerttae)d,esruelfldeaxõBeasheiadeivGagoaiáçsõe.sN,ogeannthaantuom,
IV PERSONAGENS
· PRICIPAL:
aobTcoprragematvaaroeenrciauRzcenmaai.orraRrbpoeiaaoasircbclafdahaatodletodoefo:esfpaps,Urzeeosrernefunsetjtodeasunesdp-oairBiogrfoirre.c(amdusnueld-acnaZoaddé)rei,frBsiaeceduesbotmledarlaboqndeua)eleer,rceaacemtorné,ndesstonaeu-tjassaeeunepadnàoêsterr-samlsotduóasaar.riganRpeoreanelcascuatamdanroigesdauSdoçaaãuodotine(oFdfrreâeaqmnnjucaceiagis,uncnuaoçnoca
· SECUNDÁRIOS:
sdueasciodbeDenirtatiaddaoadroeimfrine:aaéll d(oMojaarrogimaunaDçneocoeRd,eocirnoinamald)sotu,raainvmteesogtrritnaedn.ote-sdeodbeahnodmo edme .JoScuaaRidaemnitriod.aEdsecoénde
jpaogrurneçtZooésrnpBaaerrbaceocmloom:apbmeartoserortneJaodlciodaagRdraaemncdioremo.chaseanfiseepipeorasdraepdovolíitnri,gcsoaesrnoqduoseeeuaxcialaasbsdaaosppsoianrraaftooGr.moiaársbeaancdaobdae
ponderJaoçcãaoRnaomjuilrgoa:méeontmo adieorZcéhBeefebedloos, sjaegnudnoçboas,stmanotsetraadnmdoiraudmos.enso de justiça e
combaMteerdceoinrtoraVHaezr:mcóhgeefneedseejaRgicuanrçdoãsoqpuoer sceonutnaedaaoms horotmeednosgdreanJdoecachReafmei.ro para
afeciatobaomHpeaprcomtroómcgoaemtanreoJsDoeciaaRbRoica.amridroã.oM: usãitoososjatgruanidçoorsesa,crseednidtaovcahmamquaedoHsedrme "ójguednaess",hqauveia
contraSiróleCparan.delário: outro chefe que ajuda na vingança. Possuía grande temor de
dúvidaQsueeilneqmuiéemtaçdõeesGsóoibsr:ecoomHpoamderme eecoonmfiudnednote. de Riobaldo, que o ajuda em suas

· AS TRÊS FACES AMOROSSAS DE RIOBALDO:
Nhorinhá : prostituta, representa o amor físico. O seu caráter profano e sensuaatrai Riobaldo, mas somente no aspecto carnal. l
(dHseaesbnoãtloiamO"d,eotsnaeitcmaísllba)iao.ul:dÉizocacsoononndtdsortáuaorrniaantneoatmievNaeshdnuootaer.ivneihdváaoc,daRediajoabpgaeulldnooçnoda.erRsraeticdneoabraequealaapneoddosraeeusdteaemtsoeopreávnzeicorodndatedrae"vsireaoô
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6- BIBLIOGRAFIA
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Jorge Alberto

História do Rio Grande do Sul

Regina Portela Schneider


História 4ª Série

Capítulo 1 - A história do
território - p. 7 até 27

(p. 7)

Tudo tem uma história. Os territórios também têm a sua.
O território rio-grandense tem unia bela história, que se desenvolveu através de milhões de anos, junto com a história das terras do mundo.

Laurásia e Gondwana

O território rio-grandense nem sempre foi corno se apresenta hoje, pois tudo no mundo está em permanente transformação. As terras do mundo, por exemplo, estão
em contínuo movimento, ora se aproximando, ora se afastando.
Sabe-se que, num passado muito, muito distante, há milhões e milhões de anos, as terras do mundo formaram dois blocos separados por águas oceânicas. O bloco norte
foi chamado de Laurásia, e o bloco sul foi chamado de Gondwana. As águas oceânicas que separavam esses dois blocos receberam o nome de Mar de Tétis.
As terras que formam o Rio Grande do Sul de hoje eram então somente uma base territorial cristalina, com urna gigantesca cadeia de montanhas, que fazia parte
do bloco Gondwana. A leste, havia uma continuidade de [erras que agora fazem parte do continente africano. Por isso, ainda hoje são encontrados animais, plantas
e rochas
semelhantes, tanto no Rio Grande do Sul como no sul da África.
Observa a posição do Rio Grande do Sul de hoje e a posição da atual África no antigo bloco Gondwana. O território rio-grandense situava-se aproximadamente onde
está o X.

(p. 8)

No bloco Gondwana cresceram imensas florestas, com plantas diferentes das que conhecemos atualmente. Aqui estão os desenhos de algumas dessas plantas.

Atividades

1. "Tudo no mundo está sempre em transformação".Comenta esta frase, dá exemplos e faze um cartaz ilustrando.
2. Há milhões e milhões de anos, as terras do mundo formavam dois blocos chamados Laurásia e Gondwana. Em qual desses blocos estava contida a base territorial
do atual Rio Grande do Sul?
3. Escreve o nome dado ao mar que havia entre os blocos Laurásia e Gondwana.
4. Nesse tempo tão antigo, onde hoje está situado o Rio Grande do Sul, havia somente uma base territorial cristalina. A leste havia uma continuidade de território,
e não as águas do Oceano Atlântico, como nos dias de hoje. Que terras eram essas que existiam a leste do território que hoje constitui o Rio Grande do Sul?
5. No bloco Gondwana cresceram imensas florestas, com plantas diferentes das que hoje conhecemos. Escreve o nome de um tipo de planta existente nesses antigos
tempos.
6. Faze um desenho sobre essas antigas florestas, mostrando como imaginas a paisagem do Rio Grande do Sul nesses tempos.

(p. 9)

Leitura

"A força das pedras"

No livro A força das pedras, Jorge Alberto Villwock escreve sobre os granitos que se formaram tão antigamente.
'São muitos os tipos diferentes de granitos que se formoram entre 800 e 600 milhões de anos atrás e que existem ao longo de todo o Escudo, desde Porto Alegre
até São Gabriel e daí até Bagé, Pinheiro Machado, Pelotas e Jaguarão. Ha muito tempo são explorados; constituem a matéria-prima para os nossos habitantes pré-históricos
que, de suas lascas fizeram machados, mãos de pilão e bolas de boleadeira, entre outros instrumentos. Desde os tempos coloniais os granitos têm sido utilizados como
material para construção. São pedras para alicerce, para soleiras, para a pavimentação das vias públicas e mesmo para edificações, algumas delas verdadeiras obras
de arte, como a bela igreja do Salvador, em Rio Grande, conhecida como a Igreja de Pedra, e o majestoso Castelo de Pedras Altas, em Pinheiro Machado, palco de acontecimentos
que marcaram a história gaúcha.
Foi com granitos que o homem construiu as cercas de pedras e as mangueiras circulares que marcaram o início da atividade pecuária no estado. Para fazer andar
as suas riquezas e deslocar as tropas, em segurança, foram empedrados os passos dos principais rios e, onde isto não era possível, foram construídas as primeiras
pontes."
Atualmente, os granitos são muito utilizados para revestimento de pisos, balcões e fachadas.

Atividades

1. Sobre o texto que acabaste de ler, procura no dicionário o significado das palavras que desconheces.
2. Observa na localidade em que vives: a pavimentação das ruas, as fachadas das casas e dos prédios em geral, as soleiras, etc. Procura saber se houve o emprego
do granito como material de construção.
3. Comunica oralmente as tuas observações e informações obtidas aos demais colegas de classe.
4. Se possível, coleta fragmentos de granito para expor em sala de aula.

(p. 10)

O supercontinente Pangéia

Aos poucos, aqueles dois blocos de terra chamados Laurásia e Gondwana foram se aproximando. Por fim, há cerca de 280 milhões de anos, formaram um só bloco, a
que os pesquisadores deram o nome de Pangéia. Observa o desenho.
Nesse continente único, a vida vegetal e animal foi se desenvolvendo. Os terrenos cristalinos foram sofrendo desgastes pela ação dos ventos, das alterações de
temperatura, das chuvas. As camadas mais externas foram se partindo em pedaços cada vez menores, até se tornarem farelinhos chamados de sedimentos. Isso foi acontecendo
ao longo
de milhões de anos.
Durante esse período, as águas oceânicas várias vezes subiram de nível e avançaram sobre grande parte dos terrenos de sedimentos. Nessas águas, pouco profundas,
viviam algas e vários tipos de animais, como os mesossauros, com cerca de meio metro de comprimento. Observa o mapa e a ilustração.

(p. 11)

Aos poucos, o clima foi ficando mais quente, e o território que hoje constitui o Rio Grande do Sul transformou-se numa planície onde havia rios e pequenos lagos.
Nessa planície viviam animais herbívoros, isto é, que se alimentavam de plantas, como os cinodontes, os dicinodontes e os tecodontes. Mas havia também animais
que comiam carne, como os tecodontes carnívoros.
Nesse período, áreas pantanosas foram cobertas por urna exuberante vegetação. Resíduos dessas florestas que se acumularam em determinados locais deram origem
a jazidas de carvão, existentes em Candiota, Minas do Leão, Butiá, Arroio dos Ratos, Charqueadas, São Jerônimo e Jacuí.

Leitura

Lembranças do passado
remoto

Desses tempos restaram vestígios, que tornam possível sabermos como era a vida vegetal e animal.
Na região de Santa Maria existem restos de animais que viveram nesse período. Nos municípios de São Pedro do Sul e de Mata aparecem restos de uma grande floresta
completamente petrificada. Mata é conhecida como "a cidade de pedra que já foi madeira

(p. 12)

Atividade

Com dois ou três colegas, consulta um mapa do nosso estado dividido em municípios e localiza os municípios de Santa Maria, Mata e São Pedro do Sul. Procura obter
mais informações sobre eles.
Lentamente, o clima foi mudando e se caracterizando por urna estação quente e outra gelada, e poucas chuvas. Por isso, alguns tipos de plantas desapareceram,
e os animais que se alimentavam delas foram para outras regiões. As plantas e os outros animais que permaneceram adaptaram-se a esse tipo de clima. Também apareceram
novos animais como os dinossauros, não muito grandes, e os rincossauros, com um bico próprio para comer sementes.
Com o passar do tempo, o clima tornou-se quente e seco, e a maior parte dos rios e dos lagos foi secando. Sem água, as plantas e os animais começaram a desaparecer
A paisagem transformou-se num deserto de areia. A antiga base cristalina permanecia e se destacavam seus altos picos, em meio ao deserto.
Esse deserto foi denominado Deserto de Botucatu. As rochas que se formaram a partir dessas areias são os arenitos, chamados de pedras-grês, de cores rosadas ou
amareladas, atualmente muito usadas em construções, calçamentos e alicerces de casas.
Observa no mapa a localizado Deserto de Botucatu.

(p. 13)

Atividades

1. Os blocos Laurásia e Gondwana uniram-se num único bloco. Qual o nome dado a esse bloco único?
2. Explica com tuas palavras como se formaram os sedimentos.
3. Houve tempo em que as águas oceânicas avançavam sobre grande parte dos terrenos sedimentares. Nessas águas bastante rasas viviam algas e vários tipos de animais.
Sabes dizer o nome deste que a figura mostra?
4. Depois que as águas oceânicas recuaram, as terras hoje pertencentes ao Rio Grande do Sul transformaram-se numa grande planície onde viviam vários tipos de
animais. Cita os nomes de alguns deles.
5. Como a clima foi se modificando, desapareceram alguns tipos de plantas e de animais. Entretanto, novos animais surgiram. Podes dar o exemplo de dois?
6. Quando o clima tornou-se extremamente seco, o que aconteceu com o território que hoje é o Rio Grande do Sul?
7. Com um grupo de colegas:
a. Coleta amostras de sedimentos, coloca as amostras em recipientes transparentes e expõe na sala de aula.
b. Confecciona maquete
sobre esses tempos antigos em que viviam os rincossauros e os dinossauros.

8. Trabalho com notícia de jornal, que mostra o reaparecimento das areias do antigo deserto.
a. Lê o texto da jornalista Ana Flor.

"Areia castiga o solo gaúcho"

A areia ameaça as coxilhas da Fronteira Oeste. Para desespero dos agricultores e espanto de estudiosos, arruinou um quarto do solo da região. O avanço dessa praia
sem mar é fruto de uma sinistra combinação. O solo formado pelo arenito botucatu (rocha 90% composta de areia), por pouca argila e por escassos minerais é exposto
à ação do vento e da chuva desproporcional Se a agricultura fosse melhor manuseado, haveria como recuperar a fertilidade da terra. Mas as experiências com esse objetivo
ainda são tímidas.
A destruição da natureza se tornou um drama para municípios como Alegrete, o
SOLO GAÚCHO mais atingido pela arenização. O produtor rural Peri da Costa Leite, 49 anos, é dono de mais de mil hectares no Rincão dos Costa Leite, mas leva vida
de peão, em vez de fazendeira Solteiro e morando com o pai, Feri se sustenta construindo cercas. A terra, onde planta trigo e arroz, é pouco produtiva. Como se não
bastasse, é comum aparecerem, no meio do campo, ravinas -fendas produzidas pela água da chuva.
A cem quilômetros de Feri, no Rincão do Tabuleiro, entre os municípios de São Francisco de Assis e Manuel Viana, o agricultor Milton Mundstock, 56 anos, vive
uma situação diferente. Ficou conhecido por ter transformado em solo fértil a terra esbranquiçada pela areia. Há 29 anos, quando saiu de Horizontina com a mulher,
ouviu
dos amigos que morreria de fome nas areias da Fronteira Oeste. Durante 20 anos, viu a produção das terras que arrendara cair Em 1990, mudou o método de trabalho.

(p. 14)

-- Vi que ia quebrar se não fizesse alguma coisa - explica.
Mundstock aposentou o arado e adotou o plantio direto, intercalando soja, aveia, milho e trigo, sem nunca deixar o solo descoberta A palha que permanecia no chão
depois da colheita de cada cultura revigorou a terra. Hoje o agricultor colhe o dobro do que obtinha há 10 anos. Com a mesma estratégia, Mundstock cobriu ravinas
e voçorocas (crateras formadas quando o escoamento intenso da chuva atinge os lençóis freáticos) de oito metros de profundidade, abertas quando ainda usava o arado
Hoje é procurado por plantadores desesperados ao ver a erosão engolir seu solo." (...)
(Jornal Zero Hora, Porto Alegre, quarta-feira, 2-6-1999, p. 35)

b. Depois de ler o texto da notícia e de observar o mapa, procura, com um grupo de colegas, informações junto às Secretarias Estaduais do Meio Ambiente e
da Agricultura e às prefeituras dos municípios atingidos pela desertificação sobre:
- Que areias são essas, qual a sua origem?
- Que medidas estão sendo tomadas para recuperar os solos?
Apresenta as informações obtidas aos colegas de sala de aula, oralmente.

(p. 15)

O supercontinente Pangéia
se divide

Mais alguns milhões de anos se passaram e teve início um a grande mudança: movimentos das camadas do interior da terra tiveram repercussão na superfície.
Esses movimentos provocaram rachaduras no bloco Pangéia. Com isso, esse bloco único de terras começou, aos poucos, a se separar. Pelas rachaduras foram subindo à
superfície lavas quentíssimas. Assim, o deserto de areias que existia, no que é hoje o território rio-grandense, foi sendo coberto por grandes quantidades de lavas.
Por fim, as terras que hoje formam a África afastaram-se totalmente. O espaço que elas ocupavam foi invadindo pelas águas que hoje chamamos de Oceano Atlântico.
Aos poucos, as lavas foram esfriando e tornaram-se rochas endurecidas. Essas lavas deram origem aos basaltos (rochas que são conhecidas como pedra-ferro),
às pedras de rara beleza, como ametistas, ágatas, citrinos e muitas outras.

(p. 16)

Leitura

"Os basaltos já foram utilizados para construir alicerces, moirões, ferramentas.
Hoje, são empregados para a produção de brita, revestimentos de paredes e calçadas. A Catedral de Pedra, em Canela, é toda construída com pedras de basalto."

Durante mais alguns milhões de anos, essas rochas sofreram a ação do vento, da chuva, do calor, do frio. Com isso, elas foram sendo desgastadas. Em alguns
pontos de menor resistência, as rochas mais desgastadas e os terrenos ficaram mais baixos.
O desgaste foi provocado o esfarelamento das camadas de rocha mais externas. Como já vimos, esses farelos são chamados de sedimentos. Das partes mais altas,
os sedimentos foram sendo levados para as partes mais baixas e em direção ao mar pela ação das chuvas, do vento, dos rios.

(p. 17)

A parte mais alta de rochas localiza-se no nordeste e no norte do Rio Grande do Sul e chama-se planalto. Na parte sudeste, bem como na região de Porto Alegre,
permanece a base de terrenos cristalinos, muitos antigos, reduzidos em sua altitude inicial. Eles recebem o nome de Escudo Rio-Grandense.

Atividades

1. O bloco Pangéia foi se dividindo aos poucos. O que provocou essa divisão?
2. As terras que hoje formam a África afastaram-se do bloco Pangéia. O que ocupou o espaço onde estavam essas terras?
3. Os movimentos que dividiram o bloco Pangéia abriram fendas na superfície e por elas subiram lavas quentíssimas. Comenta sobre o que aconteceu em relação
ao deserto de areias que havia no que hoje é o território rio-grandense.
4. As rochas resultantes das lavas que subiram das fendas sofreram modificações com o passar do tempo. Comenta essas modificações.
5. Explica o que é o chamado Escudo Rio-Grandense.

(p. 18)

A formação do continente
Americano

O tempo foi passando. E as terras do mundo continuaram a tomar outras posições.
Há milhões de anos, o que hoje constitui o território rio-grandense fazia parte de um grande bloco triangular - o bloco da América do Sul, que era como
uma imensa ilha.
Acima do bloco da América do Sul havia outro grande bloco de terras. Os dois blocos eram separados por uma faixa oceânica.
Milhões de anos depois, deu-se a união dos dois blocos, quando emergiu das profundezas da Terra o material que preencheu a faixa ocupada por águas oceânicas.
A união dos dois blocos originou um grande continente que recebeu o nome de continente americano ou América. O território rio-grandense localiza-se na parte
sul desse continente.

(p. 19)

Havendo, então, continuidade de terras no continente americano, animais existentes na parte norte foram se dirigindo para o sul, e animais que habitavam
a parte sul foram migrando em direção ao norte.
Na parte sul já existiam animai como o toxodonte, o gliptodonte, a preguiça-gigante, a macrauquênia, e vieram novos animais como o mastodonte, o tigre dentes-de-sabre...
Por isso, no território rio-grandense, animais que já existiam passaram a conviver com animais que migraram.
Muitos desses animais primitivos se extinguiram e muitos evoluíram par ordens modernas.
Finalmente, há cerca de 12.000 anos, surgiram em território rio-grandense os primeiros seres humanos. Conforme o pensamento de alguns cientistas, eles vieram
primeiramente da África e dali foram se dirigindo a outras partes do mundo. Chegando à parte norte do continente americano e daí alcançaram a parte sul.
Esses primeiros seres humanos que chegaram ao território rio-grandense são os ancestrais das nossas populações indígenas.

(p. 20)

Observa no planisféria
como os primeiros seres
humanos se espalharam pela
face da Terra.

Atividades

1. Conta, por escrito, como se formou o continente americano.
2. Dize onde se localiza o território rio-grandense no continente americano.
3. Escreve nomes de animais que viviam nesse continente, há milhões de anos.
4. Responde: quando surgiram em território rio-grandense os primeiros seres humanos?
5. Explica a origem desses primeiros seres humanos.
6. Com teu grupo de colegas, lê o texto da reportagem de Caio Cigana, identifica as idéias principais que ele contém e depois faze com essas idéias um resumo
por escrito. Localiza no mapa do Rio Grande do Sul a região onde acontece o fato.

A pré-história vem à tona
em Alegrete

A estiagem e o avanço da areia na Fronteira Oeste estão fazendo surgir na superfície fósseis e artefatos primitivos.
Os vestígios da pré-história afloram no interior de Alegrete, na Fronteira Oeste.]
No distrito de Passo Novo, na bacia do Rio Ibicuí, oito sítios arqueológicos descobertos em áreas "arenizadas" - semelhantes a desertos - revelam milhares de
peças e de instrumentos utilizados pelas populações humanas primitivas que viveram na região.
Na localidade de Aureliano Pinto, próximo ao limite com o município de Itaqui, a estiagem está colaborando para o aparecimento de fósseis de animais extintos,
que vêm sendo encontrados na parte seca do leito da Ibirapuitã.
Nas duas situações, a natureza está ajudando a revelar o passado. A areia tomou a paisagem antes ocupada pelo campo e trouxe à superfície pontas de flecha
e de lança, boleadeira, facas, cerâmicas e raspadores usados por grupos denominados caçadores-coletores, que ocuparam o local por cerca de 10 mil anos até a chegada
dos Guaranis e dos Charrua.

(p. 21)

O material (pedras lascadas), fartamente encontrado sobre o terreno, possibilita a compreensão das técnicas utilizadas pelo homem primitivo, além do comportamento
da população e a reconstituição do ambiente de então. As peças aparecem e somem de um dia para o outro, devido à mobilidade das dunas, carregadas pelo vento.
A existência dos fósseis no leito seco do Ibirapuitã é conhecida desde o último verão. Um agricultor da região pretendia irrigar a plantação de arroz no
rio, utilizando uma retroescavadeira. Ao escavar o leito, foram aparecendo os ossos de um animal. O agricultor relatou o achado à professora helena Noetzel, 41 anos,
que mora nas proximidades.
- Ele disse que encontrou a cabeça e as costelas , que eram do tamanho de pernas. Mas não deu bola. Aquilo não servia para nada para ele, que continuou ao serviço
revela Helena.

Pesquisadores tiveram de
esperar o Rio Baixar

A história chegou aos ouvidos da paleontóloga Taís Vargas Lima, coordenadora das pesquisas da universidade da Região a Campanha (Urcamp), de Alegrete, somente
na metade do ano passado. A professora levou à cidade uma vértebra de 20 centímetros de diâmetro, encontrada por seus alunos no local. Como o rio estava cheio, foi
preciso esperar o verão. A estiagem, agora, facilita as buscas.
Recentemente, às margens do rio, Taís e dois bolsistas encontraram dois dentes molares, uma rótula, um fêmur, uma tíbia e um fragmento de casco, que ela estima
ser de um gliptodonte - espécie extinta parecida com um tatu-gigante. Os outros ossos e um dos dentes, segundo a análise preliminar da pesquisadora,s ao de um megatério,
também conhecido como preguiça-gigante. A professora Helena encontrou um omoplata em uma parte rasa do rio, que provavelmente seja, também, de um megatério.
- Vamos agora procurar o crânio. Temos de conseguir ainda durante a estiagem, antes que o rio volte a subir - diz Taís, empolgada com as escavações.
(Zero Hora, Porto Alegre, sábado, 15-01-2000)

Vocabulário
- Estiagem: falta de chuva
- Lítico: de pedra.
- Fósseis: vestígios ou restos petrificados ou endurecidos de seres vivos que habitaram a Terra em tempos muitos antigos.
- Extintos: que deixaram de existir; já desaparecidos.
- Sítio arqueológico: lugar onde existem materiais muito antigos.
- Paleontólogo: especialista que estuda os fósseis.

(p. 22)

Formação do nosso litoral

O litoral rio-grandense não existia como hoje se apresenta, com
suas lagoas, a Laguna dos Patos, as praias... Ele foi sendo moldado
lentamente pela natureza, ao longo de milhares e milhares de anos.
As águas do Oceano Atlântico, em diferentes períodos, avançaram e
recuaram. Cada vez que as águas avançavam, ao recuar deixavam depósitos
de sedimentos marinhos. sedimentos de outras origens também iam se
acumulando. Sedimentos das rochas do planalto, dos terrenos cristalinos
e sedimentares chegaram, trazidos pelos rios, pelos ventos, pelas águas
das chuvas.

(p. 23)

O oceano avançou e cobriu os sedimentos. As águas foram afetando e
esculpindo as margens internas de sedimentos.
O oceano foi depositando sediemntos marinhos e, ao recuar, deixou
formada uma barreira de sedimentos, é chamada Barreira 1.

(p. 24)

Um novo avanço das águas do oceano cobriu a maior parte da barreira
1 e trouxe mais depósitos marinhos.
Ao recuar, o oceano deixou construída mais uma barreira de
sedimentos, que é chamada Barreira 2.

(p. 25)

Novamente as águas do oceano subiram de nível e novos depósitos
marinhos formaram uma terceira barreira, a Barreira 3. Essa barreira já
fechou bastante a região das futuras Lagoa Mirim e Laguna dos Patos.
Essas águas, agora bastante fechadas, esculpiram um terraço,
desgastando os antigos depósitos de sedimentos da margem interna. O
terraço.

(p. 26)

O oceano avançou novamente, porém com menor força que nas invasões
anteriores. Novos depósitos marinhos formaram a Barreira 4. Essa quarta
barreira, junto com a terceira e a segunda, formou uma verdadeira
muralha que impediu novas invasões das águas marítimas. As águas
ficaram presas atrás das barreiras 2, 3 e 4.
As margens da Lagoa Mirim e da Laguna dos Patos foram se formando
com sedimentos acumulados por elas próprias,a través dos rios e arroios
que deságuam nelas.

(p. 27)

As barreiras construídas pelo oceano e os sedimentos de diversas
origens moldaram a planície litorânea como a temos hoje, com a Laguna
dos Patos, a Lagoa Mirim, a Lagoa Mangueira e as dezenas de lagoas
menores por ela espalhadas.

Atividades

1. O litoral Rio-Grandense nem sempre foi como hoje se apresenta. A
natureza foi construindonosso litoral aos poucos. Explica:
a. A importância dos avanços e recuos da ságuas do Oceano Atlântico
na formação do nosso litoral.
b. De onde vieramos vários tipos de sedimentos que ajudaram a
formar a planície costeira.

2. Responde: Qual o papel do vento, das chuvas e dos rios na
formação dolitoral Rio-Grandense?
3. Explica como chegaram a se formar a Laguna dos Patos, a Lagoa
Mirim e as outras lagoas de nosso litoral.
4. Dize se achas que a planície costeira ficará para sempre como
hoje se apresenta.

Capítulo 2 - O
Habitante - p. 28 até 32

(p. 28)

Nesse território, assim aprontado pela natureza, começaram a chegar os seres humanos. E as gerações foram se sucedendo, através do tempo, até os dias atuais.

Os primeiros habitantes

O atual território rio-grandense começou a ser habitado muito antigamente.
Há aproximadamente 10 mil anos, aqui chegaram os primeiros seres humanos. Eram grupos de caçadores-coletores e habitaram primeiro os campos abertos. Sabemos que
caçavam, lascavam e poliam a pedra para fazer utensílios e armas: facas, moedores, pontas de flecha e Lança.
Há cerca de 6 mil anos, outros grupos de caçadores começaram a ocupar o planalto e suas florestas. Caçavam, coletavam moluscos nas beiras dos rios, faziam machados
de pedra e trabalhavam a madeira.
Há aproximadamente 4 mil anos, outros grupos ocuparam o Litoral do território rio-grandense. Construíram cabanas sobre montes endurecidos de restos de conchas
e moluscos. Esculpiram na pedra figuras humanas e de animais.
Observa o mapa que mostra a Localização desses grupos e suas denominações, dadas por estudiosos: civilização Umbu, civilização Humaitá e civilização Sambaqui.

(p. 29)

Há 2 mil anos, outro grupo alcançou o Rio Uruguai e entrou em território rio-grandense: o grupo Guarani. Eram bons navegadores, conheciam as florestas, usavam
o arco e a flecha, o tacape e a lança. Eram guerreiros e ocuparam os vales dos grandes rios com florestas e o litoral. Conheciam o fumo, produziam potes de cerâmica,
plantavam pequenas roças. Trouxeram o milho, a mandioca, a abóbora, a pimenta, o pimentão, o feijão, o amendoim e o uso da erva-mate.
Para ocupar a parte do território que desejava, o grupo Guarani foi desalojando os grupos anteriores, que passaram a ocupar áreas menores. Observa o mapa.
Esses grupos foram evoluindo, com o passar do tempo, dando origem a gerações e gerações de indígenas, conhecidos por diferentes denominações.

(p. 30)

Os brancos começam a chegar

Os primeiros elementos da raça branca que aqui chegaram foram os portugueses e os espanhóis. Eles disputaram o território de várias maneiras: por lutas armadas,
por acordos e por ocupação das terras.
Quando eles aqui chegaram, o território era habitado por 100 a 150 mil indígenas, que utilizavam a natureza sem destruí-la ou prejudicá-la. Não poluíam as águas,
não destruíam a vegetação, não extinguiam os animais.
Os portugueses começaram a ocupar o território pelo litoral, exploraram o gado selvagem que existia solto e depois ocuparam a região dos campos da planície da
Campanha, constituindo estâncias.
Outros elementos da raça branca chegaram das Ilhas dos Açores, situadas no Oceano Atlântico, para povoar mais o território e dar início à agricultura. Plantaram
trigo por algum tempo e dedicaram-se a outras atividades, como a pecuária e o comércio. Observa o mapa que mostra a localização das Ilhas dos Açores e o caminho
percorrido pelos açorianos até o sul do Brasil. E também o quadro a óleo, que representa um grupo de açorianos durante a viagem.

(p. 31)

Chegam os elementos da raça negra

Os colonizadores, além de criar e vender gado, e vender couro e sebo, iniciaram a fabricação do charque. Por isso, os charqueadores mandaram vir negros da África
como escravos. Os negros trabalhavam forçados, sem ganhar nada, e não eram bem-tratados. Eram usados também em serviços domésticos.
Com o passar do tempo, os escravos obtiveram a liberdade. Seus descendentes hoje integram a população rio-grandense, juntamente com os descendentes das demais
raças que aqui chegaram.

Brancos no planalto

Alemães e depois italianos chegaram e se dirigiram à região do planalto rio-grandense, onde só habitavam indígenas. Eles povoaram a região, abriram caminhos nas
matas, foram derrubando árvores para plantar Povoados surgiram, a indústria começou a se desenvolver e o comércio cresceu.
Os indígenas que habitavam o planalto ficaram cada vez com menos terras.
Foram chegando também poloneses, judeus, ingleses, japoneses, chineses, sírios, libaneses, coreanos... E o nosso território foi ficando cada vez mais povoado.
O conjunto dos seres humanos que habitam o território rio-grandense constitui a sua população.

(p. 32)

Leitura

Destino dos açorianos

As ilhas dos Açores, povoadas por portugueses, estavam com excesso de população. Muitos habitantes das ilhas desejavam permissão do rei de Portugal para dali
se afastarem e viver em outros lugares. A permissão foi dada e 4.000 casais de açorianos puderam se dirigir para o sul do Brasil para povoá-lo melhor.
O governo português prometeu a cada casal uma área de terras, ajuda em dinheiro e vários utensílios e ferramentas de trabalho.
Para o Rio Grande do Sul vieram cerca de 1.000 desses casais, que eram jovens, sadios e afeitos ao trabalho.
O governo português não cumpriu as promessas feitas, e os açorianos viram-se desamparados numa terra desconhecida. Muitos deles foram para terras que hoje são
do Uruguai. Os que permaneceram em terras rio-grandenses integram-se nos trabalhos da criação de gado ou em atividades do comércio. Pouco dedicaram-se à agricultura.
Os açorianos deram origem a várias povoações que hoje são municípios do Rio Grande do Sul: Mostardas, Osório, Porto Alegre, general Câmara, Taquari, Rio Pardo...

Atividade

Cria uma história em quadrinhos para contar como se formou a população rio-grandense, desde os tempos mais antigos até os tempos atuais.

Capítulo 3 - O Litoral
- p. 33 até 43

(p. 33)

Depois que os portugueses chegaram ao Brasil, no ano de 1500, as terras que hoje constituem o Rio Grande do Sul ficaram por mais de duzentos anos sem que eles
se interessassem por elas. Isto aconteceu porque aqui não havia indícios de ouro e prata, nem existia pau-brasil ou terras próprias para plantar cana-de-açúcar.
Nosso
litoral era perigoso, e Portugal não tinha população suficiente para povoar, com rapidez, todo o território descoberto.
Além disso, havia o Tratado de Tordesilhas, firmado entre Portugal e Espanha, em 1494. Por esse tratado, grande parte do atual território brasileiro, inclusive
o atual território rio-grandense, ficava do lado espanhol. Por todos esses motivos, a ocupação dessas terras pelos portugueses foi retardada.

(p. 34)

Os Antigos habitantes

Antes da chegada dos homens brancos (espanhóis e portugueses), o Rio Grande do Sul era habitado por indígenas pertencentes duas etnias: Gê e Guarani, cada uma
delas com modo de vida próprio.
O litoral era habitado, ao sul, pelos Minuano e Charrua. restante da faixa litorânea era habitado por indígenas Carijó, também chamados Pato.
Ao longo da faixa litorânea há vestígios indígenas: humanos, cerâmica, machado pontas de flechas, etc.
Os indígenas chamavam as terras situadas ao norte da Laguna dos Patos e os campos de Tramandaí e Capivari de Ibiamon.
A palavra ibia, para os indígenas, quer dizer "terra alta"; mon significa "perto". Assim, Ibiamon significa a região próxima as terras altas".

(p. 35)

Experdições

Os portugueses não enviaram, durante muito tempo, pessoas para morar aqui, mas às vezes aparecia alguma expedição para observar.
A expedição mais importante foi a de 1531, comandada por Martim Afonso de Sousa. Com ele veio seu irmão Pero Lopes de Sousa.
Como a embarcação de Martim Afonso de Sousa afundou no Rio da Prata, ele voltou para São Paulo. Mas seu irmão, Pero Lopes de Sousa, ficou nessas terras do sul
para observá-las melhor e entrou na barra que liga a Laguna dos Patos ao oceano.
Os companheiros de Pero Lopes de Sousa deram à barra o nome de São Pedro. Como a barra é muito larga e extensa, pensaram tratar-se de um rio e deram-lhe o nome
de Rio Grande. E assim ficou a denominação São Pedro do Rio Grande. As terras próximas ao Rio Grande passaram a ser chamadas de Continente de São Pedro do Rio Grande.

Atividade

1. Lê os textos, discute com um colega os temas propostos e depois explica por escrito em teu caderno:
a. Por que o Rio Grande do Sul levou mais de duzentos anos para ser povoado pelos portugueses?
b. Qual o significado da palavra indígena Ibiamon?

2. Consulta um mapa do Rio Grande do Sul com a divisão atual em municípios e procura os nomes de municípios que correspondam à antiga região do Ibiamon. Faze
por escrito uma lista com seus nomes.
3. Faze por escrito: Se tivesses de explicar a um turista por que o Rio Grande do Sul tem esse nome, o que dirias?

(p. 36)

Os portugueses iniciam a
ocupação das Terras do Sul

A Colônia do Sacramento

As terras que hoje constituem a Argentina e o Uruguai também eram habitadas por indígenas e, aos poucos, foram sendo conquistadas pelos espanhóis.
Os espanhóis já haviam fundado Buenos Aires por duas vezes, em 1536 e em 1580, à margem direita do Rio da Prata, e empenhavam-se cada vez mais em ocupar as terras
do sul. Por isso, os portugueses resolveram fundar uma colônia, também às margens do Rio da Prata, em frente a Buenos Aires, dando-lhe o nome de Colônia do Santíssimo
Sacramento. Com isso, pretendiam marcar sua presença no sul e tomar parte no próspero comércio que existia na região do Rio da Prata.
A Colônia do Sacramento foi fundada em 1680, por Dom Manoel Lobo. Entretanto, estava isolada, pois entre ela e São Paulo não havia outro estabelecimento português
que lhe servisse de apoio.

Laguna

Os espanhóis consideraram a fundação da Colônia do Sacramento como uma verdadeira provocação por parte dos portugueses e logo trataram de invadi-la. Para servir
de apoio à Colônia e promover a ocupação das terras ao sul de São Paulo, os portugueses fundaram Laguna, no atual estado de Santa Catarina. A povoação de Laguna
foi fundada em 1686 pelo capitão-mor Francisco de Brito Peixoto.

Terra de ninguém

Entre Laguna e a Colônia do Sacramento havia um território enorme, povoado de grupos indígenas. E nos campos pastava o gado xucro. Não havia a marca nem da ocupação
espanhola nem da portuguesa. Por isso, o escritor gaúcho Hélio Moro Mariante escreveu estes versos sobre esse tempo.

(p. 37)

Atividade

1. Depois de ler os textos, procura responder:
a. Por que os portugueses resolveram fundar a Colônia do Sacramento?
b. Como os espanhóis consideraram a fundação da Colônia do Sacramento?
c. Por que se diz que a Colônia do Sacramento estava isolada?

2. Dize a que fatos correspondem as seguintes datas:
a. 1536 e 1580
b. 1680
c. 1686

3. Dize a que fatos estão ligados os nomes de:
a. Dom Manoel Lobo;
b. Francisco de Brito Peixoto.

4. Pensa sobre a expressão "Terra-de-Ninguém", contida nos versos de Hélio Moro Mariante. Comenta com um grupo de colegas o sentido dessa expressão, relacionando-o
aos elementos indígenas, portugueses espanhóis. Redige as conclusões no caderno.

(p. 38)

Os tropeiros e o gado
xucro

Os lagunistas logo perceberam que o gado xucro, ou chimarrão, que pastava nos campos sem dono, representava uma verdadeira riqueza: fornecia carne, couro,
graxa e servia como meio de transporte. Era uma excelente fonte de comércio. Assim, teve início o tráfico de animais, feito pelos tropeiros. Seu trabalho consistia
em conduzir as tropas de gado bovino, cavalar e muar desde os campos. Charrua até a vila de Sorocaba, em São Paulo, onde vendiam os animais.

Os primeiros caminhos

Conduzir as tropas era um desafio. Chegando á altura da Barra de São Pedro, era preciso atravessar os animais nadando para a outra margem, aproveitando as horas
de maré baixa. Seguiam depois os tropeiros pela faixa litorânea até o Rio Mampituba, que também tinha de ser atravessado. A partir de Laguna, era impossível seguir
pelo litoral; por isso, alcançavam pelo interior os Campos de Curitiba, no atual estado do Paraná, e daí a vila de Sorocaba, no atual estado de São Paulo. Esse primeiro
caminho utilizado para conduzir as tropas foi chamado de Caminho do Litoral.

(p. 39)

As Invernadas

Durante o percurso, os tropeiros iam parado aqui e ali para descansar e engordar o gado com boas pastagens e boas águas. Ocorria, às vezes, de ficarem parados
num lugar durante semanas, devido ao mau tempo. Acabavam construindo um pequeno abrigo para dormir e alimentar-se. Esses lugares onde os tropeiros paravam chamavam-se
invernadas.
O governo português via favoravelmente o comércio de gado, pois ele ajudava na posse dessas terras por Portugal, além de lhe trazer lucros, porque os tropeiros
pagavam taxas.

O mair dos tropeiros

Cristóvão Pereira de Abreu nasceu em 1680, em Ponte de Lima, Portugal. Pertencia a uma família nobre, por isso adquiriu instrução escolar acima do comum.
Seu gosto por aventuras e o desejo de conhecer as terras pertencentes a Portugal do outro lado do Oceano Atlântico o levaram a se transferir para o Brasil
ainda muito jovem.
Morou muitos anos no Rio de Janeiro, onde casou-se com D. Clara do Amorim. Porém, a morte de sua esposa, em 1722, mudou seus planos. Resolveu ir para o sul,
a fim de estabelecer-se na Colônia do Sacramento. Assim, afirmou contrado com o governo português para capturar gado xucro e comerciar couros, pagando as taxas fixadas
à Fazenda Real.

(p. 40)

Cristóvão Pereira de Abreu tornou-se tropeiro e comerciante. Sob seu impulso, o comércio de couro desenvolveu-se muito.
Fez amizade com os indígenas minuano, que também caçavam gado nos compôs uruguaios e próximos à lagoa Mirim.
Os tropeiros muitas vezes eram atacados no caminho por espanhóis e indígenas.
Certa vez, Cristóvão Pereira de Abreu ia conduzindo 3 mil animais com 120 companheiros, desde a Banda dos Charruas. Na altura de palmares, saiu do Caminho do
Litoral e abriu um novo caminho, passando por Lages, e chegou aos campos de Curitiba. Este foi chamado Caminho dos Tropeiros.
Auxiliou Francisco de Souza Faria a abrir outro caminho, que partia do Morro dos Conventos até Lages, para daí seguir na direção dos Campos de Curitiba e Sorocaba,
na atual estado de São Paulo. Para isso, lançou 300 pontes rios e pântanos, num enorme esforço.

(p. 41)

Atividades

1. Depois de ler os textos, procura responder:
a. Por que os lagunistas resolveram explorar o gado xucro?
b. Por que o comércio de gado era bem-visto por Portugal?
c. Pode-se considerar que a exploração do gado xucro foi a primeira atividade econômica em nosso estado? Havia outras atividades econômicas além dessa?

2. O primeiro caminho para levar as tropas foi chamado Caminho do Litoral. Esse caminho foi a primeira estrada que o Rio Grande do Sul teve. Consulta um mapa
rodoviário do estado e verifica quais as estradas quehoje substituem esse caminho.

3. Completa com o que se pede:
a. Tipos de gado explorados pelo tropeiros.
b. Local para onde o gado era levado.

4. Descreve a figura do tropeiro e seu trabalho.
5. Explica o que eram as invernadas.
6. faze um cartaz com os principais feitos do tropeiros Cristóvão Pereira de Abreu.

Os portugueses começam a
se fixar no Litoral

Em 1725, chegou João de Magalhães. Ele veio de Laguna com muitos companheiros e escravos. Os escravos vieram para montar guarda nas passagens e auxiliar em
tudo o que fosse necessário.
Esses homens vinham com a missão de escolher terras e formar povoações na região do Ibiamon e na faixa litorânea até a Barra de São Pedro do Rio Grande . Eles
foram se estabelecendo na região do Ibiamon, formando estâncias. Foram esses os primeiros povoadores, mas depois vieram outros.
A planície litorânea não era lugar apropriado para a criação de gado, mas, assim mesmo, em qualquer pastagem já surgia um povoador e ali se estabelecia.
A maioria deles depois trouxe suas famílias.
As estâncias tinham ranchos de barro, cobertos com capim santa-fé, cercados de pequenas lavouras e de currais, onde o gado caçados nos campos era amansado. Essas
estâncias, com o passar do tempo, deram origem a povoados que se transformaram em vilas e depois em cidades, como Porto Alegre, Viamão, canoas, Esteio...

(p. 42)

Os portugueses se defendem
dos espanhóis

O comércio de gado tornou-se cada vez mais arriscado. Os espanhóis já haviam invadido várias vezes a Colônia do Sacramento e recebiam ajuda dos índios Charrua.
Construíram o Forte de San José, perto da atual Montevidéu.
Portugal enviou o brigadeiro José da Silva Pais para a Barra do Rio Grande a fim de estabelecer ali um ponto de apoio à Colônia do Sacramento.
José da Silva Pais desembarcou na margem sul da barra, em fevereiro de 1737, trazendo soldados de infantaria e artilharia, canhões, munição e cavalarianos do
regimento de Dragões de Minas Gerais. Ao todo, 254 homens.
Cristóvão Pereira de Abreu, nomeado coronel-de-ordenanças, esperava pelo brigadeiro na região do Rio Grande. Havia reunido 180 homens, alimentos e 700 cavalos.
Juntos, ergueram um forte que incluía uma capela com altar dedicado a Jesus, Maria e José. Esse forte tinha a condição de Comandância Militar, ligado diretamente
ao governo do Rio de Janeiro.
O brigadeiro começou a desenvolver um pequeno núcleo com a construção de casas, cultivo da terra e criação de gado. Fundou uma estância - a Estância Real de
Bojuru - em bons campos, cerca de 80 quilômetros ao norte da Barra de São Pedro do Rio Grande, na faixa litorânea. Essa estância garantiria o abastecimento de gado
bovino
e cavalar à Comandância Militar e à pequena povoação que ia crescendo ao redor dela com a chegada de pessoas vindas até do Rio de Janeiro.
Cristóvão Pereira de Abreu foi enviado para as margens do arroio Chuí, para ali estabelecer uma guarda-avançada, e construiu o Forte de São Miguel às margens
do arroio São Miguel.

(p. 43)

Depois, o brigadeiro José da Silva Pais foi nomeado para administrar Santa Catarina, e a Comandância Militar foi tendo outros dirigentes. Um deles criou o regimento
dos Dragões para atuar na defesa do território.
Como o Continente de São Pedro do Rio Grande ainda não possuía um governo organizado, ficou subordinado ao governo de Santa Catarina.

Atividades

1. Com base no texto, procura discutir com um ou dois colegas os seguintes temas:
a. Finalidade da vinda de João de Magalhães e seus companheiros para a região do Ibiamon.
b. Municípios atuais de nosso estado que foram estâncias dessa época.

2. Faze um desenho mostrando como eram as estâncias dessa época.
3. Explica com tuas palavras o motivo de Portugal ter enviado o brigadeiro José da Silva Pais para a Barra do Rio Grande.
4. Responde: Qual o apoio dado por Cristóvão Pereira de Abreu ao brigadeiro José da Silva Pais?
5. Resume a ação do brigadeiro José da Silva Pais.

Capítulo 4 - As Missões -
p. 44 até 69

(p. 44)

Vamos agora dirigir nossa atenção para uma região muito importante do nosso território, principalmente por sua história. E a região das Missões.

Missão religiosa

Missão é uma função especial, é um encargo, um compromisso. Missão religiosa é um encargo dado a determinadas pessoas para propagar a fé. As pessoas encarregadas
dessa tarefa chamam-se missionários.
Para o território rio-grandense vieram missionários espanhóis:
eram padres da Igreja católica, da Ordem dos Jesuítas, e seu objetivo era a conversão dos indígenas à fé cristã. O governo espanhol apoiava esse trabalho porque
ele ajudava a garantir a posse do território.

As primeiras missões
Jesuíticas

Os padres jesuítas espanhóis vinham realizando, há muito tempo, trabalhos de catequese junto aos indígenas em territórios que hoje pertencem a outros países,
como Paraguai e Argentina. Em 1626, o padre Roque González atravessou o Rio Uruguai e fundou o aldeamento de São Nicolau, em terras hoje rio-grandenses, com 2.800
indígenas. Em 1627. fundou a aldeia Candelária. Essas aldeias ou aldeamentos eram chamados de reduções.

(p. 45)

Padre Roque González e o padre Juán del Castillo fundaram, em 1628, as reduções de Assunção do Ijuí e de Pirapó. Nessa região, dominada pelo cacique Nheçu, o
índio Potiravá inflamava os indígenas contra o trabalho de catequese dos padres. Potiravá acusava os padres de estar introduzindo crenças e hábitos estranhos às
crenças
e costumes indígenas e que, aos poucos, iriam apoderar-se dos seus territórios. Por essa razão, a redução de Pirapó foi abandonada; mas fundaram a redução de Caaró.
Devido à revolta de um grupo de indígenas contra o trabalho dos missionários, os padres Roque González, Juán del Castillo e Afonso Rodrigues foram mortos. Outros
missionários continuaram o trabalho de catequese e, em 1631, fundaram as reduções de São Carlos e Apóstolos.
O trabalho missionário em terras rio-grandenses começou na região dos rios Ijuí e Piratinim. Depois, os jesuítas dirigiram-se à região do Alto-Ibicuí, onde os
padres Pedro Romero, Manuel Bertiot, Luiz Ernot, Cristóbal de Mendoza e Paulo Benavides fundaram as reduções de São Tomé, São Miguel, São José e São Cosme e Damião.
Ali
já existia Candelária do Ibicuí, anteriormente fundada pelo padre Roque González.
Os missionários chegaram à bacia do Rio Jacuí em 1633. Os padres Cristóbal de Mendoza, Francisco Jimenez e Juán Suárez aí fundaram as reduções de Santa Teresa,
nas terras do cacique Guarae; Sant'Ana, que chegou a abrigar 7.000 pessoas; São Joaquim, que reuniu 1.000 famílias catequizadas; Natividade de Nossa Senhora; Jesus-Maria
e São Cristóvão.

Vocabulário
- Redução: aldeia, aldeamento.
- Catequese: ensinamento religioso.
- Alto-Ibicuí: região onde o Rio Ibicuí nasce; nascentes do Rio Ibicuí.
- Bacia do Jacuí: região abrangida pelo Rio Jacuí e seus afluentes - Vacacaí, Pardo, Taquari, Caí, Sinos.

(p. 46)

Atividades

1. Os padres jesuítas espanhóis penetraram em território do atual Rio Grande do Sul, a partir de 1626.
a. Para que vieram os jesuítas espanhóis?
b. O que o governo espanhol pretendia, apoiando o trabalho dos jesuítas?

2. Consulta os textos e os mapas do livro para escrever os nomes das regiões do
território rio-grandense onde os jesuítas espanhóis fundaram reduções.

3. Nem todos os indígenas aceitaram o trabalho missionário dos padres jesuítas espanhóis. Explica as razões apontadas pelos indígenas que não aceitaram o trabalho
dos padres.

4. Discute com teu grupo de colegas:
a. se a atuação dos padres atendia às necessidades dos indígenas;
b. sobre a atitude dos indígenas que se rebelaram contra a atuação dos jesuítas. Registra no caderno as conclusões do grupo.

Os Guarani

Os indígenas que os padres começaram a catequizar eram os Guarani. As sociedades indígenas com as quais os padres trabalharam foram as dos Caroguara, Tabacanguara
e Tape.
Os Guarani eram de estatura mediana, nariz largo, maçãs do rosto salientes, cabelos lisos. Eram dóceis e tinham grande facilidade de aprender o que lhes era
ensinado.
Possuíam cerâmica desenvolvida e tecelagem rudimentar. Plantavam feijão, milho, batata-doce, abóbora, amendoim, algodão, fumo, mandioca. Colhiam erva-mate e
frutas do mato, caçavam e pescavam. Em geral, andavam nus, com o corpo pintado e tatuado, e enfeitado de penas. No inverno, protegiam-se do frio cobrindo o corpo
com peles
de animais. Moravam em ocas e dormiam em redes. O conjunto de ocas formava a aldeia.
Acreditavam em espíritos do bem e espíritos do mal. Tinham suas divindades, como Tupã, o deus criador dos trovões e relâmpagos.
Cada sociedade tinha um chefe, o cacique, auxiliado por um Conselho para decidir o que era de importância para o grupo. E havia o pajé, curandeiro e feiticeiro,
temido e respeitado.

(p. 47)

Atividades

A partir das informações do texto sobre os Guarani, copia e completa os itens a seguir:
a. Tipo físico: estatura; nariz; cabelos; maçãs do rosto.
b. Costumes: habitação; vestuário; enfeites do corpo.
c. Trabalho dos homens e das mulheres.
c. O que plantavam.
e. O que coletavam.
f. Religião.
g. Artesanato.
h. Governo.
Confere as respostas com teu grupo de colegas.

(p. 48)

O gado

Para formar uma redução, os padres reuniam uma certa quantidade de indígenas, erguiam uma capela ou igreja e casa para o padre morar. Com o passar do tempo,
as reduções chegaram a reunir milhares de indígenas, que viviam uma vida comunitária, sempre orientada pelos jesuítas.
A sobrevivência era garantida em parte pela produção agrícola, que começava com a organização de sementeiras e, depois, com a aplicação de técnicas de plantio
que os indígenas desconheciam, mas que aprendiam com facilidade. Entretanto, havia ocasiões em que as lavouras eram destruídas por secas prolongadas ou por enxurradas.
Começava então a faltar alimento.
Em 1634, o padre Cristóbal de Mendoza teve a idéia de trazer gado para as reduções, a fim de resolver os problemas de alimentação. Atravessou o Rio Uruguai e
adquiriu 1.500 cabeças de gado. Além do gado vacum, chegaram cavalos, ovelhas, cabras e porcos. Cada redução recebeu uma parte desse gado.
Para aumentar rapidamente a criação, os padres primeiro proibiram que se matassem vacas e depois estabeleceram currais, próximos às reduções, para que o rebanhos
aumentassem e fossem protegidos dos ataques das onças.
A quantidade de gado aumentou rapidamente e surgiu a necessidade de mais aguadas e pastos apropriados. Assim, foram cnadas estâncias, ou vacarias, em lugares
mais afastados. Nessas vacarias o rebanho se multiplicou e, em pouco tempo, havia milhares de cabeças de gado pertencentes às reduções. A primeira estância formada
foi
a de São Miguel, pertencente à redução de São Miguel. E depois foram criadas outras estâncias. Observa no mapa a localização da estância de São Miguel.

(p. 49)

Atividades

1. Havia ocasiões em que as lavouras eram destruídas por longas secas ou por enxurradas, e então faltava alimento.
a. Explica o que fez o padre Cristóbal de Mendoza para resolver o problema de alimentação dos indígenas.
b. Que tipo de gado foi
trazido para as reduções?

2. Como o gado multiplicou-se rapidamente, foram estabelecidas estâncias ou vacarias em lugares afastados das reduções.
a. Qual foi a primeira estância formada?
b. A que redução ela pertencia? 3 Para discutir.
Os jesuítas espanhóis podem ser considerados os introdutores do gado em
território rio-grandense?

(p. 50)

Os Bandeirantes

Desde os primeiros anos da colonização do Brasil, os portugueses exploraram o trabalho indígena. Porém, o rei de Portugal, diante das pressões da Igreja católica,
proibiu a captura de indígenas nas proximidades do litoral brasileiro.
Começaram, então, a ser organizadas expedições para buscá-los nas matas do interior do Brasil. Essas expedições eram chamadas bandeiras, e seus componentes,
bandeirantes.
As principais bandeiras foram organizadas pela população da vila de São Paulo de Piratininga (atual cidade de São Paulo). Os bandeirantes de São Paulo viram
na caça aos indígenas uma fonte de sobrevivência. Os indígenas eram vendidos para os donos das lavouras de cana-de-açúcar plantadas no litoral.
Quando os bandeirantes paulistas tiveram noticias sobre as reduções jesuíticas do sul, resolveram atacá-las; muitos indígenas reunidos num só lugar, pacificados,
cristianizados e acostumados ao trabalho na lavoura...
A primeira bandeira paulista chegou em fins de 1636 e era chefiada por Raposo Tavares, que atacou as reduções de Jesus-Maria, Sant'Ana, São Cristóvão e São Joaquim.

(p. 51)

Depois, vieram as seguintes bandeiras: bandeira de André Fernandes, em 1637, que atacou a redução de Santa Teresa; bandeira de Fernão Dias Pais, em 1638, que
atacou as reduções de Candelária e Apóstolos. Em 1640, apareceu a bandeira chefiada por Jerônimo Pedroso de Barros. Além dessas, vieram outras, e milhares de indígenas
foram aprisionados e levados para São Paulo, para serem vendidos como escravos.
Os padres lutaram ao lado dos indígenas, tentando resistir aos ataques dos bandeirantes, mas não tiveram êxito porque, além de serem atacados, geralmente de
surpresa, o poder de destruição dos bandeirantes era insuperável.
Os missionários jesuítas não conseguiram evitar a destruição de suas reduções e viram suas igrejas e casas serem incendiadas, indígenas serem mortos, feridos
ou levados como prisioneiros. Os que conseguiam fugir refugiavam-se nos matos ou iam para outras reduções ainda não invadidas pelos bandeirantes.

A retirada das populações
missioneiras

Logo após a primeira investida dos bandeirantes, em 1637, começou a retirada das populações missioneiras, que foram recuando cada vez mais para o oeste, até
atravessar o Rio Uruguai. Assim, em fins de 1639, quase todas as populações das reduções haviam se retirado para a margem direita do Rio Uruguai, onde foram acolhidas
por populações
Guarani ou fundaram outras povoações. A vasta região do território rio-grandense que abrigara as reduções ficou deserta, e as aldeias transformaram-se em taperas.

(p. 53)

O gado se dispersa

Os ataques dos bandeirantes provocaram a dispersão do gado das estâncias que pertenciam às reduções. Esse gado multiplicou-se aos milhares, vivendo solto, sem
dono, e foi ficando xucro ou selvagem.
Em 1637, para formar uma reserva de gado longe da ação dos bandeirantes, os jesuítas colocaram 400 cabeças de gado ao sul do Rio Ibicuí. Em anos seguintes, foram
introduzindo nessa região milhares de novas cabeças para aumentar o rebanho. Com o passar do tempo, esse gado espalhou-se pelo território rio-grandense e por terras
da atual República Oriental do Uruguai, onde se formaram vacarias chamadas Vacarias do Mar. Observa o mapa.

Atividades

1. Consulta o texto e depois completa as questões seguintes com o que se pede:
a. Objetivo dos bandeirantes.
b. Ação dos bandeirantes para conseguir o objetivo.
c. Objetivo dos padres jesuítas.
d. Ação dos jesuítas para alcançar o objetivo.
e. Traço comum entre padres e bandeirantes.
f. Posição dos padres em relação aos bandeirantes.
g. Posição dos padres em relação aos indígenas atacados pelos bandeirantes.
h. Chefes bandeirantes que investiram contra as reduções.
i. Conseqüências dos ataques bandeirantes às reduções.

2. Explica sobre as Vacarias do Mar:
a. por quem foram estabelecidas;
b. por que foram criadas;
d. onde se localizavam.

Estâncias e ervais

Passados vinte anos, em 1657, os padres jesuítas voltaram para o território rio-grandense e começaram a estabelecer estâncias de criação de gado e a explorar
extensos ervais.

Os ervais

Os indígenas conheciam os ervais nativos desde tempos muito antigos.
Quando os missionários chegaram aqui pela primeira vez, já encontraram entre os indígenas o uso de beber água de uma erva que chamavam de coguay.
Os ervais nativos ficavam distantes das reduções, mas os indígenas iam até eles, mesmos depois que se haviam mudado para as terras situadas na margem direita
do Rio Uruguai, levando muitos meses para voltar.
Ao longo do tempo, tomar água de erva-mate tornou-se de uso geral. E os padres jesuítas resolveram explorar os ervais nativos para fins comerciais.

(p. 55)

As Estâncias

Além da exploração dos ervais, os padres jesuítas espanhóis começaram a reunir porções do gado que vivia solto e foram estabelecendo estâncias por todo o território
rio-grandense. É que eles haviam percebido o valor que o gado tinha naquela época: o gado servia como alimento, como meio de transporte e também fornecia couro e
graxa.

(p. 56)

Tanto nas estâncias como nos ervais iam sendo erguidas capelas. Em torno delas surgiriam, mais tarde, povoações que se transformariam em cidades.
Além dessas estâncias, havia o gado das Vacarias do Mar, que se multiplicara aos milhares. A partir de 1680, os espanhóis descobriram as Vacarias do Mar, e a
riqueza que o gado representava despertou a cobiça de habitantes de Buenos Aires e de Santa Fé. E milhares e milhares de cabeças desse gado foram sendo retiradas
todos os
anos das Vacarias do Mar.
Quando os padres jesuítas perceberam que essa exploração poderia acabar com o rebanho das Vacarias do Mar, conduziram um grande lote de gado para uma região
bem distante - o nordeste do território rio-grandense -, onde estabeleceram uma vacaria, que passou a ser chamada de Vacaria dos Pinhais, pela grande quantidade
de pinheiros
ali existentes.

Atividades

1. Procura explicar, por escrito: Por que os padres jesuítas espanhóis voltaram ao território rio-grandense vinte anos depois de se terem retirado atacados
pelos bandeirantes?

2. Organiza um pequeno grupo de colegas para criar um diálogo entre padres jesuítas sobre a volta ao território rio-grandense e a criação de estâncias e exploração
dos ervais.

3. Para discutir com o grande grupo da sala de aula e colocar as conclusões por escrito:
a. Podemos afirmar que o costume de tomar chimarrão nos dias atuais é herança indígena?
b. Qual a importância de haverem sido erguidas capelas nas estâncias e nos ervais?

4. Sobre a Vacaria dos Pinhais, procura responder:
a. Por que ela foi estabelecida?
b. Onde se localizava?

(p. 57)

O retorno dos padres e dos
indígenas: os Sete Povos

Os espanhóis ficaram alarmados quando os portugueses fundaram, em 1680, a Colônia do Sacramento e logo trataram de providenciar a ocupação das terras ao norte
do Rio da Prata. Com o objetivo de resguardar suas estâncias, os jesuítas resolveram novamente atravessar o Rio Uruguai e fundaram em terras rio-grandenses sete
aldeamentos
ou reduções, que se chamaram Sete Povos:
- São Francisco Borja, em 1682;
- São Nicolau, São Luís Gonzaga e São Miguel Arcanjo, em 1687;
- São Lourenço Mártir, em 1690;
- São João Batista, em 1697;
- Santo Ângelo Custódio, em 1706.

(p. 58)

O traçado dos Sete Povos

Os Sete Povos possuíam um traçado parecido: uma praça no centro com a igreja. Perto da igreja ficavam: a casa dos padres, a escola, as oficinas, o cemitério
e o cotiguaçu, que era o alojamento das viúvas, dos órfãos e das mulheres sozinhas. Ao redor da praça ficavam: as casas dos indígenas e o Cabildo, uma espécie de
Prefeitura
do Povo.
Os Sete Povos eram ligados entre si por meio de estradas.

Atividades

1. Consulta os textos para responder: Por que os jesuítas espanhóis resolveram fundar os Sete Povos em território rio-grandense?
2. Escreve os nomes dos Sete Povos.
3. Dize qual a localização dos Sete Povos.
4. Maquete. Com teu pequeno grupo de colegas, e sob a orientação do professor, escolhe um dos elementos que fazia parte do traçado dos Sete Povos para confeccioná-lo;
junta-o
depois aos elementos escolhidos pelos demais grupos, formando a maquete de um Povo. Os elementos devem ser distribuídos aos grupos por sorteio.

(p. 59)

A organização dos Sete
Povos

A vida dos indígenas nos Sete Povos era conduzida pelos padres com uma rígida organização. Suas terras eram parte do território espanhol e, por isso, os indígenas
eram tratados como cidadãos de Espanha, devendo prestar obediência ao rei, pagar impostos e prestar o serviço militar.
O governo era semelhante ao das outras vilas espanholas: um corregedor indígena era nomeado pelo governador de Buenos Aires, e os outros auxiliares eram eleitos
pelos habitantes - alcaides, procuradores, regedores. Todos eles formavam o Cabildo e cuidavam de todos os assuntos da vida do Povo.
Em cada Povo havia quase sempre dois padres e alguns irmãos, que tratavam da parte espiritual, auxiliavam no governo, quando necessário, e ensinavam tudo o que
era possível.

A vida do grupo

Nos Sete Povos todos trabalhavam. Levantavam ao nascer do sol, rezavam, tomavam a primeira refeição e iam trabalhar - uns nas lavouras, outros nas oficinas,
na escola, nas casas. As mulheres cardavam, fiavam, teciam, faziam roupas, crivos, rendas e bordados para as toalhas dos altares das igrejas. As meninas aprendiam
a executar
tarefas domésticas.
Os meninos, filhos de
caciques, de administradores
e aqueles cujos pais solicitassem, estudavam na escola. Ali aprendiam a ler, a escrever e a fazer contas. Os alunos que demonstravam maior talento aprendiam música,
canto, escultura, ourivesaria, pintura.
Os padres ensinavam aos
índios muitos ofícios; por isso, havia bons oleiros (fabricantes de tijolos), carpinteiros, pedreiros, ferreiros, fundidores de bronze.
A maioria dos indígenas era constituída de lavradores, campeiros e ervateiros.
Dois dias por semana os lavradores plantavam nas terras particulares de cada família. Com essa produção, os indígenas podiam fazer o que quisessem: trocar por
outros produtos, presentear.
Nas terras comuns que pertenciam ao Povo, os indígenas lavradores trabalhavam quatro dias
por semana, cultivando trigo. cevada, milho, mandioca, feijão, algodão, fumo, árvores frutíferas, etc.

(p. 60)

O gado fornecia a carne, o leite, o couro e a graxa. Os couros eram estaqueados para secar e depois utilizados na fabricação de vários objetos.
Os depósitos dos Povos estavam sempre cheios de alimentos e de roupas para abastecer seus habitantes.
Os indígenas não ganhavam salário nem possuíam dinheiro. mas tinham tudo o que precisavam para viver com tranqüilidade.
Havia tal prosperidade que os Povos exportavam vários produtos para a região do Rio da Prata.
Aos domingos, todos assistiam a missa. Em dias de festa, havia torneios de cavaleiros na praça e apresentação de teatro e dança pelas crianças, e também apresentações
de música.
Os jovens beijavam a mão das pessoas idosas e chamavam os adultos de "meu tio~~, "minha ti a.

(p. 61)

Os padres jesuítas orientavam os indígenas na construção das igrejas, erguidas com blocos de pedra. A maior igreja, considerada a mais bonita de todas, foi a
de São Miguel.
Os indígenas aprenderam a construir casas de tijolos com divisões internas, cobertas de telhas, que abrigavam todos os parentes. Os prédios possuíam avarandados
ao redor, para proteção do sol e da chuva.
Onde havia pontos de água, eram construídas fontes que facilitavam o recolhimento de água para beber, lavar roupas, tomar banho, cozinhar, etc.

(p. 62)

Indígenas artistas e
artesãos

Os padres que vieram para a região dos Sete Povos possuíam conhecimentos científicos e artísticos. Imprimiram livros, construíram relógios de sol. Com eles os
indígenas aprenderam a pintar, a esculpir estátuas e enfeites para as igrejas. Tornaram-se verdadeiros artistas.
O padre Antônio Sepp, que fundou o Povo de São João Batista, descobriu ali minério de ferro e deu início à fabricação de sinos, ferramentas e utensílios diversos.
Padre Sepp também era músico. Ele fabricava harpas e compôs muitas canções religiosas com textos em guarani; ensinou os indígenas a tocar e a fabricar com perfeição
vários instrumentos musicais, como os mostrados nas ilustrações a seguir.

(p. 63)

Os indígenas se encantavam com a música e aprendiam com muita facilidade até mesmo peças musicais consideradas difíceis pelos maiores artistas europeus. Por
isso, não foi tão difícil formar corais e orquestras. Alguns indígenas compunham músicas que podiam ser comparadas às de famosos compositores da Europa. Havia até
orquestras
de crianças que se apresentavam nos dias de festa, como mostra este antigo desenho encontrado na Missão de São João Batista.

(p. 64)

Dois indígenas se destacaram pela facilidade de aprender as artes e pelo talento de ensinar:
- Gabriel Quiri, que vivia em São Luís Gonzaga, ensinava a fabricação de instrumentos musicais e a tecelagem de tapetes.
- Inácio Paica, que, além de ter aprendido a tocar órgão, fabricava órgãos, cometas, clarins, trompetes, cunhava moedas, polia metais, fundia sinos, bacias,
caldeirões, tachos, fazia campainhas.

Atividades

1. Com base nos textos, responde: Como eram considerados pelo governo espanhol os indígenas que habitavam os Sete Povos?
2. A vida dos Sete Povos era organizada. Dize, com tuas palavras, como estava organizado o governo.
3. Todos trabalhavam nos Sete Povos. Responde:
a. Quais eram os ofícios dos homens?
b. Quais eram os ofícios das mulheres?

4. Dá exemplos de artes cultivadas nos Sete Povos.
5. Explica o que eram as terras comuns e as terras particulares.
6. Dize como eram as casas dos indígenas dos Sete Povos.
7. Dize como eram as festividades nos Sete Povos.
8. Dize quem freqüentava as escolas dos Sete Povos e o que nelas se ensinava.
9. Lê as frases seguintes:
- "Os depósitos dos Povos estavam sempre cheios de alimentos e de roupas para abastecer seus habitantes."
- "Os indígenas não ganhavam salário nem possuíam dinheiro, mas tinham tudo o que precisavam para viver com tranqüilidade."
Discute com teu pequeno grupo de colegas sobre o sistema de vida que as frases revelam. Comunica oralmente ao grande grupo da sala de aula as conclusões a que
o pequeno grupo chegar.

10. Elabora um pequeno texto sobre o que mais chamou a tua atenção no modo de vida nos Sete Povos.

(p. 65)

Portugal e Espanha trocam
territórios

A noticia chegou aos Sete Povos, causando um grande choque a todos: Portugal e Espanha haviam feito um acordo, que se chamou Tratado de Madri. Era o ano de 1750.
Pelo Tratado, os dois remos trocavam territórios: a Colônia do Sacramento, que era portuguesa, ficava para a Espanha; a região dos Sete Povos, que era espanhola,
ficava para Portugal.
O Tratado de Madri determinava que, no decorrer de um ano, os padres jesuítas deveriam deixar os aldeamentos dos Sete Povos e levar os indígenas com seus pertences
para morar em outras terras, pertencentes à Espanha.
Eram trinta mil indígenas e setecentas mil cabeças de gado que deveriam deixar o território missioneiro. Os indígenas e os padres deveriam abandonar suas casas,
as igrejas, as escolas, as lavouras, os pomares e tudo o que haviam construído com grande esforço ao longo dos anos.
Para habitar os Sete Povos, o governo português pensou em colocar casais vindos das Ilhas dos Açores, situadas no Oceano Atlântico, e também moradores da Colônia
do Sacramento.
Este era o plano de ocupação do território dos Sete Povos, mas não foi realizado, porque os indígenas missioneiros não aceitaram as ordens de desocupar suas
terras e se rebelaram.

(p. 66)

A Guerra Guaranítica

Para marcar a linha divisória acertada no Tratado de Madri, Portugal e Espanha organizaram comissões demarcadoras. O chefe da comissão portuguesa era o general
Gomes Freire de Andrade, e o chefe da comissão espanhola era o marquês de Valdelírios.
O general Gomes Freire de Andrade mandou construir um forte em Rio Pardo, que até então era apenas uma guarda. E para perto desse forte levou algumas famílias
açorianas, dando origem a uma povoação.
Os trabalhos de demarcação tiveram início em outubro de 1752.
Em Castilhos Grande foi assentado o primeiro marco divisório entre as terras portuguesas e espanholas.
Em muitas ocasiões, grupos de indígenas missioneiros interrompiam a marcha das tropas demarcadoras, atacando-as, ameaçando-as e protestando contra a entrega
de suas terras.
Em 1756, os dois exércitos juntaram-se, e os indígenas missioneiros decidiram enfrentá-los, chefiados por Sepé Tiaraju. Eram cerca de 1.500 indígenas contra
os dois exércitos bem-armados. No dia 7 de fevereiro de 1756, ao amanhecer, deu-se o primeiro combate e nele morreu Sepé Tiaraju.
Os indígenas missioneiros não desistiram da luta e, chefiados por Nicolau Nhenguiru, travaram novo combate, às margens do Arroio Caibaté. Nesse combate os indígenas
foram massacrados, porque as tropas espanholas e portuguesas eram superiores em quantidade e em armamentos.

(p. 67)

Os indígenas deixaram 1.200 mortos no campo de batalha, entre eles Nicolau Nhenguiru. Os sobreviventes correram às povoações missioneiras e contaram o que acontecera.
Então, num gesto de supremo desespero, os indígenas lançaram fogo às casas, às igrejas, e desapareceram nas matas ou acompanharam os padres e atravessaram o
Rio Uruguai. A ilustração a seguir dá uma idéia do ocorrido.

(p. 68)

Os dois exércitos prosseguiram sua marcha em direção aos Sete Povos.
Esse episódio, chamado de Guerra Guaranítica, tem grande importância histórica, porque representa o grito de revolta dos indígenas contra o europeu conquistador
de suas terras.
Hoje, quem visita a região missioneira encontra algumas ruínas dos Sete Povos. As principais são as ruínas de São Miguel. que foram consideradas pela Unesco
um Patrimônio Histórico da Humanidade. Elas são o testemunho daqueles tempos de esplendor e de vida comunitária. Por sua importância, devem ser preservadas.
A Unesco é um departamento da ONU -Organização das Nações Unidas -que trata de assuntos culturais e educacionais.

Atividades

1. O Tratado de Madri estabelecia uma troca de terras entre Portugal e Espanha.
- Quais eram as terras que deveriam ser trocadas?

2. Explica por que os indígenas se rebelaram contra o Tratado de Madri.
3. Dize quais as facções que se defrontaram na Guerra Guaranítica.
4. Tema para debate com os colegas da sala de aula:
"A luta dos indígenas contra as determinações do Tratado de Madri." Com teu pequeno grupo de colegas, redige as conclusões a que o grande grupo da classe chegar.

5. Cria uma história em quadrinhos sobre o que os textos sugerem.
6. Qual a explicação que darias a um turista que perguntasse o motivo de haver somente ruínas no lugar dos Sete Povos?
7. Procura na biblioteca da escola, em outras bibliotecas ou acessando a lnternet informações sobre a Unesco. Compara as informações obtidas com a de teus colegas
para, juntos, elaborarem um resumo por escrito.
8. Procura informações sobre o que tem sido feito para preservar as ruínas missioneiras. Compõe um pequeno texto dizendo qual deve ser a atitude dos cidadãos
rio-grandenses quando visitam essas ruínas, para melhor preservá-las.

(p. 69)

9 Questão indígena: os problemas continuam...
a. Lê o texto a seguir, publicado no jornal Zero Hora. Procura o significado das palavras desconhecidas que encontrares no texto. Depois, com um grupo de
colegas, identifica as idéias principais que o texto traz, anotando-as. Procura formular, junto com teus colegas de grupo, perguntas sobre o conteúdo do texto.

"Índios Guarani ganham
terras

Presidente da Funai assinou protocolo com o governo do estado

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Frederico Marés de Souza Filho, assinou ontem, no Palácio Piratini, um protocolo de intenções com
o governo do estado para dar terras a 15 comunidades indígenas.
Os beneficiados são índios Guarani que vivem ao longo de estradas. Hoje, Marés discute, em Passo Fundo, com caciques Caingangue, a indenização de 2,5 mil famílias
de colonos que vivem em terras indígenas.
Os agricultores, de 30 cidades gaúchas, moram em terras reconhecidas pela Constituição Federal de 1988 como sendo indígenas. O orçamento da Funai para problemas
agrários em 2000 é de R$ 60 milhões. Destes, R$ 25 milhões são destinados ao estado.
A questão Guarani foi discutida ontem pela manhã com o governador Olívio Dutra. Segundo o protocolo, o estado vai desapropriar 432 hectares, e a Funai, outros
870.
As primeiras 50 famílias serão assentadas assim que as desapropriações forem concluídas, o que ainda não tem prazo para ocorrer Existem 90 famílias Guarani acampadas
em beira de estrada no estado.

Problemas da região de Passo Fundo remontam há cem anos

Marés e o secretário estadual do Trabalho, Cidadania e Assistência Social, Tarcisio Zimermann, estiveram com os Guarani na BR-116, em Barra do Ribeiro. Ali
já morreram três crianças atropeladas. Apesar disso, Sílvio Ortega, um dos líderes Guarani, disse que os índios não pretendem abandonar o comércio de beira de estrada,
um dos
sustentos da comunidade. Eles aceitam, porém, transferir suas famílias para um lugar mais seguro.
Marés também visitou áreas de conflito entre agricultores e índios em Soledade e em Espumoso. Hoje, em Passo Fundo, sede da delegacia da Funai no estado, ele
deverá se encontrar com os Caingangue para conversar sobre os problemas de terra da região, que remontam há quase cem anos.
Nessa época, agricultores ocuparam ilegalmente cerca de 40 mil hectares de glebas Caingangue. Nos anos 60, o governo do estado resolveu legalizar a posse, vendendo
as terras aos colonos e usando outras para fazer aeroportos e construir estradas. Em 1988, a Constituição Federal reconheceu o direito indígena sobre as terras.
Em 1990, estado e União concordaram em indenizar os agricultores e devolver as áreas aos Caingangue.
Já foram devolvidos 30 mil hectares aos índios. Faltam 10 mil hectares, onde vivem hoje 2,5 mil famílias de agricultores. Pelo acordo, o governo federal pagará
pelas benfeitorias dessas propriedades, e o estadual, pela terra. A intenção é resolver o problema nos próximos três anos. A previsão é assentar este ano 400 agricultores
que atualmente estão em áreas indígenas."
(Zero Hora, Porto Alegre, terça-feira, 1 5-2-2000.)

b. Procura em jornais outras notícias sobre o assunto. Coloca-as no mural da sala de aula.

Capítulo 5 - A Campanha -
p. 70 até 80

(p. 70)

Os indígenas

Antigamente, a Campanha era habitada por vários povos indígenas: os Minuano, os Charrua, os Mboane, os Guenoa, os Yaró e os Chaná.
Esses indígenas eram de estatura mediana, lábios grossos, olhos pequenos, cabelos pretos, grossos e lisos, usados compridos e soltos ou amarrados atrás. Tinham
aspecto sério, pensativo. Eram orgulhosos, fortes e ágeis. Viviam seminômades, não se fixando num só lugar. Casavam-se e constituíam família. O cacique possuía autoridade
maior durante as guerras.
A habitação desses indígenas era feita de quatro estacas, que sustentavam várias esteiras ou então couros, que serviam de teto e paredes. Viviam da caça e da
pesca.
Suas armas, inicialmente, eram o arco e a funda. Depois, usaram lanças de até quatro metros de comprimento e boleadeiras. Eram excelentes laçadores e hábeis
canoeiros.
Usavam sempre o facão atravessado nas costas. Pouco dados à arte, não tinham instrumentos musicais.

(p. 71)

Vestiam-se com tangas de couro até o joelho. No inverno, usavam uma espécie de poncho feito de couro, com os pêlos para dentro.
Além da caça e da pesca, faziam guerra e comerciavam gado, couro e graxa. O gado, inclusive, era comerciado com os portugueses, quando estes aqui chegaram.
Os indígenas da Campanha conheceram o cavalo, pegando-o dos espanhóis, e tornaram-se hábeis cavaleiros.
Para esconder-se do inimigo, o indígena da Campanha inclinava-se sobre o cavalo. De longe, o cavaleiro não era visto, parecendo que o cavalo corria sozinho.

Atividades

1. Copia os itens do quadro referentes ao indígena que habitava a Campanha. Procura preencher tudo de acordo com o texto.
Povos - Tipo físico - Modo de vida - Qualidades - Alimentação - Vestuário -Meios de transporte - Armas - Comércio.

2. Tema para discussão no grande grupo da sala de aula.
"Por que, atualmente, não há remanescentes dos povos indígenas que habitavam a Campanha?"

(p. 72)

A exploração do gado xucro

Nas terras da Campanha não havia somente indígenas, mas grande quantidade de gado xucro, ou seja, chimarrão ou selvagem.
Essa riqueza - o gado -atraía muitos indivíduos, que vinham recolher courama, pagando taxas ao governo de Buenos Aires. Essas pessoas não eram as únicas a explorar
o gado. Apareceram também os chamados changadores, espanhóis que coureavam todo o gado que podiam. Eles traziam cavalos, atravessando-os em balsas pelos rios, acampavam
em grupos de 30 a 40 homens, chefiados por um capataz. Matavam o gado e tiravam-lhe o couro, que, depois de bem limpo, deixavam secar estaqueado com paus.
Com o passar do tempo, começaram a aproveitar também a graxa ou sebo do gado para vender. A carne era abandonada aos umbus e aos ferozes cachorros-chimarrões.
Nos campos da Campanha apareceram outros elementos chamados gaudérios. Eram aventureiros paulistas e lagunistas que também se apropriavam do gado xucro para
explorar o couro e a graxa. Mais tarde, esses gaudérios iriam trabalhar nas estâncias de criação de gado que se estabeleceram nesses campos. Foi assim que começou
a vida dos peões. Essa é a origem do gaúcho.
Indígenas também foram trabalhar como peões nas estâncias, quando seus povos já haviam se desestruturado.

(p. 73)

O charque

No começo da exploração do gado, muita carne era desperdiçada, porque a carne fresca se deteriora rapidamente. Então, algumas pessoas perceberam que era possível
um maior aproveitamento da carne se ela fosse salgada e secada ao sol e ao vento. A essa carne salgada e seca deu-se o nome de charque, e os locais onde era produzido
o charque tinham a denominação de charqueadas.
Para trabalhar nas charqueadas foram trazidos escravos negros, que trabalhavam obrigados, sem salário.
As charqueadas foram se multiplicando, e o charque passou a ser vendido para outras partes do Brasil.

Patrulhas, guardas e
acampamentos

Os campos ao sul do Rio Ibicuí eram área pretendida pela Espanha e por Portugal. Desde 1803, Portugal enviava patrulhas para vigiar os campos. Essas patrulhas
aim até o Rio Uruguai e até o Rio Quarai. Daí não passavam.
Os portugueses estabeleceram, depois, algumas guardas nesses campos onde havia indígenas, gado bovino xucro, cavalhada solta, cachorros-chimarrões, changadores
e gaudérios. Assim, Portugal foi demarcando e tomando posse desses campos denominados Distrito de Entre-Rios ou Campos Avançados.
Seguiu-se a instalação de acampamentos militares como o de São Diogo, em 1810, às margens do Rio Inhanduí, e depois transferido para as margens do Rio Ibirapuitá,
ao redor do qual começou a se formar uma povoação.

(p. 74)

As Estâncias

Com os campos guardados por patrulhas e com a instalação de acampamentos militares, havia mais segurança contra os ataques de espanhóis. Isso fez com que essa
região começasse a atrair povoadores que ali se instalaram formando as primeiras estâncias de criação de gado. Muitos desses povoadores eram militares que recebiam
terras como prêmio por serviços prestados na defesa do território; outros eram militares que, após cumprir seu tempo de serviço, pediam terras ao governo português.
Outros
ainda eram antigos chefes de bandos que exploravam o gado xucro.
O povoador, ao tomar posse do seu campo, construía o rancho para morar. As paredes eram feitas de paus amarrados com tiras de couro e recobertas de barro amassado.
As portas e as janelas eram fechadas com couro de boi. O rancho era coberto por capim santa-fé. Nas proximidades do rancho, levantavam-se cercados para guardar
os animais. Os campos das estâncias eram delimitados por cercas de pedra ou de vegetação.
Com os grupos de famílias que vieram para morar nas estâncias, elas se tornaram pontos de povoamento da região da Campanha. Esse fato garantiu a posse dessas
para os portugueses.
As estâncias antigas foram local de resistência contra invasões espanholas e, muitas vezes, contra ataques indígenas.
Nas estâncias fabricava-se de tudo: alimentos, tecidos, objetos variados para uso doméstico, pois na solidão dos campos não havia nada para comprar.

(p. 75)

O mobiliário do rancho era
escasso e de grande
simplicidade.
Peças do mobiliário do
rancho:
- Catre para dormir;
- Panela de ferro;
- Colher feita de guampa;
- Pilão;
- Cepo;
- Banco com assento de
couro.
Para a iluminação colocavam sebo num recipiente com uma mecha de pano ou lá retorcida e embebida no sebo. Também fabricavam velas usando um molde, onde colocavam
sebo derretido e uma mecha
de lã.
- Bugia
- Vela

(p. 76)

Até o ano de 1820,
aproximadamente, os campos
de Campanha estavam ocupados
e tinham donos.
O traje do gaúcho de
1730 a 1820:
- Chapéu de palha ou
feltro;
- Poncho;
- Faca às costas;
- Faixa de tecido;
- Botas de garrão de
couro, com os dedos de fora
- Espora;
- Ceroulas;
- Chiripá ou saia;
- Boleadeiras;
- Cinturão de couro;
- Camisa branca de
algodão;
- Colete.
Traje da mulher rural:
- Blusa
- Saia escura

O traje do gaúcho de 1820
a 1865:
- Chapéu;
- Lenço;
- Colete de algodão ou
seda;
- Chiripá tipo fralda;
- Franjas da ceroula;
- Laço;
- Botas de couro;
- Espora de ferro;
Traje da mulher rural:
- Casaco curto;
- Saia;
- sombrinha.

(p. 77)

Nesses tempos antigos, o principal meio de transporte era o cavalo. Para atravessar rios utilizavam as pelotas feitas de couro. E havia as carretas, puxadas
por juntas de bois, que transportavam mercadorias de um lugar para outro através de estradas poeirentas, no verão, e lamacentas, no inverno.

Atividades

1. Relaciona as palavras que estão no quadro seguinte, formando um pequeno texto explicativo:
gado xucro - changadores - gaudérios
2. Explica a origem do gaúcho.
3. Responde: Onde se localizavam os Campos Avançados ou Distrito de Entre-Rios?
4. Copia um mapa do Rio Grande do Sul e localiza esses Campos Avançados.
5. Dize qual a importância do envio de patrulhas e guardas para esses Campos, bem como o estabelecimento de acampamentos militares.
6. Explica a relação entre charque, charqueadas e escravos negros.
7. Procura informações sobre as condições em que viviam os negros escravos trazidos para o Rio Grande do Sul.
8. Elabora um pequeno texto descrevendo as estâncias antigas e dizendo do papel que elas então representavam.

(p. 78)

Leitura

O pouso dos carreteiros

Após um dia de viagem, os carreteiros e os animais precisavam de c O escritor Darcy Azambuja descreve assim como era esse pouso:
"De tarde, quando o sol vai enrolar-se, lá longe, nas dobras verde-escuro das coxilhas, as carretas, uma após outra, vão chegando ao pousa Os carreteiros soltam
a boiada, põem o cavalo a soga, arrumam as guascas. Enquanto o piazote vai com a chaleira e a panelinha buscar água no arrojo, juntam lenha para fazer fogo. Ao lado
das brasas, as duas forquilhas com a travessa, onde se enfiam a chaleira e a panela. E, esperando que o charque e o feijão cozam, os homens, sentados nos calcanhares
ou à moda oriental, picam o fumo para um cigarro de palmo entre raras palavras de palestra.
Em redor, a boiada vai deitando, esfalfada e tranqüila. Do oriente a noite a pouco e pouco avança, juntando-se aos pedaços de treva que a esperam pelas baixadas,
e enche a infinita extensão dos campos. Voam os últimos pássaros; algum socó retardatário traça um vôo nostálgico, procurando o ninho, no banhado. Ecoam latidos
de graxains, riscando as coxilhas em ronda carniceira. Acende-se no céu o brilho distante das estrelas.
Feito o repasto pobre, os carreteiros trocam as últimas palavras, tiram as últimas baforadas de crioulo e vão adormecendo sobre os arreios, debaixo das carretas.
Não raro, algum afeiçoado à cordeona, e saudoso de bens ausentes, rompe o silêncio da solidão com a melodia de músicas antigas.
Coitado do carreteiro
Que nunca descanso tem,
Sofrendo por esta estrada
As mágoas de querer bem.

Quanto atolou a carreta
Na estrada da Soledade,
Fui ver o que tinha dentro
Vinha cheia de saudade.

Se a noite é de lua, a voz do cantor, casando-se, maldistinta, ao som melancólico da gaita, derrama-se com indefinível suavidade pela solidão dos campos aclarados,
povoando-os de evocações e saudades dos rudes viageiros das estradas natais.
Quero-queros gritam longe, de vigília. A chama dos fogões lambe a treva em redor. O silêncio vago cai de novo, e homens e animais, cansados e tranqüilos, dormem
sob a doce palpitação das estrelas."

(p. 79)

Vocabulário

À soga: preso por uma corda.
Cuascas: tiras de couro cru, inteiriças, bem sovadas.
Esfalfada: cansada, exausta, estafada.
Piazote: menino.
Cozam: cozinhem.
Nostálgico: saudoso, que tem saudade, melancólico.
Ronda carniceira: andanças à procura de carne para comer.
Graxaim: cachorro-do-mato.
Repasto: refeição.
Cordeona: acordeom, concertina.
Aclarados: iluminados.
De vigília: de guarda, de sentinela.
Treva: escuridão.
Palpitação: pulsação, batimento.

Atividades

1. Dize o que fazem os carreteiros, à tardinha, logo que chegam ao pouso.
2. Responde: Que providências tomam os carreteiros para terem sua refeição?
3. Copia e completa, dizendo o que fazem:
a. os bois;
b. os graxains;
c. a noite;
d. as estrelas.

4. Responde: Depois da refeição, após trocarem as últimas palavras e tirarem as últimas baforadas do crioulo, onde adormecem os carreteiros?
5. Inventa uma melodia para os versos que o texto traz e canta para teu grupo de colegas.
6. Escreve num quadrinho o que os versos dizem que havia dentro da carreta atolada na estrada da Soledade.
7. Ilustra a frase com um desenho:

(p. 80)

O gaúcho hoje

No ambiente da Campanha houve modificações através do tempo.
Nas estâncias modernas há o caminhão, a caminhonete, luz elétrica. Há mais conforto e rapidez no trabalho. O gaúcho de hoje ouve rádio, vê televisão. Porém,
com todas essas mudanças, o gaúcho conserva os mesmos hábitos e o mesmo espírito: continua sendo tão bom cavaleiro quanto seus antepassados, é laçador, domador.
Gosta de divertir-se em carreiras de cancha reta, ir a bailes, tocar gaita e violão, contar causos, trovar e repetir quadrinhas. Toma sempre o chimarrão e come churrasco.
Continua olhando os campos com o mesmo encantamento, tem amor pela terra e pelos animais.
Desse tipo gaúcho herdamos a simplicidade, a coragem, a generosidade, a sinceridade.
Quem conheceu a Campanha sentirá saudades dela, tanto que o gaúcho valente, que não chora por nada...

"Diz que não chora o gaúcho,
Pois eu le garanto agora:
Fale dos pagos distantes,
Vamos ver se ele não chora."
(Vargas neto.)
Capítulo 6 - Os indígenas
do Planalto - p. 81 até 98

(p. 81)

Antes da chegada dos homens brancos, em tempos muito antigos, o planalto rio-grandense foi habitado pelos ancestrais dos indígenas atuais. Eles pertenciam ao
tronco Gê e, ao longo do tempo, foram conhecidos por denominações como Guaianá, Coroado. Hoje, são conhecidos pela denominação de Kaingáng, que significa "habitantes
do mato".
Os Guaianá tinham pele parda, estatura mediana, maçãs do rosto salientes, olhos escuros, cabelos lisos e pretos, bem proporcionados de pode. Eram dóceis e pacíficos,
dados ao trabalho. Mas, com a chegada dos homens brancos em suas terras, foram se tornando quietos, observadores, pensativos, desconfiados.
Esses indígenas caçavam, pescavam, coletavam moluscos nas águas dos rios. Seu alimento básico era o pinhão. Fabricavam alguns objetos simples de cerâmica.
A população Guaianá era grande. Viviam em aldeias de 20 a 25 famílias. Cada habitação, que era dividida internamente, abrigava 4 ou 5 famílias. Cada aldeia tinha
seu cacique eleito pela comunidade. O conjunto de aldeias de uma região era chefiado por um cacique geral, que era também o feiticeiro. Os caciques das aldeias eram
subordinados ao cacique principal da região.
No planalto havia vários caciques gerais. Ficaram famosos os caciques gerais Fongue, Votouro, Doble, João Grande, Nonoai, Condá e Braga.

(p. 82)

Durante muito tempo, os indígenas do planalto viveram protegidos por habitar terras altas, cobertas de matas e, em determinados lugares, muito frias. Antigamente
construíam casas subterrâneas para se abrigar. Essas casas eram também chamadas de casas-poço.
Os Guaianá nunca aceitaram a catequese dos padres jesuítas. Quando estes chegaram, encontraram esses indígenas vivendo em diferentes partes do planalto, distribuídos
em povos de diferentes nomes: Pinaré, Caamoguara, Caaguá, etc.
Ainda hoje temos indígenas Kaingáng em nosso estado. Muitos de seus costumes sofreram modificações com o passar do tempo. As mulheres têm posição igual à dos
homens e participam da vida do grupo em geral e até dos negócios.

(p. 83)

Os Kaingáng têm grande conhecimento da vegetação. Esse conhecimento é transmitido de geração em geração. Conhecem tanto o valor nutritivo das plantas como seu
uso medicinal.
Em suas habitações, há sempre aceso o fogo de chão. Usam muito o chimarrão e comidas tradicionais como o "pixé" (um pão assado nas cinzas feito de farinha de
milho); gostam também de "comida do mato", ou seja, verduras por nós desconhecidas: o fuá, o purfé, o cumin, etc.
Os Kaingáng ainda conservam muitos de seus traços culturais, que devemos ajudar a preservar. Cultivam antigos valores que podem nos servir de exemplo: o respeito
à terra, o respeito à criança e ao idoso, a distribuição democrática do poder.

Quadro-resumo da situação
fundiária das terras
indígenas administração
regional FUNAI/Passo Fundo -
março de 2000

Terra indígena - Etnia -
Município - População -
Ocupação da terra - Hectares
Barra do Ouro - Guarani -
Maquiné; Riozinho - 55 -
Ocupação integral pela
comunidade indígena - 2.285
Borboleta - Kaingáng -
Espumoso - 336 - - A definir
Cacique Doble -
Kaingáng/Guarani - Cacique
Doble - 658 - Ocupação
integral pela comunidade
indígena - 4.426
Cacique Galo - Guarani -
Viamão - 94 - Comunidade
ocupa área atual de 42
hectares - 42
Capivari - Guarani -
Palmares do SUl - 19 -
Comunidade passou a ocupar a
área a partir do ano de 1999
- 40
Carreteiro - Kaingáng -
Água Santa - 217 - Ocupação
integral pela comunidade
indígena - 602
Monte Caseros - Kaingáng -
Muliterno; Ibiraiaras - 271
- Comunidade indígena ocupa
330 hectares de terras após
a indenização de 32
agricultores pela FUNAI em
1997. Falta indenizar 45
agricultores. - 1.112
Guarani Votouro - Guarani
- Benjamim Constant - 134 -
Comunidade indígena ocupa
integralmente a áre após a
indenização de 23
agricultores pela FUNAI em
1995. - 717
Guarita - Kaingáng/Guarani
- Tenete Portela; Redentora;
Erval Seco - 4.030 -
Ocupação integral pela
comunidade indígena - 23.406

(p. 84)

Inhacorá - Kaingáng - São
Valério do Sul - 714 -
Ocupação integral pela
comunidade indígena - 2.843
Itapuá - Guarani -
Cachoeira do Sul - 13 -
Comunidade não se encontra
na área identificada - 12
Iraí - Kaingáng - Irái -
451 - Ocupação integral pela
comunidade indígena. - 279
Ligeiro - Kaingáng -
Charrua - 1.399 - Ocupação
integral pela comunidade
indígena - 4.552
Pacheca - Guarani -
Camaquã - 19 - Comunidade
indígena ocupa cerca de 20
hectares da área - 1.780
Rio da Várzea - Kaingáng -
Liberato Salzano - 439 -
Ocupação integral pela
comunidade indígena -
16.000
Rio dos Índios - kaingáng
- Vicente Dutra - 24 - - a
definir
Salto Grande do Jacuí -
Guarani - Salto do Jacuí -
34 - Ocupação integral pela
comunidade indígena - 234
Serrinha - Kaingáng -
Ronda Alta; Três Palmeiras;
Constantina; Engenho Velho -
345 - Comunidade indígena
retornou à área em 1996,
ocupando atualmente 1.200
hectares de terras após a
indenização de 105 ocupantes
não-índios pela FUNAI.
Existiam 1.200 famílias de
não-índios na área - 11.950
Varzinha Três Forquilhas -
Guarani - cará-a - 48 -
Ocupação integral pela
comunidade indígena - 495
Ventarra - Kaingáng -
Ezebango - 95 - Comunidade
indígena ocupa
aproximadamente 320 hectares
da área. A FUNAI já iniciou
processo de pagamento de
indenizações e saída dos
ocupantes não-índios da
terra indígena. 24
agricultores indenizados. -
772
Votouro - Kaingáng -
Benjamim Constant - 1.010 -
Ocupação integral pela
comunidade indígena - 3.361
Acampamentos Guarani -
Guarani - Palmares do Sul;
Barra do Ribeiro; Sâo
Miguel; Tapes; etc. - 262 -
Diversas áreas e locais de
ocupação Guarani no estado
do Rio Grande do Sul - A
definir

(p. 85)

Atividades

1. Os Guaianá eram dóceis e pacíficos, antes da chegada do homem branco. E depois, eles continuaram assim?
2. Responde: Como se organizavam os Guaianá?
3. Com um pequeno grupo de colegas:
a. Procura mais informações sobre o modo de vida dos Kaingáng que vivem em nosso estado, registrando-as no caderno.
b. Procura informações sobre a Funai, registrando-as no caderno. Compara as informações obtidas com as de outros grupos.

4. Observa o quadro da situação fundiária das terras indígenas em nosso estado.
a. Soma a população de cada terra indígena e coloca o total em teu caderno. b) Escreve os nomes das terras que estão integralmente ocupadas pelos indígenas.
b. Escreva os nomes das
terras que estão
integralmente ocupadas pelos
indígenas.
c. Responde: Qual o problema existente em algumas terras indígenas que impede a posse total da área pelas comunidades indígenas? Como o problema está sendo
resolvido?

(p. 86)

Imigrantes chegam ao
Planalto

Movimentos de população

As populações movimentam-se de um lugar para outro. Esse movimento chama-se migração. A migração pode acontecer de uma cidade para outra, de uma região para
outra, de um país para outro.
A migração tem dois momentos: a saída de um determinado lugar e a entrada em outro lugar. A saída chama-se emigração e a entrada chama-se imigração. As pessoas
que entram são os imigrantes.
As pessoas que saem de um lugar sempre têm razões para isso. E escolhem o lugar para onde se dirigem porque este lugar as atrai de algum modo.

Imigrantes alemães

O Brasil já estava independente de Portugal, sendo governado pelo imperador D. Pedro I.
O Rio Grande do Sul era uma província do Império do Brasil, e tinha o nome de Província de São Pedro do Rio Grande. O presidente da província era José Feliciano
Fernandes Pinheiro.
O governo imperial, querendo povoar mais o planalto rio-grandense, e querendo também desenvolver a agricultura, providenciou a vinda de imigrantes alemães.
Observa no mapa o lugar de partida e o de chegada dos imigrantes alemães.

(p. 87)

Os primeiros imigrantes partiram de barco da Alemanha, na Europa, em fevereiro de 1824. Eram 12 famílias, entre as quais havia pessoas de várias profissões:
diversos agricultores, um ferreiro, um pedreiro, um fabricante de cartonagem, dois marceneiros. O imigrante mais velho tinha 46 anos. Eles esperavam encontrar aqui
uma vida melhor. E vieram cheios de entusiasmo para a nossa província.
Sobrenomes desses primeiros imigrantes: Kraemer, Hoepper, Hamel, Pfingst, Bust, Timm, Bentzen, lacks, KúmmeI, Jaeger, Meyer, Rasch, Zimermann.

A chegada à província

Esses primeiros imigrantes alemães desembarcaram em Porto Alegre no dia 18 de julho de 1824. Foram encaminhados para ocupar seus lotes de terra na Real Feitoria
do Linho Cânhamo, no vale do Rio dos Sinos. Ali chegaram no dia 25 de julho de 1824. Essa feitoria depois receberia o nome de Colônia de São Leopoldo.

(p. 88)

A Real Feitoria do Linho Cânhamo era uma iniciativa do governo para desenvolver a agricultura. No início, essa feitoria estava estabelecida em terras pelotenses,
mas não deu resultado e foi transferida para a região do Rio dos Sinos. Sua principal atividade era o plantio de linho cânhamo, que fornecia fibras para a fabricação
de cordas e velas de navios. A mão-de-obra era a escrava.
Mal-administrada, essa feitoria fracassou. Quando os alemães chegaram, ela já estava desativada.

(p. 89)

O início

No início, a vida dos imigrantes foi muito difícil. Eles se dedicaram à agricultura e começaram com o plantio da cana-de-açúcar, batata-inglesa, feijão, fumo,
milho e mandioca.
As primeiras habitações dos imigrantes alemães eram precárias: simples choças construídas de galhas, Falhas e bambus.
Logo nos anos que se seguiram, vieram outros grupos de imigrantes alemães, e muitos deles se estabeleceram no comércio, que não progrediu mais pela falta de
boas estradas.

(p. 90)

O artesanato desenvolveu-se para atender às necessidades comuns do dia-a-dia: peças de cerâmica, de carpintaria, de ferraria. A seguir, pequenas indústrias
foram sendo criadas e começaram a preparar o couro, a fabricar calçados, fios e tecidos, artigos de metal.
Junto às capelas e vendas
foram surgindo povoações.
Umas com 15 ou 20 casas.
Outras apresentavam de 150 a
200 casas.
Os primeiros grupos de
imigrantes foram ocupando o
vale do Rio dos Sinos, o
vale do Rio Caí, a parte da
encosta inferior do
planalto. Depois subiram
para o nordeste do planalto,
em terras mais elevadas.
Mais tarde, espalharam-se
para outros pontos do
planalto.

(p. 91)

A herança dos imigrantes
alemães

Os primeiros grupos de imigrantes foram ocupando o vale do Rio dos Sinos, o vale do Rio Caí, a parte da encosta inferior do planalto. Depois subiram para o nordeste
do planalto, em terras mais elevadas. Mais tarde, espalharam-se para outros pontos do planalto.
Os imigrantes alemães trouxeram com eles seu modo de vida e suas tradições, que se refletiram na construção de casas, no tipo de alimentação. Trouxeram, também,
sua alegria e seu amor pela música. Eram católicos uns e protestantes outros.
Entretanto, esses imigrantes adotaram alguns costumes que já existiam aqui, como o consumo do chimarrão e do churrasco, o plantio da cana-de-açúcar, do fumo,
do feijão, da mandioca. Palavras da língua portuguesa incorporaram-se ao seu vocabulário, e palavras alemãs incorporaram-se ao vocabulário rio-grandense, como "chimia"
(schmier), "chucrute" (sauer kraut).
As antigas colônias cresceram e transformaram-se em cidades.
Atualmente, milhares de pessoas, em nosso estado, descendem dos antigos imigrantes alemães. Eles têm a pele branca, olhos claros, cabelos loiros ou castanhos.
Ainda hoje, nos municípios de origem alemã, cultivam-se as tradições trazidas pelos imigrantes: são os corais, os Kerbs, as Oktoberfest, as bandinhas, os festejos
de Natal e de Páscoa, as casas com jardins, o café colonial...

(p. 92)

Alguns municípios que tiveram origem a partir da colonização alemã: São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Campo Bom, Dois Irmãos, Ivoti, Bom Princípio,
Feliz, São Sebastião do Caí, Sapiranga, Nova Petrópolis, Gramado, Canela, Santa Cruz do Sul, Lajeado, Estrela, etc.

Os indígenas e os
imigrantes

Os indígenas que habitavam o planalto nunca se conformaram com a ocupação de suas terras pelo homem branco. Eles passaram a ter um comportamento diferente e,
de pacíficos, tomaram-se agressivos. Assaltavam, roubavam, feriam e até raptavam imigrantes. Em algumas ocasiões, a violência do confronto provocou a morte de colonos
alemães.
Entretanto, um cacique geral foi amigo dos brancos e ajudou a colonização, pacificando índios rebeldes, resgatando pessoas raptadas: foi o cacique Doble.

(p. 93)

Doble era combatido por outros caciques devido a essa atitude de aproximação com os colonos. Ele ia à capital da Província, onde era bem-recebido, falava com os
governantes e conseguia para sua gente roupas, sementes, mantimentos e utensílios de ferro.
Com o passar do tempo, os indígenas do planalto começaram a se interessar pelos produtos dos colonos que satisfaziam algumas de suas necessidades. Muito desconfiados
e com muita precaução, começaram a estabelecer a troca de objetos artesanais feitos de taquara por sal, tecidos, fumo, etc.

Atividades
Consulta os textos para fazer o que se pede:
a. Objetivos do governo imperial com a vinda dos imigrantes.
b. Objetivos dos imigrantes.
c. Ano da chegada dos imigrantes alemães à Província rio-grandense.
d. Alguns sobrenomes dos primeiros imigrantes.
e. Local onde se estabeleceram na Província.

2 Descreve a vida dos imigrantes alemães nos primeiros tempos. Para isso, elabora um pequeno texto.
3 Explica:
a. Como se formaram as primeiras indústrias.
b. Como se formaram as
primeiras povoações.

4. Descreve o tipo físico dos descendentes dos imigrantes.
5. Cita:
a. As tradições ainda cultivadas em nosso estado trazidas pelos imigrantes alemães.
b. Os municípios que tiveram origem nas antigas povoações que os imigrantes alemães fundaram.

6. Responde: Qual a reação dos indígenas que habitavam o planalto diante da chegada dos imigrantes alemães?
7. Para fazer com um grupo de colegas:
a. Procura sobrenomes de origem alemã, apresenta-os em cartaz para os colegas de sala de aula.
b. Procura informações
sobre o que compõe um café
colonial.

(p. 94)

Imigrantes italianos

Na Itália, país da Europa, os pequenos proprietários de terras e os artesãos enfrentavam sérias dificuldades para viver e começavam a pensar em deixar seus pais.
O Brasil continuava sendo um Império, agora governado pelo segundo imperador, D. Pedro II.
A Província de São Pedro do Rio Grande, apesar da ocupação e da colonização realizada pelos imigrantes alemães, ainda possuía terras por ocupar, principalmente
na encosta superior do nordeste do planalto e também no extremo norte.
O governo queria muito desenvolver ainda mais a agricultura na Província e queria também povoar bem mais o planalto.
Assim, os imigrantes italianos vieram em busca de uma vida melhor.

(p. 95)

A chegada das primeiras
famílias

Em 1875, vieram da Itália as três primeiras famílias. Partiram em navio veleiro, e a viagem durou 3 meses e 8 dias. As famílias Radaelli, Crippa e Sperafico
chegaram no dia 20 de maio de 1875.
As três primeiras famílias
- Tomaso Radaelli, com 39 anos, veio com sua mulher, Maria.
- Stefano Crippa, com 22 anos, veio com sua mulher, Antônia Natalina.
- Luigi Sperafico, com 38 anos, e sua mulher, Ângela, vieram com os filhos: Giovanni, 13 anos; Celestina, 1 2 anos; Ângela, 9 anos; Antônio, 6 anos; e Giuseppina,
3 anos.
Chegados à capital da Província e depois de se recuperarem da longa viagem de navio, eles subiram em um barco a vapor pelo Rio Caí até a cidade de Feliz. Daí
seguiram a pé, abrindo caminho na mata, até onde estavam as terras indicadas pelo governo: a Colônia de Nova Milano (hoje município de Farroupilha). Essa colônia
ficava situada na parte superior da encosta do nordeste do planalto, entre o Rio Caí e o Rio das Antas.
Como já havia acontecido com os imigrantes alemães, os primeiros anos foram difíceis. Esses colonos italianos enfrentaram a mata, a solidão, as distâncias, o
clima diferente, mas não desanimaram e foram vencendo as dificuldades, pois eram criativos e tinham grande disposição para o trabalho. Criaram gado suíno, plantaram
milho, uva e trigo. Da uva fizeram vinho, do trigo fizeram pão.
Nos anos seguintes, chegaram novos grupos de italianos. As terras foram demarcadas pelo governo e entregues aos colonos, que receberam uma pequena casa e uma
quantia em dinheiro, durante 14 meses.
Os imigrantes italianos fundaram outras colônias. Desses núcleos coloniais iniciais, alcançaram novas regiões do planalto, onde fundamm outras colônias que hoje
são municípios do Rio Grande do Sul.

(p. 96)

A colonização italiana se
expande

Entre os imigrantes havia artesãos que começaram a fazer vários objetos. Os pequenos artesanatos evoluíram para indústrias. O comércio foi se desenvolvendo,
apareceram as primeiras estradas de ferro. As colônias foram crescendo e transformaram-se em municípios: Farroupilha, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Garibaldi,
Flores da Cunha, Guaporé, Encantado, Veranópolis, Antônio Prado, Anta Gorda, Ciriaco, Casca, Arvorezinha, Ilópolis, Marau, Muçum, Putinga, Parai, Nova Araçá, Nova
Prata, Nova Bréscia,
Nova Bassano, Serafina Corrêa, Carlos Barbosa.
Desses núcleos coloniais iniciais, os imigrantes alcançaram novas regiões do planalto, onde fundaram outras colônias que hoje são municípios do Rio Grande do
Sul.

(p. 97)

A herança dos imigrantes
italianos

Além da língua que falavam, os imigrantes italianos trouxeram de sua terra de origem seus usos, costumes e tradições. Trouxeram, também, sua fé e suas devoções
católicas.
Vários elementos da cultura italiana perduram e hoje fazem parte da cultura rio-grandense: o cultivo da uva, o vinho, as canções, as danças típicas, o estilo
das construções, o dialeto v~neto e os pratos típicos: o macarrão, a polenta, a sopa de cappelletti (capelete), o gnocchi (nhoque), o galletto (galeto)...

(p. 98)

Atividades

1. Explica o motivo por que os pequenos proprietários de terras e os artesãos pensavam em deixar a Itália, na época em que o Brasil era governado pelo imperador
D. Pedro II.
2. Responde: Quais as terras da Província de São Pedro do Rio Grande que ainda estavam bastante despovoadas?
3. Escreve os sobrenomes das três primeiras famílias de imigrantes italianos que chegaram à nossa província.
4. Responde:
a. Em que ano as três famílias chegaram? b) Onde foram viver?

5. Outros grupos de imigrantes italianos chegaram. Explica:
a. como eram os imigrantes; b) que dificuldades encontraram. 6 Dize em que se transformaram:
b.) os pequenos artesanatos; b) as colônias.

7. Escreve os nomes de alguns municípios que tiveram origem em antigas colônias italianas.
8. Cita usos e costumes dos imigrantes italianos que perduram até os dias atuais.
9. Responde: Que alimentos não podem faltar numa mesa italiana?
10. Procura sobrenomes de
origem italiana e anota-os no caderno.
11. Para fazer com um
grupo de colegas: Cria uma história em quadrinhos sobre a imigração italiana em nosso estado.

Capítulo 7 - Farroupilha:
quando o Rio Grande foi dois
- p. 99 até 123

(p. 99)

O Rio Grande do Sul foi lugar de muitas lutas. Uma delas, porém, destacou-se das demais: durou quase dez anos e dividiu o Rio Grande em dois - o Rio Grande revolucionário
e o Rio Grande legalista.
Essa luta começou no ano de 1835 e terminou em 1845 e é conhecida pela denominação de Revolução Farroupilha. Alguns a chamam de Guerra dos Farrapos.
O movimento revolucionário farroupilha foi a luta de uma parte da população rio-grandense contra o Império do Brasil.

Antecedentes

A situação geral do
Império

De 5 de abril de 1831 a 23 de julho de 1840, o Brasil esteve sob o Período Regencial, isto é, foi governado por regentes. Foi um período intermediário entre
a renúncia do imperador D. Pedro 1 e a posse de seu filho, o imperador D. Pedro II.
Durante o Período Regencial, aconteceram no país várias revoltas, em que a população de algumas províncias lutou por reformas que achava necessárias ou contra
medidas que julgava injustas. Houve revoltas nas províncias do Pará, do Maranhão, da Bahia, de Pernambuco e na de São Pedro do Rio Grande.

(p. 100)

A situação em nossa
província

As províncias que formavam o Brasil não tinham autonomia, isto é, não podiam tomar decisões para defender seus interesses. Tudo estava centralizado na Corte
imperial, no Rio de Janeiro.
Os presidentes da Província de São Pedro do Rio Grande eram nomeados no Rio de Janeiro e vinham governar nossa província, mesmo sem conhecê-la.
O governo provincial não possuía muita liberdade de ação; não podia autorizar sequer a construção de prédios. Somente a Assembléia Geral do Rio de Janeiro podia
autorizar construções.
Apesar da sua importância política e econômica, faltava de tudo na Província rio-grandense: pontes sobre os rios, estradas, escolas, tribunais. O policiamento
era precário.
Em 1835, a Província estava dividida em 14 municípios: Porto Alegre, São José do Norte, Rio Grande, Pelotas, Jaguarão, Piratini, Alegrete, São Borja, Cruz Alta,
Santo Antônio da Patrulha, Triunfo,Rio Pardo, Cachoeira e Caçapava.

(p. 101)

Quem governava a nossa
província era o presidente
Antônio Rodrigues Fernandes
Braga, nomeado pelo governo
central.

Os descontentamentos

Descontentamentos com os
impostos

Os proprietários de terras e os charqueadores estavam revoltados com os impostos cobrados pelo governo:
- impostos sobre a venda de couros, sebo, erva-mate;
- impostos sobre a venda do charque produzido;
- taxação muito alta sobre a compra do sal (o sal era necessário para a fabricação do charque);
- o governo imperial permitia que o charque do Uruguai e da Argentina entrasse no Brasil sem pagar taxas, o que tornava o charque rio-grandense mais caro;
- impostos sobre artigos muito utilizados na época: chapeados de prata, esporas, estribos.
Além disso, o presidente da Província, Antônio Rodrigues Fernandes Braga, ainda propunha um novo imposto: dez mil réis sobre a légua quadrada de campo.

Descontentamentos em
relação às guerras

Outro motivo de descontentamento dizia respeito às lutas de fronteira. Quando havia guerra, os estanciciros rio-grandenses eram obrigados a sustentar as tropas
enviadas pelo governo imperial: forneciam dinheiro, boiada e cavalos, e nunca eram compensados por esses prejuízos.

(p. 102)

A fronteira com o Uruguai

Em 1828, o Uruguai tinha se tornado um país independente, e seu governo logo tratou de impedir a livre entrada e saída de gado do seu território. Por sua vez,
o governo imperial brasileiro também passou a tomar medidas que impediam a movimentação de gado pelas fronteiras uruguaias. Essas medidas contrariaram um antigo
costume
de estancieiros rio-grandenses: o de invernar o gado nas pastagens do Uruguai. Sobre este ponto havia muitas dificuldades, pois muitos rio-grandenses possuíam estâncias
em terras uruguaias. Além disso, a fronteira rio-grandense com o Uruguai ainda não havia sido definida.
Essa fronteira era vigiada por contingentes da Guarda Nacional. Eram comandantes militares na fronteira uruguaia os coronéis Bento Gonçalves da Silva e Bento
Manoel Ribeiro; eles possuíam estâncias tanto em território rio-grandense como em território uruguaio.

As idéias

Algumas idéias novas vinham ganhando força, há vários anos, na Província. Eram idéias que defendiam o direito de se governar a si própria, sem tanta dependência
do governo central, o direito de escolher o presidente da Província e a idéia de que os impostos cobrados permanecessem para promover o progresso da Província e
não fossem encaminhados para o governo central.
Essas idéias novas eram divulgadas pelos jornais e pelos Gabinetes de Leitura, tanto na capital como no interior da Província.

Os grupos políticos

Em nossa província havia dois grupos políticos bem definidos: o grupo dos conservadores e o grupo dos liberais.
O grupo conservador queria que tudo continuasse como estava, não queria mudanças. Uma parte desse grupo até desejava a volta do imperador D. Pedro 1, que havia
renunciado ao trono brasileiro e estava em Portugal. Essa parte do grupo conservador era chamada de caramuru.
O grupo liberal queria mudanças. Havia dois tipos de liberais: os liberais moderados e os liberais exaltados, chamados de farroupilhas.

(p. 103)

Os farroupilhas achavam que somente uma revolução armada poderia trazer as mudanças que desejavam. O coronel Bento Gonçalves da Silva, Domingos José de Almeida,
Marciano Pereira Ribeiro, entre outros, faziam parte do grupo dos políticos liberais.

Atividades
1. Copia e completa.
a. Ano em que a Revolução Farroupilha iniciou.
b. Ano em que a Revolução Farroupilha terminou.

2. Responde: Quais as duas facções que lutaram na Revolução Farroupilha?
3. Explica as frases:
a. "A Revolução Farroupilha dividiu o Rio Grande em dois."
b. "O governo provincial não possuía muita liberdade de ação."

4. Observa o mapa da Província e responde: Em quantos municípios estava dividida a Província em 1835? Quais os nomes deles?
5. Havia grandes descontentamentos entre estancieiros e charqueadores a respeito de impostos. Dá exemplo de alguns desses impostos que eram pagos por essa
camada rio-grandense.
6. A presidência da Província estava propondo um novo imposto. Sabes dizer qual era esse imposto?
7. Responde: Que descontentamentos havia entre os estancieiros a respeito das guerras de fronteiras?
8. Explica a frase: Quando o Uruguai tornou-se um país independente, seu governo tomou medidas que contrariavam interesses de estancieiros rio-grandenses.
E o governo imperial também tomou medidas semelhantes.
9. Explica quais as idéias novas que vinham ganhando força, há vários anos, na Província.
10. Dize como as novas idéias eram divulgadas.
11. Escreve o nome do que se pede:
a. grupo político que queria mudanças;
b. grupo político que desejava que tudo continuasse como estava;
c. nome dado aos liberais exaltados;
d. nome dado aos conservadores que desejavam a volta de D. Pedro 1.

12. Para discutir em pequenos grupos e colocar o resultado da discussão para o grande grupo da sala de aula: "Qual a origem do termo farroupilha dado à revolução?"
13. Atualmente os rio-grandenses pagam inúmeros impostos. Procura obter informações sobre alguns desses impostos e depois compara as informações obtidas com
as dos outros colegas de teu pequeno grupo.

(p. 104)

A Revolução: primeira fase
(1835-1836)

O ataque à capital

Em 1835, os farroupilhas deram início ao movimento armado. Na tarde de 19 de setembro, uma tropa de 200 revolucionários acampou nas proximidades da capital (Porto
Alegre), pronta para invadir a cidade. Essa tropa era comandada por José Gomes de Vasconcelos Jardim e por Onofre Pires da Silveira Canto.
Perto da meia-noite, um piquete de 16 homens da Guarda Nacional tentou descobrir o acampamento dos revolucionários. Ao entrar na Ponte da Azenha, o piquete encontrou
sentinelas revolucionárias que lhe cortaram a passagem. Deu-se aí a primeira luta da revolução, e os homens da Guarda Nacional foram vencidos.

(p. 105)

Na madrugada do dia 20 de setembro, as forças revolucionárias comandadas por Bento Gonçalves da Silva e por Onofre Pires da Silveira Canto invadiram Porto Alegre.
O 80 Batalhão de Cavalaria e o 40 Regimento de Cavalaria da capital aderiram ao movimento revolucionário.
O presidente Antônio Rodrigues Fernandes Braga, vendo-se isolado, deixou o palácio do governo na capital e embarcou numa canhoneira, rumo à cidade de Rio Grande.

(p. 106)

O governo é transferido
para Rio Grande

Bento Gonçalves exigiu que o governo central nomeasse alguém de confiança para governar a Província: um presidente interessado em seu progresso. Se essa exigência
não fosse atendida, a Província iria separar-se do Brasil.
De comum acordo, foi nomeado o Dr. José de Araújo Ribeiro para o governo da Província. Mas, junto com essa concessão, o governo central abriu um processo contra
o vice-cônsul alemão, pois ele havia orientado os colonos alemães a não se envolverem nos acontecimentos políticos do pais. Essa atitude do governo central desagradou
os revolucionários farroupilhas, que impediram a posse do novo presidente em Porto Alegre.
Araújo Ribeiro dirigiu-se a Rio Grande, onde tomou posse com o apoio de Bento Manoel Ribeiro, um dos lideres do movimento de 20 de setembro que deixou os
companheiros e passou para o lado legalista.
O governo central mandou transferir todas as repartições de Porto Alegre para a cidade de Rio Grande.
A definição dos comandantes militares a favor das forças revolucionárias ou a favor das forças legalistas dividiu a Província.
Uma das primeiras preocupações dos comandantes legalistas foi a reconquista de Porto Alegre, que ficou nas mãos dos revoltosos durante pouco tempo: de 20 de
setembro de 1835 a 15 de junho de 1836. E até o final da revolução ela permaneceu sob o domínio dos legalistas.

(p. 107)

A proclamação da República
Rio-Grandense

O movimento revolucionário alastrou-se para o interior da Província. Uma vitória expressiva dos farroupilhas aconteceu próximo ao Arroio Seival, no município
de Bagé.
O entusiasmo provocado pela vitória no Combate do Seival levou seu comandante, Antônio de Souza Netto, a proclamar a independência e a no dia 12 de setembro
de 1836. Estava criada a República Rio-Grandense. Como Porto Alegre tinha sido recuperada pelas forças legalistas, a vila de Piratini foi escolhida como sede da
nova república. Observa no mapa a localização da vila de Piratini.

(p. 108)

Atividades

1. Ilustra com desenhos as frases:
a. "O primeiro encontro entre revolucionários e imperiais deu-se na Ponte da Azenha, na capital."
b. "Os revolucionários entraram na capital da Província na manhã de 20 de setembro de 1835."

2. Copia um mapa do Rio Grande do Sul e assinala a capital da Província, o trajeto da fuga do presidente Fernandes Braga e a cidade onde se refugiou ao deixar
a capital.
3. Para discutir em pequeno grupo e registrar as conclusões.
"A Regência enviou para presidente da Província o Dr. José de Araújo Ribeiro, o que agradou a todos." A luta poderia ter terminado aí. Por que ela prosseguiu?
4. Escreve o nome da cidade para onde foram transferidas todas as repartições públicas de Porto Alegre, por ordem do governo central.
5. Responde: Quando os imperiais retomaram a capital da Província?
6. A revolução foi se estendendo pelo interior da Província. Depois do Combate do Seival, houve a proclamação da independência e da República por parte dos
revolucionários. Faze o que se pede:
a. a data do fato;
b. nome do revolucionário que fez a proclamação;
c. nome da nova república;
d. nome da capital da nova república.

7. Separa as personagens do quadro de acordo com o que se pede a seguir:
a. Lutaram do lado revolucionário.
b. Lutaram do lado imperial.
c. Passou do lado revolucionário para o lado imperial.

(p. 109)

A Revolução: Segunda Fase
(1836-1839)

A prisão de Bento
Gonçalves

Bento Gonçalves da Silva estava em Viamão quando recebeu a notícia da proclamação da República Rio-Grandense. Logo movimentou sua tropa em direção a Piratini.
Atravessou os rios Gravataí, dos Sinos e Cai, mas foi atacado e derrotado pelas forças imperiais ao deixar a Ilha do Fanfa, no Rio Jacuí. Desta vez, as tropas imperiais
estavam
comandadas por Bento Manoel
Ribeiro, por Joaquim de
Andrade Neves e pelo inglês
John Grenfell.
Os principais chefes
revolucionários foram presos
e mandados para o Rio de
Janeiro: Bento Gonçalves,
Onofre Pires, Pedro
Boticário, Corte Real, Tito
Lívio Zambeccari. Mias de
mil revolucionários foram
aprisionados e levados para
Porto Alegre.

(p. 110)

A República Rio-Grandense
se organiza

Os revolucionários farroupilhas reuniram-se em Piratini e organizaram a República Rio-Grandense, orientados por Domingos José de Almeida. Declararam a república
uma nação independente, com governo próprio. Escolheram Bento Gonçalves da Silva para ser o presidente, mas, como ele estava preso no Rio de Janeiro, foi substituído
por José Gomes de Vasconcelos Jardim. Ele organizou os ministérios e as repartições públicas e permaneceu na presidência de 6 de novembro de 1836 a 16 de dezembro
de 1837. Foram criados o escudo e o tope da nação.
O comando militar foi entregue a João Manuel de Lima e Silva, primeiro-general da República Rio-Grandense.

(p. 111)

A fuga de Bento Gonçalves

Depois de presos no combate da Ilha do Fanfa, os chefes revolucionários foram remetidos ao Rio de Janeiro e ficaram presos nos fortes da Corte. Mais tarde, o
italiano Zambeccari foi mandado de volta para a Itália, e Bento Gonçalves da Silva foi confinado no Forte do Lage.
Em 11 de março de 1837, liberais revolucionários rio-grandenses que moravam no Rio de Janeiro conseguiram resgatar da Fortaleza de Santa Cruz os líderes farroupilhas
Onofre Pires da Silveira Canto e Corte Real. A vigilância sobre Bento Gonçalves foi redobrada, sendo transferido para mais longe: para o Forte do Mar, na Bahia.

(p. 112)

No dia 10 de setembro de 1837, Bento Gonçalves conseguiu fugir do Forte do Mar, graças ao auxilio de amigos que o ajudaram a retornar ao sul.
Bento Gonçalves fugiu bem no dia em que o comandante do Forte do Mar decidiu matá-lo, enviando-lhe de presente um pastelão envenenado. Como não gostasse de cebola,
e vendo que o pastelão estava recheado desse tempero, resolveu dar um pedaço a um cachorro que sempre andava por perto. O cão teve convulsões e morreu depois de
alguns minutos.
Para poder fugir, Bento Gonçalves disse que não estava se sentindo bem, e pediu para nadar um pouco na praia próxima ao forte. O comandante permitiu, imaginando
que ele logo estaria morto. Nadou, então, em direção ao alto-mar e foi recolhido em um barco, onde amigos o esperavam.
Depois de ter ficado escondido durante algum tempo em Salvador, protegido pelos amigos, Bento Gonçalves seguiu de barco para Santa Catarina. De lá foi a
cavalo para Viamão, de onde seguiu para Piratini, a capital da República Rio-Grandense.

(p. 113)

Conta-se que, durante o trajeto entre Santa Catarina e Viamão, vendo que seu cavalo dava sinais de cansaço extremo, Bento Gonçalves parou numa estância.
-- Ó de casa!
Apareceu então uma velha senhora, que perguntou o que desejava.
-- Quero que me ceda um cavalo, pois a questão é grave e tenho pressa de chegar.
-- Vivo sozinha neste rancho. Já fui rica, hoje sou pobre. Dei tudo
o que pude à revolução. As forças imperiais levaram o resto. Só tenho um cavalo para todo o serviço da estância. Esse eu não dou nem vendo; só se me viesse
pedir o general Bento Gonçalves. Guardo este cavalo para ele, quando voltar ao Rio Grande.
-- Minha cara e nobre senhora: eu sou Bento Gonçalves.
E assim, com outro cavalo, Bento Gonçalves partiu rumo a Viamão, e depois dirigiu-se a Piratini para assumir a presidência da República Rio-Grandense.

Atividades

1. Bento Gonçalves encontrava-se em Viamão quando recebeu a notícia da proclamação da República Rio-Grandense. Conta, com tuas palavras, o que aconteceu quando
Bento Gonçalves começou a deslocar-se com suas tropas em direção a Piratini, onde iria assumir a presidência da nova república.
2. Dize o que aconteceu aos principais chefes revolucionários, após o combate da Ilha do Fanfa.
3. Escreve os nomes:
a. dos principais chefes
revolucionários que foram
presos e levados para o Rio de Janeiro;
b. de quem assumiu a presidência da República Rio-Grandense, em substituição a Bento Gonçalves.

4. Cita algumas medidas tomadas para a organização da República Rio-Grandense.
5. Conta com tuas palavras como Bento Gonçalves conseguiu fugir do Forte do Mar.
6. Teatro. Com alguns colegas, representa a cena da chegada de Bento Gonçalves à estância da senhora que tinha apenas um cavalo para todo o serviço.

(p. 114)

A República Rio-Grandense
progride

O ano de 1837 foi muito importante para os revolucionários: ainda em janeiro, a cavalaria imperial passou para o lado farroupilha, em Rio Pardo. Nesse mesmo
mês, os revolucionários tomaram a vila de Lages, em Santa Catarina. No mês de março, Bento Manoel Ribeiro voltou a defender a causa farroupilha. Em abril, os rebeldes
tomaram o arsenal imperial de Caçapava e reconquistaram Rio Pardo, a cidade de maior população da Província.
Chegaram à Província alguns revolucionários italianos, que se juntaram aos farroupilhas. Entre eles, sobressaíram Luigi Rossetti e Giuseppe Garibaldi.
O ano de 1837 terminou com a chegada de Bento Gonçalves da Silva, que assumiu a presidência da República Rio-Grandense no dia 16 de dezembro.
A República Rio-Grandense organizou um serviço de correios; em Canguçu foram instaladas fábricas de fumo; na Campanha foram criadas selarias e ferrarias. Organizou-se
a administração de fazendas, bem como a exportação de gado, couro e sebo para Montevidéu. A nova república preocupou-se até em estabelecer os limites das terras
indígenas.
Domingos José de Almeida criou o jornal da República RioGrandense, chamado O Povo. Seu editor era o italiano Luigi Rossetti.
Foram criados o escudo, a bandeira e o hino para representar a nova república.

(p. 115)

Eram utilizadas as mesmas moedas do Império, só que serradas ao meio, e nessas metades era cunhado o novo valor.
Em janeiro de 1839, os farroupilhas transferiram a capital da República RioGrandense para a vila de Caçapava, por ser uma região afastada e bem protegida.
Quando os revolucionários derrotaram as forças imperiais em Rio Pardo, em 1838, prenderam a banda de música imperial, dirigida pelo maestro Joaquim 2 José de
Mendanha.
Os revolucionários propuseram a esse maestro que compusesse a música do Hino da República Rio Grandense.

(p. 116)

Leitura

A façanha de Garibaldi e a
República Catarinense

Giuseppe Garibaldi, italiano que chegara a Piratini em fins de 1 837, foi apresentado a Bento Gonçalves, que o encarregou de construir barcos para os revolucionários
e de enfrentar as embarcações das forças imperiais. Garibaldi, experiente em rebeliões libertadoras em seu país de origem, aceitou o desafio. Por isso, armou um
estaleiro junto ao Rio Camaquã e começou a construir barcos.
Contando com o auxílio do americano John Griggs e de alguns voluntários, em pouco tempo construiu dois lanchões e se pôs a navegar pela Laguna dos Patos. Era
preciso chegar ao mar para ter comunicação com lugares onde pudessem adquirir armas e munições, a fim de reabastecer as tropas revolucionárias. Porém, a entrada
da laguna,
Rio Grande e São José do Norte estavam muito bem guardadas pelas forças imperiais, assim como o porto de Porto Alegre.
Em agosto de 1 839, os imperiais atacaram o estaleiro dos farroupilhas à procura de Garibaldi. Ele, porém, já estava longe, pois tinha traçado o plano de alcançar
o Oceano Atlântico por terra. Em 5 de julho, havia partido com os dois lanchões, colocados sobre rodas e puxados por juntas de bois. Ia rumo ao Rio Tramandaí, onde
pretendia lançar os lanchões ao mar para atingir Santa Catarina.

(p. 117)

Por terra iam as tropas comandadas por David Canabarro. Tanto as forças comandadas por Garibaldi quanto as tropas de David Canabarro rumavam para Santa Catarina
a fim de ocupar a vila de Laguna. Esse era o plano dos revolucionários para espalhar seus ideais e conseguir apoio para a causa que defendiam.
Garibaldi, com seu ousado plano, surpreendeu e derrotou as forças navais do Império no porto de Laguna; por terra, os imperiais foram vencidos pelas forças revolucionárias
de David Canabarro.
Os revolucionários tomaram a vila de Laguna e proclamaram a República Catarinense, em 29 de julho de 1 839. A vila de Laguna foi elevada à categoria de cidade,
com o nome de Juliana. Logo foi eleito o governo e criada a bandeira para representar a nova república.
O Império do Brasil reagiu imediatamente, enviando tropas por terra e por mar para combater os revolucionários.
Em 15 de novembro de 1 839, travou-se a grande Batalha Naval de Laguna. Garibaldi, ao perceber que seu navio ia ser atacado, explodiu-o, fugindo a nado com alguns
companheiros. As forças imperiais, visivelmente superiores, derrotaram os farroupilhas, desfazendo o sonho da República Catarinense.

(p. 118)

Atividades

1. O ano de 1837 foi
muito importante para os farroupilhas. Dize o que aconteceu em relação às seguintes localidades:
a. Lages, em Santa Catarina;
b. Rio Pardo;
c. Caçapava.

2. Escreve:
a. os nomes dos italianos que se juntaram aos revolucionários farroupilhas; b) o nome do jornal editado pelos revolucionários.

3. Responde: Quando Bento Gonçalves assumiu a presidência da República RioGrandense?
4. Dá exemplos de como a República Rio-Grandense passou a se organizar cada vez mais.
5. Copia e pinta nas cores certas a bandeira da República Rio-Grandense.
6. Conta, por escrito, como foi feito o hino da República Rio Grandense.
7. Explica por que, em janeiro de 1839, os farroupilhas transferiram a capital da República Rio-Grandense de Piratini para Caçapava.
8. Responde: Por que os revolucionários precisavam chegar ao mar?
9. Explica por que os revolucionários não podiam usar o porto de Rio Grande ou o porto da capital da Província.
10. Os imperiais atacaram o estaleiro de Garibaldi, mas ele estava longe dali, pois tinha armado um plano. Sabes explicar qual o plano de Garibaldi para alcançar
o mar?
11. Garibaldi ia por mar com seus comandados. David Canabarro ia por terra. Ambos iam rumo a Santa Catarina. Sabes dizer o que eles pretendiam em Santa Catarina?
12. Coloca os fatos correspondentes às datas:
a. 29 de julho de 1839;
b. 15 de novembro de 1839.

13. Para discutir: Por que se diz que a República Catarinense foi breve?

(p. 119)

Rumo à pacificação:
terceira fase (1840-1845)

Sinais de desgaste

O ano de 1840 não foi bom para os revolucionários. Dos doze combates ocorridos durante o ano, eles perderam nove.
Em março, os imperiais invadiram Caçapava, e os revolucionários tiveram de abandonar, rapidamente, sua segunda capital.
Em abril, foi travado o maior combate de toda a revolução, o Combate de Taquari, no qual lutaram mais de dez mil homens. E o resultado ficou indeciso. Não houve
vitoriosos.
Em maio, a terceira capital da República Rio-Grandense foi instalada em Alegrete.
Em 1841, tanto para os revolucionários farroupilhas, como para as tropas imperiais, começou a faltar de tudo: roupas, alimentos, cavalos. As tropas estavam desgastadas,
com tantos anos de luta. Os comandantes dos dois lados licenciavam as tropas depois de cada combate, e cada um tinha de se arranjar sozinho, até um dia marcado,
quando então reuniam-se novamente. Por isso, depois de cada luta, havia um período de calma.
Em 1842, o governo central atendeu a uma das principais reivindicações da revolução, decretando um imposto de 25% sobre o charque uruguaio e argentino, para
proteger o charque gaúcho contra a concorrência estrangeira.

A chegada de Caxias à
província

No final do ano de 1842, chegou à Província o general Luís Alves de Lima e Silva, o barão de Caxias, nomeado para ser o presidente da Província e o comandante
das Armas.

(p. 120)

Inicialmente, Caxias desenvolveu uma campanha militar intensa contra os revolucionários, e houve muitos combates. Depois, ele compreendeu que, para acabar com
a Revolução Farroupilha, a solução não viria pelas armas, e sim pelo entendimento. Caxias começou, então, a criar o clima para o início das negociações de paz.

Os entendimentos de paz

Em agosto de 1844, Bento Gonçalves reuniu-se com Caxias para tratar das condições para o término da revolução. Caxias fez ver a Bento Gonçalves que o governo
imperial jamais reconheceria a independência da República Rio-Grandense. O líder farroupilha entregou então a Caxias os itens considerados principais pelos revolucionários
para a pacificação:
- que o Império reconhecesse as dívidas interna e externa da República Rio-Grandense;
- que os escravos que haviam lutado ao lado dos farroupilhas tivessem sua liberdade garantida;
- que os oficiais das forças da República Rio-Grandense tivessem seus postos assegurados no Exército imperial.
Vicente de Moura foi escolhido para ir à Corte do Rio de Janeiro com a finalidade de negociar a pacificação. Em dezembro de 1844, esse representante dos revolucionários
viajou para a capital do Império.
Lá, encontrou sérias dificuldades diante da intransigência dos representantes do imperador, que exigiam uma rendição incondicional dos farroupilhas.

(p. 121)

Após difíceis negociações, Vicente de Moura obteve autorização para que Caxias tivesse liberdade de agir com os farroupilhas da melhor forma possível para conseguir
a paz.

A paz

As últimas negociações foram realizadas em Ponche Verde, local situado a 38 quilômetros de Dom Pedrito. Aí, no dia 28 de fevereiro de 1845, o comandante militar
dos revolucionários, David Canabarro, assinou um documento que colocava um ponto-final no movimento farroupilha.
No dia seguinte, lº de março de 1845, o barão de Caxias fez uma proclamação, declarando terminada a revolução na Província. Era a paz que chegava. Uma paz honrosa.
O barão de Caxias ocupou o cargo de presidente da Província até março de 1846. Depois de ter negociado a paz com os revolucionários, ele procurou reorganizar
a vida provincial. Preocupou-se com a educação, criando 21 aulas de instrução primária e 3 cadeiras de instrução secundária. Cuidou para que meninos órfãos e meninos
pobres
aprendessem profissões.
Logo que a paz foi estabelecida, o imperador D. Pedro II visitou a nossa província. Acompanhado da imperatriz, Dona Thereza Christina, desembarcou em Porto Alegre
em 21 de novembro de 1845.

(p. 122)

O imperador manifestou o desejo de conhecer pessoalmente o líder revolucionário Bento Gonçalves da Silva. Ele aceitou o convite e foi recebido por D. Pedro II
de modo solene.
Durante os quase três meses de permanência em nossa província, o imperador visitou tudo o que foi possível, não só em Porto Alegre, como na Colônia de São Leopoldo,
Viamão, Pelotas, Rio Grande e na Zona da Campanha.
D. Pedro II fundou duas escolas em Porto Alegre: o Liceu de Dom Afonso, a primeira escola secundária da Província, e o Colégio de Santa Teresa, para meninas órfãs.

Leitura

Para saberes mais

- Em 1841, o imperador D. Pedro II concedeu à capital da Província o título de "Leal e valorosa cidade de Porto Alegre", por ter ela permanecido fiel ao governo
central.
- A Revolução Farroupilha durou 9 anos, 5 meses e 10 dias, tendo iniciado no dia 20 de setembro de 1 835 e terminado no dia 28 de fevereiro de 1 845.
- Durante a Revolução Farroupilha, a Província passou 12 vezes por mudança de presidente; e, muitas vezes, teve períodos em que os vice-presidentes ocuparam
esse posto de governo.
- A República Rio-Grandense teve três capitais: Piratini, Caçapava e Alegrete.
- O povo fazia versos sobre a revolução, como estes, recolhidos por Apolinário Porto Alegre:
À proclamação da República
O dia doze de setembro
Foi um dia soberano.
Foi no Seival que soou
O grito republicano.

- Os farroupilhas e também os imperiais estabeleciam acampamentos militares separados para brancos, negros e indígenas que lutavam em suas tropas.

(p. 123)

Atividades

1. Para trabalhar com um colega:
Em 1840, os revolucionários tiveram de abandonar sua segunda capital.
a. Por que tiveram de abandoná-la?
b. Qual a terceira capital da República Rio-Grandense?

2. Explica por que, em 1841, após cada luta, havia um período de calma.
3. Em 1842, o general Luís Alves de Lima e Silva, o barão de Caxias, foi nomeado presidente da Província e comandante de Armas.
a. Qual a tática inicial utilizada por Caxias para combater os revolucionários?
b. Vendo que os farroupilhas reagiram fortemente, qual a tática que Caxias resolveu seguir para acabar com a revolução?

4. Em agosto de 1844, Bento Gonçalves reuniu-se com Caxias para tratar das condições para o término da revolução. Quais os itens considerados principais pelos
revolucionários para a obtenção da paz?
5. Escreve o que se pede:
a. local onde se realizaram as últimas negociações de paz;
b. data em que foi assinada a Ata de pacificação pelos farroupilhas;
c. data em que Caxias declarou que estava terminada a revolução.

6. Explica, com tuas palavras, o que é uma paz honrosa.
7. Com um grupo de colegas, discute o tema seguinte:
"A Revolução Farroupilha conseguiu atingir seus objetivos?"
As conclusões a que teu pequeno grupo chegar deverão ser comunicadas, oralmente, ao grande grupo de sala de aula.
Depois, com teu pequeno grupo, analisa as conclusões a que chegaram os demais pequenos grupos e redige as conclusões finais.

8. Com teu pequeno grupo, faze um levantamento sobre o que existe em teu município que lembra a Revolução Farroupilha: nomes de ruas, praças, parques, monumentos...
Coloca as informações obtidas em cartaz para pôr no mural da sala de aula.

9. Debate em grande grupo sobre dois temas:
a. Qual a forma pela qual, atualmente, os dirigentes do estado são escolhidos?
b. O Rio Grande do Sul apresenta problemas, nos dias atuais, que precisam ser resolvidos. Como podem ter solução os problemas atuais?

Prepara-te para o debate por meio da coleta de informações. Essas informações poderão ser obtidas em jornais, programas de TV, entrevistando professores,
pais, autoridades de teu município.
Capítulo 8 - Símbolos do
Rio Grande do Sul - p. 124 até 131

(p. 124)

O Rio Grande do Sul tem símbolos que o representam: a Bandeira, as Armas e o Hino.
Esses símbolos expressam a grandeza e os ideais do povo rio-grandense: um estado de Liberdade, Igualdade e Humanidade.
Os símbolos rio-grandenses tiveram origem na Revolução Farroupilha, que representa o início da luta do povo para atingir esses ideais.
Os ideais de Liberdade, Igualdade e Humanidade ainda não foram atingidos completamente. Cabe a todos os rio-grandenses, de todos os tempos, trabalhar para que
eles se tomem uma realidade plena.

Bandeira

A Bandeira rio-grandense é formada de três panos:
- verde, no alto;
- vermelho, no centro;
- amarelo, na parte inferior.

(p. 125)

No centro da Bandeira há uma elipse em branco, onde estão inscritas as Armas estaduais.
A Bandeira, criada no tempo da Revolução Farroupilha, apareceu pela primeira vez em Piratini, a 6 de novembro de 1836. A Bandeira atual é baseada naquela, com
algumas modificações.

As armas

As Armas do estado do Rio Grande do Sul também tiveram origem nas Armas da República Rio-Grandense de 1836.

(p. 126)

As Armas compõem-se de várias peças:
- um escudo oval em fundo prateado;
- uma bordadura azul debruada de preto;
- bandeiras e armas;
- um listel prateado.
O escudo oval, ao centro, apresenta um fundo prateado e contém duas colunas em estilo grego jônico, encimadas por uma bala de canhão na co preta. As colunas
são douradas e se erguem sobre um campo verde e ondulado.
Entre as duas colunas há um losango com duas estrelas de cinco pontas. Dentro do losango há um retângulo prateado contendo um sabre em ouro, um barrete vermelho
e dois ramos.

(p. 127)

O escudo oval está colocado sobre quatro bandeiras, cujas hastes são rematadas por uma flor-de-lis invertida; quatro fuzis armados com baionetas; uma lança de
cavalaria em vermelho e dois tubos de canhão entrecruzados, na cor preta.

Vocabulário

Escudo: emblema.
Bordadura: moldura, cercadura, orla.
Listel: moldura estreita, filete.
Jônico: estilo criado pelos jônios, habitantes da antiga Grécia.
Sabre: tipo de espada curta.
Barrete: gorro, cobertura para a cabeça feita de tecido mole.
Barrete frígio: gorro vermelho usado pelos revolucionários da Revolução Francesa, semelhante ao barrete dos frígios, povo da Antiguidade.

(p. 128)

O Hino do Rio-Grande

O Hino rio-grandense surgiu do entusiasmo dos revolucionários farroupilhas após vencerem o Combate do Rio Pardo, no ano de 1838, constituindo-se em Hino Nacional
da República Rio-Grandense. A letra é do poeta Francisco Pinto da Fontoura e a música é de autoria do maestro Joaquim José de Mendanha, com harmonização de Antônio
Tavares Côrte Real.

HINO RIO-GRANDENSE

Como a aurora precursora
do farol da divindade
foi o Vinte de Setembro
o precursor da liberdade.

Estribilho
Mostremos valor, constância,
nesta ímpia e injusta guerra,
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda a Terra.

Mas não basta pra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo;
povo que não tem virtude
acaba por ser escravo.

Estribilho
Mostremos valor, constância,
nesta ímpia e injusta guerra,
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda a Terra.

Vocabulário

- Aurora: período anterior ao nascer do Sol; primeiras claridades que aparecem antes de o Sol surgir.
- Precursora: que anuncia, que vem antes, que aparece primeiro.
- Aurora precursora: claridade que anuncia, claridade inicial que aparece antes do surgimento da luz do Sol.
- Farol: luz que serve de guia na escuridão.
- Farol da divindade: luz que a divindade deu à Terra para iluminar a escuridão, como um farol, isto é. o Sol.
- Valor: coragem, valentia, força.
- Constância: firmeza de ânimo, persistência.
- Ímpio: desumana, cruel, que não tem piedade.
- Façanhas: atos heróicos, ações difíceis de executar, proezas, atos dignos de admiração.
- Aguerrido: destemido, valente, acostumado a lutar, afeito à guerra.
- Bravo: intrépido, corajoso, destemido, valente.
- Virtude: disposição firme e constante para a prática do bem

(p. 130)

Atividades

1.Escreve o nome:
a. do poeta que escreveu a letra do Hino rio-grandense;
b. do maestro que compôs a música do Hino rio-grandense.

2.Responde: O que o texto diz sobre o significado da Revolução Farroupilha para o
povo rio-grandense?
3. O autor afirma que, para um povo conquistar a liberdade, não basta ser forte, aguerrido e bravo, O que é necessário, além disso?
4. Dá exemplo de uma virtude que um povo pode cultivar para sua felicidade.

(p. 131)

De continente a Estado

O Rio Grande do Sul já teve várias denominações. Antigamente, foi chamado de Continente de São Pedro do Rio Grande. Com a instalação da Comandância Militar,
em 1737, teve inicio uma administração do continente, exercida por comandantes militares.
Em 1760, foi criado o governo do Rio Grande de São Pedro, subordinado ao governo do Rio de Janeiro.
Em 1807, deu-se a criação da Capitania Geral, com o nome de Capitania de São Pedro.
Depois que o Brasil ficou independente de Portugal, em 1822, o Rio Grande do Sul passou a ser uma das províncias do Império brasileiro: a Província de São Pedro
do Rio Grande.
Em 1889, com a instalação da República no Brasil, as províncias transformaram-se em estados, e o território rio-grandense foi chamado de Estado do Rio Grande
do Sul.

Atividades

Copia os itens a seguir, completando-os com as datas que os fatos indicam:
a. início do governo do Rio Grande de São Pedro;
b. criação da Capitania de São Pedro;
c. Província de São Pedro do Rio Grande;
d. Estado do Rio Grande do Sul.
O COMPLETO
TESTAMENTO
A Terceira Parte da Mensagem
Bíblica Revelada na Coréia
entre 1936 e 1945
EDITORA NOVO FUTURO
Coleção Nova Verdade
1
EDITORA NOVO FUTURO
2a Edição — 1997
São Paulo — Brasil
Impresso no Brasil
FICHA CATALOGRÁFICA
O COMPLETO TESTAMENTO
A III Parte da Mensagem Bíblica
Revelada na Coréia entre 1936 e 1945
2a edição, l997.
Editora Novo Futuro, São Paulo - SP.
Capa: Léo Villaverde.
Concepção artística do encontro espiritual
entre o jovem Sun Myung Moon e Jesus, em l936.
Edição gentilmente patrocinada por
Oscar Sadao Hashizume e Paulo Aquio Sakamoto
Todos os direitos reservados (Lei 5.988, de 14/12/1973).
Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio de
impressão ou copiagem atuais e futuros, sem a prévia
autorização escrita da Editora Novo Futuro.
2
O COMPLETO
TESTAMENTO
A Terceira Parte
a Mensagem Bíblica
Revelada na Coréia
entre 1936 e 1945
3
PREFÁCIO
Joseph Smith
e a Igreja Mórmon
No início da primavera de l820, um menino
americano de l4 anos anunciou ter tido uma visão em Jesus
lhe apareceu, dando-lhe a missão de Restaurar a Igreja Cristã
na Terra. Anunciava também, ter recebido uma nova
revelação a partir de certas placas metálicas das quais
nasceria "O Livro de Mórmon." Com um espírito cristão
renovado, o jovem Smith estabeleceu os fundamentos de uma
Nova Igreja, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
Dias — A Igreja Mórmon. A Nova Igreja não agradou aos
cristãos americanos. Grandes perseguições desabaram sobre
os mórmons e famílias inteiras foram massacradas.
Finalmente, a Igreja Mórmon foi reconhecida, sendo aceita e
respeitada atualmente em todo o mundo.
Sun Myung Moon
e a Igreja da Unificação
Na manhã de páscoa de l936, enquanto orava em uma
montanha da Coréia, um menino coreano de l6 anos, Sun
Myung Moon, teve uma visão em que Jesus Cristo lhe
apareceu e lhe deu uma importante missão: continuar a obra
da salvação da humanidade, deixada inacabada por Ele em
virtude de sua morte prematura e injusta. Aquele
acontecimento iria, alguns anos depois, provocar a maior
controvérsia religiosa do século XX — A Igreja da
Unificação.
Com a ajuda de Deus, de Jesus Cristo, do mundo
espiritual e dos seus próprios estudos, após nove anos (dos
l6 aos 25 ), o jovem Sun Myung Moon apresentaria ao
mundo "uma nova expressão da verdade", "uma nova visão
4
do Cristianismo." Uma revelação universal e espiritualista,
mais fundamentalmente cristã, a qual recebeu o nome de O
Princípio Divino, passando a ser considerado uma terceira
parte da mensagem bíblica: O Completo Testamento, e o
movimento criado por ele ficou conhecido como
Unificacionismo. 53 anos depois, uma nova e grandiosa
transformação está em marcha, tendo por base a verdade
bíblica e o amor cristão a Deus e aos homens.
Em princípios de l946, o jovem pregador encontravase
na Coréia do Norte, comunista, pregando sua visão do
Cristianismo. As autoridades comunistas o prenderam e o
massacraram brutalmente, libertando-o em seguida, dado
morto. Tão logo se viu livre, Sun Myung Moon reiniciou
suas pregações. Desta vez, as autoridades comunistas o
prenderam e o enviaram para o Campo de Extermínio de
Hung Nan, do qual, somente após três anos de intenso
sofrimento, sairia milagrosamente vivo libertado pelas forças
da ONU que bombardearam Hung Nan em l950. Tendo
sentido no corpo e no espírito a grotesca crueldade do
comunismo ateu, o Rev. Moon passou a anunciar ao mundo a
cruel e bárbara mentira em que se constituía o marxismo ateu.
Retornando à Coréia do Sul, em lº de maio de l954, fundou a
Igreja da Unificação.
A Época das Perseguições
Ante as suas pregações cristãs não convencionais, a
Igreja da Unificação não agradou aos crentes coreanos, e uma
grandiosa perseguição teve início. Uma chuva de calúnias e
difamações desabaram sobre o Reverendo Moon e sobre a sua
igreja. As preocupações do Rev. Moon quanto ao avanço do
ateísmo e da violência do comunismo ateu, levaram-no a
revelar os erros fundamentais da doutrina e da prática do
comunismo, apontando-o como uma organização atéia, cuja
finalidade era a implantação de um mundo sem Deus — o
inferno na Terra —, tendo por base a mentira e a violência.
5
Evidentemente, os comunistas não gostaram do Rev. Moon.
Desde então, pelo mundo inteiro, as perseguições se
intensificaram e chegaram à injustiça mais absurda.
O Reconhecimento Oficial da Igreja da Unificação
Foram 28 anos de calúnias, difamações, injúrias e
ataques morais e físicos contra a Igreja da Unificação e contra
o Rev. Sun Myung Moon. Finalmente, no dia 7 de maio de
l982, a Igreja da Unificação foi reconhecida oficialmente pela
Corte Suprema dos Estados Unidos, por unanimidade, como
"uma organização religiosa legítima". Este acontecimento
histórico é, por si só, uma prova incontestável da honestidade
do Rev. Sun Myung Moon e da igreja que ele fundou.
Este pequeno livro é dirigido a todos os estudiosos e
pesquisadores interessados no pensamento místico e nos
movimentos religiosos da humanidade. Aqui estão, de modo
claro e conciso, os ideais e as idéias da Igreja da Unificação,
O Completo Testamento, a nova visão do Cristianismo
recebida pelo Rev. Sun Myung Moon, na aldeia de Jeung Ju,
Coréia, entre 1936 e 1945.
Naturalmente, uma "nova" mensagem bíblica capaz
de criar um movimento religioso que, depois de 40 anos
enfrentando a maior perseguição religiosa do século XX (do
comunismo ateu aos fundamentalistas cristãos), triunfar e
tornar-se uma das 50 maiores organizações do mundo,
representada em l85 países, seguramente, já é tempo de ser
melhor estudada.
Léo Villaverde
Jornalista e escritor
6
O COMPLETO TESTAMENTO
O NOVO FUTURO DO CRISTIANISMO
Senhoras e senhores, sinto-me muito feliz por estar aqui
esta noite. Muito obrigado por terem vindo. Nesta noite
estamos reunidos aqui no Madison Square Garden (New
York) em nome de Deus. Meu tema desta noite é: O Novo
Futuro do Cristianismo. Mas antes de começar gostaria de
fazer uma observação pessoal. Eu não vim aqui para repetir o
que vocês já sabem. Eu vim para revelar algo novo. Eu
quero compartilhar com vocês uma nova revelação de Deus.
Existe um só Deus, um só Cristo, uma só Bíblia. No
entanto, hoje, o mundo cristão encontra-se dividido em mais
de 400 diferentes denominações. Partindo da mesma Bíblia
há diferentes pontos de vista, com muitas diferentes
interpretações. O que nos interessa não é a interpretação
humana da Bíblia, mas como Deus a interpreta, e qual é
realmente a Sua vontade. Esta resposta deve vir de Deus na
forma de uma revelação.
Quero compartilhar esta revelação com vocês esta
noite. Uma vez que esta mensagem veio de Deus e revela
Seu ponto de vista, o conteúdo pode naturalmente ser
diferente do entendimento humano. Portanto, pode ser uma
grande novidade para vocês. Mas precisamos de novas idéias
— idéias de Deus — porque o homem já esgotou todas as
suas próprias idéias. Esta é a razão da minha vinda aqui para
lhes falar esta noite. Assim, peço a cada um de vocês para
abrir suas mentes e seus corações a fim de que o espírito de
Deus possa lhes falar diretamente.
Durante 2.000 anos, os cristãos de todo o mundo têm
ansiado por um grande e culminante dia como está
profetizado na Bíblia — o dia da Segunda Vinda do
Senhor. Uma vez que isto foi prometido por Deus, a Segunda
Vinda de Cristo será definitivamente cumprida.
Qual é a razão para a Segunda Vinda do Senhor? Ele vem
para consumar a vontade de Deus. Então, qual é a vontade de
Deus ?
7
Parte I
A Família Divina
— O Ideal Original da Criação
Deus é eterno, imutável e absoluto e tem uma vontade
que é também eterna, imutável e absoluta. No início, Deus
tinha um propósito definido antes de criar o universo e este
mundo. Este propósito foi a razão para a criação, e Ele
começou a criação do universo e do homem para cumprir este
propósito. Segundo a Bíblia, depois que o primeiro homem e
a primeira mulher foram criados, Adão e Eva, Deus lhes deu
um mandamento. Esse mandamento foi: "Da árvore do
conhecimento do bem e do mal não comereis, porque no dia
em que dela comerdes, certamente morrereis." (Gn. 2: 17)
Deus lhes pediu para obedecerem ao Seu mandamento.
Deus queria dizer com isso que, pela obediência de Adão e
Eva ao mandamento, Seu propósito seria cumprido. Porém
Deus mostrou claramente a conseqüência da desobediência.
Ele disse: "No dia em que dela comerdes, certamente
morrereis." O resultado da desobediência era a morte.
Contudo, Adão e Eva desobedeceram a Deus. A
conseqüência foi a queda do homem. O homem morreu
espiritualmente, e o objetivo de Deus não foi realizado. A
queda do homem significa seu desvio do objetivo original que
Deus tinha planejado. Depois de sua desobediência, Deus não
tinha nenhuma escolha senão expulsar aquele homem e
aquela mulher do Jardim do Éden.
Jardim do Éden é a expressão simbólica do Reino
de Deus na Terra. Adão e Eva não tinham mais o direito de
ser cidadãos do Reino de Deus. Assim, foram expulsos para o
inferno na Terra, que foi uma criação deles próprios.
O Reino do Céu na Terra
Se Adão e Eva tivessem obedecido a Deus, teriam
estabelecido o Reino dos Céus na Terra. Como seria esse
reino? Adão e Eva foram criados sem pecado, com o
potencial para atingir a perfeição. Eles deveriam crescer até
atingir a perfeição, obedecendo a lei de Deus. Enquanto
8
estivessem crescendo até atingir a humanidade e até se
tornarem homem e mulher perfeitos, suas relações seriam
como irmão e irmã. Eles deveriam estabelecer a tradição de
uma verdadeira fraternidade. Não podiam se relacionar
sexualmente
O que é a perfeição? É a total união do homem com
Deus. O homem foi criado para ser o templo de Deus, no
qual o espírito de Deus habitaria. Um tal homem é divino,
como Deus é divino. Este homem é santo como Deus é.
Jesus foi o primeiro homem perfeito. Esta perfeição é o
estado ao qual Jesus se referia quando disse: "Acreditai que
eu estou no Pai, e o Pai está em Mim." (Jo. 14:11)
Quando vocês se tornarem unidos com Deus, Seu
divino poder estará em vocês, e se tornarão perfeitos como
Deus é perfeito. Por isso, Jesus ensinou que a meta do
homem é ser perfeito como Deus é perfeito: "Vós, pois, sede
perfeitos como é perfeito vosso Pai Celeste." (Mt. 5:48).
Por que Deus criou um homem e uma mulher?
Depois que tivessem atingido o estado de perfeição, Deus
queria uni-los num casal celestial através da bênção do
matrimônio celeste. Deus tencionava começar Seu reino com
Adão e Eva como os primeiros marido e mulher.
Se isso tivesse se tornado realidade, a bênção de Deus
para o crescimento e a multiplicação teria sido cumprida. Ele
teria dado o poder para multiplicar Filhos de Deus. Esses
filhos teriam nascido sem pecado e seriam perfeitos. O que
eles seriam, então? O pecado nunca teria surgido na raça
humano. Tendo filhos, Adão e Eva teriam se tornado os
verdadeiros pai e mãe centralizados em Deus — os
Verdadeiros Pais da Humanidade.
Se Adão e Eva tivessem formado a primeira família
centralizada em Deus, dela teria surgido uma tribo, uma
nação e um mundo centralizados em Deus, nos quais só Deus
seria o Senhor. Então teria reinado a perfeição desde o início
e por toda a eternidade.
Onde Deus criou Adão e Eva? Lá em cima, no espaço
sideral,? Fora do ambiente físico? Não, Deus os criou aqui
mesmo na Terra. Por conseguinte, o florescimento da família
de Adão traria a realização do ideal de Deus aqui sobre a
Terra, e Deus teria Se tornado o centro da humanidade. Isto
não teria sido outra coisa senão o Reino de Deus na Terra, no
9
qual Deus viveria com o homem.
Se isso tivesse se cumprido no início, hoje não
haveriam raças e línguas diferentes. Pertenceríamos todos à
única raça de Adão, sob a única tradição de Adão. A única
língua de Adão seria a nossa língua universal. E, de fato, o
mundo inteiro seria uma nação sob o domínio de Deus.
Assim, no Plano Original de Deus todos os homens
deveriam nascer no reino de Deus na Terra. Deveríamos
gozar a vida celestial na Terra. E, uma vez encerrada nossa
vida terrena, seríamos elevados para o reino de Deus no céu
espiritual onde viveríamos eternamente. Este era o plano
original de Deus.
Não haveria Satanás, o mal, nem o inferno neste
mundo. Na verdade, Deus não criou o inferno para Seus
próprios filhos. Nenhum pai faria uma prisão para seu filho
logo ao nascer. Por que Deus criaria um inferno para Seus
próprios filhos? Só o céu era a vontade original de Deus. Por
causa do pecado, o homem perdeu seu valor original e
tornou-se uma escória humana. O inferno é a queda do
homem.
Parte II
A Queda do Homem
— O Desvio do Plano Original de Deus
O Reino do Inferno — O Paraíso Perdido
Examinemos a situação do homem e do mundo
decaídos. Lemos em Jo. 8:44 que Jesus disse: "Vós sois
filhos do demônio." Com a queda, o homem ficou sob a falsa
paternidade de Satanás, que se tornou "o deus deste mundo"..
O homem trocou de pais. Abandonamos o nosso verdadeiro
pai, Deus, e nos unimos com o falso pai, Satanás. O primeiro
homem e a primeira mulher tornaram-se filhos de Satanás.
Sob a falsa paternidade de Satanás, Adão e Eva uniram-se
num casamento ilegítimo, sem a bênção ou a ordem de Deus.
E quando eles multiplicaram filhos, todos ficaram sob o
domínio do falso pai. Todos nasceram como filhos do
10
pecado, não como filhos de Deus. Portanto, a multiplicação
de filhos do pecado desde Adão, de geração em geração,
trouxe como conseqüência este mundo decaído, em estado de
pecado. Por não termos a Deus como centro, passou a existir
um mundo de pecado, de desconfiança, de crime, de ódio e
de guerra. E nós, nações e sociedades deste mundo, podemos
nos destruir uns aos outros sem sentir dor. Este é o reino do
inferno na Terra.
O mestre deste mundo, de fato, não é Deus, mas
Satanás. Esta é a razão porque em João 12:31 diz que:
"Satanás é o príncipe deste mundo" . Sabemos que Deus
criou o homem. Mas Deus não é o mestre, porque o homem
trocou-O por outro. O homem traiu Deus e uniu-se com o
falso mestre, Satanás. Este Satanás tem sido o pai da
humanidade. A queda do homem trouxe uma grande tristeza
ao coração do Pai Celeste. Deus perdeu tudo quando o
homem se revoltou contra Ele. Esta é a razão pela qual lemos
em Gênesis 6: 6." O Senhor arrependeu-se de ter criado o
homem sobre a Terra e Seu coração ficou ferido de íntima
dor". Deus sofre porque um mundo oposto à Sua vontade
tornou-se realidade. Se a intenção, o plano original de Deus
tivesse se cumprido, Ele teria ficado feliz. Se as
conseqüências da queda fossem o resultado do plano de
Deus, por que Deus ficaria triste no Seu coração? Por que
Ele teria Se arrependido de haver criado o homem?
Parte III
A Restauração do Plano Original
— Salvação é Restauração
Deus todo poderoso é um Deus de amor, um Deus de
misericórdia. Seu coração é compassivo e sofredor devido ao
estado de morte de Seus filhos. Deus sabe que nenhum
homem é capaz de quebrar suas cadeias e libertar-se do
pecado por ele próprio. Ele sabe que há um só poder que
é capaz de trazer o homem para a salvação: o próprio Deus.
E Deus, na Sua misericórdia, está decidido a salvar este
mundo.
O que é salvação? Salvação é simplesmente
restauração. O que faz um médico para salvar seu paciente?
Ele restaura o doente ao seu estado normal. Isto é uma cura.
O que você faria para salvar uma pessoa que está se
11
afogando? Você a salvaria, trazendo-a para fora da água,
para a terra. Isto é uma salvação.
Do mesmo modo, a obra de salvação de Deus é
simplesmente restaurar o homem do estado anormal decaído
para o estado original de bondade. Portanto, salvação é
equivalente à restauração. Deus está restaurando o reino do
inferno para o Reino dos Céus. Na Bíblia, Deus mostra
claramente Sua determinação: "O que Eu disse, farei; o que
concebi, realizarei. Porque Eu Sou Deus e não há outro". (Is.
46:11)
Deus não disse: "Eu talvez faça". Ele disse: "Eu
farei", mostrando Sua absoluta determinação para restaurar o
homem e o mundo para o plano original. Como? Através do
Messias. Para restaurar a humanidade, Deus enviou Seu filho
Jesus a este mundo como salvador — como o Messias. Há
dois mil anos Jesus veio a este mundo como o autor da vida.
Ele veio para transformar todos os homens pecadores em
homens semelhantes a Cristo. Ele veio para restaurar o Reino
dos Céus na Terra. Por conseguinte, Jesus proclamou como
sua primeira boa nova: "Arrependei-vos, pois o Reino dos
Céus está próximo." (Mt: 4: l7). Com a vinda de Jesus, as
pessoas estavam verdadeiramente no limiar do Reino dos
Céus.
A Preparação para a Vinda do Messias
Porém, antes que Deus pudesse enviar Seu Filho para
restaurar o mundo, Ele teve que preparar o caminho, passo a
passo, começando com um indivíduo e expandindo para um
nação, tendo em vista estabelecer um Fundamento de Fé
sobre o qual o Messias pudesse vir. Em todo caso, este
mundo tem sido o mundo de Satanás. Se o Messias viesse
para a Terra sem um fundamento, uma preparação, o mundo
satânico o destruiria. Por isso, Deus trabalhou diligente e
cuidadosamente para estabelecer a nação e uma soberania
sobre os quais Ele pudesse ter controle. A nação escolhida de
Israel foi o resultado da preparação para o Messias.
Deus preparou a nação de Israel como uma "pista de
aterrissagem" para o Messias. Sob o Fundamento de Fé de
Israel, Deus pôde enviar Seu campeão, o Messias. Do mesmo
12
modo, paralelamente, o Cristianismo está na posição de II
Israel, hoje, ele é a pista de aterrissagem do Messias em sua
Segunda Vinda. Os cristãos deverão formar um Fundamento
de Fé para o retorno do Messias na hora final do
cumprimento.
Hoje, mais do que nunca, o Messias é a esperança para
o nosso mundo atribulado! A missão do Messias é consumar
a restauração — tirar a humanidade decaída e sofredora deste
mundo de maldade e restaurar o homem para a perfeição e
bondade originais de Deus. Ele vem para destruir a soberania
do mal que Satanás exerce sobre este mundo e, finalmente,
estabelecer a soberania de Deus.
Jesus veio como Messias há 2.000 anos com a
finalidade de restaurar o Reino de Deus. Hoje, estamos
aguardando a Segunda Vinda de Cristo. A finalidade da
Segunda Vinda é precisamente a mesma: a restauração do
reino original de Deus. Este é o único propósito e a única
vontade de Deus.
Hoje, nós, os cristãos, somos o povo escolhido de
Deus. Os cristãos são os colaboradores de Cristo. Portanto,
estamos na posição de preparar um fundamento para o
Senhor, dar-lhe as boas vindas e aceitá-lo quando ele vier,
participando na sua missão de destruir Satanás da face da
Terra e levar a salvação para toda a humanidade. Hoje, no
entanto os cristãos não estão seguros acerca da vontade de
Deus, sobre qual o objetivo da vontade de Deus. Estamos
mais interessados na nossa salvação pessoal, no nosso próprio
céu em qualquer lugar e na garantia do nosso pequeno ninho
nesse céu. Mas este não é o procedimento que Deus espera
dos cristãos.
Onde Estás, meu Davi?
Deus está procurando Seus campeões entre os cristãos
do mundo de hoje. E o trabalho de Deus requer um espírito
de sacrifício. Quantos cristãos estão dizendo agora: "Use-me
como um cordeiro sobre Seu altar, e a partir do meu sacrifício
salve este mundo"? Deus está em busca de um espírito de
abnegação. Há 20 séculos Deus anda à procura de quem
possa carregar a cruz. Os cristãos de hoje estão clamando
13
pelo "meu céu" e pela "minha salvação."
E quanto a Deus? Quanto ao resto do mundo? Vocês
pensam que serão capazes de guardar seu pequeno pedaço de
céu enquanto o resto do mundo está se desmoronando? Não!
Por outro lado, se todo o mundo for salvo, sua própria
salvação não estará incluída?
Hoje, se as igrejas cristãs continuarem a seguir pelo
mesmo caminho do egocentrismo, o espírito cristão está
destinado a declinar. Antes de clamarmos pela nossa
salvação, clamemos pelo de Seu sofrimento e tristeza.
Quando solucionarmos o problema de Deus, o problema do
homem será automaticamente resolvido. Então, o fogo
cristão verdadeiramente queimará por causa do coração
angustiado de Deus, e não por nós mesmos.
Em 2.000 anos de história, os cristãos tiveram a
grande oportunidade de conduzir o mundo inteiro para Deus.
Mas os cristãos simplesmente não perceberam com clareza
qual era a vontade de Deus. Não agiram quando a
oportunidade lhes apareceu. A mesma oportunidade está
batendo à porta novamente. Desta vez a oportunidade chegou
aos Estados Unidos. Se os cristãos americanos de hoje
reconhecerem a vontade de Deus para os dias atuais e agirem
em conformidade, poderemos virar o mundo de baixo para
cima e de cima para baixo, e fazer descer o Céu à Terra. A
hora da Segunda Vinda do Cristo está próxima. Todavia, não
estamos conscientes dos sinais dos tempos.
Em vez de continuarmos orando e pedindo "Venha a
nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na Terra
como no Céu." (Mt. 6:10), podemos agora agir conforme a
vontade de Deus, fazendo deste céu uma realidade, porque já
é chegada a hora marcada por Deus para a efetivação deste
plano.
Cada um de nós faz parte do corpo de Cristo. Por iss,
quando Cristo vier, seremos os membros de seu corpo vivo.
Se cada um de nós está desejoso e pronto para pregar o seu
corpo à cruz a fim de poder dar vida ao nosso mundo, então
na verdade transformaremos este mundo no Reino dos Céus.
Viver e morrer por Deus e por Cristo; este é o privilégio de
ser cristão!
Lembrem-se: a vontade de Deus é salvar o mundo
inteiro; não apenas os cristãos, não apenas as igrejas. Há um
versículo universalmente conhecido na Bíblia, que
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aprendemos em nossos primeiros dias de catequese:
"Pois Deus amou tanto o mundo que deu Seu único
Filho, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas
tenha a vida eterna." (Jo. 3: 16).
A ênfase está na palavra "mundo". Deus amou o
mundo, não apenas uma igreja, os cristãos ou um povo em
particular, mas o mundo inteiro. Por essa razão — para
salvar este mundo — o Messias é enviado.
Se perguntassem a Jesus: "O senhor é o salvador
apenas dos cristãos?", ele responderia: "Não! Sou o salvador
de toda a humanidade". Se perguntassem a Deus: "O Senhor
é o Deus dos cristãos?" Ele responderia: "Não! Sou o Deus
do universo, o Deus de toda a criação, o Deus de todos os
homens."
Há dois mil anos o povo estava esperando a vinda do
Messias, mas motivado por razões egocêntricas. Eles
pensavam que o Messias viria como um conquistador militar
para vingá-los e derrotar o Império Romano, recompensando
Israel com grande glória e poder num sentido terreno. Eles
Simplesmente haviam perdido o sentido central de sua fé.
Pelo contrário, o Messias veio para o povo de Israel a fim de
usá-lo como instrumento de sacrifício para levar a salvação
de Deus ao mundo inteiro. Sim, Deus determinou-Se a
restaurar o mundo inteiro e conduzir toda a humanidade para
a bondade e a perfeição. Se Deus não pudesse fazer isso,
então realmente Deus seria um Deus derrotado. Derrotado
por quem? Por Satanás! Então, este Deus não seria Deus.
Ponha-se na posição de Deus. Quando Ele olha para o
mundo cristão hoje, acho que não fica satisfeito. Ele vê que
há uma grande batalha à frente que deve ser travada e
vencida. Deus deve ter um confronto com o formidável
poder do inimigo, o poder de Satanás, o poder do pecado. Por
isso, Deus precisa de um Davi dos dias modernos para
enfrentar esse Golias, Satanás. Não ouvem o apelo de Deus:
"Onde está o meu Davi? Onde está você, meu Davi?" E Deus
espera que os cristãos de hoje respondam: "Sim, meu Senhor!
Eu sou o Seu Davi. Sua vontade será feita!"
Mas os cristãos deste mundo parecem dormir um sono
profundo. Os poucos cristãos que parecem acordados, estão
empenhados em lutar entre si. O tempo da colheita já chegou
neste cósmico outono, mas Deus não tem trabalhadores para
enviar aos campos. Desde a queda do homem, Deus tem
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travado continuamente uma guerra divina contra o poder de
Satanás. Cristo está chegando pela segunda vez, como o
comandante-chefe, para travar a batalha final. E essa hora já
chegou. Todavia, como é triste! Nenhum soldado celestial
está pronto. Os cristãos estão dormindo.
Até aqui, Deus pôde empenhar-Se numa "luta de
guerrilha" contra Satanás, não numa guerra total. Porém,
Deus tem Se preparado para um grande dia, um Dia D
Celestial, quando Deus poderá lançar uma ofensiva maior
possível. Esse dia é o dia da Volta de Cristo. Esse dia de
Deus está perto! A Bíblia é o registro da preparação paciente
de Deus, conduzindo a humanidade para a batalha final. O
cumprimento da Bíblia é a vinda do Senhor; o regresso de
Cristo nesse dia.
A Bíblia é uma Mensagem em Código
O que é a Bíblia, mais precisamente? A Bíblia tem
sido um livro de mistério. Contudo, a Bíblia contém a
mensagem de Deus para o homem. A Bíblia não usa uma
linguagem clara, mas está escrita em símbolos e parábolas.
Sabem por que Deus apresentou a Bíblia em símbolos e
parábolas? Por que Ele não fala a verdade claramente?
Porque Deus tem lidado com o mundo do mal. Através dos
tempos Deus tem escolhido cautelosamente Seus
trabalhadores, ou campeões deste mundo de maldade.
Abraão e Noé foram dois desses campeões. E os campeões de
Deus estiveram sempre em minoria absoluta no mundo do
mal. Se Deus revelasse, aberta e claramente Sua estratégia,
essa informação seria utilizada pelo inimigo contra Seus
próprios campeões. Isso explica porque a Bíblia está escrita
como uma mensagem codificada, para que só os agentes de
Deus, Seus campeões, pudessem decifrá-la , não o inimigo.
Permitam-me fazer uma analogia. Para proteger sua
segurança, os Estados Unidos enviam muitos agentes para
além-mar a fim de colher informações vitais com respeito aos
seus inimigos potenciais. Quando o quartel-general entra em
comunicação com seus agentes além-mar, particularmente em
território inimigo, devem fazê-lo aberta e claramente? Não.
Ninguém seria tão ingênuo. Devem comunicar-se através de
16
mensagens codificadas — mensagens secretas — para que o
inimigo não possa decifrá-las.
Ao longo da história as pessoas justas não têm
encontrado outra coisa senão sofrimento sobre esta Terra,
simplesmente porque estão em território inimigo, e Satanás
não quer que os agentes de Deus prosperem. Sempre que as
forças de Satanás descobriram os representantes de Deus,
tentaram destruí-los (Vejam os profetas, Jesus, Sócrates, os
cristãos primitivos, Joana D'Arc, etc).
Devemos compreender que Deus teve que dar Suas
instruções em mensagens codificadas. Assim, a Bíblia está
escrita em símbolos e parábolas. Neste sentido, a Bíblia foi
concebida para ser mesmo misteriosa. Então, como podemos
compreender o verdadeiro significado daqueles símbolos e
parábolas?
É simples, de certo modo. Se você é um agente
liberado pelo seu quartel-general e deseja decifrar uma
mensagem codificada, então você deve ter um livro de código
ou comunicar-se diretamente com o quartel-general.
Justamente por isso, o significado dos símbolos e parábolas
descritos na Bíblia somente podem se tornar claros quando
nos comunicamos com o nosso "quartel-general", que é Deus.
Este é verdadeiramente o único caminho certo para podermos
conhecer o profundo significado da Bíblia.
Há dois mil anos, Jesus trouxe o projeto para a
construção do Reino dos Céus na Terra . Todavia, ele não
pôde falar claramente sobre seu plano, nem mesmo aos seus
próprios discípulos. Jesus falava em termos figurados e por
meio de comparações e parábolas. Por que? Jesus conhecia
as circunstâncias sob as quais tinha de trabalhar. Havia a
pressão política do Império Romano. Havia a monarquia
reinante que se opunha a qualquer mudança. E havia também
uma forte tradição e o sistema religioso implantados. Tudo
isto poderia ser orientado contra a construção do Reino de
Deus.
Jesus veio para acender no homem o fogo da
revolução, que, no devido tempo, transformaria a estrutura e a
vida da nação inteira. Mas ele não pôde falar claramente
sobre nenhuma dessas coisas, nem mesmo para seus próprios
discípulos. Ao invés disso, teve que falar em símbolos e
parábolas acrescentando: "Quem tem ouvidos para ouvir, que
ouça." (Lc. 14: 35).
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Se vocês tentarem interpretar a Bíblia literalmente,
palavra por palavra, letra por letra, sem compreenderem a
natureza da mensagem codificada da Bíblia, estarão sujeitos a
cometer um grave erro. Por isso hoje, nesta hora, o mundo
cristão necessita de uma revelação de Deus. Deus deve
revelar-nos Seu plano. Deve nos mostrar Seu horário e nos
dar instruções de como fazer e o que fazer neste tempo. Na
verdade Deus nos prometeu isso, dizendo em Amós 3:7 :
"Pois o Senhor Deus nada faz sem antes revelar Seu segredo
aos seus servos, os profetas."
Nesta noite encontro-me aqui no Madison Square
Garden não por minha vontade, mas em obediência à vontade
divina. Deus me chamou como Seu instrumento a fim de
revelar Sua mensagem para Sua providência nos dias de hoje,
cujo objetivo é formar um povo preparado para o grande dia
do Senhor. Nesta noite eu me deterei na revelação divina que
se refere ao Segundo Advento — a questão mais importante
do nosso tempo. E para compreendermos isto claramente,
devemos primeiramente conhecer as circunstâncias da vinda
de Jesus há 2.000 anos.
Jesus não Veio para Morrer numa Cruz
Há um enigma na história que não teve ainda uma
explicação adequada. Durante 4.000 anos, antes da vinda de
Jesus, Deus tinha preparado o povo escolhido de Israel para
receber o Messias. Através de Seus profetas, Deus havia
avisado ao povo escolhido a fim de que estivesse preparado
para receber o Messias. Deus estava trabalhando para criar
uma expectativa e havia, de fato, um grande fervor
messiânico em Israel. Na hora marcada, Deus cumpriu Sua
promessa. O Filho de Deus, Jesus, veio para seu próprio
povo no tempo marcado. O que aconteceu depois? A História
é a testemunha. Nós não o reconhecemos, rejeitamos, ainda
nos rebelamos contra ele, e finalmente o crucificamos. Por
que? As igrejas cristãs dizem: "A resposta para essa pergunta
é simplesmente esta: Deus enviou Jesus para morrer numa
cruz. Portanto, a crucificação era a Vontade predestinada por
Deus desde o início." Diante disso, gostaria de perguntar para
os cristãos: O que farão quando Jesus voltar? Todos
responderão com firmeza: "Nós o receberemos, lhe daremos
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as boas-vindas! E nos uniremos a ele!" Deixe-me perguntar
ainda: "Irão crucificá-lo quando ele aparecer?" Sua resposta
será: Não!"
Se é assim, o que dizer do povo escolhido, o I Israel,
de 2000 anosa trás? Se eles tivessem aceitado Jesus, como
vocês dizem que fariam hoje, teriam crucificado Jesus? Não!
Portanto, eles cometeram um erro! Foi devido à sua
ignorância que eles crucificaram Jesus.
A vontade de Deus era que Seu povo escolhido
aceitasse o Messias. Mas, ao invés disso, crucificaram-no
passando a responsabilidade para outros ao dizerem que
aquilo era a vontade de Deus. É ridículo! Do ponto de vista
lógico, isto não é aceitável. Algo muito errado aconteceu. O
que foi?
A Ignorância Matou Jesus
O povo não conheceu quem era Jesus de Nazaré. Eles
não o reconheceram como Filho de Deus. Se tivessem
conhecido com clareza que Jesus era o Messias, o Filho de
Deus, certamente não o teriam crucificado. "Ele veio para
seu povo e seu próprio povo não o recebeu." (Jo. 1: 11).
Considerem o testemunho do apóstolo Paulo:
"Nenhum dos príncipes deste mundo compreendeu isto,
porque se tivessem compreendido não teriam crucificado o
Senhor da Glória." (I Cor. 2: 8). Se tivessem conhecido
quem foi ele, não teriam crucificado o Senhor da Glória. Foi
um erro. Foi a ignorância e a cegueira espiritual que mataram
Jesus!
O mundo cristão ainda não compreendeu a verdade
acerca do que realmente aconteceu no tempo de Jesus. Se o
propósito de Deus ao enviar Seu Filho era para que ele fosse
pregado numa cruz, por que Ele levaria tanto tempo para
preparar o povo de Israel? Teria sido mais fácil para Deus
enviar Seu Filho entre os descrentes, ou até entre os
selvagens. Eles o teriam matado rapidamente. Não haveria
necessidade de tanto tempo e tanto trabalho para preparar o
povo escolhido de Israel, dentro de uma tradição religiosa,
para matar o Messias! A preparação religiosa é para a vida e o
19
amor ( Não matarás!).
No Antigo Testamento, repetidamente, Deus prometeu
que Israel seria glorificado com a vinda do Seu Filho.
Entretanto, depois da chegada do Messias, o que aconteceu
com o povo escolhido? Foram punidos e sofreram muito.
Sua nação foi destruída e seu povo espalhado por todo o
mundo porque o povo judeu escolhido não cumpriu a vontade
de Deus. Eles rejeitaram o Messias, quando a vontade de
Deus era que eles o aceitassem.
Escravos da Letra do Antigo Testamento
Assim sendo, façamos uma pergunta: "Por que os
israelitas não souberam quem era Jesus?" Acreditem ou não,
a primeira razão pela qual o povo escolhido de Deus não
reconheceu Jesus como Messias foi o Antigo Testamento.
Esta afirmação pode lhes causar um certo espanto. Mas o
povo interpretou literalmente o Antigo Testamento. Eles não
compreenderam que a Bíblia estava escrita em códigos. Não
procuraram um livro de código. Ao invés disso,
interpretaram literalmente a Bíblia, palavra por palavra, letra
por letra. Resumindo, tornaram-se escravos das letras do
Antigo Testamento.
Deixem-me dar um exemplo: o livro de Malaquias,
no Antigo Testamento, tem uma função paralela com o livro
do Apocalipse, no Novo Testamento. Ele mostra claramente a
hora e a descrição dos Últimos Dias, como o Messias virá.
Em Malaquias 4:5-6 encontramos estas palavras: "Eis que
vos enviarei Elias, o profeta, antes que venha o grande e
terrível dia do Senhor. E ele converterá os corações dos pais
aos seus filhos e o coração dos filhos aos seus pais."
Quem foi Elias? Segundo o Antigo Testamento, Elias
foi um grande profeta de Israel que viveu aproximadamente
900 anos antes de Jesus, e que havia subido ao céu num carro
de fogo através de um turbilhão de vento. Por isso, o povo
acreditava que Elias voltaria literalmente do céu azul num
carro de fogo, anunciando a vinda do Filho de Deus. Era
assim que o povo aguardava Elias. Mas Elias não voltou da
maneira como eles esperavam. O povo escolhido de Israel
nunca ouviu nada a respeito do regresso milagroso de Elias.
Todavia, um dia ouviram um depoimento
extraordinário. Um jovem de Nazaré, cujo nome era Jesus,
estava sendo proclamado pelos seus discípulos como o
Messias, o Filho de Deus. Este era um anúncio inacreditável.
20
E qual foi a reação imediata do povo? "Impossível!",
exclamaram. "Como pode Jesus de Nazaré ser o Filho de
Deus? Não ouvimos nenhum comentário sobre a volta de
Elias." Sem Elias aparecer, descendo das nuvens, o Messias
não poderia vir. A fim de aceitar Jesus como Filho de Deus,
os israelitas teriam que fazer pouco caso dos 4.000 anos da
velha tradição e desprezar suas escrituras (o Velho
Testamento). Mas ninguém quis ou ousou fazer isso.
Naquele tempo o povo realmente não entendeu Jesus,
o Filho de Deus. Disseram-lhe: "Não é por uma boa obra
que te apedrejamos, mas por blasfêmia, porque sendo tu
homem te fazes Deus" (Jo 10:33). E pegaram pedras, prontos
para apedrejar Jesus, o Messias.
Além disso, quando Jesus operou muitos prodígios e
milagres, o povo não honrou a Jesus. Ao invés, disseram: "É
por Belzebu, chefe dos demônios, que este homem expulsa
demônios." (Mt. 12: 24). Que tragédia! Jesus, o Filho de
Deus, o príncipe da paz, foi menosprezado e considerado o
príncipe dos demônios!
Pôncio Pilatos, governador com grande autoridade em
Roma, não queria crucificar Jesus, porque não encontrou
nenhuma culpa nele. Contudo, o próprio povo de Jesus
gritava: "Crucificai-o! Crucificai-o!". O povo que Deus
havia preparado para receber Jesus quis que ele morresse e
que, ao invés dele, fosse libertado Barrabás, o criminoso.
Terá sido esta a vontade de Deus? Não! Jesus foi vítima da
ignorância e da cegueira do seu próprio povo. Eles
interpretaram a profecia de uma forma errada; interpretaram
mal o Antigo Testamento.
Imagine se Elias tivesse vindo de um modo
sobrenatural, num carro de fogo descendo do céu, conforme o
povo esperava. Isto teria criado uma grande sensação.
Imagine Elias aparecendo diante da multidão e proclamando:
"Este homem, Jesus de Nazaré, é de fato o Filho de Deus."
Estou certo de que todos se ajoelhariam e o adorariam ali
mesmo. Quem ousaria crucificá-lo?
Contudo esse milagre não era o significado da profecia
de Malaquias sobre a vinda de Elias. Na verdade, esta
profecia foi um obstáculo ao sucesso da missão de Jesus.
Quando os discípulos de Jesus foram por toda Israel
ensinar a Boa Nova e proclamar Jesus como Filho de Deus, o
povo repudiou suas palavras dizendo: "Se Jesus é o Filho de
Deus, onde está Elias? As escrituras dizem que Elias deve vir
primeiro."
João Batista Era "o Elias que havia de vir"
21
Os discípulos de Jesus não estavam suficientemente
preparados para responder a esta pergunta. Com efeito, eles
não estavam bem instruídos no Antigo Testamento. Afinal,
eles eram humildes pescadores da Galiléia, cobradores de
impostos e prostitutas. Assim, um dia, os embaraçados
discípulos de Jesus decidiram encontrar-se com ele e
pediram-lhe ajuda neste sentido. Isto aparece em Mateus 17:
10-13: "E os discípulos perguntaram-lhe: então, por que os
escribas dizem que Elias deve vir primeiro? Ele replicou:
Elias vem para restaurar todas as coisas; mas eu lhes digo
que Elias já veio." Então os discípulos compreenderam que
ele se referia a João Batista."
Isto foi realmente um choque para os discípulos de
Jesus. E logo compreenderam que, de acordo com a Bíblia,
Jesus estava referindo-se a João Batista. Elias era João
Batista? Sim, Jesus assim o disse. Mas o povo escolhido de
Israel nunca se convenceu disso. Eles disseram que tal
afirmação era um ultraje!
Imaginemos a transposição destes acontecimentos
para nosso tempo. Há 2.000 anos, João Batista era uma
pessoa de enorme influência, gozando grande prestígio em
toda Israel como um grande homem de Deus — assim como
Billy Graham de hoje, um grande líder cristão. Suponhamos,
então, que um jovem cristão desconhecido aparecesse
subitamente e começasse a proclamar-se a si próprio para o
mundo como o Filho de Deus. Como estudioso das
Escrituras você perguntaria: "Se tu és o Filho de Deus, onde
está o prometido Elias?" Se esse jovem lhe dissesse: "Billy
Graham é o Elias que havia de vir". Qual seria sua reação?
Você, indubitavelmente, diria que é impossível. Como pode
Billy Graham ser Elias? Ele não veio do céu azul. Todos nós
sabemos que ele veio da Carolina do Norte! Decididamente,
não podemos aceitar isso.
Jesus enfrentou o mesmo tipo de descrença em sua
época. O povo não aceitou João Batista como Elias,
simplesmente porque ele não desceu do céu. O povo
escolhido há 2.000 anos equivocou-se por sua própria crença,
segundo a qual a profecia do regresso de Elias deveria ser
cumprida literalmente; que Elias devia vir do céu. Eles foram
vítimas da interpretação das letras do Antigo Testamento.
A Falha de João Batista
Contudo, Jesus continuou ensinando por todo Israel
com poder e autoridade, apesar da opinião pública ser
22
desdenhosa. O povo não podia fácil e simplesmente repudiar
tal homem. Eles queriam estar seguros de si próprios. Por
isso, decidiram perguntar ao próprio João Batista, e resolver
suas questões de uma vez por todas. E assim fizeram, como
podemos ler em João: "E foram perguntar a João: Quem és
tu? Ele confessou, e não negou; ele disse: "Eu não sou o
Messias." E perguntaram-lhe: Então quem és? És tu Elias?
Ele respondeu: Não sou. És tu um profeta? Ele respondeu:
Não!" (Jo. 1: l9-21).
João Batista negou tudo. Ele disse: "Eu não sou
Elias." E até negou ser um profeta. Todos sabiam e o
reconheciam como um profeta de Deus, mas ele disse: "Eu
não sou um profeta." Por que? Ele avaliou a situação e sabia
que Jesus era tratado pela sociedade como um proscrito.
Jesus pareceu ser um homem falho, e João decidiu não se
juntar a ele. Ele pensou que seria mais conveniente negar
tudo. Desse modo, João Batista pôs Jesus de lado fazendo
dele um grande impostor, sem nenhuma defesa. Depois da
negação de João, Jesus nada mais podia fazer para que o povo
acreditasse nele. Não tinha outro recurso a tomar neste
sentido.
Por que Jesus foi crucificado? Primeiro, ele tornou-se
vítima da interpretação literal do Antigo Testamento. Em
segundo lugar, Jesus foi rejeitado e finalmente crucificado
por causa do fracasso da missão de João Batista. Podemos ler
que, enquanto esperava na prisão para ser degolado, João
Batista, mandou dois de seus próprios discípulos até Jesus
para fazerem a seguinte pergunta: "És tu aquele que está
para vir ou devemos esperar por outro?" Mt 11:3.
É esta a pergunta de um homem que tem fé em Jesus
como o Filho de Deus? Anteriormente João Batista havia
testemunhado Jesus no rio Jordão: "Eu vi e sou testemunha
de que este é o Filho de Deus." (Jo. 1: 34). No entanto, esta
mesma pessoa, com a mesma língua, estava agora encarando
Jesus com esta pergunta: "És realmente o Messias, ou
esperaremos ainda por outro? " Quão desanimadora e
dolorosa deve ter sido esta pergunta para Jesus! Que homem
de tão pouca fé era João!
A missão de João Batista era muito importante para o
cumprimento da missão do Messias. Deus enviou João
especificamente para preparar o caminho do Senhor e dar-lhe
um povo preparado. Esta era a responsabilidade de João,
como precursor de Cristo. Jesus dependia muito do sucesso
da missão de João Batista. Assim, quando João veio para
Jesus e lhe perguntou: "És tu realmente o Messias?" foi mais
doloroso para Jesus do que se lhe tivesse apunhalado. Vocês
23
podem imaginar o que Jesus sentiu? Seu coração ficou
ferido, a ira o acabrunhou. Jesus se recusou a responder
"sim" ou "não" para uma tão inoportuna pergunta. Ao invés
disso, Jesus disse: "Bem-aventurado aquele que não se
escandalizar de mim." (Mt. 11: 6).
Estas foram as palavras de Jesus para João quando viu
que ele estava para declinar. Jesus estava realmente dizendo:
"Pobre João, homem fraco! Tu já não tens mais fé em mim.
Tu estás ofendendo o Filho de Deus. Tenho dó de ti, João."
Depois Jesus falou à multidão sobre João com muita
indignação: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado
pelo vento? Então, que fostes ver? Um homem vestido de
roupas delicadas? Reparai, aqueles que vestem roupas
delicadas habitam nos palácios reais. Que fostes, então,
fazer? Ver um profeta? Sim, eu vos digo, mais do que um
profeta." (Mt. 11: 7-9).
João era mais que um profeta, porque ele veio dar
testemunho diretamente de Jesus, o Filho de Deus. Ele nasceu
para uma missão extraordinária. Deus deu essa gloriosa
responsabilidade para João. Que honra para um homem ser
considerado por Jesus "mais do que um profeta"! Contudo,
João falhou em não fazer por disse em Mateus 11.11: "Em
verdade vos digo, entre os nascidos de mulher não apareceu
ninguém maior do que João Batista; no entanto, o menor no
Reino dos Céus é maior que ele." João tinha descido de
posição ao ponto de o menor no Reino dos Céus ser ainda
maior do que ele. O significado dessa afirmação de Jesus tem
permanecido misteriosamente velado. Os cristãos ainda não
compreenderam seu verdadeiro sentido, porque não
compreenderam que João Batista falhou em sua missão. Esta
noite podemos saber o verdadeiro significado desta
afirmação.
João Batista era o maior entre os nascidos de mulher
devido à sua missão, que era testemunhar o Filho de Deus.
Todos os profetas do passado haviam tido a mesma missão.
Mas os profetas que vieram antes de João tinham dado
testemunho do Messias com uma enorme distância de tempo
entre eles e o Senhor. João, entretanto, nasceu como
contemporâneo de Jesus. Assim, ele teve o privilégio de
testemunhar o Cristo vivo quando ele apareceu em pessoa.
No que diz respeito à missão, João tinha a maior e mais
gloriosa delas. Por isso Jesus disse que ele era mais que um
profeta, o maior entre aqueles nascidos de mulher.
No entanto, no cumprimento desta missão, ele havia
se tornado o menor; pois cometeu o mais miserável fracasso
entre todos os profetas que tinham vivido antes dele, que
24
estavam no mundo espiritual. Eles sabiam quem era Jesus.
Mas João, não. Ele duvidou. Ele se tornou cético e
finalmente cego quanto à identidade de Jesus. Por fim, ele
falhou em manter seu testemunho pessoal sobre o Filho de
Deus. Ele tornou-se um homem falho e, conseqüentemente,
o menor de todos no Reino dos Céus.
Quero dar-lhes uma outra prova incontestável do
fracasso da missão de João Batista. O povo disse a João:
"Rabbi, aquele (Jesus) que estava contigo além do Jordão,
de quem deste testemunho, está agora batizando, e todos vão
ter com Ele." João respondeu: "Ele deve crescer e eu
diminuir." (Jo. 3: 26.30).
Os cristãos interpretam estas palavras como prova de
que João era verdadeiramente um homem humilde e um
grande profeta. Acreditam que ele viu, em sua humildade,
que Jesus deveria crescer, enquanto ele diminuiria.
Entretanto, muito pelo contrário, estas palavras provam a
arrogância de João Batista. Se João tivesse seriamente
levado Jesus em consideração como Filho de Deus, não teria
tido outra alternativa senão unir-se com ele e segui-lo com
todo o coração, quer chovesse ou fizesse sol. João teria se
elevado ou declinado juntamente com Jesus, seguindo o
mesmo caminho e destino. Esta passagem mostra-nos que, de
fato, João Batista não seguiu Jesus. Ele tomou um caminho
independente e separou-se de Jesus. Na verdade ele não
levou Jesus a sério.
Finalmente João Batista foi decapitado. Ele poderia
ter sido um glorioso mártir se tivesse sido decapitado por
estar cumprindo sua missão, testemunhando e proclamando
ao mundo que Jesus era o Filho de Deus! Mas ele foi
decapitado porque se envolveu no escândalo de adultério da
família do rei Herodes. Este assunto não era do interesse de
João. A assistência ao Filho de Deus era sua única
responsabilidade. Mas João desistiu desta divina missão e
sofreu uma vergonhosa morte sem significado. Esta verdade
deve ser dita, mesmo que seja dolorosa.
Finalmente Jesus disse com relação a João: "Desde os
dias de João até agora o Reino dos Céus é arrebatado à
força, e somente os fortes o conquistam." (Mt. 11: 12). Isto
significa que, por causa do insucesso da missão de João
Batista o Reino que Jesus trazia, sofreu e ficou aberto à sua
competição. Quando um campeão de Deus falha em sua
missão, um outro deve tomar o encargo desta missão de
acordo com seus méritos. Assim, homens de extrema e
arrebatada fé, como Pedro, tomaram a posição de João pelos
seus próprios méritos.
25
Se João Batista tivesse sido um homem de grande fé,
qual teria sido o resultado? Ele teria se tornado, na verdade, o
discípulo principal do Filho de Deus, Jesus. Se Jesus fosse
rei, João Batista teria sido seu Primeiro Ministro. Esta era a
posição que Deus ordenara para João. Nesse caso, os doze
apóstolos, os 70 discípulos e os 120 escolhidos teriam vindo
entre os discípulos do próprio João. João deveria ter servido
como mediador para trazer união e harmonia entre o povo
escolhido de Israel e o Filho de Deus. Assim, quem ousaria
crucificar Jesus nessas circunstâncias? Ninguém! A
crucificação não teria acontecido.
Estou certo de que muitas pessoas que lêem a Bíblia
devem questionar sobre João: "Se ele foi um grande homem,
por que não se tornou o discípulo principal do Filho de
Deus?" O próprio Jesus esclareceu a missão que João Batista
veio realizar: "Porque todos os profetas e a Lei profetizaram
até João. E, se quereis acreditar, ele é o Elias que estava
para vir." (Mt. 11: 13,14).
João Batista representava a consumação do Antigo
Testamento, a Lei e os Profetas. Ele era o príncipe da Idade
Antiga. Jesus veio como o príncipe da Nova idade. Se Jesus
tivesse tido o apoio de João Batista, teria ficado sobre o firme
fundamento da Era do Antigo Testamento. Então a Nova Era
teria florescido no fértil solo das realizações da Era Antiga.
O Filho de Deus poderia ter estabelecido seu reino glorioso
imediatamente. E João Batista teria sido a pedra angular
desse reino.
Se João Batista tivesse seguido Jesus, também os
destacados líderes daquela sociedade seriam os primeiros a
aceitar Jesus como Filho de Deus. Nesse caso, quem teria
crucificado o Senhor da Glória?
Quando Deus enviou Seu único filho a este mundo para
estabelecer Seu Reino sobre a Terra, vocês pensam que Ele
não queria que Jesus fosse seguido pelas pessoas mais
idôneas da época? Pensam que Deus queria que apenas os
marginais da sociedade seguissem Jesus? Absolutamente
não! Por causa do insucesso de João Batista é que partiu-se o
elo de ligação entre o Filho de Deus e seu povo. E, como
conseqüência, só os pescadores, cobradores de impostos,
prostitutas e leprosos é que seguiram Jesus. Isso trouxe
grande amargura ao coração de Deus.
Quando o Senhor voltar a este mundo hoje, não é lógico
que toda a hierarquia do Cristianismo — Bispos, Cardeais,
Papa e todos os importantes líderes evangélicos — deva ser o
primeiro grupo a lhe dar as boas vindas e apoio? Se eles
seguirem o Senhor e se tornarem seus primeiros discípulos, a
26
edificação do Reino de Deus será infinitamente mais fácil.
Vocês poderão dizer: "Com que autoridade o Rev.
Moon fala? O que o faz tão seguro?" Eu tenho autoridade
para dizer estas coisas. Deus me mostrou a verdade. Eu falei
com Jesus. O próprio Jesus me mostrou estas verdades. Falei
também com João Batista, no mundo espiritual. Ele próprio
confirmou a autenticidade deste testemunho. Depois destas
extraordinárias experiências espirituais, quando voltei para a
realidade deste mundo físico, a Bíblia que eu lia tomou um
significado totalmente diferente. Mesmo que agora você não
queira aceitar estas coisas como uma verdade, deve pelo
menos suspender suas opiniões. Um dia todos saberão a
verdade, porque todos morrerão. Cada um de nós irá para o
mundo espiritual onde a verdade é como a luz do sol.
Ninguém poderá escapar dela. Naquele dia todos verão a
verdade total. Contudo, bem-aventurado é aquele que tem
suficiente humildade para aceitar a verdade enquanto tem
oportunidade aqui na Terra. Seu conhecimento da verdade e
de Deus aqui na Terra determinará sua vida eterna.
Jesus, Esperado nas Nuvens do Céu
Há mais uma razão vital - a terceira - pela qual Jesus
não foi aceito como Messias. Há 2.000 anos o povo
escolhido de Israel esperava que o Filho de Deus viesse das
nuvens do céu, como dizia a profecia de Daniel 7:13:
"Contemplando sempre a visão noturna, vi aproximar-se
sobre as nuvens do céu um ser semelhante ao filho do
homem."
Mas Jesus não apareceu milagrosamente das nuvens do
céu. Ele nasceu de uma mulher, Maria, a esposa de José. O
povo dizia: "Como pode esse Jesus ser o Filho de Deus? Ele
não é mais do que um homem, como você e eu." Esta foi
outra esmagadora razão pela qual o povo escolhido rejeitou
Jesus.
Alguém pode dizer que a profecia de Daniel não se
referia à primeira vinda de Jesus, mas ao Senhor do Segundo
Advento. Porém afirmo que este não é o caso, porque Jesus
declarou solenemente que todos os profetas se consumaram
em João Batista. Todas as profecias e a Lei dadas antes de
João Batista tinham a finalidade de ser cumpridas no tempo
de Jesus.
Por isso a profecia da vinda do Filho do homem sobre
as nuvens do céu referia-se à vinda de Jesus há 2.000 anos.
Naquele tempo não havia o Novo Testamento, e o
pensamento da Segunda Vinda do Senhor não estava nem
27
sequer na mente de Deus.
A profecia de Daniel causou muitas dificuldades ao
ministério de Jesus. Podemos ver isto no Novo Testamento,
onde o apóstolo João adverte: "Muitos sedutores têm ido pelo
mundo afora, os quais não proclamam que Jesus veio na
carne. Quem assim afirma é o sedutor e o anti-cristo." (II
Jo. 7).
Há 2.000 anos João dizia essas palavras aos que não
aceitavam Jesus e que o rejeitaram, simplesmente porque ele
era um homem com corpo físico. Não aceitaram Jesus
porque esperavam alguém sobrenatural que aparecesse das
nuvens. João condenou essas pessoas com palavras muito
duras dizendo que elas eram "anti-cristo."
Estas verdades históricas têm permanecido vedadas ao
mundo cristão. Hoje, pela primeira vez, todas estas
circunstâncias do ministério de Jesus estão vindo à luz. Sim,
Jesus veio para cumprir a missão de trazer o Reino de Deus à
Terra. Mas não o compreendemos e cometemos o grande
crime de pregá-lo sobre a cruz. Foi uma grande tragédia.
Tempos depois dissemos que aquilo foi a realização da
vontade de Deus. Como é irônico!
A crença de que Jesus veio para morrer tornou-se o
próprio fundamento do Cristianismo. No entanto, esta
errônea crença tem continuamente trespassado o coração de
Deus durante os últimos 2.000 anos. O coração de Deus ficou
despedaçado quando Adão rebelou-se contra Ele, e
novamente quando o Seu Filho foi pregado na cruz no Monte
Calvário. Infelizmente temos entendido muito mal sobre Deus
e Jesus.
E por que esta verdade está sendo revelada somente
neste tempo? Porque o tempo da Segunda Vinda de Cristo
está perto. Além do mais Deus não quer que os cristãos
cometam o mesmo erro que o povo da época de Jesus.
Só com a revelação da clara verdade do Pai Celestial é
que todas as igrejas cristãs podem vir a se unir. Sim, a
verdade faz com que nós sejamos um só. Quando
conhecemos a verdade nós nos libertamos dos nossos
conceitos errados e da nossa desunião. Agora a verdade clara
sobre Deus está sendo revelada.
A Crucificação — A Missão
Secundária de Jesus
A crucificação não era absolutamente a missão original
28
do Filho de Deus, mas representou uma alteração no seu
curso internacional. Foi uma missão secundária. Foi
decidida no Monte da Transfiguração. Em Lucas. 9: 30-31
Pedro, o principal discípulo de Jesus, protestou
violentamente quando soube que Jesus sofreria em Jerusalém
e que seria crucificado, conforme lemos em Mateus 16:22:
"Deus tal não permita, Senhor! Isso não te sucederá!"
Mas Jesus respondeu-lhe imediatamente dizendo:
"Afasta-te de mim, Satanás! Tu és um obstáculo para mim,
pois não estás do lado de Deus, mas do lado dos homens."
(Mt. l6: 23)
Os cristãos citam muitas vezes esta passagem como
prova de que Jesus veio para morrer na cruz. Muitos dizem:
"Vê o que Jesus disse? Ele disse que veio para morrer. Esta
é a razão porque ele repreendeu Pedro e o chamou de Satanás,
porque Pedro se opôs à crucificação de Jesus"
Mas hoje essa interpretação merece uma atenção
especial. Jesus repreendeu Pedro depois de saber que Deus
tinha mudado Seu plano e alterado a sua missão. Por causa
da rejeição de Israel, Deus sabia que Jesus não poderia
continuar sua missão original: a construção do Reino dos
Céus na Terra - porque isto requeria a cooperação do povo.
Nessa última fase do ministério de Jesus, Deus lhe
pediu para cumprir apenas o limitado objetivo de uma
salvação espiritual. Por conseguinte Jesus estava se
preparando para o segundo objetivo. O pobre Pedro
desconhecia esta alteração na missão de Jesus, que o chamou
de "Satanás"; as palavras aparentemente confortadoras de
Pedro, não estavam em conformidade com a vontade de Deus
neste aspecto. Pedro falou cega e ignorantemente. Mas Jesus
não podia de modo algum falhar na sua missão secundária —
ou então sua vinda teria sido completamente em vão.
A Aceitação de Jesus
Traria o Reino de Deus
Consideremos agora o que teria realmente acontecido se
Jesus fosse aceito pelo povo de Israel. Com efeito, ele seria o
Rei daquela nação. Depois, como Rei de Israel, ele uniria os
seus discípulos com todos os descendentes de Abraão,
incluindo as doze tribos de Jacó e todas as tribos árabes.
Todos formariam uma só família do Filho de Deus.
Jesus teria estabelecido uma soberania celestial
centralizada na nação escolhida de Israel. A Constituição do
Reino de Deus seria promulgada no tempo de Jesus. Uma
nação invencível teria sido estabelecida, na qual a soberania
29
de Deus seria uma realidade. Esta nação, sob o domínio de
Deus, que o primeiro Adão deveria ter começado, teria sido
finalmente uma realidade com a vinda do último Adão -
Jesus - como Rei. Até o Império Romano teria se humilhado
perante o Reino de Deus. Esta é a profecia de Isaías: "Seu
império será grande e a paz sem fim, sob o trono de Davi e
sob seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela
justiça, a partir de agora e para sempre. Eis o que fará o
zelo do Senhor dos exércitos."(Is 9:7).
Mesmo depois da morte de Jesus, seus discípulos
marcharam em direção a Roma de mãos vazias, sofrendo e
derramando sangue. Mas durante o período de 400 anos o
Império Romano desmoronou-se diante deste exército
desarmado. Se Jesus não fosse crucificado, mas tivesse sido
o comandante desse exército sagrado, todo o Império
Romano ficaria sob a soberania de Deus naquele tempo.
Nesta altura, o grande Império Romano era o centro do
mundo. O plano de Deus para a salvação era restaurar o
mundo inteiro. Assim, Deus tinha preparado Roma para ser
o centro de todas as nações, para que, uma vez que o reino
tivesse sido estabelecido em Roma, pudesse facilmente
expandir-se para todo o mundo. Se Jesus pudesse estabelecer
seu Reino dentro do Império Romano, através do poder e
influência de Roma todos os cantos do mundo ouviriam a boa
nova de Jesus durante sua vida na Terra.
Portanto, durante sua vida, Jesus teria estabelecido o
Reino dos Céus na Terra A nação de Israel teria sido o
centro glorioso do Seu Reino. Hoje não haveria o
Cristianismo subdividido em Catolicismo Romano,
Presbiterianismo, Metodismo e outras Igrejas de Cristo. Nada
disso seria necessário. Não é necessário um veículo quando
você já está no seu destino.
Nós já seríamos cidadãos do Reino dos Céus. Não teria
havido derramamento de sangue na história do Cristianismo -
nem haveria um único mártir. Tampouco haveriam cruzes
nas torres das igrejas. Neste caso, não haveria razão alguma
para a Segunda Vinda de Cristo, porque a missão do Messias
teria sido consumada. Satanás deixaria de existir, e hoje, não
haveria pecado sobre a Terra. Cada alma seria restaurada e
teria nascido na bondade e perfeição de Deus.
Para que o retorno de Cristo? Não haveria razão
alguma para uma Segunda Vinda. Um médico não é
necessário quando não há doentes para curar. Contudo, a
triste realidade é que Jesus encontrou rebeldia. Com a
desobediência de Adão e Eva, Deus não pôde cumprir Seu
ideal no Jardim do Éden. E sem a cooperação do povo
30
escolhido, Jesus não pôde estabelecer seu Reino na Terra.
A Crucificação Trouxe Apenas
Salvação Espiritual
Assim, Jesus teve de realizar sua missão secundária - a
salvação espiritual. Deus permitiu que Seu Filho fosse um
sacrifício, e isso foi necessário devido ao pecado e à cegueira
do povo escolhido de Israel. Este foi o significado da
crucificação. Deus permitiu que Jesus morresse na cruz como
um resgate pago a Satanás. Em troca, pela ressurreição de
Jesus, Deus poderia resgatar as almas dos homens, embora
Ele não tenha podido dar uma redenção física. Todavia, a
vitória de Deus não foi na cruz, mas na Ressurreição. Foi
esta a salvação que o Cristianismo ofereceu.
O Cristianismo também foi crucificado junto com a
crucificação de Jesus. Na hora da tribulação do Senhor,
ninguém permaneceu fiel a ele. Todos traíram Jesus. Até
Pedro negou Cristo.
Contudo, com a Ressurreição até o Cristianismo
reviveu. Durante 40 dias, Jesus alicerçou todas as peças
quebradas do Cristianismo. Isto marcou o começo do
Cristianismo contemporâneo.
Sim, nossa salvação vem da vitória da Ressurreição.
Esta é a vitória de Cristo, sobre a qual o poder de Satanás não
tem influência. Mas o corpo de Jesus foi oferecido como um
sacrifício e resgate. E quando ele ofereceu seu corpo,
ofereceu também o corpo da humanidade. Contudo, nossa
salvação é limitada, constituindo-se numa redenção somente
espiritual, porque a redenção do corpo não pôde ser
consumada há 2.000 anos.
Nosso mundo ainda sofre sob o poder de Satanás. O
pecado ainda é muito forte e domina este mundo através dos
nossos corpos. São Paulo clamou com muita angústia em
Romanos 7: 24, 25: "Que homem infeliz e cruel eu sou!
Quem há de libertar-me deste corpo de morte? Graças
sejam dadas a Deus por Jesus, nosso Senhor. Sou eu mesmo
que, pela razão, submeto-me à lei de Deus, e pela carne, à lei
do pecado."
O apóstolo Paulo vivia na graça do Senhor. Mas
mesmo assim, confessou que só poderia servir a Deus com
sua mente, porém com seu corpo ele servia à lei do pecado.
Seu corpo ainda estava para ser redimido; ele ainda estava
sob a angústia do pecado.
O mesmo sucede conosco. Pela aceitação de Cristo
temos salvação espiritual. Mas nossos corpos servem à lei do
31
pecado no domínio de Satanás - até Cristo voltar e nos
libertar da escravidão do pecado. O Senhor do Segundo
Advento é o único que pode dar a salvação total, bem como a
salvação espiritual e redenção dos nossos corpos.
O Cristianismo contemporâneo tem poder somente para
dar a salvação espiritual. Ao contrário da nação de Israel, o
Cristianismo não tem uma base física. Por isso o domínio de
Deus no Cristianismo está firmado sobre um reino espiritual.
Por conseguinte, a grande esperança da humanidade é a
Segunda Vinda do Messias. Esta é a esperança dos Estados
Unidos e do mundo. Os Estados Unidos, esta nação cristã,
deve despertar agora e preparar-se para o dia da vinda do
Messias.
O Cristianismo nos Estados Unidos de hoje estão na
mesma posição espiritual de Israel há 2.000 anos. Os Estados
Unidos estão destinados a servir como pista de aterrissagem
para o Messias no século XX. Deus quer abraçar o mundo.
Mas para conseguir isso, Deus deve abraçar primeiro os
Estados Unidos.
O papel dos Estados Unidos é paralelo ao do Império
Romano de 2.000 anos. Do mesmo modo como Roma era o
centro do mundo naquele tempo, os Estados Unidos são o
centro do mundo moderno. Jesus tinha os olhos voltados para
Roma, e quando Cristo voltar ele voltará seus olhos para os
Estados Unidos.
A Oração no Jardim do Getsêmani
Devido a tudo isto, nós, cristãos, não temos
compreendido o verdadeiro espírito da oração de Jesus no
Jardim do Getsêmani. No Jardim, Jesus disse aos seus
discípulos: "Minha alma está numa tristeza de morte;
permanecei aqui e vigiai comigo" E, adiantando-se um
pouco mais, caiu com a face por terra e orou: "Meu Pai, se
é possível afasta de mim este cálice. Todavia não seja como
eu quero, mas como tu queres." (Mt. 26: 38, 39).
Jesus orou deste modo não apenas uma, mas três vezes.
Ele estava numa tristeza de morte. Muitas pessoas no mundo
cristão pensam que ele orou deste modo por causa de sua
fraqueza humana, apesar de que sua missão era para morrer
na cruz. Não há nada mais longe da verdade.
Durante o reinado dos imperadores romanos, centenas
de milhares de cristãos foram martirizados. Eles não diziam:
"Por favor, afaste de mim este cálice."
Quando estava para ser crucificado Simão Pedro disse
32
aos seus opressores: "Não sou digno de morrer da mesma
maneira que o meu Senhor. Fazei-me um favor: Crucificaime
de cabeça para baixo" Ele não disse: "Por favor, afaste
de mim este cálice."
Quando Estevão, o primeiro mártir cristão, foi
apedrejado até morrer, não disse: "Afaste de mim este
cálice." A Bíblia relata que ele morreu pacificamente orando
pelos seus algozes.
À parte da Bíblia, Nathen Hale, um jovem oficial na
Guerra da Revolução Americana, quando foi capturado e
estava para ser enforcado exclamou: "Apenas lamento ter
uma só vida para dar pelo meu país ." Ele não disse: "Afaste
de mim este cálice!"
Vocês acreditam que o Messias, Jesus, o Filho de Deus,
seria mais fraco do que essas pessoas, especialmente se ele
tivesse vindo com a única finalidade de morrer na cruz em
troca da salvação do mundo? Não! Se este fosse o caso, ele
não seria qualificado para ser o Messias. Na realidade, não
temos compreendido Jesus.
A oração no Jardim do Getsêmani não foi proferida por
nenhuma motivação egoísta, nem porque Jesus temesse a
morte. Jesus estava preparado para morrer mil vezes
seguidamente, se este fosse o único modo de conseguir a
salvação para a humanidade.
Ele estava preocupado por causa de sua missão. Ele
estava preocupado com o sofrimento do seu Pai Celestial.
Estava preocupado porque previa as terríveis conseqüências
de sua crucificação. Jesus sabia que sua crucificação não era
a vontade original de Deus. Ele sabia que sua morte adiaria a
realização do Reino dos Céus por outros 2.000 anos, e que
durante este tempo a humanidade sofreria terrivelmente.
Ele sabia que, como ele, futuramente milhares de seus
seguidores teriam que sofrer derramando seu sangue como
mártires. Jesus sabia que Israel seria abandonado e desolado.
Mais que isso, ele queria levar com glória a vitória e o
cumprimento de sua missão ao trono do Pai Celeste. Jesus
não queria regressar com a crucificação. Ele não queria
regressar para Deus deste modo, mas com um regresso
triunfante.
Por isso, no Jardim do Getsêmani, Jesus fez sua última
súplica desesperada a Deus pedindo: "Mesmo nesta última
hora haverá algum meio através do qual eu possa permanecer
na Terra cumprindo minha missão?" Se somos verdadeiros
seguidores de Cristo devemos compreender a tristeza e a
angústia que ele sofreu.
33
Além disso, se a crucificação fosse a plena vontade de
Deus, o discípulo que traiu Jesus deveria ser considerado um
herói e ser-lhe-ia atribuído uma medalha celestial, pois
alguém teria que entregar o Filho de Deus ao inimigo, se é
que teria que ser crucificado. Porém, Jesus disse de Judas:
"Ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue!
Seria melhor que esse homem não tivesse nascido." Mt. 26:
24.
Se a crucificação de Jesus fosse a vontade de Deus, ele
deveria ter se sentido felicíssimo naquela altura dos
acontecimentos. Ele deveria ter exclamado: "Deus, sinto-me
honrado! Alegra-te Pai, sou vitorioso!"
O Cristianismo contemporâneo tem a concepção
tradicional de que Jesus simplesmente veio para morrer na
cruz. Esta é a maneira como os cristãos têm justificado o
assassinato do Filho de Deus.
Como Acontecerá a Segunda Vinda do Messias?
Hoje não acreditamos em nada que não tenha lógica.
Deus é verdade, e a verdade é lógica por si mesma. Não pode
haver perfeição na ignorância.
A oração dos cristãos não poderia ter posto Neil
Armstrong na Lua. A verdade científica era necessária. Eu
próprio fui um estudioso de ciência, e reconheço que Deus é
também o Deus da ciência. Portanto, Sua mensagem deve
ser científica e lógica, capaz de convencer os homens do
século XX.
Permitam-me chegar ao ápice do discurso desta noite
analisando como se cumprirá a Segunda Vinda de Cristo.
Lemos em Mateus 24: 30: "Eles verão o Filho do
homem vir sobre as nuvens do céu com poder e grande
glória."
Lemos também em Apocalipse 1:7 as seguintes
palavras: "E eis que ele vem com as nuvens!" Em I
Tessalonicenses 5:2: "O dia do Senhor virá como um ladrão
durante a noite".
Uma profecia diz que o Senhor vem com as nuvens do
céu, enquanto outra diz que ele virá como um ladrão na
noite. Estas duas profecias estão de certo modo em conflito.
Se ele vem como um ladrão, não pode ao mesmo tempo
aparecer nas nuvens. Tomaremos então uma profecia e
excluiremos a outra?
O povo escolhido de Israel há 2.000 anos não sabia que
34
a mensagem de Deus estava escrita em forma de símbolos.
Eles interpretaram a mensagem de Deus literalmente e
cometeram um grande erro. E quando nós, cristãos, lemos o
Novo Testamento, não devemos incorrer no mesmo erro.
Temos de ler a Bíblia no espírito de Deus, e conhecer o
verdadeiro significado dos símbolos e das parábolas.
Há 2.000 anos todos esperavam que Elias viesse no céu
azul, mas ele não veio desse modo. E esperavam que o
Messias viesse com as nuvens do céu, mas ele não veio
assim. Hoje, os cristãos esperam que o Senhor do Segundo
Advento venha nas nuvens. Porém há alguma garantia de
que essa expectativa não lhes desapontará mais uma vez?
Sejamos humildes e tenhamos nossas mentes abertas
para aceitar ambas as possibilidades — sua vinda nas nuvens
do céu e sua vinda como um ladrão durante a noite. Se você
pensa apenas que a vinda do Senhor será nas nuvens e, no
entanto sua expectativa não se realiza - porque ele vem como
o Filho do homem em corpo físico - então provavelmente
você cometerá o mesmo crime que os fiéis judeus cometeram
há 2.000 anos.
Porém, se você é humilde e capaz de aceitar o Senhor
como o Filho do homem em corpo físico - que é a única
maneira dele poder vir como um ladrão - não há então
possibilidade de ser enganado. Poderá então ter a certeza de
encontrar o Senhor seja qual for o modo como ele virá.
Somente lhe será possível perder a oportunidade de ver
o Senhor se ele vier como um ladrão. Se ele vier nas nuvens,
você não tem nenhuma razão para se afligir. Nesse caso todos
os olhos poderão vê-lo. As redes de televisão estarão seguras
quanto a isso.
Porém devo lhes dizer que Deus não enviará Seu Filho
literalmente com as nuvens do céu. Se você está olhando
para o firmamento esperando pela Segunda Vinda do
Messias, certamente ficará desapontado. Ele virá novamente
como homem num corpo físico.
Esta é a revelação de Deus. Deixe-me testemunhar isto
lendo algumas significativas profecias da Bíblia. Em Lucas
17: 20, diz: "Sendo interrogado pelos fariseus sobre quando
viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: O Reino de
Deus não vem com sinais para serem observados."
Todos o veriam nas nuvens do céu. Mas Jesus disse
que nós não observaríamos a vinda do Reino. Os judeus
crentes viram a vinda do Messias? Não! Não viram porque
ele veio como o Filho do homem encarnado.
Em seguida vamos considerar a mais extraordinária
afirmação de Jesus. A maioria das pessoas pergunta: "A
35
Bíblia diz isso?" Vejamos em Lucas 17:25, onde Jesus disse:
"Mas primeiro o Senhor do Segundo Advento deve sofrer
muito e ser rejeitado pela sua geração."
Se o Senhor vem das nuvens do céu em poder e glória,
ao som das trombetas dos anjos, quem ousará rejeitá-lo ou
causar-lhe sofrimento? Estas são as palavras de Jesus. Ele
sofrerá e será rejeitado porque vem como o Filho do homem
encarnado. A princípio o povo terá dificuldade em
reconhecê-lo como o Cristo.
Todas as igrejas cristãs e todos os devotos esperam a
vinda do Senhor nas nuvens do céu. Todos estão olhando
para o alto esperando pelo seu aparecimento. Mas se esta
expectativa não se realizar e o Senhor aparecer
inesperadamente como o Filho do homem dotado de um
corpo físico - como Jesus veio a este mundo em sua primeira
vez - o que acontecerá?
Primeiramente o povo o rejeitará e lhe causará
sofrimento. Não haverá fé na Terra. No começo não haverá
aceitação a Cristo. Muitos cristãos se armarão de pedras para
apedrejá-lo e o chamarão de blasfemo e herege, e o acusarão
de estar possuído por demônios. Estas foram as mesmas
acusações feitas contra Jesus há 2.000 anos. Em Lucas 17:26-
27 lemos: "Como aconteceu nos dias de Noé, assim
acontecerá também nos dias do Filho do Homem. Comiam,
bebiam, os homens casavam-se e as mulheres davam-se em
casamento, até o dia em que Noé entrou na arca e veio o
dilúvio, que os fez perecer a todos."
Esta é descrição dos dias do Filho do Homem. E isto
acontecerá quando o Senhor vier como o Filho do homem
encarnado. Como um homem, Jesus que está para vir
anunciará o Reino dos Céus. Mas ninguém lhe dará atenção.
De fato, o povo rirá dele, perseguirá e o ridicularizará fazendo
toda espécie de mal contra ele.
Entretanto o mundo continuará do mesmo modo,
preocupado com as coisas carnais - comendo, bebendo,
casando - até o dia em que o Senhor será elevado ao trono de
julgamento. Quando o mundo o reconhecer como o Senhor
do Julgamento, será tarde demais. A arca se fechará. O
julgamento afetará a todos imediatamente.
na Terra?" Lc. 18: 8
Agora escutem esta passagem onde Jesus disse: "Farei
justiça prontamente, digo-lhes. Mas, quando o Filho do
Homem voltar, encontrará fé
Jesus fez questão de perguntar se haveria fé na Terra
quando Cristo voltasse. Por que?
A história pode se repetir. Há 2.000 anos havia grande
fé em Israel. Eles oravam nas sinagogas pela manhã, ao meio
36
dia e à noite. Liam constantemente as escrituras escrevendoas
nas lapelas e recitando-as todos os dias. Eles guardavam
os Dez Mandamentos e todas as leis mosaicas. Traziam suas
dádivas para o templo e jejuavam muito. Porém, quando o
filho de Deus apareceu, eles falharam em reconhecê-lo e o
puseram numa cruz. Jesus encontrou alguma fé no seu povo?
Aos olhos de Jesus não havia absolutamente nenhuma fé
sobre a Terra.
Assim, quando ele aparecer outra vez como Filho do
Homem em corpo físico, igualmente poderá não haver fé
sobre a Terra. Milhões de cristãos e milhares de igrejas
nunca poderão ver o Filho do Homem, porque ele vem com
um corpo físico. Mt. 7: 22, 23 diz: "Muitos dirão naquele
dia: Senhor, senhor, não foi em teu nome que profetizamos,
expulsamos demônios e fizemos muitos milagres? E então eu
direi: Nunca lhes conheci; afastai-vos de mim, vós que
praticais a iniquidade."
O que quer dizer isto? Por qual razão estes cristãos
devotos que clamam no nome do Senhor serão condenados
como malfeitores? Que espécie de mal teriam cometido?
Durante o transcorrer da história muitos crimes e pecados têm
sido cometido em nome do Senhor. Não há melhor exemplo
disso do que os acontecimentos no tempo de Jesus. O povo
que conspirou para matar Jesus - e finalmente conseguiu
crucificando-o numa cruz - era o mesmo povo que tinha
fielmente seguido a palavra de Deus dia e noite. No entanto,
quando o Filho de Deus os visitou, eles cometeram o pior
crime da história. Mataram o único Filho de Deus, e o
fizeram em nome do Senhor!
Do mesmo modo, quando Cristo vier outra vez como
um homem em carne, como poderemos ter certeza de que os
cristãos de hoje não serão os primeiros a jogar pedras contra
ele? Hoje temos a mesma responsabilidade que o povo de há
2.000 anos. Não interessa quanto as nossas ações e orações
sejam boas. Quando Deus enviar Seu Filho, se não o
reconhecermos e nos unirmos com ele, Deus dirá: "Afastaivos
de mim, vós que praticais a iniquidade."
Se é verdade que a história se repete, neste caso os
cristãos modernos podem tornar-se os piores inimigos do
Senhor do Segundo Advento. Eles podem tentar crucificá-lo
novamente em nome do Senhor.
Todavia, ainda que a rejeição e perseguição iniciais
possam ser muito severas, Cristo não voltará para ser
crucificado novamente. O Senhor do Segundo Advento será
vitorioso e finalmente será elevado ao trono do julgamento,
julgando o mundo como o Senhor do Julgamento.
37
Quando ele subir ao trono, então todos os olhos o verão.
Ele será inequivocamente reconhecido por todos. E aqueles
que o acusaram e rejeitaram irão lamentar-se em lágrimas por
causa do mal que lhe fizeram. Mas será tarde. O Senhor lhes
dirá: "Eu nunca os conheci. Afastem-se de mim, malditos."
O Senhor vem. E vem como um homem. Contudo, ele
também vem com o poder e a glória de Deus, e julgará o
mundo. Apenas os humildes serão abençoados. Os arrogantes
verão o fogo inextinguível..
Significado Bíblico
da Expressão "Nuvens do Céu"
Qual é o verdadeiro significado da expressão "nuvens
do céu?" Consideremos ainda esta expressão, uma vez que a
Bíblia está escrita em símbolos. Jesus disse: "Eu sou a
videira e vós, os ramos." Esta é uma expressão simbólica.
De modo semelhante, "nuvens do céu" tem um significado
espiritual, não físico.
Lemos Ap. 17: 15: "As águas que viste, onde a meretriz
está sentada, são os povos, nações, multidões e línguas." A
Bíblia indica que água é o símbolo para a multidão de
homens decaídos.
O que são nuvens? São águas vaporizadas. Mas a água
freqüentemente é impura, suja, composta de muitos
elementos estranhos. No entanto, quando evapora
transformando-se em nuvens, elimina suas impurezas. Deste
modo, aquelas pessoas que se evaporaram e se purificaram
dentre as águas da humanidade estão simbolicamente na
posição de nuvens do céu.
Jesus vem entre o povo preparado, o povo de Deus. Ele
vem entre os consagrados, os cristãos renascidos, entre os
purificados, elevados, limpos do pecado. Quando Jesus voltar
à Terra eles formarão o fundamento do Reino de Deus. Este
é o verdadeiro significado de nuvens do céu.
O Cumprimento do Propósito de Deus
Os primeiros Adão e Eva: Como vocês sabem, Deus
queria Seu Reino na Terra desde o início, começando com os
primeiros Adão e Eva. Se eles tivessem sido verdadeiramente
obedientes a Deus, teriam alcançado a perfeição. Deus os
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teria unido num matrimônio sagrado e estabelecido a primeira
família na Terra, conforme Sua vontade. Esta família teria se
tornado a pedra angular do Reino de Deus na Terra. Adão e
Eva teriam sido os Verdadeiros Pais da humanidade. "Jardim
do Éden" é a expressão simbólica desse Reino. Este mundo
teria sido um mundo de alegria para Deus.
Os segundos Adão e Eva: Porém os primeiros Adão e
Eva falharam. Contudo, o ideal de Deus permaneceu o
mesmo. Deus Se determinou a realizar este reino original e
um mundo de alegria. De acordo com a história bíblica, 4.000
anos mais tarde Deus quis restaurar aquele reino na Terra
através de outro Adão perfeito. Jesus era esse Adão perfeito.
I Cor. l5: 45 nos diz: "Jesus era o último Adão", ou o
segundo Adão. Ele veio como perfeito Adão há 2.000 anos,
no lugar do primeiro Adão que havia falhado.
Reino. Deveria haver uma noiva, a Mãe - outra Eva. Assim,
Deus tencionava que este perfeito Adão - Jesus - restaurasse
sua noiva, a perfeita Eva. Isto teria sido a restauração da
primeira família que tinha sido perdida no Jardim do Éden.
Pela restauração apenas de Adão, não poderia haver o
Os terceiros Adão e Eva: Por causa da rebeldia do
povo escolhido de Israel, este plano não pôde ser realizado.
Todavia, Deus está determinado a cumprir Sua vontade.
Desta forma, Ele prometeu o retorno de Cristo.
Aproximadamente 2.000 anos se passaram desde a
morte de Jesus. Agora Deus está mais uma vez disposto a
enviar Seu Filho - na posição de Terceiro Adão. No decorrer
da história Deus tem sempre cumprido Seu propósito na
terceira tentativa. O número três é o número da perfeição.
Desta vez Deus cumprirá definitivamente Seu ideal original,
abençoando os aperfeiçoados Adão e Eva num matrimônio
celestial, estabelecendo assim o fundamento para o Reino de
Deus na Terra.
Este acontecimento culminante está profetizado no
livro do Apocalipse como as bodas do Cordeiro. Refere-se
ao Senhor do Segundo Advento como o Cordeiro, o perfeito
Adão. O Senhor vem como o Adão perfeito e restaurará a
perfeita Eva. Então eles serão elevados e tornar-se-ão os
Verdadeiros Pais da humanidade. Por fim, a alegria de Deus
será completa.
Pouco antes de sua crucificação, Jesus disse a Pedro:
"Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus, e tudo quanto
ligares na terra ficará ligado nos céus, e tudo quanto
desligardes na terra será desligado nos céus." Mt. 16: 19.
O erro foi cometido aqui na Terra. O pecado foi
cometido aqui na Terra. Portanto, o erro deve ser remediado
39
e a eliminação do pecado deve ser efetivada aqui na Terra.
Jesus nos pediu para orar: "Venha a nós o vosso Reino, seja
feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu." Na
Terra está o problema. Esta é a razão pela qual Cristo deve
voltar a esta Terra.
Muitos cristãos acreditam que quando o fim do mundo
se cumprir, Deus destruirá tudo. O sol escurecerá, as estrelas
cairão e a terra queimará. Então apenas os cristãos serão
arrebatados no ar para começarem o milênio com Cristo.
Se Deus fizesse isso, Ele viria a ser um Deus de
fracasso, porque Sua vontade original nunca seria cumprida
aqui na Terra. Ele estaria abandonando esta Terra por causa
de Satanás. Portanto Satanás viria realmente a ser vitorioso,
enquanto Deus seria derrotado. Isto nunca acontecerá! Deus
é todo poderoso. Ele não abandonará esta Terra. Aqui era
para ser e será o Seu Reino.
Vocês poderão ser os cidadãos do Reino dos Céus caso
se encontrem com o Messias, que está para vir. Ele é a sua
esperança; e a única esperança dos Estados Unidos e deste
mundo.
Porém, se vocês falharem em encontrá-lo, então não
haverá esperança para o Cristianismo. O Cristianismo
declinará. Seu fogo espiritual se extinguirá. As igrejas se
tornarão túmulos do velho legado. Nosso mundo estará
condenado.
Senhoras e senhores, eu vim aqui no Madison Square
Garden esta noite em obediência à ordem de Deus. A Bíblia
diz em Atos dos Apóstolos 2:17:
"Nos últimos dias, diz o Senhor, derramarei o Meu
espírito sobre toda a criatura. Os vossos filhos e as vossas
filhas hão de profetizar; os vossos jovens terão visões e os
vossos velhos terão sonhos."
Estamos vivendo numa época incrivelmente
extraordinária - no limiar de uma nova era! O céu está quase
perto. E se vocês sinceramente clamarem a Deus, Ele lhes
responderá.
Vocês devem urgentemente lhe pedir: "Como posso
saber se as palavras do Rev. Moon são verdadeiras?" Não
deixem que eu ou qualquer outra pessoa responda esta
pergunta por vocês. Deixem Deus lhes responder
diretamente.
Portanto, vão em paz e por favor, peçam a Deus ansiosa
e sinceramente.
A nova esperança para a humanidade é o Messias. E
aquele grande e terrível dia do Senhor está próximo!
Depende de nós se este dia será grande ou terrível. Se
40
encontrarem o Messias, para vocês este dia será grande. Mas
se falharem em encontrá-lo, para vocês este dia será de fato
terrível.
Deus os abençoe.
Muito obrigado!
O conteúdo deste livro é um importante discurso proferido
pelo Rev. Sun Myung Moon no Madison Square Garden,
Estados Unidos, em 18 de setembro de 1974 perante uma
multidão de mais de 25.000 pessoas, e onde mais de 15.000
tiveram que ficar do lado de fora por falta absoluta de
espaço.
41
Pedagogia On-line Pedagogia Links Contribuicões Diversas Metodogia na
Educação Informática na Educação Administração Escolar Avaliação
Educacional História da Educação Filosofia da Educação

UNIVESIDADE FEDERAL DO PARÁ
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SANTARÉM
LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO I

"EDUCAÇÃO GREGA"
Equipistas: Francisco M. Teixeira, Maria de Loudes, Sostevaldo Siqueira,
João Portela, Roseni Maria Castro, Soely Silva, José Carlos Mesquita,
Salomão Amorim.
"Educar é ensinar a caminhar sozinho"
(Sociedade dos Poetas Mortos)






INTRODUÇÃO

A educação na Grécia teve formas diferentes. No decorrer deste trabalho,
veremos essas diferenças. Em Esparta ela assume um papel de preparação
para a guerra. Entretanto, em Atenas assume uma papel mais intelectual.
Na Grécia como veremos a seguir, foi o local onde fluiu a sofistica, mesmo
que, não tenha sido a Grécia o local de origem da sofistica. Os sofistas
tiveram grande importância na profissionalização da educação. Além disso,
a Grécia é considerada como o berço da pedagogia.
No decorrer deste trabalho veremos todos esses aspectos da educação grega
e as contribuições que ela trouxe até os dias de hoje.

A Equipe.






A ANTIGUIDADE GREGA: A PAIDÉIA
Foi devido ao poder econômico de seu império que a Pérsia conseguiu
dominar todo o oriente. No entanto, vencidos contra os gregos, os persas
perderam o predomínio sobre os outros Estados da antigüidade. Dessa forma,
a hegemonia econômica se deslocou das civilizações do Oriente próximo para
a civilização grega.
Veremos a seguir como a civilização grega conquistou o poderio econômico
sobre todo o mundo antigo e acabou perdendo-o para o Império Romano.
* Período Pré-Homérico (2500-1100 a.C.), período que aconteceu a formação
do povo grego.
* Período Homérico (1100-800 a.C.), fase retratada pelos poemas de Homero,
Ilíada e Odisséia.
* Período Arcaico (800-500 a.C.), fase da formação das cidades-estado: a
escrita, a moeda, a lei e a pólis.
* Período Clássico (500-400a.C), fase correspondente ao apogeu da
civilização grega.
* Período Helenístico (336-146 a.C.), fase da decadência da Grécia.
* A Grécia está localizada a leste do mar Mediterrâneo, na Península
Balcânica, apresentando relevo acidentado e um litoral recortado por
golfos e bóias, banhado pelo mar Egeu e pelo mar Jônio.
O território grego é cortado ao meio pelo golfo de Corinto. Ao norte desse
golfo localiza-se a Grécia continental; ao sul, a Grécia peninsular.
Devido ao relevo marcadamente montanhoso, a prática da agricultura
releva-se difícil na Grécia, registrando-se um quinto das terras. Assim, o
comércio tornou-se a atividade econômica básica.

FORMAÇÃO DO POVO GREGO
* O período anterior à formação do povo grego é denominado pré-Homérico,
ou da Grécia Primitiva na região ocupada pela população autóctone - isto
é, originária da própria região -, desenvolveu-se a civilização
creto-Micênica, cujos principais centros eram a cidade de Micenas e a Ilha
de Creta.
Os cretenses foram fundadores do primeiro império marítimo de que se tem
notícia, e os mesmos cultivavam vinhas, cereais e oliveiras que utilizavam
para seu próprio consumo ou para exportar para outras regiões. Ensinados
por outros povos tornaram-se hábeis artesãs, trabalhando principalmente
com metais e cerâmica. Utilizando as madeiras , construíram navios de até
vinte metros de comprimento. São famosos seus edifícios públicos, embora
não tenham ficado vestígios dessas construções.
Cnossos, a capital de Creta, era uma cidade de grandes palácios, onde
viviam reis (chamados Minos) cercados de uma poderosa nobreza, o que
refletia sua pujança econômica.
A partir do século XX a.C., sucessivas invasões de tribos nômades, de
origem indo-européia, abalaram o vigor cultural creto-micênico. Aqueus,
Jônios, Eólios e Dórios saquearam e destruíram a região e assimilaram
parte dos costumes e das instituições formando, pela mistura racial e
cultural, o povo grego.
A civilização Micênica se desenvolve desde o início do segundo milênio,
constituída por diversos povos, sobretudo os Aqueus, que se estabeleceram
com um regime de comunidade primitiva. Com o tempo, forma-se uma
aristocracia militar: a figura do guerreiro tem importância cada vez
maior, e os chefes mais destacados vivem nos castelos de Tirinto e
Micenas. No século XII a. C., partem Agaménon, Aquiles e Ulisses para
sitiar e conquistar Tróia, no litoral da Ásia Menor. No final desse mesmo
século ocorre a invasão dos Bárbaros Dórios, que mergulham a Grécia em um
período obscuro até o século IX. Muitos Aqueus fugiram para a Ásia Menor,
onde fundam colônias e prosperam pelo comércio.


AS TRANSFORMAÇÕES DA MENTALIDADE: DO MITO À RAZÃO.
A Concepção mítica do homem nos poemas homéricos
Até o século VI a.C. pode-se dizer que na Grécia ainda predomina uma
concepção mítica do mundo. Isso significa que as ações humanas se acham
explicadas pelo sobrenatural, pelo destino, pela interferência divina. Os
mitos gregos são escolhidos pela tradição e são transmitidos oralmente
pelo aedos e rapsodos, cantores ambulantes que dão forma poética a esses
relatos e os recitam de cor em praça pública. Dentre estes, destacamos
Homero, provável autor das epopéias Ilíadas, que trata da guerra de Tróia
(Illion, em grego), e da Odisséia, que relata o retorno de Ulisses
(odisseus, em grego) a Ítaca, após a guerra de Tróia.
A Emergência da Consciência Racional
O surgimento da filosofia na Grécia não é na verdade, um salto realizado
por um povo privilegiado, mas a culminância de um processo que se fez
através de milênios e para o qual concorreram diversas transformações.
- A escrita gera uma nova idade mental fixando a palavra, e
consequentemente, o mundo para além daquele que o profere.
- E o advento da lei escrita ? Drácon, Sólon e Clístenes são os primeiros
legisladores que marcam uma nova era.
- A invenção da Moeda desempenha um papel revolucionário. Muito mais do
que um metal precioso que se troca por qualquer mercadoria, a moeda é um
artifício racional, uma convenção humana, uma noção abstrata de valor.
- A pólis se faz pela autonomia da palavra: não mais a palavra mágica dos
mitos, concedida pelos deuses e, portanto, comum a todos, mas a palavra
humana do conflito, da discursão, da argumentação.
- Decorre disso tudo uma nova concepção de virtude (areté), diferente da
virtude do guerreiro belo e bom. Se antes a virtude era ética,
aristocrática, agora é política, voltada para o ideal democrático da igual
repartição do poder.
- A filosofia, "filha da cidade": a filosofia surge como problematização e
dicursão de uma realidade antes não questionada pelo mito.


A EDUCAÇÃO ESPARTANA
A Grécia achava-se dividida em Cidades-Estado, das quais as mais
conhecidas são as antagônicas Esparta e Atenas.
Esparta ocupava o fértil vale do rio Eurotas, na região da Lacônia, ao
sudeste da península do Peloponeso.
"No oitavo e no sétimo século a.C, Esparta travou uma guerra com Missênia.
Essa guerra teve por motivo básico o desejo de Esparta de se apoderar das
terras férteis dessa região, que eram as melhores de todo o
Peloponeso."(PEDRO. Antônio & CÁCERES. Florival. História Geral. p. 48).
"Por volta do século IX, o legislador Licurgo organiza o Estado e a
educação. De início os costumes não são tão rudes, e a formação militar é
entremeada com a esportiva e a musical. Com o tempo e, sobretudo no século
IV a.C. quando Esparta derrota Atenas - o rigor da educação se assemelha à
vida de caserna" (ARANHA. Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. p.
38).
"A visão que os gregos tinham do mundo os distinguia de todos os demais
povos do mundo antigo, ao contrário destes, os gregos em vez de colocarem
a razão humana a serviço dos deuses ou dos deuses monarcas, enalteceram a
razão como instrumento a serviço do próprio homem (...) Recusavam qualquer
submissão aos sacerdotes e tampouco se humilhavam diante dos seus deuses.
Glorificavam o homem como o ser mais importante do universo (...) O
primeiro povo a enfrentar explicitamente o problema da natureza, as
idéias, as tarefas e objetivos do processo educativo foi o povo grego. Os
alicerces institucionais dessa atitude encontram-se na realidade
sócio-poética da Grécia, processo que se realiza entre 1200 e 800 a.C.
Trata-se do período pré-Homérico (GILES. Thomas Ranson. História da
Educação. p. 11). Esse período recebeu esse nome, devido ao conhecimento
baseado na interpretação da lendas contidas nos poemas épicos: A ILÍADA e
A ODISSÉIA, que a tradição atribui ao poeta grego Homero (op. cit. p. 46)
"Nessa época as principais ocupações são a agricultura e o pastoreio.
Excetuando-se algumas formas de artesanato, não há especialização, e a
estratificação da sociedade é mínima"(GILES,


EDUCAÇÃO ATENIENSE

Atenas passou pelas mesmas fases de desenvolvimento de Esparta; mas
enquanto Esparta se deteve na fase guerreira e autoritária, Atenas
priorizava a formação intelectual sem deixar de lado a educação física que
não se reduzia apenas a uma simples destreza corporal mas que vinha
acompanhada por uma preocupação moral e estética.
Na primeira parte de sua cultura aparecem formas simples de escolas e a
educação deixa de ficar restrita à família e a partir dos 7 anos começava
a educação propriamente dita, que compreendia a educação física, a música
e a alfabetização. O pedotriba era o responsável em orientar a educação
física na palestra onde os exercícios físicos eram praticados.
Além da educação física, a educação musical era extremamente valorizada
não se limitando apenas à música mas também a poesia, canto e a dança. Os
locais que eram praticados eram geralmente as palestras ou, então, em
lugares especiais. O ensino elementar como a leitura e a escrita durante
muito tempo não teve a sua devida atenção como teve as práticas esportivas
e musicais tanto que os mestres eram geralmente pessoas humildes e mal
pagas e não tinham tanto prestigio quanto o instrutor físico.
Com o passar do tempo foi se exigindo uma melhor formação intelectual
delineando-se três níveis de educação: elementar, secundária e superior. O
didáscalo era o responsável em ensinar a leitura e a escrita em locais não
definidos e com métodos que dificultam a aprendizagem e por volta dos 13
anos completava-se a educação elementar.
Aqueles que tinham maiores condições de continuar os seus estudos entravam
para a educação secundária ou ginásio onde, inicialmente, eram praticados
os exercícios físicos e musicais, mas com o tempo deu-se lugar as
discussões literárias abrindo espaço para o estudo de assuntos gerais como
a matemática, geometria e astronomia principalmente a partir das
influências dos professores. O termo secundário chegou mais próximo do seu
conceito atual quando foram criadas as bibliotecas e salas de estudos.
Dos 16 aos 18 anos, a educação superior só se dá com os sofistas, que
mediante retribuições elevadas se encarregavam de preparar a juventude
para a oratória. Sócrates, Platão e Aristóteles também ministravam a
educação superior.
Neste contexto não havia uma preocupação com o ensino profissional, pois
estes eram aprendidos no próprio mundo do trabalho com exceção da medicina
que era uma profissão altamente valorizada entre os gregos e que tomavam
como parte integrante da cultura grega.

A EDUCAÇÃO NO
PERÍODO HELENÍSTICO
No final do século IV a. C., inicia-se a decadência das cidades-estados
gregos assim como a sua autonomia e a força da cultura helênica se funde à
das civilizações que a dominam se universaliza e converte-se em
helenísticas; nesse período a antiga Paidéia, torna-se enciclopédia ou
seja, educação geral" consistindo na ampla gama de conhecimentos exigidos
na formação do homem culto diminuindo ainda mais o aspecto físico e
estético.
Nesse período eleva-se o papel do pedagogo com a criação do ensino privado
e o desenvolvimento da escrita, leitura e o cálculo. O conteúdo abrangente
das disciplinas humanistas (gramática, retórica e dialética) e quatro
científicas (aritimética, música, geometria e astronomia). Além do
aperfeiçoamento do estudo da filosofia e, posteriormente, o de teologia na
era cristã.
Inúmeras escolas se espalham e da junção de algumas delas (Academia e
Liceu) é formada a Universidade de Atenas, foco importante de fermentação
intelectual, que perdura inclusive no período de dominação romana.


PERÍODO CLÁSSICO
Atenas havia se tornado o centro da vida social, política e cultural da
Grécia, em virtude do crescimento das cidades, do comércio, do artesanato
e das artes militares. Atenas viva seu momento de maior florescimento da
democracia. "A democracia grega possuía duas características de grande
importância para o futuro da filosofia. Em primeiro lugar, a democracia
afirmava a igualdade de todos os homens adultos perante as leis e o
direito de todos de participar diretamente do governo da cidade, da polis.
Em segundo lugar, e como conseqüência, a democracia, sendo direta e não
por eleição de representantes no governo, garantia a todos a participação
no governo e os que dele participavam tinham direito de exprimir, discutir
e defender em público suas opiniões sobre as decisões que a cidade deveria
tomar. Surgia assim, a figura do cidadão". (CHAUÍ, Marilena. Convite à
Filosofia, p. 36).
Contudo, é bom lembrarmos que as opiniões, não eram simplesmente jogadas
às assembléias e aceitas por elas, era necessário que o cidadão além de
opinar, falar, deveria também buscar persuadir a assembléia, daí o
surgimento de profundas mudanças na educação grega, pois antes da
democracia as famílias aristocratas eram donas não só da terra como também
do poder. A educação possuía um padrão criado por essas famílias que era
baseado nos dois poetas gregos Homero e Hesíodo que afirmava que o homem
ideal era o guerreiro belo e bom.
Entretanto, com a chegada da democracia, o poder sai das mãos da
aristocracia e, "esse ideal educativo vai sendo substituído por outro. O
ideal de educação do Século de Péricles é a formação do cidadão."(IDEM. P.
36)
O cidadão somente se faz cidadão a partir do momento em que exerce seus
direitos de opinar, discutir, deliberar e votar nas assembléias. Dessa
forma, o novo ideal de educação é a formação do bom orador, ou seja,
aquele que saiba falar em público e persuadir os outros na política.
Para suprir a necessidade de dar esse tipo de educação aos jovens em
substituição a educação antiga, surgem os sofistas que foram os primeiros
filósofos do Período Clássico. Em síntese, os sofistas surgem por razões
políticas e filosóficas, entretanto, mais por funções políticas.
Os sofistas foram filósofos que surgiram de várias partes do mundo e não
tinham portanto, uma origem bem definida. "Sofista significa (...) "sábio"
- "professor de sabedoria". (...)[Em] um sentido pejorativo, passa a
significar "homem que emprega sofismas", ou seja, homem que usa de
raciocínio capcioso, de má-fé com intenção de enganar.
Os sofistas contribuíram bastante para a sistematização da educação. Eles
se julgavam sábios, possuidores da sabedoria e como Atenas passava por uma
fase de crescimento cultural e econômico e paralelo a isto, o surgimento
da democracia, os sofistas ensinavam principalmente a retórica, que é a
arte da persuasão, instrumento principal para o cidadão que vivia a
democracia. Contudo, é bom ressaltar que não ensinavam de graça, mas
cobravam, e bem, por seus ensinamentos. Isso teve grande contribuição na
profissionalização da educação.
Entretanto, por cobrarem e se julgarem sábios e possuidores da sabedoria,
foram bastante criticados por Sócrates e seus seguidores, haja vista que
para Sócrates o verdadeiro sábio é aquele que reconhece sua própria
ignorância. Para combater os sofistas, Sócrates desenvolve dois métodos
que são bastantes conhecidos até os dias de hoje: a ironia e a maiêutica.
O primeiro consiste em conduzir, através de questionamentos, o ouvinte que
até o momento está convencido de que domina completamente determinado
conteúdo, de que este não sabe realmente tudo. A partir do momento em que
este se convence disto, Sócrates passa a utilizar o segundo método que é a
maiêutica, que significa dar luz às idéias. Nesse momento o ouvinte
consciente de que não sabe tudo busca saber mais buscando respostas por si
próprio.


A PEDAGOGIA GREGA
O termo pedagogia é de origem grega e deriva da palavra paidagogos, nome
dado aos escravos que conduziam as crianças à escola. Somente com o tempo,
esse termo passa a ser utilizado para designar as reflexões feitas em
torno da educação. Assim, a Grécia clássica pode ser considerada o berço
da pedagogia, até porque é justamente na Grécia que tem início as
primeiras reflexões acerca da ação pedagógica, reflexões que vão
influenciar por séculos a educação e a cultura ocidental.
Os povos orientais acreditavam que a origem da educação era divina. O
conhecimento que circulava na comunidade resumia-se aos seus próprios
costumes e crenças. Essa realidade impedia uma reflexão sobre a educação,
uma vez que esta era rígida e estática, fruto de uma organização social
teocrática. A divindade, portanto, era autoridade máxima, logo, sua
vontade não poderia ser contestada.
Na Grécia Clássica, pelo contrário, a razão autônoma se sobrepõe às
explicações puramente religiosas e místicas. A inteligência crítica, o
homem livre para pensar e formar os juízos a cerca da sua realidade,
preparado não para submeter-se ao destino, mas para influenciar e ser
agente de transformação como cidadão, eis no que resume-se a
revolucionária concepção grega da educação e seus fins.
Dentro dessa nova mentalidade, surgem várias questões cuja reflexão visa
enriquecer os fins da educação. Como por exemplo:
- O que é melhor ensinar ?
- Como é melhor ensinar ?
Essas questões enriquecem as reflexões de vários filósofos e dão origem à
dimensões tendenciosas.
Para entendermos melhor é necessário fazermos a divisão clássica da
filosofia grega, não esquecendo que o eixo central é Sócrates:

Período pré-socrático (Século VII e VII a.C.); os filósofos das colônias
gregas que iniciam o processo de separação entre a filosofia e o
pensamento mítico.
Período socrático (Séculos V e IV a.C.) Sócrates, Platão e Aristóteles.
Os sofistas são contemporâneos de Sócrates e alvos de suas críticas.
Isócrates também é desse período.
Período pós-socrático (Séculos III e II a.C.) época helenística, após a
morte de Alexandre. Fazem parte ainda as correntes filosóficas mais
famosas: o estoicismo e o epicurismo.

PERÍODO PRÉ-SOCRÁTICO
O período pré-socrático inicia-se por volta do século VI a.C., quando
aparecem os primeiros filósofos nas colônias gregas da Jônia e na Magna
Grécia. Podemos dividi-los em várias escolas:
Escola Jônica: fazem parte os seguintes filósofos: Tales, Anaximandro,
Anaxímenes, Heráclito, Empídoeles;
Escola Itálica: Pitágoras;
Escola Eleática: Xenófones, Parmênides, Zenão;
Escola Atomista: Gencipo e Demócrito.
Esse período caracteriza-se como uma nova forma de analisar e ver a
realidade. Antes esta era analisada e entendida, apenas do ponto de vista
mítico, agora é proposto o uso da razão, o que não significa dizer que a
filosofia vem para romper radicalmente com o mito, mas sim para suscitar o
uso da razão no esclarecimento, sobretudo da origem do mundo.
Os antigos relatos míticos da origem, inicialmente transmitidos oralmente
e depois transformados em poemas por Homero e Hesíodo, são questionados
pelos pré-socráticos, cujo objetivo principal é explicar a origem do mundo
a partir do "arché" ou seja, o elemento originário e constitutivo de todas
as coisas.
Nessa busca de desvendar racionalmente a origem, cada um surge com uma
explicação diferente, como por exemplo:
- Tales: a origem é a água;
- Anaxímenes: a origem é o ar;
- Anaximandro: a origem está no movimento eterno que resulta na separação
dos contrários (quente e frio, seco e úmido, etc.)
- Heráclito: tudo muda, tudo flui. A origem reside num constante 'devir".
- Parmênides: A origem está na essência: o que é, é e não pode ser ao
mesmo tempo.
Outra diferença que podemos notar entre a filosofia nascente e as
concepções míticas é que esta era estática, ou seja, não admitia reflexões
ou discordância. A filosofia nascente por sua vez, deixa o espaço livre
para reflexão, daí cada filósofo surgir com uma explicação diferente para
o "arché", ou seja, a origem.
Apesar dessas diferenças, vale ressaltar que não há uma ruptura radical
com o pensamento mítico, permanecendo este, presente em algumas
explicações desses filósofos frente às divindades, uma vez que este não
aceita a interferência dessas nas explicações. Assim, a "phisys"
(natureza)é dessacralizada e todas as afirmações passam a exigir fatos que
justifiquem as idéias expostas.
Toda essa mudança de pensamento é de fundamental importância para o
enriquecimento das reflexões pedagógicas em busca de uma educação ideal
que faça do homem grego senhor de si mesmo, combatendo assim, as velhas
idéias de submissão às explicações puramente mitológicas.

O PENSAMENTO DE PLATÃO
Se Sócrates foi o primeiro grande educador da história, Platão foi o
fundador da teoria da educação, da pedagogia, e seu pensamento foi baseado
na reflexão pedagógica, associada à política.
Platão nasceu em Atenas (428 -347 a.C.) de família nobre. Foi discípulo de
Sócrates, que induziu ao estudo da filosofia. O vigor de seu pensamento
nos faz questionar sempre o que de fato é socrático e que já é sua criação
original.
Para que possamos compreender a proposta de Platão, não podemos
dissociá-la do projeto inicial que é, antes de tudo, político: vejamos
algumas características do pensamento filosófico de Platão.
Platão se preocupou a vida inteira com os problemas políticos. A situação
de seu país, saído de uma tirania, o impede de participar ativamente da
vida política, em compensação, de dica a esta, grande parte de seus
escritos entre eles as obras mestras, A República e as leis.
No livro VII de A República, Platão relata o mito da caverna. A análise
deste mito pode ser feita pelo menos sob dois pontos de vista:
1. Epistemológico (relativo ao conhecimento): compara o acorrentado ao
homem comum que permanece dominado pelos sentidos e só atinge um
conhecimento imperfeito da realidade.
2. Político: quando o homemse liberta dos grilhões é o filósofo,
ultrapassa o mundo sensível e atinge o mudo das idéias, passando da
opinião à essência, deve se dirigir aos homens para orientá-los. Cabe ao
sábio dirigir, sendo-lhe reservada a elevada função da ação política.

A UTOPIA PLATÔNICA
Platão propõe uma utopia, onde são eliminadas a propriedade e a família, e
todas as crianças são criadas pelo estado, pois para Platão, as pessoas
não são iguais, e por isso devem ocupar posições diferentes e serem
educadas de acordo com essas diferenças.
Até os 20 anos, todos merecem a mesma educação. Ocorre o primeiro corte e
definem-se quem tem "alma de bronze", são os grosseiros, devem se dedicar
a agricultura, comércio e ao artesanato.
Mais dez anos de estudo, se dá o segundo corte. Aqueles que tem "alma de
prata". É a virtude da coragem. Serão guerreiros que cuidarão da defesa da
cidade, e a guarda do rei.
Os que sobrarem desses cortes por terem "alma de ouro" serão instruídos na
arte de dialogar e preparados para governar.
Quando analisamos o postulado platônico voltado para sua época, é visível
uma dicotomia na relação corpo e espírito.
Na Grécia Antiga, o cuidado com o aspecto físico do corpo merecia uma
atenção muito especial. No entanto, Platão apesar de reconhecer a
importância atribuída aos exercícios físicos, acreditava que uma outra
educação merecia relevante atenção ao ponto de ser superior às questões
corporais. Trata-se da educação espiritual. No desenvolvimento de seus
argumentos, ao tratar da superioridade da alma sobre o corpo, Platão
explicita que a alma ao ter que possuir um corpo, torna-se degradante.
Para Platão o corpo possui uma alma de natureza inferior que dividida em
duas partes: uma que age irrefletidamente, de maneira impulsiva e outra
voltada para os desejos e bens materiais. Argumenta ainda que todo
problema humano está centrado na tentativa de superar a alma inferior
através da alma superior. Se esta não controlar a alma inferior, o homem
será incapaz de possuir um comportamento moral.
Nesta concatenação está explícito o ideal pedagógico na concepção
platônica. O conhecimento para ele é resultado do lembrar do que a alma
contemplou no mundo das idéias. Nesse sentido a educação consiste no
despertar no indivíduo do que ele já sabe e não no apropriar de um
conhecimento que está fora. Ele enfatiza ainda a necessidade da educação
física no sentido de que esta proporcione ao corpo uma saúde perfeita,
evitando que a fraqueza torne-se um impecílio à vida superior do espírito.
Outro aspecto na pedagogia platônica é a crítica que se faz aos poetas. Na
época, a educação das crianças eram baseadas em poemas heróicos da época,
contudo, ele diz que a poesia deveria ser restrito ao gozo artístico e não
ser usada na educação. Argumenta que ao ser trabalhado uma imitação, como
as dos textos das epopéias, o conhecimento verdadeiro torna-se cada vez
mais distante: "o poeta cria um mundo de mera aparência".
Em Aristóteles (384-332 a.C.)podemos perceber um outro aspecto da
pedagogia grega. Apesar deste ser discípulo de Platão, conseguiu ao longo
do tempo, através de influências, inclusive a do seu pai, superar o que
herdou de seu mestre. Aristóteles desenvolveu, ao contrário de Platão, uma
teoria voltada para o real, onde procurava explicar o movimento das coisas
e a imutabilidade dos conceitos. Trabalho totalmente divergente à
superioridade do mundo das Idéias desenvolvida por Platão.
Em seu raciocínio, ao explicar a imutabilidade dos conceitos, Aristóteles
afirmava que todo ser possui um "suporte aos atributos variáveis", ou
melhor, esse ser ou substância possui variáveis e que essas variáveis são,
em síntese, características que geralmente damos a ele e ressalta que
algumas dessas características assumem valores essenciais no sentido de
que se estas faltarem o ser não será o que é. Por outro lado, existem
outros que são acidentais, uma vez que sua variação necessariamente não
irá alterar a essência do ser. Ex.: velho, novo.
Outros conceitos também são usados por Aristóteles para a explicação do
ser. Conceitos intimamente ligados como forma e matéria são em seu
postulado ricos e, tal explicação, uma vez que ele considera a forma como
princípio inteligível. Uma essência que determina a todos que são o que
são. "Numa estátua por exemplo, a matéria é o mármore; a forma é a idéia
que o escultor realiza".
assim como os pré-socráticos Heráclito e Parmênides, Aristóteles, também
se preocupou com o devir, com o movimento e consequentemente às suas
causas. Ainda se utilizando dos conceitos de forma e matéria, ele
argumenta que tudo tende a atingir a sua forma perfeita, assim uma semente
de uma árvore, tende a se desenvolver e se transformar em uma árvore
novamente. Dessa maneira tudo para Aristóteles tem um devir, um movimento,
uma passagem do que ele chama de potência para o ato.
Aristóteles ao fazer tal abordagem, comenta ainda que o movimento assume
algumas características: movimento qualitativo onde uma dada qualidade é
alternada; movimento quantitativo em que se percebe a variação da matéria
e por fim o movimento substancial onde o que se tem um existência ou
inexistência, o que nasce ou que se destroi.


BIBLIOGRAFIA

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. 1a. Edição. São
Paulo, Moderna. 1989. p. 43-46
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
Introdução à Filosofia. 2a. Ed. São Paulo. Moderna,
1995, p. 68-69.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 3a. Edição, Editora Ática. 1995.
LUZURIAGA, Lorenzo. História da Educação e da Pedagogia. Introdução e
Notas de Luiz Damasceno Plena e J.B Damasco Pena. 16
ed. São Paulo. Editora Nacional, 1985 (Atualidades
Pedagógicas; vol. 59)Voltar...



Nota da ledora - informações úteis: nos exercícios do livro, as lacunas
foram substituídas por abertura e fechamento de parênteses, ex: (). Nos
mesmos exercícios, quando surgem as palavras "grifado" ou "destacado", a
expressão ou palavra, recebeu parênteses visando destacá-la. As notas de
ledora visam transformar informações visuais, através da interpretação da
ledora, em complementação de informação para o leitor; as mesmas serão
sempre precedidas de - nota de ledora, e fim da nota; a ledora pede especial
atenção para a existência de palavras grafadas erradas, na parte de
exercícios, embora a fonética seja parecida com a grafia correta, as vezes a
diferença entre o certo e o errado, é de apenas uma letra. - fim da nota.

Gramática
da Língua
Portuguesa
Pasquale Cipro Neto
&
Ulisses Infante

editora scipione
DIRETORIA
Luiz Esteves Sallum
Vicente Paz Femandez
José Gallafassi Filho
Antonio Carlos Fiore

GERÊNCIA EDITORIAL
Aurelio Gonçalves Filho

RESPONSABILIDADE EDITORiAL
Angelo Alexandref Stefanovits

ASSISTÊNCIA EDITORIAL
Sandra Cristina Fernandez

REVISÃO
chefia - Sãmia Rios
assistência - Miriam de Carvalho Abões
revisão - Sílvia Cunha, Ana Curci e Dráusio de Paula

GERÊNCIA DE PRODUÇÃO
Gil Naddaf

ARTE
coordenação geral - Sérgio Yutaka Suwaki
edição de arte - Didier D. C. Dias de Moraes
coordenação de arte - Ascensión Rojas
assistência - Joseval Souza Fernandes e Hernani R. Alves
capa e miolo - Ulhôa Cintra Comunicação Visual
ilustrações - Vera Basile
pesquisa iconográfica - Angelo Alexandref Stefanovits,
Lourdes Guimarães, Luciano Carvalho e Edson Rosa

COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO
José Antonio Ferraz

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA E FOTOLITO
Reflexo Fotolito Ltda.

IMPRESSÃO E ACABAMENTO
Prol - Editora Gráfica Ltda


Editora Scipione Ltda. MATRIZ
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01501-040 São Paulo SP
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil )
Cipro Neto, Pasquale: Gramática de língua portuguesa, / Pasquale e Ulisses - São
Paulo / Scipione, 1998.
1. Português (2º grau) - Gramática. 2. Português, 2º grau -
gramática - problemas, exercícios, etc. . 3. Português - Gramática - (
Vestibular) . I. Infante, Ulisses. II. Título.
1. Indice de catálogo sistemático, Gramática: Português: Ensino de 2º grau 469.507
1ª edição
2ª impressão
1998.

APRESENTAÇÃO:
A Gramática é instrumento fundamental para o domínio do padrão culto da língua. A
Gramática, e não as gramatiquices. A Gramática que mostra o lado lógico, inteligente,
racional dos processos lingüísticos.

A Gramática que esmiúça a estrutura da frase, do texto. A Gramática que mostra o
porquê.

Para o estudo dos variados tópicos gramaticais, este livro toma como referência a
chamada língua viva - textos de jornais e revistas, mensagens publicitárias, letras de
músicas e obras literárias contemporâneas, sem deixar de lado os clássicos. Boa parte
dos textos foi selecionada durante anos de convivência direta com a língua dos meios de
comunicação.

O aluno pode sempre praticar o que aprendeu, com exercícios estruturais, com análise e
interpretação de textos e com questões dos mais variados e importantes vestibulares de
muitas regiões do país. Queremos que este livro ajude o aluno a desenvolver o senso
crítico necessário para compreender os processos lingüísticos e, com eles - por que não?
-, compreender a realidade.


Os autores

A Paulo Freire, mestre dos mestres




Capítulo 1
Introdução geral 11
1. Língua: conceitos básicos, 12.2. Língua: unidade e variedade, 13.3. História e
geografia da língua portuguesa, 14.4. A Gramática, 16. Divisão da gramática, 16.
Morfossintaxe, 16.

PARTE 1 - FONOLOGIA 17
Capítulo 2

Fonologia 18
1. Conceitos básicos, 18. Atividade, 19.2. Os fonemas da língua portuguesa, 19.3.
Classificação dos fonemas portugueses, 21. Vogais, 21. Semivogais, 22. Consoantes,
23. Atividades, 24.4. Sílabas, 24. 5. Encontros vocálicos, 25.6. Encontros consonantais,
26.7. Dígrafos, 26.8. Divisão silábica, 27. Atividades, 28. Textos para análise, 29.
Questões e testes de vestibulares, 31.
Capítulo 3
Ortografia 33
1. Conceitos básicos, 33.2. O alfabeto português, 34.
3. Orientações ortográficas, 35. Noções preliminares,
35. Alguns fonemas e algumas letras, 35. O fonema /S/
(letra x ou dígrafo ch), 35.0 fonema /F/ (letras g e j)
37. Atividades, 38.0 fonema /z/ (letras s e z), 38.0
fonema /s/ (letras s, c, ç e x ou dígrafos sc, sç, ss, xc e
xs), 40. Ainda a letra x, 41. As letras e e i, 41. As letras
o e u, 42. A letra h, 42. Atividades, 43. Texto para
análise, 44. Questões e testes de vestibulares, 45.

Capítulo 4
Acentuação 49
1. Conceitos básicos, 50.2. Acentuação tônica, 50.
Atividades, 52.3. Acentuação gráfica, 53. Os acentos,
53. Aspectos genéricos das regras de acentuação, 54.
As regras básicas, 55. Atividades, 56. As regras
especiais, 57. Hiatos, 57. Ditongos, 57. Formas verbais
seguidas de pronomes oblíquos, 58. Acentos
diferenciais, 58. Textos para análise, 60. Questões e
testes de vestibulares, 62.


PARTE 2 - MORFOLOGIA Capítulo 5
67
Estrutura e formação das palavras 68
1. Conceitos básicos, 69. Atividade,
70.2. Classificação dos morfemas, 70. Atividade, 72.3. Estudo dos morfemas
ligados às flexões das palavras, 72. Vogais temáticas, 72. Desinências, 73.
Atividade, 75.4. Processos de formação das palavras, 75. Derivação, 76. Derivação
prefixal ou prefixação,
76. Derivação parassintética ou parassíntese, 77, Derivação regressiva, 77.
Derivação imprópria, 78. Prefixos,
79. Atividades, 82. Sufixos, 83. Atividades, 90. Textos para análise, 91.
Composição, 95. Tipos de composição, 95. Atividade, 97. Radicais e compostos
eruditos, 97. Atividades, 103. Outros processos de formação de palavras, 104.
Abreviação vocabular, 104. Siglonimização, 106. Palavra-valise, 107. Onomatopéia,
108. Outros processos de enriquecimento do léxico, 109. Neologismo semântico,
109. Empréstimos lingüísticos, 109. Atividade, 111. Textos para análise, 111.
Questões e testes de vestibulares, 116.

Capítulo 6
Estudo dos verbos (1) 120
1. Introdução, 122.2. Conceito, 122.3. Estrutura das formas verbais, 123.4. Flexões
verbais, 124. Flexão de número e pessoa, 124. Flexão de tempo e modo, 125. Flexão de
voz, 126. Atividades, 127.5. Conjugações, 128. Paradigmas dos verbos regulares, 128.
Atividades, 133.6. Formação dos tempos simples, 134. Tempos derivados do presente
do indicativo, 135. Atividades, 136. Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo,
136. Atividades, 137. Tempos e formas nominais derivados do infinitivo impessoal, 138.
Atividades, 140.7. Alguns verbos regulares que merecem destaque, 140. Atividades,
143. Textos para análise, 144. Questões e testes de vestibulares, 145.

Capítulo 7
Estudo dos verbos (II) 149
1. Introdução, 150.2. Verbos irregulares, 150. Verbos irregulares apenas na
conjugação do presente do indicativo e tempos derivados, 150. Atividades, 156.
Verbos irregulares no presente e no pretérito perfeito do indicativo e


respectivos tempos derivados, 158. Atividades, 168.3. Verbos defectivos,
171. Primeiro grupo, 171. Segundo grupo, 172.4. Verbos abundantes, 174.
Atividades, 175.5. As particularidades da conjugação dos verbos e os dicionários,
176. Textos para análise, 177. Questões e testes de vestibulares, 180.

Capítulo 8
Estudo dos verbos (III) 187
1. Os modos verbais, 188. Atividade, 188.2. Os tempos verbais, 189. Os tempos do
indicativo, 189. Presente, 189. Pretérito imperfeito, 190. Pretérito perfeito, 191.
Pretérito mais-que-perfeito, 191. Futuro do presente, 192. Futuro do pretérito, 192.
Atividades, 193. Os tempos do subjuntivo, 194. Presente, 194. Pretérito imperfeito,
194. Pretérito perfeito, 195. Pretérito mais-que-perfeito, 195. Futuro, 195.
Atividades, 196.3. Valor e emprego das formas nominais, 197. O infinitivo, 197. O
particípio, 197.0 gerúndio, 198.4. As locuções verbais, 199.5. O aspecto verbal,
200. Atividades, 202. Texto para análise, 203. Questões e testes de vestibulares,
204.

Capítulo 9 - Estudo dos substantivos 211
1. Conceito, 211.2. Classificação, 212. Substantivos simples e compostos, 212.
Substantivos primitivos e derivados, 212. Substantivos concretos e abstratos,
213. Substantivos comuns e próprios, 214. Substantivos coletivos, 214.
Atividades, 217.3. Flexões, 218. Flexão de gênero, 218. Formação do feminino, 218.
Substantivos biformes, 218. Substantivos comuns-de-dois ou comuns de dois
gêneros, 220. Substantivos sobrecomuns e epicenos, 221. Substantivos de
gênero vacilante, 222. Gênero e mudança de significado, 222. Atividades, 223.
Flexão de número, 224. Formação do plural, 224. Substantivos simples, 224.
Substantivos compostos, 228. Atividades, 230. Flexão de grau, 231. Formação do
grau, 231. Atividades, 232. Textos para análise, 233. Questões e testes de
vestibulares, 236.

Capítulo 10
Estudo dos artigos 239
1. Conceito, 240.2. Classificação, 240. 3. Combinações dos artigos, 241. Atividades,
241. Textos para análise, 242. Questões e testes de vestibulares, 243.

Capítulo 11
Estudo dos adjetivos 244
1. Conceito, 245.2. Classificação, 245. Adjetivos pátrios, 246. Atividades, 250.3.
Correspondência entre adjetivos e locuções adjetivas, 252. Atividades, 254.
4. Flexões, 255. Flexão de gênero, 255. Adjetivos biformes, 255. Adjetivos
uniformes, 256. Flexão de número, 257. Flexão de grau, 258. Comparativo, 258.
Superlativo, 258. Atividades, 261. Textos para análise, 263. Questões e testes de
vestibulares, 266.

Capítulo 12
Estudo dos advérbios 269
1. Introdução, 269.2. Conceito, 270.3. Classificação, 271.4. Flexão, 273. Grau
comparativo, 273. Grau superlativo, 274. Atividades, 274. Textos para análise, 276.
Questões e testes de vestibulares, 277.

Capítulo 13
Estudo dos pronomes 280
1. Conceito, 281.2. Pronomes pessoais, 281. Pronomes pessoais do caso reto,
282. Pronomes pessoais do caso oblíquo, 282. A segunda pessoa indireta, 284.
Atividades, 286.3. Pronomes possessivos, 288. 4. Pronomes demonstrativos, 289.
Atividades, 292.5. Pronomes relativos, 293. Atividades, 296.6. Pronomes
indefinidos, 296.7. Pronomes interrogativos, 298. Atividades, 299. Textos para
análise, 299. Questões e testes de vestibulares, 301.


Capítulo 14
Estudo dos numerais 308
1. Conceito, 308.2. Quadros de numerais, 309.3. Flexões, 311.4. Emprego, 312.
Atividades, 313. Textos para análise, 314. Questões e testes de vestibulares, 316.

Capítulo 15
Estudo das preposições 317
1. Conceito, 317.2. Classificação, 318.3. Combinações e contrações, 319.
Atividades, 320. Textos para análise, 321. Questões e testes de vestibulares, 322.

Capítulo 16
Estudo das conjunções 325
1. Conceito, 325.2. Classificação, 326. Atividades, 327. Textos para análise, 328.
Questões e testes de vestibulares, 329.

Capítulo 17
Estudo das interjeições 333
1. Conceito, 333. Atividades, 335. Textos para análise, 336.
338

PARTE 3 - SINTAXE 339
Capítulo 18
Introdução à Sintaxe 340
1. Frase, oração, período, 340.2. Tipos de frases, 341.
Atividades, 342.3. As frases e a pontuação, 343.
Atividades, 345.

Capítulo 19
Termos essenciais da oração 347
1. Conceitos, 348. Atividades, 351.2. Tipos de
sujeito, 352. Sujeito determinado, 352. Sujeito
indeterminado, 353. Orações sem sujeito, 354.
Atividades, 355.3. Tipos de predicado, 356.
Predicado verbal, 357. Predicado nominal, 357.
Predicado verbo-nominal, 358. Atividades, 359.4. Os
termos essenciais e a pontuação, 359. Atividades,
361. Textos para análise, 362. Questões e testes de vestibulares, 365.

Capítulo 20
Termos integrantes da oração 371
1. Os complementos verbais, 372. Atividades, 375.2. O complemento nominal,
376. Atividades, 377. 3.0 agente da passiva, 377. As vozes verbais, 378.
Atividades, 381.4. Os termos integrantes e a pontuação, 383. Atividades, 384.
Textos para análise, 385. Questões e testes de vestibulares, 386.

Capítulo 21
Termos acessórios da oração e vocativo 393
1. Adjunto adverbial, 394. Atividades, 397.2. Adjunto adnominal, 397.
Atividades, 399.3. Aposto, 400.4. O vocativo, 401. Atividade, 402.5. Os termos
acessórios, o vocativo e a pontuação, 402. Atividade, 404. Textos para análise,
404. Questões e testes de vestibulares, 406.

Capítulo 22
Orações subordinadas substantivas 411
1. Conceitos básicos, 412. Atividades, 413.2. Tipos de orações subordinadas, 414.
Atividade, 416.3. Estudo das orações subordinadas substantivas, 416. Subjetivas,
416. Objetivas diretas, 418. Objetivas indiretas, 418. Completivas nominais, 419.
Predicativas, 419. Apositivas, 419. Atividades, 419.4. Pontuação das subordinadas
substantivas, 420. Atividade, 421. Textos para análise, 422. Questões e testes de
vestibulares, 424.

Capítulo 23
Orações subordinadas adjetivas 428
1. Estrutura das orações subordinadas adjetivas, 429.
Atividade, 430.2. Aspectos semânticos: orações
restritivas e explicativas, 430. Atividade, 432.
3. Pronomes relativos: usos e funções, 433. Que, 433.
Quem, 434. O qual, os quais, a qual, as quais, 434.
Cujo, cuja, cujos, cujas, 434. Onde, 435. Quanto,
como, quando, 436. Atividades, 436.4. As orações
subordinadas adjetivas e a pontuação, 438.
Atividades, 439. Textos para análise, 439. Questões e
testes de vestibulares, 443.

Capítulo 24
Orações subordinadas adverbiais 449
1. Introdução, 450. Atividade, 450.2. Aspectos semânticos: as circunstâncias, 450.
Causa, 451. Conseqüência, 451. Condição, 451. Concessão, 452. Atividades, 453.
Comparação, 454. Conformidade, 454. Finalidade, 454. Proporção, 455. Tempo,
455. Atividades, 456.3. As orações subordinadas adverbiais e a pontuação, 458.
Atividade, 458. Textos para análise, 459. Questões e testes de vestibulares, 460.

Capítulo 25
Orações coordenadas 466
1. Introdução, 466.2. Orações sindéticas e assindéticas, 466.3. Classificação das
orações coordenadas sindéticas, 467. Aditivas, 467. Adversativas, 468.
Alternativas, 468. Conclusivas, 469. Explicativas, 469. Atividades, 470.4. As
orações coordenadas e a pontuação, 471. Atividade, 473. Textos para análise, 473.
Questões e testes de vestibulares, 475.

Capítulo 26
Concordância verbal e nominal 479
1. Concordância verbal, 479. Regras básicas: sujeito composto, 480. Atividades,
481. Casos de sujeito simples que merecem destaque, 481. Atividades, 485. Casos
de sujeito composto que merecem destaque, 486. Atividade, 487. O verbo e a
palavra se, 488. Concordância com verbos de particular interesse, 489. Haver e
fazer, 489. Ser, 489. Atividades, 491. Flexão do infinitivo, 491. Atividade, 494.
2. Concordância nominal, 494. Regras básicas, 494. Atividades, 496. Expressões
e palavras que merecem estudo particular, 497. Atividades, 498.3. Concordância
ideológica, 499. Atividade, 500. Textos para análise, 500. Questões e testes de
vestibulares, 503.

Capítulo 27
Regência verbal e nominal 512
1. Introdução, 512.2. Regência verbal, 513. Verbos intransitivos, 513. Verbos
transitivos diretos, 514. Verbos transitivos indiretos, 514. Atividades, 516. Verbos
indiferentemente transitivos diretos ou indiretos, 516. Verbos transitivos diretos e
indiretos, 518. Atividades, 519. Verbos cuja mudança de transitividade implica
mudança de significado, 520. Atividades, 524. Regência nominal, 525. Atividades,
527.4. Complemento: o uso do acento indicador de crase, 528. Atividades, 533.
Textos para análise, 534. Questões e testes de vestibulares, 536.
PARTE 4 - APÊNDICE
Capítulo 28
Problemas gerais da língua culta 544
1. Introdução, 544.2. Forma e grafia de algumas palavras e expressões, 545. Que
/ quê, 545. Por que / por quê / porque! porquê, 545. Onde! aonde, 546. Mas /
mais, 547. Mal / mau, 547. A par! ao par, 548. Ao encontro de/de encontro a,
548. A! há na expressão de tempo, 548. Acerca de / há cerca de, 549. Afim / a
fim, 549. Demais/de mais, 549. Senão! se não, 550. Na medida em que! à
medida que, 550. Atividades, 550.3. O uso do hífen, 552. Palavras compostas,
553. Prefixos e elementos de composição, 554. Atividades, 557.4. Colocação dos
pronomes pessoais oblíquos átonos, 557. Textos para
análise, 559. Questões e testes de vestibulares, 561.
Capitulo 29
Significação das palavras 565
Relações de significado entre as palavras, 565.
Atividades, 567. Textos para análise, 567. Questões e
testes de vestibulares, 569.

Capitulo 30
Noções elementares de Estilística 571
1. Recursos fonológicos, 572.2. Recursos morfológicos,
573.3. Recursos sintáticos, 573.4. Recursos semânticos,
574. Textos para análise, 575. Questões e testes de
vestibulares, 579.

*********

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO GERAL
11


- nota da ledora: dois terços da página são ocupados pela fotografia de um quadro,
com uma maçã, pintada, e a legenda em francês: Ceci n'est pas une pomme. - fim
da nota da ledora.


O título deste quadro de René Magritte - Isto não é uma maçã (1964) - destaca o
fato de que a sua obra constitui uma mera representação pictórica da realidade,
não devendo ser confundida com a própria fruta.
Nesta introdução, estudaremos, entre outros tópicos, o signo lingüístico, a
representação verbal dos elementos do mundo. Tais signos devem ser combinados
segundo regras convencionais para cumprir sua missão comunicativa.

1. Língua: CONCEITOS BÁSICOS
Na origem de toda a atividade comunicativa do ser humano está a linguagem, que
é a capacidade de se comunicar por meio de uma língua. Língua é um sistema de
signos convencionais usados pelos membros de uma mesma comunidade. Em
outras palavras: um grupo social convenciona e utiliza um conjunto organizado
de elementos representativos.

Um signo lingüístico é um elemento representativo que apresenta dois aspectos:
um significante e um significado, unidos num todo indissolúvel. Ao ouvir a palavra
árvore, você reconhece os sons que a formam. Esses sons se identificam com a
lembrança deles que está presente em sua memória. Essa lembrança constitui
uma verdadeira imagem sonora, armazenada em seu cérebro - é o significante do
signo árvore. Ao ouvir essa palavra, você logo pensa num "vegetal lenhoso cujo
caule, chamado tronco, só se ramifica bem acima do nível do solo, ao contrário do
arbusto, que exibe ramos desde junto ao solo". Esse conceito, que não se refere a
um vegetal particular, mas engloba uma ampla gama de vegetais, é o significado
do do signo árvore - e também se encontra armazenado em seu cérebro.

Ao empregar os signos que formam a nossa língua, você deve obedecer a certas
regras de organização que a própria língua lhe oferece. Assim, por exemplo, é
perfeitamente possível antepor-se ao signo árvore o signo uma, formando a
seqüência uma árvore. Já a seqüência um árvore contraria uma regra de
organização da língua portuguesa, o que faz com que a rejeitemos. Perceba, pois,
que os signos que constituem a língua obedecem a padrões determinados de
organização. O conhecimento de uma língua engloba não apenas a identificação
de seus signos, mas também o uso adequado de suas regras combinatórias.

Como a língua é um patrimônio social, tanto os signos como as formas de
combiná-los são conhecidos e acatados pelos membros da comunidade que a
emprega. Individualmente, cada pessoa pode utilizar a língua de seu grupo social
de uma maneira particular, personalizada, desenvolvendo assim a fala (não
confunda com o ato de falar; ao escrever de forma pessoal e única você também
manifesta a sua fala, no sentido científico do termo). Por mais original e criativa
que seja, no entanto, sua fala deve estar contida no conjunto mais amplo que é a
língua portuguesa; caso contrário, você estará deixando de empregar a nossa
língua e não será mais compreendido pelos membros da nossa comunidade.

Estudar a língua portuguesa é tornar-se apto a utilizá-la com eficiência na
produção e interpretação dos textos com que se organiza nossa vida social. Por
meio desses estudos, amplia-se o exercício de nossa sociabilidade - e,
conseqüentemente, de nossa cidadania, que passa a ser mais lúcida. Ampliam-se
também as possibilidades
CAPíTULO 1
12 INTRODUÇÃO GERAL

- nota da ledora: quadro em destaque na página:
Linguagem - capacidade humana de comunicar por meio de uma língua. Língua -
conjunto de signos e formas de combinar esses signos partilhado pelos membros
de uma comunidade. Signo - elemento representativo; no caso do signo
lingüístico, é a união indissolúvel de um significante e um significado. Fala - uso
individual da língua, aberto à criatividade e ao desenvolvimento da liberdade de
compreensão e expressão.

- nota da ledora: fim da nota e do quadro de destaque, na página.

dades de fruição dos textos, seja pelo simples prazer de saber produzi-los de
forma bem-feita, seja pela leitura mais sensível e inteligente dos textos literários.
Conhecer bem a língua em que se vive e pensa é investir no ser humano que você
é.

2. Língua: UNIDADE E VARIEDADE
Vários fatores podem originar variações lingüísticas:
a) geográficos - há variações entre as formas que a língua portuguesa assume nas
diferentes regiões em que é falada. Basta pensar nas evidentes diferenças entre o
modo de falar de um lisboeta e de um carioca, por exemplo, ou na expressão de
um gaúcho em contraste com a de um mineiro, como observamos nos anúncios
abaixo. Essas variações regionais constituem os falares e os dialetos.
- nota da ledora: na página, dois desenhos de propaganda de um Guia da Fiat, um
dirigido ao Rio Grande do Sul, com o seguinte texto : É um baita guia , Tchê; o outro,
dirigido a Minas Gerais, com o seguinte texto : Estava na hora de Minas ter um trem
destes. - fim da nota da ledora.


b) sociais - o português empregado pelas pessoas que têm acesso à escola e aos
meios de instrução difere do português empregado pelas pessoas privadas de
escolaridade. Algumas classes sociais, assim, dominam uma forma de língua que
goza de prestígio, enquanto outras são vitimas de preconceito por empregarem
formas de língua menos prestigiadas. Cria-se, dessa maneira, uma modalidade de
língua a norma culta -, que deve ser adquirida durante a vida escolar e cujo
domínio é solicitado como forma de ascensão profissional e social. O idioma é,
portanto, um instrumento de dominação e discriminação social.
Também são socialmente condicionadas certas formas de língua que alguns
grupos desenvolvem a fim de evitar a compreensão por parte daqueles que não
fazem parte do grupo.


CAPíTULO 1
INTRODUÇÃO GERAL
13

O emprego dessas formas de língua proporciona o reconhecimento fácil dos
integrantes de uma comunidade restrita, seja um grupo de estudantes, seja uma
quadrilha de contrabandistas. Assim se formam as gírias, variantes lingüísticas
sujeitas a contínuas transformações.
c) profissionais - o exercício de algumas atividades requer o domínio de certas
formas de língua chamadas línguas técnicas. Abundantes em termos específicos,
essas variantes têm seu uso praticamente restrito ao intercâmbio técnico de
engenheiros, médicos, químicos, lingüistas e outros especialistas.

d) situacionais em diferentes situações comunicativas, um mesmo indivíduo
emprega diferentes formas de língua. Basta pensar nas atitudes que assumimos
em situações formais (por exemplo, um discurso numa solenidade de formatura>
e em situações informais (uma conversa descontraída com amigos, por exemplo).
A fala e a escrita também implicam profundas diferenças na elaboração de men-
sagens. A tal ponto chegam essas variações, que acabam surgindo dois códigos
distintos, cada qual com suas especificidades: a língua falada e a língua escrita.
- nota da ledora: quadro em destaque, na página, ilustrado com uma caricatura de
Fernando Pessoa, por Loredano. - fim da nota da ledora.
A língua literária : Quando o uso da língua abandona as necessidades estritamente
práticas do cotidiano comunicativo e passa a incorporar preocupações estéticas,
surge a língua literária. Nesse caso, a escolha e a combinação dos elementos
lingüísticos, subordinam-se a atividades criadoras e imaginativas. Código e mensagens
adquirem uma importância elevada, deslocando o centro de interesse para aquilo que a
língua é em detrimento daquilo para que ela serve. Isso ocorre, por exemplo, nos
seguintes versos de Fernando Pessoa:
"O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os ceus
É um mito brilhante e mudo
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo."


3. HISTÓRIA E GEOGRAFIA DA LÍNGUA PORTUGUESA:
A formação, o desenvolvimento e a expansão da língua portuguesa estão
obviamente vinculados à história dos povos que a criaram e ainda hoje a
empregam e transformam.
O português é uma língua neolatina, novilatina ou românica, pois foi formado a partir
das transformações verificadas no latim levado pelos dominadores romanos à
região da Península Ibérica. Em seu desenvolvimento histórico, podem ser
apontados os seguintes períodos:
a) protoportuguês - do século IX ao século XII. A documentação desse período é
muito rara: são textos redigidos em latim bárbaro, nos quais se encontram
algumas palavras portuguesas;

b) português histórico - do século XII aos dias atuais. Esse período subdivide-se em
duas fases:

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO GERAL
14


- fase arcaica: do século XII até ao século XV. Nessa fase, houve inicialmente uma
língua comum ao noroeste da Península Ibérica (regiões da Galiza e norte de
Portugal), o galego-português ou galaico-português, fartamente documentado em
textos que incluem uma literatura de elevado grau de elaboração (a lírica galego-
portuguesa). Com a separação política de Portugal e sua posterior expansão para
o sul, o português e o galego se foram individualizando, transformando-se o
primeiro numa língua nacional e o segundo num dialeto regional.
- fase moderna: do século XVI aos dias atuais. Devemos distinguir o português
clássico (séculos XVI e XVII) do português pós-clássico (do século XVIII aos nossos
dias). Na época do português clássico, tiveram início os estudos gramaticais e
desenvolveu-se uma extensa literatura, em grande parte influenciada por modelos
latinos. No período pós-clássico, a língua começou a assumir as características
que hoje apresenta.
A partir do século XV, as navegações portuguesas iniciaram um longo processo
de expansão lingüística. Durante alguns séculos, a língua portuguesa foi sendo
levada a várias regiões do planeta por conquistadores, colonos e emigrantes.
Atualmente, a situação do português no mundo é aproximadamente a seguinte:
a) em alguns países, é a língua oficial, o que lhe confere unidade, apesar da
existência de variações regionais e da convivência com idiomas nativos. Incluem-
se nesse caso o Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo
Verde, São Tomé e Príncipe.
b) em regiões da Ásia (Macau, Goa, Damão, Diu) e da Oceania (Timor), é falado por
uma pequena parcela da população ou deu origem a dialetos.

- nota da ledora: nesta página, representação cartográfica dos países que falam
português, - fim da nota da ledora.
CAPITULO 1
INTRODUÇÃO GERAL
15

4. Gramática é uma palavra de origem grega formada a partir de grámma, que quer
dizer letra. Originalmente, Gramática era o nome das técnicas de escrita e leitura.
Posteriormente, passou a designar o conjunto das regras que garantem o uso
modelar da língua a chamada Gramática normativa, que estabelece padrões de
certo e errado para as formas do idioma. Gramática também é, atualmente, a
descrição científica do funcionamento de uma língua. Nesse caso, é chamada de
Gramática descritiva.

A Gramática normativa estabelece a norma culta, ou seja, o padrão lingüístico que
socialmente é considerado modelar e é adotado para ensino nas escolas e para a
redação dos documentos oficiais.
Há línguas que não têm forma escrita, como algumas línguas indígenas
brasileiras. Nesses casos, o conhecimento lingüístico é transmitido oralmente. As
línguas que têm forma escrita, como é o caso do português, necessitam da
Gramática normativa para que se garanta a existência de um padrão lingüístico
uniforme no qual se registre a produção cultural. Conhecer a norma culta é,
portanto, uma forma de ter acesso a essa produção cultural e à linguagem oficial.


DIVISÃO DA GRAMÁTICA

Divide-se a Gramática em:
a) Fonologia - estuda os fonemas ou sons da língua e a forma como esses
fonemas dão origem às sílabas. Fazem parte da Fonologia a ortoepia ou ortoépia
(estudo da articulação e pronúncia dos vocábulos), a prosódia (estudo da
acentuação tônica dos vocábulos) e a ortografia (estudo da forma escrita das
palavras).

b) Morfologia estuda as palavras e os elementos que as constituem. A Morfologia
analisa a estrutura, a formação e os mecanismos de flexão das palavras, além de
dividi-las em classes gramaticais.

c) Sintaxe - estuda as formas de relacionamento entre palavras ou entre orações.
Divide-se em sintaxe das funções, que estuda a estrutura da oração e do período,
e sintaxe das relações, a qual inclui a regência, a colocação e a concordância.


Morfossintaxe
A classificação morfológica de uma palavra só pode ser feita eficientemente se se
observar sua função nas orações. Esse fato demonstra a profunda interligação
existente entre a morfologia e a sintaxe. É por isso que se tem preferido falar
atualmente em morfossintaxe, ou seja, a apreciação conjunta da classificação
morfológica e da função sintática das palavras. O enfoque morfossintático da
língua portuguesa será prioritário neste livro, uma vez que facilita a compreensão
de muitos mecanismos da língua.

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO GERAL
16

*********

Capítulo 2
FONOLOGIA
18


- nota da ledora: um terço da página está ocupado por um anúncio ecológico,
português, sobre a visitação de verão aos parques, com os seguintes termos:
Troque as bichas pelos bichos. ( no cartaz, o desenho de um esquilo ) - fim da
nota da ledora.


Neste capítulo, estudaremos basicamente os fonemas, que são as menores
unidades lingüísticas capazes de estabelecer diferenças de significado.
Com apenas uma troca de fonema, cria-se uma palavra totalmente distinta, como
no anúncio acima: bichas torna-se bichos. (Em tempo: em Portugal, bichas
significa "filas"; o parque convida os habitantes da cidade a trocar as irritações
da vida urbana pelo sossego da vida em meio à natureza.)

1. CONCEITOS BÁSICOS
Fonologia é uma palavra formada por elementos gregos: fono ("som", "voz") e log,
logia ("estudo", "conhecimento"). Significa literalmente "estudo dos sons". Os
sons que essa parte da Gramática estuda são os fonemas (fono + -ema, "unidade
distintiva"). Para compreender claramente o que é um fonema, compare as
palavras abaixo:
solitário solidário

Lendo em voz alta as duas palavras, você percebeu que cada uma das letras
destacadas (t e d) representa um som diferente. Como as palavras têm
significados diferentes e a única diferença sonora que apresentam é a provocada
por esses dois sons, somos levados a concluir

CAPÍTULO 2
FONOLOGIA
18


que o contraste entre esses dois sons é que produz a diferença de significado
entre as duas palavras. Cada letra representa, no caso, um fonema, ou seja, uma
unidade sonora capaz de estabelecer diferenças de significado.
Em outras palavras, os fonemas são os sons característicos de uma determinada lín-
gua. Com um número relativamente pequeno desses sons, cada língua é capaz de
produzir milhares de palavras e infinitas frases.
Observe que falamos em sons representados pelas letras. Isso porque não se
devem confundir fonemas e letras: os fonemas são sons; as letras são sinais
gráficos que procuram representar esses sons. Essa representação, no entanto,
nem sempre é perfeita:
a) há casos em que a mesma letra representa fonemas diferentes (como a letra g,
em galeria e ginástica);
b) há fonemas representados por letras diferentes (como o fonema que as letras g
e j representam em ginástica e jiló);
c) há fonemas representados por mais de uma letra (como em barra ou assar);
d) há casos em que uma letra representa dois fonemas (como o x de anexo, que
soa "ks");
e) há casos em que a letra não corresponde a nenhum fonema (o h de hélice, por
exemplo).
Para evitar dúvidas, acostume-se a ler as palavras em voz alta quando estiver
estudando Fonologia. Afinal, o que interessa nesse caso é o aspecto sonoro
dessas palavras.
- nota da ledora: quadro em destaque, na página:
Fonologia - parte da Gramática que estuda os fonemas.
Fonemas - unidades sonoras capazes de estabelecer diferenças de significado.
Letras - sinais gráficos criados para a representação escrita das línguas. Não
devem ser confundidas com os fonemas, que são sons.

ATIVIDADE
Leia em voz alta as palavras abaixo e depois diga quantas letras e quantos
fonemas possui cada uma delas:
a) hora b) acesso c) arrastar d) tóxico
e) distinguir f) querer g) água h) quarto
i) banho j) obsessão l) obcecado m) queijinho

2. OS FONEMAS DA LÍNGUA PORTUGUESA
Como não há necessariamente correspondência entre as letras e os fonemas, foi
criado um sistema de símbolos em que a cada fonema corresponde apenas um
símbolo. Esse sistema é o alfabeto fonético, muito usado no ensino de línguas
para indicar a forma de pronunciar as palavras.
CAPÍTULO 2
FONOLOGIA
19

- nota da ledora: fotografia do Coliseum, em Roma, com legenda em italiano ( com
tipos minúsculos, e pequena legenda do postal em português: - fim da nota da
ledora.
Como vemos neste dicionário de italiano, os símbolos fonéticos são usados para
indicar a pronúncia das palavras. Em homenagem a este verbete, mostramos ao
lado o Coliseu, uma das principais atrações turísticas de Roma, capital da Itália.

A língua portuguesa do Brasil apresenta um conjunto de 33 fonemas, que podem
ser identificados no quadro abaixo. A cada um deles corresponde um único
símbolo escrito do alfabeto fonético. Por convenção, esses símbolos são
colocados entre barras oblíquas.

FONEMAS DA LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL E SUA TRANSCRIÇÃO
FONOLÓGICA, consoantes:
Símbolo Exemplo Transcrição fonológica
/p/ paca /paka/
/b/ bula /bula/
/t/ tara /tara/
/d/ data /data/
/k/ cara, quero /kara/, /kero/
/g/ gola, guerra /gola/, /gera/
IfI faca /faka/
/v/ vala /vala/
/s/ sola, assa, moça /sola/, /asa/, /mosa/
/z/ asa, zero /aza/, /zero/
/s/ - nota da ledora: símbolo representado por uma letra esse alongada,
mecha, xá, /mesa/, /sa/
/z/ - nota da ledora: símbolo representado por uma letra zê, de zebra,
alongada, lembrando um caractere grego. jaca, gela /jaka/, /gela/
/m/ mola /mola/
/n/ nata /nata/
InI - nota da ledora: letra ene, com a perninha da esquerda mais alongada
para baixo, caractere estranho ) ninho /nino/
/l/ lata /lata/
/Ã/ - nota da ledora: este símbolo apresenta-se bastante assemelhado à
letra A maiúscula, com til, ou com um símbolo de Pi, grego, porém não é conhecido
pela ledora. calha /kaÃa/
/r/ Mara /mara/
/R/ rota, carroça /Rota/ , /kaRoja

semivogais:
cai, põe /kaj/, /pôj/
vogais pau, pão /paw/, /pãw/

CAPITULO 2
FONOLOGIA
20

Símbolo Exemplo Transcrição fonológica
/a/ cá /ka/
/e/ mel /mel/
/e/ seda /seda/
/i/ rica /Rika/

/s/ sola /ssla/

/o/ soma /soma/

lul gula /gula/
/ã/ manta, maçã /manta/, /maçã/
/e - til / tenda /t -til - da/
/I - til / cinta /sínta/
/õ/ conta, põe /kõta", /pôj/
/u - til / fundo /fu~do/

- nota da ledora: a ledora acredita que os fonemas não serão bem traduzidos pelo
sistema de sintetizador de voz, devido à grafia que é utilizada para descrevê-los, melhor
sistema seria o próprio leitor pronunciar as palavras e observar os sons produzidos
pelas mesmas. - fim da nota da ledora.


Observação: O uso dos símbolos para transcrição fonológica permite-nos perceber
com clareza alguns problemas da relação entre fonemas e letras. Note, por exemplo,
como o símbolo /k/ transcreve como um mesmo fonema o som representado pela letra
c em cara e pelas letras qu em quero.


Os fonemas da língua portuguesa são classificados em vogais, semivogais e con-
soantes. Esses três tipos de fonemas são produzidos por uma corrente de ar que pode
fazer vibrar ou não as cordas vocais. Quando ocorre vibração, o fonema é chamado
sonoro; quando não, o fonema é surdo. Além disso, a corrente de ar pode ser liberada
apenas pela boca ou parcialmente também pelo nariz. No primeiro caso, o fonema é
oral; no segundo, é nasal.

Vogais

As vogais são fonemas sonoros produzidos por uma corrente de ar que passa livre-
mente pela boca. Em nossa língua, desempenham o papel de núcleo das sílabas. Em
termos práticos, isso significa que em toda sílaba há necessariamente uma única vogal.
As diferentes vogais resultam do diferente posicionamento dos músculos bucais (lín-
gua, lábios e véu palatino). Sua classificação é feita em função de diversos critérios:
a) quanto à zona de articulação, ou seja, de acordo com a região da boca em que se dá
a maior elevação da língua; assim, podem ser anteriores, centrais e posteriores;
b) pela elevação da região mais alta da língua; podem ser altas, médias e baixas;
c) quanto ao timbre; podem ser abertas ou fechadas.

CAPÍTULO 2
FONOLOGIA
21

Além desses critérios, as vogais podem ser orais ou nasais. Todos os fonemas
vocálicos são sonoros.
O quadro abaixo apresenta a classificação das vogais portuguesas de acordo
com esses critérios.

CLASSIFICAÇÃO DAS VOGAIS
Anteriores Centrais Posteriores
- nota da ledora: representação esquemática de sons provocados pelos fonemas, já
descritos na página anterior. - fim da nota da ledora.
Semivogais
Há duas semivogais em português, representadas pelos símbolos /j/ e /w/ e
produzidas de forma semelhante às vogais altas /i/ e /u/. A diferença fundamental
entre as vogais e as semivogais está no fato de que estas últimas não
desempenham o papel de núcleo silábico. Em outras palavras: as semivogais
necessariamente acompanham alguma vogal, com a qual formam sílaba.
As letras utilizadas para representar as semivogais em português são utilizadas
também para representar vogais, o que cria muitas dúvidas. A única forma de
diferenciá-las efetivamente é falar e ouvir as palavras em que surgem:
país - pais baú - mau
Em país e baú, as letras i e u representam respectivamente as vogais /i/ e /u/. Já em
pais e mau, essas letras representam as semivogais /j/ e /w/. Isso pode ser
facilmente percebido se você observar como a articulação desses sons é
diferente em cada caso; além disso, observe que país e baú têm ambas duas
sílabas, enquanto pais e mau têm ambas uma única sílaba.
Em algumas palavras, encontramos as letras e e o representando as semivogais:
mãe (/mãj/)
pão (/pãw/)
- nota da ledora: foto de uma camiseta com a seguinte legenda, estampada na mesma:
São Paulo comeu a bola. São Paulo campeão do mundo. - fim da nota da ledora.
Na palavra São, vemos um caso em que a semivogal /w/ é representada pela letra o.

Capítulo 2
Fonologia
22


Consoantes
Para a produção das consoantes, a corrente de ar expirada pelos pulmões
encontra obstáculos ao passar pela cavidade bucal. Isso faz com que as
consoantes sejam verdadeiros "ruídos", incapazes de atuar como núcleos
silábicos. Seu nome provém justamente desse fato, pois, em português, sempre
soam com as vogais, que são os núcleos das sílabas.
A classificação das consoantes baseia-se em diversos critérios:
a) modo de articulação - indica o tipo de obstáculo encontrado pela corrente de ar
ao passar pela boca. São oclusivas aquelas produzidas com obstáculo total; são
constritivas as produzidas com obstáculo parcial. As constritivas se subdividem
em fricativas (o ar sofre fricção), laterais (o ar passa pelos lados da cavidade bucal)
e vibrantes (a língua ou o véu palatino vibram);
b) ponto de articulação - indica o ponto da cavidade bucal em que se localiza o
obstáculo à corrente de ar. As consoantes podem ser bilabiais (os lábios entram
em contato), labiodentais (o lábio inferior toca os dentes incisivos superiores),
linguodentais (a língua toca os dentes incisivos superiores), alveolares (a língua
toca os alvéolos dos incisivos superiores), palatais (a língua toca o palato duro ou
céu da boca) e velares (a língua toca o palato mole, ou véu palatino);
c) as consoantes podem ser surdas ou sonoras, de acordo com a vibração das
cordas vocais, e ainda orais ou nasais, de acordo com a participação das
cavidades bucal e nasal no seu processo de emissão.
O quadro abaixo reúne esses diversos critérios de classificação.

CLASSIFICAÇÃO DAS CONSOANTES PORTUGUESAS
- nota da ledora: tabela de bilabiais, labiodentais, linguodentais, alveolares,
palatares, velares, conforme o descrito acima. - fim da nota da ledora.
Observação:
Em alguns casos, as consoantes distinguem-se uma da outra apenas pela
vibração das cordas vocais. É o que ocorre, por exemplo, com /p/ e /b/ (compare
pomba e bomba) ou /t/, e /d/ (compare testa e desta). Nesses casos, as consoantes
são chamadas homorgânicas.
CAPITULO 2
FONOLOGIA
23


ATIVIDADES
1. Classifique Os fonemas representados pelas
letras destacadas em vogais ou semivogais:
a) sou b) são
c) luar d) averigúe
e) mágoa f) cães
g) mais h) Taís
i) soe

2. Substitua as vogais orais representadas pelas letras destacadas
nas palavras seguintes por vogais nasais:
a) mato b) seda
c) cito d) pote
e) mudo


3. Substitua cada uma das consoantes representadas pelas letras
destacadas nas palavras seguintes pela respectiva consoante homorgânica:
a) gado b) teto c) pato
d) peixinho e) chato f) vale

4. Leia atentamente, em voz alta, as palavras de cada par seguinte. Procure
pronunciá-las nitidamente:
a) tom/tão b) som/são c) saia/ceia d) comprido/cumprido
e) quatro/quadro f) aceitar/ajeitar
g) xingar/gingar

4. SILABAS
As sílabas são conjuntos de um ou mais fonemas pronunciados numa única
emissão de voz. Em nossa língua, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal: não
existe sílaba sem vogal e nunca há mais do que uma única vogal em cada sílaba.
Cuidado com as letras i e u (mais raramente com as letras e e o), pois, como já
vimos, elas podem representar também semivogais, que não são nunca núcleos
de sílaba em português.
Revista Propaganda Leia e assine O 80-154555
Pro-pa-gan-da é exemplo de palavra polissílaba.
CAPÍTULO 2
FONOLOGIA
24



As sílabas, agrupadas, formam vocábulos. De acordo com o número de sílabas
que os formam, os vocábulos podem ser:
a) monossílabos - formados por uma única sílaba: é, há, ás, cá, mar, flor, quem,
quão;
b) dissílabos - apresentam duas sílabas: a-í, a-li, de-ver, cle-ro, i-ra, sol-da, trans-
por;
c) trissílabos - apresentam três sílabas: ca-ma-da, O-da-ir, pers-pi-caz, tungs-tê-nio,
felds-pa-to;
d) polissílabos - apresentam mais do que três sílabas: bra-si-lei-ro, psi-co-lo-gi-a, a-
ris-to-craci-a, o-tor-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta.

5. ENCONTROS VOCÁLICOS
Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e semivogais, sem
consoantes intermediárias. E importante reconhecê-los para fazermos a correta
divisão silábica dos vocábulos. Há três tipos de encontros:
a) hiato - é o encontro de duas vogais num vocábulo, como em saída (sa-í-da). Os
hiatos são sempre separados quando da divisão silábica: mô-o, ru-im, pa-ís;
b) ditongo - é o encontro de uma vogal com uma semivogal ou de uma semivogal
com uma vogal; em ambos os casos, vogal e semivogal pertencem obviamente a
uma mesma sílaba. O encontro vogal + semivogal é chamado de ditongo
decrescente (como em moi-ta, cai, mói). O encontro semivogal + vogal forma o
ditongo crescente (como em qual, pá-tria, sério). Os ditongos podem ser
classificados ainda em orais (todos os apresentados até agora) e nasais (como
mãe ou pão);
C) tritongo - é a seqüência formada por uma semivogal, uma vogal e uma
semivogal, sempre nessa ordem. O tritongo pertence a uma única sílaba: Pa-ra-
guai, quão. Os tritongos podem ser orais ( Paraguai) ou nasais (quão).
CAPÍTULO 2
FONOLOGIA
25


OBSERVAÇÕES
1. A terminação -em (/êj/) em palavras como ninguém, alguém, também, porém e a
terminação -am (/áw/) em palavras como cantaram, amaram, falaram representam
ditongos nasais decrescentes.
2. É tradicional considerar hiato o encontro entre uma semivogal e uma vogal ou
entre uma vogal e uma semivogal que pertencem a sílabas diferentes. Isso ocorre
quando há contato entre uma vogal e um ditongo, como em i-déi-a, io-iô.

3. Há alguns encontros vocálicos átonos e finais que são chamados de instáveis
porque podem ser pronunciados como ditongos ou como hiatos: -ia (pátria), -ie
(espécie), -io (pátio), -ua (árdua), -ue (tênue), -uo (vácuo). A tendência predominante é
pronunciá-los como ditongos.

6. ENCONTROS CONSONANTAIS
O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, recebe o nome
de encontros consonantais:
a) consoante + 1 ou r - são encontros que pertencem a uma mesma sílaba, como
nos vocábulos pra-to, pla-ca, bro-che, blu-sa, trei-no, a-tle-ta, cri-se, cla-ve, fran-co, flan-
co;
b) duas consoantes pertencentes a sílabas diferentes - é o que ocorre em ab-di-car,
sub-so-lo, ad-vo-ga-do, ad-mi-ti r, al-ge-ma, cor-te.
Há grupos consonantais que surgem no início dos vocábulos; são, por isso,
inseparáveis: pneu-mo-ni-a, psi-co-se, gno-mo.


7. DÍGRAFOS
A palavra dígrafo é formada por elementos gregos: di, "dois", e grafo, "escrever". O
dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para representar um único fonema.
Também se pode usar a palavra digrama (di, "dois"; gramma, "letra") para
designar essas ocorrências.
OBSERVAÇÃO
Gu e qu nem sempre representam dígrafos. Isso ocorre apenas quando, seguidos
de e OU i, representam os fonemas /g/ e /k/: guerra, quilo. Nesses casos, a letra u
não corresponde a nenhum fonema. Em algumas palavras, no entanto, o u
representa uma semivogal ou uma vogal: agüentar, lingüiça, freqüente, tranqüilo;
averigúe, argúi - o que significa que gu e qu não são dígrafos. Também não há
dígrafo quando são seguidos de a ou u: quando, aquoso, averiguo.
CAPÍTULO 2
FONOLOGIA
26

Podemos dividir os dígrafos da língua portuguesa em dois grupos: os
consonantais e os vocálicos.
a) dígrafos consonantais
ch - representa o fonema /f/: chuva, China;
lh - representa o fonema N: alho, milho;
nh - representa o fonema /D/: sonho, venho;
rr - representa o fonema /R/, sendo usado unicamente entre vogais: barro, birra,
burro;
ss - representa o fonema /s/, sendo usado unicamente entre vogais: assunto,
assento, isso;
sc - representa o fonema /s/: ascensão, descendente;
sç - representa o fonema /s/: nasço, cresça;
xc - representa o fonema /s/: exceção, excesso;
xs - representa o fonema /s/: exsuar, exsudar;
gu - representa o fonema /g/: guelra, águia;
qu - representa o fonema /k/: questão, aquilo.
b) dígrafos vocálicos
am e an - representam o fonema /ã/: campo, sangue;
em e en - representam o fonema /ê/: sempre, tento;
im e in - representam o fonema /i - til /: limpo, tingir;
om e on - representam o fonema /õ/: rombo, tonto;
um e un - representam o fonema /ú/: nenhum, sunga.


8. DIVISÃO SILÁBICA
A divisão silábica gramatical obedece a algumas regras básicas, que
apresentaremos a seguir. Se você observar atentamente essas regras, vai
perceber que os conceitos que estudamos até agora servem para justificá-las:

a) ditongos e tritongos pertencem a uma única sílaba: au-tô-no-mo, ou-to-no, di-
nhei-ro; U-ru-guai, i-guais;
b) os hiatos são separados em duas sílabas: du-e-to, a-mên-do-a, ca-a-tin-ga;
c) os dígrafos ch, lh, nh, gu e qu pertencem a uma única sílaba: chu-va, mo-lha, es-
ta-nho, guel-ra, a-que-la;
d) as letras que formam os dígrafos rr, ss, sc, sç, xs e xc devem ser separadas:
bar-ro, as-sun-to, des-cer, nas-ço, es-xu-dar, ex-ce-to;
e) os encontros consonantais que ocorrem em sílabas internas devem ser
separados, excetuando-se aqueles em que a segunda consoante é l ou r: con-vic-
ção, as-tu-to, ap-to, cír-cu-lo, ad-mi-tir, ob-tu-rar, etc.; mas a-pli-ca-ção, a-pre-sen-
tar, a-brir, re-tra-to, de-ca-tio. Lembre-se de que os grupos consonantais que
iniciam palavras não são separáveis: gnós-ti-co, pneu-má-ti-co, mne-mô-ni-co.
O conhecimento das regras de divisão silábica é útil para a translineação das
palavras, ou seja, para separá-las no final das linhas. Quando houver necessidade
da divisão, ela deve
CAPITULO 2
FONOLOGIA
27

ser feita de acordo com as regras acima. Por motivos estéticos e de clareza,
devem-se evitar vogais isoladas no final ou no início de linhas, como a-/sa ou
jundia/-í. Também se aconselha a repetição do hífen quando a divisão coincidir
com a de um hífen preexistente (pré-datado e disse-me, por exemplo, transli-
neados pré-/-datado e disse-/-me).


Ortoepia ou Ortoépia
Formado por elementos gregos (orto, "correto"; epos, "palavra"), ortoepia ou
ortoépia é o nome que designa a parte da Fonologia que cuida da correta
produção oral das palavras. Colocamos abaixo uma relação que você deve ler
cuidadosamente em voz alta: lembre-se de que estamos falando da forma de
pronunciar essas palavras de acordo com o padrão culto da língua portuguesa,
importante para você comunicar-se apropriadamente em vários momentos de sua
vida.
advogado aforismo aterrissagem adivinhar babadouro bebedouro bandeija
barganha beneficência, beneficente cabeçalho cabeleireiro caranguejo cataclismo
digladiar disenteria empecilho engajamento estourar (estouro, estouras, etc.)
estupro/estuprar fratricídio frustração, frustrar lagarto, lagartixa manteigueira
mendigar, mendigo meritíssimo meteorologia mortadela prazeroso,
prazerosamente privilégio propriedade, próprio prostração, prostrar reivindicar
roubar (roubo, roubas, etc.) salsicha tireóide umbigo

ATIVIDADES
1. Classifique os encontros vocálicos das palavras abaixo:
a) alguém b) trouxeram c) diáspora d) Mooca e) tuiuiú
f) Piauí g) idéia h) gênio I) tireóide
j) claustrofobia l) melancia m) saíram n) sobressai o) sobressaí
p) iguais q) circuito r) balões s) ação
2. Indique, nas palavras a seguir, os dígrafos consonantais e os encontros
consonantais:
a) digrama b) adquirir
c) brita d) nascer
e) excelente f) massa
g) pleno h) chave
i) crítico j) nasça
l) flexa m) bloqueio
n) interpretar o) classificação
p) oftalmologista q) pterodáctilo
3. Divida em sílabas as palavras seguintes:
a) substância b) surpreendente
c) adquirir d) adivinhar
e) ruim f) gratuito
h) atualização g) abscesso
i) psiquiatria j) melancia
I) pneumático m) adventício
n) introspecção o) feldspato

28 CAPÍTULO 2
FONOLOGIA


TEXTOS PARA ANÁLISE
- nota da ledora: nesta página, anúncio do carro Astra, ocupando meia página, com a
legenda: O Astra não é mais Caro. É mais CARRO. - fim da nota da ledora.
TRABALHANDO TEXTO:
Observe o texto publicitário acima e responda: de que forma seus conhecimentos
de Fonologia podem explicar os efeitos sonoros obtidos?

Está na cara, está na cura
Está na cara, você não vê,
Que a caretice está no medo,
Você não vê.
Está na cara, você não vê,
Que o medo está na
Medula, você não vê.
Está na cara, você não vê,
Que o segredo está na
Cura, está na cara,
Está na cura desse medo.
Quem tem cara tem medo,
Quem tem medo tem cura,
Essa história de medo é caretice pura.
Vou brincar, que ainda é cedo,
Que o brinquedo está na
Cara, está na cara.
Está na cara
Que o segredo está na cura do medo.

(GIL. Gilberto. In: Gilberto Gil. São Paulo,
Abril, 1982. p. 87- 8. Literatura comentada.).

CAPITULO 2
FONOLOGIA
29


1. Defina fonema a partir da comparação entre as palavras cara e cura.
2. Diga quantos fonemas e quantas letras têm as palavras: que, história,
desse, ainda.
3. Retire do texto exemplos de:
a) ditongos crescentes e decrescentes;
h) dígrafos vocálicos e dígrafos consonantais;
c) encontros consonantais;
d) hiatos.

4. A letra u representa o mesmo fonema em vou e cura? Explique.

5. O texto explora sonoridades de forma expressiva? Comente.

6. O segredo está realmente na cura do medo? Comente.


Como um samba de adeus

Quanto tempo
Mina d'água do meu canto
Manso
Piano e voz
Vento
Campo
Dentro
Antro
Onde reside o lamento
Preto
Da minha voz
Tanto
Tempo
Como nunca mais, eu penso
Como um samba de adeus
Com que jeito acenar
O meu lenço
Branco
Quanto tempo
Pode durar um espanto
Onde lançar a voz
Tempo
Tanto

(HOLLANDA. Chico Buarque de, e VELOSO, Caetano.
In: Nina d'água do meu canto - Gal Costa - CD Sonopress (7432126323-2, 1995.)

TRABALHANDO TEXTO
1. Defina fonema a partir do contraste entre os vocábulos canto e tanto
2. Retire do texto exemplos de ditongos e hiatos.

3. Retire do texto exemplos de encontros consonantais. Em qual seqüência
do texto esses encontros são particularmente expressivos?


4. Explique a diferença entre os elementos destacados nas palavras que e
quando.

5. Faça um levantamento dos dígrafos vocálicos presentes no texto e
responda: há algum tipo de fonema predominante na canção? Comente.

6. A construção do texto se baseia no conteúdo das palavras ou na sua
sonoridade? Comente.

CAPÍTULO 2
FONOLOGIA
30


QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES
1. (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa que identifica os encontros
vocálicos e consonantais presentes nos três grupos de palavras abaixo, na
mesma ordem de ocorrência em cada um deles. Os três grupos apresentam os
mesmos encontros vocálicos e consonantais, pela ordem.
I. poema, reino, pobre, não, chave
II. realize, perdeu, escrevê-lo, estão, que
III. dia, mais, contempla, então, lhe
a) ditongo crescente, ditongo crescente, encontro consonantal, ditongo
decrescente, dígrafo
b) ditongo crescente, ditongo decrescente, encontro consonantal, dígrafo,
encontro consonantal
c) ditongo decrescente, hiato, dígrafo, ditongo decrescente, encontro
consonantal
d) hiato, ditongo crescente, encontro consonantal, ditongo decrescente,
dígrafo
e) hiato, ditongo decrescente, encontro consonantal, ditongo decrescente,
dígrafo

2. (PUCSP) Nas palavras enquanto, queimar, folhas, hábil e grossa, constatamos
a seguinte seqüência de letras e fonemas:
a) 8 - 7, 7 - 6, 6 - 5, 5 - 4, 6 - 5
b) 7 - 6, 6 - 5, 5 - 5, 5 - 5, 5 - 5
c) 8 - 5, 7 - 5, 6 - 4, 5 - 4, 5 - 4
d) 8 - 6, 7 - 6, 6 - 5, 5 - 4, 6 - 5
e) 8 - 5, 7 - 6, 6 - 5, 5 - 5, 5 - 5

3. (PUCSP) Indique a alternativa em que todas as palavras têm a mesma
classificação no que se refere ao número de sílabas:
a) enchiam, saíam, dormiu, noite
b) feita, primeiro, crescei, rasteiras
c) ruído, saudade, ainda, saúde
d) eram, roupa, sua, surgiam
e) dia, sentia, ouviam, loura

4. (PUCSP) Indique a alternativa onde constatamos, em todas as palavras, a
semivogal i:

a) cativos, minada, livros, tirarem
b) oiro, queimar, capoeiras, cheiroso
c) virgens, decidir, brilharem, servir
d) esmeril, fértil, cinza, inda
e) livros, brilharem, oiro, capoeiras

5. (PUCC-SP) Assinale a alternativa que apresenta tritongo, hiato, ditongo
crescente e dígrafo:
a) quais, saúde, perdoe, álcool
b) cruéis, mauzinho, quais, psique
c) quão, mais, mandiú, quieto
d) agüei, caos, mágoa, chato
e) n.d.a.

6. (ITA-SP) Dadas as palavras:
1) des-a-ten-to
2) sub-es-ti-mar
3) trans-tor-no
constatamos que a separação silábica está correta:
a) apenas em 1
b) apenas em 2
c) apenas em 3
d) em todas as palavras
e) n.d.a.

7. (ITA-SP) Dadas as palavras:
1) tung-stê-nio
2) bis-a-vô
3) du-e-lo
constatamos que a separação silábica está
correta:
a) apenas em 1
b) apenas em 2
c) apenas em 3
d) em todas as palavras
e) n.d.a.

8. (UnB-DF) Marque a opção em que todas as
palavras apresentam um dígrafo:
a) fixo, auxílio, tóxico, exame
b) enxergar, luxo, bucho, olho
c) bicho, passo, carro, banho
d) choque, sintaxe, unha, coxa
CAPÍTULO 2
FONOLOGIA
31

9. (FASP) Indique a alternativa cuja seqüência
de vocábulos apresenta, na mesma ordem,
o seguinte: ditongo, hiato, hiato, ditongo:
a) jamais, Deus, luar, daí
b) jóias, fluir, jesuíta, fogaréu
c) ódio, saguão, leal, poeira
d) quais, fugiu, caiu, história

10. (FASP) Assinale a alternativa que apresenta os elementos que compõem o
tritongo:
a) vogal + semivogal + vogal
b) vogal + vogal + vogal
c) semivogal + vogal + vogal
d) semivogal + vogal + semivogal

11. (ACAFE-SC) Assinale a alternativa onde há
somente palavras com ditongos orais:
a) acordou, estações, distraído
b) coordenar, Camboriú, cidadão
c) falei, família, capitães
d) jamais, atribui, defendeis
e) comprimiu, vieram, averigúem

12. (F. Caxias do Sul-RS) A alternativa em que, nas três palavras, há um ditongo
decrescente é:
a) água, série, memória
b) balaio, veraneio, ciência
c) coração, razão, paciência
d) apóio, gratuito, fluido
e) jóia, véu, área

13. (ACAFE-SC) Assinale, na seqüência abaixo, a alternativa em que todas as
palavras possuem dígrafos:
a) histórias, impossível, máscaras
b) senhor, disse, achado
c) passarinhos, ergueu, piedade
d) errante, abelhas, janela
e) homem, caverna, velhacos

14. (UFSC) A única alternativa que apresenta palavra com encontro
consonantal e dígrafo é:
a) graciosa
b) prognosticava
c) carrinhos
d) cadeirinha
e) trabalhava

15. (ACAFE-SC) Assinale a alternativa em que
há erro na partição de sílabas:
a) en-trar, es-con-der, bis-a-vô, bis-ne-to
b) i-da-de, co-o-pe-rar, es-tô-ma-go, ré-gua
c) des-cen-der, car-ra-da, pos-so, a-tra-vés
d) des-to-ar, tran-sa-ma-zo-ni-co, ra-pé, on-tem
e) pre-des-ti-nar, ex-tra, e-xer-cí-cio, dançar

*********

CAPÍTULO 3
ORTOGRAFIA
33


-nota da ledora: metade da página é ocupada por um desenho com as palavras:
COMICS de A ( representado com a figura do Capitão Asa, herói infantil)
e z,
(representado pelo, tambem super-herói, Zorro). - fim da nota.


Não é admissível que com um alfabeto tão restrito (apenas 23 letras!) se cometam
tantos erros ortográficos pelo Brasil afora. Estude com cuidado este capítulo para
integrar o grupo de cidadãos que sabem grafar corretamente as palavras da
língua portuguesa.


1. CONCEITOS BÁSICOS
A palavra ortografia (formada pelos elementos gregos orto, "correto", e grafia,
"escrita") dá nome à parte da Gramática que se preocupa com a correta
representação escrita das palavras. É a ortografia, portanto, que fixa padrões de
correção para a grafia das palavras. Atualmente, a ortografia em nossa língua
obedece a uma combinação de critérios etimológicos (ligados à origem das
palavras) e fonológicos (ligados aos fonemas representados).
É importante compreender que a ortografia é fruto de uma convenção. A forma de
grafar as palavras é produto de acordos ortográficos que envolvem os diversos
países em que a língua portuguesa é oficial. Grafar corretamente uma palavra
significa, portanto, adequar-se a um padrão estabelecido por lei. As dúvidas
quanto à correção devem ser resolvidas por meio da consulta a dicionários e
publicações oficiais ou especializadas.


CAPÍTULO 3
ORTOGRAFIA
33

2. O ALFABETO PORTUGUÊS
O alfabeto ou abecedário da nossa língua é formado por vinte e três letras
que, com pequenas modificações, foram copiadas do alfabeto latino. Essas vinte
e três letras são:

LETRAS DE IMPRENSA
Aa BbCc Dd Ee Ff Gg Hh Ii Jj Ll Mm Nn Oo Pp Qq Rr Ss Tt Uu Vv Xx Zz (nota da
ledora: a leitura dupla das letras, é porque apresentam-se em maiúsculas e
minúsculas - fim da nota).

GRAFIA CURSIVA ( nota da ledora: aqui, o abecedário apresenta-se em
maiúsculas e minúsculas, manuscritas - fim da nota ).
Além dessas letras, empregamos o Kk, o Ww e o Yy em abreviaturas, siglas,
nomes próprios estrangeiros e seus derivados. Emprega-se, ainda, o ç, que
representa o fonema /s/ diante de a, o ou u em determinadas palavras.
- nota da ledora: metade da página está ocupada por uma propaganda da
Volkswagen, ilustrando o uso da letra w. - fim da nota.
O x pertence ao nosso alfabeto; já o w é usado em siglas e nomes próprios estrangeiros,
como no caso acima, em que o W é logotipo da fábrica alemã Volkswagen.


CAPÍTULO 3
ORTOGRAFIA
34


3. ORIENTAÇÕES ORTOGRÁFICAS
A competência para grafar corretamente as palavras está diretamente ligada ao
contato íntimo com essas mesmas palavras. Isso significa que a freqüência do
uso é que acaba trazendo a memorização da grafia correta. Além disso, deve-se
criar o hábito de esclarecer as dúvidas com as necessárias consultas ao
dicionário. Trata-se de um processo constante, que produz resultados a longo
prazo.
Existem algumas orientações gerais que podem ser úteis e que devem constituir
material de consulta para as atividades escritas que você desenvolver. Vamos a
elas.

Noções preliminares

Entre os sons das palavras e também entre as letras que os representam podem
ocorrer coincidências. Isso acontece quando duas (às vezes três) palavras
apresentam identidade total ou parcial quanto à grafia e à pronúncia. Observe:
luta (substantivo) e luta (forma do verbo lutar) apresentam a mesma grafia e a
mesma pronúncia. São palavras homônimas;
almoço (substantivo, nome de uma refeição) e almoço (forma do verbo almoçar)
possuem a mesma grafia, mas pronúncia diferente. São palavras homógrafas;
cesta (substantivo) e sexta (numeral ordinal) possuem a mesma pronúncia, mas
grafia diferente. São palavras homófonas.
Há ainda casos em que as palavras apresentam grafias ou pronúncias
semelhantes, sem que, no entanto, ocorra coincidência total. São chamadas
parônimas e costumam provocar dúvidas quanto ao seu emprego correto. E o
caso, por exemplo, de pares como flagrante/fragrante, pleito/preito,
vultoso/vultuoso e outros, cujo sentido e emprego estudaremos adiante.


Alguns fonemas e algumas letras

A relação entre os fonemas e as letras não é de correspondência exata e
permanente. Como a ortografia se baseia também na tradição e na etimologia das
palavras, ocorrem problemas que já conhecemos, como a existência de diferentes
formas de grafar um mesmo fonema. Estudaremos alguns desses problemas a
partir de agora.


O fonema /s/ ( nota da ledora: esse fonema já foi descrito pela ledora, em capítulo
anterior, como a letra esse ( de sal) alongada. - fim da nota ) (letra x ou dígrafo ch)
A letra x representa esse fonema:
a) após um ditongo: ameixa, caixa, peixe, eixo, frouxo, trouxa, baixo, encaixar,
paixão, rebaixar.
Cuidado com a exceção recauchutar e seus derivados.
CAPÍTULO 3
ORTOGRAFIA
35


b) após o grupo inicial en: enxada, enxaqueca, enxerido, enxame, enxovalho,
enxugar, enxurrada.
Cuidado com encher e seus derivados (lembre-se de cheio) e palavras iniciadas
por ch que recebem o prefixo en-: encharcar (de charco), enchapelar (de chapéu),
enchumaçar (de chumaço), enchiqueirar (de chiqueiro).
c) após o grupo inicial me: mexer, mexerica, mexerico, mexilhão, mexicano. A
única exceção é mecha.
d) nas palavras de origem indígena ou africana e nas palavras inglesas
aportuguesadas: xavante, xingar, xique-xique, xará, xerife, xampu.

Atente para a grafia das seguintes palavras: capixaba, bruxa, caxumba, faxina,
graxa, laxante, muxoxo, praxe, puxar, relaxar, rixa, roxo, xale, xaxim, xenofobia, xí-
cara.
Atente para o uso do dígrafo ch nas seguintes palavras: arrocho, apetrecho,
bochecha, brecha, broche, chalé, chicória, cachimbo, comichão, chope, chuchu,
chute, debochar, fachada, fantoche, fechar, flecha, linchar, mochila, pechincha,
piche, pichar, salsicha, tchau.
Uma boa dica para fixar a grafia de lixo é associá-la a faxina: depois da faxina, refugos no
lixo.

Há vários casos de palavras homófonas
cuja grafia se distingue pelo contraste entre o x
e o ch. Eis algumas delas:
brocha (pequeno prego) e broxa (pincel para caiação de paredes);
chá (planta para preparo de bebida) e xá (título do antigo soberano do Irã);
chácara (propriedade rural) e xácara (narrativa popular em versos);
cheque ,(ordem de pagamento) e xeque (jogada do xadrez);
cocho (vasilha para alimentar animais) e coxo (capenga, imperfeito);
tacha (mancha, defeito; pequeno prego) e taxa (imposto, tributo); daí, tachar
(colocar defeito ou nódoa em alguém) e taxar (cobrar impostos).

CAPITULO 3
ORTOGRAFIA

36



O fonema /g/ (letras g e j)

- nota da ledora: este fonema já foi descrito em capítulo anterior, é o que se parece
com um número 3, com a perninha inferior, mais alongada. Sua representação
lembra vagamente uma letra grega. - fim da nota.
A letra g somente representa o fonema /g/ diante das letras e e i. Diante das letras
a, o e u, esse fonema é necessariamente representado pela letra j.

Usa-se a letra g:
a) nos substantivos terminados em -agem, -igem, -ugem: agiotagem, aragem,
barragem, contagem, coragem, garagem, malandragem, miragem, viagem;
fuligem, impigem (ou impingem), origem, vertigem; ferrugem, lanugem, rabugem,
salsugem.
Cuidado com as exceções pajem e lambujem.
b) nas palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio: adágio, contágio,
estágio, pedágio; colégio, egrégio; litígio, prestígio; necrológio, relógio; refúgio,
subterfúgio.
Preste atenção ainda às seguintes palavras grafadas com g: aborígine, agilidade,
algema, apogeu, argila, auge, bege, bugiganga, cogitar, drágea, faringe, fugir,
geada, gengiva, gengibre, gesto, gibi, herege, higiene, impingir, monge, rabugice,
tangerina, tigela, vagem.

Usa-se a letra j:
a) nas formas dos verbos terminados em -jar: arranjar (arranjo, arranje, arranjem,
por exemplo); despejar (despejo, despeje, despejem); enferrujar (enferruje,
enferrujem), viajar (viajo, viaje, viajem).
b) nas palavras de origem tupi, africana, árabe ou exótica: jê, jibóia, pajé, jirau,
caçanje, alfanje, alforje, canjica, jerico, manjericão, Moji.
c) nas palavras derivadas de outras que já apresentam j: gorjear, gorjeio, gorjeta
(derivadas de gorja); cerejeira (derivada de cereja); laranjeira (de laranja);
lisonjear, lisonjeiro (de lisonja); lojinha, lojista (de loja); sarjeta (de sarja); rijeza,
enrijecer (de rijo); varejista (de varejo).
Preste atenção ainda às seguintes palavras que se escrevem com j: berinjela,
cafajeste, granja, hoje, intrujice, jeito, jejum, jerimum, jérsei, jiló, laje, majestade,
objeção, objeto, ojeriza, projétil (ou projetil), rejeição, traje, trejeito.
- nota da ledora: anúncio de meia página, da fábrica de brinquedos Estrela, com a
legenda: Não dá pra compreender como tem supermercado que vende jiló, e não
vende brinquedo. Pelo visto nosso amiguinho é daqueles que consideram jiló ruim
pra chuchu ( na foto, criança fazendo cara feia! ) - fim da nota.

CAPITULO 3
ORTOGRAFIA
37

ATIVIDADES

1. Complete as lacunas ( nota da ledora: as lacunas estão representadas pela
abertura e fechamento de parênteses - fim da nota ) das frases abaixo com as
letras apropriadas:
a) Os pei()es haviam sido encai()otados na origem.
b) Sentia-se rebai()ado porque os pneus de seu carro eram recau()utados.
c) A en()urrada causou muitos transtornos a população de bai()a renda.
Muitas pessoas ficaram com seus pertences en()arcados.
d) Não me()a nisso! E não seja me()eriqueiro! Deixe as me()as do cabelo de
sua irmã em paz!
e) Gastava um frasco de ()ampu a cada banho.
f) A filha da fa()ineira pegou ca()umba. Foi por isso que a pobre senhora não
veio trabalhar e não porque seja rela()ada, como você quer dar a entender com um
mu()o()o.
g) Suas bo()e()as estavam ro()as de frio. E mesmo assim ela não queria usar o
()ale que eu lhe oferecia.

2. Complete as lacunas das frases abaixo com as letras apropriadas:
a) Foi à feira e comprou ()u()us, berin()elas, tan()erinas, ()en()ibre e um quilo de
va()em.

b) A via()em foi adiada por alguns dias. Os pais não querem que os filhos
via()em com um tempo horrível destes.
c) Deixaram que a ferru()em tomasse conta de todos aqueles velhos objetos.
E possível que deixem enferru()ar coisas tão bonitas e valiosas?
d) Sentiu forte verti()em durante a conta()em dos votos.
e) Sinto-me lison()eado com a homena()em prestada pelos vare()istas desta
re()ião e garanto que nunca me faltará cora()em para prosseguir na luta.
f) Seu prestí()io declinava à proporção que a ori()em de seus bens era
investigada.
g) Com a()ilidade, apanhou a ti()ela e encheu-a de ar()ila. A seguir, com alguns
()estos, modelou alguma coisa que não consegui distinguir.

3. Escreva uma frase com cada uma das seguintes palavras: tachar, taxar;
cheque, xeque; cocho, coxo.



O fonema /z/ (letras s e z)
A letra s representa o fonema /z/ quando é intervocálica: asa, mesa, riso. Usa-se a
letra s:
a) nas palavras que derivam de outra em que já existe s:
casa - casinha, casebre, casinhola, casarão, casario;
liso - lisinho, alisar, alisador;
análise - analisar, analisador, analisante.
b) nos sufixos:
-ês, -esa (para indicação de nacionalidade, título, origem): chinês, chinesa;
marquês, marquesa; burguês, burguesa; calabrês, calabresa; duquesa;
baronesa;
-ense, -oso, -osa (formadores de adjetivos): paraense, caldense, catarinense,
portense; amoroso, amorosa; deleitoso, deleitosa; gasoso, gasosa;
espalhafatoso, espalhafatosa;
-isa (indicador de ocupação feminina): poetisa, profetisa, papisa, sacerdotisa,
pitonisa.

CAPITULO 3
ORTOGRAFIA
38

c) após ditongos: lousa, coisa, causa, Neusa, ausência, Eusébio, náusea.
d) nas formas dos verbos pôr (e derivados) e querer: pus, pusera, pusesse,
puséssemos; repus, repusera, repusesse, repuséssemos; quis, quisera,
quisesse, quiséssemos.
Atente para o uso da letra s nas seguintes palavras: abuso, aliás, anis, asilo, atrás,
através, aviso, bis, brasa, colisão, decisão, Elisabete, evasão, extravasar, fusível,
hesitar, Isabel, lilás, maisena, obsessão (mas obcecado), ourivesaria, revisão,
usura, vaso.
Usa-se a letra z:
a) nas palavras derivadas de outras em que já existe z:
deslize - deslizar,
baliza - abalizado;
razão - razoável, arrazoar, arrazoado;
raiz - enraizar

- nota da ledora : propaganda do videocassete Toshiba, com legenda: tecla exclusiva
para vídeos de batizados - avanço rápido. - fim da nota.
Como batizado deriva do verbo batizar, também se grafa com z.
b) nos sufixos:
-ez, -eza (formadores de substantivos abstratos a partir de adjetivos): rijo, rijeza;
rígido, rigidez; nobre, nobreza; surdo, surdez; inválido, invalidez; intrépido,
intrepidez; sisudo, sisudez; avaro, avareza; macio, maciez; singelo, singeleza.
-izar (formador de verbos) e ção (formador de substantivos):
civilizar, civilização; humanizar, humanização; colonizar, colonização; realizar,
realização; hospitalizar, hospitalização. Não confunda com os casos em que se
acrescenta o sufixo -ar a palavras que já apresentam s: analisar, pesquisar, avisar.
Observe o uso da letra z nas seguintes palavras: assaz, batizar (mas batismo),
bissetriz, buzina, catequizar (mas catequese), cizânia, coalizão, cuscuz, giz, gozo,
prazeroso, regozijo, talvez, vazar, vazio, verniz.
- nota da ledora: quadro de destaque na página
Há palavras homófonas em que se estabelece distinção escrita por meio do
contraste s/z:
cozer (cozinhar) e coser (costurar);
prezar (ter em consideração) e presar (prender, apreender);
traz (forma do verbo trazer) e trás (parte posterior).
- fim do quadro de destaque e da nota da ledora.

CAPÍTULO 3
ORTOGRAFIA
39


Em muitas palavras, o fonema /z/ é representado pela letra x: exagero, exalar,
exaltar, exame, exato, exasperar, exausto, executar, exemplo, exeqüível, exercer,
exibir, exílio, exímio, existir, êxito, exonerar, exorbitar, exorcismo, exótico,
exuberante, inexistente, inexorável.

O fonema /s/ (letras s, c, ç e x ou dígrafos sc, sç, ss, xc e xs)
Observe os seguintes procedimentos em relação à representação gráfica desse
fonema:
a) a correlação gráfica entre nd e ns na formação de substantivos a partir de
verbos:
ascender, ascensão; distender, distensão; expandir, expansão; suspender,
suspensão; pretender, pretensão; tender, tensão; estender, extensão.
b) a correlação gráfica entre ced e cess em nomes formados a partir de
verbos: ceder, cessão; conceder, concessão; interceder, intercessão; exceder,
excesso, excessivo; aceder, acesso.
c) a correlação gráfica entre ter e tenção em nomes formados a partir de
verbos:
abster, abstenção; ater, atenção; conter, contenção; deter, detenção; reter, re-
tenção.
Observe as seguintes palavras em que se usa o dígrafo sc: acrescentar, acrés-
cimo, adolescência, adolescente, ascender (subir), ascensão, ascensor,
ascensorista, ascese, ascetismo, ascético, consciência, crescer, descender,
discente, disciplina, fascículo, fascínio, fascinante, piscina, piscicultura,
imprescindível, intumescer, irascível, miscigenação, miscível, nascer, obsceno,
oscilar, plebiscito, recrudescer, reminiscência, rescisão, ressuscitar, seiscentos,
suscitar, transcender.
Na conjugação dos verbos acima apresentados, surge sç: nasço, nasça; cresço,
cresça.
Cuidado com sucinto, em que não se usa sc.
Em algumas palavras, o fonema /s/ é representado pela letra x: auxilio, auxiliar,
contexto, expectativa, expectorar, experiência, experto (conhecedor, especialista),
expiar (pagar), expirar (morrer), expor, expoente, extravagante, extroversão,
extrovertido, sexta, sintaxe, têxtil, texto, textual, trouxe.
Cuidado com esplendor e esplêndido.
- nota da ledora - quadro em destaque na página.
Há casos em que se criam oposições de significado devido ao contraste gráfico.
Observe:
acender (iluminar, pôr fogo) e ascender (subir);
acento (inflexão de voz ou sinal gráfico) e assento (lugar para se sentar);
caçar (perseguir a caça) e cassar (anular);
cegar (tornar cego) e segar (ceifar, cortar para colher);
censo (recenseamento, contagem) e senso (juízo);
cessão (ato de ceder), seção ou secção (repartição ou departamento; divisão) e
sessão (encontro, reunião);
concerto (acordo, arranjo, harmonia musical) e conserto (remendo, reparo);
espectador (o que presencia) e expectador (o que está na expectativa);
esperto (ágil, rápido, vivaz) e experto (conhecedor, especialista);
espiar (olhar, ver, espreitar) e expiar (pagar uma culpa, sofrer castigo);
espirar (respirar) e expirar (morrer);
incipiente (iniciante, principiante) e insipiente (ignorante);
intenção ou tenção (propósito, finalidade) e intensão ou tensão (intensidade,
esforço);
paço (palácio) e passo (passada).
CAPITULO 3
ORTOGRAFIA
40


Podem ocorrer ainda os dígrafos xc, e, mais raramente, xs: exceção, excedente,
exceder, excelente, excesso, excêntrico, excepcional, excerto, exceto, excitar;
exsicar, exsolver, exsuar, exsudar.

Ainda a letra x
Esta letra pode representar dois fonemas, soando como "ks": afluxo, amplexo,
anexar, anexo, asfixia, asfixiar, axila, boxe, climax, complexo, convexo, fixo, flexão,
fluxo, intoxicar, látex, nexo, ortodoxo, óxido, paradoxo, prolixo, reflexão, reflexo,
saxofone, sexagésimo, sexo, tóxico, toxina.


As letras e e i
a) Cuidado com a grafia dos ditongos:
os ditongos nasais /ãj/ e /ãj/ escrevem-se ãe e õe: mãe, mães, cães, pães,
cirurgiães, capitães; põe, põem, depõe, depõem;
- só se grafa com i o ditongo /ãj/, interno: cãibra (ou câimbra).
b) Cuidado com a grafia das formas verbais:
- as formas dos verbos com infinitivos terminados em -oar, e -uar são
grafadas com e: abençoe, perdoe, magoe; atue, continue, efetue;
- as formas dos verbos infinitivos terminados em -air, -oer, e -uir, são grafadas
com I: cai, sai; dói, rói, mói, corrói; influi, possui, retribui, atribui.
c) Cuidado com as palavras se, senão, sequer, quase e irrequieto.

- nota da ledora: quadro de destaque da página:
A oposição e/i é responsável pela diferenciação de várias palavras:
área (superfície) e ária (melodia);
deferir (conceder) e diferir (adiar ou divergir);
delação (denúncia) e dilação (adiamento, expansão);
descrição (ato de descrever) e discrição (qualidade de quem é discreto);
descriminação (absolvição) e discriminação (separação);
emergir (vir à tona) e imergir (mergulhar);
emigrar (sair do país onde se nasceu) e imigrar (entrar em país estrangeiro);
eminente (de condição elevada) e iminente (inevitável, prestes a ocorrer); vadear
(passar a vau) e vadiar (andar à toa).
- fim da nota de destaque e da ledora.
CAPITULO 3
ORTOGRAFIA
41

As letras o e u
A oposição o/u é responsável pela diferença de significado entre várias palavras:
comprimento (extensão) e cumprimento (saudação; realização);
soar (emitir som) e suar (transpirar);
sortir (abastecer) e surtir (resultar).
A letra h
É uma letra que não representa fonema. Seu uso se limita aos dígrafos ch, lh e nh,
a algumas interjeições (ah, hã, hem, hip, hui, hum, oh) e a palavras em que surge
por razões etimológicas. Observe algumas palavras em que surge o h inicial:
hagiografia, haicai, hálito, halo, hangar, harmonia, harpa, haste, hediondo, hélice,
Hélio, Heloísa, hemisfério, hemorragia, Henrique, herbívoro (mas erva), hérnia,
herói, hesitar, hífen, hilaridade, hipismo, hipocondria, hipocrisia, hipótese, histeria,
homenagem, hóquei, horror, Hortênsia, horta, horto (jardim), hostil, humor,
húmus.
Em Bahia, o h sobrevive por tradição histórica. Observe que nos derivados ele
não é usado: baiano, baianismo.
- nota da ledora - quadro de destaque na página:
Nomes próprios
Você deve ter notado que acrescentamos nomes próprios aos exemplos que vi-
mos apresentando. Isso tem uma explicação muito simples: os nomes próprios,
como qualquer palavra da língua, estão sujeitos às regras ortográficas. Existe,
portanto, uma forma correta de grafar esses nomes. Se, no entanto, seu nome foi
registrado com uma grafia equivocada, você pode usá-lo da forma como ele se
encontra em seus documentos. Esse tem sido o uso mais freqüente em nossa
cultura. Além disso, a grafia dos nomes de todos os que se tornam publicamente
conhecidos aparece corrigida em publicações feitas após a morte dessas
pessoas.
Observe na relação seguinte mais alguns nomes próprios na sua grafia correta:
Aírton, Alcântara, Ânderson, Ângelo, Antônio, Artur, Baltasar, Cardoso, César,
Elisa, Ênio, Félix, Filipe, Heitor, Helena, Hercílio, Hilário, Iberê, Inês, Íris, Isa, Isidoro,
laci, Jacira, Jéferson, Juçara, Juscelino, Leo, Lis, Lisa, Luis, Luísa, Luzia, Macedo,
Mansa, Minam, Morais, Natacha, Odilon, Priscila, Rosângela, Selene, Sousa, Taís,
Teresa, Zósimo.
- fim do quadro de destaque, e da nota da ledora.

- nota da ledora - propaganda do banco itaú com os seguintes dizeres:
A família de
Luís Guilhernie Davidson
convida parentes e amigos para o luau de 7º dia a realizar-se em Cancun, onde ele
passa férias com a mulher e os filhos - Vida em Vida Itaú - o seguro que você recebe em
vida.

Os nomes próprios do português também estão sujeitos a regras ortográficas, como
Luís, no anúncio acima.
CAPITULO 3
ORTOGRAFIA
42

ATIVIDADES
1. Observe o sentido com que foram empregadas as palavras destacadas nas
frases abaixo. Copie cada uma dessas palavras em seu caderno e procure
atribuir-lhes sinônimos:
- nota da ledora : como as palavras estão destacadas por negrito, visualmente,
serão destacadas aqui, entre parênteses - fim da nota da ledora.
a) A imprensa reprovou o gesto (imoral) feito publicamente pelo governante.
-É uma criança! Suas atitudes são (amorais!)
b) O (comprimento) do terreno não atendia às necessidades da construtora.
Ao chegar, fez um (cumprimento) discreto com a cabeça.
Exigem dele o (cumprimento) de tarefas muito difíceis.
c) O mergulhador (emergiu) trazendo uma ânfora.
O submarino (imergiu) por completo, desaparecendo da nossa vista.
d) O assaltante foi preso em (flagrante).
Sua (fragrante) presença me faz pensar em flores campestres.
e) Cuidado para não lhe (infligir) uma desmoralização injusta!
Foi multado ao (infringir) pela duodécima vez a mesma lei do trânsito.
E ainda acha que tem razão!
f) Seu (mandato) foi encerrado quando o oficial de justiça lhe apresentou o
mandado de prisão.
g) O deputado resolveu abandonar a vida pública. Não se disputariam mais
(pleitos!)
Organizou-se um cerimonioso (preito) para receber o governador.
h) O investimento foi (vultoso); o retorno, praticamente nulo.
Seu rosto (vultuoso) fê-lo procurar um médico.

2. Copie as frases abaixo em seu caderno, fazendo a opção pelo homônimo ou
pelo parônimo adequado a cada caso:
a) Não sei o que é mais útil: (*) as próprias roupas ou (*) a própria comida.
(coser, cozer)
b) É provável que poucas pessoas (*) nestas férias. O preço de uma (*) é
proibitivo! (viagem, viajem)
c) O deputado foi (*) de fisiológico. Aliás, seu programa era (*) ainda mais os
produtores e trabalhadores. (taxado, rachado; tachar, taxar)
d) Resolveu tomar uma chávena de (*) após ter-se encontrado com um lunático
que dizia ser o (*) da Pérsia. (chá; xá)
e) Fui colocado em (*) quando o gerente da loja se recusou a aceitar meu (*)
(cheque, xeque)
f) A (*) de terras aos posseiros foi decidida pela Assembléia Legislativa em (*)
extra-ordinária. A legalização das doações de verá ser feita pela (*) competente do
Ministério Público. (cessão, seção, sessão)
g) Não teve tempo de (*) as culpas antes de (*) (espiar, expiar; espirar, expirar)
h) Há (*) de fazer um (*) em 1999. (tenção, tensão; censo, senso)
i) A (*) tecnologia naval brasileira não encontra estímulos ao seu
desenvolvimento. (insipiente, incipiente)
j) A (*) da Câmara decretou que o deputado corrupto tivesse seu (*) (*)
(cessão, seção, sessão; mandado, mandato; caçado, cassado)
l) A vontade de (*) socialmente o fazia um hipócrita inescrupuloso. Rendia (*)
a diversos figurões, sem nenhuma exceção. (acender, ascender, pleitos, preitos)
m) Agiu com (*) ao ser convocado para fazer a (*) dos envolvidos no caso.
(descrição, discrição)
n) Inutilmente, várias entidades protestaram contra a (*) pela qual os jurados
haviam decidido. Afinal, tratava-se de um crime de (*) racial. (descriminação,
discriminação)
o) Pediu-me que o ajudasse a (*) as despesas. (descriminar, discriminar)
p) Finalmente vai (*) o sinal! Com este calor, não paro de (*) (soar, suar)
CAPÍTULO 3
ORTOGRAFIA
43



3. Escolha no quadro ao lado a letra ou dígrafo apropriado para preencher as
lacunas do texto abaixo:
g, j, c, ç, s, ss, x, xc, z
Novo fenômeno
A chamada globali()a()ão da economia, que redu()iu a importân()ia das fronteiras
nacionais, ampliou o hori()onte de opera()ão e planejamento das empre()as e
tornou os mercados mais dependentes uns dos outros, tra() consigo um grande
potencial de democrati()a()ão para o qual se tem dado pouca aten()ão.
Se de fato informa()ão é poder, a revolu()ão nas telecomunica()ões e a
di()emina()ão de redes como a recém-anunciada Welcom - que promete conectar
estadistas, empre()ários e especialistas em tempo real - e a mais ampla e
conhecida lntemet podem ter o efeito de proporcionar, junto com a informa()ão, a
capa()idade de influir.
Há fatores que restrin()em, ho()e, o alcan()e dessa globali()a()ão da informa()ão.
Mas a po()ibilidade de que tal fenômeno adquira grande importân()ia social e
mesmo política é inegável. Atualmente a capa()idade informativa dos avan()os
tecnológicos na divulga()âo de fatos ocorridos em quaisquer partes do mundo
esbarra na e()e()iva fragmenta()ão das informa()ões e nas defi()iências dos
sistemas de educa()ão.
A televi()ão pode mostrar o que ocorre neste e()ato momento no Sri Lanka, mas a
grande maioria dos tele()pectadores não faz a menor idéia nem sequer de onde
fica esse país, quanto mais do que lá ocorria ontem, ou há um ano.
O a()e()o à Internet, por e()emplo, ainda está restrito a um pequeno número de
pessoas, não só devido ao preço do computador, como também pelas limita()ões
à entrada na rede. E é claro que a di()emina()ão das redes de informática implica
custos com os quais alguém terá de arcar. Mas se todas essas limita()ões
sugerem cautela quanto à real influên()ia da revolu()ão nas comunica()ões, é certo
que o mundo está diante de um novo fenômeno cujo potencial democrático -
entre outras tantas facetas - ainda é minimamente e()plorado.

(Folha de S. Paulo, 5 fev. 1996.)

TEXTO PARA ANÁLISE
-nota da ledora: o texto dado para análise, é uma propaganda da Sharp, com os
seguintes dizeres: Para você nunca mais ter de assistir à Orquestra de Berlim, ao som
do conserto do encanamento de seu vizinho. - novos TVs Sharp com fones de ouvido
sem fio, os barulhos fora da sua programação. - fim da nota da ledora.
CAPíTULO 3
ORTOGRAFIA
44



TRABALHANDO O TEXTO
Esse texto explora criativamente a homofonia. Explique como.

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES
1 (UFPE) Assinale a alternativa em que todas as palavras devem ser completadas
com a letra indicada entre parênteses:
a) *ave, *alé, *ícara, *arope, *enofobia (x)
b) pr*vilégio, requ*sito, *ntitular, *mpedimento (i)
c) ma*ã, exce*ão, exce*o, ro*a (ç)
e) pure*a, portugue*a, cortê*, anali*ar (z)

2 (Univ. Alfenas-MG) Organizamos um () musical () e tivemos o () de contar com um
público educado que teve o bom () de permanecer em silêncio durante o
espetáculo.
a) conserto, beneficiente, privilégio, senso
b) concerto, beneficente, privilégio, censo
c) concerto, beneficente, privilégio, senso
d) conserto, beneficente, previlégio, senso
e) concerto, beneficiente, previlégio, censo

3 (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa em que todas as palavras estão
grafadas corretamente.
a) disenteria, páteo, siquer, goela
b) capoeira, empecilho, jabuticaba, destilar
c) boliçoso, bueiro, possue, crânio
d) borburinho, candieiro, bulir, privilégio
e) habitue, abotoe, quase, constróe

4 (Univ. Alfenas-MG) Apenas uma das frases abaixo está totalmente correta quanto
á ortografia. Assinale-a.
a) Espalhei as migalhas da torrada por todo o trageto.
b) Meu trabalho árduo não obteve hêsito algum.
c) Quiz fazer coisas que não sabia.
d) Ao puxar os detritos, eles voaram no tapete persa.
e) Acrecentei algumas palavras ao texto que corrigi.

5 (UM-SP) Aponte, entre as alternativas abaixo, a única em que todas as lacunas
devem ser preenchidas com a letra u:
a) c()rtume, escap()lir, man()sear, sin()site
b) esg()elar, reg()rgitar, p()leiro, ent()pir
c) emb()lia, c()rtir, emb()tir, c()ringa
d) ()rticária, s()taque, m()cama, z()ar
e) m()chila, tab()leta, m()ela, b()eiro

6 (PUCC-SP) Barbarismos ortográficos acontecem quando as palavras são
grafadas em desobediência à lei ortográfica vigente. Indique a única alternativa
que está de acordo com essa lei e, por isso, correta:
a) exceção, desinteria, pretensão, secenta
b) ascensão, intercessão, enxuto, esplêndido
c) rejeição, beringela, xuxu, atrazado
d) geito, mecher, consenso, setim
e) discernir, quizer, herbívoro, fixário

7 (UNICAMP-SP) A linguagem é figura do entendimento (...). Os bons falam
virtudes e os maliciosos, maldades (...). Sabem falar os que entendem as coisas:
porque das coisas nascem as palavras e não das palavras as coisas.
CAPITULO 3
ORTOGRAPIA
45

O trecho citado extraído da primeira gramática da língua portuguesa (Fernão de
Oliveira, 1536), tinha, na primeira edição dessa obra, a seguinte ortografia:
A Lingoagem e figura do entendimento (...) os bos falão virtudes e os maliçiosos
maldades (...) sabe ( nota da ledora: sabe com til no e, - fim da nota) falar os q etere
(nota da ledora: q étéré, com o til nas letras q, 1o. 2o. e 3o. e ) as cousas: porq
(nota da ledora: porq, com acento til no q - fim da nota ) das cousas naçe (nota da
ledora: naçe, com acento til no e, - fim da nota ) as palauras e não das palauras as
cousas.
- nota da ledora: lembramos ao leitor que este pequeno texto, é reproduzido com
grafia do ano de 1536, e a configuração do editor de texto não permite alteração
nos oito idiomas com que trabalhamos, já que acentuações em determinadas letras,
não são aceitas nos mesmos. Por este motivo, fizemos um comentário maior a
respeito do texto, pelo que nos desculpamos, na tentativa de elucidar melhor a
grafia utilizada, na época. Mas programas são limitados - fim da nota da ledora.
A ortografia do português já foi, portanto, bem diferente da atual, e houve
momentos em que as pessoas que escreviam gozavam de relativa liberdade na
escolha das letras. Hoje em dia, a forma escrita da língua é regida por convenções
ortográficas rígidas, que não devem ser desobedecidas em contextos mais
formais.
Leia com atenção os trechos abaixo, tirados de edições de setembro de um jornal
de São Paulo. Identifique as palavras em que foi violada a convenção ortográfica
vigente. Escreva-as, em seguida, na forma correta.
a) Os atuais ministro e prefeito são amissíssimos de longa data.
b) Mais de metade desses policiais extrapola os limites do dever por serem
mau preparados.
c) Desde o início, o animal preferido em carrosséis é o cavalo, mas há
excessões.

8 (F. Londrina-PR) O jovem falava com muita () e grande () de gestos.
a) expontaneidade, exuberância
b) espontaneidade, exuberancia
c) expontaniedade, exuberancia
d) espontaneidade, exuberância
e) espontaniedade, exuberância

9 (F. Londrina-PR) Numa ação espetacular, os pilotos (), em pleno (), os () de um
jato comercial.
a) apreenderam, voo, seqüestradores
b) apreenderam, vôo, seqüestradores
c) aprenderam, voo, seqüestradores
d) apreenderam, vôo, seqüestradores
e) aprenderam, vôo, seqüestradores

10 (F. Londrina-PR) A () entre os membros do partido acabou provocando uma ()
interna.
a) discidência, cisão
b) dissidência, cizão
c) dissidência, cissão
d) discidência, cizão
e) dissidência, cisão


11 (FCMSCSP) Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas:
Não () os () de () desse tipo.
a) perdoo, deslizes, individuos
b) perdôo, deslizes, indivíduos
c) perdôo, deslises, individuos
d) perdoo, deslises, individuos
e) perdoo, deslizes, individuos


12 (FCMSCSP) Todos os documentos (), sem (), aparentavam grande ().
a) inidônios, exceção, verossemelhança
b) inidônios, excessão, verossemelhança
c) inidônios, exceção, verossimilhança
d) inidôneos, excessão, verossimilhança
e) inidôneos, exceção, verossimilhança


13 (FCMSCSP) Não () a porta desse (), que ela já está meio ().
a) puche, jeito, pensa
b) puxe, jeito, pensa
c) puche, geito, pença
d) puxe, geito, pença
e) puxe, geito, pensa


14 (FUVEST-SP)
a) Forme substantivos femininos a partir das palavras abaixo, empregando
convenientemente s ou z:
limpo, defender, barão, surdo, freguês
b) Forme verbos a partir de:
análise, síntese, paralisia, civil, liso

15 (UFPR) Assinale a alternativa correspondente à grafia correta dos vocábulos:
desli()e, vi()inbo, atravé(), empre()a.
a) z, z, s, s
b) z, s, z, s
c) s, z, s, s
d) s, s, z, s
e) z, z, s, z
Capítulo 3
ORTOGRAFIA
46

16 (FUVEST-SP) Preencha os espaços com as palavras grafadas
corretamente.
A () de uma guerra nuclear provoca uma grande () na humanidade e a deixa ()
quanto ao futuro.
a) espectativa, tensão, exitante
b) espectativa, tenção, hesitante
c) expectativa, tensão, hesitante
d) expectativa, tenção, hezitante
e) espectativa, tenção, exitante

17 (UFV-MG) Observando a grafia das palavras destacadas nas frases abaixo,
assinale a alternativa que apresenta erro: ( nota da ledora: as palavras destacadas
foram colocadas entre parênteses - fim da nota da ledora. )
a) Aquele (hereje) sempre põe (empecilho) porque é muito (pretencioso).
b) Uma falsa meiguice encobria-lhe a (rigidez) e a falta de (compreensão).
c) A (obsessão) é prejudicial ao (discernimento).
d) A (hombridade) de caráter eleva o homem.
e) Eles (quiseram) fazer (concessão) para não (ridicularizar) o (estrangeiro).

18 (F. Londrina-PR) As questões da prova eram
(), () de ().
a) suscintas, apesar, difíceis
b) sucintas, apezar, dificeis
c) suscintas, apezar, dificeis
d) sucintas, apesar, difíceis
e) sucintas, apezar, difíceis

19 (F. São Marcos-SP) Assinale a alternativa cujas palavras estão todas
corretamente grafadas:
a) pajé, xadrês, flecha, misto, aconchego
b) abolição, tribo, pretensão, obsecado, cansaço
c) gorjeta, sargeta, picína, florescer, consiliar
d) xadrez, ficha, mexerico, enxame, enxurrada
e) pagé, xadrês, flexa, mecheríco, enxame

20 (UFE-RJ) Assinale, nas séries abaixo, aquela em que pelo menos uma
palavra contém erro de grafia:
a) capixaba, através, granjear
b) enxergar, primazia, cansaço, majestade
c) flexa, topázio, pagé, desumano
d) chuchu, Inês, dossel, gíria
e) piche, Teresinha, classicismo, jeito

21 (FUVEST-SP) Assinale a alternativa em que todas as palavras estejam
corretamente grafadas:
a) tecer, vazar, aborígene, tecitura, maisena
b) rigidez, garage, dissenção, rigeza, cafuzo
c) minissaia, paralisar, extravasar, abscissa, co-seno
d) abscesso, rechaçar, indu, soçobrar, coalizão
e) lambujem, advinhar, atarraxar, bússola, usofruto

22 (F. C. Chagas-SP) Estavam () de que os congressistas chegassem () para a
() de abertura.
a) receosos, atrasados, sessão
b) receosos, atrazados, seção
c) receiosos, atrazados, seção
d) receiosos, atrasados, sessão
e) receíosos, atrazados, sessão

23 (F. C. Chagas-SP) A () das () levou à () dos trabalhos do departamento.
a) contenção, despezas, paralisação
b) contensão, despezas, paralisação
c) contenção, despesas, paralisação
d) contensão, despesas, paralização
e) contenssão, despesas, paralização

24 (UNIMEP-SP) Assinale a alternativa que contém o período cujas palavras
estão grafadas corretamente:
a) Ele quíz analisar a pesquisa que eu realizei.
b) Ele quiz analizar a pesquisa que eu realizei.
c) Ele quis analisar a pesquisa que eu realizei.
d) Ele quis analizar a pesquisa que eu realisei.
e) Ele quis analisar a pesquisa que eu realisei.

25 (UM-SP) Aponte a alternativa correta:
a) exceção, excesso, espontâneo, espectador
b) excessão, excesso, espontâneo, espectador
CAPITULO 3
ORTOGRAFIA
47
c) exceção, exceço, expontâneo, expectador
d) excessão, excesso, espontâneo, expectador
e) exeção, exeço, expontâneo, expectador

26 (UM-SP) Assinale a alternativa que preencha os espaços corretamente.
Com o intuito de () o trabalho, o aluno recebeu algumas incumbências: () datas, ()
o conteúdo e () um estilo mais moderno.
a) finalisar, pesquisar, analisar, improvisar
b) finalizar, pesquisar, analisar, improvisar
c) finalizar, pesquizar, analisar, improvisar
d) finalisar, pesquisar, analizar, improvizar
e) finalizar, pesquisar, analisar, improvizar

27 (ITA-SP) Em qual das alternativas as palavras estão grafadas corretamente?
a) receoso, reveses, discrição, umedecer
b) antidiluviano, sanguissedento, aguarraz, atribue
c) ineludivel, engolimos, sobressaem, explendoroso
d) encoragem, rijeza, tecitura, turbo-hélice
e) dissensão, excurcionar, enxugar, asimétrico

28 (E. C. Chagas-SP) Com () não raro (), ele
persegue a fama.
a) tenacidade, obscecado
b) tenacidade, obcecada
c) tenascidade, obscecada
d) tenascidade, obcecada
e) tenacidade, obsecada

29 (F. C. Chagas-SP) Não creio que este fato constitua () para sua () na carreira.
a) empecilho, ascensão
b) empecilio, ascenção
c) impecilho, ascensão
d) empecílio, ascensão
e) empecilho, ascenção

(ITA-SP) Examinando as palavras:
viajens gorgeta maizena chícara constatamos que:
a) apenas uma está escrita corretamente.
b) apenas duas estão escritas corretamente.
c) três estão escritas corretamente.
d) todas estão escritas corretamente.
e) nenhuma está escrita corretamente.

31 (PUC-RJ) Preencha as lacunas com s, ss, ç, sc, sç, xc ou x:
a) Exigiu ser re()arcido da quantia que havia pago.
b) O perfume da vela re()endia por toda a casa.
c) A e()entricidade era sua característica mais marcante.

32 (E. C. Chagas-SP) Estou () de que tais () devem ser ()
a) cônscio, privilégios, extintos
b) cônscio, privilégios, estintos
c) cônscio, previlégios, estintos
d) côncio, previlégios, estintos
e) cônscio, previlégios, extintos

33 (F. C. Chagas-SP) Tantas () constituem ().

a) excessões, previlégio inadmissível
b) exceções, privilégio inadmissível
c) esceções, privilégio inadmissivel
d) excessões, privilégio inadimissível
e) exceções, previlégio inadimissivel

34 (F. C. Chagas-SP) Em seu olhar não havia (); havia () e ().
a) mágua, escárneo, desprezo
b) mágoa, escárneo, despreso
c) mágoa, escárnio, desprezo
d) mágua, escárnio, desprêzo
e) mágoa, escárneo, desprezo

*********

CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
49


- nota da ledora: dois terços da página são ocupados por um anúncio do Grupo
Pão de Açúcar com os seguintes dizeres: Os tubarões do orçamento, os elefantes
das estatais, os cobras da informática, as zebras do futebol, as gatas da moda, e
os dinossauros do rock. Para lidar com todos esses bichos, só começando como
foca. - Homenagem do Pão de Açúcar, Extra, Superbox, Peg e Faça, e Eletro às
feras do jornalismo. Nós sabemos como é difícil estar em todos os lugares ao
mesmo tempo. - fim da nota da ledora.


Lendo este anúncio, você perceberá um fato (aparentemente) espantoso: a
maioria das palavras não recebe acento gráfico.
O princípio que presidiu à elaboração das regras de acentuação do português foi
justamente o da economia, reservando os acentos gráficos para as palavras
minoritárias da língua. Você se convencerá disso a seguir.

1. CONCEITOS BÁSICOS
Neste capítulo, estudaremos as regras de acentuação. Elas foram criadas para
estabelecer um sistema que organize a questão da tonicidade (intensidade de
pronúncia) da sílaba portuguesa.

Quando você diz café, uma das sílabas é pronunciada com mais intensidade do
que a outra.

Você deve ter percebido que a sílaba mais forte é fé, que é a tônica. A outra sílaba,
ca, é fraca, ou seja, é pronunciada com pouca intensidade tonal. Por isso é átona.
A parte da acentuação que estuda a posição dessas sílabas nas palavras recebe
o nome de acentuação tônica.
Na língua escrita, há elementos que procuram apresentar a posição da sílaba
tônica e outras particularidades, como timbre (abertura) e nasalização das vogais.
Esses elementos são os chamados acentos gráficos. O estudo das regras que
disciplinam o uso adequado desses sinais é a acentuação gráfica.

2 ACENTUAÇÃO TÔNICA
Quem é que não conhece aquela famosa brincadeira que se faz com as palavras
sabia/sabiá? "Você sabia que o sabiá sabia assobiar?" A brincadeira se baseia na
diferente posição da sílaba tônica de sabia (bi) e de sabiá (á). Seria possível, ainda,
acrescentar à brincadeira a palavra sábia, cuja sílaba tônica É sá.
Na língua portuguesa, a sílaba tônica pode aparecer em três diferentes posições;
conseqüentemente, as palavras podem receber três classificações quanto a esse
aspecto:
a) oxítonas são aquelas cuja sílaba tônica É a última: você, café, jiló, alguém,
ninguém, paul, ruim, carcará, vatapá, anzol, condor;
b) paroxítonas são aquelas cuja sílaba tônica é a penúltima: gente, planeta,
homem, alto, âmbar, éter, dólar, pedra, caminho, amável, táxi, hífen, álbum, vírus,
tórax;
c) proparoxítonas - são aquelas cuja sílaba tônica é a antepenúltima: lágrima,
trânsito, xícara, úmido, Alcântara, mágico, lâmpada, ótimo, médico, fanático.
Você observou que, nos exemplos dados para os três casos, só há palavras com
mais de uma sílaba. Quanto às de apenas uma sílaba, os chamados
monossílabos, há divergências quanto à sua classificação tônica. Quando
apresentam tonicidade, como no caso de má, pó, fé, há quem as considere
simplesmente monossílabos tônicos. Outros preferem dizer que são "oxítonas de
apenas uma sílaba". A questão é polêmica, mas a primeira tese (monossílabos
tônicos) tem mais adeptos.
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
50

- nota da ledora: propaganda da Samello com a seguinte legenda: Deckshoes
Samello. Seus pés prontos para o verão - representação dos cinco dedos do pé,
cada um usando óculos de sol, proporcional ao seu tamanho. - fim da nota.
É importante destacar que só se percebe se um monossílabo é tônico ou átono
pronunciando-o numa seqüência de palavras, ou seja, numa frase. Experimente
com o verbo pôr e a preposição por. Leia a frase "Fazer por fazer" e depois
substitua o verbo fazer pelo verbo pôr ("Pôr por pôr"). Que tal? Fica clara a
diferença entre o verbo, que é tônico, e a preposição, que é átona. Note que o o da
preposição por tende a ser lido como u ("pur"), o que é um sintoma da
atonicidade.
Qual é a sílaba tônica de pele? Como você pronuncia o segundo e? Como i
("peli"), não é? O e átono é pronunciado como i, e o o, como u.
Veja esta frase:
Há pessoas extremamente más, mas há outras extremamente boas.
Percebeu a diferença entre más e mas? A primeira é um monossílabo tônico; a
segunda é um monossílabo átono.
Em português, existem algumas palavras dissílabas átonas, como a preposição
para.
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
51

Prosódia
A língua culta determina a posição correta da sílaba tônica de uma palavra. É
muito comum a divergência entre a pronúncia praticada no dia-a-dia e a
recomendada pelos dicionários e gramáticas. Quase ninguém pronuncia "dúplex"
(paroxítona), como recomendam os dicionários. O que se ouve mesmo é "duplex"
(oxítona). A parte da Fonologia que estuda e fixa a posição da sílaba tônica é a
prosódia. Quando ocorre um erro de prosódia, ou seja, a troca da posição da
sílaba tônica, verifica-se o que se chama de silabada. É bom lembrar que a
pronúncia culta sempre prevalece nesses casos.
Leia em voz alta as palavras a seguir, destacando a sílaba tônica. Procure
memorizar e empregar a forma culta desses vocábulos.
São oxítonas: cateter, condor, ruim, ureter, Nobel, mister ("Para viver um grande
amor, mister é ser homem de uma só mulher" - Vinicius de Moraes).
São paroxítonas: avaro, austero, aziago, ciclope, filantropo, ibero, pudico,
juniores, látex, recorde, rubrica, têxtil.
São proparoxítonas: aerólito, ínterim, aríete, levedo, ômega, bávaro, crisântemo,
monólito, trânsfuga.
Existem palavras que admitem dupla pronúncia: acróbata/acrobata;
hieróglifo/hieroglifo; projétil/projetil; reptil/reptil; Oceânia/Oceania;
transistor/transistor; xérox/xerox. O melhor mesmo é não "chutar". Dúvidas
quanto à prosódia devem ser resolvidas por meio de consulta a um bom
dicionário.

ATIVIDADES

1. Classifique as palavras destacadas nas frases abaixo, de acordo com a posição
da sílaba tônica:
- nota da ledora: as palavras destacadas foram colocadas entre parênteses - fim
da nota.
a) Ninguém (sabia) o que fazer.
b) Era uma pessoa (sábia).
c) Vivo querendo ver o tal (sabiá) que canta nas palmeiras.
d) Anos antes ele (cantara) no Teatro Municipal.
e) Anunciaram que ele (cantará) no Teatro Municipal.
f) Não (contem) com a participação dele. Ele alega que nosso movimento
(contém) interesses particulares e que, por isso, não (está) disposto a contribuir
para (esta) causa.
g) Tudo não passou de um (equívoco).
h) Raramente me (equivoco).
i) Você conhece alguém que saiba tocar (cítara)?
j) Ele (citara) o nome do amigo durante o primeiro depoimento. Todos
aguardam para saber se ele o (citará) novamente.
Classificação das palavras quanto à tonicidade
a) palavras de uma sílaba:
monossílabos átonos e monossílabos tônicos.
b) palavras de mais de uma sílaba:
oxítonas, quando a sílaba tônica é a última;
paroxítonas, quando a sílaba tônica é a penúltima;
proparoxítonas, quando a sílaba tônica é a antepenúltima.
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
52

2. Classifique os monossílabos destacados nas frases seguintes, de acordo
com a tonicidade:
a) O caminho (por) onde vou para casa é sempre o mesmo.
b) Suas malas? Vou (pôr) onde houver espaço.
c) (Que) tipo de candidato você elegeu na última eleição? E (por quê)?
d) Eram pessoas (más), (mas) poucos sabiam disso.
e) Eles (se) conheceram (há) poucos meses.
f) (Sê) feliz com teus sonhos, meu amigo, (e) constrói (a) tua vida.

3. Substitua cada uma das palavras ou expressões destacadas nas frases
seguintes por uma única palavra. As palavras procuradas costumam oferecer
problemas de prosódia; por isso, esteja atento e não cometa silabadas.
a) O (grande pássaro andino) é o símbolo da América do Sul.
b) Foi necessário introduzir um (instrumento médico tubular) em seu antebraço.
c) É (necessário) fiscalizar a atividade dos prefeitos e vereadores.
d) O sabor da comida não era (mau), mas seu aspecto era desanimador.
e) É um indivíduo (que evita o convívio social). Sua conduta (é cheia de gravidade
e seriedade).
f) Ele se diz um especialista em (leitura das mãos e leitura das cartas). E jura que
só presta serviços (que não custam nada).
g) A partida entre o time dos (mais jovens) e o time dos (mais velhos) bateu (a
melhor marca) anterior de pontos marcados.
h) Não foi possível obter a (assinatura abreviada) dos participantes do
encontro.
i) O (modelo) do avião estava em exposição nos arredores do (campo de pouso
e decolagem).
j) Fomos e voltamos em poucos minutos; nesse (intervalo), ele desapareceu.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA
OS ACENTOS
A acentuação gráfica consiste na aplicação de certos sinais escritos sobre
algumas letras para representar o que foi estipulado pelas regras de acentuação,
que estudaremos adiante. Esses sinais, que fazem parte dos diacríticos - além
dos acentos, o trema, o til, o apóstrofo e o hífen, são:
a) o acento agudo (') - colocado sobre as letras a, i, u e sobre o e do grupo -em,
indica que essas letras representam as vogais tônicas da palavra: carcará, caí,
súdito, armazém. Sobre as letras e e o, indica, além de tonicidade, timbre aberto:
lépido, céu, léxico, apóiam;
b) o acento circunflexo (^) - colocado sobre as letras a, e e o, indica, além de
tonicidade, timbre fechado: lâmpada, pêssego, supôs, vêem, Atlântico;
c) o trema (ô) - indica que o u é semivogal, ou seja, é pronunciado atonamente nos
grupos gue, gui, que, qui: ungüento, sagüi, seqüestro, eqüino;
CAPíTULO 4
ACENTUAÇÃO
53

d) o til (~) - indica que as letras a e o representam vogais nasais: alemã, órgão,
portão, expõe, corações, ímã;
e) o acento grave (`) - indica a ocorrência da fusão da preposição a com os artigos a
e as, com os pronomes demonstrativos a e as e com a letra a inicial dos pronomes
aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo: à, às, àquele, àquilo.
ASPECTOS GENÉRICOS DAS REGRAS DE ACENTUAÇÃO
As regras de acentuação foram criadas para sistematizar a leitura das palavras
portuguesas. Seu objetivo é deixar claros todos os procedimentos necessários
para que ninguém tenha nenhuma dúvida quanto à posição da sílaba tônica, o
timbre da vogal, o fonema representado pela letra u, a nasalização da vogal.

As regras fundamentais de acentuação gráfica baseiam-se numa constatação que
pode facilmente ser observada nas palavras que aparecem na canção "Onde
anda você", de Hermano Silva e Vinicius de Moraes, cuja letra diz:

E, por falarem saudade, onde anda você?
Onde andam seus olhos, que a gente não vê?
Onde anda esse corpo, que me deixou morto de tanto prazer?
E, por falarem beleza, onde anda a canção que se ouvia na noite,
Nos bares de então, onde a gente ficava, onde a gente se amava
Em total solidão?
Hoje eu saio na noite vazia, numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares, que, apesar dos pesares, me trazem você
E, por falarem paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você?


Há no texto 106 palavras. Você pode conferir, se não confiar na contagem.
Aproveite e procure as palavras proparoxítonas do texto. Procurou? Quantas há?
Nenhuma. Das palavras de mais de uma sílaba (sessenta e duas), quarenta e três
são paroxítonas. Esses dados correspondem exatamente ao perfil básico da
tonicidade das palavras da língua portuguesa: as proparoxítonas são pouco
comuns, as paroxítonas são maioria e as oxítonas ocupam a vice-liderança.
Além disso, é possível observar que todas as paroxítonas do texto terminam em a,
e e o, e nenhuma recebe acento gráfico. Esses fatos provam que as regras foram
feitas para evitar a acentuação das palavras mais comuns na língua. Aliás, você
deve ter percebido que, das 106 palavras do texto, apenas oito recebem algum
tipo de acento, incluindo o til, e que só a palavra você apareceu quatro vezes.
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
54

- nota da ledora: propaganda da Bradesco Seguros de automóveis: na foto, um
pincel de barbeiro, usado para espalhar o creme de barbear no rosto do cliente, e
a legenda: Esta cidade está cheia de barbeiros. - alusão aos maus motoristas - fim
da nota.

As regras de acentuação se regem por princípio da economia: por isso esta ( paroxítona ) não recebe
acento, mas está (oxítona) sim.

E por que você, oxítona terminada em e, leva acento? Porque as oxítonas
terminadas em e são menos numerosas que as paroxítonas terminadas em e.
Para comprovar isso, basta verificar que quase todos os verbos apresentam pelo
menos uma forma paroxítona terminada em e (fale, pense, grite, estude, corre,
sofre, perde, vende, permite, dirige, assiste, invade). E o que se acentua, a maioria
ou a minoria? A minoria, sempre a minoria.
Que tal, então, parar de dizer que há muitos acentos em português?

AS REGRAS BÁSICAS

Como vimos, as regras de acentuação gráfica procuram reservar os acentos para
as palavras que se enquadram nos padrões prosódicos menos comuns da língua
portuguesa. Disso, resultam as seguintes regras básicas:

a) proparoxítonas - são todas acentuadas. E o caso de: lâmpada, Atlântico, Júpiter,
ótimo, flácido, relâmpago, trôpego, lúcido, víssemos.

b) paroxítonas - são as palavras mais numerosas da língua e justamente por isso
as que recebem menos acentos. São acentuadas as que terminam em:
i, is: táxi, beribéri, lápis, grátis;
us, um, uns: vírus, bônus, álbum, parabélum (arma de fogo), álbuns, parabéluns;
l, n, r, x, ps: incrível, útil, próton, elétron, éter, mártir, tórax, ônix, bíceps, fórceps;
ã, ãs, ão, ãos: ímã, órfã, ímãs, órfãs, bênção, órgão, órfãos, sótãos;
ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de s: água, árduo, pônei, vôlei,
cáries, mágoas, pôneis, jóqueis.
c) oxítonas - são acentuadas as que terminam em:
a, as: Pará, vatapá, estás, irás;
e, es: você, café, Urupês, jacarés;
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
55

o, os: jiló, avô, retrós, supôs;
em, ens: alguém, vintém, armazéns, parabéns.
Verifique que essas regras criam um sistema de oposição entre as terminações
das oxítonas e as das paroxítonas. Compare as palavras dos pares seguintes e
note que os acentos das paroxítonas e os das oxitonas são mutuamente
excludentes:
portas (paroxítona, sem acento) e atrás (oxítona, com acento);
pele (paroxítona, sem acento) e café (oxítona, com acento);
corpo (paroxítona, sem acento) e maiô (oxítona, com acento);
garantem (paroxítona, sem acento) e alguém (oxítona, com acento);
hifens (paroxítona, sem acento) e vinténs (oxítona, com acento);
táxi (paroxítona, com acento) e aqui (oxítona, sem acento).
d) monossílabos tônicos - são acentuados os terminados em:
a, as: pá, vá, gás, Brás;
e, es: pé, fé, mês, três;
o, os: só, xô, nós, pôs.

- nota da ledora: propaganda do bombom Sonho de Valsa, da Lacta, com o
seguinte teor: Foi bombom para você também? - apresentando uma foto do
bombom - fim da nota.
Temos acima duas oxítonas acentuadas: você (porque termina em e) e também (pois
sua terminação é em).

ATIVIDADES
1. A relação abaixo é formada por palavras inventadas. Observe atentamente
cada uma delas e, baseado no seu conhecimento sobre o sistema de regras de
acentuação da língua portuguesa, coloque os acentos gráficos que julgar
necessários:
a) astrider (proparoxítona)
b) sensinen (paroxítona)
c) feIo (oxítona, o fechado)
d) nerta (oxítona, a nasal)
e) mardo (paroxítona)
f) aminho (proparoxítona)
g) carpips (paroxítona)
h) crestons (oxítona)
i) explons (paroxítona, e fechado)
j) mirmidens (paroxítona)
l) curquens ( oxítona)
m) artu (paroxítona)
n) quistuns (oxítona)
o) ardovel (paroxítona, o aberto)
p) cipodeis (paroxítona, o aberto)
q) ormar (oxítona)
r) senser (paroxítona, e fechado)
s) lolux (oxítona)
t) atonde (paroxítona)
u) cliclex (paroxítona)
CAPíTULO 4
ACENTUAÇÃO


2. Nas frases seguintes, cada palavra ou expressão destacada substitui um
monossílabo cujo número de letras vem indicado entre parênteses. Procure
identificar esse monossílabo, grafando-o corretamente:
a) (Entregue) (2) os papéis a ele. Diga-lhe que não (coloquei) (3) minha rubrica
em nenhum deles porque não concordo com as idéias expostas.
b) (Existem) (2) motivos para temer as pessoas ruins (3).
c) Ele nos faz uma visita a cada (trinta dias) (3).
d) Colocou (3) as mãos em operação e tentou desfazer os (emaranhados) (3)
que as crianças haviam deixado na linha.
e) Comprou diversas (ferramentas para cavar) (3).
f) Hoje ele deu duro: espanou (poeira) (2), carregou botijões de (combustível
para fogão de cozinha) (3), lavou o piso (4) e ainda (colocou) (3) nossa única
cabeça de gado (3) no pasto.
g) Sentimos pena (2) e revolta.

AS REGRAS ESPECIAIS:

Além dessas regras que você acabou de estudar e que se baseiam na posição da
sílaba tônica e na terminação, há outras, que levam em conta aspectos
específicos da sonoridade das palavras. Essas regras são aplicadas nos
seguintes casos:

Hiatos
Quando a segunda vogal do hiato for i ou u, tônicos, acompanhados ou não de s,
haverá acento: saída, proíbo, faísca, caíste, saúva, viúva, balaústre, carnaúba,
país, aí, baú,
segunda vogal: i ou u tônico.
Cuidado: se o i for seguido de nh, não haverá acento. É o caso de: rainha,
moinho, tainha, campainha. Também não haverá acento se a vogal i ou a vogal u
se repetirem, o que ocorre em poucas palavras: vadiice, sucuuba, mandriice, xiita.
Convém lembrar que, quando a vogal i ou a vogal u forem acompanhadas de
outra letra que não seja s, não haverá acento: ruim, juiz, paul, Raul, cairmos,
contribuiu, contribuinte.

Quando, nos grupos ee e oo, a primeira vogal for tônica, haverá acento circunflexo:
crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, prevêem, revêem, côo, vôo, enjôo,
magôo, abotôo.
Note que a terminação êem é exclusiva dos verbos crer, dar, ler, ver e derivados
(descrer, reler, prever, rever, antever e outros). Não ocorre a terminação êem nos
verbos ter, vir e derivados (deter, manter, entreter, conter, reter, obter, abster,
intervir, convir, provir e outros).

Ditongos
Ocorre acento na vogal tônica dos ditongos ei, eu, oi, desde que sejam abertos,
como em anéis, aluguéis, coronéis, idéia, geléia, céu, chapéu, réu, véu, troféu,
apóiam, heróico, jóia, estóico, esferóide.
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
57

Cuidado: não haverá acento se o ditongo for aberto, mas não tônico:
chapeuzinho, heroizinho, aneizinhos, pasteizinhos, ideiazinha. Você notou que,
em todas essas palavras, a sílaba tônica é zi. Se o ditongo apresentar timbre
fechado, também não haverá acento, como em azeite, manteiga, eu, judeu,
hebreu, apoio, arroio, comboio.

Coloca-se trema sobre a letra u pronunciada atonamente nos grupos gue, gui, que,
qui, nos quais acaba ocorrendo ditongo crescente: lingüiça, seqüestro, eqüino,
agüentar, ungüento, tranqüilo, conseqüência, argüir.
Cuidado: se nesses mesmos grupos (gue, gui, que, qui) a letra u for
pronunciada tonicamente, haverá acento agudo, como em apazigúe, obliqúe,
argúi, argúem, averigúe, averigúem, obliqúem.
Formas verbais seguidas de pronomes oblíquos
Para acentuar as formas verbais associadas a pronomes oblíquos, leve em conta
apenas o verbo, desprezando o pronome. Considere a forma verbal do jeito que você a
pronuncia e aplique a regra de acentuação correspondente. Em cortá-lo, considere cortá,
oxítona terminada em a e, portanto, acentuada. Em incluí-lo, considere incluí, em que
ocorre hiato. Já em produzi-lo, não há acento, porque produzi é oxítona terminada
em i.

-nota da ledora: Propaganda da Manufatura de Cinema, com a palavra Seqüência - e a seguinte
legenda: O trema em seqüência assinala a letra u pronunciada atonamente no grupo que.

Acentos diferenciais
Existem algumas palavras que recebem acento excepcional, para que sejam
diferenciadas, na escrita, de suas homônimas. São casos muito particulares e, por
isso mesmo, pouco numerosos. Convém iniciar a relação lembrando o acento que
diferencia a terceira pessoa do singular da terceira pessoa do plural do presente
do indicativo dos verbos ter e vir:

ele tem - eles têm
ele vem - eles vêm
Com os derivados desses verbos, é preciso lembrar que há acento agudo na
terceira pessoa do singular e circunflexo na terceira do plural do presente do
indicativo:
ele detém - eles detêm
ele mantém - eles mantêm
ele intervém - eles intervêm
ele provém - eles provêm
ele obtém - eles obtêm
ele convém - eles convêm
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
58

- nota da ledora: - nesta página, apresentam-se quatro logotipos usados por
guardadores de carros - fim da nota.

No 2º e no 3º quadros, pára recebe acento porque é forma do verbo parar. O acento
serve para distingui-la de para (sem acento), preposição.

Existe apenas um acento diferencial de timbre em português: pôde (terceira
pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo poder), diferencial de pode
(terceira do singular).
Há ainda algumas palavras que recebem acento diferencial de tonicidade, ou seja,
são palavras que se escrevem com as mesmas letras, mas têm oposição tônica
(uma é tônica, a outra é átona). São as seguintes:

pôr (verbo)
por (preposição)

pára (forma do verbo parar, também presente em algumas palavras compostas:
pára-brisa, pára-quedas, pára-raios, pára-lama)
para (preposição)
côas, côa (formas do presente do indicativo do verbo coar)
coas, coa (preposição com + artigo a e as, respectivamente; essas formas são
comuns em poesia)
péla, pélas (formas do verbo pelar, ou substantivos)
pela, pelas (contrações de preposição e artigo)
pêlo, pêlos (substantivos)
pélo (forma do verbo pelar)
pelo, pelos (contrações de preposição e artigo)
pêra (substantivo)
péra (substantivo)
pera (preposição arcaica)
pêro, Pêro (substantivos)
pero (conjunção arcaica)
pôla (substantivo)
póla (substantivo)
pola (contração arcaica de preposição e artigo)
pôlo (substantivo)
pólo (substantivo)
polo (contração arcaica de preposição e artigo)

CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
59

TEXTOS PARA ANÁLISE
- nota da ledora: anúncio do Jornal do Brasil - classificados - com os seguintes
dizeres: - se é pra vender como água, pra quê chover no molhado? Seja direto
com quem interessa. Anuncie no Classificado que interessa. - fim da nota.
TRABALHANDO O TEXTO
Há, no texto acima, um erro de acentuação gráfica. Aponte-o e explique por que
ele ocorre.

- nota da ledora: propaganda da Companhia Vale do Rio Doce, nos termos
seguintes: Transparência, Eficiência, Coerência. Conseqüência: a Vale ganhou o
Prêmio Mauá. - fim da nota.
TRABALHANDO O TEXTO
1. Justifique a acentuação gráfica das palavras transparência, eficiência e
coerência.
2. Observe como está grafada, no texto, a palavra conseqüência. Essa grafia
está correta? Explique.
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
60

Construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado.

(HOLLANDA, Chico Buarque de. ln: Chico Buarque. São Paulo, Abril Educação, 1980.
p.i
28-9. Literatura comentada.)
- nota da ledora : na página um desenho, alongado, de uma construção estilizada.
- fim da nota.

CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
61
TRABALHANDO O TEXTO

1. Observe a última palavra de cada um dos versos do texto. Por que todas
são acentuadas graficamente?
2. Por que as palavras do tipo a que se refere a questão anterior são todas
acentuadas graficamente?
3. Além da última palavra de cada verso, só há uma outra acentuada no texto.
Qual é e por que recebe acento gráfico?
4. A partir do que se vê no texto e nas três questões anteriores, pode-se
concluir que em português as palavras que recebem acento gráfico são maioria ou
minoria? Explique.
5. Classifique quanto à tonicidade estas palavras, retiradas do texto: última,
máquina, náufrago, música, público, tráfego, último. Se fosse eliminado o acento
gráfico, as palavras continuariam existindo? Explique.
6. Que efeito causa o emprego de palavras de mesma acentuação tônica no
final de cada verso? Comente.
7. "Morreu na contramão atrapalhando o sábado."
Por que se pode dizer que essa é uma maneira irônica e patética de sintetizar o
espírito do texto?


QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES
1(Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa em que todas as palavras prescindem
de acentuação gráfica, se forem seguidas as regras da gramática normativa atual:
a) até, ôlho-de-boi, êle
b) ôlho-de-boi, pôde, já
c) prêto, aquêle, capêta
d) até, já, dôido
e) êle, só, ninguém

2 (Univ. Alfenas-MG) A mesma regra de acentuação que vale para rápida, vale tam-
bém para:
a) mutável, estaríamos, vírgula, admissíveis
b) vírgula, simbólica, símbolo, hieróglifos
c) ortográfico, colégios, egípcios, língua
d) básicos, difícil, colégios, língua
e) português, inglês, símbolos, língua

3 (FAAP-SP) Justifique a acentuação dos seguintes vocábulos:
a) históricos
b) índio
c) país
d) herói

4 (ACAFE-SC) Assinale a alternativa incorreta:
a) Esôfago, órgão e afôito são palavras acentuadas graficamente.
b) Bêbado, bálsamo e binóculo são proparoxítonas.
c) Exausto, arroio e ofício são palavras trissílabas.
d) Lei e lua apresentam ditongo e hiato, respectivamente.
e) Caminho apresenta sete letras e seis fonemas.

5 (CEFET-PR) Observando a grafia e acentuação, indique a alternativa em
que todas as palavras estão corretas:
a) privilégio, espontâneo, ressurreição
b) má-criação, abstração, exitação
c) maciço, sisudez, classissismo
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
62


d) acessor, sargeta, senzala
e) incursão, propenção, mixto

6 (FUVEST-SP) Assinale a alternativa em que o texto está acentuado
corretamente.
a) A princípio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgilia era a perfeição
mesma, um conjunto de qualidades sólidas e finas, amorável, elegante, austera,
um modêlo.
b) A princípio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgília era a perfeição
mesma, um conjunto de qualidades sólidas e finas, amorável, elegante, austera,
um modelo.
c) A princípio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgília era a perfeição
mesma, um conjunto de qualidades solidas e finas, amoravel, elegante, austera,
um modêlo.
d) A principio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgilia era a perfeição
mesma, um conjunto de qualidades sólidas e finas, amorável, elegante, austera,
um modelo.
e) A princípio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgília era a perfeição
mesma, um conjunto de qualidades sólidas e finas, amoravel, elegante, austera,
um modelo.

7 (ITA-SP) Assinale a alternativa em que todas as palavras podem estar corretas
quanto à acentuação gráfica:
a) seco, sozinhas, récorde, contens, rebôos, pêlos
b) pára, pôr, vêm, côas, provêm, contêm
c) pêlos, pélo, pêras, póde, argúem, avaros
d) pélo, intervém, têm, itens, reúnem, corrói
e) vem, averigúem, pôde, esfíncter, heroína, pospôr

8 (ITA-SP) Assinale a alternativa cujas palavras devem ser graficamente
acentuadas, respectivamente, pelas mesmas regras de feiura, apazigue, paranoico,
texteis, interim:
a) Adail, enxague, heroico, orfão, homografas
b) ruidos, averiguem, caracoizinhos, fosseis, bramane
c) juizes, frequente, bachareis, bençãos, pudico
d) substituidas, arguem, escarceu, nevoa, bigamo
e) baus, apaziguemos, onomatopeico, alcoois, biotipo

9 (PUCC-SP) Assinale a série em que todos os vocábulos estão escritos de
acordo com as normas vigentes de acentuação gráfica:
a) item, juizes, juri, córtex, magôo
b) Luís, vírus, eletron, hífens, espírito
c) espontâneo, táxi, rúbrica, bênção, apazigue
d) através, intuito, álbuns, varíola, sauna
e) dolar, zebú, ritmo, atraí-lo, bangalô

10 (PUCC-SP) Assinale a alternativa correspondente à frase em que não há
nenhum erro de ortografia e acentuação.
a) Embora quisesse pôr o caso em discussão, hesitou muito ao perceber o
constrangimento de todos.
b) À exceção do representante do corpo doscente, puzeram-se a favor da
proposta do ex-reitor sómente seus ex-discípulos.
c) Atraz de tanta segurança, estava a ocultar todo o ressentimento que remoia
a anos.
d) De tanto remexer na memória o que lhe escapava à compreensão, já não
sabia mais o quê dava tanta vida àquele amontoado de lembranças.
e) Arrependia-se sempre da rispidez com que a recebia, pois não precisava
ser advinho para saber que dali há instantes choraria por ela.

11 (PUCC-SP) Assinale a alternativa correspondente à frase em que não há
nenhum erro de ortografia e acentuação.
a) Estavam estranhando no seu geito, e não entendiam o por que de tanta
controvérsia se ela já se pronunciara à favor da nova tese.
b) O trabalho supunha análise minuciosa de vários itens, o que justificava a
exigência de mais tempo para sua execução e de mais material à disposição dos
pesquizadores.

CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
63


c) Obrigado à fazer o que ninguém quiz, sentiu-se humilhado, mas de repente
suspos que, atravéz da difícil tarefa, poderia alcançar notoriedade.
d) Pressentiu que eles não tinham percebido a extensão do problema que
apontara, e pôde comprovar sua impressão quando se referiram aquilo que
dissera, sem dar o devido peso a suas palavras.
e) Hora aqui, hora ali, corria atrás de suas pretensões, sem nenhum excrúpulo
de tirar vantagem do que quer que fôsse.

12 (UNESP) justifique a acentuação nos seguintes vocábulos:
a) conveniência
b) também
c) matéria
d) espírito

13 (UNESP) Ruínas é uma palavra acentuada. Explique por quê. A seguir,
responda:
O vocábulo ruim deve ou não levar acento? justifique.

14 (FGV-RJ) Assinale a alternativa que completa corretamente as frases:
I. Cada qual faz como melhor lhe ().
II. O que () estes frascos?
III. Neste momento os teóricos () os conceitos.
IV. Eles () a casa do necessário.
a) convém, contém, revêem, provêem
b) convém, contêm, revêem, provêm
c) convém, contém, revêm, provém
d) convêm, contém, revêem, provêem
e) convêm, contêm, revêem, provêem

15 (ITA-SP) Assinale a seqüência sem erro de acentuação:
a) pára (verbo), pêlo (subst.), averigúe, urutu
b) para (verbo), pelo (subst.), averigúe, urutu
c) pára (verbo), pêlo (subst.), averigüe, urutu
d) pára (verbo), pelo (subst.), averigüe, urutú
e) para (verbo), pelo (subst.), averigue, urutu
16 (UM-SP) Assinale a única alternativa em que nenhuma palavra é acentuada
graficamente:
a) bonus, tenis, aquele, virus
b) repolho, cavalo, onix, grau
c) juiz, saudade, assim, flores
d) levedo, carater, condor, ontem
e) caju, virus, niquel, ecloga

17 (E. C. Chagas-SP) Por favor, () com esse (), pois precisamos de ()
a) para, ruído, tranqüilidade
b) para, ruido, tranquilidade
c) para, ruído, tranqüilidade
d) pára, ruído, tranqüilidade
e) pára, ruido, tranqüilidade

18 (PUCC-SP) A última reforma ortográfica aboliu o acento gráfico da sílaba
subtônica e o acento diferencial de timbre. Por isso, não há erro de acentuação na
alternativa:
a) surpresa, pelo (contração), sozinho
b) surpresa, pelo (contração), sózinho
c) surprêsa, pélo (verbo), sozinho
d) surpresa, pêlo (substantivo), sòzinho
e) n.d.a.

19 (PUCC-SP) Assinale a alternativa de vocábulo corretamente acentuado:
a) hífen
b) item
c) ítens
d) rítmo
e) n.d.a.

20 (CESGRANRIO-RJ) Assinale a opção em que os vocábulos obedecem à
mesma regra de acentuação gráfica:
a) terás/límpida
b) necessário/verás
c) dá-lhes/necessário
d) incêndio/também
e) extraordinário/incêndio

21 (FEI-SP) Reescreva as palavras abaixo, colocando o acento gráfico
conveniente:
perdoo, orfã, filantropo, textil

22 (FUVEST-SP) Assinale a alternativa em que todas as palavras estão
corretamente acentuadas:
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
64

a) Tietê, órgão, chapéuzinho, estrêla, advérbio
b) fluido, geléia, Tatui, armazém, caráter
c) saúde, melância, gratuito, amendoim, fluído
d) inglês, cipó, cafézinho, útil, ltú
e) canôa, heroísmo, crêem, Sergípe, bambú

23 (UM-SP) Assinale a alternativa em que a acentuação da forma verbal está
incorreta:
- nota da ledora: a palavra grifada foi colocada entre parêntese. - fim da nota.
a) Os pais não (vêem) graça nos atos dos filhos indisciplinados.
b) Toda sua conversa (contém) palavras ora de revolta, ora de ternura.
c) Nada me perturba a paz interna, nem mesmo quando a minha consciência
me (argui).
d) Em quase todas a reuniões, os ministros (retêm) as reformas dos planos de
ensino.
e) Seus atos inconscientes (intervêm) constantemente na minha tranqüilidade.

24 (UFF-RJ) Só numa série abaixo estão todas as palavras acentuadas
corretamente. Assinale-a.
a) rápido, séde, côrte
b) Satanás, ínterim, espécime
c) corôa, vatapá, automóvel
d) cometí, pêssegozinho, viúvo
e) lápis, raínha, côr

25 (FGV-RI) Assinale a alternativa em que todas as palavras estão corretamente
grafadas:
a) raiz, raízes, sai, apóio, Grajau
b) carretéis, funis, índio, hifens, atrás
c) juriti, ápto, âmbar, difícil, almoço
d) órfão, afável, cândido, caráter, Cristovão
e) chapéu, rainha, Bangú, fossil, conteúdo

26 (UFV-MG) Assinale a alternativa em que há erro de acentuação gráfica:
a) apóiam, obliqúe, averigúe
b) inexcedível, influi, enjôo
c) cauím, egoísta, contém
d) órgão, estréiam, saúva
e) conclui, além-túmulo, médium

27 (UNESP) Abaixo relacionamos algumas palavras:
República, porém, reações, vitima, Gegê, emissários, estória, também, contrário,
memória, até, água, caique, conclusão
Marque a alternativa que contém regra de acentuação gráfica que não seja
aplicável a nenhuma das palavras da relação acima:
a) Põe-se o acento agudo no i e no u tônicos que não formam ditongo com a
vogal anterior.
b) Todas as palavras proparoxítonas devem ser acentuadas graficamente.
Incluem-se neste preceito os vocábulos terminados em encontros vocálicos que
podem ser pronunciados como ditongos crescentes.
c) Assinala-se com acento agudo o u tônico precedido de g ou q e seguido de
e ou i.
d) Assinalam-se com o acento agudo os vocábulos oxítonos que terminam em
a, e, o abertos, e com o acento circunflexo os que acabam em e, o fechados,
seguidos ou não de s.
e) Usa-se o til para indicar a nasalização, e vale como acento tônico se outro
acento não figura no vocábulo.
CAPÍTULO 4
ACENTUAÇÃO
65

*********

PARTE 2
MORFOLOGIA
CAPÍTULO 5
67


- nota da ledora: propaganda com os seguintes teores: Os Gordos - com Nicolau
Breyner - domingo, no canal 1, e do Diet Shake - não faça lipo ( referência a
lipoaspiração ) , faça aspiração ( mostrando um copo vazio, de diet shake, com
um canudo) - e uma propaganda - fim da nota.


CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
68

A língua portuguesa apresenta dois processos básicos para a formação das
palavras: a derivação e a composição.

"Os gordos" constitui exemplo de derivação imprópria: a palavra gordos,
originalmente adjetivo, converteu-se em substantivo sem sofrer qualquer
acréscimo ou supressão em sua forma.
O segundo exemplo alude a uma palavra formada por composição (lipoaspiração)
e, decompondo-a, tenta convencer o leitor a gastar seu dinheirinho com
guloseimas, em vez de fazê-lo com cirurgia estética.


CONCEITOS BÁSICOS
Sabemos que a Morfologia estuda a estrutura, a formação, a classificação e as
flexões das palavras. Neste capítulo, iniciamos nossos estudos de Morfologia:
vamos investigar a estrutura e os processos de formação das palavras de nossa
língua.
Se pensarmos em palavras que mantêm alguma semelhança com o substantivo
governo, poderemos encontrar o seguinte grupo:

governo
governa
desgoverno
desgovernado
governadores
ingovernável
ingovernabilidade

Todas essas palavras têm pelo menos um elemento comum: a forma govern-. Além
disso, em todas elas há elementos destacáveis, responsáveis pelo acréscimo de
algum detalhe de significação. Compare, por exemplo, governo e desgoverno: o
elemento inicial des- foi acrescentado à forma governo, trazendo o significado de
"falta, ausência, carência".
Continuando esse trabalho de comparação entre as diversas palavras que sele-
cionamos, podemos depreender a existência de diversos elementos formadores:

govern-o
govern-a
des-govern-o
des-govern-a-do
govern-a-dor-es
in-govern-á-vel
in-govern-a-bil-i-dade

Cada um desses elementos formadores é capaz de fornecer alguma noção
significativa à palavra que integra. Além disso, nenhum deles pode sofrer nova
divisão. Estamos diante de unidades de significação mínimas, ou seja, elementos
significativos indecomponíveis, a que damos o nome de morfemas.


CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
69

ATIVIDADES
Comparando as palavras a seguir, faça a depreensão dos morfemas que as
constituem:
a) desatualização b) atualizar
c) atual d) atualizado
e) atualizada f) atualizados
g) atualmente h) reatualizar
i) atualizador

- nota da ledora: quadro em destaque na página, fim da nota - Selecionando e
comparando palavras que contêm alguma semelhança formal entre si, podemos
fazer a depreensão dos elementos formadores dessas palavras. Esse trabalho
nos mostra que as palavras são formadas por unidade mínimas de significado, os
morfemas.
2. CLASSIFICAÇÃO DOS MORFEMAS
É o morfema govern-, comum a todas as palavras observadas na página anterior,
que faz com que as consideremos palavras de uma mesma família de
significação. Ao morfema comum de uma família de palavras chamamos radical; às
palavras que pertencem a uma mesma família, chamamos cognatos. O radical é a
parte da palavra responsável pela sua significação principal.
Já sabemos que o morfema des-, que surge em desgoverno, é capaz de
acrescentar ao significado da palavra governo a idéia de "negação, falta,
carência". Dessa forma, o acréscimo do morfema des- cria uma nova palavra a
partir de governo. A nova palavra formada tem o sentido de "falta, ausência de
governo". De maneira semelhante, o acréscimo do morfema -dor à forma governa-
criou a palavra governador, que significa "aquele que governa". Observe que des-
e -dor são morfemas capazes de mudar o sentido do radical a que são anexados.
Esses morfemas recebem o nome de afixos.
Quando são colocados antes do radical, como acontece com des-, os afixos
recebem o nome de prefixos. Quando, como -dor, surgem depois do radical, os
afixos são chamados de sufixos. Prefixos e sufixos são capazes de introduzir
modificações de significado no radical a que são acrescentados. São também, em
muitos casos, capazes de operar mudança de classe
- nota da ledora: quadro de destaque na página -
OBSERVAÇÕES : Optamos pelo uso do termo radical para designar o morfema que
concentra a significação principal da palavra e que pode ser depreendido por
meio de simples comparações entre palavras de uma mesma família.
Intencionalmente, não empregamos o termo raiz, que está ligado à origem histórica das
palavras. Para identificar a raiz de uma família de vocábulos é necessário um
conhecimento específico de etimologia.
- fim do quadro e da nota.
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
70

gramatical da palavra a que são acrescentados. Nas palavras que estamos
analisando, merecem destaque alguns afixos:
prefixos: des-, em desgoverno, desgovernado
in-, em ingovernável, ingovernabilidade
sufixos
-vel, em ingovernável
-dor, em governadores
-dade, em ingovernabilidade

Se você agora pluralizar a palavra governo, encontrará a forma governos. Isso nos
mostra que o morfema -s, acrescentado ao final da forma governo, é capaz de
indicar a flexão de número desse substantivo.
Tomando o verbo governar e conjugando algumas de suas formas, você irá
perceber modificações na parte final dessa palavra: governava, governavas,
governava, governávamos, governáveis, governavam. Essas modificações
ocorrem à medida que o verbo vai sendo flexionado em número (singular/plural) e
pessoa (primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem se modificarmos o
tempo e o modo do verbo (governava/governara /governasse, por exemplo).
Podemos concluir, assim, que existem morfemas que indicam as flexões das
palavras. Esses morfemas sempre surgem na parte final das palavras variáveis e
recebem o nome de desinências. Há desinências nominais (indicam flexões
nominais, ou seja, o gênero e o número) e desinências verbais (indicam flexões do
verbo, como número, pessoa, tempo e modo).
Observe que entre o radical govern- e as desinências verbais surge sempre o
morfema -a-. Esse morfema que liga o radical às desinências é chamado vogal
temática. Sua função é justamente a de ligar-se ao radical, constituindo o chamado
tema. E ao tema (radical + vogal temática) que se acrescentam as desinências.
Tanto os verbos como os nomes apresentam vogais temáticas.
Há ainda um último tipo de morfema que podemos encontrar: as vogais ou
consoantes de ligação. São morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja,
para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. Temos
um exemplo de vogal de ligação na palavra ingovernabilidade: o -i- entre os sufixos
-bil- e -dade facilita a emissão vocal da palavra. Outros exemplos de vogais e
consoantes de ligação podem ser vistos em palavras como gasômetro, alvinegro,
tecnocracia; paulada, cafeteira, chaleira, tricotar.

- nota da ledora: anuncio de praia de nudismo, com um maiô colocado em cima
da placa de aviso: Praia de Nudismo. - fim da nota.

Neste metonímico anúncio ( os corpos nus estão sugeridos pelo solitário maiô ), vemos uma consoante
de ligação na palavra nudismo, ligando o adjetivo nu ao sufixo -ismo.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
71

ATIVIDADE
Faça a depreensão e a classificação dos morfemas formadores das seguintes
palavras e flexões:
a) realizar
b) irreal
c) real
d) realmente
e) realizável
f) realizava
g) realizáramos
h) realismo
i) realista
- nota da ledora: quadro de destaque na página:
Classificação dos morfemas
a) radical - morfema comum às palavras que pertencem a uma mesma família de
significado. Nele se concentra a significação básica dessas palavras;
b) afixos - morfemas capazes de alterar a significação básica de um radical. Podem
também operar mudanças de classe gramatical. Subdividem-se em prefixos e
sufixos;
c) desinências - morfemas que indicam as flexões das palavras variáveis. Subdivi-
dem-se em desinências nominais (indicam as flexões de gênero e número dos no-
mes) e desinências verbais (indicam as flexões de tempo/modo e número/pessoa
dos verbos);
d) vogal temática - morfema que serve de elemento de ligação entre o radical e as
desinências. O conjunto radical + vogal temática recebe o nome de tema;
e) vogal ou consoante de ligação - morfema de origem geralmente eufônica, capaz
de facilitar a emissão vocal de determinadas palavras.
ESTUDOS DOS MORFEMAS LIGADOS ÀS FLEXÕES DAS PALAVRAS
Vogais temáticas
A vogal temática é um morfema que se junta ao radical a fim de formar uma base à
qual se ligam as desinências. Essa base é chamada tema.
Além de atuar como elemento de ligação entre o radical e as desinências, a vogal
temática também marca grupos de nomes e de verbos. Isso significa que existem
vogais temáticas nominais e vogais temáticas verbais.
a) vogais temáticas nominais - são-a, -e e -o, quando átonas finais, como em mesa,
artista, busca, perda, escola; triste, base, combate, destaque, sorte; livro, tribo,
amparo, auxílio, resumo. Nesses casos, não poderíamos pensar que essas
terminações são desinências indicadoras de gênero, pois livro, escola e sorte, por
exemplo, não sofrem flexão de gênero. É a essas vogais temáticas que se liga a
desinência indicadora de plural: carro-s, mesa-s, dente-s.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
72


Os nomes terminados em vogais tônicas (sofá, café, caqui, mandacaru e cipó, por
exemplo) não apresentam vogal temática; podemos considerar que os
terminados em consoante (feliz, roedor, por exemplo) têm o mesmo
comportamento.
b) vogais temáticas verbais - são -a, -e e -i, criando três grupos de verbos a que se
dá o nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal temática é -a pertencem à
primeira conjugação; aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à segunda
conjugação e os que têm vogal temática -i pertencem à terceira conjugação.
Podemos perceber claramente a vogal temática atuando entre o radical e as
desinências nos seguintes exemplos:
primeira conjugação: govern-a-va, atac-a-va, realiz-a-sse;
segunda conjugação: estabelec-e-sse, cr-e-ra, mex-e-rá;
terceira conjugação: defin-i-ra, imped-i-sse, ag-i-mos.
DESINÊNCIA:
As desinências são morfemas que indicam as flexões de nomes e verbos,
dividindo-se, por isso, em desinências nominais e verbais Note que as
desinências indicam flexões de uma mesma palavra, enquanto os afixos são
usados para formar novas palavras. As flexões ocorrem obrigatoriamente quando
precisamos inserir uma palavra numa seqüência ou frase:

O ministro não foi convidado para a reunião.

Os ministros não foram convidados para a reunião.

A ministra não foi convidada para a reunião.

As ministras não foram convidadas para a reunião.


As flexões sofridas pelas palavras nas frases acima são obrigatórias para o
estabelecimento da concordância. Já o uso de afixos não se deve a uma
obrigatoriedade, mas sim a uma opção:

O ex-ministro não foi convidado para a reunião.

A ministra não foi convidada para as reuniõezinhas.


Não há nenhum mecanismo lingüístico que torne obrigatório o uso do sufixo -
(z)inho do prefixo ex- nessas duas frases. Além disso, reuniãozinha (plural
"reuniõezinhas") e ex-ministro são duas palavras novas formadas a partir de
ministro e reunião, respectivamente; já ministros, ministra e ministras são
consideradas formas de uma mesma palavra, ministro.
a) desinências nominais - indicam o gênero e o número dos nomes. Para a
indicação de gênero, o português costuma opor as desinências -o / -a:
garoto/garota; menino/menina. Você já sabe como distinguir essas desinências
das vogais temáticas nominais: lembre-se de que, enquanto as desinências são
comutáveis (podem ser trocadas uma pela outra), as vogais temáticas não são
(quem pensaria seriamente em formar "livra" ou "carra" para indicar formas
"femininas"?).


CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
73


Para a indicação de número, costuma-se utilizar o morfema -s, que indica o plural
em oposição à ausência de morfema que indica o singular: garoto/garotos;
garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas. No caso dos nomes
terminados em -r e -z, a desinência de plural assume a forma -es: mar/mares;
revólver/revólveres; cruz/cruzes; juiz/juízes.
b) desinências verbais - em nossa língua, as desinências verbais pertencem a dois
tipos distintos. Há aquelas que indicam o modo e o tempo verbais (desinências
modo-temporais) e aquelas que indicam o número e a pessoa verbais (desinências
número-pessoais). Observe, nas formas verbais abaixo, algumas dessas
desinências:

estud-á-va-mos
estud-: radical
-á-: vogal temática
-va-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do indicativo)
-mos: desinência número-pessoal (caracteriza a primeira pessoa do plural)

estud-á-sse-is
-sse-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do subjuntivo)
-is: desinência número-pessoal (caracteriza a segunda pessoa do plural)

estud-a-ria-m
-ria-: desinência modo-temporal (caracteriza o futuro do pretérito do indicativo)
-m: desinência número-pessoal (caracteriza a terceira pessoa do plural)
- nota da ledora:
fotografia do apinel de exposição da galeria do Banco Safra, anunciando a Exposição
de mulheres com corpo escultural, com a seguinte legenda: Em mulher, -es e a
desinência de plural, pois trata-se de nome cujo singular termina em -r. Mas o
interessante neste anúncio é o emprego do adjetivo escultural geralmente usado em
sentido figurado. O redator obteve um belo efeito explorando seu sentido literal. - no
anúncio, a foto de uma escultura do corpo de uma mulher. - fim da nota.
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
74

ATIVIDADES
Aponte as desinências e as vogais temáticas das seguintes palavras
e flexões:
a) amor, amores
b) deputado, deputada
c) comemorava, comemorávamos, comemorássemos
d) pusesse, puséramos, pusésseis
e) pente, pentes
f) garrafa, garrafas
g) boné, bonés
h) caso, casos
i) moço, moços
- nota da ledora: quadro em destaque nesta página:
Morfemas ligados aos mecanismos de flexão

Vogais temáticas - atuam como elemento de ligação entre o radical e as desinências.
a) nominais - dividem os nomes em três classes;
b) verbais - dividem os verbos em três conjugações.
Desinências - indicam as flexões das palavras variáveis da língua.
a) nominais - indicam o gênero (masculino / feminino) e o número (singular / plural)
dos nomes, pronomes e numerais variáveis;
b) verbais - indicam as flexões verbais, podendo ser modo-temporais ou número-
pessoais.
- fim do quadro de destaque da página.


4. PROCESSO DE FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
A língua portuguesa apresenta dois processos básicos para formação de
palavras: a derivação e a composição.
Há derivação quando, a partir de uma palavra primitiva, obtemos novas palavras
(chamadas derivadas) por meio do acréscimo de afixos. Isso ocorre, por exemplo,
quando, a partir da palavra primitiva piche, formamos pichar, da qual por sua vez se
forma pichação, pichador; também ocorre quando obtemos impessoal a partir de
pessoal ou ineficiente a partir de eficiente. Como veremos mais adiante, a derivação
também pode ser feita pela supressão de morfemas ou pela troca de classe gramatical,
mas nunca pelo acréscimo de radicais.
A composição ocorre quando formamos palavras pela junção de pelo menos dois radi-
cais. Nesse sentido, diferencia-se da derivação, que não lida com radicais. As
palavras resultantes do processo de composição são chamadas palavras
compostas, em oposição àquelas em que há um único radical, chamadas simples.
Eis alguns exemplos de palavras compostas:
lobisomem (em que se notam os radicais das palavras lobo e homem), girassol (gira
+ sol), beiJa-flor (beija + flor), otorrinolaringologia (formada por radicais eruditos,
trazidos diretamente do grego: oto + rino + laringo logia).


CAPíTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO

75
DERIVAÇÃO

A derivação consiste basicamente na modificação de determinada palavra
primitiva por meio do acréscimo de afixos. Dessa forma, temos a possibilidade de
fazer sucessivos acréscimos, criando, a partir de uma base inicialmente simples,
palavras de estrutura cada vez mais complexa:

escola

escolar

escolarizar

escolarização

subescolarização

Observe, assim, que a derivação deve ser vista como um processo extremamente
produtivo da língua portuguesa, pois podemos incorporar os mesmos afixos a um
número muito grande de palavras primitivas. Esses acréscimos podem alterar o
significado da palavra (como em escolarização/subescolarização) e também
mudar a classe gramatical da palavra (como em escolarizar/escolarização, que
são, respectivamente, verbo e substantivo).
A derivação, quando decorre do acréscimo de afixos, pode ser classificada em
três tipos: derivação prefixal, derivação sufixal e derivação parassintética.

Derivação prefixal ou prefixação
Resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o seu significado
alterado; veja, por exemplo, alguns verbos derivados de pôr: repor, dispor,
compor, contrapor, indispor, recompor, decompor. Tradicionalmente, os
estudiosos da língua portuguesa afirmam que a prefixação não produz mudanças
de classe gramatical; na língua atual, entretanto, essas modificações têm
ocorrido. Veja, por exemplo, as palavras antiinflação e interbairros, que, em
expressões como pacto antiinflação e transporte interbairros atuam como
adjetivos, apesar de terem sido formadas de substantivos.

Derivação sufixal ou sufixação
Resulta do acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de
significado ou mudança de classe gramatical. Em unhada, por exemplo, houve
modificação de significado: o acréscimo do sufixo trouxe a noção de "golpe",
"ataque feito com a unha", ou mesmo a idéia de "ferimento provocado pela unha".
Já em alfabetização, o sufixo -ção transforma em substantivo o verbo alfabetizar.
Esse verbo, por sua vez, já resulta do substantivo alfabeto pelo acréscimo do
sufixo -izar.
Como já vimos, o acréscimo de afixos pode ser gradativo. Nada impede que,
depois de obter uma palavra por prefixação, se forme outra por sufixação, ou vice-
versa. Veja, por exemplo, desvalorização (valor valorizar desvalorizar
desvalorização); indesatável (desatar desatável indesatável); desigualdade (igual
igualdade desigualdade). São palavras formadas por prefixação e sufixação ou
por sufixação e prefixação.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
76


Derivação parassintética ou parassíntese
Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e
sufixo à palavra primitiva. É um processo que dá origem principalmente a verbos,
obtidos a partir de substantivos e adjetivos. Veja alguns exemplos de verbos
obtidos de substantivos: abençoar, amaldiçoar, ajoelhar, apoderar, avistar, apre-
goar, enfileirar, esfarelar, abotoar, esburacar, espreguiçar, amanhecer, anoitecer
acariciar, engatilhar, ensaboar, enraizar, afunilar, apavorar, empastelar, expatriar.
Agora, alguns formados de adjetivos: enrijecer, engordar, entortar, endireitar,
esfriar, avermelhar, empobrecer, esclarecer, apodrecer, amadurecer, apor-
tuguesar, enlouquecer, endurecer, amolecer, entristecer, empalidecer, envelhecer,
expropriar.

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÃO: Não se deve confundir a derivação parassintética, em que o
acréscimo de sufixo e prefixo é obrigatoriamente simultâneo, com casos como os
das palavras desvalorização e desigualdade, que vimos há pouco. Nessas palavras, os
afixos são acoplados em seqüência; assim, como vimos, desvalorização provém de
desvalorizar, que provém de valorizar, que por sua vez provém de valor.
É impossível fazer o mesmo com palavras formadas por parassíntese: não se
pode, por exemplo, dizer que expropriar provém de "propriar" ou de "expróprio",
pois tais palavras não existem; logo, expropriar provém diretamente de próprio,
pelo acréscimo concomitante de prefixo e sufixo. - fim do quadro de destaque.
DERIVAÇÃO REGRESSIVA
Ocorre quando se retira a parte final de uma palavra primitiva, obtendo por essa
redução uma palavra derivada. E um processo particularmente produtivo para a
formação de substantivos a partir de verbos principalmente da primeira e da
segunda conjugações. Esses substantivos, chamados por isso de verbais,
indicam sempre o nome de uma ação. O mecanismo para sua obtenção é simples:
substitui-se a terminação verbal formada pela vogal temática + desinência de
infinitivo (-ar ou -er) por uma das vogais temáticas nominais (-a, -e ou -o):
buscar - busca alcançar - alcance tocar - toque apelar - apelo
censurar - censura atacar- ataque sacar - saque chorar - choro
ajudar - ajuda cortar - corte abalar- abalo recuar - recuo
perder - perda debater - debate afagar - afago sustentar - sustento
vender - venda resgatar - resgate



É interessante perceber que a derivação regressiva é um processo produtivo na
língua coloquial: surgiram recentemente na língua popular palavras como agito
(de agitar), amasso (de amassar) e chego (de chegar).


CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
77


- nota da ledora: quadro de destaque na página;
Os substantivos deverbais são sempre nomes de ação: isso é importante porque há
casos em que é o verbo que se forma a partir do substantivo, como planta plantar, per-
fume perfumar, escudo escudar. Planta, perfume e escudo não são nomes de ação;
por isso não são substantivos deverbais . Na verdade, eles é que são palavras primitivas,
enquanto os verbos são derivados.

Derivação imprópria
Ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou su-
pressão em sua forma, muda de classe gramatical. Isso acontece, por exemplo,
nas frases:

Não aceitarei um não como resposta.

É um absurdo o que você está propondo.

Na primeira frase, não, um advérbio, converteu-se em substantivo. Na segunda, o adjetivo
absurdo também se converteu em substantivo. Já em:
Você está falando bonito: o amar é indispensável.

O adjetivo bonito surge na função típica de um advérbio de modo, enquanto o verbo amar
se converteu em substantivo.

- nota da ledora: anúncio na página, campanha de educação no trânsito, da cidade de
Curitiba, com os seguintes dizeres: Curitiba levou 300 anos para aprender a respeitar o
verde, só falta o amarelo e o vermelho ( cores referentes aos sinais de trânsito) . Acidente
de trânsito não é falta de sorte, é falta de educação, legenda do anúncio: Verde, amarelo
e vermelho são adjetivos que, por derivação imprópria (note a anteposição do artigo aos
três), converteram-se em substantivos. - fim do anúncio.

- nota da ledora: quadro em destaque, na página:
Tipos de derivação
a) derivação prefixal ou prefixação - resulta do acréscimo de prefixo à palavra
primitiva, que tem o seu significado alterado;
b) derivação sufixal ou sufixação - resulta do acréscimo de sufixo à palavra primitiva,
que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical;
c) derivação parassintética ou parassíntese -ocorre quando a palavra derivada
resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. É um processo
que dá origem principalmente a verbos, obtidos a partir de substantivos e
adjetivos;
d) derivação regressiva - ocorre quando se retira a parte final de uma palavra,
obtendo por essa redução uma palavra derivada. É um processo particularmente
produtivo para a formação de substantivos a partir de verbos principalmente da
primeira e da segunda conjugações;
e) derivação imprópria - ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer
acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
78


Prefixos
Os prefixos são morfemas que se colocam antes dos radicais basicamente a fim
de modificar-lhes o sentido; raramente esses morfemas produzem mudanças de
classe gramatical.
Os principais prefixos da língua portuguesa são de origem latina. Na relação que
se segue, colocamos as diversas formas que esses prefixos costumam assumir, o
tipo de modificação de significado que introduzem no radical e vários exemplos.
Muitos desses prefixos originaram-se de preposições e advérbios, e não será
difícil para você relacioná-los com preposições e advérbios da língua portuguesa.
Leia a relação com cuidado, concentrando-se principalmente nos exemplos.

- nota da ledora: as três páginas seguintes, trazem palavras com prefixos de
origem latina, em tabela bastante extensa. Esta tabela foi alterada, em sua forma,
durante a edição, contudo, o teor da mesma esta conforme o original. - fim da
nota.
Prefixo e significado

Prefixo
a-, ab-, abs- (separação, afastamento, privação)
Exemplos
abdicar, abjurar, abster, abstrair, abuso, abusar, amovível, abster
Prefixo
a-, ad- (aproximação, direção, aumento, transformação)
Exemplos
achegar, abraçar, aproveitar, amadurecer, adiantar, avivar, adjunto, administrar, admirar, adventício,
assimilar
Prefixo
além- (para o lado de lá, do lado de lá)
Exemplos
além-túmulo, além-mar, além-mundo

Prefixo
ante- (anterioridade no espaço ou no tempo)
Exemplos
antebraço, antepasto, ante-sala, antevéspera, antepor, anteontem
Prefixo
aquém- (para o lado de cá, do lado de cá)
Exemplos
aquém-mar, aquém-fronteiras

Prefixo
bem-, ben- (de forma agradável, positiva ou intensa)
Exemplos
bem-aventurado, bem-vindo, benfeitor, benquisto, bem-apanhado, bem-
apessoado, bem-nascido, bem-querer, bem-visto

Prefixo
circum-, circun- (ao redor de, em torno de)
Exemplos
circuncentro, circunscrever, circunvizinhança, circunvagar
Prefixo
cis- (posição aquém, do lado de cá)
Exemplos
cisandino, cisplatino, cisalpino
Prefixo
co-, com- (contigüidade, companhia, agrupamento)
Exemplos
coabitar, coadjuvante, coadquirir, condiscípulo, combater, correligionário,
conjurar, consoante, confluência, compor, cooperar, corroborar, conviver, co-
irmão, co-herdeiro

Prefixo
contra- (oposição, ação conjunta, proximidade)
Exemplos
contra-atacar, contra-argumento, contradizer, contrapor, contraprova,
contrabalançar, contracheque, contracultura, contra-exemplo, contracapa,
contracanto, contramestre

Prefixo
de- (movimento de cima para baixo)
Exemplos
decrescer, decompor, depor, depender, decapitar, deliberar, decair
Prefixo
des- (separação, ação contraria, negação, privação)
Exemplos
despedaçar, desfazer, desumano, desintegrar, desigual, desconforme,
desobedecer, desmatar, desenganar, desunião, desfolhar; (as vezes serve
apenas para reforço) desafastar, desinfeliz, desinquieto

Prefixo
dis-, di- (separação, movimento para diversos lados, negação)
Exemplo
difícil, dissidente, dilacerar, disseminar, distender, disforme, dissabor, divagar,
difundir

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
79


Prefixo e significado

e-, es-, ex- (movimento para fora, separação, transformação)
emigrar, evadir, expor, exportar, exprimir, expatriar, extrair, esquentar, esfriar,
esburacar, ex-presidente, ex-ministro, ex-namorada

en-, em-, i-, in-, im- (posição interior, movimento para dentro)
enraizar, enterrar, embarcar, embeber, imigrar, irromper, importar, importação,
ingerir, inocular

entre-, inter- (posição intermediária, reciprocidade)
entreabrir, entrechoque, entrelaçar, entrevista, entretela, entrever, interação,
intercâmbio, intervir, interromper, intercalar

extra- (posição exterior, fora de)
extraconjugal, extrajudicial, extra-oficial, extraordinário, extranumerário,
extraterrestre, extravasar, extraviar

E-, Il-, Em- (negação, privação)
imoderado, inalterado, ilegal, ilegítimo, irrestrito, incômodo, inútil, incapaz, impuro,
impróprio

intra- (posição interior) intro- (movimento para dentro)
intrapulmonar, intravenoso, intra-ocular

intro- (movimento para dentro) introduzir, intrometer, intrometido, introverter,
introjeção, introspecção


justa- (posição ao lado)
justapor, justaposição, justalinear

mal- (de forma irregular, desagradável ou escassa)
mal-humorado, mal-educado, mal-arrumado, mal-assombrado, malfeito, mal-
assado, mal-aventurança, malcriado

ob-, o- (posição em frente, diante, oposição)
objeto, obstar, obstáculo, obstruir, obstrução, opor, oposição

per- (movimento através)
perpassar, percorrer, percurso, perfurar, perseguir, perdurar

pos-, pós- (posterioridade, posição posterior)
posfácio, pospor, pós-escrito, pós-graduação, pós-eleitoral

pre-, pré- (anterioridade, antecedência)
premeditar, preestabelecer, predizer, predispor, pré-história, pré-adolescente, pré-
amplificador

pro-, pró- (movimento para a frente, a favor de)
promover, propelir, progredir, progresso, proeminente, proclamar, prosseguir,
pró-socialista, pró-britânico, pró-anistia

re- (movimento para trás, repetição)
refluir, reagir, reaver, reeditar, recomeçar, reviver, renascer, reanimar

retro- (movimento para trás)
retroação, retrocesso, retroceder, retroativo, retrógrado, retrospectivo, retrovisor

semi- (metade de, quase, que faz o papel de)
semicírculo, semibreve, semicondutor, semiconsciente, semi-escravidão, semi-
analfabeto, semivogal, semimorto

sobre-, super-, supra- (posição acima ou em cima, excesso, superioridade)
sobrepor, superpor, sobrescrito, sobrescrever, sobrevir, supersensível, super-
homem, supermercado, superdotado, supercivilização

soto-, sota- (debaixo, posição inferior)
sotopor, sotavento, sota-proa, sota-voga, sota-soberania

sub-, su-, sob-, so- (movimento de baixo para cima, inferioridade, quase)
sobraçar, soerguer, soterrar, sujeitar, subjugar, submeter, subalimentado
subdesenvolvimento, subliteratura, subumano, submarino, subverter

tras-, tres-, trans- (movimento ou posição para além de, através)
traspassar ou transpassar, trasbordar ou transbordar, tresandar, tresvariar,
transatlântico, transalpino, transandino, transplantar

ultra- (posição além de, em excesso)
ultrapassar, ultramar, ultravioleta, ultramicroscópico, ultraconservador, ultra-
romântico, ultra-som, ultra-sofisticado

vice- (em lugar de, em posição imediatamente inferior)
vice-presidente, vice-diretor, vice-cônsul, vice-almirante, vice-rei, vice-campeão,
vice-artilheiro

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
80
Prefixo e significado

an-, a- (privação, negação)
anarquia, anônimo, ateu, acéfalo, amora, anestesia, afônico, anemia

an(a) - (movimento de baixo para cima, movimento inverso, repetição,
afastamento, intensidade)
anacronismo, anagrama, análise, anabatista, anáfora, analogia, anatomia,
anafilaxia

anf(i)- de um e de outro lado, ao redor
anfiteatro, anfíbio, anfípode

ant(i)- (ação contrária, oposição)
antagonista, antítese, antiaéreo, antípoda, antídoto, antipatia, anticonstitucional,
anticorpo, antifebril, antimonárquico, anti-social

ap(o)- (afastamento, separação)
apóstata, apogeu, apóstolo

arc(a)-, arce-, arque-, arqui-(superioridade, primazia )
arcanjo, arquiduque, arquétipo, arcebispo, arquimilionário

cata- (movimento de cima para baixo, oposição, em regressão)
cataclismo, catacumba, catarro, catástrofe, catadupa, catacrese, catálise, catarata

di(a)- (através, por meio de, separação)
diagnóstico, diálogo, dialeto, diâmetro, diáfano

dis- (mau estado, dificuldade)
dispnéia, disenteria, dislalia, dispepsia

ec-, ex- (movimento para fora)
eclipse, exantema, êxodo

en-, e-, em- ( posição interior, dentro)
encéfalo, emplastro, elipce, embrião

end(o)- (movimento para dentro, posição interior)
endocarpo, endotérmico, endoscópio

ep(i)- (posição superior, sobre, movimento para, posterioridade)
epiderme, epígrafe, epílogo, epícarpo, epidemia

eu-, ev- (bem, bom)
eufonía, eugenia, eufemismo, euforia, eutanásia, evangelho

hiper- posição superior, excesso, além)
hipérbole, hipertensão, hipercrítíco, hiperdesenvolvimento, hiperestesia,
hipermercado, hipermetropia, hipertrofia, hipersônico

hipo- (posição inferior, escassez)
hipodérmico, hipótese, hipocalórico, hipogeu, hípoglicemia, hipotensão, hipoteca

met(a)- (mudança, sucessão, posterioridade, além)
metáfora, metamorfose, metafísica, metonímia, metacarpo, metátese,
metempsicose

par(a)- (perto, ao lado de, elemento acessório)
paradoxo, paralelo, parágrafo, paramilitar, parábola, parâmetro

peri- (movimento ou posição em torno)
perífrase, periferia, período, perianto, pericarpo

pro- (movimento para diante, posição em frente ou anterior)
programa, prólogo, prognóstico, pródromo, próclise

sin-, sim- (ação conjunta, companhia, reunião, simultaneidade)
sinestesia, sincronia, síntese, sinônimo, sinfonia, simpatia, sílaba, sintaxe, sistema

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
81


PREPOSIÇÕES E ADVÉRBIOS QUE TÊM SIDO USADOS COMO PREFIXOS

Preposição/advérbio : significado e exemplos;
sem- (falta, privação, ausência) sem-amor, sem-terra, sem-teto, sem-fim, sem-
vergonha, sem-família
quase- (perto, aproximadamente, por pouco, pouco menos) quase-delito, quase-
equilíbrio, quase-posse, quase-suicida
não- (negação por exclusão) não-alinhado, não-euclidiano, não-violência, não-
engajamento, não-essencial, não-ficção, não-metal, não-participante
ATIVIDADES
1. Substitua cada conjunto destacado por uma única palavra, formada por
prefixação.
- nota da ledora: as palavras que estiverem grifadas, no texto, aparecerão aqui entre
parênteses - fim da nota.
a) O juiz (lerá novamente) os documentos do processo.
b) É necessário (fazer outra vez) todos os cálculos.
c) Depois de vários anos, vou (tornar a ver) meus pais.
d) Não havia motivo para pôr os interesses individuais (antes dos) interesses
coletivos.
e) Não há como (dizer o contrário do) que eu afirmei.
f) Deixou a todos (sem proteção).
g) Seu comportamento (despido de honestidade) foi punido.
h) Queria uma liberdade (sem restrições).
i) Os documentos foram (datados com antecedência).
j) Depois de (passar além) destes limites, descansaremos.

2. Este exercício é igual ao anterior.
a) Nem todos os países conseguem competir no mercado (de todas as nações.)
b) Foi construída uma passagem (debaixo da terra) para evitar atropelamentos.
c) (Passe uma linha por baixo) das palavras cujo significado você desconhece.
d) Descobriram restos de homens (que viveram antes do período histórico) no
Piauí.

e) Há rastros de animais (que viveram antes do Dilúvio) naquela região.
f) As civilizações (que existiam antes da chegada de Cristóvão Colombo)
deixaram marcas na vida da América do Sul.
g) Precisava tomar injeções (dentro do músculo).
3. Baseando-se em seu conhecimento do valor dos prefixos, procure explicar o
significado das seguintes palavras:
a) reencontro, desencontro
b) premeditar, pressentir
c) importar, exportar
d) imigrante, emigrante
e) imergir, emergir, submergir
f) intersecção
g) imoral, amoral
h) circunlóquio, colóquio
i) cisandino, cisalpino, transandino, transalpino
j) co-gestão
l) digressão, regressão, progressão
m) expatriar, repatriar
n) introvertido, extrovertido
o) prefácio, posfácio
p) refluxo, defluxo
q) introspecção, retrospecção
r) subestimar, sobreestimar
s) ultraleve
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
82
Sufixos
Os sufixos são capazes de modificar o significado do radical a que são
acrescentados. Sua principal característica, no entanto, é a mudança de classe
gramatical que geralmente operam. Dessa forma, podemos utilizar o significado
de um verbo, por exemplo, num contexto em que se deve usar um substantivo.
Por isso, vamos observar os principais sufixos da língua portuguesa em relações
que colocam em evidência as diversas classes de palavras envolvidas no
processo de derivação. Perceba que, como o sufixo é colocado depois do radical,
a ele são incorporadas as desinências que indicam as flexões das palavras
variáveis.


1. Formam substantivos a partir de outros substantivos

-ada
a) ferimento, golpe ou marca produzida por instrumento: facada, punhalada,
navalhada, martelada, pedrada, bicada, chifrada, dentada, unhada; penada,
pincelada.

b) medida ou quantidade: garfada, batelada, fornada, tigelada, carrada,
colherada.

c) multidão: boiada, carneirada, estacada, ramada, papelada, meninada.

d) alimentos ou bebidas: cajuada, laranjada, limonada, cocada, marmelada,
goiabada, feijoada.
e) movimentos ou atos rápidos, enérgicos ou de duração prolongada: risada,
gargalhada, cartada; jornada, noitada, temporada.

-ado, -ato
títulos honoríficos, territórios governados, cargos elevados, instituições:
viscondado, arcebispado, principado, pontificado, protetorado, condado,
almirantado, eleitorado, apostolado, noviciado, bacharelado, reitorado,
consulado; clericato, tribunato, sindicato, triunvirato, baronato, cardinalato.

-agem
a) noção coletiva: folhagem, ferragem, plumagem, ramagem, pastagem.
b) ação ou resultado da ação; estado: aprendizagem, ladroagem, vadiagem.

-al
a) sentido coletivo: bananal, cafezal, feijoal, batatal, laranjal, morangal, pinhal,
olival, jabuticabal, areal, lamaçal, lodaçal.

b) relação, pertinência: dedal, portal, pantanal.

-alha
noção coletiva de valor pejorativo: gentalha, canalha, politicalha, miuçalha.

-ama, -ame
noção coletiva ou de quantidade: dinheirama, mourama, velame, vasilhame, cor-
doame.

-ana, -eria
a) ramo de negócio ou estabelecimento:
chapelaria, livraria, alfaiataria, drogaria, tinturaria, confeitaria, leiteria, sorveteria.
b) noção coletiva: pedraria, sacaria, caixaria, fuzilaria, gritaria, infantaria ou
infanteria.
c) atos ou resultados dos atos de certos indivíduos: patifaria, velhacaria,
pirataria, galantaria ou galanteria.

-ário
a) atividade, ofício, profissão: boticário, operário, secretário, bancário.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
83

b) lugar onde se coloca algo: campanário, aquário, relicário, vestiário.
c) noção coletiva: rimário, anedotário, erário.

-edo
a) sentido coletivo: arvoredo, vinhedo, olivedo, passaredo.
b) objeto isolado, de grande vulto: penedo, rochedo.

-eiro, -eira
a) ofícios e ocupações: barbeiro, sapateiro, parteira, peixeiro, carteiro,
bombeiro, sineiro, toureiro, marinheiro, livreiro, copeiro, pedreiro.
b) nomes de árvores ou arbustos: cajueiro, laranjeira, roseira, amendoeira,
coqueiro, cafeeiro, pessegueiro, mangueira, jaqueira, goiabeira, craveiro, figueira,
castanheiro ou castanheira, espinheiro ou espinheira.
c) objetos ou lugares que servem para guardar: cigarreira, manteigueira,
paliteiro, cinzeiro, tinteiro, compoteira, açucareiro, agulheiro, saladeira.
d) objetos de uso pessoal em geral: pulseira, perneira, joelheira, munhequeira,
banheira, chuteira.
e) noção coletiva, de quantidade ou de intensidade: nevoeiro, poeira, lameira,
chuveiro; pedreira, carvoeira, ostreira; vespeiro, formigueiro; cabeleira.

-ia
a) profissão, dignidade ou lugar onde se exerce profissão: advocacia,
baronia, chefia, chancelaria, delegacia, reitoria, diretoria.
b) sentido coletivo: confraria, clerezia, penedia.

-io
noção coletiva: mulherio, rapazio, poderio, gentio.
ite
inflamação: bronquite, gastrite, rinite, estomatite, esplenite, otite, enterite.

-ugem
semelhança ou idéia de porção: ferrugem, lanugem, penugem, babugem.


-ume
a) noção coletiva, de quantidade ou intensidade: cardume, negrume,
azedume, chorume.
b) ação ou resultado da ação: curtume, urdume.

2. Formam substantivos de adjetivos

Os substantivos derivados de adjetivos indicam qualidades, propriedades ou
estados.

-dade
crueldade, maldade, bondade, divindade, sociedade, umidade, liberalidade,
fragilidade, facilidade, legalidade, amabilidade, possibilidade, solubilidade.

-dão
mansidão, podridão, escuridão, gratidão.

-ez, -eza
altivez, mudez, surdez, sordidez, intrepidez, honradez, mesquinhez, pequenez,
pureza, firmeza, nobreza, fraqueza, estranheza, delicadeza, sutileza.

-ia
valentia, ufania, cortesia, alegria, melhoria.

-ice, -ície
velhice, meninice, criancice, beatice, tolice, modernice; calvície, canície, planície;
imundice ou imundície.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
84


-or
alvor; amargor, dulçor; negror.

-tude
amplitude, magnitude, latitude, longitude.

-ura
brancura, amargura, loucura, frescura, verdura, doçura, largura, espessura.

3. Formam substantivos de verbos

-ança (-ância), -ença (-ência)
nomes de ação ou de resultados dela; nomes de estado: esperança, lembrança,
vingança, constância, importância, relevância; crença, descrença, diferença, de-
tença; regência, conferência, obediência.
-ante, -ente, -inte
agente: ajudante, emigrante, navegante, combatente, pretendente, ouvinte, pe-
dinte.
Em muitos casos, houve especialização de sentido: poente, restaurante, estante,
minguante, vazante, afluente.
-dor, -tor, -sor, -or
nome de agente ou de instrumento: roedor, salvador, pescador, carregador,
tradutor, jogador, poupador, investidor, investigador, inspetor; regador, aquece-
dor; raspador; interruptor, disjuntor.


-ção, -são, -ão
ação ou resultado dela: coroação, nomeação, posição, traição, adulação, conso-
lação, obrigação, negação, declaração, audição, solução, invocação, extensão,
agressão, repercussão, discussão, puxão, arranhão, escorregão.
-douro, -tório
lugar ou instrumento para prática da ação: miradouro, ancoradouro, desaguadou
ro, logradouro, matadouro, bebedouro, babadouro; purgatório, dormitório,
laboratório, vomitório, oratório.

-dura, -tura, -sura, -ura
resultado ou instrumento da ação: atadura, armadura, escritura, fechadura,
clausura, urdidura, benzedura, mordedura, torcedura, pintura, magistratura,
formatura.

-mento
ação, resultado da ação ou instrumento:
acolhimento, apartamento, pensamento, conhecimento, convencimento, esqueci-
mento, fingimento, impedimento, ferimento, ornamento, instrumento, armamento,
fardamento.

4. Formam substantivos e adjetivos de outros substantivos e adjetivos

-ismo
a) doutrinas ou sistemas religiosos, filosóficos, políticos, artísticos:
calvinismo, bramanismo, budismo, materialismo, espiritismo, socialismo,
capitalismo, federalismo, gongorismo, simbolismo, modernismo, impressionismo.
b) maneira de proceder ou de pensar: heroísmo, pedantismo, patriotismo,
servilismo, ufanismo, nepotismo, filhotismo, arrivismo, oportunismo,
revanchismo.
c) formas de expressão que apresentam particularidades: vulgarismo,
latinismo, galicismo, arcaísmo, neologismo, solecismo, barbarismo.
d) terminologia científica: magnetismo, galvanismo, alcoolismo, reumatismo,
traumatismo.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
85


-ista
a) sectários de certas doutrinas: calvinista, bramanista, budista, materialista,
espiritista, socialista, capitalista, federalista, gongorista, simbolista, modernista,
impressionista.
b) ofícios, agentes: flautista, florista, telefonista, maquinista, latinista, dentista,
acionista, tenista, esportista.
c) adeptos de determinadas formas de agir ou pensar: oportunista, golpista,
saudosista, emancipacionista, desenvolvimentista, arrivista, revanchista.
d) nomes pátrios ou indicadores de origem: nortista, sulista, paulista, santista,
campista.

5. Formam adjetivos de substantivos ou de outros adjetivos

-aco

estado íntimo; pertinência; origem: maníaco, demoníaco, austríaco, siríaco.
- nota da ledora: quadro em destaque na página :
OBSERVAÇÃO
A relação entre as palavras tomadas pelos sufixos -ismo e -ista é óbvia:
modernismo/modernista; calvinismo/calvinista, etc. Note, no entanto, que não é
uma relação obrigatória: protestantismo/protestante; maometismo/maometano;
islamismo/islamita.
- fim do quadro.
-ado
a) provido, cheio de: barbado, ciliado, dentado.
b) que tem caráter de: adamado, afeminado, amarelado, avermelhado.

-aico
referência, pertinência; origem: prosaico, onomatopaico, judaico, caldaico, ara-
maico.
-ano
a) pertinência; proveniência; relação com:
humano, mundano, serrano.
b) adeptos de doutrinas estéticas, religiosas, filosóficas: maometano,
luterano, anglicano, camoniano, shakespeariano, horaciano.
c) nomes pátrios: americano, baiano, pernambucano, peruano, prussiano,
açoriano, alentejano.

-ão
proveniência, origem: alemão, coimbrão, beirão, aldeão.

-al, -ar

relação, pertinência: dorsal, causal, substancial, anual, pessoal; escolar, palmar,
vulgar, solar, lunar; consular; familial ou familiar.

-eiro, -ário
relação; posse; origem: verdadeiro, rasteiro, costeiro, originário, ordinário, diário,
subsidiário, tributário, mineiro, brasileiro.

-engo, -enho, -eno
relação; procedência, origem: mulherengo, avoengo, solarengo, flamengo;
ferrenho, estremenho, madrilenho, panamenho, portenho; nazareno, terreno, tir-
reno, chileno.

-ento
provido ou cheio de; que tem o caráter de: sedento, rabugento, peçonhento, cin-
zento, ciumento, corpulento, turbulento, opulento, barrento, vidrento.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
86

-ês, -ense
relação; procedência, origem: francês, inglês, genovês, milanês, escocês,
irlandês; paraense, cearense, maranhense, vienense, parisiense, catarinense,
forense.

-eo
relação; semelhança; matéria: róseo, férreo.

-esco, -isco
referência; semelhança: burlesco, dantesco, mourisco.

-este, -estre
relação: agreste, celeste; campestre, terrestre, alpestre, silvestre.

-eu
e relação; procedência, origem: europeu, judeu, caldeu, hebreu, filisteu, cananeu.

-ico, icio
relação; procedência: bíblico, melancólico, pérsico, céltico, britânico, ibérico,
geométrico; alimentício, natalício.

-il
referência; semelhança: febril, infantil, senhoril, servil, varonil, estudantil, fabril.

-ino
relação; origem; natureza: argentino, florentino, bizantino, cristalino, leonino, ala-
bastrino, diamantino, londrino, bovino.

-ita
relação; origem: ismaelita, israelita, jesuíta.

-onho
propriedade; hábito: medonho, risonho, enfadonho, tristonho.

-oso
provido, cheio de; que provoca: orgulhoso, furioso, desejoso, rigoroso, noticioso,
leitoso, sulfuroso, montanhoso, pedregoso, temeroso, lamentoso, lastimoso,
vergonhoso, angustioso.

-tico
relação: aromático, problemático, asiático, rústico.

-udo
provido de, cheio de ou com a forma de, muitas vezes com idéia de
desproporção: sisudo, pontudo, bicudo, peludo, cabeludo, narigudo, espadaúdo,
repolhudo, bochechudo, carnudo, polpudo.


6. Formam adjetivos de verbos

-ante, -ente, -inte
ação; qualidade; estado: semelhante, tolerante; doente, resistente; constituinte,
seguinte.

-io, -ivo
ação; referência; modo de ser: escorregadio, erradio, fugidio, tardio, prestadio;
pensativo, lucrativo, fugitivo, afirmativo, negativo, acumulativo.

-iço, icio
referência; possibilidade de praticar ou sofrer ação: abafadiço, movediço, que-
bradiço, alagadiço, metediço; acomodatício, factício, translatício, sub-reptício.

-doiro, -douro, -tório
ação, muitas vezes de valor futuro; pertinência: casadoiro; duradouro, vindouro;
inibitório, preparatório, emigratório.

-vel
possibilidade de praticar ou sofrer ação:
desejável, vulnerável, remediável, substituível, suportável, louvável, admissível, re-
duzível, removível, corrigível, discutível.

CAPITULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
87
7. Forma advérbios de adjetivos

-mente
justamente, vaidosamente, livremente, burguesmente, perigosamente, firmemente,
fracamente.


8. Formam verbos de substantivos e adjetivos

-ar
murar, jardinar, telefonar, ancorar, ordenar; almoçar.

-ear
sapatear, floretear; golpear, saborear, saquear; mastrear; folhear; sanear; clarear.

-ejar
lacrimejar, gotejar; gaguejar, voejar.

-entar
amolentar; aformosentar.

-ecer, -escer
favorecer; escurecer; florescer; rejuvenescer.

-ficar
falsificar, petrificar, exemplificar, fortificar, dignificar; purificar.

-ilhar
dedilhar; fervilhar.

-inhar
escrevinhar, cuspinhar.

-iscar
chuviscar; lambiscar.

-itar
saltitar, dormitar.

-izar
organizar, civilizar; harmonizar, fertilizar, esterilizar; tranqüilizar; vulgarizar,
simpatizar; economizar; arborizar.
9. Sufixos aumentativos

-ão, -eirão, -arrão, -alhão, -zarrão
casarão, caldeirão, paredão; chapeirão; grandalhão, vagalhão; homenzarrão.

-aça, -aço, -uça
barcaça, barbaça; ricaço, doutoraço, mulheraço; dentuça.

-alha
fornalha

-anzil
corpanzil

- nota da ledora: quadro em destaque na página-
OBSERVAÇÃO
Os verbos novos da língua são criados pelo acréscimo da terminação -ar a subs-
tantivos e adjetivos. Essa terminação é formada pela vogal temática da primeira
conjugação seguida pela desinência do infinitivo impessoal, atuando como um
verdadeiro sufixo.
Os demais sufixos costumam conferir detalhes de significado aos verbos que
formam.
Observe:
-ear
indica ação repetida (cabecear folhear) ou ação que se prolonga (clarear). O
mesmo acontece com -ejar: gotejar, velejar.
-entar
indica processo de atribuição de uma qualidade ou estado (amolentar). O mesmo
se dá com -ficar e -izar: clarificar, solidificar, civilizar, atualizar.
-iscar
indica ação repetida e diminuída; chuviscar, lambiscar. O mesmo ocorre com
-itar (dormitar; saltitar), -ilhar e outros. No caso de -inhar, muitas vezes há sentido
depreciativo, como em escrevinhar.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
88

-a réu
fogaréu, povaréu, mundaréu.

-arra, -orra
bocarra, naviarra; beiçorra, cabeçorra.
-az, alhaz, arraz
ladravaz, linguaraz, fatacaz, machacaz; facalhaz; pratarraz.

-astro
medicastro, poetastro.

10. Sufixos diminutivos

-acho, -icho, -ucho
riacho, fogacho; governicho, barbicha; gorducho, papelucho, casucha.

-ebre

casebre

-eco, -ico
livreco, soneca, padreco; burrico, marica.

-ejo
lugarejo, animalejo.

-ela
ruela, viela, magricela.

-elho, -ilho, -ilha
folhelho, rapazelho; pecadilho; tropilha.

-ete, -eta, -eto
tiranete, fradete, artiguete, lembrete, diabrete; saleta, lingüeta; esboceto.

-inho, -inha, -zinha, -zinho
livrinho, pratinho, branquinho, novinho, bonitinho, toquinho, caixinha, florzinha,
vozinha.
-im
espadim, lagostim, camarim, fortim.
-ino
pequenino
-isco, -usco
chuvisco, petisco; velhusco.

-ito, -ita, -zito
casita, rapazito, copito; amorzito, jardinzito, florzita.

-ola
rapazola, bandeirola, portinhola, fazendola.

-ote, -oto, -ota
rapazote, caixote, velhote, fidalgote, saiote; perdigoto; velhota.

-ulo, -ula, -culo, -cula
glóbulo, grânulo, nódulo, régulo; corpúsculo, minúsculo, homúnculo, montículo,
opúsculo, versículo; radícula, gotícula; partícula, película, questiúncula.
- nota da ledora; quadro de destaque na página -
OBSERVAÇÃO: É fácil notar que muitas vezes os sufixos aumentativos e
diminutivos sugerem deformidade (como em beiçorra, cabeçorra), admiração
(carrão), desprezo (asneirão, poetastro, artiguete), carinho (paizinho, pequenino),
intensidade (alegrinho), ironia (safadinha) e vários outros matizes semânticos. No
caso dos sufixos pertencentes ao último grupo apresentado, temos a formação
de diminutivos eruditos - diretamente importados do latim -, os quais são muito
usados na terminologia científica. - fim do quadro de destaque.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
89
ATIVIDADES
1. Responda a cada um dos itens a seguir com uma palavra formada por
sufixação. Como se chama:
a) o golpe dado com a cabeça?
b) um grupo de rapazes?
c) o conjunto de eleitores de uma dada região?
d) a ação de lavar?
e) uma plantação de jabuticabeiras?
1) um grupo de políticos desonestos?
g) o estabelecimento onde se vendem queijos?
h) o comerciante de queijos?
i) a planta cujo fruto é o café?
j) o recipiente onde se guarda manteiga?

2. Substitua os verbos destacados por substantivos formados por derivação.
Faça todas as modificações necessárias para obter frases inteligíveis.
a) Todos (decidiram) manter as reivindicações.
b) Todos decidiram (manter) as reivindicações.
c) Esperamos que os prazos estipulados (sejam cumpridos).
d) Atenderemos a todos de acordo com a ordem segundo a qual (chegaram).
Não haverá exceções.
e) Continuaremos até que (tenhamos obtido) êxito.
f) Os moradores querem que as obras sejam (continuadas).
g) Os representantes dos países envolvidos no processo recomendaram que
as contas (fossem bloqueadas).
h) Os representantes dos países envolvidos no processo (recomendaram) que
as contas fossem bloqueadas.
3. Substitua as expressões destacadas por nomes formados por sufixação. Faça
todas as modificações necessárias para obter frases inteligíveis.
a) (Aqueles que mantêm) esta entidade decidiram tomar providências (que
saneiem suas finanças).
b) É um candidato (que não se pode eleger). Suas idéias privilegiam (aqueles
que desrespeitam) as instituições.
c) (Aquelas que conduzem) o movimento (de reivindicação) devem ser
cercadas por medidas (que as protejam).
d) (Os que venceram) a competição receberão prêmios (que não se podem des-
crever).
e) A presença (dos que defendem) nossa posição é fator (de que não se pode
prescindir).
f) Foi uma decisão que agradou aos que lutam para que a floresta (seja
preservada).
g) Ele entrou de (forma atabalhoada).

4. Não é apenas na língua portuguesa que se estuda na escola que os sufixos
são usados para formar novas palavras: isso acontece também na língua
portuguesa do cotidiano e dos veículos de comunicação de massa. Baseado no
seu conhecimento do valor dos sufixos, explique o sentido das seguintes
palavras:
a) tietar, tietagem
b) badalação, esnobação
c) sanduicheria, danceteria
d) roqueiro, grafiteiro
e) pichador, pichação
f) prefeiturável, ministeriável, presidenciável
g) carreata
h) bacanão, durão

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
90
TEXTO PARA ANÁLISE

Pátria minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades da minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto ajeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
A espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
91

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha patria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.


Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.


Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes".
(MORAES, Vinicius de, Poesia completa e prosa.
2. ed. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1985. p. 267-9.)
CAPITULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
92

TRABALHANDO O TEXTO

1. Identifique o sufixo presente nas palavras doçura, quentura e ternura e indique
o tipo de modificação que produz nas palavras primitivas.

2. Identifique o afixo que surge na palavra sedenta e explique que tipo de
modificação ele introduz na palavra primitiva.

3. Qual o processo de formação das palavras amanhecer e acorrentar? Explique
o que particulariza esse processo em relação à prefixação e à sufixação.

4. Explique o processo de formação da palavra invisível.

5. Retire do texto um caso de derivação imprópria. Comente-o.

6. "Eu, o sem Deus!"
Que tipo de papel exerce a preposição sem nessa frase? Comente.

7. A relação do sujeito lírico com a pátria incorpora um processo de
personificação: a pátria tem cabelos, não tem sapatos nem meias, tem vestido.
Observe o papel exercido pelos sufixos diminutivos nesse processo e comente-o.

Para mascar com chiclets
Quem subiu, no novelo do chiclets,
ao fim do fio ou do desgastamento,
sem poder não sacudir fora, antes,
a borracha infensa e imune ao tempo;
imune ao tempo ou o tempo em coisa,
em pessoa, encarnado nessa borracha,
de tal maneira, e conforme ao tempo,
o chiclets ora se contrai ora se dilata,
e consubstante ao tempo, se rompe,
interrompe, embora logo se reemende,
e fique a romper-se, a reemendar-se,
sem usura nem fim, do fio de sempre.
No entanto quem, e saberente que ele
não encarna o tempo em sua borracha.
quem já ficou num primeiro chiclets
sem reincidir nessa coisa (ou nada).

2.
Quem pôde não reincidir no chiclets,
e saberente que não encarna o tempo:
ele faz sentir o tempo e faz o homem
sentir que ele homem o está fazendo.
Faz o homem, sentindo o tempo dentro,
sentir dentro do tempo, em tempo-firme.
e com que, mascando o tempo chiclets,
imagine-o bem dominado, e o exorcize.
(MELO NETO, João Cabral de. Poesias completas ( 1940-1965) . 4. ed. Rio de
Janeiro. José Olympio, 1986. p. 43.)
TRABALHANDO O TEXTO
1. Faça a depreensão dos morfemas presentes nas palavras desgastamento e
encarnado e explique os processos de formação que lhes deram origem.

2. Quais afixos podem ser percebidos na palavra consubstante? Qual o sentido que
tem essa palavra?

3. A aproximação das palavras rompe e interrompe revitaliza o valor do prefixo
presente nesta última? Explique.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
93
4. Retire do texto as palavras em que surge o prefixo re- e comente as
modificações que ele produz nas palavras primitivas.

5. Qual o sentido da palavra saberente? Que tipo de afixo participa de sua
formação?

6. É possível relacionar o prefixo presente na palavra exorcizar com o
significado que tem essa palavra? Comente.
7. Os prefixos são considerados um recurso muito eficiente para apresentar
idéias e conceitos de forma sintética. Isso acontece no texto? Comente.

8. Explique a relação que o texto estabelece entre o chiclets e o tempo. Que tipo
de dimensão adquire o ato de mascar chiclets?
- nota da ledora: propaganda, na página, com o seguinte teor: « A cada vida que
começa, recomeça a História da Nestlé. Lembre-se de sua infância. Você, sem dúvida
vai se lembrar de alguma história sua com a Nestlé, pra contar. Esse é o nosso maior
alimento. A satisfação de manter uma amizade que cresce, fica forte, se renova e nunca
termina. Nestlé, sua vida, nossa história »

TRABALHANDO O TEXTO

Aponte no texto a exploração expressiva de um dos processos de formação de
palavras e comente-a.
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
94

- nota da ledora: propaganda da General Motors: Bi Bi. Duas vezes Bicampeã do carro
do ano. - fim da nota.
Analise a expressão bi bi baseado no seu conhecimento dos processos de
formação de palavras e nas sugestões sonoras que produz.
COMPOSIÇÃO
A composição produz palavras compostas a partir da aproximação de palavras
simples. As palavras simples são aquelas em que há um único radical, como amor
e perfeito. Para que ocorra o processo de composição, é necessário estabelecer
entre essas palavras um vínculo permanente, que faz com que surja um novo
significado: é o que ocorre quando formamos o composto amor-perfeito, que dá
nome a uma flor. O significado não é o mesmo da expressão amor perfeito, na qual
cada palavra mantém seu significado original: trata-se do sentimento amoroso
manifestado de forma perfeita. Em amor-perfeito há uma única palavra que dá
nome a um organismo vegetal.
A composição também pode ser feita por meio do uso de radicais que não têm
vida independente na língua. Isso ocorre basicamente na formação de palavras
que recebem o nome de compostos eruditos por serem formadas com radicais
gregos e latinos. E o caso, por exemplo, de democracia, patogênese, alviverde,
agricultura e outras, usadas principalmente na nomenclatura técnica e científica.

Tipos de composição

Quanto à forma que adquire a palavra composta, costumam-se apontar dois tipos
de composição:
a) composição por justaposição - ocorre quando os elementos que formam o composto
são simplesmente colocados lado a lado (justapostos), sem que se verifique
qualquer alteração fonética em algum deles: segunda-feira, pára-raios, corre-
corre, guarda-roupa, amor-perfeito, pé-de-moleque, girassol, passatempo. O que
caracteriza a justaposição é a

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
95


manutenção da integridade sonora das palavras que formam o composto, e não a
forma de grafá-lo: passatempo e girassol, apesar de serem escritos sem hífen, são
compostos por justaposição;
b) composição por aglutinação - ocorre quando os elementos que formam o
composto se aglutinam, o que significa que pelo menos um deles perde sua
integridade sonora, sofrendo modificações. Observe os exemplos e note as
transformações sofridas pelas palavras formadoras: vinagre (vinho + acre),
aguardente (água + ardente), pernalta (perna + alta), planalto (plano + alto).
Também se incluem neste caso muitos compostos eruditos (como retilíneo,
crucifixo, ambidestro, demagogo e outros), cuja identificação requer conhecimen-
tos mais especializados.
As possibilidades de composição são imprevisíveis: podem-se formar compostos
pelo relacionamento de palavras pertencentes a praticamente todas as classes
gramaticais. Há, por exemplo, compostos formados por substantivo + substantivo
(porco-espinho), substantivo + adjetivo (amor-perfeito), advérbio + adjetivo
(sempre-viva), verbo + substantivo (pára-choques).
A principal função do processo de composição é a criação de novas palavras
para denominar novos objetos, conceitos ou ocupações. Essa função
denominadora pode ser dada de forma descritiva ou metafórica. Palavras como
papel-alumínio, relógio-pulseira ou lava-louças são descritivas porque buscam dar
nome a objetos por meio de suas características ou finalidades mais relevantes.
Louva-a-deus e arranha-céu são compostos de origem metafórica, pois resultam de
um evidente uso figurado da linguagem.
O surgimento de novas palavras compostas na língua é constante, uma vez que a
necessidade de encontrar nomes específicos para novos objetos e conceitos é
ininterrupta. Dessa forma, podemos perceber na língua atual a transformação de
expressões em novas palavras. Pense, por exemplo, na expressão três em um
(que na linguagem publicitária já aparece "três-em-um"), que dá nome a certas
combinações de aparelhos de som. Aliás, pense na própria expressão aparelho de
som, que já é praticamente uma palavra composta (como máquina de lavar ou
máquina de costura). Em alguns casos, podemos observar que já existe a
consciência de que se está lidando com uma palavra composta, como é o caso de
ponto de vista e meio ambiente, expressões que vêm sendo grafadas "ponto-de-
vista" e "meio-ambiente" com freqüência cada vez maior.
- nota da ledora: propaganda do diet shake, fazendo referência ao vocábulo
lipoaspiração. Este anúncio já foi descrito pela ledora em página anterior. - fim da
nota.
Lipoaspiração constitui exemplo de formação de novas palavras compostas na língua.
O anunciante aproveitou o mote para decompô-la e incentivar jocosamente o consumo.
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
96

ATIVIDADE
Identifique o processo de formação das seguintes palavras:
a) palidez
b) empalidecer
c) boquiaberto
d) pára-quedas
e) invulnerável
f) pontiagudo
g) audiovisual
h) o recuo
i) correntista (fantasma)
- nota da ledora: quadro de destaque na página -
A composição
A composição é o processo de formação que dá origem a palavras compostas
(aquelas em que há pelo menos dois radicais) pela aproximação de palavras
simples ou de radicais eruditos. Se os elementos formadores mantiverem sua
integridade sonora, ocorre composição por justaposição. Se pelo menos um
deles sofre alterações na sua configuração sonora, ocorre composição por
aglutinação. - fim do quadro.

Radicais e compostos eruditos
O mecanismo da composição é utilizado para a formação de um tipo especifico de
palavras conhecidas como compostos eruditos, assim chamados porque em sua
formação se utilizam elementos de origem grega e latina que foram diretamente
importados dessas línguas com essa finalidade. Por isso, esses compostos são
também chamados de helenismos e latinismos eruditos. São palavras como
pedagogia e quiromancia (formadas de elementos gregos) ou arborícola e uxoricida
(formadas por elementos latinos), normalmente criadas para denominar objetos
ou conceitos relacionados com as ciências e as técnicas. Muitas delas acabam se
tornando cotidianas (telefone, automóvel, democracia e agricultura, por exemplo).
Apresentamos a seguir duas relações de radicais gregos e duas relações de
radicais latinos. A primeira relação de radicais gregos e a primeira relação de
radicais latinos agrupa os elementos formadores que normalmente são colocados
no início dos compostos; a segunda relação de radicais agrupa, em cada caso, os
elementos formadores que costumam surgir na parte final dos compostos.
Adotamos esse procedimento a fim de facilitar seu trabalho de consulta: ao
encontrar determinado exemplo na relação dos radicais que costumam ser o
primeiro elemento do composto, você poderá mais rapidamente verificar o valor
do segundo elemento na relação dos radicais que costumam figurar no final dos
compostos. Atente para o fato de que determinados radicais costumam aparecer
em determinadas posições nos compostos; nada os impede de surgir em posição
diferente.
Alguns dos radicais que colocamos nas relações a seguir são considerados
prefixos por alguns autores; outros estudiosos preferem chamá-los "elementos
de composição". Acreditamos que essas questões terminológicas são pouco
importantes para você, que tem finalidades mais práticas. Observe que muitas
palavras que fazem parte das suas aulas de Biologia, Química e Física podem ser
encontradas nas relações abaixo; observe, principalmente, que o conhecimento
do significado dos elementos que as constituem muitas vezes nos ajuda a com-
preender os conceitos e seres que denominam.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
97
RADICAIS GREGOS
Elementos que normalmente surgem na parte inicial do composto

Radical, significado e exemplo:
acr-, acro- (alto, elevado) acrópole, acrofobia, acrobata
aer-, aero- (ar) aeródromo, aeronauta, aeróstato, aéreo
agro- (campo) agrologia, agronomia, agrografia, agromania
al-, alo- (outro, diverso) alopatia, alomorfia
andr-, andro- (homem, macho) androceu, andrógino, andróide, androsperma
anemo- (vento) anemógrafo, anemômetro
angel-, angelo- (mensageiro, anjo) angelólatra, angeologia
ant-, anto- (flor) antologia, antografia, antóide, antomania
antropo- (homem) antropógrafo, antropologia, filantropo
aritm-, aritmo- (número) aritmética, aritmologia, aritmomancia
arque- (primeiro, origem) arquétipo, arquegônio
arqueo- (antigo) arqueografia, arqueologia, arqueozóico
aster-, astro- (estrela, astro) asteróide, astrólogo, astronomia
auto- (próprio) autocracia, autógrafo, autômato
bari-, baro- (peso) barômetro, barítono, barisfera
biblio- (livro) bibliografia, biblioteca, bibliófilo
bio- (vida) biografia, biologia, macróbio, anfíbio
caco- (mau) cacofonia, cacografia
cali- (belo) califasia, caligrafia
cardi-, cardio- (coração) cardiologia, cardiografia
cin-, cine-, cines- (movimento) cinestesia, cinemática
core-, coreo- (dança) coreografia, coreógrafo
cosmo- (mundo) cosmógrafo, cosmologia
cript-, cripto- (escondido) criptônimo, criptograma
cris-, criso- (ouro) crisálida, crisântemo
crom-, cromo- (cor) cromossomo, cromogravura, cromoterapia
crono- (tempo) cronologia, cronômetro, cronograma
datilo- (dedo) datilografia, datiloscopia
demo- (povo) demografia, democracia, demagogia
dinam-, dinamo- (força, potência) dinamômetro, dinamite
eco- (casa) ecologia, ecossistema, economia
eletro- (âmbar, eletricidade) elétrico, eletrômetro
enter-, entero- (intestino) enterite, enterogastrite
ergo- (trabalho) ergonomia, ergometria
estere-, estereo- (sólido, fixo) estereótipo, estereografia
estomat-, estomato- (boca, orifício) estomatite, estomatoscópio
etno- (raça) etnografia, etnologia
farmaco- (medicamento) farmacologia, farmacopéia
filo- (amigo) filósofo, filólogo
fisio- (natureza) fisiologia, fisionomia
fono- (voz) eufonia, fonologia
fos-, foto- (luz) fósforo, fotofobia
gastr-, gastro- (estômago) gastrite, gastrônomo

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
98

Radical e significado e exemplo
gen-, geno- (que gera) genótipo, hidrogênio
geo- (terra) geografia, geologia
ger-, gero- (velhice) geriatria, gerontocracia
helio- (sol) heliografia, helioscópio
hemi- (metade) hemisfério, hemistíquio
hemo-, hemato- (sangue) hemoglobina, hematócrito
hetero- (outro) heterônimo, heterogêneo
hidro- (água) hidrogênio, hidrografia
hier-, hiero- (sagrado) hieróglifo, hierosolimita
hipo- (cavalo) hipódromo, hipopótamo
homo-, homeo- (semelhante) homeopatia, homógrafo, homogêneo
icono- (imagem) iconoclasta, iconolatria
idio- (peixe) ictiófago, ictiologia
iso- (igual) isócrono, isósceles
lito- (pedra) litografia, litogravura
macro- (grande) macrocéfalo, macrocosmo
mega-, megalo- (grande) megatério, megalomaníaco
melo- (canto) melodia, melopéia
meso- (meio) mesóclise, Mesopotâmia
micro- (pequeno) micróbio, microcéfalo, microscópio
miso- (que odeia) misógino, misantropo
mito- (fábula) mitologia, mitômano
necro- (morto) necrópole, necrotério
neo- (novo) neolatino, neologismo
neuro-, nevr- (nervo) neurologia, nevralgia
odonto- (dente) odontologia, odontalgia
ofi-, ofio- (cobra, serpente) ofiologia, ofiomancia
oftalmo- (olho) oftalmologia, oftalmoscópio
onomato- (nome) onomatologia, onomatopéia
ornit-, ornito- (ave) ornitologia, ornitóide
oro- (montanha) orogenia, orografia
orto- (reto, justo) ortografia, ortodoxo
oste-, osteo- (osso) osteoporose, osteodermo
oxi- (ácido, agudo) oxítona, oxígono, oxigênio
paleo- (antigo) paleografia, paleontologia
pan- (todos, tudo) panteísmo, pan-americano
pato- (doença, sentimento) patologia, patogenético, patético
pedi-, pedo- (criança) pediatria, pedologia
piro- (fogo) pirólise, piromania, pirotecnia
pluto- (riqueza) plutomania, plutocracia
poli- (muito) policromia, poliglota, polígrafo, polígono
potamo- (rio) potamografia, potamologia
proto- (primeiro) protótipo, protozoário
pseudo- (falso) pseudônimo, pseudópode
psico- (alma, espírito) psicologia, psicanálise

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
99


quiro- (mão) quiromancia, quiróptero
rino- (nariz) rinoceronte, rinoplastia
rizo- (raiz) rizófilo, rizotônico
sider- (ferro) siderólito, siderurgia
sismo- (abalo, tremor) sismógrafo, sismologia
taqui (rápido) taquicardia, taquigrafia
tax-, taxi-, taxio- (ordem, arranjo) taxiologia, taxidermia
tecno- (arte, oficio, indústria) tecnologia, tecnocracia, tecnografia
tele- (longe) telegrama, telefone, telepatia
teo- (deus) teocracia, teólogo
term-, termo- (calor) termômetro, isotérmico
tipo- (figura, marca) tipografia, tipologia
topo- (lugar) topografia, toponímia
xeno- (estrangeiro) xenofobia, xenomania
xilo- (madeira) xilógrafo, xilogravura
zoo- (animal) zoógrafo, zoologia

NUMERAIS
Radical, significado, e exemplos:
mon-, mono- (um) monarca, monogamia
di- (dois) dipétalo, dissílabo
tri- (três) trilogia, trissílabo
tetra- (quatro) tetrarca, tetraedro
pent-, penta- (cinco) pentatlo, pentágono
hexa- (seis) hexágono, hexâmetro
hepta- (sete) heptágono, heptassílabo
octo- (oito) octossílabo, octaedro
enea- (nove) eneágono, eneassílabo
deca- (dez) decaedro, decalitro
hendeca- (onze) hendecassílabo, hendecaedro
dodeca- (doze) dodecassílabo
icos- (vinte) icosaedro, icoságono
hecto-, hecato- (cem) hectoedro, hecatombe, hectômetro, hectograma
quilo- (mil) quilograma, quilômetro
miria- (dez mil - inumerável) miriâmetro, miríade, miriápode

Elementos que normalmente surgem na parte final do composto
Radical , significado e exemplos
-agogia (condução) pedagogia, demagogia
-agogo (que conduz) demagogo, pedagogo
-algia (dor) cefalalgia, nevralgia
-arca (que comanda) heresiarca, monarca
-arquia (comando, governo) autarquia, monarquia


CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
100
RADICAL, SIGNIFICADO E EXEMPLOS
- astenia(debilidade) neurastenia, psicastenia
-céfaIo (cabeça) macrocéfalo, microcéfalo
-ciclo (círculo) bicicleta, hemiciclo
-cracia (poder) democracia, plutocracia, gerontocracia
-derme (pele) endoderme, epiderme
-doxo (que opina) ortodoxo, heterodoxo
-dromo (lugar para correr) hipódromo, velódromo
-edro (base, face) pentaedro, poliedro
-eido, -óide (forma, semelhança) caleidoscópio, asteróide, aracnóide
-fagia (ato de comer) aerofagia, antropofagia
-fago (que come) antropófago, necrófago
-filia (amizade) bibliofilia, lusofília
-fobia (inimizade, aversão) fotofobia, hidrofobia
-fobo (que tem aversão) xenófobo, zoófobo
-foro (que leva ou conduz) fósforo, semaforo
-gamia (casamento) monogamia, poligamia
-gamo (que casa) bígamo, polígamo
-glota, -glossa (língua) poliglota, isoglossa
-gono (ângulo) pentagono, polígono
-grafia (escrita, descrição) ortografia, geografia
-grafo (que escreve) calígrafo, polígrafo
-grama (escrito, peso) telegrama, quilograma
-logia (discurso, tratado, ciência) arqueologia, fonologia
-logo (que fala ou trata) diálogo, teólogo
-mancia (adivinhação) necromancia, quiromancia
-mania (loucura, tendência) megalomania, piromania
-mano (louco, inclinado) bibliômano, mitômano
-maquia (combate) logomaquia, tauromaquia
-metria (medida) antropometria, biometria
-metro (que mede) hidrômetro, pentâmetro
-morfo (que tem forma de) antropomorfo, polimorfo
-nomia (lei, regra) agronomia, astronomia
-nomo (que regula) autônomo, metrônomo
-orama (espetáculo) panorama, cosmorama
-péia (ato de fazer) melopéia, onomatopéia
-pólis, -pole (cidade) Petrópolis, metrópole
-ptero (asa) díptero, helicóptero
-scopia (ato de ver) macroscopia, microscopia
-scópio (instrumento para ver) microscópio, telescópio
-sofia (sabedoria) filosofia, teosofia
-stico (verso) dístico, monóstico
-teca (lugar onde se guarda) biblioteca, discoteca
-terapia (cura) fisioterapia, hidroterapia
-tomia (corte, divisão) dicotomia, neurotomia
-tono (tensão, tom) barítono, monótono
-trof, -trofia (nutrição) atrofia, hipertrofia
CAPITULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
101

RADICAIS LATINOS

Elementos que normalmente surgem na parte inicial do composto

Radical , significado e exemplo:

agri-, agro- (campo) agrícola, agricultura
ali- (asa) alígero, alípede, aliforme
alti- (alto) altissonante, altiplano
alvi- (branco) alviverde, alvinegro
ambi- (ambos) ambidestro
api- (abelha) apicultura, apiário, apícola
arbori- (arvore) arborícola
auri- (ouro) auriverde, auriflama
avi- (ave)
bis-, bi- (duas vezes) bisavô
avi- (ave) avicultura
bel-, beli- (guerra) belígero, beligerante
ferri-, ferro- (ferro) ferrovia
calori- (calor) calorífero
cruci- (cruz) crucifixo
curvi- (curvo) curvilíneo
cent- (cem) centavo, centena, centopéia
equi-, eqüi- (igual) equilátero, equivalência ou eqüivalência
fili- (filho) filicídio, filial
fratri-, frater- (irmão) fratricida, fraternidade
igni- (fogo) ignívomo
lati- (grande, largo) latifoliado, latifúndio
loco- (lugar) locomotiva
matri- (mãe) matrilinear, matriarcal
maxi- (muito grande) maxidesvalorização, maxissaia
mili- (mil, milésima parte) milípede, milímetro
mini- (muito pequeno) minissaia, minifúndio
morti- (morte) mortífero
multi- (muito) multiforme, multidimensional
nocti- (noite, trevas) noctívago, nocticolor
nubi- (nuvem) nubívago, nubífero
oni- (todo) onipotente
patri- (pai) patrilinear, patrilocal
pedi- (pé) pedilúvio
pisci- (peixe) piscicultor
pluri- (muitos) pluriforme, plurisseriado
quadri- (quatro) quadrimotor, quadrúpede
reti- (reto) retilíneo
tri- (três) tricolor
umbri- (sombra) umbrívago, umbrífero
uni- (um) uníssono
uxori- (esposa) uxório, uxoricida
vermi- (verme) vermífugo
CAPITULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
102

Elementos que normalmente surgem na parte final do composto

Radical , significado, e exemplo:
-cida (que mata) regicida, fratricida
-cola (que cultiva ou habita) vitícola, arborícola
-cultura (ato de cultivar) apicultura, piscicultura
-fero (que contém ou produz) aurífero, flamífero
-fico (que faz ou produz) benéfico, frigorífico
-forme (que tem forma de) cuneiforme, uniforme
-fugo (que foge ou que faz fugir) centrífugo, febrifugo
-gero (que contém ou produz) armígero, belígero
-paro (que produz) multíparo, ovíparo
-pede (pé) palmípede, velocípede
-sono (que soa) horrissono, uníssono
-vago (que anda) nubívago, noctívago
-vomo (que expele) fumívomo, ignívomo
-voro (que come) carnívoro, herbívoro
- nota de ledora: quadro em destaque na página:
OBSERVAÇÃO:
Há palavras que combinam elementos gregos e latinos: televisão, automóvel,
genocídio, homossexual e outras. São chamadas de hibridismos. Existem
hibridismos em que se combinam elementos de origens bastante diversas, como
goiabeira (tupi e português), abreugrafia (português e grego), sambódromo
(quimbundo - uma língua africana - e grego), surfista (inglês e grego), burocracia
(francês e grego), e outros. Como você vê, trata-se de palavras muito usadas no
cotidiano comunicativo, o que torna absurda a intenção de certos gramáticos de
considerar os hibridismos verdadeiras aberrações devido à sua origem "mestiça".
- fim do quadro de destaque.

ATIVIDADES
1. Identifique os elementos formadores e dê o significado de cada um dos
compostos abaixo:

a) democracia
b) gerontocracia
c) tecnocracia
d) plutocracia
e) talassocracia
f) teocracia
g) autocracia
h) aristocracia
i) burocracia

2. Faça o mesmo com os compostos abaixo:
a) quiromancia
b) oniromancia
c) piromancia
d) ornitomancia
e) onomatomancia
f) aritmomancia
3. Idem:
a) entomologia
b) zoologia
c) fitologia
d) geologia
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
103
e) ornitologia
f) ictiologia
g) biologia
h) filologia
i) fonologia
j) morfologia
l) cardiologia
m) ginecologia
n) psicologia
o) sociologia
p) teologia
q) antologia
s) enologia

4. Idem:
a) cistalgia
b) ostealgia
c) cefalalgia
d) odontalgia
e) mialgia
f) otalgia


5. Idem:

a) anônimo

b) homônimo

c) heterônimo

d) criptônimo

e) pseudônimo

f) ortônimo
g) antropônimo
h) topônimo
i) sinônimo
j) antônimo


6. Idem:

a) sintaxe

b) cleptomania

c) megalomania

d) nefelibata

e) acrobata
f) acrofobia
g) tanatofobia
h) semáforo
i) economia
j) rinoceronte
l) hipopótamo

m) estereótipo
n) poliglota
o) ortopedia
p) hematófago
q) metafísica


7. Idem:
a) agricultura
c) triticultura
e) fruticultura
b) piscicultura
d) rizicultura
f) avicultura

8. Reescreva as frases seguintes, substituindo as expressões destacadas por
compostos eruditos:
a) Certos políticos têm (incontinência de linguagem).
b) Sua (paixão exagerada pela música) fazia-o gastar muito em discos importados.
c) Era um especialista no (estudo da escrita).
d) Eis no que deu (o governo dos técnicos).
e) Tal procedimento só é possível porque existe (um controle do mercado por
algumas poucas empresas).
f) É um animal (que se alimenta de sangue).
g) Especializou-se (no estudo dos insetos).
h) É uma pessoa capaz de sofrer verdadeiras (mudanças de forma).
i) Fazia questão de que suas roupa fossem (de uma só cor).
j) O estudo dos (nomes de lugares e localidades) pode revelar muito sobre a
história de uma região.

OUTROS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS
Abreviação vocabular

A abreviação vocabular consiste na eliminação de um segmento de uma palavra a
fim de se obter uma forma mais curta. Ocorre, portanto, uma verdadeira truncação,
obtendo-se uma nova palavra cujo significado é o mesmo da palavra original.
Esse processo é particularmente produtivo na redução de palavras muito longas:
cinematógrafo - cinema - cine
pneumático - pneu
otorrinolaringologista - otorrino
analfabeto - analfa
extraordinário - extra
pornográfico - pornô
vestibular - vestiba
metropolitano - metrô
violoncelo - celo
telefone - fone
automóvel- auto
psicologia - psico


CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
104


- nota da ledora: propaganda de Donuts: CALIBRE SEU PNEU ( referência bem
humorada aos pneus de gordura)
O "pneu" do anúncio acima, exemplo de abreviação vocabular, não designa,
obviamente, o componente do automóvel.

Observe que a forma abreviada é de amplo uso coloquial, embora em muitos
casos passe a fazer parte da língua escrita. Esse traço de coloquialidade pode ser
sentido em abreviações como as que colocamos abaixo, impregnadas de
emotividade (carinho, desprezo, preconceito, zombaria):

professor - fessor
português - portuga
chinês - china
japonês - japa
comunista - comuna
militar - milico
confusão - confa
reboliço rebu
neurose - neura
botequim - boteco
delegado - delega
grã-fino granfa
São Paulo - Sampa
Florianópolis - Floripa

Há um certo tipo de abreviação que se vem tornando muito freqüente na língua
atual. Consiste no uso de um prefixo ou de um elemento de uma palavra
composta no lugar do todo:
ex, por ex-namorada, ex-marido, ex-esposa;
micro, por microcomputador;
vídeo, por videocassete;

CAPITULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
105

mini, por minissaia;
máxi, por maxissaia ou maxidesvalorização;
midi, para saia que chega até o joelho ou desvalorização cambial moderada;
e vice, por vice-presidente, vice-governador, vice-prefeito e outros.
O uso dos prefixos em substituição à palavra toda deve ocorrer dentro de
contextos determinados, em que é possível estabelecer o significado que se
pretende. Prefixos como vice ou máxi só adquirem sentido em função dos outros
elementos do texto em que surgem.
Siglonimização
Essa palavra dá nome ao processo de formação de siglas. As siglas são formadas
pela combinação das letras iniciais de uma seqüência de palavras que constitui
um nome:

FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço

CPF Cadastro de Pessoas Físicas
MOBRAL - Movimento Brasileiro de Alfabetização
IOF - Imposto sobre Operações Financeiras
PIB - Produto Interno Bruto
As siglas incorporam-se de tal forma ao vocabulário do dia-a-dia, que passam a
sofrer flexões e a produzir derivados. É freqüente o surgimento de construções
como as ZPEs (Zonas de Processamento de Exportações), os peemedebistas
(membros do PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro), os petistas
(membros do PT - Partido dos Trabalhadores), a mobralização do ensino,
campanha pró-FGTS, e outras.
Algumas siglas provieram de outras línguas, principalmente do inglês:
UFO - Unidentified Flying Object (objeto voador não-identificado), que concorre
com a criação nacional OVNI
VIP - Very Important Person (pessoa muito importante);
AIDS - Acquired Immunological Deficiency Syndrome (síndrome da imunode-
ficiência adquirida), cuja forma em Portugal é SIDA.
- nota da ledora: propaganda de um serviço de Limousine, dizendo que pelo
tamanho, a limousine deveria pagar IPTU. - fim do anúncio.
A sigla IPTU significa Imposto Predial e Territorial Urbano. Trata-se de um tributo da
cidade de São Paulo-SP.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
106

- nota da ledora: propaganda da campanha contra a AIDS: Aproveite o dia
mundial da AIDS e faça um cheque ao portador. Campanha do Bradesco. - Fim da nota.
AIDS, sigla infelizmente muito bem conhecida, proveio do inglês. Apesar da gravidade
do assunto, não podemos deixar de admirar a criatividade do redator, na exploração
que fez da expressão "cheque ao portador .
Há casos de siglas importadas que se transformaram em verdadeiras palavras.
Algumas só são vistas como siglas se conhecermos sua origem:
JIPE adaptação do inglês Jeep, que por sua vez originou-se de GP (General
Purpose - uso geral);
LASER- de Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation (amplificação
da luz por emissão estimulada de radiação);
RADAR - de Radio Detecting and Ranging (detecção e busca por rádio).

Palavra-valise
A palavra-valise resulta do acoplamento de duas palavras, uma das quais pelo
menos sofreu truncação. É também chamada palavra-centauro e permite a
realização de verdadeiras acrobacias verbais. Observe:
brasiguaio ou brasilguaio - formada de brasileiro e paraguaio para designar o
povo fronteiriço entre os dois países, particularmente os brasileiros que
retornaram do Paraguai atraídos pelo anúncio de reforma agrária;
portunhol - formada de português e espanhol para designar a língua resultante da
mistura dos dois idiomas;
portinglês - formada de português e inglês, criada por Carlos Drummond de
Andrade ("secretária portinglês");
tomarte - formada de tomate e Marte, criada por Murilo Mendes ("Ou tomarte,
vermelho que nem Marte"). Note a possibilidade de ver nessa palavra também a
palavra arte;
fraternura, elefantástico e copoanheiro - criações de Guimarães Rosa cuja
formação não é difícil de perceber;
proesia - formada de prosa e poesia, utilizada por Décio Pignatari com referência a
uma das obras do escritor irlandês James Joyce.
Note que a criação dessas palavras ocorre tanto na língua coloquial como na
língua culta e literária. Na língua coloquial, o processo já produziu palavras como
bebemorar, Grenal (clássico de futebol entre Grêmio e Internacional de Porto
Alegre), Atletiba (Atlético Paranaense e Curitiba), Sansão (Santos e São Paulo),
Flaflu (Flamengo e Fluminense), Bavi (Bahia e Vitória), Comefogo (Comercial e
Botafogo de Ribeirão Preto). Na linguagem jornalística, há termos como cantriz
(cantora/atriz), estagnação (estagnação /inflação) e showmício

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
107

(show/comício); na literatura, além das palavras já citadas, há ainda criações
como noitícia (Carlos Drummond de Andrade) ou diversonagens suspersas, de Paulo
Leminski.

Onomatopéia
A onomatopéia ocorre quando se forma uma nova palavra por meio da imitação
de sons. A palavra formada procura reproduzir um determinado som, adaptando-
o ao conjunto de fonemas de que a língua dispõe. Dessa forma, surgem palavras
como:
cacarejar; zumbir, arrulhar, crocitar, troar e outros verbos que designam vozes de
animais e fenômenos naturais;
tique-taque, teco-teco, reco-reco, bangue-bangue (a partir do inglês bangbang),
pingue-pongue, xixi, triquetraque (fogo de artifício), saci (nome de uma ave e, por
extensão, de ente mitológico), cega-rega (cigarra; por extensão, pessoa tagarela),
chinfrim (coisa sem valor), quiquiriqui (pessoa ou coisa insignificante), blablablá,
zunzunzum, pimpampum e outras, sempre sugestivas.
-nota da ledora: quadro de destaque na página:
Outros processos de formação de palavras
a) abreviação vocabular - consiste na eliminação de um segmento de uma palavra a
fim de se obter uma forma mais curta;
b) siglonimização - processo de formação de siglas. As siglas são formadas pela
combinação das letras iniciais de uma seqüência de palavras que constitui um
nome;
c) palavra-valise - resulta do acoplamento de duas palavras, uma das quais pelo
menos sofreu truncação;
d) onomatopéia - ocorre quando se forma uma nova palavra por meio da imitação
de sons. A palavra formada procura reproduzir um determinado som, adaptando-
o ao conjunto de fonemas de que a língua dispõe. - fim do quadro de destaque.

- nota da ledora: cinco desenhos representando formas de onomatopéia: Na seqüência
ao lado, Fortuna criou uma série de onomatopéias para imitar os sons da
mastigação e
da digestão. Não se preocupou, porém, em adaptá-las ao conjunto de fonemas da
língua portuguesa. Comendo uma rosca: nhac!, croc! gut, arout! - fim da nota.
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
108

OUTROS PROCESSOS DE ENRIQUECIMENTO DO LÉXICO
Léxico é a palavra com que se costuma denominar o conjunto de palavras que
integra uma língua. É, em termos práticos, um sinônimo de vocabulário, embora
tecnicamente se possam estabelecer distinções entre as duas palavras. Os
processos de criação de palavras que estudamos até aqui devem ter mostrado a
você que há um constante enriquecimento lexical na língua, resultante
principalmente do dinamismo das modificações culturais, que constantemente
criam novos objetos, novos fatos, novos conceitos. Além disso, há outros fatores
de pressão sobre a língua, como vínculos de dependência econômica e cultural,
capazes de impor formas de pensar e de dizer que se manifestam também no
vocabulário.
Os processos de criação lexical que vimos até agora operam transformações
formais nas palavras, seja por meio do acréscimo ou supressão de morfemas,
seja por meio da combinação de palavras inteiras para a formação de outras. São,
basicamente, processos morfológicos, pois lidam com a forma das palavras.
Há outros processos de ampliação lexical na língua portuguesa. Como não são
processos morfológicos, não vamos estudá-los pormenorizadamente. São, no
entanto, importantes; por isso, vamos falar um pouco sobre eles.

Neologismo semântico

Freqüentemente, acrescentamos significados a determinadas palavras sem que
elas passem por qualquer processo de modificação formal. Pense, por exemplo,
na palavra arara, nome de uma ave, que também é usada para designar pessoa
nervosa, irritada. Arara, com o sentido de "irritado, nervoso , e um neologismo
semântico, ou seja, um novo significado que se soma ao que a palavra já possuía.
Essa forma de enriquecimento do vocabulário é extremamente produtiva. Em
alguns casos, chega-se a perder a noção do significado inicial da palavra,
passando-se a empregá-la apenas no sentido que foi um dia adicional. É o caso,
por exemplo, de emérito, cujo sentido original é "aposentado", mas que atualmente
se usa como "distinto", "elevado; ou dissabor, cujo sentido original era "falta de
sabor".
Perceba que a chamada derivação imprópria aproxima-se bastante deste
processo de ampliação de significado. A derivação imprópria resulta da
passagem de uma palavra a uma classe gramatical diferente sem modificações na
sua forma. Na realidade, ocorre uma ampliação do significado original da palavra.
Isso pode ser percebido em casos em que esse processo está tão cristalizado,
que chegamos a perder a noção do sentido e da classe originais da palavra.
Pense, por exemplo, em palavras como alvo (em expressões como tiro ao alvo), clara
(de ovo), estreito (acidente geográfico), marginal (bandido ou via pública), santo
(pessoa virtuosa), refrigerante - você já notou que se trata de adjetivos convertidos
em substantivos?

Empréstimos lingüísticos

O contato entre culturas produz efeitos também no vocabulário das línguas. No
caso da língua portuguesa, podem-se apontar exemplos de palavras tomadas de
línguas estrangeiras em tempos muito antigos. Esses empréstimos provieram de
línguas célticas, germânicas e árabes ao longo do processo de formação do
português na Península Ibérica. Posterior-

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
109
mente, o Renascimento e as navegações portuguesas permitiram empréstimos de
línguas européias modernas e de línguas africanas, americanas e asiáticas.
Depois desses períodos, o português recebeu empréstimos principalmente da
língua francesa. Atualmente, a maior fonte de empréstimos é o inglês norte-
americano. Deve-se levar em conta que muitos empréstimos da língua portuguesa
atual do Brasil não ocorreram em Portugal e nas colônias africanas, onde a
influência cultural e econômica dos Estados Unidos é menor.
As palavras de origem estrangeira normalmente passam por um processo de
aportuguesamento fonológico e gráfico. Quando isso ocorre, muitas vezes
deixamos de perceber que estamos usando um estrangeirismo. Pense em
palavras como bife, futebol, beque, abajur, xampu, tão freqüentes em nosso
cotidiano que já as sentimos como portuguesas. Quando mantêm a grafia da
língua de origem, as palavras devem ser escritas entre aspas (na imprensa, devem
surgir em destaque - normalmente itálico: shopping center; show, stress).

Atente para o fato de que os empréstimos lingüísticos só fazem sentido quando
são necessários. É o que ocorre quando surgem novos produtos ou processos
tecnológicos. Ainda assim, esses empréstimos devem ser submetidos ao tra-
tamento de conformação aos hábitos fonológicos e morfológicos da língua
portuguesa. São condenáveis abusos de estrangeirismos decorrentes de
afetação de comportamento ou de subserviência cultural. A imprensa e a
publicidade muitas vezes não resistem à tentação de utilizar a denominação
estrangeira de forma apelativa, como em expressões do tipo os teens (por adoles-
centes) ou high technology system (sistema de alta tecnologia).
- nota da ledora: quadro de destaque na página:
Outros processos de enriquecimento do léxico
a) neologismo semântico - acréscimo de significados a determinadas palavras
sem que elas passem por qualquer processo de modificação formal;
b) empréstimos lingüísticos - o contato entre culturas produz efeitos também no
vocabulário das línguas, que incorpora palavras provindas de línguas
estrangeiras. As palavras de origem estrangeira normalmente passam por um
processo de aportuguesamento fonológico e gráfico.
- fim do quadro de destaque.
Olimpíadas: A Rio 2004 falhou, mas o pessoal persevera pela manutenção dos
nossos recordes
Exemplo de palavra de origem estrangeira submetida à adaptação gráfica e fonológica
do português: recorde proveniente do francês record. Ao ser aportuguesada, recebeu
um e final e ganhou a pronúncia "recórde; à moda francesa.
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
110

ATIVIDADE
Explique e denomine o processo de formação das seguintes palavras:
a) INSS
b) "confa"
c) estresse
d) teco-teco
e) caipiródromo
f) sofatleta

TEXTOS PARA ANÁLISE
- nota da ledora: nesta página, quatro anúncios do carnaval, de estilos diferentes, o
carnaval tradição, o multidão, o fascinação, e o curtição: em clube, em Olinda, atrás
do trio elétrico, e numa praia paradisíaca.
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
111
TRABALHANDO O TEXTO
Qual processo de formação de palavras o anúncio explora? Aponte as novas
palavras obtidas e qual seu significado.

O homem: as viagens
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto - é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
112

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem (estará equipado?)
a dificilima dangerosfssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. As impurezas do branco, 4a. ed. Rio de
Janeiro, José Olympio, 1978 p. 20-2.)
TRABALHANDO O TEXTO
1. De que forma o poema explora a sufixação nos últimos versos da primeira
estrofe?
Comente.

2. A palavra quadrado constitui um neologismo semântico? Comente.

3. Explique o significado da passagem "vê o visto" e comente o valor adquirido
pela palavra visto nesse contexto.

4. Qual o sentido da palavra fossa? Como você analisaria sua utilização no
poema?
5. Como foi formada a palavra tever? Que significados ela sugere?

6. Que efeito produz a divisão col-/onizar?

7. Comente o uso da palavra dangerosíssima.

8. Que efeito produz a forma con-viver?
Comente.

9. Qual viagem você considera mais importante para o homem? A sideral ou a
"dangerosíssima"? Porquê?

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
113

Jecocentrismo globalizado
Esquecido de uma cultura riquíssima, FHC usa o tom pejorativo para chamar o
brasileiro de caipira

Estava o brasileiro posto em sossego, fumando o seu cigarrinho de palha,
quando, em entrevista a um jornal lusitano, o presidente Fernando Henrique
Cardoso resolveu teorizar sobre o caráter nacional. Depois de dizer que o Brasil é
um país provinciano, como "Estados Unidos" (olha a comparação), ele partiu para
a globalização pesada: "Como vivi fora do Brasil durante muitos anos, dei conta
disso. Os brasileiros são caipiras, desconhecem o outro lado e, quando
conhecem, se encantam. O problema é esse". Melhor resistir, por enquanto, à
tentação de fazer paralelos entre o viajado Fernando Henrique e a deslumbrada
madame Bovary, personagem do escritor francês Gustave Flaubert. Pois se o
presidente viveu fora do Brasil, na França. no Chile, na Argentina", como
esclareceu, o que lhe teria garantido uma visão nítida do que acontece por aqui,
na caipirolândia, madame Bovary também reformulou suas opiniões sobre o
mundo e as pessoas ao sair da província - para ir a um baile. Não, não pegou mal
o presidente ter, mais uma vez, posado de sabichão cosmopolita. O que provocou
protestos, do PFL ao PT, foi ter chamado os brasileiros, seus conterrâneos e
eleitores, de provincianos. de caipiras.
Não há dúvida de que Fernando Henrique usou o termo "caipira" com conotação
depreciativa. como quem dissesse que a Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa, que foi inaugurar em Lisboa, é uma invenção caipira do caipiríssimo
José Aparecido de Oliveira, por sua vez cupincha do caipirésimo Itamar Franco.
Mas há outro sentido para essa palavra de origem tupi, possível corruptela de
(caipora), "habitante do mato". O termo também serve para designar uma cultura
rústica que, do interior de São Paulo, se espalha por um pedaço de Minas Gerais e
de Goiás. "A cultura caipira, que resulta da miscigenação do branco com o índio, é
integral", explica o poeta e ensaísta José Paulo Paes. "Ela abarca desde hábitos
alimentares até costumes religiosos, conservando um vocabulário riquíssimo."
Na década de 20, autores como Cornélio Pires e Amadeu Amaral debruçaram-se
sobre a maneira de falar dos caipiras e descobriram que vários de seus erros de
português são, na verdade, preciosidades língüísticas. Por exemplo: a expressão
"estâmago" (estômago) remonta ao português castiço do século XVI, e
concordâncias exóticas como "a multidão falaram" são encontradas em versos
de Camões. O modo de vida do caipira também foi objeto de um livro de Antonio
Candido, Os Parceiros do Rio Bonito, de 1964, cujo prefácio traz um
agradecimento "ao antigo aluno e já então colega" Fernando Henrique Cardoso,
que ajudou a revisar os originais. A arqueologia sociológica de Antonio Candido é
uma resposta enviesada à imagem maledicente do
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
114

caipira, cristalizada por Monteiro Lobato em Urupês. Publicado em 1918, o artigo
ridiculariza o Jeca-Tatu, o caboclo ignorante, imune ao progresso e supersticioso.
Destila Monteiro Lobato, entre outras linhas venenosas: "Perguntem ao Jeca
quem é o presidente da República. "
- O homem que manda em nós tudo?
-Sim.
- Pois de certo que há de ser o imperador."
O imperador Fernando Henrique Bovary poderia prestar mais atenção às palavras
que usa para rotular seus súditos. Ricos e pobres, cultos e ignorantes. os
brasileiros têm uma relação ambígua com o termo caipira. Talvez porque sofram
daquela nostalgia do campo que os estudiosos chamam de têm uma relação
ambígua com o termo caipira. Talvez porque sofram daquela nostalgia do campo
que os estudiosos chamam de "síndrome pastoril". É uma saudade en-
vergonhada, que se extravasa nas festas juninas, na audiência de novelas com
temas agrários, nos jipes metidos a besta que rodam nas grandes cidades, no
sucesso da música sertaneja, um arremedo que a indústria cultural forjou para as
modinhas caipiras. O produto desse jecocentrismo pode não ser tão globalizado
quanto o chapéu de Mickey que se compra na Disney World. Mas é mais autêntico
que o bovarismo.
(SABINO, Mário. In Veja, 24 jul. 1996)
TRABALHANDO O TEXTO

1. Como foram formadas as palavras que constituem o título do texto?

2. Como se formaram as palavras caipirolândia e cosmopolita?

3. Há no primeiro parágrafo do texto sufixos diminutivos e aumentativos. Aponte
as palavras de que fazem parte e o significado que transmitem.

4. Explique como se formaram caipiríssimo e caipirésimo e que relação de
significado estabelecem com caipira.
5. Como se formaram as palavras miscigenação, arqueologia e sociológica?

6. Como se formou a palavra extravasar?

7. Qual a origem da palavra jipe?

8. Baseado em elementos fornecidos pelo próprio texto, explique o sentido da
palavra bovarismo.

9. Você é caipira e desconhece o outro lado?

Eco da anterior
Que dúvida Que dívida Que dádiva
Que duvidávida afinal a vida

(MOURÃO-FERREIRA, David. Antologia poética
(1948 - 1983). Lisboa. D. Quixote. 1983. p. 158.
Explique o conceito de palavra-valise a partir da leitura do poema acima.
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
115

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES
1 (Univ. Alfenas-MG) O infinitivo correspondente à forma verbal negrejava está
formado por:
a) derivação imprópria.
b) derivação parassintética.
c) derivação sufixal.
d) derivação regressiva.
e) composição.

2 (Univ. Alfenas-MG) O vocábulo almanaques:
a) é de origem latina.
b) é erudito, composto de radicais gregos.
c) é erudito, híbrido, composto de radicais latino e grego.
d) é de origem árabe.
e) é uma composição erudita, com prefixo e radical latinos.

3 (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa que contém a correspondência
correta entre o composto de origem grega e o seu significado.
a) anarquia = falta de cabeça
b) aristocracia = governo dos plebeus
c) teocracia = governo de religiosos
d) oligarquia = governo de um pequeno grupo
e) plutocracia = governo exercido por estrangeiros

4 (UEPE) Quanto à formação de palavras:
a) (preconceito) é formação prefixal.
b) (pluralismo) e (fragilidade) são formações sufixais.
c) (incontroverso), (individual) e (interna) são formadas com o prefixo latino in,
com sentido de negação.
d) (ampliação), (repetência), (preparação) e (cidadania) são substantivos formados a
partir de formas verbais.
e) em (fragilizar), (modernizar) e (democratizar) o sufixo izar forma verbos a partir de
adjetivos.
5 (UFCE) Complete os espaços abaixo com o substantivo que corresponde ao
verbo destacado nas passagens:
a) ... (acendeu) nela o desejo...
A () do desejo.
b)..... e (repetia) puxando-me...
A () do chamado.
c) ... um gesto que eu não (descrevo)
A () do gesto.
Marque a alternativa que completa corretamente os espaços acima:
a) acenção - repetisão - descrição
b) acensão - repetição - descreção
c) acenção - repetição - discrição
d) acensão - repetissão - descrisão
e) acensão - repetição - descrição

6 (UFCE) Empregando o sufixo mente, substitua as expressões destacadas por
uma só palavra, cujo sentido seja equivalente ao da expressão substituída.
a) (Pouco a pouco), o poeta aprenderia a partir sem medo.
b) (Sem dúvida alguma), a lua nova é mais alegre que a cheia.
c) Ele ganhou um novo quarto e a aurora, (ao mesmo tempo).
d) Passou dez anos, (sem interrupção), com a janela virada para o pátio.
e) O poeta, (por exceção), prefere a lua nova.

7 (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa que contém, pela ordem, o nome do
processo de formação das seguintes palavras:
ataque, tributária e expatriar.
a) prefixação, sufixação, derivação imprópria
b) derivação imprópria, sufixação, parassíntese
c) prefixação, derivação imprópria, parassíntese
d) derivação regressiva, sufixação, prefixação e sufixação
e) derivação regressiva, sufixação, parassintese

8 (PUCSP) O vocábulo (ostentando) apresenta em sua estrutura os seguintes
elementos mórficos:
a) o radical ostenta e o prefixo -ndo.
b) radical ostent-, a vogal temática -a, o tema ostenta e a desinência -ndo.
c) o prefixo os-, o radical tent-, a vogal temática -a e a desinência -ndo.
d) o radical ostenta, o tema ostent- e a desinência -ndo.
e) o radical -ndo, o tema ostent- e a vogal temática -a.

9 (ESALq-SP) São palavras formadas por prefixação:
a) luminoso, fraternidade.
b) liberdade, sonhador.
c) conselheiro, queimado.
d) linguagem, escravidão.
e) percurso, ingrato.

10 (PUCSP) As palavras (azuladas), (esbranquiçadas), (bons-dias) e (lavagem) foram
formadas, respectivamente, pelos processos de:
a) derivação parassintética, derivação prefixal e sufixal, composição por agluti-
nação, derivação prefixal e sufixal.
b) derivação sufixal, derivação parassintética, composição por justaposição, de-
rivação sufixal.
c) derivação parassintética, derivação parassintética, composição por
aglutinação, derivação sufixal.
d) derivação prefixal e sufixal, derivação prefixal, composição por justaposição,
derivação parassintética.
e) derivação sufixal, derivação imprópria, composição por justaposição, derivação
sufixal.

11 (ACAFE-SC) Quanto à formação de palavras, aponte o exemplo que não corres-
ponde à afirmação.
a) infeliz - derivação prefixal
b) inutilmente - derivação prefixal e sufixal
c) couve-flor - composição por justaposição
d) planalto - composição por aglutinação
e) semideus - composição por aglutinação

12 (CEFET-PR) Em qual das alternativas não há relação entre as duas colunas
quanto ao processo de formação das seguintes palavras:
a) magoado derivação sufixal
b) obscuro derivação prefixal
c) infernal derivação prefixal e sufixal
d) aterrador derivação prefixal e sufixal
e) descampado derivação parassintética

13 (FUVEST-SP) Foram formadas pelo mesmo processo as seguintes palavras:
a) vendavais, naufrágios, polêmicas.
b) descompõem, desempregados, desejava.
c) estendendo, escritório, espírito.
d) quietação, sabonete, nadador.
e) religião, irmão, solidão.

14 (FUVEST-SP) Assinalar a alternativa que registra a palavra que tem o sufixo
formador de advérbio.
a) desesperança
b) pessimismo
c) empobrecimento
d) extremamente
e) sociedade
15 (ITA-SP) Considere as seguintes significações:
"nove ângulos" - "governo de poucos" -
"som agradável" - "dor de cabeça"
Escolha a alternativa cujas palavras traduzem os significados apresentados
acima.
a) pentágono, plutocracia, eufonia, mialgia
b) eneágono, oligarquia, eufonia, cefalalgia
c) nonangular, democracia, cacofonia, dispnéia
d) eneágono, aristocracia, sinfonia, cefalalgia
e) hendecágono, monarquia, sonoplastia, cefaléia

16 (ITA-sp) Considere as seguintes palavras, cujos prefixos são de origem grega:
diáfano, endocárdio, epiderme, anfíbio.
Qual alternativa apresenta palavras cujos prefixos, de origem latina,
correspondem,
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
117
quanto ao significado, aos de origem grega?
a) translúcido, ingerir, sobrepor, ambivalência
b) disseminar, intramuscular, superficial, ambigüidade
c) disjungir, emigrar, supervisão, bilíngüe
d) transalpino, enclausurar, supercílio, ambicionar
e) percorrer, imergir, epopéia, ambivalência

17 (PUCC-SP) Sabendo-se que prefixo é um morfema que se antepõe ao radical,
alterando sua significação, assinale a alternativa que apresenta as quatro
palavras iniciadas por um prefixo.
a) perfazer, decifrar, disparidade, reposição
b) retidão, dissonância, divindade, insatisfação
c) discorrer, entrever, perguntar, reler
d) inamovível, bisavô, comprimento, descansar
e) surpresa, asmático, esbravejar, anulação


18 (VUNFSP) As palavras (perda), (corredor) e (saca-rolhas) são formadas,
frespectivamente, por:
a) derivação regressiva, derivação sufixal, composição por justaposição.
b) derivação regressiva, derivação sufixal, derivação parassintética.
c) composição por aglutinação, derivação parassintética, derivação regressiva
d) derivação parassintética, composição por justaposição, composição por
aglutinação.
e) composição por justaposição, composição por aglutinação, derivação prefixal.


19 (CESGRANRIO-RIO) Assinale a opção em que o processo de formação de
palavras está indevidamente caracterizado.
a) vagalume composição
b) irritação - sufixação
c) cruzeiro - sufixação
d) baunilha - sufixação
e) palmeira - sufixação

20 (UFRJ) Assinale a alternativa cujo prefixo sub tem o sentido de posteridade.
a) sublinhar
b) subseqüente
c) subdesenvolvido
d) subjacente
e) submisso

21 (FUVEST-SP) Assinale a alternativa em que uma das palavras não é formada
por prefixação.
a) readquirir, predestinado, propor
b) irregular, amoral, demover
c) remeter, conter, antegozar
d) irrestrito, antípoda, prever
e) dever, deter, antever


22 (UM-SP) Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela em que ocorrem dois
prefixos que dão idéia de negação.
a) impune, acéfalo
b) pressupor, ambíguo
c) anarquia, decair
d) importar, soterrar
e) ilegal, refazer

23 (UFF-RJ) O vocábulo catedral, do ponto de vista de sua formação, é:
a) primitivo.
b) composto por aglutinação.
c) derivado sufixal.
d) parassintético.
e) derivado regressivo de catedrático.

24 (PUC-SP) Assinale a classificação errada do processo de formação indicado.
a) o porquê - conversão ou derivação imprópria.
b) desleal - derivação prefixal
c) impedimento - derivação parassintética
d) anoitecer - derivação parassintética
e) borboleta - primitivo

25 (UFPR) A formação do vocábulo destacado na expressão "o (canto) das
sereias" é:
a) composição por justaposição.
b) derivação regressiva.
c) derivação sufixal.
d) palavra primitiva.
e) derivação prefixal.

26 (PUC-RJ) Relacione os sinônimos nas duas colunas abaixo e assinale a
resposta correta.
1. translúcido () contraveneno
2. antídoto () metamorfose
3. transformação ( ) diáfano
4. adversário () antítese
5. oposição () antagonista
a) 1, 3, 4, 2, 5
b) 2, 3, 4, 5, 1
c) 2, 3, 1, 5, 4
d) 1, 4, 5, 2, 3
e) 4, 3, 1, 5, 2

27 (UFSC) Assinale a alternativa em que o elemento mórfico em destaque está
corretamente analisado.
a) menin(a) (-a) desinência nominal de gênero
b) vend(e)ste (-e-) - vogal de ligação
c) gas(ô)metro (ô) - vogal temática de segunda conjugação
d) ama(ss)em (-sse-) - desinência de segunda pessoa do plural
e) cantaríe(is) (-is) - desinência do imperfeito do subjuntivo

28 (FEI-SP) Dê o significado dos prefixos:

a) (anti)pático
b) (sim)pático
c) (a)pático

29 (UFSC) Relacione a coluna II com a coluna I, estabelecendo a correspondência
entre o significado dos prefixos gregos e latinos.
coluna 1 coluna II
1) (tran)sporte ()(hiper)trofia
2) (circun)lóquio ()(para)sita
3) (bene)fício ()(hipo)crisia
4) (supra)citado ()(peri)feria
5) (sub)terrâneo ()(diá)logo
6) (ad)vogado ()(eu)genia

30) (UFPeI-RS) Os vocábulos da primeira coluna possuem prefixos latinos; os da
segunda, prefixos gregos. A alternativa em que os dois prefixos não se
correspondem semanticamente é:
a) subdesenvolvimento/sintonia
b) ambidestro/anfíbio
c) previsão/programa
d) infiel/anêmico
e) transparente/diálogo

31 (FUVEST-SP) Dos vocábulos da relação seguinte, transcreva apenas aqueles
cujos prefixos indiquem privação, negação ou oposição:
indiciado, anarquia, aprimorar, península, amoral, antípoda, antediluviano, ateu,
antigo, imberbe

32 (FUVEST-SP) Dos vocábulos da relação seguinte, transcreva apenas aqueles
que indiquem inferioridade ou posição inferior:
sotopor, retroceder, supra-renal, sublingual, infravermelho, obstruir, hipodérmico,
sobestar, hipertensão, périplo

CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
119

*********

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (I)
120


- nota da ledora: gravura nas páginas 120 e 121, com a representação de um
eletrocardiograma com a legenda da Sport TV, mostrando as alterações de um
coração, durante uma partida de futebol, no campo. - fim da nota.


Embora seja sempre lembrado como a palavra que denota ação (veja quantas
delas ocorrem no anúncio acima), o verbo indica ainda uma série de outros
fenômenos ou processos.
O que distingue fundamentalmente os verbos são as suas flexões, e não os seus
possíveis significados. Afinal de contas, o verbo é a classe de palavras que
possui o maior número de flexões, na língua portuguesa.
1 INTRODUÇÃO
Conjugar verbos é algo que faz parte da vida de qualquer indivíduo, alfabetizado
ou não, escolarizado ou não; no entanto, poucas pessoas se dão conta de que há
nesse processo uma organização interna, um verdadeiro sistema, de que
trataremos a seguir.
Os verbos desempenham uma função vital em qualquer língua, e no português
não seria diferente. E em torno deles que se organizam as orações e os períodos,
conseqüentemente é em torno deles que se estrutura o pensamento.
Verbo significa, originariamente, "palavra". Esse significado pode ser notado em
expressões como "abrir o verbo" ou "deitar o verbo", utilizadas para indicar o uso
abundante e desimpedido das palavras. Outra expressão muito conhecida é
"verborragia", utilizada para indicar uso desmedido de palavras. Uma pessoa
verborrágica fala muito. E o que significa comunicação verbal? Comunicação com
palavras.
Os verbos receberam esse nome justamente porque, devido a sua importância na
língua, foram considerados as palavras por excelência pelos gramáticos.
Conjugar um verbo é, portanto, exercer o direito pleno de empregar a palavra.
O estudo de uma classe gramatical tão importante representa, obviamente, um
passo decisivo para a obtenção de um desempenho lingüístico mais satisfatório.
Neste primeiro capítulo dedicado aos verbos, vamos concentrar nossa atenção
nos paradigmas de conjugação, cujo conhecimento é indispensável à produção
de textos representativos da modalidade culta do português.
2 CONCEITO

Verbo é a palavra que se flexiona em número (singular/plural), pessoa (primeira,
segunda, terceira), modo (indicativo, subjuntivo, imperativo), tempo (presente,
pretérito, futuro) e voz (ativa, passiva, reflexiva). Pode indicar ação (fazer, copiar),
estado (ser, ficar), fenômeno natural (chover, anoitecer), ocorrência (acontecer,
suceder), desejo (aspirar, almejar) e outros processos.
O que caracteriza o verbo são suas flexões, e não seus possíveis significados.
Observe que palavras como feitura, cópia, chuva, acontecimento e aspiração têm
conteúdo muito próximo ao de alguns verbos mencionados acima; não
apresentam, porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos
possuem.

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
122

3 ESTRUTURA DAS FORMAS VERBAIS
Há três tipos de morfemas que participam da estrutura das formas verbais: o
radical, a vogal temática e as desinências.
a) radical - é o elemento mórfico (morfema) que concentra o significado essencial
do verbo:
opin-ar aprend-er nutr-ir am-ar beb-er part-ir
cant-ar escond-er proib-ir

Você notou que, para obter o radical de um verbo, basta eliminar as duas últimas
letras do infinitivo. Podem-se antepor prefixos ao radical:
des-nutr-ir re-aprend-er

b) vogal temática - é o morfema que permite a ligação entre o radical e as
desinências. Em português, há três vogais temáticas:
-a- - caracteriza os verbos da primeira conjugação: solt-a-r; deix-a-r; perdo-a-r;
-e- - caracteriza os verbos da segunda conjugação: esquec-e-r; sofr-e-r; viv-e-r.
O verbo pôr e seus derivados (supor, depor, repor, compor etc.) são considerados
da segunda conjugação, pois sua vogal temática é -e-, obtida da forma
portuguesa arcaica poer, do latim ponere;
-i- - caracteriza os verbos da terceira conjugação: assist-i-r; permit-i-r, decid-i-r. O
conjunto formado pelo radical e pela vogal temática recebe o nome de tema.

c) desinências - são morfemas que se acrescentam ao tema para indicar as
flexões do verbo. Há desinências número-pessoais e desinências modo-
temporais:

falá-sse-mos
falá-: tema (radical + vogal temática)
-sse-: desinência modo-temporal (indica o modo - subjuntivo - e o tempo -pretérito
imperfeito - em que o verbo está conjugado)
-mos: desinência número-pessoal (indica que o verbo se refere à primeira pessoa
do plural)

Você conhecerá as outras desinências verbais quando apresentarmos os mode-
los das conjugações.
- nota da ledora: quadro em destaque, na página:
Estrutura das formas verbais

a) radical elemento mórfico (morfema)
que concentra o significado essencial do verbo;
b) vogal temática - morfema que permite a ligação entre o radical e as desinências.
Em português, há três vogais temáticas:
-a-, -e-, -i-;
c) desinências - morfemas que se acrescentam ao tema para indicar as flexões do
verbo. Há desinências número-pessoais e desinências modo-temporais.
CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
123

Combinando seus conhecimentos sobre a estrutura dos verbos com o conceito
de sílaba tônica, você poderá facilmente descobrir o que são formas verbais
rizotônicas e arrizotônicas. Nas formas rizotônicas, o acento tônico está no
radical do verbo: estudo, compreendam, consigo, por exemplo. Nas formas
arrizotônicas, o acento tônico não está no radical, mas na terminação verbal:
estudei, venderão, conseguiríamos.

4 FLEXÕES VERBAIS
Você já sabe que os verbos apresentam flexão de número, pessoa, modo, tempo
e voz. Vamos agora estudar mais minuciosamente essas flexões.
Flexão de número e pessoas
Os verbos podem se referir a um único ser ou a mais de um ser; no primeiro caso,
estão no singular; no segundo, no plural. Essa indicação de número é
acompanhada pela indicação da pessoa gramatical a que o verbo se refere.
Observe:
estudo é forma da primeira pessoa do singular;
estudas é forma da segunda pessoa do singular;
estuda é forma da terceira pessoa do singular;
estudamos é forma da primeira pessoa do plural;
estudais é forma da segunda pessoa do plural;
estudam é forma da terceira pessoa do plural.
Essas indicações de número e pessoa são claramente identificadas quando se
relaciona cada forma verbal acima com o pronome pessoal correspondente:
eu estudo
tu estudas
ele/ela estuda
nós estudamos
vós estudais
eles/elas estudam


No português atual do Brasil, o pronome tu, de segunda pessoa, tem uso limitado
a algumas regiões, muitas vezes de forma diferente da que prega a gramática
oficial. É comum o emprego de formas como "tu foi", "tu pega", "tu falou". O
pronome é de segunda pessoa, mas o verbo é conjugado na terceira. O pronome
vós aparece em textos literários ou litúrgicos.
Para o tratamento direto, difundiu-se no Brasil o emprego dos pronomes
você/vocês, que levam o verbo para a terceira pessoa:

ele/ela você estuda eles/e/as/vocês estudam

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
124

- nota da ledora: nesta página, tira de quadrinhos com sotaque
português: (?) e a
seguinte legenda: general pergunta à tropa, se quer canhões ou manteiga -
quereis canhões ou manteiga? e um engraçadinho da tropa responde alto, que
quer canhões. Na mesa, estão passando a faca em canhõezinhos e depois no
pão, ao que outro soldado comenta: Por que é que nunca fechas essa maldita
boca? - fim da nota.
A forma verbal correspondente ao pronome vós caiu em desuso no Brasil mas ainda é
corrente em Portugal (quereis na tira acima).

FLEXÃO DE TEMPO E MODO
No momento em que se fala ou escreve, o processo verbal pode estar em plena
ocorrência, pode já estar concluído ou pode ainda não ter ocorrido. Essas três
possibilidades básicas, mas não únicas, são expressas pelos três tempos
verbais: o presente, o pretérito (que pode ser perfeito, imperfeito ou mais-que-
perfeito) e o futuro (que pode ser do presente ou do pretérito). Compare as formas
estudo, estudei e estudarei para perceber essa distribuição em três tempos
básicos.
A indicação de tempo está normalmente ligada à indicação de modo, ou seja, a ex-
pressão da atitude de quem fala ou escreve em relação ao conteúdo do que fala
ou escreve. Quando se considera o que é falado ou escrito uma certeza, utilizam-
se as formas do modo indicativo (são exemplos estudo, estudei, estudava,
estudarei).

- nota da ledora: anúncio de seguros do Banco Itaú, com os seguintes dizeres:
Uma pessoa que não entende nada de seguro me convenceu a fazer um Itauvida.
Na foto, uma graciosa menininha de aproximadamente 2 anos de idade. - fim da
nota.
Entende e convenceu são formas verbais do modo indicativo, empregado para dar
status de certeza àquilo que se declara.

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
125

As formas do modo subjuntivo indicam que o conteúdo do que se fala ou escreve
é tomado como incerto, duvidoso, hipotético (estudasse, por exemplo). Além
disso, o verbo pode exprimir um desejo, uma ordem, um apelo: nesse caso,
utilizam-se as formas do modo imperativo (estude/não estude, por exemplo).
O esquema a seguir apresenta os modos e tempos verbais da língua portuguesa:
MODO INDICATIVO:
presente (estudo)
pretérito
futuro

pretérito: perfeito (estudei), imperfeito (estudava) , mais-que-perfeito (estudara)
futuro: do presente (estudarei), do pretérito (estudaria)

MODO SUBJUNTIVO
presente (estude)
pretérito imperfeito (estudasse)
futuro (estudar)
MODO IMPERATIVO
presente afirmativo ( estuda)
presente negativo ( não estudes)

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÃO:
1. O modo imperativo é dividido em duas formas: o afirmativo e o negativo. Não se
conjuga a primeira pessoa do singular do imperativo, por motivo óbvio.
2. O esquema acima apresenta apenas os chamados tempos simples; além deles,
há os tempos compostos, que apresentaremos mais adiante.

3. Os verbos possuem, além dos modos e tempos já apresentados, três formas
nominais: o infinitivo (pessoal e impessoal), o gerúndio e o particípio. Essas
formas são chamadas nominais porque podem assumir comportamento de
nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) em determinados contextos. No caso
do verbo estudar, temos:

FORMAS NOMINAIS - infinitivo pessoal ( estudar, estudares)
infinitivo impessoal ( estudar)
gerúndio (estudando)
particípio (estudado)

FLEXÃO DE VOZ
A voz verbal indica fundamentalmente se o ser a que o verbo se refere é agente
ou paciente do processo verbal. Há três situações possíveis:

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
126

a) voz ativa - o ser a que o verbo se refere é o agente do processo verbal. Em "O
Juventus derrotou o Palmeiras", a forma verbal "derrotou" está na voz ativa
porque "o Juventus" é o agente do processo verbal.
b) voz passiva - o ser a que o verbo se refere é o paciente do processo verbal. Em
"O Palmeiras foi derrotado pelo juventus", a locução verbal "foi derrotado" está
na voz passiva porque "o Palmeiras" é o paciente da ação verbal.
Há duas formas de voz passiva em português: a voz passiva analítica, em que
ocorre uma locução verbal formada pelo verbo ser mais o particípio do verbo
principal (como em "O técnico foi demitido do clube"), e a voz passiva sintética,
em que se utiliza o pronome se (nesse caso chamado pronome apassivador, ou
partícula apassivadora) ao lado do verbo em terceira pessoa (como em "Alugam-
se casas na praia"). Essas duas formas de voz passiva serão estudadas
detalhadamente nos capítulos dedicados à Sintaxe.
c) voz reflexiva- o ser a que o verbo se refere é, ao mesmo tempo, agente e
paciente do processo verbal, pois age sobre si mesmo. Em "O rapaz cortou-se
com uma tesoura", a forma verbal cortou-se está na voz reflexiva, pois o rapaz é, a
um só tempo, agente e paciente: ele cortou a si mesmo.
- nota da ledora: propaganda do metrô de São Paulo, com os seguintes dizeres:
- Tiradentes foi enforcado. Sardinha foi devorado por índios. Getúlio se matou.
Felizmente, existe um jeito mais fácil de você entrar para a história.
Venha gravar seu depoimento para o Museu do Metrô. - fim do anúncio.
As tragédias enumeradas no anúncio exemplificam a voz passiva ("foi
enforcado"; "foi
devorado") e a voz reflexiva ("se matou").

ATIVIDADES
1. Indique os morfemas presentes em cada uma das formas Verbais abaixo:
a) falássemos
b) pensáramos
c) estudarei
d) perderias
e) decidissem
f) produzo
g) corrompias
h) tratávamos
i) permitistes
CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
127


2. indique o tempo, o modo, o número e a pessoa de cada uma das formas verbais
destacadas nas frases abaixo:

a) Não (trataríamos) de alguém como ele.
b) Ninguém (relatara) nada a ela.
c) Se você ao menos (provasse)...
d) Talvez (obtenhas) o que nós não obtivemos.
e) Se eu o (localizar), (transmitirei) seu recado.
f) (Queixava)-se constantemente de que ninguém ali (dava) importância a ele.
g) (Pedistes) a verificação de vossos projetos?
h) (Digo) o que (penso).
5 CONJUGAÇÕES
Quando se fala em conjugar um verbo, fala-se em dispor sistematizadamente
todas as formas que ele pode assumir ao ser flexionado. Isso se faz com a
exposição dos diversos tempos e modos de acordo com uma ordem
convencionada. Observe que se trata de um recurso didático ligado à
memorização e à observação de particularidades morfológicas.
Os verbos da língua portuguesa podem ser divididos em três grupos de flexões,
as chamadas conjugações, identificadas respectivamente pelas vogais temáticas
-a-, -e- e -i-. Para cada uma dessas conjugações, há um modelo - chamado de
paradigma - que indica as formas verbais consideradas regulares. De acordo com
a relação que estabelecem com esses paradigmas, os verbos podem ser
classificados em:
a) regulares - obedecem precisamente a um paradigma da respectiva conjugação;
b) irregulares - não seguem nenhum paradigma da respectiva conjugação: podem
apresentar irregularidades no radical ou nas terminações. Os verbos ser e ir, por
apresentarem profundas alterações nos radicais em sua conjugação, são
chamados anômalos;
c) defectivos - não são conjugados em determinadas pessoas, tempos ou modos;
d) abundantes - apresentam mais de uma forma para determinada flexão.
Os verbos empregados para, com o infinitivo, o gerúndio ou o particípio, formar as
locuções verbais ou os tempos compostos (devo ir/estava falando/tinha
procurado) são chamados de auxiliares. Os quatro mais usados nessa função são
ser, estar, ter e haver. A conjugação desses quatro verbos, rica em
particularidades, será apresentada mais adiante, quando estudarmos os
principais verbos irregulares.
O outro verbo do tempo composto ou locução verbal é chamado de principal. Na
prática, torna-se fácil identificar o auxiliar e o principal: o auxiliar é sempre o
primeiro; o principal é sempre o segundo.

PARADIGMA DOS VERBOS REGULARES
Você encontrará a seguir paradigmas dos verbos regulares das três conjugações.
Para conjugar qualquer verbo regular basta substituir o radical do verbo usado
como exemplo pelo radical do verbo que se pretende conjugar. A vogal temática e
as desinências não se alteram.

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (I)
128

TEMPOS SIMPLES
1a. conjugação 2a. conjugação 3a. conjugação
modelo: estudar, vender, permitir
MODO INDICATIVO

presente :
estudo, vendo, permito,
estudas, vendes, permites ,
estuda, vende, permite,
estudamos, vendemos, permitimos,
estudais, vendeis, permitis,
estudam, vendem, permitem;

pretérito imperfeito:
estudava, vendia, permitia,
estudavas, vendias, permitias,
estudava, vendia, permitia,
estudávamos, vendíamos, permitíamos,
estudáveis, vendíeis, permitíeis,
estudavam, vendiam, permitiam

pretérito perfeito:
estudei, vendi, permiti
estudaste, vendeste, permitiste,
estudou, vendeu, permitiu,
estudamos, vendemos, permitimos,
estudastes, vendestes, permitistes,
estudaram, venderam, permitiram;

pretérito mais-que-perfeito:
estudara, vendera, permitira,
estudaras, venderas, permitiras,
estudara, vendera, permitira,
estudáramos, vendêramos, permitíramos,
estudáreis, vendêreis, permitireis,
estudaram, venderam, permitiram,

futuro do presente:
estudarei, venderei, permitirei,
estudarás, venderás, permitirás,
estudará, venderá, permitirá,
estudaremos, venderemos, permitiremos,
estudareis, vendereis, permitireis,
estudarão, venderão, permitirão


futuro do pretérito:
estudaria, venderia, permitiria,
estudarias, venderias, permitirias,
estudaria, venderia, permitiria,
estudaríamos, venderíamos, permitiríamos,
estudaríeis, venderíeis, permitiríeis,
estudariam, venderiam, permitiriam


CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
129

MODO SUBJUNTIVO

presente:
estude, venda, permita,
estudes, vendas, permitas,
estude, venda, permita,
estudemos, vendamos, permitamos,
estudeis, vendais, permitais,
estudem , vendam, permitam

pretérito imperfeito:
estudasse, vendesse, permitisse,
estudasses, vendesses, permitisses,
estudasse, vendesse, permitisse,
estudássemos, vendêssemos, permitíssemos,
estudásseis, vendêsseis, permitísseis
estudassem, vendessem, permitissem



futuro:
estudar, vender, permitir,
estudares, venderes, permitires,
estudar, vender, permitir,
estudarmos, vendermos, permitirmos,
estudardes, venderdes, permitirdes,
estudarem, venderem, permitirem



MODO IMPERATIVO
afirmativo

estuda tu, vende tu, permite tu,
estude você, venda você, permita você,
estudemos nós, vendamos nós, permitamos nós,
estudai vós, vendei vós, permiti vós,
estudem vocês, vendam vocês, permitam vocês,


negativo:

não estudes tu, não vendas tu, não permitas tu,
não estude você, não venda você, não permita você,
não estudemos nós, não vendamos nós, não permitamos nós,
não estudeis vós, não vendais vós, não permitais vós,
não estudem vocês, não vendam vocês, não permitam vocês


CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
130



FORMAS NOMINAIS
infinitivo impessoal:
estudar, vender, permitir
infinitivo pessoal:
estudar, vender, permitir,
estudares, venderes, permitires,
estudar, vender, permitir,
estudarmos, vendermos, permitirmos,
estudardes, venderdes, permitirdes,
estudarem, venderem, permitirem

gerúndio:
estudando, vendendo, permitindo
particípio:
estudado, vendido, permitido
- nota da ledora- quadro de destaque na página -
1. Tome cuidado especial com as formas verbais que recebem acento gráfico,
pois a omissão desse acento pode causar problemas na língua escrita:
analise atentamente as formas de primeira e segunda pessoas do plural dos
vários tempos e compreenda que algumas devem ser acentuadas porque são
proparoxítonas;
atente para as formas do futuro do presente do indicativo que são acentuadas
graficamente (oxítonas terminadas em -a, -as - estudarás, estudará; venderás,
venderá; permitirás, permitirá) e perceba que a omissão desse acento causa con-
fusão com as formas correspondentes do pretérito mais-que-perfeito do
indicativo (paroxítonas - estudaras, estudara; venderas, vendera; permitiras,
permitira).


2. Compare a terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo com a
terceira pessoa do plural do futuro do presente: a primeira é paroxítona e termina
em -am (estudaram, venderam, permitiram); a segunda é oxítona e termina em -ão
(estudarão, venderão, permitirão).
3. Compare a segunda pessoa do singular com a segunda pessoa do plural do
pretérito perfeito do indicativo: a primeira termina em -ste (estudaste, vendeste,
permitiste); a segunda termina em -stes (estudastes, vendestes, permitistes).
4. Atente para as particularidades do modo imperativo: não se conjuga a primeira
pessoa do singular; além disso, na terceira pessoa se utilizam os pronomes
você/vocês, senhor/senhores, ou qualquer outro pronome de tratamento.


CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
131
TEMPOS COMPOSTOS

MODO INDICATIVO
pretérito perfeito: tenho/hei, tens/hás, tem/há, temos/havemos, tendes/haveis,
têm/hão
estudado, vendido, permitido
pretérito mais-que-perfeito: tinha/havia, tinhas/havias, tinha/havia,
tínhamos/havíamos, tínheis/havíeis, tinham/haviam.
estudado, vendido, permitido

futuro do presente : terei/haverei, terás/haverás, terá/haverá, teremos/haveremos,
tereis/havereis, terão/haverão.
estudado, vendido, permitido

futuro do pretérito: teria/haveria, terias/haverias, teria/haveria,
teríamos/haveríamos, teríeis/haveríeis, teriam/haveriam,
estudado, vendido, permitido


MODO SUBJUNTIVO
pretérito perfeito: tenha/haja, tenhas/hajas, tenha/haja, tenhamos/hajamos,
tenhais/hajais, tenham/hajam,
estudado, vendido, permitido

pretérito mais-que-perfeito: tivesse/houvesse, tivesses/houvesses, tivesse/houvesse,
tivéssemos/houvéssemos, tivésseis/houvésseis, tivessem/houvessem,
estudado, vendido, permitido

futuro: tiver/houver, tiveres/houveres, tiver/houver, tivermos/houvermos,
tiverdes/houverdes, tiverem/houverem.
estudado, vendido, permitido


FORMAS NOMINAIS

infinitivo pessoal (pretérito) : ter/haver, teres/haveres, ter/haver, termos/havermos,
terdes/haverdes, terem/haverem,
estudado, vendido, permitido
infinitivo impessoal (pretérito) : ter/haver,
estudado, vendido, permitido

gerúndio (pretérito) tendo/havendo,
estudado, vendido, permitido
CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)

132

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÕES:
1. Você notou que os tempos compostos são formados pelos verbos auxiliares
ter e haver mais o particípio do verbo principal. Apenas os auxiliares se flexionam.

2. No Brasil, há uma acentuada tendência ao emprego do auxiliar ter; o uso do
auxiliar haver restringe-se à língua formal falada escrita.
3. O pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo é largamente usado no
português falado e escrito do Brasil, confinando a forma simples ao uso escrito
formal.
4. As formas compostas do infinitivo e do gerúndio têm valor de pretérito.
- fim do quadro de destaque.

ATIVIDADES
1. Complete as lacunas das frases com a forma verbal indicada entre parênteses:
a) Se efetivamente (), serias mais insistente. (necessitar, pretérito imperfeito do
subjuntivo)
b) Seu pai não () às reuniões com freqüência. (comparecer, pretérito imperfeito do
indicativo)
c) O diretor não nos () ontem. (auxiliar, pretérito perfeito do indicativo)
d) Você sempre () às oito horas? (chegar, presente do indicativo)
e) Quem () esta rotina tão tranqüila? (alterar, futuro do pretérito do indicativo)
f) Já fazia muito tempo que eu () a importância de ser solidário. (perceber, pretérito
mais-que-perfeito do indicativo)
g) Não te () em situação delicada se me prestares ajuda? (colocar, futuro do pre-
sente do indicativo)
h) Talvez eu () alguma alteração no seu ânimo. (perceber, presente do subjuntivo)
i) Quando () a verdade, mostrai-a a todos. (descobrir, futuro do subjuntivo)

2. Complete as lacunas com as formas verbais solicitadas entre parênteses:
a) Quando você () o trabalho, poderá sair. (terminar, futuro composto do
subjuntivo)
b) () constantemente, mas ainda não conseguiste êxito. (insistir, pretérito perfeito
composto do indicativo)
c) Nós já () aquelas entidades assistenciais alguns anos atrás. (ajudar, pretérito
mais-que-perfeito composto do indicativo)
d) É provável que tudo () até então. (acabar, pretérito perfeito composto do
subjuntivo)
e) Será que () em todos os meus exames até dezembro? (passar, futuro do
presente composto do indicativo)
f) Se () antes, teríamos obtido a vaga. (comparecer, pretérito mais-que-perfeito
composto do subjuntivo)
g) Tudo () como imagináramos se ele não tivesse desistido no último momento.
(ocorrer, futuro do pretérito composto do indicativo)

3. Passe para o plural cada uma das frases seguintes, mantendo o tempo e o
modo dos verbos.
a) Agradava-me caminhar à beira-mar.
b) Fazias sempre questão de ajudar.
c) Ele estivera acamado.
d) Até ontem, eu desconhecia que voltaras.
e) Se quisesses, eu não seria infeliz.
f) Se fosses solidário, eu teria melhor sorte.
g) Ele dormirá aqui amanhã.
h) Você chegou às três horas?
i) Ele fixara o encontro com antecedência.
j) Ela fixará o encontro com antecedência.
l) Agiste como te recomendei?


CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
133
6 FORMAÇÕES DOS TEMPOS SIMPLES
Depois de observar os tempos e modos dos verbos regulares, é importante você
saber que existe uma maneira eficiente, racional e organizada de conjugá-los.
Basta empregar os conceitos de tempos primitivos e tempos derivados e explorar
as relações entre eles:
a) tempos primitivos - são tempos cujos radicais ou temas são usados na
formação de outros tempos. É o caso do presente do indicativo e do pretérito
perfeito do indicativo. Além deles, o infinitivo impessoal é usado na formação de
outros tempos;
b) tempos derivados - são aqueles cujos radicais ou temas são obtidos de um dos
tempos primitivos ou do infinitivo impessoal. Com exceção do presente e do
pretérito perfeito do indicativo e do infinitivo impessoal, todos os tempos e formas
nominais são derivados.
O conhecimento da conjugação dos tempos primitivos e da forma como se obtém
a partir deles a conjugação dos tempos derivados constitui um instrumento muito
útil para evitar erros de conjugação. Com a prática e a repetição, o processo se
tornará automático. Você perceberá que, em alguns casos, como na formação do
imperativo e na obtenção de certos tempos de alguns verbos irregulares, esse
processo de conjugação é eficiente e seguro.

Sem dúvida é importante aprender o esquema de formação do imperativo (para isso,
veja a tabela na página seguinte). Porém, tão importante quanto é refletir um pouco
antes de obedecer a um verbo no imperativo.

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
134

TEMPOS DERIVADOS DO PRESENTE DO INDICATIVO
O presente do indicativo forma o presente do subjuntivo; dos dois, é formado o
modo imperativo:
a) presente do subjuntivo - forma-se a partir do radical da primeira pessoa do
singular do presente do indicativo. Esse radical é obtido pela eliminação da
desinência -o da primeira pessoa do singular: opin-o, cant-o, conheç-o, venh-o,
dig-o; a ele, acrescentam-se as desinências -e, -es, -e, -emos, -eis, -em, para
verbos da primeira conjugação, e -a, -as, -a, -amos, -ais,
-am, para verbos da segunda e terceira conjugações;
b) imperativo afirmativo - a segunda pessoa do singular e a segunda pessoa do
plural são retiradas diretamente do presente do indicativo, suprimindo-se o-s
final: tu estudas - estuda tu; vós estudais - estudai vós. As formas das demais
pessoas são exatamente as mesmas do presente do subjuntivo. Lembre-se de
que não se conjuga a primeira pessoa do singular no modo imperativo;
c) imperativo negativo - todas as pessoas são idênticas as pessoas
correspondentes do presente do subjuntivo.

ESQUEMA DE FORMAÇÃO DOS TEMPOS DERIVADOS DO PRESENTE DO
INDICATIVO
(exemplo: verbo optar)
- nota da ledora: o esquema mencionado, está muito bem explicado no ponto
acima, não há condição de mantê-lo no formato de esquema, por truncar-se no
momento da leitura, já que o programa não lê pulando linhas, escritas, e
respeitando chaves. O esquma é apenas um acréscimo visual, ao
minuciosamente exposto. - fim da nota.

- quadro em destaque na página:
OBSERVAÇÕES:

1. Para os verbos da segunda e terceira cunjugações, as desinências do presente
do subjuntivo são: -a, -as, -a, -amos, -ais, -am.
2. Observe atentamente as diferenças entre as segundas pessoas do imperatiVo
afirmativo e as segundas pessoas do imperativo negativo. Para passar uma frase
do imperativo afirmativo para o negativo e vice-versa não basta acrescentar ou
retirar um não: opta/não optes; optai/não opteis.
3. É muito comum na língua coloquial o emprego das formas verbais de segunda
pessoa do singular do imperativo afirmativo com o pronome você: - "Vem pra
Caixa você também!", por exemplo, fez parte de um famoso texto publicitário
poucos anos atrás. Essa mistura de tratamentos não é admissível na língua culta;
para evitá-la, deve-se uniformizar o tratamento na segunda pessoa ("Vem... tu") ou
na terceira pessoa ("venha... você").


CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
135
ATIVIDADES

1. Passe para a forma negativa:
a) Procura-me.
b) Procure-me.
c) Entoa aquela velha canção de ninar.
d) Entoe aquela velha canção de ninar.
e) Conta o que viste.
f) Conte o que viu.
g) Aciona os motores.
h) Acione os motores.
i) Estende os panos.
j) Estenda os panos.
l) Sai daí!
m) Saia dai!
n) Belisca-me para eu perceber que estou acordado.
o) Belisque-me para eu perceber que estou acordado.
p) Assiste ao filme!
q) Assista ao filme!

2. Passe as frases do exercício anterior para o plural. A seguir, passe-as para a
forma negativa.

3. Leia atentamente o texto seguinte, trecho da canção "Nosso estranho amor",
de Caetano Veloso:
Não quero sugar todo seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer.
Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor.
Ah! Mainha
Deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar
E sigamos juntos
Ah! Neguinha
Deixa eu gostar de você
Pra lá do meu coração
Não me diga nunca não.
O que ocorre com as formas de tratamento empregadas no texto?
De que maneira o modo imperativo é afetado por essas formas? Comente,
explicando os efeitos obtidos no texto e apresentando maneiras de adequá-lo à
língua culta.

4. Explique a formação do modo imperativo a partir do presente do indicativo.
Use o verbo suar como exemplo.
TEMPOS DERIVADOS DO PRETÉRITO DO INDICATIVO
O pretérito perfeito do indicativo fornece o tema para a formação de três outros
tempos: o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, o pretérito imperfeito do subjuntivo e
o futuro do subjuntivo. Para obter o tema do pretérito perfeito, basta retirar a
desinência -ste da forma correspondente à segunda pessoa do singular (estuda-ste,
vende-ste, parti-ste, trouxe-ste, soube-ste); a seguir, acrescentam-se a esse tema as
desinências características de cada um dos três tempos derivados:
a) pretérito mais-que-perfeito do indicativo: -ra, -ras, -ra, -ramos, -reis, -ram;
b) pretérito imperfeito do subjuntivo: -sse, -sses, -sse, -ssemos, -sseis, -ssem;
c) futuro do subjuntivo: -r, -res, -r, -rmos, -rdes, -rem.

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
136


nota da ledora: anúncio publicitário da Seguradora Itaú : uma mulher falando ao telefone, com cara de
triste, e a seguinte legenda: se alguém bater em você, chame a gente. - fim da nota.

Em muitos verbos, a 3a. pessoa do singular do futuro do subjuntivo (bater, no anúncio
acima) é formalmente idêntica ao infinitivo impessoal o que gera freqüentemente erros
de conjugação. Por isso, fique sempre atento ao esquema de derivação desse tempo
verbal


ESQUEMA DE FORMAÇÃO DOS TEMPOS DERIVADOS DO PRETÉRITO
PERFEITO DO INDICATIVO

(exemplo: Verbo fazer)
Pretérito perfeito do indicativo
fiz
fize-ste
fez
fizemos
fizestes
fizeram

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo
fize-ra
fize-ras
fize-ra
fizé-ramos
fizé-reis
fize-ram
Pretérito imperfeito do subjuntivo
fize-sse
fize-sses
fize-sse
fizé-ssemos
fizé-sseis
fize-ssem

Futuro do subjuntivo

fize-r
fize-res
fize-r
fize-rmos
fize-rdes
fize-rem


-nota de destaque na página: As desinências dos tempos derivados são as mesmas para as três
conjugações.

ATIVIDADES
1. Quais os tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo? Explique sua for-
mação usando o verbo ir como exemplo.
2. Observe a frase abaixo:
"Se você não se manter calmo, poderá fazer algo errado".

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
137


Sabendo que o verbo (manter) segue o modelo de conjugação do verbo ter,
procure adequar a frase acima ao padrão culto da língua portuguesa. Utilize o
esquema de formação de tempos derivados a partir do pretérito perfeito do
indicativo para comprovar a eficácia de sua correção.
TEMPOS E FORMAS NOMINAIS DE DERIVADOS DO INFINITIVO PESSOAL
O infinitivo impessoal (estudar, vender, permitir) é a base para a formação de três
tempos do modo indicativo: o pretérito imperfeito, o futuro do presente e o futuro do
pretérito.
Além disso, é base também das formas nominais: o infinitivo pessoal, o particípio
e o gerúndio.
a) pretérito imperfeito do indicativo - forma-se pelo acréscimo das terminações -ava,
-avas, -ava, -ávamos, -áveis, -avam (para os verbos da primeira conjugação) ou -ia, -
ias, -ia, -íamos, -íeis, -iam (para os verbos da segunda e terceira conjugações) ao
radical do infinitivo impessoal (estud-ar, vend-er, permit-ir);
b) futuro do presente do indicativo - forma-se pelo acréscimo das desinências -rei, -
rás, -ra, -remos, -reis, -rão ao tema do infinitivo impessoal (estuda-r, vende-r,
permiti-r);
c) futuro do pretérito do indicativo - forma-se pelo acréscimo das desinências -ria,
-rias, -ria, -ríamos, -ríeis, -riam ao tema do infinitivo impessoal;
d) infinitivo pessoal - acrescentam-se as desinências -es (para a segunda pessoa
do singular) e -mos, -des, -em (para as três pessoas do plural) ao infinitivo
impessoal (estudar-, vender-, permitir-);
e) particípio regular - acrescenta-se a desinência -ado (para verbos da primeira
conjugação) ou -ido (para verbos da segunda e terceira conjugações) ao radical
do infinitivo impessoal;
f) gerúndio acrescenta-se a desinência -ndo ao tema do infinitivo impessoal.

ESQUEMA DE FORMAÇÃO DOS TEMPOS E FORMAS NOMINAIS DERIVADOS DO
INFINITIVO IMPESSOAL
(exemplo: verbo cantar)
Infinitivo impessoal: cant-ar
Particípio: cant-ado
Pretérito imperfeito do indicativo : cant-ava, cant-avas, cant-ava, cant-ávamos, cantá-
veis, cant-avam

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
138

Infinitivo impessoal: canta-r
Futuro do presente do indicativo: canta-rei, canta-rás, canta-rá, canta-remos, canta-
reis, canta-rão.
Futuro do pretérito do indicativo: canta-ria, canta-rias, canta-ria, canta-ríamos,
canta-ríeis, canta-riam.
Gerúndio: canta-ndo

- nota da ledora - anúncio da revista placar: foto composta de uma bola, um
preservativo e um alto-falante, com a seguinte legenda: O mundo é uma bola.
Num planeta quadrado não haveria futebol, sexo ou rock 'n' roll. - fim da nota.
O futuro do pretérito do indicativo (haveria) deriva do infinitivo impessoal. Quanto à
derivação dos objetos esféricos, a hipótese do anúncio até que é engenhosa.

Infinitivo impessoal : cantar
Infinitivo pessoal: cantar, cantar-es, cantar, cantar-mos, cantar-des, cantar-em.
- quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÃO:
Alguns poucos verbos não obedecem a um ou outro dos esquemas expostos;
isso, no entanto, não chega a afetar a grande eficiência desses mecanismos de
conjugação. Quando estudarmos os verbos irregulares, faremos menção às mais
importantes.

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)

139



- nota - quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÕES
1. Para os verbos da segunda e terceira conjugações, as desinências são diferentes
das que surgem no esquema de formação do particípio e pretérito imperfeito do
indicativo: -ido para o particípio e -ia, -ias, -ia, -íamos, 4eis, -iam para o imperfeito.
2. Atente para o fato de que o infinitivo pessoal e o futuro do subjuntivo têm origens
diferentes, o que implicará diferenças formais significativas em alguns verbos,
como fazer (fazer, fazeres; fizer, fizeres), expor (expor, expores; expuser, expu-
seres), dizer (dizer, dizeres; disser, disseres) e outros.- fim do quadro.
ATIVIDADES
1. Preencha as lacunas com as formas verbais solicitadas entre parênteses:
a) Você nunca () de nada. (reclamar, pretérito imperfeito do indicativo)
b) Desde o ano passado, o time não () uma partida com tanta facilidade. (vencer,
pretérito imperfeito do indicativo)
c) Não () a idéia de ter de partir justamente quando lhe () uma oportunidade
daquelas. (aceitar, pretérito imperfeito do indicativo; surgir, pretérito imperfeito do
indicativo)
d) Não () minha inteligência para defender causa tão sórdida! (empregar, futuro do
presente do indicativo)
e) Quem () contra nossa união? (tramar, futuro do pretérito do indicativo)
f) () a questão, () dar prosseguimento a nossos projetos. (solucionar, particípio;
poder, futuro do pretérito do indicativo)
g) Dirigiu-se a nós () de nossa inoperância e () nosso despreparo. (reclamar, ge-
rúndio; denunciar, gerúndio)
h) Depois que nos identificamos, ela fez o possível e o impossível para () em sua
casa. (ficar, infinitivo pessoal)

2. Identifique as formas verbais destacadas na frase abaixo e explique por meio
dos esquemas de formação de tempos verbais a origem de cada uma delas:
Se você não (fizer) o que determina o manual de instruções, será impossível para
os técnicos (fazer) o serviço.

7 ALGUNS VERBOS REGULARES QUE MERECEM DESTAQUES
O verbo optar é um típico verbo regular cuja conjugação apresenta detalhes
importantes. Atente principalmente no presente do indicativo e tempos derivados:
a pronúncia culta das formas verbais aí presentes é opto, optas, opta, optam;
opte, optes, opte, optem. O mesmo vale para os verbos captar, adaptar, raptar,
compactar etc. O problema é prosódico e não morfológico e ocorre de forma
semelhante no verbo obstar: obsto, obstas, obsta, obstam; obste, obstes, obste,
obstem.
Alguns outros verbos regulares cuja pronúncia culta merece destaque são:

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
140

apaziguar
Presente do indicativo: apaziguo apaziguas apazigua apaziguamos apaziguais
apaziguam
Presente do subjuntivo: apazigúe apazigúes apazigúe apazigüemos apazigüeis
apazigúem
- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÕES
1. O verbo averiguar apresenta exatamente as mesmas características tônicas, que,
aliás, são iguais às de quase todos os verbos terminados em -uar, como continuar,
efetuar, habituar etc.
2. Atente na acentuação gráfica dessas formas verbais. - fim do quadro.

1. os verbos aguar, desaguar, e minguar têm comportamento
tônico semelhante.
2. atente para a acentuação tônica dessas formas verbais.
3. alguns autores defendem para esse grupo o mesmo comportamento prosódico
dos verbos averiguar e apaziguar ( enxaguo, enxaguas, enxagua, aguo, aguas
agua- todas com intensidade tonal na vogal u) ou seja , o comportamento padrão
dos verbos terminados em -uar.
Enxaguar - presente do indicativo: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxaguamos,
enxaguais, enxaguam
Presente do subjuntivo: enxágüe, enxágües, enxágüe, enxagüemos, enxagüeis,
enxagüem
1. Esse verbo é mais empregado em sua forma pronominal (dignar-se).
2. Apresentam a mesma acentuação tônica aos verbos impugnar e indignar-se
Presente do indicativo: digno, dignas, digna, dignamos, dignais, dignam.
Presente do subjuntivo: digne, dignes, digne, dignemos, digneis, dignem
CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
141

mobiliar
presente do indicativo: mobílio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais , mobíliam
presente do subjuntivo: mobílie, mobílies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobíliem
Há também verbos foneticamente regulares, mas irregulares no que diz respeito à
manutenção da estrutura formal. E o caso, por exemplo, do verbo dirigir: dirijo,
diriges, dirige, dirigimos, dirigis, dirigem; dirija, dirijas, dirija, dirijamos, dirijais,
dirijam. É fácil conjugar esse verbo oralmente; as dificuldades surgem no
momento de escrever as formas verbais. É necessário, então, substituir a letra g,
que faz parte do radical (dirig-) pela letra j, justamente para manter o padrão
fonético. Se fosse mantida a letra g do radical em toda a conjugação de verbos
como dirigir, agir, fugir, fingir, haveria formas como "eu dirigo", "eu ago", "eu fugo",
"eu fingo", "que eu diriga", "que eu fuga".
Você notou que só será necessário trocar o g por j diante de a e o.
Para eliminar essas dificuldades, você deve dominar com segurança as relações
(já estudadas em nosso livro) entre fonemas e letras. Os problemas surgem,
obviamente, nos verbos que apresentam letras que servem para representar mais
de um fonema ou naqueles que apresentam fonemas que podem ser
representados por mais de uma letra.
- nota da ledora: propaganda das sandálias havaianas, com os seguintes termos:
para ter um verão de verdade, exija estas marcas ( a marca da sandália, feita pelo
sol, no pé bronzeado). - fim da nota.
Exigir é exemplo de verbo foneticamente regular, porém com irregularidade gráfica.
Para manter o som /z/ do infinitivo, o g transforma-se em j no imperativo (exija)
CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
142
É ocaso dos verbos cujo infinitivo se escreve com c, ç, g, gu:
ficar: fico, fique; fiquei, ficaste;
descer: desço, desça; desci, desceste;
atiçar: atiço, atice; aticei, atiçaste;
carregar: carrego, carregue; carreguei, carregaste;
fingir: finjo, finges; fingi, fingiste;
erguer: ergo, ergues; ergui, ergueste.
Merecem destaque extinguir e distinguir: nesses verbos, como em erguer, as
letras gu representam um dígrafo (note que não há trema sobre o u). Ao conjugá-
los, obtêm-se as formas extingo extingues, extingue etc.; distingo, distingues, distingue
etc. Portanto você não deve pronunciar a letra u durante a conjugação desses verbos.
ATIVIDADES

1. Complete as lacunas com as formas verbais solicitadas entre parênteses:
a) É provável que () a esperança depois destes tempos negros. (renascer, pre-
sente do subjuntivo)
b) () imediatamente! Tu não tens mais nada a fazer aqui! (fugir, imperativo afir-
mativo)
c) Parece imprescindível que os senadores () com seriedade neste momento
delicado. (agir, presente do subjuntivo)
d) Não é recomendável que você () seu próprio sucessor. (indicar, presente do
subjuntivo)
e) Ela quer uma cor que () as dimensões da obra. (realçar, presente do subjuntivo)
f) É provável que eles () suas contas antes do vencimento. (pagar, presente do
subjuntivo)
g) Não creio que se () um monumento típico do antigo regime. (reerguer, presente
do subjuntivo)

2. Complete as lacunas com as formas verbais solicitadas entre parênteses. A
seguir, leia atentamente as frases em voz alta, prestando atenção à forma culta de
pronunciar essas formas verbais:
a) Eu não () esse eterno candidato de seus velhos comparsas. (distinguir,
presente do indicativo)
b) Nada () a que alteremos nosso procedimento. (obstar, presente do indicativo)
c) É mais do que provável que as fontes de energia () até o final do próximo
século. (minguar, presente do subjuntivo)
d) Você nunca () as roupas depois da aplicação desses produtos? (enxaguar, pre-
sente do indicativo)
e) Essas manifestações populares espontâneas talvez () num movimento mais
organizado. (desaguar, presente do subjuntivo)
f) O senador sugere que uma Comissão Parlamentar de Inquérito () as denúncias.
(averiguar, presente do subjuntivo)
g) A nova lei não () determinações anteriores. (extinguir, pretérito perfeito do in-
dicativo)
h) (A) de forma consciente para não se arrependerem depois. (optar, imperativo
afirmativo)

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
143
TEXTOS PARA ANÁLISE
Tempo rei
Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo, transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar, Corcovados,
Fustigados pela chuva
E, pelo eterno vento
Agua mole, pedra dura
Tanto bate que não restará
Nem pensamento
Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó pai, o que eu ainda não sei
Mãe senhora do perpétuo, socorrei
Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas, pais corujas,
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam, não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar
Por um segundo
Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei
GIL, Gilberto. In: raça humana. LP EMI-ODEON BR 36.201, 1984. Lado A, faixa 4.)
TRABALHANDO O TEXTO
1. Retire do texto três formas do presente do indicativo e indique a pessoa e o
número em que estão conjugadas.
2. Retire do texto três formas do gerúndio.
3. Indique a forma verbal que, no texto, funciona como substantivo. Que processo
de formação de palavras ocorre?
4. Em que modo, tempo, pessoa e número estão as formas permanecerá, restará e
poderá? De que forma nominal deriva esse tempo?
5. Em que modo, pessoa e número estão as formas transformai, ensinai e
socorrei? Como são obtidas essas formas?
6. A forma vejam está no mesmo modo que as três citadas na questão anterior,
mas em pessoa e número diferentes. Por quê?
7. Fustigados é uma forma verbal? Explique.
8. No texto, o tempo é tratado como uma divindade. Que recursos de linguagem o
poeta utilizou para concretizar esse tratamento?

9. Na sua opinião, o tempo tem efetivamente essa dimensão?

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
144


QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES
1 (UFCE) No quadro abaixo, apresenta-se uma lista de verbos em ordem
alfabética.

atribuir - chamar - dizer - escrever - existir -fluir - lidar - merecer - ser - transformar

Preencha as lacunas abaixo usando, sem repetir, os verbos do quadro acima, no
presente do indicativo, de maneira que as frases fiquem corretas, segundo a
norma gramatical, e aceitáveis do ponto de vista semântico.
(1)... muitos que se (2)... poetas, mas, na verdade, não(3)
Os verdadeiros poetas (4)... com a emoção.
O que eles (5)...
(6)...-se, com justiça, poesia.
O sonho, a fantasia, a alegria, a dor, tudo se (7)... em verso. E em verso, a vida,
quer alegre, quer triste, (8)
Já aqueloutros não (9)... o nome de poetas que se lhes (10)....

2 (Univ. Alfenas-MG) Leia os versos abaixo e responda ao que se pede.
"Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam."
Caso o poeta tivesse optado pela forma você, em vez de tu, a alternativa que con-
tém as mudanças corretas seria..
a) Conviva com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tenha paciência, se obscuros. Calma, se o provocam.
b) Convive com seus poemas, antes de escrevê-los.
Tende paciência, se obscuros. Calma, se lhe provocam.
c) Conviva com seus poemas, antes de escrevê-los.
Tenha paciência, se obscuros. Calma, se o provocam.
d) Convivei com seus poemas, antes de escrevê-los.
Tenha paciência, se obscuros. Calma, se lhe provocam.
e) Convivei com vossos poemas, antes de escrevê-!os.
Tende paciência, se obscuros. Calma, se vos provocam.
3 (ESALq-SP) Considerando os verbos destacados nas frases abaixo, relacione a
coluna da esquerda com a da direita. Depois marque a seqüência numérica que
corresponde à resposta certa.
1. infinitivo impessoal
2. presente do indicativo
3. infinitivo pessoal
4. futuro do pretérito do indicativo
5. imperfeito do subjuntivo
6. perfeito do indicativo
() Ser livre - como (diria) famoso conselheiro - é não ser escravo.
() (Somos), pois, criaturas nutridas de liberdade.
() Diz-se que o homem (nasceu) livre.
() Diz-se que (renunciar) à liberdade é renunciar à própria condição humana.
() Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora não acreditavam
que se (pudesse) chegar com um fio de linha.
() Os loucos que sonharam sair de seus pavilhões usando a fórmula do incêndio
para (chegarem) à liberdade, morreram.

a) 4-2-6-1-5-3
b) 5-6-2-4-1-3
c) 3-5-2-6-4-1
d) 6-2-4-1-3-5
e) 3-6-5-2-1-4

4 (PUCSP) Nos trechos:
(Vejam), continuou ele, como não dá.

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
145

e
Cante esta, convidou o major.
alterando-se o sujeito dos verbos destacados para tu e depois para vós, teremos,
respectiva mente:
a) vê - canta vede - cantai
b) vejas - cantes vejais cantais
c) vês - cantas vedes - cantais
d) veja - cante vejai - cantei
e) vês - cantas vede - cantai

5 (PUCSP) Em relação aos trechos:
A questão (era) conseguir o Engenho Vertente,...
e
Ele (tinha) os seus planos na cabeça. (Via) as usinas de Pernambuco crescendo de
capacidade...
se substituirmos os verbos destacados pelo futuro do pretérito do indicativo,
teremos:
a) fora, tivera, vira.
b) seria, teria, veria.
c) seria, teria, viria.
d) fora, teria, veria.
e) será, terá, verá.

6 (FUVEST-SP) Preencha os claros da frase transformada com as formas
adequadas dos verbos assinalados na frase original.

Original:
Para você (vir) à Cidade Universitária é preciso (virar) à direita ao (ver) a ponte da
Alvarenga.
Transformada:
Para tu () à Cidade Universitária e preciso que () à direita quando () a ponte da
Alvarenga.
a) vir - vire - ver
b) vires - vires - veres
c) venhas - vires - vejas
d) vir - virar - ver
e) vires - vires - vires

7 (UEM-PR) Assinale toda vez que os verbos do imperativo, em cada dupla, se
referirem à mesma pessoa.
01. a) Enxágua a louça, mana. b) Filha, seja mais otimista!
02. a) Crede sempre no bem! b) Não digais tudo o que vem à mente.
04. a) Sigamos nosso caminho... b) Criemos nosso destino!
08. a) Papai, descola uma grana aí. b) Psiu! vem mais perto, vem.

8 (PUCSP) Observe os verbos dizer, rolar e varrer, assim empregados:
dizei-me
rolai
varrei
a) Indique em que modo e pessoa estão conjugados.
b) Mantendo o modo, conjugue os referidos verbos na 3a. pessoa do singular.

9 (UFRS) Substituir a expressão destacada por um verbo.
a) Este texto é (proveniente) de um programa teatral.
b) Somos (inclinados) a crer que ele diz a verdade.

10 (UNIMEP-SP) "Não fales! Não bebas! Não fujas!" Passando tudo para a forma
afirmativa, teremos:
a) Fala! Bebe! Foge!
b) Fala! Bebe! Fuja!
c) Fala! Beba! Fuja!
d) Fale! Beba! Fuja!
e) Fale! Bebe! Foge!


11 (UFV-MG) Dada a lista de verbos: ser, estar, ter, haver, continuar, permanecer,
ficar, amar, dever, partir, dar, ir, vir, dormir e argüir, distribua-os em conjugações e
depois explique o critério adotado.
Primeira conjugação:
Segunda conjugação:... Terceira conjugação:...
Escreva agora o critério adotado para a distribuição dos verbos em três
conjugações distintas.

12 (VUNESP) Alternativa em que o verbo auxiliar destacado estiver atuando na
construção da voz passiva:
a) Não (haviam) preparado a mínima homenagem.
b) Os que lá se encontravam (tinham) respondido friamente à saudação dele.
c) Apanhara aquela velha revista e (começara) a folheá-la.
d) Esforçando-se para dar a entender que sua ausência não (seria) sentida.
e) Nunca, porém, (haveria) de esquecer aquela frágil armação de lona e tabique.

13 (VUNESP) Observe a frase abaixo:
A grosseria de Deus me feria e insultava-me.
Transcreva-a no:
a) pretérito perfeito do indicativo;
b) pretérito mais-que-perfeito do indicativo.

14 (VUNESP) "(...) mas, a quinhentos metros, tudo se torna muito reduzido: sois
uma pequena figura sem pormenores; vossas amáveis singularidades fundem-se
numa sombra neutra e vulgar."
Transcreva o trecho acima:
a) no futuro do pretérito do indicativo, mantendo a segunda pessoa do plural;
b) na segunda pessoa do singular, mantendo o modo e o tempo verbais do texto
de Cecilia Meireles.

15 (UFV-MG) Nos períodos de C. D. de Andrade citados abaixo, assinale a opção
em que o verbo está na voz passiva.
a) "E não soubemos, ah, não soubemos amá-las,
E todas sete foram mortas."
b) "E patati patatá... Sete quedas por nós passaram."
c) "Sete fantasmas, sete crimes
Dos vivos golpeando a vida Que nunca mais renascerá."
d) "Sete quedas por mim passaram E todas sete somem no ar."
e) "Aqui outrora retumbaram vozes Da natureza imaginosa, fértil
Em teatrais encenações de sonhos."
16 (UNIMEP-SP) "Assim eu (quereria) a minha última crônica: que (fosse) pura
como esse sorriso." (Fernando Sabino)
Assinale a série em que estão devidamente classificadas as formas verbais em
destaque.
a) futuro do pretérito, presente do subjuntivo
b) pretérito mais-que-perfeito, pretérito imperfeito do subjuntivo
c) pretérito mais-que-perfeito, presente do subjuntivo
d) futuro do pretérito, imperfeito do subjuntivo
e) pretérito perfeito, futuro do pretérito


17 (FUVEST-SP) " () em ti, mas nem sempre () dos outros."
a) creias, duvides
b) crê, duvidas
c) creias, duvidas
d) creia, duvide
e) crê, duvides

18 (UCS-RS) "Não () os dons que recebeste;
() sempre que a felicidade se () aos
poucos."
a) esquece, lembre, constrói
b) esqueça, lembra, constrói
c) esqueça, lembre, constrói
d) esqueças, lembra, constrói
e) esqueças, lembre, constrói


19 (FAME/FUPAC-MG) Em: "(Sei) de uma moça... Se alguém (escrevesse) a sua
história, (diriam) como o senhor (...)", há verbos empregados respectivamente no:
a) presente do indicativo, pretérito imperfeito do subjuntivo, futuro do pretérito do
indicativo.
b) presente do indicativo, pretérito imperfeito do indicativo, futuro do pretérito do
indicativo.
c) presente do indicativo, pretérito imperfeito do indicativo, pretérito imperfeito do
subjuntivo.
d) presente do indicativo, futuro do pretérito do indicativo, pretérito imperfeito do
indicativo.

CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS (1)
147

e) presente do indicativo, futuro do pretérito do subjuntivo, pretérito imperfeito do
subjuntivo.

20 (FECAP-SP) Numa das alternativas, há formas rizotônicas. Assinale-a.
a) virei, respeitou, estava
b) comprando, negaceou, virou
c) conto, entra, imagina
d) pensou, tossindo, fazia
e) respondi, serrar, elogiando

21 (UFSCar-SP) O acordo não () as reivindicações, a não ser que () os nossos
direitos e () da luta.
a) substitui, abdicamos, desistimos
b) substitue, abdicamos, desistimos
c) substitui, abdiquemos, desistamos
d) substitui, abdiquemos, desistimos
e) substitue, abdiquemos, desistamos

22 (FUVESJ-SP) Reescreva o texto mudando o tratamento para a terceira pessoa.
"Donde houveste, ó pelago revolto, Esse rugido teu?"

23 (PUCC-SP) Reescreva, passando para o futuro do presente, toda a oração:
"... e somem-se logo nas trevas do esquecimento."

24 (FAAP-SP) Destaque os verbos dos versos que seguem, indicando em que
pessoa, tempo e modo estão.
"Ilumina,
Ilumina,
Ilumina,
Meu peito, canção.
Dentro dele
Mora um anjo,
Que ilumina
O meu coração.
Ai, ai, amor,
Misterioso segredo,
Entra na vida da gente, Iluminando..."


25 (FGV-SP) A segunda pessoa do singular do imperativo do verbo submergir:
a) submerja
b) submerjas
c) submerge
d) n.d.a.


26 (F. C. Chagas-SP) Para que você () isso, precisa ser ambicioso; quem () sem
que (), certamente é ambicioso.
a) deseja, deseja, estima
b) deseje, deseja, estime
c) deseje, deseja, estima
d) deseja, deseje, estime
e) deseje, deseje, estima


27 (UFMG) Qual dos verbos destacados não se acha no infinitivo?
a) Os avós devem (ter-se modernizado) também.
b) A idéia de (ser montado) - e por mim - não era das mais aprazíveis.
c) Estranho apartamento, se (juntarmos), em sua representação, os móveis
modernos aos objetos remotos.
d) Um desejo de nos (pacificarmos), de (atingirmos) a bondade e a compreensão,
nos tornava indiferentes à matéria cotidiana.
e) Luís engoliu o pão com geléia como se fosse o último alimento sobre a terra, e
sua salvação dependesse de (tê-lo ingerido).


28 (UFF-Rj) Assinale a série em que estão devidamente classificadas as formas
verbais em destaque: "Ao chegar da fazenda, espero que já tenha terminado a
festa".
a) futuro do subjuntivo, pretérito perfeito do indicativo
b) infinitivo, presente do subjuntivo
c) futuro do subjuntivo, presente do subjuntivo
d) infinitivo, pretérito imperfeito do subjuntivo
e) infinitivo, pretérito perfeito do subjuntivo
CAPÍTULO 6
ESTUDO DOS VERBOS
148

*********

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (II)
149


Neste capítulo, vamos continuar o estudo dos verbos, dedicando especial
atenção aos verbos irregulares, defectivos e abundantes. Na capa da revista,
encontramos dois exemplos de verbos irregulares: dizer e ver, em suas formas
participiais.
No decorrer do capítulo, conheceremos diversos outros, sempre recorrendo aos
esquemas de tempos primitivos e tempos derivados, que você já aprendeu no
capítulo 6.
DITO & VISTO
1. INTRODUÇÃO
No capítulo anterior, você estudou os paradigmas dos verbos regulares das três
conjugações (-ar, -er, -ir) e o esquema de formação dos tempos simples. É
necessário que, a partir de agora, você identifique as formas verbais típicas de
cada tempo e modo com segurança; também é fundamental que você domine
com desenvoltura todos os mecanismos da relação que existe entre os tempos
primitivos e os derivados.
Neste capítulo, vamos observar detalhadamente os principais verbos irregulares,
defectivos e abundantes de nossa língua. Esse estudo terá como base o esquema
de formação dos tempos simples.
2 VERBOS IRREGULARES
Você já sabe que os verbos irregulares são aqueles que não seguem os
paradigmas das conjugações, ou seja, apresentam variações de forma nos
radicais ou nas desinências. Para que o estudo desses verbos se torne mais fácil
e prático, tenha sempre em mente o esquema de formação dos tempos simples,
pois as irregularidades dos tempos primitivos geralmente se estendem aos
tempos derivados correspondentes. Por isso vamos organizar nosso estudo a
partir desse esquema de formação dos tempos simples.


VERBOS IRREGULARES APENAS NA CONJUGAÇÃO DO PRESENTE DO
INDICATIVO E TEMPOS DERIVADOS
Você encontrará a seguir os principais verbos que apresentam irregularidades no
presente do indicativo e, conseqüentemente, no presente do subjuntivo e no
imperativo. Serão conjugados apenas o presente do indicativo e o presente do
subjuntivo desses verbos: para obter o imperativo, basta seguir o esquema já
conhecido. Colocaremos observações sempre que for necessário chamar a sua
atenção para alguma particularidade.

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
150
PRIMEIRA CONJUGAÇÃO

recear
Presente do indicativo: recei-o, receias, receia, receamos, receais, receiam

Presente do subjuntivo: recei-e, recei-es, recei-e, receemos, receeis, recei-em

incendiar
Presente do indicativo: incendei-o, incendeias, incendeia, incendiamos,
incendiais, incendeiam

Presente do subjuntivo: incendei-e, incendei-es, incendei-e, incendiemos,
incendieis, incendei-em
- nota da ledora; quadro de destaque na página -
OBSERVAÇÕES:

1. Atente para a segunda pessoa do plural, em o radical apresenta modificação.
2. Seguem esse modelo os demais verbos terminados em -ear: apear, atear,
arrear, bloquear, cear, enlear, folhear, frear, hastear, granjear, lisonjear, passear,
semear, titubear, etc.
3. Os verbos terminados em -iar são regulares, com exceção de mediar, ansiar,
remediar, incendiar, odiar e seus derivados. Um derivado importante de mediar é
intermediar. - fim do quadro.
O verbo odiar é irregular e conjuga-se como incendiar, ao lado.
- nota da ledora: propaganda do jornal O Estado de São Paulo com os seguintes
dizeres: Eu odeio oligopólios. E quando souber o que é isso vou odiar mais ainda. - fim
da nota.

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
151

SEGUNDA CONJUGAÇÃO
ler
Presente do indicativo
lei-o lês lê lemos ledes lêem
Presente do subjuntivo
lei-a lei-as lei-a lei-amos lei-ais lei-am
- nota da ledora: quadro em destaque na página:
OBSERVAÇÕES
1. Atente para as formas da segunda e terceira pessoas do plural do presente
do indicativo.
2. Seguem esse modelo os verbos reler, crer e descrer.
3. O pretérito perfeito do indicativo desses verbos é regular ( li/ cri/ leste/ creste,
leu/creu, lemos/cremos, lestes/ crestes, lestes/ creram ) - fim do quadro

Não confunda perda (substantivo) com perca (forma verbal):
É possível que ele perca o emprego.
A perda do emprego levará o pobre homem ao desespero.
requerer
Presente do indicativo: requeir-o, requeres, requer, requeremos, requereis, requerem
Presente do subjuntivo: requeir-a, requeir-as, requeir-a, requeir-amos, requeir-ais, requeir-am



CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
perder
Presente do indicativo: perc-o, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem
Presente do subjuntivo: perc-a, perc-as, perc-a, perc-amos, perc-ais, perc-am

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
O pretérito perfeito do indicativo desse verbo é regular (requeri, requereste, reque-
reu, requeremos, requerestes, requereram). Conseqüentemente o pretérito mais-
que-perfeito do indicativo, o imperfeito do subjuntivo e o futuro do subjuntivo
também são regulares: eu requerera, se eu requeresse, quando eu requerer.
valer
Presente do indicativo: valh-o, vales, vale, valemos, valeis, valem
Presente do subjuntivo: valh-a, valh-as, Valh-a, valh-amos, valh-ais, valh-am
- Segue essa conjugação o verbo equivaler
TERCEIRA CONJUGAÇÃO
divertir
Presente do indicativo: divirt-o, divertes, diverte, divertimos, divertis, divertem
presente do subjuntivo: divirt-a, divirt-as, divirt-a, divirt-amos, divirt-ais, divirt-am


Atente para a irregularidade desse verbo: a primeira pessoa do singular do pre-
sente do indicativo apresenta i em lugar do e do radical do infinitivo. Há muitos
outros verbos que apresentam esse mesmo comportamento: aderir, advertir,
compelir, competir, conferir, despir, digerir, discernir, divergir, expelir, ferir, inserir,
investir, perseguir, preferir, referir. repelir. repetir, seguir, sentir, servir, sugerir,
etc.
- nota da ledora: propaganda do jornal Folha da tarde com a seguinte legenda:
Fotos que valem mais que mil palavrões. ( foto de uma pessoa passando por uma
área inundada ) - fim da nota.
Veja na tabela acima as formas em que o verbo valer apresenta irregularidades.
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
progredir
Presente do indicativo
progrid-o
progrides
progride
progredimos
progredis
progridem

Presente do subjuntivo
progrid-a
progrid-as
progrid-a
progrid-amos
progrid-ais
progrid-am
A troca do e do infinitivo pelo i só não ocorre na primeira e segunda pessoas do
plural. Seguem esse modelo: agredir, denegrir, prevenir, regredir, transgredir.
dormir
Seguem esse modelo cobrir e seus derivados (descobrir, encobrir, recobrir), além
de encobrir e tossir.
Presente do indicativo
peç-o
pedes
pede
pedimos
pedis
pedem
Presente do subjuntivo:
peç-a
peç-as
peç-a
peç-amos
peç-ais
peç-am

Presente do indicativo:
durm-o
dormes
dorme
dormimos
dormis
dormem

Presente do subjuntivo:
durm-a
durm-as
durm-a
durm-amos
durm-ais
durm-am

Seguem esse modelo: despedir, impedir, medir. Ouvir apresenta conjugação
semelhante: ouço, ouves, ouve...; ouça, ouças, ouça....

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
154

fugir
Presente do indicativo:
fuj-o
foges
foge
fugimos
fugis
fogem
Presente do subjuntivo
fuj-a
fuj-as
fuj-a
fuj-amos
fuj-ais
fuj-am
Segue esse modelo o verbo sortir.
Há alguns verbos que apresentam particularidades na terceira pessoa do singular do
presente do indicativo. Como essas particularidades não ocorrem na primeira pessoa do
singular, não interferem nos tempos derivados do presente do indicativo. São os verbos
terminados em -air (cair; decair, sair, por exemplo), -oer (doer, moer, roer) e -uir (atribuir,
contribuir, retribuir). Em todos esses verbos, a terceira pessoa do singular do presente do
indicativo apresenta desinência -i e não -e (cai, decai, sai; dói, mói, rói; atribui,
contribui, retribui). Isso explica por que muita gente erra a grafia de formas verbais
como atribui, possui, mói, substitui, colocando -e no lugar do -i final. Nos verbos
terminados em -uzir (conduzir; produzir, reduzir; traduzir), essa mesma pessoa
não apresenta a desinência -e (conduz, produz, reduz, traduz).

Seguem esse modelo: acudir, bulir, consumir, cuspir, entupir, sacudir, subir,
sumir.
polir
Presente do indicativo
pul-o
pules
pule
polimos
polis
pulem

Presente do subjuntivo
pul-a
pul-as
pul-a
pul-amos
pul-ais
pul-am
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
155

ATIVIDADES


Observe o modo e o tempo verbais nas frases abaixo:
Quase sempre (freio) meu ímpeto no momento certo.
E necessário que você (freie) seu ímpeto no momento certo.

Complete as lacunas das frases abaixo utilizando os verbos indicados nos
mesmos tempos e modos apresentados nas frases-modelo:
a) Não () fogo ao mato seco! Não provoco queimadas! (atear)
É necessário que não se () fogo ao mato seco! Não se devem provocar
queimadas!
b) Os garotos daquele bairro freqüentemente () a praça com seus carros. Isso
não é certo! (bloquear)
Algo tem de ser feito para que os garotos daquele bairro não () mais a praça com
seus carros.
c) Sempre () os cabelos imediatamente depois que os lavo. (pentear)
E recomendável que você () os cabelos imediatamente depois de lavá-los.
d) () que não poderei participar do evento. (recear)
Não quero que você () participar do evento.
e) Ela () todas as noites com o pai. (passear)
É necessário que você () com seu pai.
f) Notei que não () no momento de exigires teus direitos. (titubear)
É imprescindível que não () no momento de exigir teus direitos.

2. Passe para o plural cada uma das frases abaixo:
a) Ceio diariamente. Tu não ceias?
b) Sempre folheio um livro. Tu não folheias nunca?
c) Freio com firmeza antes das curvas. Tu não freias?
d) Não granjeio simpatias com facilidade. Tu granjeias?
e) Nunca lisonjeio ninguém. Tu lisonjeias?
f) Não semeio ventos para não colher tempestades. Tu semeias?

3. Observe o modo, o tempo, o número e a pessoa das formas verbais da frase-
modelo. A seguir, complete as lacunas utilizando formas verbais flexionadas
como as do modelo.

Não (denuncio) ninguém. Não quero que você (denuncie).


a) Não () confusões com meus vizinhos.
Não quero que você (). (criar)
b) Não () desconhecidos. Não quero que você () (credenciar)
c) Não () com inescrupulosos. Não quero que você (). (negociar)
d) Não () esse tipo de transação. Não quero que você (). (intermediar)
e) Não () os individualistas. Não quero que você (). (premiar)
f) Não () ninguém. Não quero que você (). (odiar)
g) Não () conquistar o que não mereço. Não quero que você (). (ansiar)
h) Não () aos quatro cantos minhas conquistas. Não quero que () (anunciar)
i) Não () o que não tem remédio. Não quero que você () (remediar)
j) Não () o ânimo com promessas vãs. Não quero que você () (incendiar)

4. Passe para o plural as frases do exercício anterior.

5. Siga o modelo:

Não (creio) em propostas mirabolantes. É pouco provável que eles (creiam).
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
156

a) Não descreio das palavras dele. É pouco provável que você ()
b) Não leio essas revistas. É pouco provável que tu (),
c) Quando posso, releio as melhores obras. É pouco provável que vocês não
(),
d) Nunca perco um bom jogo de futebol. É pouco provável que tu (),
e) Requeiro o estrito cumprimento de meus direitos. É pouco provável que
vocês não ()
f) Não valho tão pouco! É pouco provável que vocês (),

6. Observe o modelo:

Sempre (advirto) quem não age de acordo com o regulamento. É bom que você
também (advirta).


a) Nunca () aos modismos ditados pelos meios de comunicação. É bom que
você também não (), (aderir)
b) Não () ninguém a fazer o que não quer. É bom que você também não (),
(compelir)
c) Sempre () o troco. É bom que você também (), (conferir)
d) Nunca () pelo simples prazer de divergir. É bom que você também não () (di-
vergir)
e) Sempre me () com as crianças. É bom que você também se (), (divertir)
f) Nunca () o amor-próprio de ninguém. É bom que você também não (), (ferir)
g) Não me () daquilo em que creio. É bom que você também não se () daquilo
em que crê. (despir)
h) Sempre () o que meus princípios determinam. É bom que você também () o
que determinam os seus. (seguir)
i) Só () o que me deixa à vontade. É bom que você também só () o que o deixa
à vontade. (vestir)

7. Observe o modelo:

É inadmissível que alguém o (). (perseguir)
É inadimissível que alguém o (persiga).


a) É imperativo que você o (), (prevenir)
b) É essencial que nós (), (progredir)
c) É inaceitável que a situação social do país (), (regredir)
d) É insuportável que se () a lei continuamente. (transgredir)
e) É desnecessário que () a imagem dele. (denegrir)
f) É improvável que ela () estas peças de roupa. (cerzir)

8. Observe o modelo:

O diretor da área financeira do Banco Central não quer que se () esse tipo de
falcatrua. (encobrir)
O diretor da área financeira do Banco Central não
quer que se (encubra) esse tipo de falcatrua.


a) Espero que você não () essas agressões. (engolir)
b) O terapeuta sugere que nós () melhor. (dormir)
c) Aquele professor, rabugentíssimo, não permite nem mesmo que alguém () du-
rante a aula. (tossir)
d) Ela espera que eu não () seus segredos. (descobrir)
e) Os executivos querem que os consumidores () os prejuízos advindos da má ad-
ministração das empresas. (cobrir)
f) O mestre-de-obras acha melhor que se () a parede com algum produto imper-
meabilizante. (recobrir)

9. Observe o modelo:

Fique à vontade e () o que achar melhor. (pedir)
Fique à vontade e (peça) o que achar melhor.


a) Pegue o disco e () a música. (ouvir)
b) Interfira com rigor e () essa trapaça. (impedir)
c) Leve os instrumentos e () todo o terreno. (medir)
d) Compareça à secretaria e () dos funcionários. (despedir-se)
e) Crie coragem e () esses degraus. (subir)
f) Saia já daí e () depressa. (fugir)
g) Levante-se, () a roupa e () de uma vez. (sacudir; sumir)


CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
157

h) Mexa-se e () os que precisam. (acudir)
i) Mantenha a calma e não () com quem está quieto. (bulir)
j) Civilize-se e não () no chão. (cuspir)

10. Reescreva as frases do exercício anterior, passando-as para a segunda
pessoa do singular.

VERBOS IRREGULARES NO PRESENTE E NO PRETÉRITO PERFEITO DO
INDICATIVO E RESPECTIVOS TEMPOS DERIVADOS

Apresentamos a seguir vários verbos que mostram irregularidades tanto no pre-
sente do indicativo e tempos derivados, como no pretérito perfeito do indicativo e
tempos derivados. Na conjugação de alguns verbos mais problemáticos, aparece
também o pretérito imperfeito do indicativo.

PRIMEIRA CONJUGAÇÃO

Pretérito Pretérito Pretérito
perfeito do mais-que- imperfeito do Futuro do
indicativo perfeito do subjuntivo subjuntivo
indicativo
estive estive-ra estive-sse estive-r
estás estejas estive-ste estive- ras estive-sses estive- res está esteve
estive-ra estive-sse estiver estejamos estivemos estivé-ramos estivé-
ssemos estive-rmos estejais estivestes estivé- reis estivé-sseis estive-rdes
estejam estiveram estive- ram estivessem estive- rem
Presente do indicativo: estou, estás, está, estamos, estais, estão
Presente do subjuntivo: esteja, estejas, esteja, estejamos estejais, estejam
Pretérito perfeito do indicativo: estive, estive-ste, esteve, estivemos, estivestes,
estiveram

pretérito mais-que-perfeito: estive-ra, estive-ras, estive-ra, estivé-ramos, estivé-reis,
estive-ram
pretérito imperfeito do subjuntivo: estive-sse, estive-sses, estive-sse, estivé-
ssemos, estivé-sseis, estive-ssem

futuro do subjuntivo: estive-r, estive-res, estive-r, estive-rmos, estive-rdes, estive-rem

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÕES:
1. O presente do subjuntivo não utiliza o radical do presente do indicativo. Isso
ocorre com todos os verbos cuja primeira pessoa do singular do presente do
indicativo termina em -ei ou em -ou (sei/saiba, dou/dê, hei/haja, vou/vá, sou/seja),
além do verbo querer (quero/queira). A conjugação do imperativo segue o
esquema estudado.
2. Atente para as formas do presente do subjuntivo: na língua culta, deve-se usar
esteja e não "esteje".

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
158
Presente do indicativo: dou dás dá damos dais dão
Presente do subjuntivo: dê dês dê demos deis dêem
Pretérito perfeito do indicativo: dei de-ste deu demos deste deram
Pretérito mais-que -perfeito do indicativo: de-ra de-ras de-ra dé-ramos dé-reis de-ram
Pretérito imperfeito do subjuntivo: de-sse de-sses de-sse dé-ssemos dé-sseis de-
ssem
Futuro do subjuntivo: de-r de-res de-r de-rmos de-rdes de-rem
segunda conjugação
aprazer
presente do indicativo: apraz-o aprazes apraz aprazemos aprazeis aprazem
presente do subjuntivo: apraz-a apraz-as apraz-a apraz-amos apraz-ais apraz-am
pretérito perfeito do indicativo: aprouve aprouve-ste aprouve aprouvemos
aprouvestes aprouveram
pretérito mais-que-perfeito: aprouve-ra arouve-ras aprouve-ra aprouvé-ramos
aprouvé-reis aprouve-ram
pretérito imperfeito do subjuntivo: aprouve-sse aprouve-sses aprouve-sse
aprouvé-ssemos aprouvé-sseis aprouvessem
futuro do subjuntivo: aprouve-r aprouve-res aprouver aprouve-rmos aprouver-
des aprouve-rem
- nota da ledora: quadro em destaque, na página
1. A única irregularidade no presente do indicativo desse verbo e dos que a ele se
assemelham - prazer, comprazer e desprazer - é a terceira pessoa do singular,
que não apresenta a desinência -e.
2. Desprazer e prazer seguem o modelo de aprazer em todos os tempos. Acredite:
prazer é verbo ("Prouve a Deus que o filho não sofresse") e normalmente é usado
apenas na terceira pessoa do singular e na terceira pessoa do plural.
3. Comprazer segue o modelo de aprazer.
No pretérito perfeito do indicativo e tempos derivados, pode também ser con-
jugado regularmente; há, portanto, duas formas possíveis para esses tempos:
comprouve/comprazi, comprouveste/comprazeste,

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
159
presente do indicativo:
caib-o
cabes
cabe
cabemos
cabeis
cabem

presente do subjuntivo:

caib-a
caib-as
caib-a
caib-amos
caib-ais
caib-am

pretérito perfeito do indicativo:

coube
coube-ste
coube
coubemos
coubestes
couberam

pretérito mais-que-perfeito do indicativo:

coube-ra
coube-ras
coube-ra
coube-ramos
coube-reis
coube-ram

pretérito imperfeito do subjuntivo:

coube-sse
coube-sses
coube-sse
coubé-ssemos
coubé-sseis
oube-ssem

futuro do subjuntivo:

coube-r
coube-res
coube-r
coube-rmos
coube-rdes
coube-rem



dizer
presente do indicativo: dig-o dizes diz dizemos dizeis dizem
presente do subjuntivo: dig-a dig-as dig-a dig-amos dig-ais dig-am
pretérito imperfeito do indicativo: disse disse-ste disse dissemos dissestes
disseram
pretérito-mais-que perfeito: disse-ra disse- ras disse-ra dissé- ramos dissé-reis
disse- ram
pretérito imperfeito do subjuntivo: disse-sse disse-sses disse-sse dissé-ssemos
dissé-sseis disse-ssem
futuro do subjuntivo: disse-r disse- res disse-r disse- rmos disse-rdes disse-rem
- nota da ledora: quadro de destaque na página -
OBSERVAÇÕES
1. Seguem esse modelo os derivados: bendisse- condizer, contradizer, desdizer,
maldizer; predizer.
2. Os futuros do indicativo desse verbo e seus derivados são irregulares, já que
perdem a sílaba ze: direi, dirá, contradirei, desdirá são formas do futuro do
presente; diria, contradiria, desdiria, bendiríamos são formas do futuro do
pretérito.
3. O particípio desse verbo e seus derivados é irregular: dito, bendito,
contradito...- fim do quadro.
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
160
fazer
presente do indicativo: faç-o fazes faz fazemos fazeis fazem
presente do subjuntivo: faç-a faç-as faç-a faç-amos faç-ais faç-am
pretérito perfeito do indicativo: fiz fize-ste fez fizemos fizestes fizeram
pretérito mais-que-perfeito: fize-ra fize-ras fize-ra fizé-ramos fizé-reis fize-ram
pretérito imperfeito do subjuntivo: fize-sse fize-sses fize-sse fizé-ssemos fizé-
sseis fizessem

futuro do subjuntivo: fize-r fize-res fize-r fize-rmos fize-rdes fize-rem
- nota da ledora: quadro de destaque na página:

OBSERVAÇÕES
1. Seguem esse modelo: desfazer, liquefazer; perfazer; rarefazer; satisfazer;
refazer.
2. Os futuros do indicativo desse verbo e seus derivados são irregulares;já que
perdem a sílaba ze: farei, refará, satisfaremos desfarão a forma do futuro do
presente; faria, desfaria, refaríamos, satisfariam são formas do futuro do pretérito.
3. O particípio desse verbo e seus derivados é irregular: feito, desfeito, liquefeito,
satisfeito. - fim do quadro.

haver

presente do indicativo: hei hás há haja houve havemos haveis hão
presente do subjuntivo: haja hajas haja hajamos hajais hajam

pretérito perfeito do indicativo: houve houveste houve houvemos houvestes
houveram

pretérito-mais-que-perfeito do indicativo: houve-ra houve- ras houve-ra houvé-ramos houvé- reis
houve- ram

pretérito imperfeito do subjuntivo: houve-sse houve-sses houve-sse houvé-ssemos houvé-sseis
houve-ssem

futuro do subjuntivo: houve-r houve- re houve-r houve-rmos houve-rdes
houve- rem
- nota da ledora: quadro de destaque na página-
observação:
O presente do subjuntivo não utiliza o radical do presente do indicativo (hei/haja).
O imperativo é obtido de acordo com o esquema conhecido. - fim do quadro.
ESTUDO DOS VERBOS (2)
161
poder
presente do indicativo:poss-o podes pode podemos podeis podem
presente do subjuntivo: poss-a poss-as poss-a poss-amos poss-ais
poss-am

pretérito perfeito do indicativo: pude pudeste pôde pudemos pudestes puderam

pretérito mais-que-perfeito do indicativo: pude-ra pude- ras pudera pudé-ramos pudé-reis
pude-ram

pretérito imperfeito do subjuntivo: pude-sse pude-sses pude-sse pudé-ssemos pudé-sseis pude-ssem
futuro do subjuntivo: pude-r pude-res pude-r pude-rmos pude-rdes puderem

- nota da ledora: quadro de destaque, na página:
OBSERVAÇÃO
A terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo (pôde) recebe
acento circunflexo, diferencial de timbre de pode, terceira do singular do presente
do indicativo. - fim do quadro.
pôr
presente do indicativo:
ponh-o
pões
põe
pomos
pondes
põem
presente do subjuntivo:
ponh-a
ponh-as
ponh-a
ponh-amos
ponh-ais
ponh-am
pretérito imperfeito do indicativo:

punha
punhas
punha
púnhamos
púnheis
punham

pretérito perfeito do indicativo:

pus
puse-ste
pôs
pusemos
pusestes
puseram



pretérito mais-que-perfeito do indicativo:

puse-ra
puse-ras
puse-ra
pusé-ramos
pusé-reis
puse-ram


pretérito imperfeito do subjuntivo:


puse-sse
puse-sses
pusesse
pusé-ssemos
pusé-sseis
pusessem


futuro do subjuntivo:

puse-r
puse-res
puse-r
puser-mos
puse-rdes
puse-rem


- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÕES
1. Atente para a diferença entre a terceira pessoa do singular e a terceira
pessoa do plural do presente do indicativo (põe/ põem).
2. Analise com atenção as formas do pretérito imperfeito do indicativo.
3. Destaque-se a grafia das formas de toda a família : não existe a letra z ( pus,
pusemos, puseram, puser, pusermos, puserem pusesse, puséssemos, pusesses)
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
162
4. O fato de o verbo pôr receber acento (diferencial da preposição por) não
significa que seus derivados também serão acentuados (depor, propor, impor
etc.). Nenhum derivado de pôr é acentuado.
5. Preste atenção às formas do futuro do subjuntivo ("Se você puser a carta no
correio", e não "Se você pôr a carta no correio").
6. Todos os derivados do verbo pôr seguem exatamente esse modelo de
conjugação: -indispor; interpor; opor; pospor; predispor; pressupor, propor,
recompor, repor, sobrepôr; supor; transpor são alguns deles ("Se você compuser
uma canção", e não "Se você compor uma canção"; Se eles expuserem os
quadros", e não "Se eles exporem os quadros").
7. O particípio do verbo pôr e seus derivados é irregular: posto, anteposto,
composto, decomposto. - fim do quadro de destaque.

querer
presente do indicativo:
quero
queres
quer
queremos
quereis
querem

presente do subjuntivo:
queira
queiras
queira
queiramos
queirais
queiram

pretérito perfeito do indicativo:
quis
quise-ste
quis
quisemos
quisestes
quiseram

pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
quise-ra
quise-ras
quise-ra
quisé-ramos
quisé-reis
quise-ram

pretérito perfeito do subjuntivo:
quise-sse
quise-sses
quise-sse
quisé-ssemos
quisé-sseis
quise-ssem

futuro do subjuntivo:
quise-r
quise-res
quise-r
quise-rmos
quise-rdes
quise-rem
- nota da ledora: quadro de destaque na página:


1. O presente do subjuntivo não utiliza o radical da primeira pessoa do singular
do presente do indicativo (quero/queira).
2. Atente para a grafia: não existe a letra z em nenhuma forma do verbo querer
(quis, quisemos, quiseram, quiser, quisermos, quiserem, quisesse, quiséssemos,
quisessem).
3. Como já vimos, requerer não segue a conjugação de querer. É irregular na
primeira pessoa do singular do presente do indicativo (requeiro) e formas
derivadas (requeira, requeiramos, requeiram). É regular no pretérito perfeito do
indicativo e formas derivadas (requeri, requereu, requereram, requeresse,
requerêssemos, requeressem). - fim do quadro.
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
163

saber
presente do indicativo: sei sabes sabe sabemos sabeis sabem
presente do subjuntivo: saiba saibas saiba saibamos saibais saibam
pretérito perfeito do indicativo: soube soube-ste soube soubemos soubestes souberam
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: soube-ra soube-ras soube-ra soubé-ramos soubé-reis soube-
ram
pretérito imperfeito do subjuntivo: soube-sse soube-sses soube-sse soubé-ssemos soubé-sseis
soube-ssem
futuro do subjuntivo: soube-r soube-res soube-r soube-rmos soube-rdes soube-rem

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÃO:
O presente do subjuntivo não apresenta o radical da primeira pessoa do singular
do presente do indicativo (sei/saiba).
ser
Presente do indicativo:
sou
és
é
somos
sois
são


Presente do subjuntivo:
seja
sejas
seja
sejamos
sejais
sejam

Pretérito imperfeito do indicativo:
era
eras
era
éramos
éreis
eram

Pretérito perfeito do indicativo:
fui
fo-ste
foi
fomos
fostes
foram

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
fo-ra
fo-ras
fo-ra
fô-ramos
fô-reis
fo-ram

Pretérito imperfeito do subjuntivo:
fo-sse
fo-sses
fo-sse
fô-ssemos
fô-sseis
fo-ssem


Futuro subjuntivo:
fo-r
fo-res
fo-r
fo- rmos
fo-rdes
fo-rem

- nota da ledora: quadro de destaque na página:

1. O verbo ser é considerado anômalo, por apresentar grandes irregularidades.
Atente para os diferentes radicais que existem em sua conjugação (sou/era/fui).
2. O presente do subjuntivo não se forma a partir do radical do presente do
indicativo (sou/seja). O imperativo do verbo ser é o único que não obedece
integralmente ao esquema conhecido. As duas segundas pessoas (tu e vós) do
imperativo afirmativo apresentam formas independentes: sê (tu) e sede (vós). - fim
do quadro.

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
164
ter
presente do indicativo: tenh-o tens tem temos tendes têm
presente do subjuntivo: tenh-a tenh-as tenh-a tenh-amos tenh-ais tenh-am
pretérito imperfeito do indicativo: tinha tinhas tinha tínhamos tínheis tinham
pretérito perfeito do indicativo: tive tive-ste teve tivemos tivestes tiveram
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: tive-ra tive-ras tive-ra tivé-ramos tivé- reis
tive-ram
pretérito imperfeito do subjuntivo: tive-sse tive-sses tive-sse tivé-ssemos tivé-sseis tive-
ssem
futuro do subjuntivo: tive-r tive-res tive-r tive-rmos tive-rdes tive-rem

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÕES
1. Seguem esse modelo os derivados (ater, conter, deter, entreter, manter, reter,
obter, suster).
2. Note a diferença gráfica entre a terceira pessoa do singular e a terceira pessoa
do plural do presente do indicativo: ele tem/eles têm. Nos verbos derivados, a di-
ferenciação se faz de outra maneira: ele contém/eles contêm, ele mantém/eles
mantêm. - fim do quadro.
trazer
presente do indicativo:
trag-o
trazes
traz
trazemos
trazeis
trazem


presente do subjuntivo:

trag-a
trag-as

trag-amos
trag-ais
trag-am


pretérito perfeito do indicativo:

trouxe
trouxe-ste
trouxe
trouxemos
trouxestes
trouxeram


pretérito mais-que-perfeito do indicativo:

trouxe-ra
trouxe- ras
trouxe-ra
trouxé- ramos
trouxé-reis
trouxe- ram


pretérito imperfeito do subjuntivo:

trouxe-sse
trouxe-sses
trouxe-sse
trouxé-ssemos
trouxé-sseis
trouxe-ssem


futuro do subjuntivo:

trouxe-r
trouxe-res
trouxe-r
trouxe-rmos
trouxe-rdes
trouxe-rem


- nota da ledora: quadro de destaque na página:

OBSERVAÇÃO

Os futuros do indicativo desse verbo são irregulares, já que perdem a sílaba ze:
trarei, trarás, trará... (para o futuro do presente); traria, trarias, traria... (para o futuro
do pretérito). - fim do quadro.
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
165
ver
Presente do indicativo: vej-o vês vê vemos vedes vêem
presente do subjuntivo: vej-a vej-as vej-a vej-amos vej-ais vej-am
Pretérito imperfeito do indicativo: vi vi-ste viu vimos vistes viram
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo: vi-ra vi-ras vi-ra ví-ramos ví-reis
vi-ram


pretérito imperfeito do subjuntivo: vi-sse vi-sses vi-sse ví-ssemos ví-sseis vi-ssem

futuro do subjuntivo: vi-r vi-res vi-r vi-rmos vi-rdes vi-rem


- nota da ledora: anúncio de um biscoito, e o paralelo feito pela
propaganda, com a foto de uma mulher africana, tendo em torno do
pescoço vários colares em formato de argola, que a mantêm com o
pescoço ereto e longilíneo, com a seguinte legenda: Anúncio mais para
ser visto do que comentado. Linda foto da mulher; espirituosa associação entre seu
"colar" e os biscoitos Calipso. Mas aproveite o ensejo para estudar as irregularidades
do verbo ver. - a seguir: quadro de destaque na página:

OBSERVAÇÕES:


1. Atente para a forma da terceira pessoa do plural do presente do indicativo:
vêem. Não confunda com a forma correspondente do verbo vir: vêm.
2. Seguem esse modelo os derivados: antever, entrever, prever, rever.
3. O particípio de ver e seus derivados é irregular: visto, previsto, revisto.
4. Prover, que significa "abastecer, suprir", segue a conjugação do verbo ver
apenas no presente do indicativo e formas derivadas (provejo, provês, provê,
provemos, provedes, provêem; proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais,
provejam), Nos demais tempos, prover é absolutamente regular (provI proveu
proveram, provera, provesse, provêssemos, provessem, provermos, proverem). -
fim do quadro.

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
166
TERCEIRA CONJUGAÇÃO
ir
Presente do indicativo: vou vais vai vamos ides vão

presente do subjuntivo: vá vás vá vamos vades vão
pretérito imperfeito do indicativo: ia ias ia íamos íeis iam
pretérito perfeito do indicativo: fui fo-ste foi fomos fostes foram
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: fo-ra fo-ras fo-ra fô-ramos fô-reis foram
pretérito imperfeito do subjuntivo: fo-sse fo-sses fo-sse fô-ssemos fô-sseis fo-ssem
futuro do subjuntivo: fo-r fo-res fo-r fo-mos fo-rdes fo-rem
- nota da ledora: quadro de destaque na página:
1. O verbo ir também é considerado anômalo, dadas as acentuadas irregularidades
que apresenta. Note a variação dos radicais (vou, ia, fui).
2. Atente para a diferença entre a segunda pessoa do plural do presente do indicativo e a
segunda pessoa do plural do presente do subjuntivo: ides/vades.
3. As formas do pretérito perfeito e tempos derivados dos verbos ir e ser são idênticas:
somente pelo contexto em que se encontram é que se pode perceber de qual verbo se
trata ("Fui ao cinema e fui maltratado pelo bilheteiro" - a primeira forma fui é do verbo ir; a
segunda é do verbo ser. Ponha a frase no futuro para que se evidencie a diferença: "Irei
ao cinema e serei maltratado pelo bilheteiro").
4. O verbo ir, além de anômalo, é considerado abundante, já que apresenta duas formas
para o mesmo caso ( nós vamos ou imos, no presente do indicativo) - fim do quadro.
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS
167
vir
Presente do indicativo: venh-o vens vem vimos vindes vêm
presente do subjuntivo: venh-a venh-as venh-a venh-amos venh-ais venh-am

pretérito imperfeito do indicativo: vinha vinhas vinha vínhamos vínheis vinham

pretérito perfeito do indicativo: vim vie-ste veio viemos viestes vieram
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: vie-ra vie-ras vie-ra vié- ramos vié- reis
vie-ram

pretérito imperfeito do subjuntivo: vie-sse vie-sses vie-sse vié-ssemos vié-sseis vie-ssem

futuro do subjuntivo: vie-r vie-res vie-r vie-rmos vie-rdes vie-rem
- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÕES

1. Atente para a diferença gráfica entre as terceiras pessoas do presente do
indicativo: ele vem/eles vêm. Compare essas formas com as correspondentes do
verbo ver ele vê/eles vêem).
2. Seguem esse modelo os verbos advir, convir, desavir-se (desentender-se),
intervir, provir, sobrevir. Nesses verbos, a diferenciação gráfica entre as terceiras
pessoas do presente do indicativo se faz de outra maneira: ele convém/eles
convêm, ele intervém/eles intervêm. Atente nas formas desses verbos no pretérito
perfeito e tempos derivados ("Eu intervim na discussão entre os dois"; "O
problema só será resolvido se você intervier").
3. O particípio de vir e seus derivados é irregular: vindo, convindo, intervindo. Essa
família de verbos é a única da língua portuguesa que apresenta particípio e
gerúndio iguais ("Vem chegando a madrugada"/ "Vem vindo a madrugada"; "Já
tinham chegado todos os alunos"/"Já tinham vindo todos os alunos").- fim do
quadro.

ATIVIDADES
1. Observe o modelo:

Estou muito cansado. Não acredito que você não (). (estar)
Estou muito cansado. Não acredito que você não (esteja).

a) Estamos muito chateados. Não é possível que vocês não ().
b) Estou muito contente. Não é possível que tu não ().
c) Estás muito alegre. Não é possível que ela não ()
d) Estais muito preocupados. É possível que eles também ()
e) Estou muito ansioso! É impossível que vós não ().
f) Eles estão muito satisfeitos. Não é possível que nós não ()



CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
168


2. Observe o modelo:

Jamais () lá; se um dia (), ficará satisfeito. (ir) Jamais (foi) lá; se um dia (for), ficará
satisfeito.


a) Jamais () lá; se um dia (), ficaremos satisfeitos. (estar)
b) jamais () seu donativo; se um dia (), será bem-vindo. (dar)
c) jamais nos () esse comportamento; se um dia nos (), teremos abandonado
nossos princípios. (aprazer)
d) jamais () três carros nessa garagem; se um dia (), será um verdadeiro milagre.
(caber)
e) Jamais () esse tipo de coisa; se um dia (), terei mudado de nome. (dizer)
f) Jamais o (); se um dia o (), terás mais orgulho de ti. (contradizer)
g) Jamais () esse tipo de proposta; se um dia (), poderás arrepender-te. (fazer)
h) Jamais () suas vontades; se um dia (), ficarei desapontado comigo. (satisfazer)
i) jamais () algo entre eles; se um dia (), será uma surpresa. (haver)
j) Jamais () sua presença; se um dia (), teremos mudado de opinião. (querer)
l) Jamais () a verdade; se um dia (), ficará desiludida. (saber)
m) Jamais () infelizes; se um dia (), farão o possível para que as coisas mudem.
(ser)
n) Jamais ele () seus amigos; se um dia (), serão bem-vindos. (trazer)

3. Observe o modelo:

Se eu () escolher, () aqui definitivamente. (poder, ficar).
Se eu pudesse escolher, ficaria aqui definitivamente.


a) Se nós () os causadores da tragédia, () nossa responsabilidade. (ser; assumir)
b) Se ele () auxílio, nós () o carro e () a viagem. (trazer; consertar; continuar)
c) Se a roupa (), você () com ela à reunião. (caber; ir)
d) Se ele se () a ajudar, as coisas () mais fáceis. (dispor; ser)
e) Se o diretor nos () mais tempo, () o trabalho. (dar; terminar)
f) Se seu procedimento () com o cargo que ocupa, não () tantos protestos.
(condizer; haver)
g) Se a mistura se (), a experiência () um sucesso. (liquefazer; ser)
h) Se todos os convidados () ao concerto, o teatro () superlotado. (ir; ficar)
i) Se nós (), () uma oportunidade a ela. (poder; dar)
j) Se você (), nossa vida () melhor. (querer; ser)
l) Se eles () a verdade, () revoltados. (saber; ficar)
m) Se ninguém () lá, não () problema para cancelar o evento. (estar; haver)
n) Se ele a () com essa roupa, () enlouquecido. (ver; ficar)
o) Se você () a serenidade, () condição de pensar melhor. (manter; ter)


4. Reescreva as frases abaixo, substituindo a forma verbal composta pela forma
verbal simples correspondente. Há alguma alteração de significado nas frases
com a substituição?
a) Eles jamais (tinham vindo) aqui.
b) Ele (tinha feito) aquilo por vingança.
c) (Havíamos trazido) o equipamento necessário para a experiência.
d) (Tinha havido) um problema com o motor do carro.
e) Ela o (tinha visto) com outra mulher na festa.
f) (Tinhas anteposto) teus interesses aos da classe.
g) Notamos que o ar se (tinha rarefeito).
h) Nada se (tinha apurado) até então.
i) Nunca (tínhamos estado) ali.
j) Soubemos que ele (havia dito) a verdade no tribunal.
l) Custou-me crer que todo o estoque (havia cabido) numa única caixa.
m) Já (havias ido) lá?
n) Percebi que ele se (havia mantido) sereno durante o debate e que um simples
gesto seu (havia detido) os mais nervosos.

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
169


5. Reescreva as frases propostas, transformando os tempos verbais de acordo
com o modelo:

Ele sempre (toma) atitudes estranhas.
Ele sempre (tomava) atitudes estranhas.

a) Eu sempre (ponho) os livros na biblioteca.
b) Ela sempre (dispõe) de argumentos irrefutáveis.
c) Sempre (contrapomos) teses consistentes ao que ele diz.
d) Você sempre (supõe) erros dos adversários.
e) Nós sempre (vamos) ao teatro.
f) Ele sempre (vem) a este restaurante.
g) Essas atitudes não (convêm) a ninguém.
h) (Prevemos) um futuro melhor.
i) Nunca (revês) teu projeto de vida?
j) Ela nunca se (indispõe) com os pais?
l) Você não se (predispõe) a interceder?
m) Você nunca (intervém) nessa briga?
n) De que (provém) sua desconfiança?

6. Observe o modelo:

Se eu (), () à Grécia. (poder, ir)
Se eu puder, irei à Grécia

a) Se ele se () a ajudar, tudo () bem. (dispor; terminar)
b) Se você () favoravelmente a nós, () absolvidos. (depor; ser)
c) Se nós nos () um com o outro, () a sociedade. (indispor; desfazer)
d) Se você não se () financeiramente, () para a casa paterna. (recompor; voltar)
e) Se () as últimas barreiras, () nossa esperança transformar-se em realidade.
(transpor; ver)
f) Se a substância se (), () um precipitado escuro no fundo do tubo de ensaio. (de-
compor; surgir)
g) Se você a (), () que não é mais a mesma pessoa. (ver; perceber)
h) Se nós () os cálculos, () os resultados para os acionistas. (rever; trazer)
i) Se você () suas vontades, () sua própria futilidade. (satisfazer; perceber)
j) Se ninguém se () veementemente, ele não () (opor; desistir)
l) Se () nosso projeto, () a adesão de todos. (expor; obter)
m) Se tu nos () as provas documentais, () apoio a tua causa. (trazer; dar)
n) Se o interesse da sociedade se () aos privilégios individuais, () um novo país.
(sobrepor; haver)
o) Se você () o ímpeto, certamente () o melhor possível. (conter; fazer)

7. Utilize os verbos entre parênteses no tempo e modo apresentados na frase-
modelo:

Ele ainda não (compôs) nenhuma canção de sucesso.
a) Eu não () nenhum recurso. (interpor)
b) Ela não se () a colaborar? (predispor)
c) Por que você não () para pôr ordem na casa? (intervir)
d) Poucos () durante a discussão. (intervir)
e) Criticaram-me porque não () no conflito. (intervir)
f) De onde () esse material suspeitíssimo? (provir)
g) Os congressistas () que aquela não era a melhor forma de redigir a lei. (convir)
h) Por que te () a um projeto tão inovador? (opor)
i) As maiores empresas não () no processo. (intervir)
j) Eu me () com os colegas por não aceitar o sistema de trabalho vigente. (desavir)
l) Todos desejam saber por que você não () na briga. (intervir)
m) Não () porque não nos convocaram. (intervir)
n) Os líderes () que nenhum outro recurso deveria ser tentado. (convir)
o) Os alunos se () calados durante a conferência. No final, não se () e externaram,
com aplausos calorosos, a admiração pelo escritor. (manter; conter)

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
170

3 VERBOS DEFECTIVOS

Chamam-se defectivos os verbos que não possuem conjugação completa, ou
seja, deixam de ser flexionados em algumas formas.
Em geral, o fator determinante da classificação de um verbo como defectivo é de
natureza morfológica ou eufônica. Se fosse completo, o verbo falir, por exemplo,
apresentaria, no presente do indicativo, "eu falo, tu fales, ele fale". Falo é forma do
presente do indicativo de falar; fales e fale são do presente do subjuntivo do
mesmo verbo falar. Isso implicaria um problema morfológico, ou seja, formas
iguais para verbos diferentes.
Convém dizer que esse argumento não se aplica a todos os verbos que
apresentam formas iguais. Trazer e tragar, por exemplo, não são defectivos, mas
apresentam formas idênticas (trago é primeira pessoa do singular do presente do
indicativo dos dois verbos). Ir e ser também apresentam formas idênticas (fui, fora,
fosse, for), mas não são defectivos.
Se fosse completo, o verbo computar apresentaria no presente do indicativo
formas como "computo, computas, computa" - palavras de sonoridade um tanto
quanto "suspeita". Por isso o verbo computar é dado nas gramáticas e dicionários
como defectivo.
Esses motivos nem sempre conseguem impedir o uso efetivo de formas verbais
consideradas oficialmente "erradas". O próprio verbo computar é um exemplo disso.
Com o desenvolvimento e a popularização dos computadores, não há quem não
diga "computa". Na prática, esse verbo acaba sendo conjugado em todos os
tempos, modos e pessoas.
Insistimos em que os preceitos colocados pela gramática normativa nem sempre
condizem com o uso cotidiano da língua. Mas, no texto formal escrito, é mais do
que recomendável que você procure seguir os padrões da língua culta.
Você verá a seguir que o problema dos verbos defectivos ocorre basicamente no
presente do indicativo e formas derivadas (presente do subjuntivo e imperativos).

Para estudar os verbos defectivos, convém dividi-los em dois grupos.


PRIMEIRO GRUPO
Verbos que, no presente do indicativo, deixam de ser conjugados apenas na
primeira pessoa do singular. Conseqüentemente, não apresentam presente do
subjuntivo e imperativo negativo. O imperativo afirmativo se limita às pessoas
diretamente provenientes do presente do indicativo (tu e vós). E o caso de abolir,
aturdir, banir, carpir, colorir, delinqüir, demolir, exaurir, explodir, extorquir, retor-
quir, entre outros.
abolir
Presente do indicativo:
eu -
tu aboles
ele abole
nós abolimos
vós abolis
eles abolem


Imperativo afirmativo:
-
abole tu
-
-
aboli vós
-
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
171
SEGUNDO GRUPO
Verbos que, no presente do indicativo, são conjugados apenas na primeira e na
segunda pessoas do plural (nós e vós). Quando você procura um verbo deste
grupo no dicionário, costuma encontrar explicações técnicas como "no presente
do indicativo, só é conjugado nas formas arrizotônicas". Você já sabe que forma
arrizotônica é aquela em que a tonicidade está fora do radical, como em falamos. A
tonicidade está no -a-, fora do radical (fal-).
Os verbos deste grupo não possuem presente do subjuntivo e imperativo
negativo. O imperativo afirmativo se limita à forma diretamente retirada do
presente do indicativo. É o caso de adequar, aguerrir, combalir, comedir-se, falir,
fornir, foragir-se, precaver, reaver, remir.

falir
presente do indicativo:
eu -
tu -
ele -
nós falimos
vós falis
eles -

imperativo afirmativo:
-
-
-
-
fali vós
-

adequar
presente do indicativo:
eu -
tu -
ele -
nós adequamos
vós adequais
eles -

imperativo afirmativo:
-
-
-
-
adequai vós
-

precaver
presente do indicativo:

eu -
tu -
ele -
nós precavemos
vós precaveis
eles -

imperativo afirmativo:

-
-
-
-
precavei vós
-


nota da ledora: quadro de destaque na página:

Precaver não deriva de ver, nem de vir. Não existem as formas "precavejo, precavo,
precavenho". No pretérito perfeito do indicativo e tempos derivados, comporta-se
como verbo regular: precavi, precaveste, precaveu...
Alguns autores admitem a conjugação do verbo adequar nas formas arrizotônicas
do presente do subjuntivo (adeqüemos, adeqüeis), o que permitiria também a
conjugação dessas mesmas formas do imperativo negativo e da primeira do
plural do imperativo afirmativo. - fim do quadro.


CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
172

reaver
Presente do indicativo: eu - tu - ele - , nós reavemos, vós reaveis, eles -
Imperativo afirmativo: eu - tu- ele- nos-, reavei vós, -

- nota da ledora; quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÕES
Na prática, pode-se dizer que reaver é conjugado como haver, mas só existe nas
formas em que o verbo haver apresenta a letra v. Observe com atenção o pretérito
perfeito do indicativo: reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes,
reouveram.
1. Convém repetir que os verbos defectivos são conjugados normalmente nos
pretéritos e futuros. São mais do que corretas as formas como aboli, adeqüei,
explodi, fali, precavi, demoli, aboliu, adequou, explodiu, faliu, precaveu, demoliu.

2. para suprir uma forma dada como inexistente costuma-se recorrer a verbos
sinônimos ou a expressões equivalentes. Em vez de dizer - eu me precavo/
precavenho/precavejo - diga - eu me acautelo/previno; em vez de a empresa fale,
diga - a empresa vai à falência/vai falir; em vez de - o texto se adequa, diga - o
texto se adapta/ é adequado.

3. São considerados verbos defectivos também os verbos impessoais e os
unipessoais, conjugados apenas de algumas formas por questão de significado. Não
faz sentido, por exemplo, dizer "Eu chovo", ou "Ela alvoreceu ". Chover e
alvorecer, como todos os verbos que indicam fenômenos naturais, são
impessoais e, por isso não têm sujeito, e são conjugados apenas na terceira
pessoa do singular. Também são impessoais amanhecer, anoitecer, chuviscar,
estiar, gear, orvalhar, relampejar, trovejar e ventar.

Os unipessoais exprimem vozes de animais e são geralmente conjugados na
terceira pessoa do singular e na terceira pessoa do plural: "O cão latia
insistentemente", " os cavalos relinchavam assustados " . observe que também
não faz sentido dizer " eu relincho" ou " tu latiste " . Os outros verbos
unipessoais exprimem acontecimento, necessidade; acontecer, convir, ocorrer,
suceder. É possível empregar os verbos impessoais ou unipessoais em sentido
figurado. É o que acontece com " Quando esse dia chegar, os brasileiros
amanhecerão para um novo tempo" ou " choveram faltas violentas durante o
jogo". - fim do quadro de destaque.
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
173

4 VERBOS ABUNDANTES
Verbos abundantes são aqueles que apresentam mais de uma forma para
determinada flexão. Esse fenômeno costuma ocorrer no particípio, em que, além
das formas regulares, terminadas em -ado ou -ido, surgem as formas irregulares,
também chamadas curtas ou breves. Observe a relação abaixo:
primeira conjugação:
Infinitivo impessoal, particípio regular, e particípio irregular
aceitar aceitado aceito
entregar entregado entregue
enxugar enxugado enxuto
expressar expressado expresso
expulsar expulsado expulso
findar findado findo
isentar isentado isento
limpar limpado limpo
matar matado morto
salvar salvado salvo
segurar segurado seguro
soltar soltado solto

segunda conjugação:
no infinitivo impessoal, no particípio regular e no particípio irregular.
acender acendido aceso
benzer benzido bento
eleger elegido eleito
morrer morrido morto
prender prendido preso
suspender suspendido suspenso

terceira conjugação:
no infinito pessoal, no particípio regular e no particípio irregular
emergir emergido emerso
expelir expelido expulso
exprimir exprimido expresso
extinguir extinguido extinto
imergir imergido imerso
imprimir imprimido impresso
inserir inserido inserto
omitir omitido omisso
submergir submergido submerso

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (11)
174
- nota da ledora: quadro de destaque na página;

1. Os particípios regulares são empregados normalmente com os auxiliares ter e
haver; os particípios irregulares são normalmente empregados com os auxiliares
ser, estar:
ler/haver elegido - ser/estar eleito
ter/haver imprimido - ser/estar impresso

2. Ganhar, gastar e pagar são abundantes:
ganhado/ganho; gastado/gasto; pagado/ pago são seus particípios. As formas
irregulares podem ser usadas com os auxiliares ser, estar, ter e haver; as formas
regulares, somente com ter e haver: ter/haver/ser/estar/ganho/gasto/pago,
ter/haver ganhado/gasto/pagado.
3. pegar e chegar, na língua culta, apresentam apenas o particípio regular: pegado
e chegado.

4. Abrir ( e derivados ) , cobrir ( e derivados ), escrever ( e derivados ) , apresentam particípios
irregulares, aberto, reaberto, entreaberto; coberto, recoberto; encoberto; descoberto; escrito; reescrito;
subscrito. - fim do quadro.

ATIVIDADES

1. Nas frases abaixo, seria preciso empregar um verbo defectivo justamente numa
das flexões condenadas pela língua culta. Sugira formas de completar as frases,
utilizando sinônimos ou locuções verbais:
a) É possível que se () aquela casa na semana que vem. (demolir)
b) É desejável que se () essa exigência descabida. (abolir)
c) É provável que se () aquele muro. (colorir)
d) É possível que as fontes de energia se () antes do tempo previsto. (exaurir)
e) É indispensável que se () daqui todo foco de corrupção. (banir)

2. Proceda como no exercício anterior.
a) É indispensável que eu () meus documentos. (reaver)
b) É preciso que nós nos () (precaver)
c) É desejável que os novos funcionários se () às necessidades da empresa.
(adequar)
d) Eu sempre me () contra riscos. (precaver)
e) Muitas pessoas não () sua linguagem à situação em que se encontram.
(adequar)
f) Ele só () seus direitos quando recorre à justiça. (reaver)
3. Utilize os verbos entre parênteses no tempo e modo do modelo:
O retirante não se precaveu contra as dificuldades da viagem.

a) Ela () o patrimônio perdido? (reaver)
b) Eu não me () e () prejuízos com a enchente. (precaver; ter)
c) Nós () tudo o que nos pertencia. (reaver)
d) Você () a carga ao espaço disponível? (adequar)
e) O Congresso ainda não () muitas das leis do tempo da ditadura. (abolir)
f) Muitas empresas () por causa da queda do poder aquisitivo da classe média.
(falir)
g) Ela se () e () o pior. (precaver; afastar)
h) A herdeira () os bens deixados pelo pai. (reaver)
i) () o que nos pertencia. (reaver)

4. Preencha as lacunas com a forma apropriada do particípio verbal. Indique as
frases em que se pode usar mais de uma forma.


CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
175




a) O candidato foi () com mais de duzentos mil votos. Muitos dos que o haviam ()
na eleição anterior votaram nele novamente. (eleger)
b) Ele jamais foi () pelos colegas de trabalho. Diziam que no passado ele tinha ()
gordas propinas de uma poderosa multinacional. (aceitar)
c) O imposto já foi (). Menos mal, porque todo o dinheiro deste mês já foi (), e não
há perspectiva de que outro seja () (pagar, gastar; ganhar)
d) Àquela altura, já poderia ter () seus débitos, se não tivesse () todo o dinheiro
que tinha () (pagar, gastar; ganhar)
e) Assim que cheguei, fui informado de que a polícia já havia () e já o tinha (),
(chegar; pegar)
f) Ele havia () o portão. De lá, podia ver o que se passava sem ser () Dessa forma,
foi-lhe possível certificar-se de tudo o que havia sido () e () pelo ex-proprietário do
imóvel. Valera a pena ter ()! (entreabrir; ver; dizer, escrever, ir)

5 AS PARTICULARIDADES DA CONJUGAÇÃO DOS VERBOS E OS DICIONÁRIOS
Você estudou neste capítulo os principais verbos irregulares, defectivos e
abundantes. Você deve ter notado que vários desses verbos são de uso muito
freqüente - como pôr, ver, vir, ser, haver, estar. Nesses casos, é necessário que
você esteja apto a usá-los com segurança a fim de não desrespeitar o padrão
culto da língua. Você estudou também verbos de uso mais limitado - como cerzir,
carpir, remir. Nesses casos, é bastante provável que, mesmo depois de tê-los
visto em nosso livro, você tenha alguma dúvida quando precisar empregá-los.
Eles estão aqui justamente para constituir um arquivo que você possa consultar a
fim de esclarecer suas incertezas. É pouco provável que um dia você precise usar
um verbo como moscar, normalmente pronominal (moscar-se). Mas, se realmente
for necessário, consulte um dicionário. Reproduzimos, a seguir, o verbete moscar
do dicionário de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Além do significado do
verbo, você encontra valiosas informações sobre sua conjugação: moscar. V. int.
e p. 1. Fugir das moscas, como o gado. 2. Fig. Desaparecer, sumir-se, safar-se:
"nada mais tenho que fazer aqui! Musco-me! Ponho-me ao fresco!" (Aluísio
Azevedo, O mulato, p. 246). (irreg. O o da raiz muda-se em u nas f. rizotônicas.
Além disso, o c transforma-se em qo antes de e (v. trancar). Pres. ind.: musco,
moscas, musca, moscamos, moscais, muscam; imperat.: mosca, moscai, etc.;
pres. sub).:musque, musques, musque, mosquemos, mosqueis, musquem.)

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
176
TEXTOS PARA ANÁLISE
-nota da ledora: propaganda na Dupont, na página, com o seguinte teor:
Você come, dorme, anda, fala, escuta, ri, chora, mora, estuda, trabalha, viaja, voa,
cozinha, veste, usa, sobe, desce, pára, dirige, lê, corre, joga, sara, imprime,
segura, veleja, vai à praia com a Du Pont e nem está sabendo disso. A comida que você
come chega a sua casa graças aos defensivos agrícolas da Du Pont. O sapato que você
usa é feito com matéria-prima fornecida pela Du Pont A tinta do seu automóvel é da
Du Pont Os explosivos da Du Pont são responsáveis pela extração de 80% do
nosso minério de ferro Os gases que gelam sua geladeira e seu ar-condicionado
têm o nome de Freon um produto da Du Pont Lycra você conhece Está em maiôs
jeans e roupas intimas Lycra é da Du Pont Muita coisa que você lê talvez até
mesmo este anúncio é feito com material apropriado fornecido pela Du Pont
industria grafica Agora você já sabe a Du Pont está o tempo todo ao seu lado
Nisso tudo e em toda uma infinidade de coisas que fazem parte do nosso
cotidiano Dia e noite Sempre Du Pont.

TRABALHANDO O TEXTO
1. Observe as formas verbais presentes no texto acima e a seguir divida-as em
dois grupos: as que pertencem a verbos regulares e as que pertencem a verbos
irregulares.
2. Por que, na sua opinião, o texto enumera todas essas formas verbais?

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
177
- nota da ledora: propaganda da rádio jovem-pan, onde aparece um menino, na
foto, e o seguinte texto : eu (o desenho de um ovo) jovem-pan. Todo mundo ouve.
( como se ovo, fosse verbo ouvir, pra uma criança que ainda não fala direito, mas
já ouve a citada rádio ) - fim da nota.
TRABALHANDO O TEXTO

Comente a brincadeira que se está fazendo no texto e indique qual é a forma
verbal envolvida.

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
178

Haiti
Quando você for convidado pra subir no adro
Da Fundação Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada: nem o traço do sobrado
Nem a lente do Fantástico, nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for ver a festa do Pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui, o Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino de primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um
Saco brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
cento e onze presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os Pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui, o Haiti não é aqui.
(GIL, Gilberto & VELOSO. caetano. In: Tropicália 2. LP
PolyGram no.5I8I78-I, 1993. Lado A, faixa 1.)

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
179

TRABALHANDO O TEXTO

1. Em que modo, tempo, pessoa e número está a forma verbal for, do primeiro
verso do texto?
2. Em que modo, tempo, pessoa e número está a forma verbal destacada em "E na
TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado"? A que verbo pertence
essa forma? De que tempo ela é obtida?
3. O que diferencia a forma verbal ver, do terceiro verso, da forma verbal analisada
na questão anterior?
4. Das formas verbais subir, mostrar, defender, furar, notar, ouvir e apresentar, algo-
mas pertencem ao futuro do subjuntivo e outras, ao infinitivo. Releia atentamente
o texto e separe-as em dois grupos.
5. Observando a forma verbal pareça, diga se o verbo parecer é regular ou
irregular. Explique.
6. Em que modo e tempo está a forma verbal destacada em "E não importa se
olhos do mundo inteiro/Possam estar por um momento voltados para o largo"?
Como se obtém essa forma?
7. Em que modo e tempo está a forma verbal em "E o venerável cardeal disser que
vê tanto espírito no feto/E nenhum no marginal"? Como se obtém essa forma?
8. A canção nos fala de uma realidade social em que o preconceito racial é
evidente. Aponte passagens do texto em que é possível identificar esse fato.
9. O texto afirma que "Ninguém, ninguém é cidadão". Relacione a idéia contida
nessa frase com as noções de "democratização do ensino , adoção da pena
capital" e desobediência aos sinais de trânsito ("furar o sinal, o velho sinal
vermelho habitual").
10. Afinal, o Haiti é aqui ou não é?

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES
1(Univ. Alfenas-MG) Mesmo que nós (), não conseguiríamos que eles () os papéis
que os chefes () em segredo.
a) interviéssemos, requeressem, mantêm
b) intervissemos, requeressem, mantém
c) interviéssemos, requisessem, mantêm
d) intervissemos, requisessem, mantém
e) interviéssemos, requeressem, mantêem

2 (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa que contém a forma correta dos verbos
medir, valer, caber e datilografar, na primeira pessoa do singular do presente do
indicativo, pela ordem.
a) meço, valo, cabo, datilógrafo
b) meço, valho, caibo, datilografo
c) mido, valo, caibo, datilógrafo
d) mido, valho, caibo, datilografo
e) meço, valho, caibo, datilógrafo

3 (Univ. Alfenas-MG) Eles não () em bancos e nós sabemos que vocês não ()
dinheiro para que eles lhes () o aval exigido.
a) crêem, têm, dêem
b) crêem, têem, dêem
c) creem, têm, deem
d) crêm, têm, dêm
e) creêm, teêm, deêm

4 (Fac. Santo André-SP) Dentre as frases abaixo, assinale a que apresentar erro
na flexão dos verbos.
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS
180

a) Ele não creu em nenhuma das histórias contadas por nós.
b) Quando eu vir seu pai, avisá-lo-ei sobre a dívida.
c) Será muito melhor para todos, se você manter a calma.
d) Eles intervieram em nossa disputa, depois de um tempo.
e) Assim que puserdes a roupa no armário, poderemos sair.

5 (UFRPE/UFPE) Relacione as frases cujos verbos destacados estão no mesmo
tempo, modo e pessoa gramatical.

1) Que todo homem é um diabo não há mulher que o (negue).

2) (Vem), eu te farei da minha vida participar.

3) (Ide) em paz, o Senhor vos acompanhe.

4) Estou preso à vida e (olho) meus companheiros.

5) Tu não me (tiraste) a natureza...
() (Cala) essa canção soturna.
() (interrogai)-as agora que os reis tremem no seu trono.
() (Debruço)-me na grade da banca e respiro penosamente.
() (Trouxeste)-a para o pé de mim
() Mesmo assim elas procuram o diabo que as (carregue)

A seqüência correta é:

a) 3, 2, 4, 5 e 1.
b) 4, 3, 2, 1 e 5.
c) 5, 1, 4, 2 e 3.
d) 1, 4, 5, 3 e 2.
e) 2, 3, 4, 5 e 1.


6 (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa que o verbo está conjugado de forma correta na norma
culta

a) O juiz não interviu no resultado do jogo.
b) Só um jogador manteu a calma na confusão.
c) Quando seu pai ver seu boletim, vai ficar alegre.
d) Eu requeri transferência para outra escola.
e) Quando ela vir de São Paulo e ver você, vai gostar.

7 (ACAFE-SC) Corrija a frase. Depois, justifique.
Eles não reaveram os seus bens.
8 (ACAFE-SC) Somente uma das opções está incorreta. Assinale-a:
a) leio - lês - lê - lemos - ledes - lêem
b) valho vales - vale - valemos - valeis- valem
c) venho - vens - vem - vimos - vindes - vem
d) vou - vais - vai - vamos - ides - vão
e) divirjo - diverges - diverge - divergimos - divergides - divergem

9 (ITA-SP) Assinale o item em que as formas dos verbos trazer, ser, pôr e ir
correspondam ao seguinte exemplo: "Preferir, prefere!"
a) tragas!, sejas!, ponhas!, vás!
b) trazei!, sede!, pondes!, ide!
c) traga!, se!, ponha!, vá!
d) traze!, sê!, põe! vá!
e) traga!, seja!, ponha!, vai!

10 (PUCC-SP) Assinale a alternativa em que os verbos estejam correta e
adequadamente empregados.
a) Quando você o vir, dize-lhe que já demos nossa contribuição, para que sirva-
mos de exemplo a todos.
b) Quando você o ver, diz-lhe que já demos nossa contribuição, para que
sirvamos de exemplo a todos.
c) Quando você o ver, diga-lhe que já demos nossa contribuição, para que sir
vamos de exemplo a todos.
d) Quando você o vir, diga-lhe que já demos nossa contribuição, para que
sirvamos de exemplo a todos.

CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
181


e) Quando você o vir, diz-lhe que já demos nossa contribuição para que servimos
de exemplo a todos.

11 (PUCC-SP) Assinale a alternativa em que os verbos estão correta e
adequadamente empregados.
a) Para que possamos discutir tudo com calma, pretendo vir às cinco horas, a não
ser que não dê para sair em tempo e tenha de deixar nosso encontro para mais
tarde.
b) Quero que vocês tentam novamente e progridam nesses estudos, para que
comprovamos a validade dessa nova teoria.
c) Se supormos que eles desistem do empreendimento na hora da decisão final,
talvez devemos providenciar outros profissionais que estejam realmente inte-
ressados.
d) Será que existem cientistas que retêm o segredo que fará com que, numa bela
manhã, acordamos sem a ameaça da guerra atômica?
e) Quando eles proporem o acordo que tanto aguardamos, é necessário que nos
comprometemos a cumprir nossa parte.

12 (PUCSP) Conjugue os verbos conforme se pede nos parênteses e assinale a
alternativa que preencha, pela ordem, corretamente as lacunas abaixo.
1. Todos () sangue no ar. (verbo ver - presente do indicativo)
2. Quando você () um desastre como este, ficará aterrorizado. (verbo ver - futuro
do subjuntivo)
3. As moças, adormecidas na cabine, () dormindo. (verbo vir - presente do
indicativo)
4. Quando você () aqui, ainda encontrará marcas do desastre. (verbo vir - futuro do
subjuntivo)
a) vêem, ver, vêm, vier
b) vêm, ver, vem, vir
c) vêem, vir, vêm, vir
d) vêm, ver, virão, vir
e) vêem, vir, vêm, vier

13 (PUCSP) Em relação aos versos:
"És, a um tempo, esplendor e sepultura:"
"Que tens o trom e o silvo da procela" e
"Em que da voz materna ouvi: meu filho.",
se substituirmos os verbos destacados pelo presente do subjuntivo, teremos:
a) sejas, tenhas, ouças.
b) serias, terias, ouvirias.
c) sejais, tenhais, ouçais.
d) fores, tiveres, ouvires.
e) fôreis, tivéreis, ouvíreis.

14 (UNIMEP-SP) Alguns verbos apresentam irregularidades no radical da 1a.
pessoa do singular do indicativo presente. A alternativa que contém as formas
verbais corretas é:
a) requeiro (requerer), ouço (ouvir), valho (valer)
b) digo (dizer), medo (medir), trago (trazer)
c) meço (medir), digo (dizer), perdo (perder)
d) caibo (caber), perco (perder), requero (requerer)
e) posso (poder), cabo (caber), valo (valer)

15 (UNIMEP-SP) Quando você o (), ()~lhe que eu já () os livros que me haviam
roubado.
A alternativa que preenche corretamente as lacunas é:
a) vir, diga, reouve
b) vir, diz, reouve
c) ver, diga, reavi
d) ver, diz, reouve
e) ver, dize, reavi

16 (UNICAMP-SP) Nas suas aulas de gramática, você deve ter estudado a
conjugação dos verbos irregulares. Esse conhecimento é necessário na escrita
padrão. Nos trechos abaixo encontram-se formas verbais inadequadas:
I (Os astecas) não só conheciam o banho de vapor, tão prezado na Europa, como
mantiam o hábito de banhar-se diariamente. (Superinteressante, out. 1992)
II. Um grupo de defesa dos direitos civis ameaçou intervir se o juiz Mike Mc
Spaden ir adiante com seu plano de aprovar o pedido de castração. (Folha de
S. Paulo, 13 fev. 1992)
a) Identifique as formas verbais inadequadas.
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
182

b) Que formas deveriam ter sido empregadas?
c) Como se poderia explicar a ocorrência das formas inadequadas nos trechos
acima?

17 (UFV-MG) Segundo o exemplo, assinale a alternativa correta:
jogar? jogai vós.
Faça o mesmo Com os verbos: trazer, tragar, ir, ler.
a) trazei, tragai, ide, lede
b) tragam, traguem, vão, leiam
c) trazeis, tragais, ides, ledes
d) tragais, tragueis, vades, leiais
e) traze, traga, vão, leia

18 (UEL-PR) Requeiro a dispensa de taxa concedida aos que (), como eu, os bens
que () .
a) reouveram, pleiteiaram
b) reaveram, pleiteiaram
c) rehouveram, pleiteiaram
d) reouveram, pleitearam
e) rehaveram, pleitearam

19 (UNICAMP-SP) No texto abaixo, ocorre uma forma que é inadequada em
contextos formais, especialmente na escrita.
Trombada
Lula e Meneguelli divergem sobre o pacto. Concordam em negociar, mas Lula só
aprova um acordo se o governo retirar a medida provisória dos salários,
suspender os vetos à lei da Previdência e repor perdas salariais. (Painel, Folha de
Paulo, 21 set. 1990)
a) Identifique essa forma e reescreva o trecho em que ocorre, de modo a adequá-
lo à modalidade escrita.
b) Como se poderia explicar a ocorrência de tal forma (e outras semelhantes),
dado que os falantes não "inventam" formas lingüísticas sem alguma motivação?

20 (UEL-PR) Ainda que vários fatores () a seu favor, estava claro que ele não () as
conseqüências que () de seu impensado gesto.
a) intervissem, previra, adveriam
b) interviessem, prevera, adviriam
c) intervissem, prevera, adviriam
d) intervissem, prevera, adveriam
e) interviessem, previra, adviriam

21 (UEL-PR) Os ouvintes ()-se de opinar, temendo que se () as criticas e os ânimos
não se ()
a) absteram, mantivessem, refazessem
b) absteram, mantessem, refizessem
c) abstiveram, mantivessem, refizessem
d) absteram, mantessem, refazessem
e) abstiveram, mantessem, refizessem

22 (FUVESJ-SP) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas:
Não () cerimônia, () que a casa é (), e () à vontade.
a) faças, entre, tua, fique
b) faça, entre, sua, fique
c) faças, entra, sua, fica
d) faz, entra, tua, fica
e) faça, entra, tua, fique

23 (FATEC-SP) Aponte o emprego errado do verbo destacado.
a) Se a resposta (condissesse) com a pergunta...
b) Poucos (reaveram) o que arriscaram em jogos.
c) Não que não (antepuséssemos) alguém a você.
d) Não tenha dúvida, (refaremos) tantas vezes quantas forem necessárias.
e) Se não nos (virmos) mais... tenha boas férias.

24 (CESGRANRIO-RJ) Assinale o período em que aparece uma forma verbal
incorretamente empregada com relação à norma culta da língua.
a) Se o compadre trouxesse a rabeca, a gente do oficio ficaria exultante.
b) Quando verem o Leonardo, ficarão surpresos com os trajes que usava.
c) Leonardo propusera que se dançasse o minueto da corte.
d) Se o Leonardo quiser, a festa terá ares aristocráticos.
e) O Leonardo não interveio na decisão da escolha do padrinho do filho.


CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
183


25 (FUVEST-SP) Assinale a alternativa em que uma forma verbal foi empregada
incorretamente.
a) O superior interveio na discussão, evitando a briga.
b) Se a testemunha depor favoravelmente, o réu será absolvido.
c) Quando eu reouver o dinheiro, pagarei a dívida.
d) Quando você vir Campinas, ficará extasiado.
e) Ele trará o filho, se vier a São Paulo.

26 (F. C. Chagas-SP) Não te () com essas mentiras que () da ignorância.
a) aborreces, provêem
b) aborreça, provém
c) aborreças, provêm
d) aborreça, provêem
e) aborreças, provém

27 (CESESP-PE) Assinale a alternativa que estiver incorreta quanto à flexão dos
verbos.
a) Ele teria pena de mim se aqui viesse e visse o meu estado.
b) Paulo não intervém em casos que requeiram profunda atenção.
c) O que nós propomos a ti, sinceramente,
convém-te.
d) Se eles reouverem suas forças, obterão boas vitórias.
e) Não se premiam os fracos que só obteram derrotas.

28 (FCMPA-MG) Complete as lacunas com os verbos (intervir) e (deter) no pretérito
perfeito do indicativo.
A polícia () no assalto e () os ladrões.

29 (FUVEST-SP) Reescreva as frases abaixo, substituindo convenientemente as
formas verbais destacadas pelos verbos colocados entre parênteses.
a) Se você se (colocasse) em meu lugar, perceberia melhor o problema. (pôr)
b) Quando (descobrirem) o logro em que caíram, ficarão furiosos. (ver)

30(FUVEST-SP) Reescreva as frases abaixo, obedecendo ao modelo: "Se ele
voltou cedo, eu também voltei."/"Se ele voltar cedo, eu também voltarei."
a) Se ele viu o filme, eu também vi.
b) Se tu te dispuseste, eu também me dispus.

31(UCS-RS) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas:
Se tudo () conforme ele (), o trabalho já ().
a) for feito, preveu, vai ser concluído
b) fosse feito, prevera, teria sido concluído
c) é feito, preveu, estaria pronto
d) tivesse sido feito, havia previsto, estaria concluído
e) tiver sido feito, preverá, será concluído

32 (FGV-SP) (), homem () criatura que me deixe, que ().
a) corre, dize, se não aflija
b) corra, diz, se não aflija
c) corre, dize, não aflija-se
d) corra, diz, não se aflija
e) corre, dizei, não aflija

33 (FCMSCSP) Nas alternativas estão as flexões do imperativo de cinco verbos.
Assinale a alternativa em que há erro.
a) saber: sabe/saiba/saibamos/sabei/saibam
b) ver: vê/vide/vejamos/vejais/vejam
c) ir: vai/vá/vamos/ide/vão
d) ouvir: ouve/ouça/ouçamos/ouvi/ouçam
e) valer: vale/valha/valhamos/valeilvalham


34 (FEI-SP) Na expressão "Deus te favoreça", substitua o verbo favorecer por:
a) abençoar
b) ouvir
c) proteger

35 (FCMSCSP) Assinale a alternativa correta quanto ao uso de verbos
abundantes.
a) Por haver aceitado as normas, o candidato foi aceito na Faculdade.
b) Por haver morto o passarinho, o menino chorou. Realmente, o bicho estava
bem morto.
c) Foi elegido pelas mulheres apesar de haver eleito a maioria dos homens.


CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
184

d) O pastor tinha emergido os crentes depois de ter emergido ele mesmo pelo bis-
po. Era emersão que não acabava mais.
e) Todos os casos serão omitidos da pauta tal como você já tivera omisso os seus
casos ontem.

36 (IMES-SP) Assinale a alternativa que corresponde ao que se pede:
- verbo ver - 3a. pessoa do singular do pretérito mais-que-perfeito do indicativo
- verbo ser - 3a. pessoa do singular do presente do subjuntivo
- verbo haver - 3a. pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo
- verbo vir - 2a. pessoa do singular do imperativo afirmativo
a) vera, seja, houve, vem
b) vera, seja, havi, venha
c) vira, seja, houve, vem
d) vira, seje, houve, venha
e) vira, seje, havi, vem

37 (F. C. Chagas-SP) Ele () que lhe () muitas dificuldades, mas enfim () a verba para
a pesquisa.
a) receara, opusessem, obtera
b) receara, opusessem, obtivera
c) receiara, opossem, obtivera
d) receiara, opossem, obtera
e) receara, opossem, obtera

38 (F. C. Chagas-SP) Caso () realmente interessado, ele não () de faltar.
a) estiver, haja
b) esteja, houve
c) estivesse, houvesse
d) estivesse, havia
e) estiver, houver

39 (Fundação Lusíada) Assinale a alternativa que se encaixe no período seguinte:
"Se você () e o seu irmão (), quem sabe você () o dinheiro."
a) requeresse, interviesse, reouvesse
b) requisesse, intervisse, reavesse
c) requeresse, intervisse, reavesse
d) requeresse, interviesse, reavesse
e) requisesse, intervisse, reouvesse

40 (UFMG) Em qual dos períodos abaixo há incorreção no uso de formas verbais,
de acordo com as regras da gramática normativa?
a) Sugira o que lhe aprouver; só nos absteremos de lutar quando virmos que
todos os recursos foram esgotados.
b) Todos aqueles que vêem o espetáculo voltam novamente; só não vem quem
não tem dinheiro.
c) Detive-me à frente deles e intervi na discussão que já se estava tornando séria.
d) Se dispuserem de algum tempo, entretenham-se a caminhar por aqueles
bosques e satisfarão toda a sua nostalgia de infância.
e) Se nos desfizéssemos de nossos poucos pertences, não teríamos como
enfrentar os rigores do inverno.

41 (F. C. Chagas-SP) Quem () o Pedro, ou pelo menos () falar com ele, ()-o em meu
nome.
a) ver, poder, advirta
b) vir, puder, adverta
c) vir, puder, advirta
d) ver, puder, adverta
e) vir, poder, adverta

42 (F. C. Chagas-SP) Sem que ninguém tivesse (), o próprio menino ()-se contra
os falsos amigos.
a) intervindo, precaviu
b) intervindo, precaveio
c) intervido, precaveu
d) intervido, precaveio
e) intervindo, precaveu

43 (UM-SP) Assinale a alternativa em que não há erro na forma verbal.
a) Minha mãe hesitou; tu não hesitastes.
b) Esta página vale por meses; quero que valha para sempre.
c) Tu tiveste dezessete anos; vós tivesteis sempre a mesma idade.
d) A análise das minhas emoções é que entrava no meu plano, vós não
entrávais.
e) Achavam-me lindo e diziam-mo; achavais-me lindo e dizieis-mo.


CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
185

44 (FMIt-MG) Em que frase a forma verbal não está flexionada corretamente?
a) Eu águo as flores que sua mãe planta.
b) Ninguém creu no que ela declarou.
c) Se pores tudo em ordem, ficarei satisfeito.
d) Foi aos gritos que ela interveio na discussão.
e) Eu môo o grão, você depois faz o pão.

45 (UFE-RJ) Das frases que seguem, uma traz errado emprego de forma verbal.
Assinale-a.

a) Cumpre teus deveres e terás a consciência tranqüila.
b) Suporta-se com paciência a cólica do próximo.
c) Nada do que se possui com gosto se perde sem desconsolação.
d) Não voltes atrás, pois é fraqueza desistir-se da coisa começada.
e) Dizia Rui Barbosa: "Fazei o que vos manda a consciência, e não fazei o que
vos convém aos apetites."
CAPÍTULO 7
ESTUDO DOS VERBOS (2)
186


*********

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (III)
187


- nota da ledora: anúncio do Lar Escola São Francisco, trazendo uma foto do
físico, conhecido mundialmente, Dr. Stephen Hawking ( portador de deficiência
múltipla - cadeirante) respeitado internacionalmente pelo seu trabalho na área da
física. Texto do anúncio: - este eficiente físico é um deficiente físico. - fim da nota.


Depois de estudar detidamente os mecanismos de conjugação e os principais
verbos irregulares e defectivos, você vai investigar o funcionamento dos modos e
tempos verbais no uso efetivo, ou seja, nas frases e textos de nossa língua.
Nosso objetivo é fazer você refletir sobre o valor e o significado das diferentes
formas verbais, tornando-o apto a empregá-las com precisão e sensibilidade. No
texto acima, por exemplo, o verbo encontra-se no modo indicativo, empregado
quando se da como certo, real ou verdadeiro o conteúdo daquilo que se declara.
1 OS MODOS VERBAIS
Em português, existem três modos verbais: o indicativo, o subjuntivo e o
imperativo. O modo indicativo é empregado quando se dá como certo, real ou
verdadeiro o conteúdo daquilo que se fala ou escreve:
Faz muito calor nesta época do ano.
Fez muito calor no último verão.
O serviço meteorológico informa que fará muito calor neste verão.
O modo subjuntivo é empregado quando se dá como provável, duvidoso ou hipotéti-
co o conteúdo daquilo que se fala ou escreve:
Talvez faça muito calor neste verão.
Se fizesse calor nestes dias, a safra estaria perdida.
O modo imperativo é empregado para exprimir ordem, pedido, súplica, conselho:
"Cala a boca, Bárbara!"
"Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa...
Socorram-me!
"Vai e diz a ela as minhas penas."
De um modo geral, podem-se relacionar os modos verbais a três atitudes
diferentes de quem fala ou escreve: o indicativo mostra uma atitude mais objetiva
diante dos fatos e processos, que são apresentados como fenômenos positivos e
independentes; o subjuntivo traduz a expressão de conteúdos emocionais (O
desejo, a dúvida, a incerteza), impregnando os fatos e processos com a
subjetividade de quem fala ou escreve; o imperativo procura impor o processo
verbal ao interlocutor, com a intenção de que este aja de acordo com aquilo que o
emissor da mensagem pretende.

ATIVIDADE

Observe o emprego dos verbos destacados em cada um dos pares de frases
abaixo. Justifique o modo verbal empregado em cada caso:
a) Ele vem diariamente. É possível que ele venha hoje.
b) Estou certa de que foi ele o culpado de tudo. Acredito que tenha sido ele o
culpado de tudo.
c) Ele era indicado para todas as atividades. Talvez não fosse ele o indicado para
todas as atividades.
d) Eu a verei amanhã.
Quando a vir outra vez, direi a ela toda a verdade.
e) Todo cidadão que efetivamente ama seu país é capaz de julga-lo com critério.
Todo cidadão que efetivamente ame seu país é capaz de julgá-lo com critério.
CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
188
2 OS TEMPOS VERBAIS
Os tempos do indicativo
Presente
As gramáticas costumam definir o presente do indicativo como o "tempo que
indica processos verbais que se desenvolvem simultaneamente ao momento em
que se fala ou escreve":
Estou em São Paulo.
Não confio nele.
Na verdade, o presente do indicativo vai muito além. Pode também expressar
processos habituais, regulares, ou aquilo que tem validade permanente:
Tomo banho diariamente.
Durmo pouco.
Todos os cidadãos são iguais perante a lei.
A Terra gira em torno do Sol.
O presente do indicativo pode ser empregado para narrar fatos passados,
conferindo-lhes atualidade. É o chamado presente histórico:
No dia 17 de dezembro de 1989, pela primeira vez em quase trinta anos, o povo
brasileiro elege diretamente o presidente da República. Iludida pelos meios de
comunicação, a população não percebe que está diante de um farsante. Mas a
verdade não demora a chegar. O presidente-atleta logo mostra quem é. Seu braço
direito, PC Farias, saqueia o país. Forma-se uma Comissão Parlamentar de
Inquérito, que investiga as atividades ilícitas da dupla. Em alguns meses, os
escândalos apurados são tantos que só resta ao aventureiro renunciar.
- nota da ledora: fotografia de Fernando Collor de Mello. - fim da nota.
O presente também pode ser usado para indicar um fato futuro próximo e de
realização tida como certa:
Daqui a pouco, a gente volta.
Embarco no próximo sábado.
Utilizado com valor imperativo, o presente constitui uma forma delicada e familiar
de pedir ou ordenar alguma coisa:
Artur; agora você se comporta direitinho.
Depois vocês resolvem esse problema para mim.

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)


Pretérito imperfeito
O pretérito imperfeito tem varias aplicações. Pode transmitir uma idéia de con-
tinuidade, de processo que no passado era constante ou frequente:
Estavam todos muito satisfeitos com o desempenho da equipe.
Entre os índios, as mulheres plantavam e colhiam; os homens caçavam e
pescavam.
Naquela época, eu almoçava lá todos os dias.

- nota da ledora: desenho de um quadrinho de jornal, representando Getúlio Vargas, como
se fosse pintor, tendo ao fundo, como modelo, uma mulher esfaimada, esquálida, e
miserável; portando uma faixa onde lemos: Situação financeira do Brasil - esta mesma
mulher é retratada, em uma tela, pelo pintor Getúlio Vargas, como uma jovem linda,
rechonchudinha, cheia de graça e saúde. Na legenda do quadrinho: "O sr. Ministro da
Fazenda declarou que a situação financeira deixada pelo Estado Novo é
calamitosa." (dos jornais) Mas o "artista" só pintava coisas encantadoras... - fim
da nota.
"Pintar coisas encantadoras" (apesar das evidências contrárias...) era um hobby
freqüente do "artista" Getúlio Vargas. Por isso o verbo pintar está flexionado no pretérito
imperfeito do indicativo, adequado para exprimir esse tipo de processo.

Ao nos transportarmos mentalmente para o passado e procurarmos falar do que
então era presente, também empregamos o pretérito imperfeito do indicativo:
Eu admirava a paisagem. A vida passava devagar Quase nada se movia. Uma
pessoa aparecia aqui, um cão latia ali, mas, no geral, tudo era muito quieto.
O imperfeito é usado para exprimir o processo que estava em desenvolvimento
quando da ocorrência de outro:
O Sol já despontava quando a escola entrou na passarela.
A torcida ainda acreditava no empate quando o time levou o segundo gol.

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
190


Usado no lugar do presente do indicativo, o pretérito imperfeito denota cortesia:
Queria pedir-lhe uma gentileza.
Pode substituir o futuro do pretérito, tanto na linguagem coloquial como na
literária:
Se ele pudesse, largava tudo e ficava com ela. "Se eu fosse você, eu voltava pra
mim."

Pretérito perfeito
O pretérito perfeito simples exprime os processos verbais concluídos e
localizados num momento ou período definido do passado. Veja os exemplos:
Em 1983, o campeão brasileiro da Segunda Divisão foi o Juventus.
O concerto foi encerrado às vinte e três horas.
Os primeiros imigrantes italianos chegaram ao Brasil no século passado.
O pretérito perfeito composto exprime processos que se repetem ou prolongam até o
presente:
Tenho visto coisas em que ninguém acredita.
Os professores não têm conseguido melhores condições de trabalho.

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
Atente para a distinção entre o pretérito imperfeito e o pretérito perfeito simples:
Quando o encontrava, ficávamos horas conversando.
Quando o encontrei, ficamos horas conversando.
Tinha certeza de que não seria aprovado.
Teve certeza de que não seria aprovado.

Pretérito mais-que-perfeito
O pretérito mais-que-perfeito exprime um processo que ocorreu antes de outro processo
passado:
Era tarde demais quando ela percebeu que ele se envenenara (ou: tinha/havia
envenenado).
O fato de ele ter-se envenenado é anterior ao fato de ela ter percebido. Envenenara é, por
isso, mais-que-perfeito, ou seja, mais velho que o perfeito (percebeu).
Na linguagem do dia-a-dia, usa-se muito pouco a forma simples do pretérito mais-que-
perfeito. E comum, entretanto, na linguagem formal e literária, bem como em algumas ex-
pressões cristalizadas ("Quem me dera!"; "Quisera eu"). Quando usado no lugar do futuro
do pretérito do indicativo ou do pretérito imperfeito do subjuntivo, o mais-que-perfeito
simples confere solenidade à expressão:
Compare com:
"E, se mais mundo houvera, lá chegara." (Camões)
E, se mais mundo houvesse, lá chegaria.


CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)

191

Futuro do presente
O futuro do presente simples expressa basicamente processos tidos como certos
ou prováveis, mas que ainda não se realizaram no momento em que se fala ou
escreve:
Será realizada amanhã a partida decisiva.
Estarei lá no próximo ano.
Jamais a terei a meu lado.
Pode-se usar esse tempo com valor de imperativo, com tom enfático e categórico:
"Não furtarás!"
Você ficará aqui a noite toda.
Em outros casos, essa forma imperativa parece mais branda e sugere a
necessidade de que se adote certa conduta:
Você compreenderá a minha atitude.
Pagarás quando puderes.
O futuro do presente simples também pode expressar dúvida ou incerteza em
relação a fatos do presente:
Ela terá atualmente trinta e cinco anos.
Será Cristina quem está lá fora?
Quando expressa circunstância de condição, o futuro do presente se relaciona
com o futuro do subjuntivo para indicar processos cuja realização é tida como
possível:
Se tiver dinheiro, pagarei à vista.
Se houver pressão popular as reformas sociais virão.
O futuro do presente simples é muito pouco usado na linguagem cotidiana. Em
seu lugar, é normal o emprego de locuções verbais com o infinitivo,
principalmente as formadas pelo verbo ir:
Vou chegar daqui a pouco.
Estes processos vão ser analisados pelo promotor
O futuro do presente composto expressa um fato ainda não realizado no
momento presente, mas já passado em relação a outro fato futuro. Observe:
Quando estivermos lá, o dia já terá amanhecido. Quando eu voltar ao trabalho,
você já terá entrado em férias.

Futuro do pretérito
O futuro do pretérito simples expressa processos posteriores ao momento
passado a que nos estamos referindo:
Conclui que não seria feliz ao lado dela.
Muito tempo depois, chegaria a sensação de fracasso.
Também se emprega esse tempo para expressar dúvida ou incerteza em relação a
um fato passado:

Estariam lá mais de vinte mil pessoas.
Ela teria vinte anos quando gravou o primeiro disco.
CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)

Quando expressa circunstância de condição, o futuro do pretérito se relaciona
com o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar processos tidos como de
difícil concretização:
Se ele quisesse, tudo seria diferente.
Viveria em outro lugar se pudesse.
O futuro do pretérito composto expressa um processo encerrado posteriormente
a uma época passada que mencionamos no presente:
Partiu-se do pressuposto de que às cinco horas da tarde o comício já teria sido
encerrado.
Anunciou-se que no dia anterior o jogador já teria assinado contrato com o outro
clube.
Esse tempo também expressa dúvida sobre fatos passados:
Teria sido ele o mentor da fraude?
Quando expressa circunstância de condição, o futuro do pretérito composto
relaciona-se com o pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo, exprimindo
processos hipotéticos ou de realização desejada, mas já impossível:
Se ele me tivesse procurado antes, eu o teria ajudado.
O país teria melhorado muito se tivessem sido feitos investimentos na educação e
na saúde.

ATIVIDADES

1. Complete as lacunas com as formas adequadas dos verbos indicados entre
parênteses. Em alguns casos, pode haver mais de uma opção.
a) Não () ontem ao teatro com eles porque já () anteontem. (ir)
b) Nós () à estação logo depois que o trem () (chegar; sair)
c) Todos () que o ano se () em quatro estações. (saber; dividir)
d) Quando jovem, eu () cedo e () no parque. Hoje, () pouco e mal e não () dis-
posição para nada. (acordar; correr; dormir; ter)
e) Todos os domingos ele () aqui e () se alguém () de alguma coisa. (vir; perguntar;
precisar)
f) Depois daquilo, não me () e (), exigindo que ele parasse. (conter; gritar)
g) Ele sempre () aos colegas que se empenhem. (sugerir)
h) Ele sempre () aos colegas que se empenhassem. (sugerir)
i) Dali onde (), () o céu claro e () o canto dos pássaros. A manhã () linda! (estar; ver;
ouvir; ser)
j) Antes do advento do "futebol-força", todas as equipes () um jogador cerebral. A
bola () mansa, a categoria (), os jogos não () violentos. () a pena ir aos estádios.
(ter; rolar; imperar; ser; valer)
l) Assim que () a porta, () que algo estranho se () naquele recinto. (abrir; notar;
passar)

2. Preencha as lacunas com as formas adequadas dos verbos indicados entre
parênteses. Em alguns casos, pode haver mais de uma opção.
a) No próximo sábado, () cedo e () o primeiro ônibus para o Rio de janeiro.
(acordar; pegar)
b) Tudo () muito diferente se você ouvisse nossos conselhos. (ser)
c) Tudo () muito diferente se você ouvir nossos conselhos. (ser)
d) Quem () aqui durante a madrugada para estragar o jardim? (vir)
e) O Corinthians () da fila em 1977; dois

CAPITULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
193

anos depois, () de novo o Campeonato Paulista. (sair; ganhar)
f) Tu não () sem o meu consentimento! (sair)
g) Quando ela chegar, () tudo arrumado. (encontrar)
h) Quando chegarmos à cidade, tudo já () (terminar)
i) Quando chegássemos à cidade, tudo já (). (terminar)
j) Muitos anos depois, ele () repetindo as mesmas palavras, que () as mesmas
idéias. (continuar; expressar)
l) Tudo () ser diferente se eles não tivessem tentado nos enganar. (poder)

3. Nos grupos de frases a seguir, você encontrará tempos verbais diferentes
exprimindo idéias semelhantes. Procure explicar as diferenças de sentido e de
emprego entre as frases de cada conjunto.
a) Farei isso amanhã.
Faço isso amanhã.
b) Segue até o fim!
Agora segues até o fim.
Seguirás até o fim!
c) Se ele colaborasse, eu dava um jeito na situação.
Se ele colaborasse, eu daria um jeito na situação.
d) Não fora a intervenção do diretor, ficáramos a ver navios.
Não fosse a intervenção do diretor, ficaríamos a ver navios.

4. Relate uma passagem de sua vida em um parágrafo. Use a terceira pessoa e o
chamado presente histórico.

5. Conte em um parágrafo alguma coisa que freqüentemente acontecia em sua
infância. A seguir, observe os tempos verbais empregados e justifique seu uso.

OS TEMPOS DO SUBJUNTIVO
Presente
O presente do subjuntivo normalmente expressa processos hipotéticos, que
muitas vezes estão ligados ao desejo, à suposição:
"Quero que tudo vá para o inferno!"
Suponho que ela esteja em Roma.
Caso você vá lá, não deixe que o explorem.
Talvez ela esteja aqui amanhã.
Ficam excluídos os que não amem a cultura.

Pretérito imperfeito
O imperfeito do subjuntivo expressa processos de limites imprecisos, anteriores
ao momento em que se fala ou escreve:
Fizesse sol ou chovesse, não dispensava uma volta no parque.
Os baixos salários que o pai e a mãe ganhavam não permitiam que ele estudasse.
O imperfeito do subjuntivo é o tempo que se associa ao futuro do pretérito do
indicativo quando se expressa circunstância de condição ou concessão:
Se ele fosse politizado, não votaria naquele farsante.
Embora se esforçasse, não conseguiria a simpatia dos colegas.

CAPíTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
194

- nota da ledora: propaganda da Brastemp, foto de máquina de lavar, antiga, com
o seguinte texto: - se fosse seu carro, você já teria trocado - fim da nota.
Neste caso de correlação com o futuro do pretérito do indicativo (teria), o pretérito
imperfeito do subjuntivo (fosse) expressa circunstância de condição.

Também se relaciona com os pretéritos perfeito e imperfeito do indicativo:
Sugeri-lhe que não vendesse a casa.
Esperava-se que todos aderissem à causa.
Pretérito perfeito
Só ocorre na forma composta e expressa processos anteriores tidos como
concluídos no momento em que se fala ou escreve:
Imagino que ela já tenha procurado uma solução.

Pretérito mais-que-perfeito
Também só ocorre na forma composta. Expressa um processo anterior a outro
processo passado:
Esperei que tivesse exposto completamente sua tese para contrapor meus
argumentos.
Esse tempo pode associar-se ao futuro do pretérito simples ou composto do
indicativo quando são expressos fatos irreais e hipotéticos do passado:
Se me tivesse apresentado na data combinada, já seria funcionário da empresa.
Mesmo que ela o tivesse procurado, ele não a teria recebido.

Futuro
Na forma simples, indica fatos possíveis, mas ainda não concretizados no
momento em que se fala ou escreve:
Quando comprovar sua situação, será inscrito.
Quem obtiver o primeiro prêmio receberá bolsa integral.
Se ela for a Siena, não quererá mais sair de lá.
Esse tempo normalmente se associa ao futuro do presente do indicativo quando
se expressa circunstância de condição:

Se fizer o regime, emagrecerá rapidamente.
O futuro do subjuntivo composto expressa um processo futuro que estará
terminado antes de outro, também futuro:
Quando tiverem concluído os estudos, receberão o diploma.
Iremos embora depois que ela tiver adormecido.

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
195

ATIVIDADES

1. Preencha as lacunas com a forma adequada dos verbos entre parênteses. Em
alguns casos, pode haver mais de uma opção.
a) Talvez todas as blusas () na gaveta. (caber)
b) É inacreditável que () ele o autor do projeto. (ser)
c) Se o árbitro não () os ânimos, as conseqüências seriam imprevisíveis. (conter)
d) Desejo que você já () a bateria de testes quando eu tiver regressado. (encerrar)
e) Depois que tudo () resolvido, poderemos dormir o sono dos justos. (estar)
f) Quando eles () os cálculos, descobrirão grossas falcatruas. (rever)

2. Observe o modelo; a seguir, aplique-o às frases apresentadas.
Leio o manual.
Sugiro-lhe que leia o manual
Sugeri-lhe que lesse o manual.

a) Faço um bom chá.
b) Vejo um bom filme.
c) Trago respostas convincentes.
d) Redijo claramente.
e) Confiro o dinheiro.
f) Mostro o melhor caminho.

3. Observe o modelo; a seguir, aplique-o às frases apresentadas. Explique a
mudança de sentido obtida.
Suponho que ela tenha participado da conversa.
Supunha que ela tivesse participado da conversa.

a) Suponho que ele tenha convencido os filhos.
b) Suponho que a empresa tenha superado as dificuldades.
c) Suponho que tenhamos eliminado todas as dúvidas.
d) Suponho que hajam visto os melhores filmes.


4. Observe o modelo; a seguir, aplique-o às frases apresentadas. Explique a
mudança de sentido obtida.

É possível que todos aceitem.
Era possível que todos aceitassem.


a) É provável que ela adote a criança.
b) É insuportável que não se elimine o cólera do país.
c) É imprescindível que participemos do evento.
d) É indispensável que façamos o convite.
e) É necessário que todos permaneçam unidos.
f) É preciso que se altere o calendário.
g) É inacreditável que ele se deixe envolver.


5. Observe o modelo; a seguir, aplique-o às frases apresentadas. Explique a
mudança de sentido obtida.


Se você fizer o trabalho, ele o recompensará.
Se você fizesse o trabalho, ele o recompensaria.
Se você tivesse feito o trabalho, ele o teria recompensado.


a) Se você quiser, certamente fará melhor.
b) Se ele requerer novo exame, conseguirá.
c) Se você previr os obstáculos, irá até o fim da prova.
d) Se a população lutar por seus direitos, surgirão governantes mais capazes.
e) Se os governantes fizerem o que devem, este país será grandioso.
f) Se forem satisfeitas as necessidades sociais elementares, o país crescerá.

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)

196

3 VALOR E EMPREGO DAS FORMAS NOMINAIS
O verbo apresenta três formas nominais: o infinitivo, o gerúndio e o particípio. Você já
sabe que essas formas são chamadas nominais porque podem ter comportamento
de nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) em certas situações.

O infinitivo
O infinitivo apresenta o processo verbal em si mesmo, sem nenhuma noção de
tempo ou modo. É a forma utilizada para nomear os verbos:
É proibido conversar com o motorista.
Estudar é um direito de qualquer cidadão.
Quero ver você daqui a dez anos.
É normal a transformação do infinitivo em substantivo pelo uso de um
determinante:
"Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver."
Quando usado como substantivo, o infinitivo pode apresentar flexão de número:
São muitos os falares brasileiros.
Em português, o infinitivo pode ser pessoal ou impessoal. Quando se emprega o
pessoal, o processo verbal é relacionado a algum ser:
Perguntei-lhe se havia algo para eu ler.
Com o impessoal, o processo verbal não é restrito a um ser em particular:
Ler é obrigação de qualquer cidadão.
No primeiro exemplo, pode-se notar que o infinitivo ler se refere ao mesmo ser a
que se refere a forma perguntei: eu. No segundo exemplo, não há qualquer
referência desse tipo: trata-se do processo verbal considerado em si mesmo.
O infinitivo pessoal pode flexionar-se para concordar em número e pessoa com o
ser a que se refere:
Ela deseja saber se há algo para lermos.
Essa flexão pode ocorrer até mesmo em situações em que o infinitivo tenha papel
nominal:
O comparecermos atrasados será tomado como menoscabo.
Em sua forma composta, o infinitivo tem valor de passado, indicando um
processo já concluído no momento em que se fala ou escreve:
Ter trabalhado duro permitiu-nos belas viagens à Itália.

O particípio
O particípio é a forma nominal que tem, simultaneamente, características de verbo
e de adjetivo.

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
197



Sua natureza verbal se manifesta nas locuções verbais, nos tempos compostos e
em orações reduzidas:
A casa será desocupada até terça-feira.
Não existe nada que possa ser comprovado.
Se ele me tivesse avisado, teria conseguido resolver a situação.
Terminada a festa, o abatimento tomará conta de todos.
Calado num canto, ele nos observava atentamente.
Observe que nas duas últimas frases o particípio pode apresentar um processo
completo anterior a outro (o abatimento tomará conta de todos após o término da
festa) ou um processo que é simultâneo a outro (ele estava calado enquanto nos
observava).
O particípio assume função de adjetivo quando caracteriza substantivos:
Tem comportamento destacado no dia-a-dia do Congresso.
Tem atuação destacada no dia-a-dia do Congresso.
- nota da ledora: quadro, de desenho, onde dois homens se cumprimentam efusivamente,
e um cola um cartaz nas costas do outro, sem ser percebido pelo interlocutor, escrito :
vendido.
Para ilustrar o risco de certas parcerias empresariais, o cartunista serviu-se do particípio
do verbo vender, com função de adjetivo.

O gerúndio
Além da natureza verbal, pode desempenhar função de advérbio e de adjetivo.
Atua como verbo nas locuções verbais e orações reduzidas. Indica normalmente
um processo em curso ou prolongado:
Estou ouvindo o disco que você me deu.
Está estudando para melhorar profissionalmente.
Sua característica de advérbio pode ser percebida em frases em que indica
circunstância de modo:
Gritando muito, ela chamava pelo pai.
O uso do gerúndio com valor de adjetivo é menos comum. Ocorre quando se liga
a um substantivo, caracterizando-o:

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
198


"Eu vi o menino correndo
eu vi o tempo correndo ao redor do caminho daquele menino."(Caetano Veloso)
A forma composta do gerúndio tem valor de pretérito e indica processo já
concluído no momento em que se fala ou escreve:
Tendo feito, por telefone, várias reclamações que não foram atendidas, resolvi ir
pessoalmente à Administração Regional.

4 AS LOCUÇÕES VERBAIS
As formas nominais dos verbos são muito utilizadas na formação das locuções
verbais ou perífrases verbais, conjuntos de verbos que, numa frase, desempenham
papel equivalente ao de um verbo único. Nessas locuções, o último verbo,
chamado principal, sempre é empregado numa de suas formas nominais; as
flexões de tempo, modo, número e pessoa se dão nos verbos auxiliares:
Nenhum aluno poderá sair antes do término da prova.
Está havendo uma profunda transformação na sociedade.
É provável que ele seja convocado para a Copa.
Começou a gritar sem nenhuma explicação.
- nota da ledora; anúncio da Monark, ( bicicletas e triciclos), na foto um
bebê
deitado com as perninhas para o alto, lembrando o movimento de pedalar, no texto
o seguinte: LEMBRA QUANDO VOCÊ COMEÇOU A PEDALAR? - fim da nota.
Locução verbal: começou a pedalar. Verbo principal (pedalar)
no infinitivo; as inflexões ocorrem no verbo auxiliar (começou).
CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
199


Nossa língua apresenta uma grande variedade dessas locuções, que exprimem os
mais variados "tons" de significado. Os auxiliares ter e haver são empregados na
formação dos chamados tempos compostos, dos quais já falamos
detalhadamente. Ser (estar, em algumas construções) é usado nas locuções
verbais que exprimem a voz passiva analítica do verbo, da qual também já
falamos. Poder e dever são auxiliares que exprimem a potencialidade ou a ne-
cessidade de que determinado processo se realize ou não. Observe:

Pode ocorrer algo surpreendente durante o jogo.
Deve ocorrer algo surpreendente durante o jogo.
Eles podem estudar.
Eles devem estudar.
A esses dois, podemos acrescentar querer, que exprime vontade, desejo:

Quero ver um novo país.
Outros auxiliares largamente usados são: começar a, deixar de, voltar a, continuar
a, pôr-se a; ir, vir e estar; todos ligados à noção de aspecto verbal, que
estudaremos a seguir.


5 ASPECTO VERBAL
Já sabemos que os verbos são capazes de transmitir informações relacionadas
ao modo, ao tempo, ao número, à pessoa e à voz. Uma outra informação que os
verbos conseguem transmitir diz respeito ao aspecto, ou seja, à duração do
processo verbal.
Durante o estudo do valor e do emprego dos tempos verbais, você pôde perceber
as diferenças entre o pretérito perfeito e o pretérito imperfeito do indicativo: o
primeiro indica processos concluídos e localizados num momento ou período do
passado; o segundo, processos verbais cujos limites imprecisos sugerem que
estavam em desenvolvimento. Na verdade, a diferença básica entre esses tempos
é de aspecto, conceito que se liga à duração do processo verbal:
Quando o encontrei, saudei-o.
O aspecto é perfeito, porque o processo está concluído.
Quando o encontrava, saudava-o.
O aspecto é imperfeito, porque o processo não tem limites claros, prolongando-se no
passado por período impreciso de tempo..
Se você voltar às considerações feitas sobre o valor dos tempos verbais, vai notar
que essa informação sobre a duração do processo verbal não é restrita aos
pretéritos perfeito e imperfeito do indicativo, mas também está presente em outros
tempos. O presente do indicativo e o presente do subjuntivo, por exemplo,
apresentam aspecto imperfeito, pois não impõem limites precisos ao processo
verbal:
Tomo banho todos os dias.
Espera-se que ele tome banho todos os dias.
CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
200


Já o pretérito mais-que-perfeito, como o próprio nome indica, apresenta aspecto
perfeito em suas formas do indicativo e do subjuntivo, pois traduz processos já
concluídos e anteriores a outros, também já concluídos:
Quando chegamos lá, encontramos a mensagem que o andarilho deixara
(ou: tinha/havia deixado) uma semana antes.
Se tivesse acordado antes, teria conseguido fazer o exame.

Outra informação aspectual que a oposição entre perfeito e imperfeito pode
fornecer diz respeito à localização do processo no tempo. Os tempos perfeitos
podem ser usados para exprimir processos localizados num ponto preciso do
tempo:
No instante em que o vi, chamei-o.
Tinha-o saudado assim que o vira.
Já os tempos imperfeitos podem indicar processos freqüentes e repetidos:
Sempre que viajava, fazia detalhada revisão no carro.
O aspecto permite a indicação de outros detalhes relacionados com a duração do
processo verbal. Observe as frases a seguir:
Tenho tido dissabores em meu trabalho.
Esse tempo, conhecido como pretérito perfeito composto do indicativo, indica um
processo repetido ou freqüente, que se prolonga até o presente.

Estou trabalhando.
A forma composta pelo auxiliar estar seguido do gerúndio do verbo principal indica um
processo que se prolonga. É largamente empregada na linguagem cotidiana, não só no
presente, mas também em outros tempos (estava trabalhando, estive trabalhando,
estarei trabalhando, etc.). Em Portugal, costuma-se utilizar o infinitivo precedido da
preposição a em lugar do gerúndio (estou a trabalhar).


- nota da ledora: anúncio do repelente de insetos Autan; foto de uma mulher de
bíquine, na praia, e o seguinte texto: - Olha quem eu tô comendo no fim de
semana - disse o borrachudo para o pernilongo. Autan, salve sua pele. - fim da
nota.
Se a garota protegesse melhor o seu corpinho, o borrachudo não teria oportunidade de
empregar o gerúndio.

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
201
Tudo estará resolvido quando ele chegar.
Tudo estaria resolvido quando ele chegasse.
As formas compostas estará resolvido e estaria resolvido, conhecidas como futuro do
presente e futuro do pretérito compostos do indicativo, exprimem processo concluído - é
a idéia do aspecto perfeito que já conhecemos - ao qual se acrescenta a noção de que
os eleitos produzidos permanecem uma vez realizada a ação.

Os animais noturnos terminaram de se recolher mal começou a raiar o dia.
Nas duas locuções destacadas, mais duas noções ligadas ao aspecto verbal: a
indicação do término e do início do processo verbal.

Eles vinham chegando à proporção que nós íamos saindo.
As locuções formadas com os auxiliares vir e ir exprimem processos que se
prolongam.

Ele voltou a trabalhar depois de deixar de sonhar projetos irrealizáveis.
As locuções destacadas exprimem o reinício de um processo interrompido e a
interrupção de outro, respectivamente.

ATIVIDADES

1. Complete as lacunas com uma das formas nominais dos verbos apresentados.
a) () as provas, teriam início as férias. (encerrar)
b) Saiu da sala (). (esbravejar)
c)() os problemas, poderemos descansar. (resolver)
d) Eles vêm () pela estrada principal; por isso, vou-me () pela estrada secundária.
(vir; ir)
e) Haviam () seus nomes nas paredes; agora, teriam de () todas elas. (escrever;
pintar)
f) Trouxe o livro para tu (). (examinar)

2. Explique as noções de aspecto transmitidas pelas formas verbais ou locuções
destacadas nas frases abaixo.
a) Só sairia quando tudo (estivesse terminado).
b) Sempre (dizia) a mesma coisa.
c) (Começou a chover) assim que vocês se (puseram a andar).
d) (Voltei a jogar) há duas semanas, depois de ter ficado seis meses inativo.
e) (Ando tentando mudar) de emprego, mas não (tenho conseguido) nada.
f) (Íamos notando) o adensamento da mata à medida que nos (aproximávamos) da
região da reserva.
g) (Venho) sempre aqui.
h) Não se (têm conseguido) bons resultados no combate à pobreza.

3. Complete as lacunas das frases abaixo com verbos auxiliares. Atente para as
indicações de tempo fornecidas em cada frase para completá-las corretamente.
a)() vir aqui todos os sábados.
b)() fazer ginástica depois de vários meses de ócio.
c)() reclamar da vida quando percebi que aborrecia meus amigos.
d) Mal () amanhecer, os apitos das fábricas () tocar.
e)() feito o possível para realizar meus sonhos e ainda me restam muitos deles.
f) () ser que nada disso seja decisivo para o país, mas ainda assim () ser feito.


CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
202

TEXTO PARA ANÁLISE
Raízes
Rio de Janeiro No momento em que trapalhadas mil ocorrem por aqui, cismei de
me preocupar com os drusos. Não entendo de política internacional, mas acho
estranhas essas minorias que atravessam a história e não encontram um lar, uma
gruta, um chão que possam chamar de seu.
Não é bem o caso dos drusos, mas dos curdos, que estão sendo sacaneados
pelos turcos e, periodicamente, por outros povos. Mas não conheço nenhum
curdo. Quanto aos drusos eu os vi, na fronteira de Israel com o Líbano, no breve
espaço de uma trégua entre duas batalhas.
São homens altos, imponentes, as roupas invariavelmente brancas. Ao contrário
dos beduínos, que vivem amarrados ao deserto que é a pátria e a casa deles, os
drusos dão impressão de hóspedes educados que não querem atrapalhar
ninguém, nem seus hospedeiros nem seus vizinhos.
Houve época em que os drusos, como os curdos, não estavam em lugar nenhum.
Havia sempre uma fronteira separando dois irmãos da mesma raça. Precisavam
de um salvo-conduto para que um pudesse abraçar o outro.
Isso acontece em outros continentes onde há minorias que se recusam à inte-
gração, na secular fidelidade às raízes que se perdem no tempo. Raízes que não
penetram nenhum chão, mas assim mesmo recolhem a seiva que lhes garante a
teimosia e a sobrevivência.
Muitas vezes me sinto como um curdo ou um druso. Em anos mais difíceis, andei
pelo mundo com um papel amarelo que me identificava mais ou menos como
apátrida. Ao atravessar qualquer fronteira era obrigado a exibir o tal papel. Não sei
o que tinham contra ele: bastava mostrá-lo e logo se detonava um ritual
complicado, apareciam guardas com metralhadoras e cães farejadores.
E o meu problema não era falta de raízes.
Faltava-me apenas a capacidade de aderir à maioria que violentava meu gosto e
meu gesto.

(CONY. Carlos Heitor, In Folha de São Paulo, 02 mar I996)



CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
203

TRABALHANDO O TEXTO
1. No trecho "... essas minorias que atravessam a história e não encontram um lar,
uma gruta, um chão que possam chamar de seu" (primeiro parágrafo) são
empregados o presente do indicativo e o presente do subjuntivo. Explique a
diferença de valor que há entre eles.

2. Qual o valor da forma verbal composta (estão sendo sacaneados) (segundo
parágrafo)?

3. ("Houve) época..." / ("Havia) sempre uma fronteira..." (quarto parágrafo). Dê o
nome dos tempos em que estão empregadas as formas verbais e explique a
diferença de valor entre ambas.

4. "Precisavam de um salvo-conduto para que um pudesse abraçar o outro."
(quarto parágrafo)
Fazendo as adaptações necessárias, reescreva a frase, substituindo precisavam
por:
a) precisam;
b) precisaram;
c) precisarão.

5. "Em anos mais difíceis, andei pelo mundo com um papel amarelo, que me
identificava mais ou menos como apátrida." (sexto parágrafo)
Fazendo as adaptações necessárias, reescreva o trecho, substituindo andei por:
a) andarei;
b) só andarei.

6. A partir de "Não sei o que tinham…" (sexto parágrafo), há uma seqüência de
verbos no pretérito imperfeito do indicativo: tinham, bastava, detonava,
apareciam, era, faltava e violentava. Justifique o valor desse tempo no trecho em
questão.

7. No último parágrafo do texto, o autor diz que não adere à vontade da maioria.
Você também se sente violentado em seu gosto e em seu gesto pela ditadura da
maioria? Comente.

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES
1(FUVEST-SP) "Ao trazer a discussão para o campo jurídico, o antigo magistrado
(tentou) amenizar o que (dissera); a rigor, no entanto, suscitou dúvidas cruéis:
que quer dizer "por sua própria força"? (Será) a força física do posseiro, ou essa
mais aquela que a ela se soma pelo emprego de armas?"
Observando no texto as formas verbais destacadas, é correto concluir que:
a) tentou denota evento contemporâneo de dissera.
b) dissera situa o evento em ponto do tempo anterior a (tentou).
c) (será) indica evento imediatamente posterior a (tentou).
d) (soma) situa o evento referido no mesmo ponto do tempo indicado em (será).
e) (dissera) descreve o quadro em que ocorrem os eventos denotados pelas
demais formas.

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
204




2 (FUVEST-SP)
"() O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara .
Pareceu-lhe uma boca banguela.
E eu, menos a conhecera mais a amara?
Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
O que é uma coisa bela?"
(Caetano Veloso, O estrangeiro.)

a) Na linguagem literária, muitas vezes, o mais-que-perfeito do indicativo substitui
outras formas verbais, como no verso: "E eu, menos a conhecera mais a amara?".
Reescreva-o, usando as formas que o mais-que-perfeito substituiu.
b) Tanto (sou) como (é) são formas de presente do indicativo. Apesar disso, a
visão de tempo que elas transmitem não é a mesma em uma e outra. Em que
consiste essa diferença?

3) (FUVEST-SP) "Por onde passava, ficava um fermento de desassossego, os
homens não reconheciam as suas mulheres, que subitamente se punham a olhar
para eles, com pena de que não tivessem desaparecido, para enfim poderem
procurá-los. Mas esses mesmos homens perguntavam, lá se foi, com uma
inexplicável tristeza no coração, e se lhes respondiam, Ainda anda por aí,
tornavam a sair com a esperança de a encontrar naquele bosque, na seara alta,
banhando os pés no rio ou despindo-se atrás dum canavial, tanto fazia, que do
vulto só os olhos gozavam, entre a mão e o fruto há um espigão de ferro,
felizmente ninguém mais teve de morrer."
(José Saramago, Memorial do convento.)

Nesta narrativa, o emprego predominante do imperfeito do indicativo visa a:
a) destacar os elementos descritivos inseridos, trazendo-os para o primeiro plano.
b) apresentar a peregrinação de Blimunda como um fenômeno dinâmico e
continuo.
c) desenhar como pano de fundo os traços de cenário em que decorre a ação.
d) marcar o tom dissertativo, em contraposição ao tom descritivo dos trechos em
que ocorre o perfeito.
e) levar a entender Blimunda como personagem consciente do decorrer do
tempo.
4 (FUVEST-SP)
"Folha - De todos os ditados envolvendo o seu nome, qual o que mais lhe
agrada?
Satã - O diabo ri por último.
Folha - Riu por último.
Satã - Se é por último, o verbo não pode vir no passado."
(O inimigo cósmico. Folha de S. Paulo, 3 set. 1995.)
Rejeitando a correção ao ditado, Satã mostra ter usado o presente do
indicativo com o mesmo valor que tem em:
a) Romário recebe a bola e chuta. Gooool!
b) D. Pedro, indignado, ergue a espada e dá o brado de independência.
c) Todo dia ela faz tudo sempre igual...
d) O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos.
e) Uma manhã destas, Jacinto, apareço no 202 para almoçar contigo.

5) (FUVEST-SP) Considerando a necessidade de correlação entre tempos e
modos verbais, assinale a alternativa em que ela foge às normas da língua escrita
padrão.
a) A redação de um documento (exige) que a pessoa (conheça) uma fraseologia
complexa e arcaizante.
b) Para alguns professores, o ensino de língua portuguesa será sempre melhor,
se (houver) domínio das regras de sintaxe.
c) O ensino de Português (tornou-se) mais dinâmico depois que textos de autores
modernos (foram introduzidos) no currículo.
d) O ensino de Português já (sofrera) profundas modificações, quando se
(organizou) um Simpósio Nacional para discutir o assunto.
e) Não (fora) a coerção exercida pelos defensores do purismo lingüístico, todos
(teremos) liberdade de expressão.

6) (FUVEST-SP) "Eles pediram que a Petrobrás garanta que não haverá inquéritos
administrativos contra os grevistas." (Folha de S. Paulo, 3 jun. 1995.)
a) Redija a frase acima de duas maneiras diferentes, situando o pedido referido
em

CAPíTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
205


duas perspectivas diversas, conforme o início dado:
I. Eles haviam pedido que a Petrobrás...
II. Se eles tivessem pedido, a Petrobrás...
b) Cada nova frase irá permitir uma interpretação diferente, em relação à atitude
dos que pedem e à atitude da Petrobrás. Exponha as interpretações, indicando o
mecanismo gramatical que leva a cada uma delas.


7) (UNICAMP-SP) Publicadas à exata distância de um século pelo jornal O Estado
de S. Paulo, as duas notícias transcritas a seguir têm em comum o fato de se
referirem a catástrofes provocadas pelo mau tempo. No momento de sua
publicação, as duas notícias se referiam a acontecimentos recentes, mas os
recursos gramaticais empregados para expressar passado recente diferem de
uma notícia para a outra.
29/11/1895: Constantinopla - Tem havido no Mar Negro grande tempestade, naufra-
gando grande número de embarcações. Até agora o mar tem arrojado à praia mais
de 80 cadáveres, que estão sendo recolhidos.
(Há um século. O Estado de S. Paulo.)
29/11/1995: Campinas- Um tornado com ventos de 180 quilômetros por hora
destruiu anteontem a cobertura do ginásio multidisciplinar da Universidade
Estadual de Campinas(...)
O Tornado rompeu presilhas de aço de uma polegada de espessura. Ele levantou
e retorceu a estrutura do telhado, também de aço, de 100 metros de extensão e
200 toneladas. (...) Dez árvores foram arrancadas com a raiz e os ventos
arremessaram longe vidros da Biblioteca Central.
(Tornado provoca destruição na Unicamp. O Estado de S. Paulo.)
a) Transcreva, das duas notícias, as expressões que situam os fatos relatados no
passado.
b) Como seria redigida, hoje, a primeira notícia?
c) Redija uma continuação para uma notícia escrita hoje, que começasse por
"Tem havido no Mar Negro
8 (CEFET-PR) "Sê propícia para mim,
socorre quem te (adorara),
se adorar (pudera)."
(Alphonsus de Guimarãens)
As formas verbais acima destacadas correspondem a:
a) adorará, podia.
b) adorasse, puder.
c) adorava, poderá.
d) adoraria, pudesse.
e) adorar, puder.

9 (FUVEST-SP) "Se eu (convencesse) Madalena de que ela não tem razão... Se lhe
explicasse que (é) necessário vivermos em paz... Não me (entende). Não nos
entendemos. O que vai acontecer (será) muito diferente do que (esperamos)."
No trecho acima, a personagem reflete sobre fatos presentes. Se ela os colocasse
no passado, como ficariam os verbos destacados?
a) tivesse convencido - foi - entendeu - seria - esperaríamos
b) convencesse - seria - entendia - será - esperássemos
c) convencesse - era - entenderia - seria - esperávamos
d) convencia - era - entendia - seria - esperávamos
e) tivesse convencido - era - entendia - seria - esperávamos

10 (FUVEST-SP) "(Ficam) desde já excluídos os sonhadores, os que (amem) o
mistério e (procurem) justamente esta ocasião de comprar um bilhete na loteria da
vida."
Se a primeira frase fosse volitiva, e o segundo e terceiro verbos destacados
conotassem ação no plano da realidade, teríamos, respectivamente, as seguintes
formas verbais:
a) fiquem, amassem, procurassem.
b) ficavam, tenham amado, tenham procurado.
c) ficariam, amariam, procurariam.
d) fiquem, amam, procuram.
e) ficariam, tivessem amado, tivessem procurado.


CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
206

11 (FUVEST-SP) "... e a flor de milho não será a mais linda."
a) Explique o valor do futuro do presente nessa frase. Reescreva-a substituindo a
forma verbal por uma expressão equivalente.
b) Lembre dois outros empregos do futuro do presente. Dê exemplos e esclareça
o valor de cada um deles.

12 (UFGO) No modo indicativo há três tempos simples que indicam passado: o
pretérito perfeito, o pretérito imperfeito e o pretérito mais-que-perfeito.
Redija uma frase para cada um desses tempos verbais do pretérito, explicando
seu emprego.

13 (UNIMEP-SP) Assinale a alternativa em que a oração destacada indica que um
fato é anterior a outro em relação ao momento em que o emissor fala.
a) Assim que tomar banho, (vou-me deitar).
b) Caso você o encontre, (dê-lhe minhas lembranças).
c) Quando cheguei, (todos já haviam saído).
d) Se você quiser, (irei ao seu escritório).
e) Enquanto trabalhava, (cantava).

14 (VUNESP) Alternativa cuja forma verbal destacada exprime futuridade com
relação ao tempo passado em que se situam as ações narradas:
a) "() contemplou o lugar onde tantas vezes se (aprestara) para os seus breves tri-
unfos no trapézio."
b) "a despedida iminente, só ele (sentia)."
c) "Em algum ponto do corpo ou da alma, doía-lhe (ver) o lugar do qual se
despedia ()"
d) "No dia seguinte, (desarmariam) o Circo..."
e) "() os que lá se encontravam tinham respondido friamente à saudação dele,
como se (fizessem) um favor."

15 (UFMG) Em todas as alternativas, a lacuna pode ser preenchida com o verbo
indicado entre parênteses, no subjuntivo, exceto em:
a) Olhou para o cão, enquanto esperava que lhe () a porta. (abrir)
b) Por que foi que aquela criatura não () com franqueza? (proceder)
c) É preciso que uma pessoa se () para encurtar a despesa. (trancar)
d) Deixa de luxo, minha filha, será o que Deus () (querer)
e) Se isso me () possível, procuraria a roupa. (ser)

16 (E. C. Chagas-SP) Mesmo que você lhe () um acordo amigável, ele não ()
a) proponha, aceitará
b) propor, aceitava
c) proporia, aceitaria
d) proporá, aceitará
e) propôs, aceitava

17 (FUEL-PR) Pode ser que eu () levar as provas, se você () tudo para que eu ()
onde estão.
a) consiga, fará, descobriria
b) consiga, fizer, descubra
c) consigo, fizer, descobrir
d) consigo, fizer, descubro
e) consigo, fará, descobrirei

18 (CESGRAN RIO-RJ) Não há a devida correlação temporal das formas verbais
em:
a) Seria conveniente que o leitor ficasse sem saber quem era Miss Dollar.
b) É conveniente que o leitor ficaria sem saber quem é Miss Dollar.
c) Era conveniente que o leitor ficasse sem saber quem foi Miss Dollar.
d) Será conveniente que o leitor fique sem saber quem é Miss Dollar.
e) Foi conveniente que o leitor ficasse sem saber quem era Miss Dollar.

19 (IMES-SP) Tempo verbal que expressa um fato anterior a outro acontecimento
que também é passado:
a) pretérito imperfeito do indicativo
b) pretérito imperfeito do subjuntivo
c) pretérito perfeito do indicativo
d) pretérito mais-que-períeito do indicativo
e) futuro do pretérito do indicativo

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
207

20 (CESGRANRIO-RJ) Assinale a opção em que a forma verbal não tem valor
imperativo.
a) Lança teu grito ao vento da procela.
b) Bandeira - talvez rasgue-te a metralha.
c) Ergue-te ó luz! estrela para o povo.
d) Traze a bênção de Deus ao cativeiro.
e) Levanta a Deus do cativeiro o grito!

21 (F. C. Chagas-SP) É possível que () novidades interessantes, que () e () ao
mesmo tempo.
a) surjam, divertem, instruam
b) surjam, divirtam, instruam
c) surjam, divirtam, instruem
d) surgem, divertem, instruem
e) surgem, divirtam, instruem

22 (FEI-SP) Com relação à frase: "Todos perceberam que João Fanhoso dera
rebate falso.", responda:
a) em que tempo está a forma verbal (dera)?
b) como se justifica o seu emprego?

23 (CESGRANRIO-RJ) Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da
seguinte frase: "Quando () mais aperfeiçoado, o computador certamente () um
eficiente meio de controle de toda a vida social."
a) estivesse, será
b) estiver, seria
c) esteja, era
d) estivesse, era
e) estiver, será

24 (FCMSCSP) Se eu conseguir () as pessoas no lugar assim que elas (), tudo
estará em ordem.
a) manter, chegarão
b) manter, cheguem
c) mantiver, chegarem
d) manter, chegariam
e) mantiver, chegam

25 (FCMSCSP) Não () preguiçoso: () os livros nessa mesa e () logo recomeçar o
trabalho.
a) sê, ponha, vem
b) sê, põe, venha
c) sejas, põe, vem
d) sejas, ponha, venha
e) seja, põe, vens

26 (PUCC-SP) Preencha as lacunas com os verbos vir, ver (futuro do subjuntivo) e
entregar (futuro do indicativo).
a) Se eu () e () Mário, () o livro a ele.
b) Se tu () e () Mário, () o livro a ele.
c) Se ele () e () Mário, () o livro a ele.
d) Se nós () e () Mário, () o livro a ele.
e) Se vós () e () Mário, () o livro a ele.
f) Se eles () e () Mário, () o livro a ele.

27 (UFMG) Qual o valor do futuro do pretérito na frase seguinte: "Quando
chegamos ao colégio, em 1916, a cidade teria apenas cinqüenta mil habitantes."?
(Contos de aprendiz, p. 23.)
a) fato futuro, anterior a outro futuro
b) fato futuro, relacionado com o passado
c) suposição, relativamente a um momento do futuro
d) suposição, relativamente a um momento do passado
e) configuração de um fato já passado

28 (MAPOFEI-SP)
1. Empregar o verbo da subordinada de conformidade com as exigências da prin-
cipal, nas frases que seguem:
a) Duvido que eles (vir) hoje; afirmo-te, porém, que eles (vir) amanhã.
b) Saí, conquanto eu (estar) doente.
c) Ela se alegrará quando (ver) as cores de novo.
d) Caso (estar) lá amanhã, e (poder) vê-lo, chama-o.
II. Pôr os verbos seguintes no presente do subjuntivo começando as frases com
as palavras "É preciso que nós":
a) nascer
b) ver
c) divertir-se
d) cantar
e) querer
f) dormir
g) instruir-se
h) saber
i) crer

CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
208
j) descer
l) envelhecer
m) morrer


29 (UM-SP) Que alternativa contém as palavras adequadas para o preenchimento
das lacunas?

Ao lugar de onde eles (), () diversas romarias.
a) provém, afluem
b) provêm, aflue
c) provêm, aflui
d) provêem, afluem
e) provêm, afluem

30 (AMAN-RJ) Há uma frase com incorreção de flexão verbal. Assinale-a.
a) É preciso que nos penteamos bem para a cerimônia.
b) Convém que vades ver vosso pai doente.
c) Ele freou o carro bem perto da criança que corria.
d) Desavieram-se os dois amigos, ante a vitória do Corinthians.
e) Todas as frases acima estão incorretas.

31 (ITA-SP) Assinale o caso em que o verbo estiver empregado corretamente:
a) Se você não requiser a tempo, perderá a inscrição.
b) Circundemos todo o quarteirão e não o encontramos.
c) São soluções por que todos ansiam.
d) Ainda que me tivesse abstido de ir, de que adiantaria?
e) Atenhai-vos ao que vos for pedido.

32 (ITA-SP) Assinale o caso em que o verbo destacado estiver correto:
a) Eu me precavo deve ser substituído por eu me (precavejo).
b) Eu me (precavenho) contra os dias de chuva.
c) Eu (reavi) o que perdera há dois anos.
d) Problemas graves me reteram no escritório.
e) Nenhuma das frases é correta.

33 (ITA-SP) Assinale o caso em que o verbo estiver empregado corretamente:
a) Foram eles que não susteram o peso; faltou-lhes equilíbrio.
b) Quando o ver, avise-me, por obséquio.
c) Se você não prover, quem proverá?
d) Quando advir o que previ, dar-me-ás razão.
e) Ainda que provejeis agora, será bastante tarde.

34(FUVEST-SP) Escreva na folha de respostas as formas dos verbos
indicados que preencham corretamente as lacunas:
a) Quando eu () os livros, nunca mais os emprestarei. (reaver)
b) Os alienados sempre () neutros. (manter-se)
c) As provas que () mais erros seriam comentadas. (conter)
d) Quando ele () uma canção de paz, poderá descansar. (compor)

35 (F. C. Chagas-SP) Se você vem para apoiá-lo, não () por outra razão; já que ele
() no caso, os amigos não se ().
a) viemos, interveio, desaviram
b) vimos, interveio, desavieram
c) vimos, interviu, desavieram
d) viemos, interviu, desouveram
e) viemos, interveiu, desouveram

36 (F. C. Chagas-SP) Os sentimentos altruístas () e () a aperfeiçoar-se, à medida
que o homem se () tornando um ser social.
a) nasceram, continuarão, foi
b) nasceram, continuaram, for
c) nascem, continuam, vai
d) nascem, continuam, foi
e) nasceram, continuam, ia

37(F. C. Chagas) Se eu () isso, se () os meus direitos, não () que me desafiem nova-
mente.
a) quiser, requerer, consentirei
b) querer, requerer, consentirei
c) quizer, requerer, consentirei
d) quiser, requerer, consentirei
e) quiser, requiser, consentirei


CAPÍTULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
209

38 (E. C. Chagas-SP) Ainda que () e nossas opiniões (), não é justo que se () daí
termos agido de má-fé.
a) dissentimos, divirjam, infere
b) dissentimos, divergem, infere
c) dissintamos, divergem, infira
d) dissintamos, divirjam, infira
e) dissintamos, divirjam, infere

39 (E. C. Chagas-SP) Se () o material necessário, anotaremos tudo o que vocês ()
no dia em que nos () novamente.
a) obtivermos, propuzerem, veremos
b) obtivéssemos, proporem, virmos
c) obtermos, propuserem, vermos
d) obtivermos, propuserem, virmos
e) obtermos, proporem, virmos

40 (E. C. Chagas-SP) () tranqüilo se esta pasta () todos os documentos.
a) ficaria, continha
b) ficaria, contivesse
c) ficava, continha
d) ficaria, contesse
e) ficaria, conter


CAPITULO 8
ESTUDO DOS VERBOS (3)
210

*********

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
211


- nota da ledora: anúncio do dicionário visual do Jornal da Tarde, com o seguinte texto:
- Este treco serve pra você nunca mais esquecer o nome daquele coiso. - fim da nota.


Conhecer bem os substantivos constitui tarefa crucial para quem deseja se
expressar com precisão na norma culta. Caso contrário, corre-se o risco de apelar
para "substantivos" como "trecos" e "coisos".


1 CONCEITO
Substantivo é a palavra que nomeia os seres. O conceito de seres deve incluir os
nomes de pessoas, de lugares, de instituições, de grupos, de indivíduos e de
entes de natureza espiritual ou mitológica:
mulher sociedade vegetação alma
Maria senado paineira anjo
Brasil cidade cavalo sereia
Teresina comunidade cidadão saci

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
211

Além disso devem incluir nomes de ações, estados, qualidades, sensações,
sentimentos:

acontecimento, honestidade, amor, correria, miséria, liberdade, encontro, integridade, cidadania, etc.

2 CLASSIFICAÇÃO
Quanto à sua formação, os substantivos são classificados em simples e
compostos, primitivos ou derivados. Quanto ao seu significado e abrangência,
em concretos e abstratos, comuns e próprios.

SUBSTANTIVOS SIMPLES E COMPOSTOS

Os substantivos simples apresentam um único radical em sua estrutura: chuva, livro, livreiro, guarda,
flor, desenvolvimento
SUBSTANTIVOS PRIMITIVOS E DERIVADOS
Os substantivos que não provêm de qualquer outra palavra da língua são
chamados de primitivos: árvore, folha, flor, carta, dente, pedra.

Os substantivos formados a partir de outras palavras da língua pelo processo de derivação são
chamados de derivados:
arvoredo, folhagem, florista, florada, carteiro, dentista, pedreiro, cartada.

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
212
SUBSTANTIVOS CONCRETOS E ABSTRATOS

Os substantivos que dão nome a seres de existência independente, reais ou
imaginários, são chamados concretos. São exemplos de substantivos concretos:
armário cidade formiga
sereia abacateiro Deus
homem vento Brasil

Note que são considerados concretos os substantivos que nomeiam divindades
ou seres fantásticos, pois, existentes ou não, são tomados sempre como seres
dotados de vida própria.

Os substantivos que dão nome a estados, qualidades, sentimentos ou ações são
chamados abstratos. São exemplos de substantivos abstratos:
tristeza amor maturidade
atenção clareza brancura
beijo ética abraço
honestidade conquista paixão
Em todos esses casos, nomeiam-se conceitos cuja existência depende sempre de
um ser para manifestar-se: é necessário alguém ser ou estar triste para a tristeza
manifestar-se; é necessário alguém beijar ou abraçar para que ocorra um beijo ou
um abraço.
- nota da ledora: foto de mulher escovando os dentes ( purificação) e foto de uma
mulher ( cartaz de teatro, da peça - o suplício) com instrumento de tortura
medieval, cravado no olho. - fim da nota.
Purificação e suplício são exemplos de substantivos abstratos: para que haja punição
ou suplício, é necessário que alguém se purifique ou se suplicie.

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
213

SUBSTANTIVOS COMUNS E PRÓPRIOS
Os substantivos que designam todo e qualquer indivíduo de uma espécie de
seres são chamados comuns. É o caso de substantivos como:
homem montanha professor
mulher planeta país
rio animal estrela

Aqueles que designam um indivíduo particular de uma determinada espécie são
chamados próprios:
José Coimbra Angola
Ana Marte Gibraltar
Araguaia Simão Brasil

Substantivos coletivos
Há um tipo de substantivo comum que nomeia conjuntos de seres de uma mesma
espécie: é o chamado substantivo coletivo. Colocamos a seguir uma relação dos
principais coletivos da língua portuguesa; lendo-a atentamente, você vai perceber
que muitos deles são de uso bastante comum e facilitam a construção de frases
mais concisas e precisas.

COLETIVOS QUE INDICAM GRUPOS DE PESSOAS
Coletivo
assembléia - pessoas reunidas
banca - examinadores
banda - músicos
bando - desordeiros ou malfeitores
batalhão - soldados
camarilha - bajuladores
cambada - desordeiros ou malfeitores
caravana - viajantes ou peregrinos
caterva - desordeiros ou malfeitores
choldra - assassinos ou malfeitores
chusma - pessoas em geral
claque - pessoas pagas para aplaudir
clero - religiosos
colônia - imigrantes
comitiva - acompanhantes
corja - ladrões ou malfeitores
coro - cantores
corpo - eleitores, alunos, jurados
elenco - atores de uma peça ou filme


CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
214


COLETIVOS QUE INDICAM GRUPOS DE PESSOAS

falange - tropas, anjos, heróis
horda - bandidos, invasores
junta - médicos, examinadores, credores
júri - jurados
legião - soldados, anjos, demônios
leva - presos, recrutas
malta - malfeitores ou desordeiros
multidão - pessoas em geral
orquestra - músicos
pelotão - soldados
platéia - espectadores
plêiade - poetas ou artistas
plantel - atletas, bovinos ou eqüinos selecionados
prole - filhos
quadrilha - ladrões ou malfeitores
roda - pessoas em geral
ronda - policiais em patrulha
súcia - desordeiros ou malfeitores
tertúlia - amigos, intelectuais
tripulação - aeroviários ou marinheiros
tropa - soldados, pessoas
turma - estudantes, trabalhadores, pessoas em geral

COLETIVOS QUE INDICAM CONJUNTOS DE ANIMAIS OU VEGETAIS

alcatéia - lobos
buquê - flores
cacho - frutas
cáfila - camelos
cardume - peixes
colmeia ou colméia - abelhas
colônia - bactérias, formigas, cupins
enxame - abelhas, vespas, marimbondos
fato - cabras
fauna - animais de uma região
feixe - lenha, capim
flora - vegetais de uma região
junta - bois
manada - animais de grande porte
matilha - cães de caça

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
215


COLETIVOS QUE INDICAM CONJUNTOS DE ANIMAIS OU VEGETAIS
molho - verduras
ninhada - filhotes de aves
nuvem - insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.)
panapaná - borboletas
plantel - animais de raça
ramalhete - flores
rebanho - gado em geral
récua - animais de carga
réstia - alhos ou cebolas
revoada - pássaros
tropa - animais de carga
vara - porcos

COLETIVOS QUE INDICAM OUTROS TIPOS DE CONJUNTOS

acervo - obras artísticas
antologia - trechos literários selecionados
armada - navios de guerra
arquipélago - ilhas
arsenal - armas e munições
atlas - mapas
baixela - objetos de mesa
bateria - peças de guerra ou de cozinha, instrumentos de percussão
biblioteca - livros catalogados
cancioneiro - poemas, canções
cinemateca - filmes
constelação - estrelas
enxoval - roupas
esquadra - navios de guerra
esquadrilha - aviões
frota - navios, aviões ou veículos em geral (ônibus, táxis, caminhões etc.)
girândola - fogos de artifício
hemeroteca - jornais e revistas arquivados
molho - chaves
pinacoteca - quadros
trouxa - roupas
vocabulário - palavras

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
216
ATIVIDADES

1. Reescreva cada uma das frases abaixo, substituindo a palavra destacada por
Um substantivo abstrato e fazendo todas as transformações necessárias.
a) Era um sujeito tão (altivo) que nos indignava.
b) Seu olhar é tão (triste) que ficamos tentados a ajudá-lo.
c) Seu caráter era tão (rijo) que impressionava até mesmo seus adversários.
d) Todos sentem que seu coração é (nobre).
e) É um material tão (rígido) que suporta os maiores esforços.

2. Este exercício é semelhante ao anterior.
a) Todos conhecem seu comportamento (honesto).
b) É fundamental que todos sejam (participativos) e (fiscalizadores).
c) Sua prática (questionadora) desagradava aos mais conservadores.
d) O ambiente era tão (claro) que turvava a vista dos presentes.
e) Seus artigos sempre foram tão (claros) que qualquer um os podia entender.
f) Seu comportamento (inquieto) preocupava os mais conservadores.

3. Nas frases seguintes, substitua as expressões destacadas por substantivos
coletivos.
a) O (grupo de jogadores) do clube não é dos melhores.
b) O (grupo de condôminos reunidos) decidiu cortar despesas.
c) Devemos proteger o (conjunto de animais) e o (conjunto de vegetais) desta
região.
d) A empresa aérea prometeu renovar seu (conjunto de aeronaves).
e) Formou-se um grupo de (médicos experientes) para estudar o caso.
f) (O conjunto dos jurados) condenou-o por crime de corrupção.
g) Um (grupo de músicos) alegrou a festa.
h) Aonde quer que fosse, o ministro era acompanhado por um (grupo de
bajuladores).
i) As palmas que se ouviam provinham de um (grupo de pessoas pagas para
aplaudir).
j) Aonde quer que fosse, o ministro era acompanhado por um (grupo de acompa-
nhantes e auxiliares).
l) O (grupo de atores) da peça é dos melhores.
m) Naquela fotografia, ele aparece rodeado de um numeroso (grupo de filhos e
filhas).
n) A biblioteca teve seu (conjunto de obras literárias) ampliado recentemente.
Também foi finalmente instalado um (arquivo de jornais e revistas).
o) Comprei uma (seleção de poemas e crônicas) de Carlos Drummond de
Andrade.

4. Construa frases com os seguintes coletivos:
bando, cambada, caterva, choldra, chusma, corja, malta, multidão, quadrilha,
súcia, turma. Quais desses coletivos têm valor pejorativo?

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
217

3 FLEXÕES

FLEXÕES DE GÊNERO
Os substantivos em português podem pertencer ao gênero masculino ou ao
gênero feminino. São masculinos os substantivos a que se pode antepor o artigo
o:
o homem o gato o dia
o menino o mar o pó

São femininos os substantivos a que se pode antepor o artigo a:
a mulher a gata a semana
a menina a terra a mesa

O uso das palavras masculino e feminino costuma provocar confusão entre a
categoria gramatical de gênero e a característica biológica dos sexos. Para evitar
essa confusão, observe que definimos gênero como um fato ligado à
concordância das palavras em seu relacionamento lingüístico: pó, por exemplo, é
um substantivo masculino pela concordância que estabelece com o artigo o, e
não porque se possa pensar num possível comportamento sexual das partículas
de poeira. Só faz sentido relacionar o gênero ao sexo quando se trata de palavras
que designam pessoas e animais, como, por exemplo, os pares
professor/professora ou gato/gata. Ainda assim, essa relação não é obrigatória,
pois há palavras que, mesmo pertencendo exclusivamente a um único gênero,
podem indicar seres do sexo masculino ou feminino. E o caso de criança, palavra
do gênero feminino que pode designar seres dos dois sexos.


FORMAÇÃO DO FEMININO

Substantivos biformes
Os substantivos que designam seres humanos ou animais podem apresentar
uma forma para o masculino e outra para o feminino; são, por isso, considerados
substantivos biformes.
Essas duas formas podem apresentar um mesmo radical ou radicais diferentes;
no primeiro caso, a formação do feminino está ligada principalmente à terminação
da forma masculina:
A maior parte dos substantivos terminados em -o átono forma o feminino pela
substituição desse -o por -a:
menino/menina
terminação -o átono
gato/gata
pombo/pomba


CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
218

Destaquem-se os pares galo/galinha e maestro/maestrina,
- nota da ledora: tira de quadrinhos com uma galinha e um galo conversando: a
galinha pergunta ao galo: nossa, Eulália, é você? Responde o galo: chegando
do Marrocos, Edna!, insiste a galinha: - e como foi a sua operação de troca de
sexo? o galo, orgulhoso, responde: - Ah! Foi um sucesso!! , de repente o galo diz
ops!, olha pra trás espantado e verifica que acabou de colocar um ovo. - fim da
nota.

A excentricidade gramatical do par galo/galinha é a formação do feminino, diferente de
gato/gata, por exemplo. Detalhe: há erro em "do Marrocos" O certo é "de Marrocos".

A maior parte dos substantivos terminados em consoante forma o feminino pelo
acréscimo da desinência -a:
freguês/freguesa
camponês/camponesa
terminação em consoante
remador/remadora
professor/professora
deus/deusa
juiz/juíza


Destaquem-se os pares ator/atriz, czar/czarina e imperador/imperatriz; para
embaixador, existem as formas embaixatriz (esposa do embaixador) e
embaixadora (mulher que ocupa o cargo).

A maior parte dos substantivos terminados em -ão forma o feminino pela
substituição de -ão por -ã ou -oa:

cidadão/cidadã
órfão/órfã
terminação -ão
anfitrião/anfitriã
leão/leoa
patrão/patroa
leitão/leitoa

Nos aumentativos, a substituição é por -ona:
sabichão/sabichona
valentão/valentona
Destaquem-se os pares sultão/sultana; cão/cadela; ladrão/ladra; perdigão/perdiz;
barão/baronesa.

Alguns substantivos ligados a títulos de nobreza, ocupações ou dignidades for-
mam femininos em -esa, -essa, -isa:
abade/abadessa
conde/condessa
visconde/viscondessa
cônsul/consulesa
duque/duquesa
barão/baronesa
poeta/poetisa
profeta/profetisa
sacerdote/sacerdotisa

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
219


Alguns substantivos terminados em -e formam o feminino Com a substituição
desse -e por -a:
terminação -e
mestre/mestra
elefante/elefanta
infante/infanta
monge/monja
parente/parenta


Alguns substantivos apresentam formações irregulares para o feminino:
feminino irregular
avô/avó
silfo/sílfide
réu/ré
herói/heroína
rei/rainha
marajá/marani

Entre os substantivos biformes cujas formas masculinas e femininas apresentam
radicais diferentes, merecem destaque os seguintes pares:
relativos a seres humanos:
radicais diferentes para as formas masculinas e femininas
cavaleiro/amazona
frei/sóror ou soror
padrasto/madrasta
cavalheiro/dama
genro/nora
padrinho/madrinha
compadre/comadre
homem/mulher
pai/mãe
frade/freira
marido/mulher

e relativos a animais:
boi, touro/vaca
carneiro/ovelha
zangão ou zângão/abelha
bode/cabra
cavalo/égua

Substantivos comuns-de-dois ou comuns de dois gêneros
Há substantivos que apresentam uma única forma para os dois gêneros; são, por
isso, chamados de uniformes. Nesses casos, a distinção entre a forma masculina
e a feminina é feita pela concordância com um artigo ou outro determinante: o
agente/a agente; aquele jornalista/aquela jornalista. Esses substantivos são
tradicionalmente conhecidos como comuns-de-dois ou comuns de dois gêneros.
Eis alguns exemplos:
o/a agente
o/a dentista
o/a intérprete
o/a artista
o/a estudante
o/a jornalista
o/a camarada
o/a gerente
o/a mártir
o/a colega
o/a imigrante
o/a pianista
o/a cliente
o/a indígena
o/a suicida

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
220


Substantivos sobrecomuns e epicenos
Há ainda substantivos que designam seres humanos, animais ou vegetais e que
são sempre do mesmo gênero, quer se refiram a seres do sexo masculino, quer
se refiram a seres do sexo feminino. Os substantivos de um único gênero que se
referem a seres humanos são tradicionalmente conhecidos como sobrecomuns.
Eis alguns exemplos:
o cônjuge a testemunha o indivíduo
a criança a criatura a vítima
Os substantivos de um único gênero que designam animais e algumas plantas
são tradicionalmente conhecidos como epicenos. Eis alguns exemplos:
a águia a cobra o jacaré
a baleia o besouro a palmeira
a borboleta o crocodilo o mamoeiro

O gênero dos substantivos sobrecomuns e epicenos é sempre o mesmo; o que
pode variar é o sexo do ser a que se referem. Quando se quer especificar esse
sexo, constroem-se expressões como "criança do sexo masculino"; "um
mamoeiro macho", "um mamoeiro fêmea"; "um macho de jacaré", "uma fêmea de
jacaré". As palavras macho e fêmea podem concordar em gênero com o
substantivo a que se referem: "onça macho" ou "onça macha", "tigre fêmea" ou
tigre fêmeo".

- nota da ledora: cartaz da campanha da LBV-Rio 92 ( em referência a Eco-92 -
campanha de preservação do meio ambiente), com a foto de um menino de rua,
dormindo na calçada, e a seguinte legenda: Gente também é bicho. Preserve a
criança brasileira. - fim da nota.
No noticiário ou nas campanhas institucionais, criança é um dos exemplos mais
freqüentes de substantivo sobrecomum.

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
221




Substantivos de gênero vacilante
Há muitos substantivos cujo emprego, mesmo na língua culta, apresenta
oscilação de gênero. Em alguns casos, pode-se recomendar a adoção de um dos
dois gêneros; em outros, consideram-se aceitáveis ambos os usos.
Apresentamos a seguir os principais casos:
gênero masculino:
o aneurisma o clã o eczema o matiz
o apêndice o dó o guaraná o plasma
o champanha o eclipse o magma o tracoma

gênero feminino
a agravante a couve a comichão a entorse
a aguardente a couve-flor a derme a gênese
a alface a cal a dinamite a omoplata
a bacanal a cataplasma a ênfase a sentinela

usados em ambos os gêneros
o/a aluvião o/a caudal o/a personagem o/a tapa
o/a amálgama o/a sabiá o/a suéter o/a usucapião

Gênero e mudança de significado
Há substantivos cuja mudança de gênero acarreta mudança de significado. Observe a
seguir os principais casos:

o cabeça: chefe, líder
a cabeça: parte do corpo ou de um objeto, pessoa muito inteligente
o capital: conjunto de bens
a capital: cidade onde se localiza a sede do Poder Executivo
o crisma: óleo usado num dos sacramentos religiosos
a crisma: cerimônia religiosa
o cura: sacerdote
a cura: ato ou efeito de curar
o língua: intérprete
a língua: músculo do aparelho digestivo; idioma
o moral: ânimo, brio
a moral: conjunto de valores e regras de comportamento

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
222


Em alguns casos, o que ocorre não é flexão de gênero, e sim homonímia: trata-se
de palavras iguais na forma, mas de origem, gênero e significado diferentes. As
principais são:

o cisma: separação, dissidência
a cisma: preocupação, suspeita
o grama unidade de massa
a grama relva, planta rasteira
o lente: professor
a lente: instrumento óptico

ATIVIDADES




1. complete as frases de acordo com o modelo proposto.
A polícia buscava um (homem) e acabou encontrando (uma mulher).

a) Queria um compadre e acabou encontrando ()
b) Queriam contratar um cavaleiro e acabaram contratando ()
c) Não gostava do genro, mas adorava ()
d) Não só não caçou marajás, como acabou criando ()
e) Esperavam absolver o réu e acabaram condenando ().
f) Aguardava carta de um parente e acabou recebendo a de ().
g) Não aceitaram o novo cônsul; faziam questão de que fosse ()
h) Não encontrou o anfitrião; agradeceu, então, ()
1) Meu filho será um cidadão consciente; minha filha será ()
j) Os músicos não aceitaram o novo maestro: queriam o retorno ()
l) Aguardávamos a chegada do novo embaixador quando fomos surpreendidos
pela notícia de que era ()
m) Cada rapaz da turma é um valentão; cada moça, ()
n) Cada rapaz da turma é um cavalheiro; cada moça, ()
2. Complete as frases abaixo de acordo com o modelo proposto.

Ele não consegue distinguir Um (gato) de uma (gata).

a) Ele não consegue distinguir um boi de ().
b) Ele não sabe distinguir um carneiro de ().
c) Ele não pode distinguir um bode de ().
d) Ele não é capaz de distinguir um cão de () .
e) Ele não tem capacidade para distinguir um elefante de () .
f) Ele é incapaz de distinguir um leitão de ().
g) Ele não distingue um pavão de ().
h) Ele não saberia distinguir um perdigão de ()

3. Complete as lacunas das frases abaixo de forma a estabelecer a concordância
de gênero.
a) Senti muit() dó quando vi () couves e () alfaces que o granizo destruíra.
b) Abriu () champanha que comprara na véspera. Depois, proferiu um discurso
em que cada palavra era dita com muit() ênfase. Todos os membros d() clã o
aplaudiram.
c) Sua saúde era muito problemática: superad() () eczema, surgiu-lhe () tracoma.
Depois, sofreu () entorse, quebrou () omoplata, extraiu () apêndice. Morreu
quando lhe estourou () aneurisma.
d) Foi condenado com () agravante: vendeu aguardente falsificad() anos a fio.

CAPíTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
223


e) O pênalti foi marcado e a bola, colocada na marca d() cal.
f) () guaraná vendid() nas farmácias é considerad() um estimulante.

4. Estabeleça a concordância de gênero nas frases abaixo.
a) () cabeça da rebelião foi decapitad(). () cabeça foi expost() em praça pública.
b) Tod() () capital da empresa está aplicad() em bancos d() capital do país.
c) () cura confessou-se incapaz de proporcionar remédios para () cura dos pa-
cientes.
d) () moral dos jogadores era pequen().
e) Quem sabe consigamos construir () moral mais voltad() para a eliminação das
desigualdades sociais?
f) Quant() gramas de ouro teriam sido espalhados pel() grama?

FLEXÃO DE NÚMERO
Os substantivos flexionam-se também em número: podem assumir a forma do
singular (referem-se a um único ser ou a um único conjunto de seres) ou do plural
(referem-se a mais de um ser ou conjunto de seres).

Formação do Plural
Substantivos simples
Acrescenta-se a desinência -s aos substantivos terminados em vogal, ditongo
oral ou ditongo nasal -ãe:
terminação em vogal, ditongo oral ou ditongo nasal -ãe

casa/casas peru/perus pai/pais
dente/dentes sofá/sofás lei/leis saci/sacis ipê/ipês
herói/heróis cipó/cipós maçã/maçãs mãe/mães


Destaquem-se as formas avôs (o avô materno e o paterno) e avós (casal formado
por avô e avó, ou plural de avó; também indica os antepassados de um modo
geral).

A maioria dos substantivos terminados em -ão forma o plural substituindo essa
terminação por -ões (incluem-se nesse grupo os aumentativos):
terminação -ão

balão/balões eleição/eleições figurão/figurões
botão/botões leão/leões sabichão/sabichões
coração/corações opinião/opiniões vozeirão/vozeirões

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS

224

Os paroxítonos terminados em -ão e alguns poucos oxítonos e monossílabos
formam o plural pelo simples acréscimo de -s:
sótão/sótãos cidadão/cidadãos chão/chãos
bênção/bênçãos cristão/cristãos grão/grãos
órfão/órfãos irmão/irmãos vão/vãos
órgão/órgãos mão/mãos

Alguns substantivos terminados em -ão formam o plural substituindo essa
terminação por -ães:
alemão/alemães capitão/capitães pão/pães
cão/cães charlatão/charlatâes sacristão/sacristães
capelão/capelães escrivão/escrivães tabelião/tabeliães


Em alguns casos, há mais do que uma forma aceitável para esses plurais; a
tendência da língua portuguesa atual do Brasil é utilizar a forma de plural em -ões:

ancião anciões, anciães, anciãos guardião - guardiões, guardiães ermitão -
ermitões, ermitães, ermitãos
verão - verões, verãos anão - anões, anãos vilão - vilões, vi/ãos
Acrescenta-se a desinência -s aos substantivos terminados em -m. Essa letra é
substituída por -n- na forma do plural:
homem/homens jardim/jardins

Os substantivos terminados em -r e -z formam o plural com o acréscimo de -es:
mar/mares
açúcar/açúcares
hambúrguer/hambúrgueres
terminação -m
som/sons atum/atuns
terminações -r e -z
raiz/raízes
rapaz/rapazes
cruz/cruzes

Destaquem-se os plurais de caráter, júnior e sênior: caracteres, juniores e
seniores, formas em que ocorre também deslocamento da sílaba tônica.

Os substantivos terminados em -s formam o plural com acréscimo de -es; quando
paroxítonos ou proparoxítonos, são invariáveis - o que faz com que a indicação
de número passe a depender de um artigo ou outro determinante:
gás/gases obus/obuses um lápis/dois lápis
mês/meses o atlas/os atlas algum ônibus/vários ônibus
país/países o pires/os pires o vírus/os vírus

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS

225

Os substantivos terminados em -al, -el, -ol e -ul formam o plural pela transformação
do -l dessas terminações em -is:
terminações -al, -el, ol, -ul

canal/canais álcool/álcoois
papel/papéis paul/pauis
anzol/anzóis
Destaquem-se os plurais de mal, real (quando nome de moeda) e cônsul,
respectivamente males, réis e cônsules. Para gol, já houve quem propusesse
goles ou gois, mas a forma consagrada pelo uso é gols, estranha aos
mecanismos da língua portuguesa.

Os substantivos oxítonos terminados em -il trocam o -I pelo -s; os paroxítonos
trocam essa terminação por -eis:
barril/barris
ardil/ardis
funil/funis
fuzil/fuzis
fóssil/fósseis
projétil/projéteis
réptil/répteis

Além das formas paroxítonas apresentadas acima, existem as formas oxítonas
projetil e reptil, que fazem os plurais projetis e reptis, oxítonos.


Os substantivos terminados em -n formam o plural pelo acréscimo de -s ou -es:
abdômen/abdomens ou abdômenes
gérmen/germens ou gérmenes
hífen/hifens ou hífenes
líquen/liquens ou líquenes

No português do Brasil, há acentuada tendência para o uso das formas obtidas
pelo acréscimo de -s. Observe que, quando paroxítonas, essas formas de plural
não recebem acento gráfico.

Destaque-se cânon, cujo plural é a forma cânones.

Os substantivos terminados em -x são invariáveis; a indicação de número de-
pende da concordância com algum determinante:
o tórax/os tórax
um clímax/alguns clímax
Existem alguns substantivos terminados em -x que apresentam formas variantes
terminadas em -ce; nesses casos, deve-se utilizar a forma plural da variante:
o cálix ou cálice/ os cálices
o códex ou códice/ os códices

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
226

Nos diminutivos formados pelo acréscimo do sufixo -zinho (mais raramente -zito),
a formação do plural deve ser feita tanto na terminação do substantivo primitivo
(com posterior supressão do -s) como na do sufixo:
balãozinho/balõezinhos colarzinho/colarezinhos
anzolzinho/anzoizinhos papelzinho/papeizinhos
pãozinho/pãezinhos florzinha/florezinhas

No caso de diminutivos formados a partir de substantivos terminados em -r, há
acentuada tendência na língua atual do Brasil para limitar-se o plural à terminação
da forma derivada: colarzinho/colarzinhos; florzinha/florzinhas;
mulherzinha/mulherzinhas. Essa forma de plural é repudiada pela norma culta.
- nota da ledora: quadro de destaque na página:
Metafonia
Há muitos substantivos cuja formação do plural não se manifesta apenas por
meio de modificações morfológicas, mas também implica alteração fonológica.
Nesses casos, ocorre um fenômeno chamado metafonia, ou seja, a mudança de
som entre uma forma e outra. Trata-se da alternância do timbre da vogal, que é
fechado na forma do singular e aberto na forma do plural. Observe os pares
abaixo:
singular (ô) plural (ó)
aposto apostos
caroço caroços
corno cornos
corpo corpos
corvo corvos
esforço esforços
fogo fogos
imposto impostos
miolo miolos
osso ossos
poço poços
porto portos
povo povos
socorro socorros
forno fornos
jogo jogos
olho olhos
ovo ovos
porco porcos
posto postos
reforço reforços
tijolo tijolos

É importante que você atente na pronúncia culta desses plurais quando estiver
utilizando a língua falada em situações formais. - fim do quadro de destaque.


CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
227

Substantivos compostos
A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são
grafados, do tipo de palavras que formam o composto e da relação que
estabelecem entre si. Aqueles que são grafados ligadamente (sem hífen)
Comportam-se como os substantivos simples:

aguardente/aguardentes malmequer/malmequeres
girassol/girassóis pontapé/pontapés

O plural dos substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen
costuma provocar muitas dúvidas e discussões. Algumas orientações são dadas
a seguir.

Nos compostos em que o primeiro elemento é um verbo ou uma palavra invariável
(normalmente um advérbio) e o segundo elemento é um substantivo ou um
adjetivo, coloca-se apenas o segundo elemento no plural:
beija-flor/beija-flores alto-falante/alto-falantes
bate-boca/bate-bocas grão-duque/grão-duques
sempre-viva/sempre-vivas

Assemelham-se a esses substantivos aqueles formados pelo acréscimo de um
prefixo ligado por hífen:

vice-presidente/vice-presidentes
abaixo-assinado/abaixo-assinados
auto-elogio/auto-elogios
recém-nascido/recém-nascidos
ex-namorado/ex-namorados
- nota da ledora: tira de desenho, na página: o frade encontra uma mulher e o
marido de braços dados, com a criança do lado, e diz ; - Sextas-feiras é pecado
comer carne. A criança grita: Carne??? O que é isso ?, e a mulher diz ao
frade: - agora conta! - fim da nota.
Sextas-feiras (1º quadro) pluraliza os dois elementos que a compõem, pois ambos são
variáveis.



CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
228

Nos compostos em que os dois elementos são variáveis, ambos vão para o
plural:
dois elementos variáveis
guarda-civil/guardas-civis bóia-fria/bóias-frias
cota-parte/cotas-partes sexta-feira/sextas-feiras
mão-boba/mãos-bobas peso-mosca/pesos-moscas

Nos casos em que o segundo elemento dá idéia de finalidade ou semelhança ou
limita o primeiro, manda a tradição que só se pluralize o primeiro. Note que isso se
restringe aos substantivos compostos formados por dois substantivos:
pombo-correio/pombos-correio salário-família/salários-família
banana-maçã/bananas-maçã escola-modelo/escolas-modelo
café-concerto/cafés-concerto navio-escola/navios-escola
A tendência na língua portuguesa atual do Brasil é a pluralização dos dois
elementos mesmo nesse caso. É o que se nota quando se consulta o Novo
Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, em que alguns dos substantivos acima
surgem com duas formas abonadas para o plural (salários-família e salários-
famílias, por exemplo).

Nos compostos em que os elementos formadores são unidos por preposição,
apenas o primeiro elemento vai para o plural:
palma-de-santa-rita/palmas-de-santa-rita
pé-de-moleque/pés-de-moleque
mula-sem-cabeça/mulas-sem-cabeça
pão-de-ló/pães-de-ló

Nos Compostos formados por palavras repetidas ou onomatopaicas, apenas o
segundo elemento varia:
reco-reco/reco-recos
tico-tico/tico-ticos
tique-taque/tique-taques
pingue-pongue/pingue-pongues
Merecem destaque os seguintes substantivos compostos:
o bota-fora/os bota-fora
o topa-tudo/os topa-tudo
o pára-quedas/os pára-quedas
o salva-vidas/os salva-vidas
o diz-que-diz/os diz-que-diz
o bem-te-vi/ os bem-te-vis
o faz-de-conta/os faz-de-conta
o arco-íris/os arco-íris
o louva-a-deus/os louva-a-deus
o pisa-mansinho/os pisa-mansinho
e também
o bem-me-quer/os bem-me-queres

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
229

ATIVIDADES
1. Complete as frases de acordo com o modelo proposto.

Não posso comprar sequer um (funil). Como quer que eu compre vários (funis)?

a) Não posso formar sequer um único jardim. Como quer que eu forme vários () ?
b) Nunca soltei um único balão. Como quer que eu solte vários () ?
c) Não conheço um único figurão. Como quer que eu lhe apresente vários () ?
d) Infelizmente, não consegui encontrar um único cidadão de verdade nesta
classe. Como quer que eu lhe aponte vários () ?
e) Não conheço um único capitão do exército. Como quer que eu lhe apresente
vários () ?
f) Não posso comprar sequer um hambúrguer. Como quer que eu compre vários ()
?

2. Complete as frases de acordo com o modelo proposto.

Não quebrou só um pires: quebrou todos os pires.


a) Não roubaram só um barril: roubaram todos os () .
b) Não deixaram só um leão fugir: deixaram todos os () .
c) Não fraudaram só uma eleição: fraudaram todas as () .
d) Não ludibriou só um cidadão: ludibriou todos os ()
e) Não comeu apenas um pão: comeu todos os () .
f) Não é amigo de um escrivão e de um tabelião apenas: é amigo de todos os ()
g) Não corrompeu apenas um caráter: corrompeu todos os ().
h) Não promoveu tão-somente um júnior para o time principal: promoveu todos os
() .
i) Não depredaram apenas um ônibus: depredaram todos os () .
j) Não lançaram só um projétil: lançaram todos os () .
l) Não lançaram somente um projetil: lançaram todos os ()
m) Não se esqueceu apenas de um hífen: esqueceu-se de todos os ()
n) Não devorou um pastelzinho apenas: devorou todos os () .

3. Leia atentamente em voz alta as frases abaixo.
a) Comeu as uvas e jogou os caroços no lixo.
b) Não aceitaremos um novo aumento de impostos. É bom que o governo abra os
olhos e realize esforços mais sérios para controlar suas contas.
c) Não se instalam chiqueiros de porcos nas proximidades de poços.
d) Compramos fogos de artifício para a festa de abertura dos jogos estudantis.
e) Acredito na convivência harmoniosa dos diferentes povos.
f) Um médico que passava por ali prestou os primeiros socorros às vítimas do
acidente.

4. Complete as frases de acordo com o modelo. Em várias frases, você terá mais
de uma opção correta.

Costumava viajar todas as () (quinta-feira)
Costumava viajar todas as quintas-feiras.

a) Tinha direito a vários () (salário-família)
b) Nunca tinha visto tantos () ao mesmo tempo. (beija-flor)
c) Sua intervenção pôs fim a todos os () . (bate-boca)
d) Anunciaram seu nome por intermédio dos () .(alto-falante)
e) Todos os () concordam com esta reivindicação. (abaixo-assinado)
f) Venho aqui todas as () (segunda-feira)
g) Vários () transformaram-se em presidentes da República no Brasil. (vice-pre-
sidente)
h) Os () partiram para Pequim. (recém-casado)

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
230

i) Ocorreu mais um acidente com caminhões que transportavam () Isso é jeito de
se transportar gente! (bóia-fria)
j) Passou mal após ter comido várias () e várias () (banana-maçã/manga-rosa).
l) Combinaram várias () (palavra-chave)
m) Tiveram de comprar vários () para mobiliar a casa. (guarda-roupa)
n) Ele já perdeu três () este ano. (guarda-chuva)
o) Seu canteiro de () está primoroso! (couve-flor)
p) É o autor de várias () (obra-prima)
q) Vários () construíram seus ninhos nos postes de iluminação. (joão-de-barro)
r) Fotografaram várias () em sua viagem pela Amazônia. (vitória-régia)
s) Vários () japoneses foram interceptados pelos ativistas do Greenpeace. (navio-
fábrica)
t) Os () da empresa haviam sido roubados. (livro-caixa)
u) Não se deviam construir esses () em cidades tão pequenas! (arranha-céu)
v) Vários () do banco foram acusados de corrupção. (ex-diretor)
x) Teve de instalar vários () para proteger as instalações da fábrica. (pára-raios)
z) Assisto a todos os () de que tenho noticia. (bumba-meu-boi)

FLEXÃO DE GRAU
Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir intensificação, exagero,
atenuação, diminuição ou mesmo deformação de seu significado. Essas
modifi-
cações, que constituem as variações de grau do substantivo, são tradicionalmente
consideradas um mecanismo de flexão. Você perceberá, no entanto, que não se
trata de mecanismos de flexão - obrigatórios para a manutenção da concordância
nas frases -, mas sim de processos de derivação e de caracterização sintática.

FORMAÇÃO DE GRAU

Os graus aumentativo e diminutivo dos substantivos podem ser formados por
dois processos:
a) o sintético - consiste no acréscimo de sufixos aumentativos ou diminutivos à
forma normal do substantivo. É, na verdade, um típico caso de derivação sufixal:
rato - ratão (aumentativo sintético)
rato - ratinho (diminutivo sintético)

b) o analítico - a forma normal do substantivo é modificada por adjetivos que
indicam aumento ou diminuição de proporções. E um caso típico de determinação
sintática:

rato - rato grande (aumentativo analítico)
rato pequeno (diminutivo analítico)
CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
231

- nota da ledora: propaganda da caderneta de poupança banespa, com a foto de
três porquinhos, e o seguinte texto: procuram-se cofrinhos. Entregar
na caderneta de poupança banespa. - fim da nota.

Neste caso, o diminutivo não indica apenas tamanho. É evidente também seu valor afetivo.

No uso efetivo da língua, as formas sintéticas de indicação de grau são
normalmente empregadas para conferir valores afetivos aos seres nomeados
pelos substantivos. Observe formas como amigão, partidão, bandidaço,
mulheraço; livrinho, ladrãozinho, rapazola, futebolzinho - em todas elas, o que
interessa é transmitir dados como carinho, admiração, ironia ou desprezo, e não
noções ligadas ao tamanho físico dos seres nomeados.

ATIVIDADES

1. Procure indicar o sentido de cada uma das palavras destacadas nas frases
abaixo.
a) É um (sujeitinho).
b) É um (mulherão)!
c) É um (timaço)!
d) É um (timeco)!
e) Não passa de um (beberrão).
f) Vou passar uns (diazinhos) na praia.
g) Que (gentalha)!
h) Por que você se envolve com essa (gentinha)?
i) O (Carlito) chegou ontem à noite.
j) Ele pegou um (peixão)! Quatro quilos!
l) A namorada dele é um (peixão)!

2. Que palavras você pode usar para descrever as dimensões avantajadas ou
diminutas de:
a) uma boca?
b) um corpo?
c) um nariz?
d) uma casa?
e) um pé?
f) uma mão?
g) um cão?
h) um gato?
i) um homem?
j) uma mulher?
l) um animal?

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
232

TEXTO PARA ANÁLISE

- nota da ledora: propaganda da Petrobrás com o seguinte texto:
o petróleo está em tudo.
Escovas de dentes, maquiagem, roupas, calçados, artigos esportivos, discos, fitas de
áudio e vídeo, brinquedos, eletrodomésticos, remédios, fertilizantes, tintas, pneus,
adesivos, impermeabilizantes, equipamentos cirúrgicos, tecidos sintéticos, óleo
combustível, gasolina, gás de cozinha, lubrificantes.
Praticamente tudo o que você utiliza no seu dia-a-dia tem petróleo em sua composição. A
lista é quase infinita.
Mas estamos trabalhando duro para ampliá-la ainda mais. Porque descobrir, transportar,
refinar e comercializar petróleo é a nossa missão para tornar a sua vida cada vez mais
confortável. PETROBRÁS - fim da nota.

TRABALHANDO O TEXTO
1. Aponte no texto substantivos derivados por sufixação.
2. Aponte um substantivo formado por abreviação vocabular.
3. Aponte no texto substantivos compostos.
4. Predominam no texto substantivos abstratos ou concretos? É possível
relacionar sua resposta com o assunto de que fala o texto?
5. Que efeito se consegue com a longa enumeração de substantivos utilizada no
texto? Comente.

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
233

Sexa

- Pai...
- Hmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- Oquê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo
masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É. Não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui. Tem sexo masculino e sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculina seria "o paI..."
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Porquê?
- Ele só pensa em gramática.

(VERISSIMO, Luiz Fernando. A mãe do Freud. São Paulo, Círculo do Livro, 1985. p. 83-
84.)

TRABALHANDO O TEXTO
1. Aponte a origem da confusão apresentada pelo texto.
2. Aponte a passagem do texto em que se pode perceber a relação entre gênero
gramatical e concordância nominal.
3. É possível explicar a forma "sexa" pelas regras de formação do feminino que
aprendemos? De acordo com essas regras, como deveria ser completada a frase
interrompida "Se fosse masculina seria "o pal..."?
4. O diálogo nos permite perceber como o pai procura tratar o filho? Comente
essa relação, exemplificando com passagens do texto.
5. Aponte passagens em que se evidencia o uso familiar e descuidado da
linguagem. Esse nível de linguagem é adequado ao texto? Comente.
6. O final do texto é irônico? Comente.

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
234


A linha e o linho

É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O ziguezague do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa da paixão
A sua vida, o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza.

(GIL, Gilberto. Extra . CD Warner Music Brasil, (1983.)

TRABALHANDO O TEXTO

1. Observe os dois substantivos presentes no titulo da canção e responda:
estamos diante de um caso de flexão de gênero? Explique.
2. A que classe gramatical pertence a palavra (real) (3º verso) ? Explique.
3. Retire do texto exemplos de substantivos primitivos.
4. Retire do texto exemplos de substantivos compostos.
5. (Fantasia) é, no texto, um substantivo abstrato ou concreto?
6. Releia atentamente os dois últimos versos do texto e responda: que recurso foi
utilizado pelo compositor? Comente.
7. Você pensa em "bordar" sua vida na vida de alguém?

CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
235

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES

1 (F. Santo André-SP) Dentre as frases abaixo, escolha aquela em que há, de fato,
flexão de grau para o substantivo.
a) O advogado deu-me seu cartão.
b) Deparei-me com um portão, imenso e suntuoso.
c) Moravam num casebre, à beira do rio.
d) A abelha, ao picar a vítima, perde seu ferrão.
e) A professora distribuiu as cartilhas a todos os alunos.

2 (PUCSP) Indique a alternativa correta no que se refere ao plural dos
substantivos compostos casa-grande, flor-de-cuba, arco-íris e beija-flor.
a) casa-grandes, flor-de-cubas, os arco-íris, beijas-flor
b) casas-grandes, flores-de-cuba, arcos-íris, beijas-flores
c) casas-grande, as flor-de-cubas, arcos-íris, os beija-flor
d) casas-grande, flores-de-cuba, arcos-íris, beijas-flores
e) casas-grandes, flores-de-cuba, os arco-íris, beija-flores

3 (CEFET-PR) Assinale a alternativa em que há gênero aparente na relação
masculino/feminino dos pares.
a) boi - vaca
b) homem - mulher
c) cobra macho - cobra fêmea
d) o capital - a capital
e) o cônjuge (homem) - o cônjuge (mulher)

4 (CEFET-PR) Assinale a alternativa em que a palavra tem o gênero indicado
incorretamente.
a) a tapa
b) grama
c) o hélice
d) o crisma
e) o ágape
5 (CEFET-PR) Das opções a seguir, assinale a que apresenta um substantivo que
só tem uma forma no plural.
a) guardião
b) espião
c) peão
d) vulcão
e) cirurgião

6(UNIMEP-SP) O plural de fogãozinho e cidadão é:
a) fogãozinhos e cidadãos.
b) fogãosinhos e cidadãos.
c) fogõezinhos e cidadãos.
d) fogõezinhos e cidadões.
e) fogõesinhos e cidadões.

7 (UEL-PR) Viam-se () junto aos () do jardim.
a) papelsinhos, meios-fio
b) papeizinhos, meios-fios
c) papeisinhos, meio-fios
d) papelzinhos, meio-fios
e) papeizinhos, meio-fios

8 (PUCSP) Assinale a alternativa incorreta.
a) (Borboleta) é substantivo epiceno.
b) (Rival) é comum de dois gêneros.
c) Omoplata é substantivo masculino.
d) Vítima é substantivo sobrecomum.
e) n.d.a.

9 (FMU-FIAM-SP) Indique a alternativa em que só aparecem substantivos
abstratos.
a) tempo, angústia, saudade, ausência, esperança, imagem
b) angústia, sorriso, luz, ausência, esperança, inimizade
c) inimigo, luto, luz, esperança, espaço, tempo
d) angústia, saudade, ausência, esperança, inimizade
e) espaço, olhos, luz, lábios, ausência, esperança, angústia


CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
236

10 (UM-SP) Numere a segunda coluna de acordo com o significado das
expressões da primeira coluna e assinale a alternativa que contém os algarismos
na seqüência correta.
(1) o óleo santo () amoral
(2) a relva () a crisma
(3) um sacramento () o moral
(4) a ética () o crisma
(5) a unidade de massa () a grama
(6) o ânimo () o grama

a) 6, 1, 4, 3, 5, 2
b) 6, 3, 4, 1, 2, 5
c) 4, 1, 6, 3, 5, 2
d) 4, 3, 6, 1, 2, 5
e) 6, 1, 4, 3, 2, 5

11 (UM-SP) Indique o período que não contém um substantivo no grau diminutivo.
a) Todas as moléculas foram conservadas com as propriedades particulares,
independentemente da atuação do cientista.
b) O ar senhoril daquele homúnculo transformou-o no centro de atenções na tu-
multuada assembléia.
c) Através da vitrina da loja, a pequena observava curiosamente os objetos
decorados expostos à venda, por preço bem baratinho.
d) De momento a momento, surgiam curiosas sombras e vultos apressados na si-
lenciosa viela.
e) Enquanto distraía as crianças, a professora tocava flautim, improvisando
cantigas alegres e suaves.

12 (UM-SP) Assinale a alternativa em que a flexão do substantivo composto está
errada.
a) os pés-de-chumbo
b) os corre-corre
c) as públicas-formas
d) os cavalos-vapor
e) os vaivéns

13 (ITA-SP) Dadas as palavras;
1. esforços
2. portos
3. impostos
verificamos que o timbre da vogal tônica é
aberto:
a) apenas na palavra 1.
b) apenas na palavra 2.
c) apenas na palavra 3.
d) apenas nas palavras 1 e 3.
e) em todas as palavras.

14 (UFJF-MG) Assinale a alternativa em que aparecem substantivos simples,
respectivamente, concreto e abstrato.
a) água, vinho
b) Pedro, Jesus
c) Pilatos, verdade
d) Jesus, abaixo-assinado
e) Nova Iorque, Deus

15 (ITA-SP) Dadas as sentenças:
1. Ele não chegou a falar com a Presidenta.
2. Ele sofreu um entorse grave.
3. A tracoma é uma doença contagiosa. deduzimos que:
a) apenas a sentença 1 está correta.
b) apenas a sentença 2 está correta.
c) apenas a sentença 3 está correta.
d) todas estão corretas.
e) n.d.a.

16 (UFE-RJ) Assinale a única frase em que há erro no que diz respeito ao gênero
das palavras.
a) O gerente deverá depor como testemunha única do crime.
b) A personagem principal do conto é o Seu Rodrigues.
c) Ele foi apontado como a cabeça do motim.
d) O telefonema deixou a anfitriã perplexa.
e) A parte superior da traquéia é o laringe.

17 (UM-SP) Assinale a alternativa em que há um substantivo cuja mudança de
gênero não altera o significado.
a) cabeça, cisma, capital
b) águia, rádio, crisma
c) cura, grama, cisma
d) lama, coral, moral
e) agente, praça, lama

18 (UFF-RJ) Numa das frases seguintes, há uma flexão de plural totalmente
errada. Assinale-a.
a) Os escrivães serão beneficiados por essa lei.
b) O número mais importante é o dos anõezinhos.
c) Faltam os hífens nesta relação de palavras.
d) Fulano e Beltrano são dois grandes carateres.
e) Os reptis são animais ovíparos.

19 (UM-SP) Relacione as duas colunas, de acordo com a classificação dos
substantivos, e assinale a alternativa correta.
(1) padre () próprio
(2) seminário () coletivo
(3) Dias () derivado
(4) ano () comum

a) 3, 4, 2, 1,
b) 1, 2, 4, 3
c) 1, 3, 4, 2
d) 3, 2, 1, 4
e) 2, 4, 3, 1

20 (UFU-MG) Dentre os plurais de nomes compostos aqui relacionados, há um
que está errado. Qual?
a) escolas-modelo
b) quebra-nozes
c) chefes-de-sessões
d) guardas-noturnos
e) redatores-chefes

21 (UM-SP) Numa das opções, uma das palavras apresenta erro de flexão.
Indique-a.
a) mãos-de-obra, obras-primas
b) guardas-civis, afro-brasileiros
c) salvos-condutos, papéis-moeda
d) portas-bandeira, mapas-múndi
e) salários-família, vice-diretores

22 (UNIMEP-SP) Classificam-se como substantivos as palavras destacadas,
exceto em:
a) "... o (idiota) com quem os moleques mexem...".
b) "... visava a me acostumar à morna (tirania)...
c) "(Adeus), volto para meus caminhos...".
d)"... conheço até alguns (automóveis)...".
e)"... todas essas (coisas) se apagarão em lembranças...".

23 (ACAFE-SC) A alternativa em que o plural dos nomes compostos está
empregado corretamente é:
a) pé-de-moleques, beija-flores, obras-primas, navios-escolas.
b) pés-de-moleques, beija-flores, obras-primas, navios-escolas.
c) pés-de-moleque, beija-flores, obras-primas, navios-escola.
d) pé-de-moleques, beija-flores, obras-primas, navios-escola.
e) pés-de-moleques, beija-flores, obras-prima, navios-escolas.

24 (UFV-MG) Assinale a alternativa em que há erro na flexão de número.
a) as águas-marinhas, as públicas-formas, os acórdãos
b) abajures, caracteres, os ônus
c) auto-serviços, alto-falantes, lilases
d) capitães-mor, sabiás-pirangas, autos-de-fé
e) guardas-florestais, malmequeres, ave-marias
CAPÍTULO 9
ESTUDO DOS SUBSTANTIVOS
238

*********

CAPÍTULO 10
ESTUDO DOS ARTIGOS
239


- nota da ledora: tira de quadrinhos, ocupando a página inteira, com Hagar, o
terrível. Conversa entre Hagar e o marinheiro:
Hagar: eu preciso de um «braço direito forte»
marinheiro : que tal eu?
Hagar: você? Você é um homem de decisão? Você é um homem que pode dizer
rapidamente sim, ou não?
Marinheiro olha, com atenção pra Hagar.
Hagar olha pensativo pra o marinheiro e o
marinheiro diz para Hagar: Poderia repetir a pergunta? - fim da nota.


A opção pelo artigo indefinido ou definido depende, em geral, do contexto maior
em que se insere a frase. No último quadrinho da história, o leitor já conhece "a
pergunta", pois ela foi formulada no terceiro quadrinho.

CAPÍTULO 10
ESTUDO DOS ARTIGOS
239

1 CONCEITO
Artigo é a palavra que acompanha o substantivo, servindo basicamente para gene-
ralizar ou particularizar o sentido desse substantivo. É o que se nota no contraste
entre:
(um) cidadão/(o) cidadão (um) portão/(o) portão
(um) animal/(o) animal (uma) flor/(a) flor


Em muitos casos, o artigo é essencial na especificação do gênero e do número do
substantivo:
O jornalista recusou o convite do representante dos artistas.
A jornalista recusou o convite da representante das artistas.
A empresa colocou em circulação o ônibus de três eixos.
A empresa colocou em circulação os ônibus de três eixos.
Quando antepostos a palavras de qualquer classe gramatical, os artigos as
transformam em substantivos. Nesses casos, ocorre a chamada derivação
imprópria, que já estudamos:

É um falar que não tem fim.
O assalariado vive um sofrer interminável.
O aqui e o agora nem sempre se conjugam favoravelmente.

2. CLASSIFICAÇÃO
Em função da sua capacidade de generalizar ou particularizar o sentido do
substantivo com que se relaciona, o artigo é classificado em definido e indefinido.

O artigo indefinido indica seres quaisquer dentro de uma mesma espécie; seu
sentido é genérico. Assume as formas um, uma; uns, umas:

Gosto muito de animais: queria ter um cachorro, uma gata, uns tucanos e umas
araras.


O artigo definido indica seres determinados dentro de uma espécie; seu sentido é
particularizante. Assume as formas o, a; os, as:

Meu vizinho gosta muito de animais: você precisa ver o cachorro, a gata, os
tucanos e as araras que ele tem em casa.

CAPÍTULO 10
ESTUDO DOS ARTIGOS
240

3. COMBINAÇÕES DOS ARTIGOS
É muito freqüente a combinação dos artigos definidos e indefinidos com
preposições. O quadro seguinte apresenta a forma assumida por essas
combinações.


Preposição: a, de, em por (per)

Artigo: o, os, a, as, um, uns, uma, umas
combinações: ao, aos, à, às, do, dos, da, das, dum, duns, duma, dumas, no, nos,
na, nas, num, nuns, numa, numas, pelo, pelos, pela, pelas.

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÕES:

1. As formas à e às indicam a fusão da preposição a com o artigo definido. Essa fusão de vogais
idênticas é conhecida por crase. O uso do acento grave que indica a ocorrência da crase será
estudado na parte do nosso livro, dedicado à sintaxe.

2. As formas pelo(s) / pela(s) resultam da combinação dos artigos definidos com a forma per,
equivalente a por. - fim do quadro de destaque.

ATIVIDADES

1. Os artigos são responsáveis por diversos detalhes de significação nas
diferentes situações comunicativas em que são empregados. Leia atentamente as
frases seguintes e comente o valor dos artigos destacados.
a) Estou levando produtos d(a) região.
b) O menino estava tão encabulado que não sabia o que fazer com as mãos. Em
poucos instantes, pôs-se a chorar e a chamar pel(a) mãe.
c) A carne está custando três reais (o) quilo.
d) Aquele era (o) momento de minha vida.
e) Aquilo sim é que é (um) homem.
f) Deve ter passado (uma) meia hora desde que ele saiu.
g) Ela tem (um) talento!

2. Explique as diferenças de significado entre as frases de cada par.
a) Todo dia ele faz isso.
Todo o dia ele faz isso.
b) Pedro não veio.
O Pedro não veio.
c) Essa caneta é minha.
Essa caneta é a minha.
d) O dirigente sindical apresentou reivindi
CAPÍTULO 10
ESTUDO DOS ARTIGOS
241
cações dos trabalhadores na reunião.
O dirigente sindical apresentou as reivindicações dos trabalhadores na reunião.
e) Chico Buarque, grande compositor brasileiro, é também escritor.
Chico Buarque, o grande compositor brasileiro, é também escritor.
3. Uma emissora de TV anunciava as transmissões dos jogos do campeonato
alemão de futebol com a seguinte frase: "Na (nome da emissora), o futebol
tricampeão do mundo." Há alguma inverdade nessa frase? Comente.

TEXTOS PARA ANÁLISE
- nota da ledora: publicidade de futebol com fotografia de um sutian e duas bolas
de futebol como se fossem seios; com o seguinte texto: Uma programação para
quem é tarado por futebol. Se você é do tipo que fica todo assanhado quando o
assunto é futebol, então não pode perder a programação da TVA. - fim da nota.

TRABALHANDO O TEXTO

Comente o uso do artigo definido e do artigo indefinido nas expressões "uma
programação" e "a programação".

O grande amor
Haja o que houver
Há sempre um homem para uma mulher
E há de sempre haver
Para esquecer um falso amor
E uma vontade de morrer
Seja como for
Há de vencer o grande amor
Que há de ser no coração
Como um perdão para quem chorou.

(Antônio Carlos Jobim & Vinicius de Moraes.)

CAPÍTULO 10
ESTUDO DOS ARTIGOS
242


TRABALHANDO O TEXTO
1. No segundo verso da canção, os substantivos homem e mulher são usados em
sentido genérico ou específico? Comente.
2. Coração, no penúltimo verso, é usado em sentido genérico ou específico?
Comente.
3. Comente o efeito produzido pelo contraste entre os artigos em "um falso amor"
e "o grande amor".
4. Há, na sua opinião, "o grande amor" de que fala a canção?

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES
1 (FUVEST-SP)
"Ele é o homem,
eu sou apenas
uma mulher."
Nesses versos, reforça-se a oposição entre os termos homem e mulher.
a) Identifique os recursos lingüísticos utilizados para provocar esse reforço.
b) Explique por que esses recursos causam tal efeito.
2 (EFM-SP) A palavra homem aparece duas vezes na frase que segue, com
significados diferentes. Explique essa diferença.
Suponho que nunca ter visto um homem e não sabia, portanto, o que era o
homem." (Machado de Assis)

3 (FATEC-SP) Indique o erro quanto ao emprego do artigo.
a) Em certos momentos, as pessoas as mais corajosas se acovardam.
b) Em certos momentos, as pessoas mais corajosas se acovardam.
c) Em certos momentos, pessoas as mais corajosas se acovardam.
d) Em certos momentos, as mais corajosas pessoas se acovardam.

4 (UM-SP) Assinale a alternativa em que há erro.
a) Li a notícia no Estado de S. Paulo.
b) Li a notícia em O Estado de S. Paulo.
c) Essa notícia, eu a vi em A Gazeta.
d) Vi essa notícia em A Gazeta.
e) Foi em O Estado de S. Paulo que li a noticia.
5) (UM-SP) Em qual das alternativas o artigo definido feminino corresponderia a
tos os substantivos?
a) sósia, doente, lança-perfume
b) dó, telefonema, diabete
c) clã, eclipse, pijama
d) cal, elipse, dinamite
e) champanha, criança, estudante
CAPÍTULO 10
ESTUDO DOS ARTIGOS
243

*********

CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
244


No mundo das palavras, usamos o adjetivo para qualificar o substantivo, como na
expressão "economia brasileira". já no universo do cartum, o mesmo conjunto
substantivo + adjetivo designa duas personagens radicalmente distintas. Magia
da arte ou da política?
- nota da ledora: charge parecida com a de Getúlio Vargas "pintor", descrita em
capítulos anterior. - fim da nota.
CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
244


1 CONCEITO
Adjetivo é a palavra que caracteriza o substantivo, atribuindo-lhe qualidades (ou
defeitos) e modos de ser, ou indicando-lhe o aspecto ou o estado:
sindicato fictício, eficiente, deficitário, representativo
Observe que é necessário apresentar a relação que se estabelece entre o
substantivo e o adjetivo para poder conceituar este último. Na realidade,
substantivos e adjetivos apresentam muitas características semelhantes e, em
muitas situações, a distinção entre ambos só é possível a partir de elementos
fornecidos pelo contexto:
O jovem brasileiro tomou-se participativo.
O brasileiro jovem enfrenta dificuldades para ingressar no mercado de trabalho.
Na primeira frase, jovem é substantivo, e brasileiro é adjetivo. Na segunda,
invertem-se esses papéis: brasileiro é substantivo, e jovem passa a ser adjetivo.
Ser adjetivo ou ser substantivo não decorre, portanto, de características
morfológicas da palavra, mas de sua atuação efetiva numa frase da língua.
Há conjuntos de palavras que têm o valor de um adjetivo: são as locuções
adjetivas. Essas locuções são normalmente formadas por uma preposição e um
substantivo ou por uma preposição e um advérbio; para muitas delas, existem
adjetivos equivalentes:
conselho (de pai) (=paterno) inflamação (da boca) (= bucal)
atitude (sem qualquer cabimento) alma (em frangalhos)
jornal (de ontem) gente (de longe)

2 CLASSIFICAÇÃO
Quanto à sua estrutura e formação, os adjetivos têm classificação idêntica à dos
substantivos: são primitivos ou derivados, simples ou compostos.
Os adjetivos primitivos não são formados por derivação de nenhuma outra palavra:
deles é que se formam outras palavras. São exemplos:
azul branco brando claro curto grande livre triste verde

Adjetivos derivados são aqueles formados por derivação de outras palavras:
cheiroso invisível infeliz esverdeado desconfortável azulado entristecido
Os adjetivos simples apresentam um único radical em sua estrutura. E o caso de
todos os exemplos apontados no item anterior. Os compostos apresentam pelo
menos dois radicais em sua estrutura:
ítalo-brasileiro luso-africano socioeconômico político-institucional sul-rio-
grandense


CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
245


Adjetivos pátrios
Os adjetivos referentes a países, estados, regiões, cidades ou localidades são
conhecidos como adjetivos pátrios. Conhecê-los é importante para evitar erros e
construir frases mais concisas. Por isso, leia com atenção as relações de
adjetivos pátrios colocadas a seguir. Para facilitar seu estudo, dividimos esses
adjetivos em quatro blocos: os que se referem ao Brasil, os que se referem a
Portugal e outros países de língua portuguesa, os que se referem à América e os
que se referem aos demais países e continentes. Nos dois primeiros blocos,
procuramos fornecer os adjetivos pátrios referentes aos estados, às principais
regiões, às capitais de estado e principais cidades, além das formas que
costumam provocar dúvidas. Nos dois últimos blocos, fornecemos apenas as
formas que costumam provocar dúvidas.

ADJETIVOS PÁTRIOS REFERENTES AO BRASIL

Estado ou cidade
Acre acreano
Alagoas alagoano
Amapá amapaense
Amazonas amazonense ou baré
Anápolis (GO) anapolino
Angra dos Reis (RJ) angrense
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Bahia baiano
Belém (PA) belenense
Belo Horizonte belo-horizontino
Boa Vista boa-vistense
Brasil brasileiro
Brasília brasiliense
Cabo Frio (RJ) cabo-friense
Campo Grande campo-grandense
Ceará cearense
Cuiabá cuiabano
Curitiba curitibano
Duas Barras (RJ) bibarrense
Espírito Santo espírito-santense ou capixaba
Florianópolis florianopolitano
Fortaleza fortalezense
Goiânia goianiense
Goiás goiano
João Pessoa pessoense
Juiz de Fora (MG) Juiz-forano, ou juiz-forense
Macapá macapense
Maceió maceioense
Manaus manauense ou manauara
Marajó (ilha) marajoara
Maranhão maranhense
Mato Grosso mato-grossense
Mato Grosso do Sul mato-grossense-do-sul
Minas Gerais mineiro
Natal natalense ou papa-jerimum
Niterói niteroiense
Novo Hamburgo (RS) hamburguense
Palmas (TO) palmense
Pará paraense ou paroara
Paraíba paraibano
Paraná paranaense
Pernambuco pernambucano
Petrópolis (RJ) petropolitano
Piauí piauiense
Poços de Caldas (MG) caldense
Porto Alegre porto-alegrense
Porto Velho porto-velhense
Recife recifense
Rio Branco rio-branquense
Rio de Janeiro (cidade) carioca
Rio de Janeiro (estado) fluminense
Rio Grande do Norte rio-grandense-do-norte, norte-rio-grandense ou potiguar

CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
246

Estado ou cidade, e adjetivo pátrio
Rio Grande do Sul rio-grandense-do-sul, sul-rio-grandense ou gaúcho
São Luís são-luisense ou ludovicense
São Paulo (cidade) paulistano
São Paulo (estado) paulista
Rondônia rondoniense ou rondoniano
Sergipe sergipano
Roraima roraimense
Teresina teresinense
Salvador (BA) salvadorense ou soteropolitano
Tocantins tocantinense
Três Corações (MG) tricordiano
Santa Catarina catarinense, catarineta ou barriga-verde
Três Rios (RJ) trirriense
Vitória (ES) vitoriense
Santarém (PA) santareno

ADJETIVOS PÁTRIOS REFERENTES A PORTUGAL, PAÍSES E TERRITÓRIOS DE
LÍNGUA PORTUGUESA
Açores açoriano
Alentejo alentejano
Algarve algarvio ou algarviense
Angola angolano ou angolense
Aveiro aveirense
Beira beirão ou beirense
Beja bejense
Braga bracarense, brácaro ou braguês
Bragança bragantino, bragançano, braganção, brigantino ou bragancês
Cabo Verde cabo-verdiano ou cabo-verdense
Castelo Branco albicastrense
Coimbra coimbrão, conimbricense, conimbrigense ou colimbriense
Dio dioense
Douro duriense
Entre Douro e Minho interamnense
Estremadura estremenho
Évora eborense
Faro farense
Funchal funchalense
Guimarães vimaranense
Guiné-Bissau guineense
Leiria leiriense
Lisboa lisboeta, lisbonense, lisboês, lisbonino, lisbonês, olissiponense ou ulissiponense
(há também a forma jocosa "alfacinha")
Luanda luandense
Macau macaense ou macaísta
Madeira madeirense
Minho minhoto
Moçambique moçambicano
CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
247


País ou território e adjetivo pátrio
Portalegre portalegrense
Setúbal setubalense
Porto portuense
Timor timorense
Ribatejo ribatejano
Trás-os-Montes trasmontanos ou transmontanos
Santarém santareno, escalabitano
Viana do Castelo vianense ou vianês
São Tomé e Príncipe são-tomense ou são-tomeense
Vila Real vila-realense
Viseu visiense

ADJETIVOS PÁTRIOS REFERENTES AS AMÉRICAS

País ou cidade, e adjetivos pátrios
Alasca alasquense ou alasquiano
Assunção assuncionenho
Bogotá bogotano
Boston bostoniano
Buenos Aires buenairense, bonaerense ou portenho
Caracas caraquenho
Caribe caribenho
Chicago chicaguense
Costa Rica costa-riquenho ou costa-riquense
El Salvador salvadorenho
Equador equatoriano
Estados Unidos estadunidense, norte-americano ou ianque
Guatemala guatemalteco
Guiana guianense
Honduras hondurenho
La Paz pacenho
Lima limenho
Manágua managüenho ou managüense
Montevidéu montevideano
Nicarágua nicaragüense ou nicaraguano
Nova iorque nova-iorquino
Panamá panamenho
Patagônia patagão
Porto Rico porto-riquenho
Quito quitenho
Suriname surinamês
Tegucigalpa tegucigalpenho
Terra do Fogo fueguino
Trinidad e Tobago trinitário

OUTROS ADJETIVOS PÁTRIOS

País, cidade ou região e adjetivo pátrio
Afeganistão afegão ou afegane
Andaluzia andaluz
Argélia argelino ou argelano
Armênia armênio
Azerbaijão azerbaijano
Bagdá bagdali
Bangladesh bengali
Barcelona barcelonês ou barcelonense


CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
248

PAÍS, CIDADE OU REGIÃO E ADJETIVOS PÁTRIOS
Baviera bávaro
Belém (Jordânia) belemita
Bélgica belga
Bielo-Rússia ou bielo-russo
Belarus
Bilbau bilbaíno
Bizâncio bizantino
Bulgária búlgaro
Cairo cairota
Camarões camaronês
Canárias canarino
Cartago cartaginês ou púnico
Catalunha catalão
Ceilão cingalês
Chipre cipriota
Congo congolês
Córsega corso
Costa do Marfim marfinense
Croácia croata
Curdistão curdo
Damasco damasceno
Egito egípcio
Estônia estoniano
Etiópia etíope
Florença florentino
Galiza galego
Geórgia georgiano
Iêmen iemenita
Índia indiano ou hindu
Israel israelense ou israelita
Japão japonês ou nipônico
Java javanês ou jau
Jerusalém hierosolimita ou hierosolimitano
Letônia leto ou letão
Lituânia lituano
Madagáscar malgaxe
Madri madrilenho ou madrilense
Málaga malaguenho
Malásia malaio
Malta maltês
Manchúria manchu
Mântua mantuano
Meca mecano
Moldávia moldávio
Mônaco monegasco
Mongólia mongol ou mongólico
Nápoles napolitano ou partenopeu
Nazaré nazareno samarinês
Nova Zelândia neozelandês
País de Gales galês
Parma parmesão ou parmense
Pequim pequinês
San Marino samarinês
Sardenha sardo
Somália somali
Tadjiquistão tadjique
Tirol tirolês
Trento tridentino
Túnis tunisino
Ucrânia ucraniano
Varsóvia varsoviano
Zâmbia zâmbio

Em muitas situações, é necessário utilizar adjetivos próprios compostos, como
eurasiático, anglo-americano, ítalo-francês. Nesses casos, o primeiro dos
elementos do composto assume uma forma reduzida, de origem normalmente
erudita. Note que nem todos os adjetivos pátrios possuem formas reduzidas: as
principais se encontram no quadro a seguir.


CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
249

FORMAS REDUZIDAS DE ADJETIVOS PÁTRIOS
País, região ou continente, e Adjetivo pátrio
África afro-
Alemanha germano- ou teuto-
América américo-
Ásia ásio-
Austrália australo-
Áustria austro-
Bélgica belgo-
China sino-
Dinamarca dano-
Espanha hispano-
Europa euro-
Finlândia fino-
França franco-
Galiza galaico- ou galego-
Grécia greco-
Índia indo-
Inglaterra anglo-
Itália ítalo-
Japão nipo-
Portugal luso-

ATIVIDADES
1. Explique a diferença entre os adjetivos pátrios destacados.
a) Ele é fluminense, mas não é carioca.
b) Nem todo paulista é paulistano.
c) Eu pensava que ele fosse belenense. Na verdade, ele é belemita.
d) Não confunda as coisas: ela é portuense e não portenha.
e) Todo brasileiro é brasiliense?

2. Substitua os adjetivos pátrios destacados por formas equivalentes.
a) Ela é norte-rio-grandense; o marido, sul-rio-grandense.
b) Meu filho é catarinense; minha filha, espírito-santense.
c) Há anos não vejo meu amigo salvadorense.
d) A seleção húngara encantou o mundo na Copa de 1954.
e) Elogia-se muito a vida noturna buenairense.
f) Procura-se imitar o estilo de vida estadunidense.
g) A tecnologia japonesa invadiu o mundo.

3. Complete as frases abaixo com os adjetivos pátrios correspondentes às
expressões entre parênteses.
a) As praias () são inesquecíveis. (de Florianópolis)
b) O entardecer () muitas vezes realça a solidão do poder. (de Brasília)
c) O carnaval () atrai muitos turistas. (de Salvador)
d) O clima () é muito apreciado. (de Petrópolis)
e) A pobreza () parece não ter solução; o mesmo ocorre com a miséria () (do Piauí
/do Maranhão)
f) Um velho amigo () mostrou-me a beleza arquitetônica da cidade. (de São Luis)
g) Trouxe algumas peças de cerâmica () como lembrança de minhas aventuras () .
(de Marajó/do Pará)
h) Para ele, não basta dizer que é () : é necessário acrescentar que é () (de
Goiás/de Goiânia)
CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
250

i) (Como andam as economias () e () ? (de Tocantins /de Rondônia)
j) Qual a população () ? E a () ? (do Acre/de Rio Branco)

4. Este exercício é semelhante ao anterior.
a) Tenho um amigo () e outro () Preciso fazer amigos () e () (de Angola / de
Moçambique/da Guiné-Bissau/de Cabo Verde)
b) Em sua viagem a Portugal, você conheceu o litoral () ? E as praias () ? (da
Estremadura/do Algarve)
c) Fui conhecer as belezas () e as maravilhas () (de Braga / do Entre Douro e
Minho)
d) já provaste o azeite () ? (da Beira)
e) As tradições () são comparáveis às () e às () (do Porto/de Coimbra/de Lisboa)
f) Seu amigo português é () ? Eu o supunha () (de Castelo Branco/de Viseu)

5. Este exercício é semelhante ao anterior.
a) Seu sonho () converteu-se num pesadelo (). Ele embarcou no avião errado! (de
Nova Iorque/de Assunção)
b) A população () é pequena. (da Terra do Fogo)
c) Parece ter chegado ao fim a guerra civil () (de El Salvador)
d) O time () surpreendeu os times () e () na Copa de 1990. (da Costa Rica / da
Escócia/da Suécia)
e) Nosso basquete derrotou novamente o time () , mas perdeu do time () (de Porto
Rico/dos Estados Unidos)
f) Vou dar um passeio pela América Central: quero conhecer as realidades () , () e
() (da Nicarágua / da Guatemala / do Panamá)
g) A infra-estrutura urbana () é tão precária quanto a () Aliás, o mesmo se pode
dizer da () e da de muitas capitais de estado () (de La Paz/de Lima/de Quito/do
Brasil)

6. Este exercício é semelhante ao anterior.
a) Napoleão era () (da Córsega)
b) Foi à Itália estudar dialetos () ; acabou especializando-se em arte () (da
Sardenha /de Florença)
c) As guerras () ocupam boa parte dos livros de história antiga. (de Cartago)
d) Eu sabia que ele era (). Desconhecia se era () ou () (da Espanha/da Galiza/da
Andaluzia)
e) Ele é () ? É () ? (de Israel/de jerusalém)
f) Ele é () ? É () ? (da Síria/de Damasco)
g) As decisões do Conselho () espalharam terror pela Europa. (de Trento)
h) Uma das princesas () costuma envolver-se em escândalos. (de Mônaco)
i) Ele é () , () ou () ? (da Letônia/da Lituânia /da Estônia)


7. Que adjetivos pátrios compostos você empregaria para designar:
a) um acordo entre Alemanha e Itália?
b) um tratado entre China e Vietnã?
c) uma iniciativa conjunta entre a Finlândia e a Lituânia?
d) uma literatura comum à Galiza e Portugal?
e) uma exposição reunindo artistas da África e da América?
f) um império que abrangesse Aústria e Hungria?
g) uma cultura comum a gregos e romanos?
h) uma empresa formada por investidores da Bélgica e do Brasil?
i) um instituto de pesquisa financiado pelos governos da Inglaterra e da França?

8. Depois de conhecer melhor os adjetivos pátrios, você pode tentar explicar
alguns nomes freqüentes em nosso dia-a-dia. Por que será, por exemplo, que:
a) um certo tipo de queijo se chama parmesão?
b) um time de futebol se chama Fluminense?
c) um certo tipo de cão se chama pequinês?
d) certo tipo de canção se chama malaguenha?
e) certo tipo de lingüiça se chama calabresa?

CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
251

3 CORRESPONDÊNCIA ENTRE ADJETIVOS E LOCUÇÕES ADJETIVAS
Há muitos adjetivos que mantêm certa correspondência de significado com
locuções adjetivas, e vice-versa. E o caso dos exemplos já citados paterno/de pai
e bucal/da boca. A correspondência de significado nesses casos não significa
que a substituição da locução pelo adjetivo correspondente seja sempre possível.
Tampouco a substituição contrária é sempre admissível. Colar de marfim, por
exemplo, é uma expressão cotidiana: seria pouco recomendável passar a dizer
colar ebúrneo ou ebóreo, pois esses adjetivos têm uso restrito à linguagem literária.
Contrato leonino é uma expressão usada na linguagem jurídica: é muito pouco
provável que os advogados passem a dizer contrato de leão. Em outros casos, a
substituição é perfeitamente possível, transformando a equivalência entre
adjetivos e locuções adjetivas em mais uma ferramenta para o aprimoramento dos
textos, pois oferece possibilidades de variação vocabular. É o que ocorre na se-
qüência de frases a seguir:
A população das cidades tem aumentado demasiadamente no Brasil. Isso tem
conduzido ao caos urbano.
- nota da ledora: anúncio de consumo, com as letras dos Estados Unidos, USA,
escritas nas cores da bandeira americana, vermelho, azul e branco, com a
legenda: sociedade de consumo. - fim da nota.
De consumo é uma locução corresponde ao adjetivo consumista.

Fornecemos a seguir uma relação de locuções adjetivas e adjetivos
correspondentes. Muitos desses adjetivos são de origem erudita, tendo uso
restrito à linguagem técnica ou literária. Baseando-se em sua experiência
lingüística, procure detectar os casos em que o adjetivo e a locução podem ser
substituídos um pelo outro sem grandes alterações de sentido.


LOCUÇÕES ADJETIVAS E ADJETIVOS CORRESPONDENTES

de abdômen abdominal
de abelha apícola
de águia aquilino
de aluno discente
de asno asinino
da audição ótico, auditivo
de bispo episcopal
de boca bucal ou oral
de ano anual
de boi bovino

CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
252
Locução e Adjetivo
de cabelo capilar
de lebre leporino
de cabra caprino
de leite lácteo, láctico
do campo rural, campesino, bucólico
de lobo lupino
de lua lunar, selênico
de cão canino
de macaco simiesco
de cavalo eqüino, eqüídeo
de mãe maternal, materno
de chumbo plúmbeo
de manhã matinal
de chuva pluvial
de marfim ebúrneo, ebóreo
de cidade citadino, urbano
de mármore marmóreo
de cinza cinéreo
de mestre magistral
de cobra ofídico
de monge monacal
de coração cardíaco, cordial
de morte mortal, letal
de crânio craniano
de nádegas glúteo
de criança pueril, infantil
de nariz nasal
de diamante diamantino, adamantino
de neve níveo, nival
de noite noturno
de estômago estomacal, gástrico
de nuca occipital
de estrela estelar
de olho ocular
de face facial
de orelha auricular
de fera ferino
de osso ósseo
de fígado figadal, hepático
de ouro áureo
de filho filial
de ovelha ovino
de fogo ígneo
de pai paternal, paterno
de frente frontal
de paixão passional
de garganta gutural
de pedra pétreo
de gato felino
de pele epidérmico, cutâneo
degelo glacial
de pescoço cervical
de gesso gípseo
de porco suíno, porcino
de guerra bélico
de prata argênteo
de homem viril, humano
de professor docente
de idade etário
de proteína protéico
de ilha insular
de pulmão pulmonar
de intestino celíaco, entérico, intestinal
dos quadris ciático
de rim renal
de inverno hibernal
de rio fluvial
de irmão fraternal, fraterno
de rocha rupestre
de lado lateral
de selva silvestre
de lago lacustre
de sonho onírico
de leão leonino
de sintaxe sintático


CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
253

LOCUÇÃO E ADJETIVO
de tarde vesperal, vespertino
da terra terreno, terrestre, telúrico
de vento eólico, eólio
de verão estival
de víbora viperino
de tórax torácico
de vidro vítreo
de touro taurino
de virgem virginal
de umbigo umbilical
de visão óptico ou ótico
de veias venoso
da voz vocal
de velho senil

ATIVIDADES


1. Explique o sentido dos adjetivos destacados.
a) São rios de regime (nival) e (pluvial).
b) Há quem acredite que ter um comportamento viril equivale a deixar de agir
como ser (humano).
c) Nosso vizinho tem um grave problema (cardíaco). É uma pena, pois ele é uma
pessoa muito (cordial).
d) O corpo (discente) da escola resolveu apoiar as reivindicações do corpo
(docente).
e) Trouxeram-nos um quilo de mel (silvestre).
f) Estão querendo dinamitar a gruta em que há inscrições (rupestres)!
g) Seu inimigo (figadal) vive sofrendo de males hepáticos.
h) Infelizmente, a criança nasceu com lábios (leporinos).
i) Percebeu que estava tornando-se (senil) quando as dores (renais), (cervicais) e
(ciáticas) não o abandonaram mais.
j) Não toque nisso! É um veneno letal! 1) Foi condenado pelo crime passional que
cometeu há dois anos.
m) Fale alto: ele tem um sério problema (ótico).
n) Não adianta gesticular diante dele: ele tem um sério problema (ótico).

2. Releia as frases m e n no exercício anterior e proponha formas de substituir os
termos destacados por outros que evitem ambigüidades.

3. Complete as frases seguintes com os adjetivos correspondentes às locuções
entre parênteses.
a) Todos admiram seu andar () Eu tenho medo de sua língua () . (de gata/de cobra)
b) Saiu para sua caminhada () e acabou voltando somente na hora da refeição () -
(da manhã/da tarde)
c) Houve um significativo crescimento nos rebanhos () , () , () e () (de bois/de ove-
lhas/de cabras/de porcos)
d) Seus problemas () e () requerem os cuidados de um especialista. (de estôma-
go/de intestino)
e) Passou por uma cirurgia () (da boca)
f) A população () apresenta distribuição () equilibrada. (das ilhas/de idade)
g) Após o acidente, foi levado ao hospital com fortes dores () e suspeita de
traumatismo () (do tórax/do crânio)
h) A navegação () é muito praticada no Norte do país. (dos rios)
i) É um alimento de elevado teor () Pena que seja inacessível à população mais po-
bre! (de proteínas)
j) Cobravam de mim um comportamento () , como se me houvessem tratado com
atenções () ou () (de filho/de mãe/de pai)

CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
254

4 FLEXÕES

Os adjetivos se flexionam em gênero e número e apresentam variações de grau bem
mais complexas que as dos substantivos.

O adjetivo concorda em gênero com o substantivo a que se refere:
um comportamento estranho
uma atitude estranha
um jornalista ativo
uma jornalista ativa
Os adjetivos também são classificados em biformes e uniformes.

Adjetivos biformes
Possuem uma forma para o gênero masculino e outra para o gênero feminino. A
formação do feminino desses adjetivos costuma variar de acordo com a
terminação da forma masculina, de modo semelhante ao que acontece com os
substantivos.


Os adjetivos terminados em -o trocam essa terminação por -a:
ativo/ativa branco/branca honesto/honesta
Em alguns casos, além da mudança na terminação, há alteração no timbre da
vogal tônica, que de fechado passa a aberto:
brioso/briosa formoso/formosa grosso/grossa

Os adjetivos terminados em -ês, -or, -e, -u geralmente recebem a terminação -a:
português/portuguesa sedutor/sedutora cru/crua
Destaquem-se hindu, cortês, pedrês, incolor, multicor, bicolor, tricolor e as formas
comparativas maior, melhor, menor, pior, superior, inferior, anterior, posterior, que
são invariáveis. Destaque-se também o par mau/má.


Os adjetivos terminados em -ão trocam essa terminação por -a, -ona e, mais
raramente, por -oa:

são/sã chorão/chorona beirão/beiroa
catalão/catalã comilão/comilona


CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
255

Os adjetivos terminados em -eu trocam essa terminação por -éia; os terminados
em -éu, por -oa:
plebeu/plebéia
ateu/atéia
tabaréu/tabaroa
ilhéu/ilhoa
Destaquem-se judeu/judia e sandeu/sandia.

Nos adjetivos compostos formados por dois adjetivos, apenas o último elemento
sofre flexão; aqueles em que o segundo elemento é um substantivo são
invariáveis:
cidadão luso-brasileiro
cidadã luso-brasileira
casaco verde-escuro
saia verde-escura
clínica médico-dentária
consultório médico-dentário
tecido amarelo-ouro
roupa amarelo-ouro
papel verde-mar
tinta verde-mar
Destaque-se surdo-mudo, em que variam os dois elementos:
rapaz surdo-mudo moça surda-muda

Adjetivos uniformes
São os adjetivos que possuem uma única forma para o masculino e o feminino:
pássaro frágil
ave frágil
ator ruim
atriz ruim
empresa agrícola

planejamento agrícola
vida exemplar
comportamento exemplar




- nota da ledora: quadrinho da famosa Radical Chic, de Miguel Paiva, em retrospectiva 96,
apresentando-a sentada e pensativa, se autodefinindo, com o seguinte texto: arrogante, prepotente,
agressiva, impaciente, exigente, insensível, possessiva, teimosa, tarada, chata, e louca. - fim da nota.
O quadrinho ao lado nos oferece uma rica lista de adjetivos uniformes: arrogante,
prepotente, impaciente, exigente, insensível.
CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
256


São uniformes os adjetivos compostos em que o segundo elemento é um
substantivo:
casaco amarelo-limão carro verde-garrafa
camisa amarelo-limão bicicleta verde-garrafa
Também são uniformes os compostos azul-marinho e azul-celeste.

FLEXÃO DE NÚMERO

O adjetivo concorda em número com o substantivo a que se refere:
governante capaz governantes capazes
salário digno salários dignos

A formação do plural dos adjetivos simples segue as mesmas regras da formação
do plural dos substantivos simples. Já o plural dos adjetivos compostos segue os
mesmos procedimentos da variação de gênero desses adjetivos.
Nos adjetivos compostos formados por dois adjetivos, apenas o segundo
elemento vai para o plural:
tratado luso-brasileiro tratados luso-brasileiros
intervenção médico-cirúrgica intervenções médico-cirúrgicas

Destaque-se novamente surdo-mudo:
rapaz surdo-mudo
rapazes surdos-mudos

Os adjetivos compostos em que o segundo elemento é um substantivo são
invariáveis também em número:
recipiente verde-mar recipientes verde-mar
uniforme amarelo-canário uniformes amarelo-canário

Também são invariáveis azul-marinho e azul-celeste:
camisa azul-marinho camisas azul-marinho
camiseta azul-celeste camisetas azul-celeste

- nota da ledora: quadro de destaque na página:
OBSERVAÇÃO:
Os adjetivos compostos podem ser divididos em três tipos:
a) os que são formados por dois adjetivos, como verde-escuro e médico-dentário - nesses casos, é o
segundo elemento que varia para indicar gênero e número ( verde-escura, verde-escuros, verde-
escuras; médico-dentária, médico-dentários, médico-dentárias);
b) os que apresentam como um segundo elemento um substantivo, como amarelo-ouro e verde-mar -
adjetivos desse tipo são invariáveis em gênero e número;
c) os que indicam cores e são formados pela expressão cor + substantivo - adjetivos desse tipo são
invariáveis, mesmo quando a expressão cor de estiver subentendida ( papel cor-de-rosa, papéis cor-
de-rosa; giz ( cor de ) laranja; gizes ( cor de) laranja, carro (cor de ) creme, carros ( cor de )
creme; camisa ( cor de ) cinza, camisas ( cor de ) cinza, etc. ) - fim do quadro de destaque.


CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
257

FLEXÃO DE GRAU
Os adjetivos variam em grau quando se deseja comparar ou intensificar as
características que atribuem. Há, portanto, dois graus do adjetivo: o comparativo
e o superlativo.


Comparativo
Nesse grau, compara-se a mesma característica atribuída a dois ou mais seres ou
duas ou mais características atribuídas a um mesmo ser. O comparativo pode ser
de igualdade, de superioridade ou de inferioridade, e é formado por estruturas
analíticas de que participam advérbios e conjunções. Observe as frases
seguintes:
comparativo de igualdade: Ele é tão exigente quanto justo.
Ele é tão exigente quanto (ou como) seu irmão.

comparativo de superioridade: Estamos mais atentos (do) que eles.
Estamos mais atentos (do) que ansiosos.

comparativo de inferioridade: Somos menos passivos (do) que eles.
Somos menos passivos (do) que tolerantes.


Os adjetivos bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas para o grau
comparativo de superioridade: melhor, pior, maior e menor, respectivamente:
Essa solução é melhor (do) que a outra.
Minha voz é pior (do) que a sua.
O descaso pela miséria é maior (do) que o senso humanitário.
A preocupação social é menor (do) que a ambição individual.

As formas analíticas correspondentes (mais bom, mais mau, mais grande, mais
pequeno só devem ser usadas quando se comparam duas características de um
mesmo ser:
Ele é mais bom (do) que inteligente.
Todo corrupto é mais mau (do) que esperto.

Meu salário é mais pequeno (do) que justo.
Este país é mais grande (do) que equilibrado.
Atente para o fato de que as formas menor e pior são comparativos de superioridade,
pois equivalem a mais pequeno e mais mau, respectivamente.


Superlativo

Nesse grau, a característica atribuída pelo adjetivo é intensificada de forma relativa
ou absoluta.
No grau superlativo relativo, essa intensificação é feita em relação a todos os
demais


CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
258

seres de um conjunto que a possuem. O superlativo relativo pode exprimir
superioridade ou inferioridade e é sempre expresso de forma analítica:
SUPERLATIVO RELATIVO DE SUPERIORIDADE:
Ele é o mais atento de todos.
Ele é o mais exigente de todos os irmãos.

SUPERLATIVO RELATIVO DE INFERIORIDADE:
Você é o menos crítico de todos.
Você é o menos passivo de todos os amigos.

As formas do superlativo relativo de superioridade dos adjetivos bom, mau, grande e
pequeno também são sintéticas: o melhor, o pior, o maior e o menor.

- nota da ledora: quadro de anúncio da Zoomp, apresentando uma moça sozinha no carro,
com três extraterrestres como companhia, e o seguinte texto:
ETs são as melhores companhias para terça-feira à noite.
Bebem, dançam, fumam, dizem bobagem, e na sexta não
ligam querendo saber o que você vai fazer no fim de semana. - fim da nota.
No trecho "as melhores companhias", subentende-se "as melhores companhias de
todas". As melhores constitui, portanto, forma do superlativo relativo de superioridade
do adjetivo bom.

No grau superlativo absoluto, intensifica-se a característica atribuída pelo adjetivo a um
determinado ser, transmitindo idéia de excesso. O superlativo absoluto pode ser
analítico ou sintético:

CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
259



a) o superlativo absoluto analítico é formado normalmente com a participação de
um advérbio:
Você é muito crítico.
Ele é demasiadamente exigente.
Somos excessivamente tolerantes.

b) o superlativo absoluto sintético é expresso com a participação de sufixos. O
mais comum deles é -issimo; nos adjetivos terminados em vogal, esta desaparece
ao ser acrescentado o sufixo do superlativo:
Trata-se de um artista originalíssimo.
Ele é exigentíssimo.
Seremos tolerantíssimos.

Muitos adjetivos possuem formas irregulares para exprimir o grau superlativo
absoluto sintético. Muitas dessas irregularidades ocorrem porque o adjetivo, ao
receber o sufixo, reassume a forma latina. É o caso dos terminados em -vel, que
assumem a terminação -bilíssimo (volúvel - volubilíssimo, indelével -
indelebilíssimo). Na relação abaixo, você encontrará muitas formas irregulares do
superlativo absoluto sintético. Observe que algumas são de uso comum (facílimo
e dificílimo, por exemplo), enquanto outras pertencem a linguagem formal
(acérrimo, pulquérrimo, por exemplo).

FORMAS DO SUPERLATIVO ABSOLUTO SINTÉTICO DIGNAS DE NOTA

Adjetivo e superlativo absoluto sintético

acre acérrimo
doce dulcíssimo
ágil agílimo
eficaz eficacíssimo
agradável agradabilíssimo
fácil facílimo
agudo acutíssimo
feliz felicíssimo
alto altíssimo, supremo
feroz ferocíssimo
amargo amaríssimo
fiel fidelíssimo
amável amabilíssimo
frágil fragílimo
amigo amicíssimo
frio frigidíssimo, friíssimo
antigo antiqüíssimo
geral generalíssimo
áspero aspérrimo
grande máximo
atroz atrocíssimo
humilde humílimo
audaz audacíssimo
incrível incredibilíssimo
benéfico beneficentíssimo
infame infamérrimo
benévolo benevolentíssimo
inimigo inimicíssimo
bom boníssimo, ótimo
jovem juvenilíssimo
capaz capacíssimo
livre libérrimo
célebre celebérrimo
magnífico magnificentíssimo
cruel crudelíssimo
magro macérrimo, magríssimo
difícil dificílimo


CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
260


Adjetivo e superlativo absoluto sintético
manso mansuetíssimo
mau péssimo
miserável miserabilíssimo
miúdo minutíssimo
negro nigérrimo, negríssimo
nobre nobilíssimo sensível
notável notabilíssimo
pequeno mínimo
perspicaz perspicacíssimo
pessoal personalíssimo
pobre paupérrimo, pobríssimo
possível possibilíssimo
pródigo prodigalíssimo
próspero prospérrimo
provável probabilíssimo
público publicíssimo
pudico pudicíssimo
pulcro pulquérrimo
rústico rusticíssimo
sábio sapientíssimo
sagrado sacratíssimo
salubre salubérrimo
sensível sensibilíssimo
simpático simpaticíssimo
simples simplícimo, simplicíssimo
soberbo superbíssimo
tenaz tenacíssimo
tenro teneríssimo
terrível terribilíssimo
veloz velocíssimo
visível visibilíssimo
volúvel volubilíssimo
voraz voracíssimo
vulnerável vulnerabilíssimo



Os adjetivos terminados em -io não precedidos de e formam o superlativo absoluto
sintético em iíssimo:
- sério - seriíssimo
necessário - necessariíssimo
frio - friíssimo
feio - feíssimo
mas cheio - cheíssimo

ATIVIDADES

1. Complete as frases abaixo com a forma apropriada dos adjetivos colocados entre
parênteses.
a) Apesar de ser uma dentista () , possuía já
uma () clientela. (recém-formado/numeroso)
b) Comprei uma camisa () e um chapéu ()
para desfilar no Carnaval. (amarelo-claro/cor-de-rosa)
c) Aquela moça é (). Onde já se viu dar tanto dinheiro por uma motocicleta () ! (san-
deu/amarelo-limão)
d) Todas aquelas famílias () são de origem () (sulino/europeu)
e) Sou do tempo em que se usava camisa () , calça () e sapatos () como uniforme
nos

CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADjETIVOS
261


colégios () (branco/azul-marinho /preto/estadual)
f) A alma daquela criatura é () (azul-celeste) g) A atual conjuntura () levou aquela
tradicional empresa () à falência. (socioeconômico/anglo-saxão)
h) A pobreza () parece não sensibilizar a comunidade () (latino-americano / Ítalo-
franco-germânico)
i) Vários jovens () ganharam medalhas nas olimpíadas para deficientes físicos.
(surdo-mudo)
j) Sua presença () sequer foi notada pela bela jovem () que ele pretendia paquerar.
(incolor/norueguês)
l) Ele diz que uma ordem () o obriga a adotar uma prática tão ()
(superior/conservador)
m) A jovem estava perfeitamente () quando saiu daqui. (são)

2. Complete as lacunas das frases abaixo com a forma apropriada dos adjetivos
entre parênteses.
a) Várias clínicas () foram fiscalizadas durante a semana. (médico-cirúrgico)
b) Ele é um excêntrico. As paredes de sua casa são () , suas camisas costumam
ser () ; além disso, ele costuma exibir uma boina () . Apelidaram-no "Amarelão".
(amarelo-canário/amarelo-ouro/amarelo-limão)
c) Os métodos () pelos especialistas não têm sido () Talvez sejam () medidas
menos () para resolver o problema. (empregado /eficaz/necessário/tradicional
d) Várias entidades () de defesa dos direitos () protestaram contra as ações ().
(latino-americano/humano/policial>
e) Alguns torneios () () foram () devido à falta de empresas () , (esportivo / afro-
asiático/suspenso /patrocinador)
f) Mulheres () fizeram um protesto contra a discriminação de que são vítimas
quando procuram emprego. (surdo-mudo)
g) Os documentos do ano passado estão nas pastas () ; os deste ano, nas pastas
() (azul-marinho/azul-celeste
h) Ela tem cabelos () e olhos () Não há como confundi-la com outra. (castanho-
escuro/azul-turquesa)
i) Aquelas cortinas () dão um tom trágico ao ambiente. É melhor substitui-las por
outras mais () (vermelho-sangue/sóbrio)
j) Olhos () e cabelos (): é assim que a imagino em meus devaneios. (verde-esmeral-
da / castanho-claro)
l) Suas roupas () e seus gestos () renderam muitos comentários () (lilás /
audaz/venenoso)

3. Complete as frases de acordo com o modelo:

É um poema belo. Não: é belíssimo!

a) A vida é frágil. Não: é (),
b) Era um homem talentoso. Não: era ()
c) É um jogador ágil. Não: é
d) Foi um lugar agradável. Não: foi ()
e) Será uma pessoa amável. Não: será ()
f) É uma moeda antiga. Não: é () ,
g) É um corredor audaz. Não: é ()
h) Seria um homem bom. Não: seria () .
i) É uma solução boa. Não: é
j) É uma criança doce. Não: é ()
l) Teria sido um animal feroz. Não: teria sido ().
m) Fora um espírito livre. Não: fora () .
n) É um sujeito magro. Não: é () .
O) É um país pobre. Não: é ()
p) Tinha sido uma pessoa simpática. Não: tinha sido ()
q) É uma alma volúvel. Não: é () ,

4. Na língua coloquial, utilizamos formas superlativas nem sempre aceitáveis na
língua formal. Observe algumas dessas formas coloquiais nas frases abaixo; a
seguir, reescreva as frases utilizando o superlativo absoluto apropriado à língua
formal.
a) É um piloto hiperveloz!
b) Crianças subnutridas têm uma constituição vulnerável, vulnerável.
c) Ela adotou uma posição supercrítica.
d) É superpossível que a gente vá viajar.
e) Tem uma cabeça arquipequena!
f) É um cão supermanso.
g) Ele é arquiamigo de meu irmão.
h) É uma planta fragilzinha.
i) Saiu daqui felizinho da silva! É um cara sabidão!
j) É um cara sabichão
CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
262

TEXTO PARA ANÁLISE

- nota da ledora: propaganda da revista Quatro Rodas, com o seguinte texto: Carros clássicos Quatro
Rodas. Já virou um Clássico. - fim da nota.

Classifique a palavra clássico em suas duas ocorrências no texto ao lado e
explique qual o processo de derivação envolvido nessa mudança de classe
gramatical.

- nota da ledora: quadrinhos da Radical Chic, no primeiro quadro: Retrospectiva
96 ( Radical sentada na poltrona) falando : arrogante, prepotente, agressiva,
impaciente, exigente, insensível, possessiva, teimosa, tarada, chata e louca. - no
segundo quadro, retrospectiva 97: ( Radical de pernas cruzadas, na poltrona)
falando: modesta, humilde, pacífica, despojada, sensível, desprendida,
compreensiva, calma, legal, e careta. - fim da nota.
TRABALHANDO O TEXTO
Pense no conceito de adjetivo e justifique por que o texto é quase exclusivamente
formado por adjetivos.

CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
263



Mundo novo, vida nova
Buscar um mundo novo, vida nova
E ver, se dessa vez, faço um final feliz
Deixar de lado
Aquelas velhas histórias
O verso usado
O canto antigo
Vou dizer adeus
Fazer de tudo e todos bela lembrança
Deixar de ser só esperança
E por minhas mãos, lutando, me superar
Vou traçar no tempo meu próprio caminho
E assim abrir meu peito ao vento
Me libertar
De ser somente aquilo que se espera
Em forma, jeito, luz e cor
E vou
Vou pegar um mundo novo, vida nova
Vou pegar um mundo novo, vida nova

(GONZAGA Júnior, Luís. In: Elis Regina. Saudades do Brasil. CD Warner Music
do Brasil m250678-2, 1989.)
TRABALHANDO O TEXTO:

1. Utilize o título da canção para explicar como se relacionam adjetivos e
substantivos.
2. Final e feliz são duas palavras que costumam andar juntas. Classifique-as
morfologicamente. A seguir, utilize a palavra final numa frase em que tenha
classificação morfológica diferente da que tem no texto.
3. Observe as expressões "velhas histórias" e "canto antigo". Se mudarmos a
posição das palavras (histórias velhas e antigo canto), ocorrerão também
mudanças de significado? Comente.
4. Abrir o peito ao vento, libertar-se, encontrar um mundo novo, uma vida nova:
essas propostas lhe parecem interessantes? O que você pensa sobre elas?

Em novas vozes
Obra de Edu Lobo ganha versões cuidadosas

Inventiva, vigorosa e sofisticada, a obra de Edu Lobo poucas vezes experimentou
grande sucesso popular. Ao contrário de seus parceiros Chico Buarque e
Vinicius de Moraes, o compositor de "Ponteio" não figura entre os nomes mais
lembrados do cancioneiro nacional. Portanto, é oportuno o lançamento de seu
songbook. O CD duplo produzido por Almir Chediak é excelente por vários
motivos. Primeiro, por se tratar de um dos maiores harmonizadores da música
brasileira. Segundo, porque Edu dividiu sua obra com letristas irrepreensíveis.
Além de Vinicius e Chico, compôs com Capinam, Torquato Neto, Ruy Guerra e
Gianfrancesco Guarnieri. Sempre fez boas músicas para
CAPíTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
264

boas letras. Terceiro, porque as gravações, inéditas, reúnem um time de feras.
Na escolha das músicas e dos intérpretes aparecem algumas das melhores
surpresas do disco. Hermeto Pascoal toca "Corrupião", faixa-título do último
disco de Edu, acompanhado pelo Quinteto Villa-Lobos (que, estranhamente, tem
dez músicos) e mais dois percussionistas. Usam instrumentos como garrafão de
plástico, tampa de caneta e caixa de papelão. Por mais anárquico que seja
Hermeto, a gravação esbanja musicalidade. Já "Zanzibar" foi arranjada e
executada por Egberto Gismonti. Nela, o talento de Edu Lobo salta aos ouvidos
em grande estilo. Nas canções mais conhecidas também aparecem versões
surpreendentes. E o caso de "Ponteio" na voz de Alceu Valença, "Arrastão" com
Tim Maia e "Upa, neguinho" com Caetano Veloso, num sutil arranjo de voz e
violão. Gal Costa canta a belíssima "Beatriz", música sobre letra que Chico
Buarque fez para a mulher, Marieta Severo. O acompanhamento é de Jaques
Morelembaun, que sobrepôs vários cellos e fez um bordado instrumental
comovente.
Maneirismo - Tirando inspiração de vários gêneros musicais, do samba ao im-
pressionismo, Edu é criativo não só nas harmonias, mas também na rítmica de
suas canções. Isso permite ao compositor sair-se bem seja no foxtrote "A história
de Lily Braun" (cantada por Leila Pinheiro), seja na sincopada "Lero-lero",
parceria com Cacaso que foi tema de novela e aparece no CD pelas vozes do
coral Garganta Profunda. As 33 faixas do álbum, se não deixam nenhuma lacuna
grave da obra de Edu, também desviam ao máximo de um problema que costu-
mava aparecer nos songbooks assinados por Chediak. Ao reunir tantos artistas em
torno da obra de um único compositor, abria-se o espaço para "exotismos" de
gente que quase nada poderia acrescentar a ela. Desta vez, apenas Ed Motta
parece fora de lugar, forçando uma interpretação cheia de maneirismos em
"Bancarrota blues". O resto faz jus à estatura do homenageado.

(MASSON, Celso. In: Veja, 21 ago. I996)

TRABALHANDO O TEXTO

Faça um levantamento dos adjetivos presentes no texto e a seguir responda: eles
indicam a opinião do redator sobre a coletânea da obra de Edu Lobo ou fornecem
informações sobre ela? Comente.


CAPíTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS

265

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES
1 (FUVEST-SP) "(...) No fundo o imponente castelo. No primeiro plano a íngreme
ladeira que conduz ao castelo. Descendo a ladeira numa disparada louca o
fogoso ginete.
Montado no ginete o apaixonado caçula do castelão inimigo de capacete prateado
com plumas brancas. E atravessada no ginete a formosa donzela desmaiada
entregando ao vento os cabelos cor de carambola." (A. de Alcântara Machado,
Carmela.)
"(...) Íamos, se não me engano, pela rua das Mangueiras, quando voltando-nos,
vimos um carro elegante que levavam a trote largo dois fogosos cavalos. Uma
encantadora menina, sentada ao lado de uma senhora idosa, se recostava
preguiçosamente sobre o macio estofo e deixava pender pela cobertura derreada
do carro a mão pequena que brincava com um leque de penas escarlates." José
de Alencar, Lucíola.)
Nesses excertos, observa-se que a maioria dos substantivos são modificados por
adjetivos ou expressões equivalentes. Comparando os dois textos:
a) aponte em cada um deles o efeito produzido por tal recurso lingüístico;
b) justifique sua resposta.

2 (FEBASP) "Os homens são os melhores fregueses" os melhores encontra-se no grau:
a) comparativo de superioridade.
b) superlativo relativo de superioridade.
c) superlativo absoluto sintético.
d) superlativo absoluto analítico de superioridade.

3 (PUCC-SP) O (desagradável) da questão era vê-lo de (mau) humor depois da (troca)
de turno.
Na frase acima, as palavras destacadas comportam-se, respectivamente, como:
a) substantivo, adjetivo, substantivo.
b) adjetivo, advérbio, verbo.
c) substantivo, adjetivo, verbo.
d) substantivo, advérbio, substantivo.
e) adjetivo, adjetivo, verbo.

4 (UNIMEP-SP) Em algumas gramáticas, o adjetivo vem definido como sendo "a
palavra que modifica o substantivo". Assinale a alternativa em que o adjetivo
destacado contraria a definição.
a) Li um livro lindo.
b) Beber água é saudável.
c) Cerveja gelada faz mal.
d) Gente fina é outra coisa!
e) Ele parece uma pessoa simpática.

5 (FATEC-SP) Indique a alternativa em que não é atribuída a idéia de superlativo
ao adjetivo.
a) É uma idéia agradabilíssima.
b) Era um rapaz alto, alto, alto.
c) Saí de lá hipersatisfeito.
d) Almocei tremendamente bem.
e) É uma moça assustadoramente alta.

6 (FEI-SP) Siga o modelo:

modificação da paisagem : modificação paisagística

a) água dá chuva
b) exageros da paixão
c) atitudes de criança
d) soro contra veneno de Serpente

7 (EEM-SP) Dê o superlativo absoluto sintético de:
a) feliz
b) livre

8 (EEM-SP) Faça conforme o modelo:
alma de fora : alma exterior
a) imagem do espelho
b) parede de vidro
c) imposição da lei
d) comprimento da linha

CAPíTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
266

9 (EPM-SP) Dê os adjetivos equivalentes às expressões em destaque.
a) programa (da tarde)
b) ciclo (da vida)
c) representante (dos alunos)

10 (EEM-SP) Passe para o plural.
a) borboleta azul-clara
b) borboleta cor-de-laranja

11 (ITA-SP) Dadas as afirmações de que os adjetivos correspondentes aos
substantivos:
1. enxofre 2. chumbo 3. prata
são, respectivamente,
1. sulfúreo 2. plúmbeo 3. argênteo
verificamos que está (estão) correta(s):
a) apenas a afirmação 1.
b) apenas a afirmação 2.
c) apenas a afirmação 3.
d) apenas as afirmações 1 e 2.
e) todas as afirmações.

12 (UnB-DF) Relacione a primeira coluna à segunda.
(1) água
(2) chuva
(3) gato
(4) marfim
(5) prata
(6) rio
(7) não consta da lista
() pluvial
() ebúrneo
() felino
() aquilino
() argênteo
a seqüência correta é:
a) 7, 7, 3, 1, 7.
b) 6, 3, 7, 1, 4.
c) 2, 4, 3, 7, 5.
d) 2, 4, 7, 1, 7.

13 (ITA-SP) Os superlativos absolutos sintéticos de comum, soberbo, fiel, miúdo são,
respectivamente:
a) comuníssimo, super, fielissimo, minúsculo.
b) comuníssimo, sobérrimo, fidelíssimo, minúsculo.
c) comuníssimo, superbíssimo, fidelíssimo, minutíssimo.
d) comunérrimo, soberrimo, fidelíssimo, miudérrimo.
e) comunérrimo, sobérrimo, fielíssimo, minutíssimo.

14 (ITA-SP) Os adjetivos lígneo, gípseo, níveo, braquial significam, respectivamente:
a) lenhoso, feito de gesso, alvo, relativo ao braço.
b) lenhoso, feito de gesso, nivelado, relativo ao crânio.
c) lenhoso, rotativo, abalizado, relativo ao crânio.
d) associado, rotativo, nivelado, relativo ao braço.
e) associado, feito de gesso, abalizado, relativo ao crânio.


15 (UM-SP) Aponte a alternativa incorreta quanto à correspondência entre a
locução e o adjetivo.
a) glacial (de gelo); ósseo (de osso)
b) fraternal (de irmão); argênteo (de prata)
c) farináceo (de farinha); pétreo (de pedra)
d) viperino (de vespa); ocular (de olho)
e) ebúrneo (de marfim); insípida (sem sabor)


16 (ITA-SP) O plural de terno azul-claro, terno verde-mar é, respectivamente:
a) ternos azuis-claros, ternos verdes-mares.
b) ternos azuis-claros, ternos verde-mares.
c) ternos azul-claro, ternos verde-mar.
d) ternos azul-claros, ternos verde-mar.
e) ternos azuis-claro, ternos verde-mar.

17 (UFJF-MG) Marque:
a) se I e II forem verdadeiras
b) se I e III forem verdadeiras
c) se II e III forem verdadeiras
d) se todas forem verdadeiras
e) se todas forem falsas
"... eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor... "
I. No primeiro caso, autor é substantivo; defunto é adjetivo.
II. No segundo caso, defunto é substantivo; autor é adjetivo.
III. Em ambos os casos, tem-se um substantivo composto.

CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
267


18 (CESGRANRIO-RJ) Assinale a alternativa em que o termo cego(s) é um adjetivo.
a) "Os cegos, habitantes de um mundo esquemático, sabem aonde ir..."
b) "O cego de Ipanema representava naquele momento todas as alegorias da
noite escura da alma... "
c) "Todos os cálculos do cego se desfaziam na turbulência do álcool."
d) "Naquele instante era só um pobre cego."
e)"... da Terra que é um globo cego girando no caos."

19 (UFSC) Observe as proposições abaixo:
01. Poucos autores escrevem poemas herói-cômicos.
02. Os cabelos castanhos-escuros emolduravam-lhe o semblante juvenil.
04. Vestidos vermelhos e amarelo-laranja foram os mais vendidos na exposição.
08. As crianças surdo-mudas foram encaminhadas à clínica para tratamento.
16. Discutiu-se muito a respeito de ciências político-sociais na última assembléia
dos professores.
32. As sociedades luso-brasileira adquiriram novos livros de autores portugueses.
Marque as frases corretas e some os valores que lhes são atribuídos.

20 (UNIMEP-SP) O adjetivo está mal flexionado em grau em:
a) livre: libérrimo
b) magro: macérrimo
c) doce: docílimo
d) triste: tristíssimo
e) fácil: facílimo

21 (CEFET-PR) Siga o exemplo:
Não chame a torre de alta, mas de altíssima.
Não considero sua atitude nobre, mas () .

22 (PUCSP) No trecho " … o homem não fala simplesmente uma língua, não a usa,
como (mero) instrumento de comunicação" , o termo sublinhado é um
- nota da ledora: em todos os exercício do livro, em que as palavras são sublinhadas ou
um termo é destacado, o mesmo encontra-se entre parênteses, por motivos óbvios. - fim
da nota.
a) substantivo e significa "simples".
b) advérbio e significa "genuíno ".
c) adjetivo e significa "quase".
d) advérbio e significa "estreme".
e) adjetivo e significa "puro".

23 (UM-SP) Assinale a alternativa em que ambos os adjetivos não se flexionam em
gênero.
a) elemento motor, tratamento médico-dentário
b) esforço vão, passeio matinal
c) juiz arrogante, sentimento fraterno
d) cientista hindu, homem célebre
e) costume andaluz, manual lúdico-instrutivo

24 (UFF-RJ) Das frases abaixo, apenas uma apresenta adjetivo no comparativo de
superioridade. Assinale-a.
a) A palmeira é a mais alta árvore deste lugar.
b) Guardei as melhores recordações daquele dia.
c) A Lua é menor do que a Terra.
d) Ele é o maior aluno de sua turma.
e) O mais alegre dentre os colegas era Ricardo.

25 (FMIt-MG) Dê o grau normal dos superlativos:
a) macérrimo
b) tetérrimo
c) minutissimo
d) personalíssimo
e) ferocíssimo

26 (UFU-MG) Relativamente à concordância dos adjetivos compostos indicativos
de cor, uma, dentre as seguintes alternativas, está errada. Qual?
a) saia amarelo-ouro
b) papel amarelo-ouro
c) caixa vermelho-sangue
d) caixa vermelha-sangue
e) caixas vermelho-sangue
CAPÍTULO 11
ESTUDO DOS ADJETIVOS
268

*********

CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
269


- nota da ledora: propaganda da revista Veja com o seguinte texto: "em jornalismo, não
existe "politicamente correto". Só existe "correto". - fim da nota.


Um equívoco muito comum associa o advérbio exclusivamente ao verbo. No
anúncio acima, porém, vemos um advérbio (politicamente) modificando um adjetivo
(correto), papel que também faz parte do comportamento gramaticalmente correto
do advérbio.

1 INTRODUÇÃO
Na palavra advérbio, assim como na palavra adjetivo, existe o prefixo latino ad, que
indica idéia de "proximidade", "contigüidade". Portanto o nome praticamente

diz o que é o advérbio: é palavra capaz de caracterizar o processo verbal,
indicando circunstâncias em que esse processo se desenvolve. É o caso, por
exemplo, da palavra humildemente, que, no "Poema só para Jaime Ovalle", de
Manuel Bandeira, caracteriza o processo expresso pela forma verbal pensando ("E
fiquei pensando, humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei").

CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
269


O papel básico dos advérbios é, por isso, relacionar-se com os verbos da língua,
caracterizando os processos expressos por eles. Essa caracterização pode ter
finalidade descritiva, procurando representar objetivamente os dados da
realidade. Quando se diz, por exemplo, que todos estavam "dormindo
profundamente", descreve-se a maneira intensa como todos dormiam.
A caracterização adverbial pode, no entanto, indicar a subjetividade de quem
analisa um evento: o advérbio deixa de ter papel descritivo e passa a traduzir
sentimentos e julgamentos de valor de quem escreve ou fala. É o que se verifica,
por exemplo, no poema "Madrugada", de Ferreira Gullar:
Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite
A noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes
O advérbio obscenamente é um ótimo exemplo desse outro valor dos advérbios.
Modificando o adjetivo acesa, ele transmite um forte juízo de valor.

2 CONCEITO

Advérbio é a palavra que caracteriza o processo verbal, exprimindo circunstâncias
em que esse processo se desenvolve. Observe:
"Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo."
(circunstâncias de tempo, negação e tempo, respectivamente)
"Todos os maridos funcionam regularmente."
(circunstância de modo)
Diferentemente do que seu nome indica, o advérbio não é modificador exclusivo
do verbo. Os advérbios de intensidade e os de modo podem modificar também
adjetivos e advérbios:
Esse é o procedimento menos adequado para quem se diz politicamente correto.
(o advérbio menos modifica o adjetivo adequado; o advérbio politicamente modifica
o adjetivo correto)
Ela procedeu muito mal.
(o advérbio muito modifica o advérbio mal)
Em alguns casos, os advérbios podem se referir a uma oração inteira; nessa
situação, normalmente transmitem a avaliação de quem fala ou escreve sobre o
conteúdo da oração:
Infelizmente, o Congresso não aprovou o projeto.
Lamentavelmente, ele não estará conosco na próxima semana.

CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
270




As locuções adverbiais são conjuntos de duas ou mais palavras que têm valor de
advérbio. Normalmente, são formadas por preposição e substantivo ou por
preposição e advérbio:

Moravam lá.
Moravam ao lado da estação.

Acordei cedo.
Acordei no meio da noite.

Fiquem aqui.
Fiquem por perto.


3 CLASSIFICAÇÃO

Os advérbios e locuções adverbiais são classificados de acordo com as
circunstâncias que expressam. Na relação a seguir, você encontrará as principais
circunstâncias adverbiais e alguns advérbios e locuções que podem exprimi-las.
a) lugar - aqui, aí, ali, cá, lá, acolá, além, longe, perto, dentro, adiante, defronte,
onde, acima, abaixo, atrás, algures ( = em algum lugar), alhures ( = em outro lugar),
nenhures ( = em nenhum lugar); em cima, de cima, à direita, à esquerda, ao lado,
de fora, por fora, etc.
b) tempo - hoje, ontem, anteontem, amanhã, atualmente, brevemente, sempre,
nunca, jamais, cedo, tarde, antes, depois, logo, já, agora, ora, então, outrora, aí,
quando; à noite, à tarde, de manhã, de vez em quando, às vezes, de repente, hoje
em dia, etc.
c) modo - bem, mal, assim, depressa, devagar, rapidamente, lentamente, facilmente
(e a maioria dos terminados em -mente); às claras, às pressas, à vontade, à toa, de
cor, de mansinho, de cócoras, em silêncio, com rancor, sem medo, frente a frente,
face a face, etc.
d) afirmação - sim, decerto, certamente, efetivamente, seguramente, realmente;
sem dúvida, por certo, com certeza, etc.
e) negação - não, absolutamente, tampouco; de modo algum, de jeito nenhum, etc.
f) intensidade - muito, pouco, mais, menos, ainda, bastante, assaz, demais, bem,
tanto, deveras, quanto, quase, apenas, mal, tão; de pouco, de todo, etc.
g) dúvida - talvez, quiçá, acaso, porventura, possivelmente, provavelmente, eventualmente,
etc.

Você notou que as circunstâncias citadas acima podem ser expressas por um simples
advérbio ou por uma locução adverbial. Há outras circunstâncias, que só podem ser
expressas por locuções, como a de causa e a de finalidade. Observe:
Muitas crianças estão morrendo de fome/devido à desnutrição/por razões ignóbeis.
(circunstância de causa)

Preparou-se para o exame/para aquela oportunidade.
(circunstância de finalidade)
CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
271

- nota da ledora: um anúncio, na página, onde uma mulher mostra-se séria,
enquanto caem flores no quadro ao lado dela, com o seguinte texto: Pra mim só
existe uma coisa mais fora de moda que receber flores… no anúncio ao lado, a
mesma mulher, sorridente, segurando uma braçada de flores, e um quadro ao
lado mostrando só o talo de uma rosa com espinhos, e o seguinte texto: …não
receber. - fim da nota.

Neste anúncio, vemos dois advérbios: mais (advérbio de intensidade, neste caso
intensificando a locução adjetiva "fora de moda")... e não, advérbio de negação,
modificando o verbo receber.

Alguns gramáticos citam outras circunstâncias adverbiais. Muitas delas parecem
subdivisões das apontadas acima, como a de freqüência (subdivisão da
circunstância de tempo).
Merecem destaque os chamados advérbios interrogativos, empregados em
orações interrogativas diretas ou indiretas. Esses advérbios podem exprimir
lugar, tempo, modo ou causa:

Onde foram parar os livros?
Quero saber onde foram parar os livros.
Quando será a reunião?
Quero saber quando será a reunião.
Como proceder num momento tão importante?
Quero saber como proceder num momento tão importante.
Por que você aceita tudo passivamente?
Quero saber por que você aceita tudo passivamente.

Você vai estudar mais detalhadamente as circunstâncias adverbiais nos capítulos
relativos à Sintaxe (adjuntos adverbiais e orações subordinadas adverbiais).

CAPÍTULO
12 ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
272

4 FLEXÃO

Normalmente, os advérbios são considerados palavras invariáveis, por não apre-
sentarem flexão de gênero e número. No entanto alguns deles - principalmente os
de modo -apresentam variações de grau semelhantes às dos adjetivos.

Grau comparativo
Como ocorre com os adjetivos, o grau comparativo pode ser de igualdade, de
superioridade e de inferioridade:

Ele agia mais friamente (do) que o comparsa.
Ele agia menos friamente (do) que o comparsa.
Ele agia tão friamente quanto (ou como) o comparsa.
CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
273


Para os advérbios bem e mal, as formas de comparativo são sintéticas (melhor e
pior):
Ele agia melhor/pior (do) que o comparsa.
Cuidado: diante de particípios que atuam como adjetivos, são empregadas as
formas analíticas mais bem e mais mal:
Ele é o mais bem informado dos jornalistas (e não o melhor informado). Este
edifício é o mais mal construído de todos (e não o pior construído).


Grau superlativo
O superlativo dos advérbios é absoluto e pode ser formado de dois modos:
a) analítico o superlativo é obtido por meio do uso de um advérbio de intensidade:
Ele procedeu muito calmamente.
Investigaram desleixadamente demais as causas do acidente.
Certamente estão muito perto da cidade procurada.

b) sintético - o superlativo é obtido por meio do uso do sufixo -íssimo:
Ela crê muitíssimo em suas convicções.
As transformações sociais estão ocorrendo lentissimamente.
Acordo cedíssimo todos os dias.
Na linguagem coloquial e familiar, é comum o emprego do sufixo diminutivo para
dar aos advérbios o valor superlativo:
Amanhã vamos acordar cedinho.
Ela faz tudo devagarinho.

ATIVIDADES

1. Aponte os advérbios e locuções adverbiais presentes nos trechos abaixo e
classifique-os.
a) " No dia seguinte almoçamos num restaurante e tomamos três garrafas de
tinto; depois, num bar fiquei a alisar ternamente a sua mão fina, de veias azuis."
(Rubem Braga)
b) " Talvez um ruído de elevador, uma campainha tocando no interior de outro
apartamento, o fragor de um bonde lá fora, sons de um radio distante, vagas
vozes - e, me lembro, havia um feixe de luz oblíquo dando no chão e na parte de
baixo de uma porta, recordo vagamente a cor rósea da parede." (Rubem Braga)
c) "se é difícil arrancar um (não) do brasileiro em geral, mais dificil ainda é
arrancar um (sim) do mineiro em particular." (Fernando Sabino)
d) " Naquela solene ocasião, diante das figuras ilustres a olhar boquiabertas as
dimensões ciclópicas do monumento, sobreveio a catástrofe providencial: a
imensa massa de argila, amolecida pelos sucessivos baldes d'água que o
escultor, temeroso de seu endurecimento, despejava sobre o trabalho, começou a
desfazer-se feito melado, e de súbito desmoronou fragorosamente." (Fernando
Sabino)
e) "Aos três meses de vida, passa muito bem o primeiro macaco-aranha nascido
em cativeiro, proeza realizada no Centro de Pri-
CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
matologia, no Rio de Janeiro, único lugar do mundo onde essa espécie pode ser
legalmente criada." (Superinteressante, mar. 1992.)
f) "O mestre-cervejeiro não é um profissional comum: em qualquer fábrica de
bebida, pequena ou grande, ele é, desde os tempos da Idade Média, o guardião da
receita da cerveja daquela marca e o responsável pela qualidade da bebida
produzida ali." (Globo Ciência, abr. 1992.)

2. Troque as locuções adverbiais destacadas nas frases a seguir por advérbios
terminados em -mente.
a) Recebeu-nos (com afeto)
b) Agiu (com pudor).
c) Sempre canta (com prazer).
d) (Sem dúvida), não há mais nada a fazer.
e) Ofendeu a todos (sem distinção).
f) A política econômica atinge (sem piedade) os mais pobres.
g) Resolvi o problema (aos poucos).
h) Estava lá (por acaso).
i) Apresente a proposta (com nitidez).
j) Entendem-se (sem palavras).

3. Troque os advérbios terminados em -mente destacados nas frases seguintes
por locuções adverbiais.
a) Conduzia a bola (habilmente).
b) Os alunos receberam o professor (ruidosamente).
c) Ele sofreu as conseqüências do que fez (impensadamente)
d) Agiu (friamente)
e) (Delicadamente), beijei-lhe a mão.
f) (Repentinamente) nuvens negras cobriram o céu.
g) Ofendia (despudoradamente) a quem o contradissesse.
h) (Freqüentemente) se vêem cobras nestas matas.
i) Desejava-a (intensamente).
j) Não imaginava ter agido (ingenuamente).

4. Substitua as expressões destacadas nas frases a seguir por advérbios.
a) (Por qual motivo) você não visita seu pai?
b) Não pensei isso (em nenhum instante).
c) (Em que tempo) os homens serão melhores com os outros homens?
d) (Naquele lugar) existe vegetação nativa.
e) (Neste lugar) existe muita poluição visual.
f) O teatro fica (a grande distância); o cinema, (a pequena distância).
g) Saia (neste exato instante)!
h) Ela já me viu (em algum lugar).
i) Ponha esse livro (em outro lugar).

5. A palavra destacada tem valor diferente em cada uma das frases dos pares
abaixo. Classifique-a.
a) Faça isso (direito)!
Entrou pelo lado (direito).
b) Pagou (caro) o carro em que desfila pela cidade.
É um carro (caro).
c) (Breve) nos veremos.
O discurso do presidente foi (breve).
d) Fale (baixo)!
O salário médio no Brasil é (baixo).

6. Classifique as palavras destacadas nas frases seguintes.
a) Ela está (meio) nervosa.
b) Passou (meio) dia na fila do banco.
c) Vai demorar a chegar, porque anda (meio) devagar.
e) Vendeu (caro) o que havia comprado barato. É um especulador!
f) Comprei um carro (barato) pelo preço de um (caro).
g) Você é o (melhor) aluno da classe, mas seu irmão é o (pior).
h) Escrevo (melhor) do que falo.

7. Quando se colocam diversos advérbios terminados em -mente um após o outro,
recomenda-se que essa terminação seja usada apenas no último deles:
O novo tributo prejudicaria ampla e injustamente as pessoas de menor renda.
Pensando nisso, comente o emprego desse tipo de advérbios na seguinte frase
do escritor português Fernando Namora:
"De repente, pus-me de pé e aproximei-me lentamente, ritmadamente,
voluptuosamente, da janela." (Fernando Namora, apud CUNHA, Celso & CINTRA,
Lindley.)


CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
275

TEXTOS PARA ANÁLISE

É difícil imaginar uma rede de supermercados, com sete lojas em Salvador e
faturamento anual de R$ 150 milhões, tenha, entre os seus 1,2 mil funcionários,
aproximadamente 300 surdos-mudos. Mas é o que acontece na rede PetiPreço.
Eles são empacotadores, embaladores, condutores de carrinho de compras e,
que ninguém se surpreenda, até recepcionistas. Uma delas é a simpática e
sorridente Sumaia Siqueira, do HiperPeti da Praia de Armação, na orla marítima.
O diretor comercial e principal acionista do grupo, João Gualberto Vasconcelos,
diz ter ficado sensibilizado quando procurado, em 1994, pela Associação dos Pais
e Amigos dos Deficientes Auditivos de Salvador (Apada) com proposta de um
convênio que permitisse o aproveitamento dos surdos-mudos. Aceitou a idéia e
até hoje tem razões para comemorar. (Carta Capital, 30 abr. 1997.)
- nota da ledora - o texto acima é acompanhado de foto da recepcionista, em
atividade profissional, e uma faixa com o seguinte teor: A felicidade não custa
caro. - fim da nota.

TRABALHANDO O TEXTO
A que classe gramatical pertence a palavra caro, na foto que ilustra a reportagem?
Explique.


CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
276

O martelo
As rodas rangem na curva dos trilhos
Inexoravelmente.
Mas eu salvei do meu naufrágio
Os elementos mais cotidianos.
O meu quarto resume o passado em
todas as casas que habitei.
Dentro da noite
No cerne duro da cidade
Me sinto protegido.
Do jardim do convento
Vem o pio da coruja.
Doce como um arrulho de pomba.
Sei que amanhã quando acordar
Ouvirei o martelo do ferreiro
Bater corajoso o seu cântico
de certezas.

(BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira.
10. ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1983. p. 141.)

TRABALHANDO O TEXTO

1. Aponte um exemplo de advérbio de tempo e um de intensidade.
2. Aponte um exemplo de locução adverbial de lugar.
3. A palavra inexoravelmente, cujo x deve ser lido como o de exame, equivale a uma
locução. Indique-a.
4. Na sua opinião, que efeito produzo fato de a palavra inexoravelmente ser a única
do segundo verso?
5. A palavra dentro normalmente introduz idéia de lugar. No texto, a expressão
"Dentro da noite" tem efetivamente a idéia de lugar? Comente.
6. Reescreva os dois últimos versos, substituindo martelo por ferramenta. Faça as
adaptações necessárias.
7. No texto, a palavra corajoso tem valor de adjetivo ou de advérbio? Comente.
8. Pode-se entender o ranger inexorável das rodas como uma metáfora da
passagem do tempo. Dessa forma, como se pode entender o cântico de certezas"
de que fala o poeta?

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES

1 (UFMG) As expressões destacadas correspondem a um adjetivo, exceto em:
a) João Fanhoso anda amanhecendo (sem entusiasmo).
b) Demorava-se (de propósito) naquele complicado banho.
c) Os bichos (da terra) fugiam em desabalada carreira.
d) Noite fechada sobre aqueles ermos perdidos da caatinga (sem fim).
e) E ainda me vem com essa conversa de homem (da roça).
2 (UFV-MG) Em todas as alternativas há dois advérbios, exceto em:
a) Ele permaneceu muito calado.
b) Amanhã, não iremos ao cinema.
c) O menino, ontem, cantou desafinadamente.
d) Tranqüilamente, realizou-se, hoje, o jogo.
e) Ela falou calma e sabiamente.
CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
277

3 (UFC-CE) A opção em que há um advérbio exprimindo circunstância de tempo
é:
a) Possivelmente viajarei para São Paulo.
b) Maria teria aproximadamente 15 anos.
c) As tarefas foram executadas concomitantemente.
d) Os resultados chegaram demasiadamente atrasados.
4 (FEI-SP) Substitua a expressão destacada por um advérbio de significação
equivalente.

a) Recebeu a repreensão (sem dizer palavras).
b) Falava sempre (no mesmo tom).
c) Aceitou tudo (sem se revoltar).
d) Trataram-me (como irmão).

5 (FUVEST-SP) Reescreva a passagem "Humildemente pensando na vida... "
substituindo o advérbio por uma locução adverbial equivalente.

6 (UNICAMP-SP) Leia atentamente o seguinte trecho de uma entrevista:
Pergunta: O Sr. fala em respeito à Constituição. Não é contraditório, então,
colocar a não-posse do vice Itamar em caso de impeachment?
Resposta: Você não acha que um impeachment imposto não é rasgar a
Constituição? (Entrevista com o governador Antônio Carlos Magalhães. Isto É, 24
jun. 1992.) Se tomada literalmente, a fala de A. C. M. tem um sentido que é o oposto
do pretendido.
a) Qual o sentido literal da fala de A. C. M.?
b) Reescreva a fala de A. C. M. de forma a eliminar o eventual mal-entendido.
c) A forma da pergunta pode ter influenciado a forma da resposta. Qual a
característica formal que torna a resposta de A. C. M. semelhante à pergunta do
repórter?

7 (UNIMEP-SP) Em "... um (aborrecimento) quando (os) vejo e gostaria de (não) vê-
los mais" as palavras destacadas são, respectivamente:
a) adjetivo, artigo, advérbio.
b) adjetivo, pronome, pronome.
c) substantivo, pronome, advérbio.

CAPÍTULO
12 ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
d) substantivo, artigo, pronome.
e) verbo, pronome, preposição.
8 (CESGRANRIO-RJ) Assinale a alternativa em que a preposição (com) traduz uma
relação de instrumento.
a) "Teria sorte nos outros lugares, com gente estranha."
b) "Com o meu avô cada vez mais perto do fim, o Santa Rosa seria um inferno."
c) "Não fumava, e nenhum livro com força de me prender."
d) "Trancava-me no quarto fugindo do aperreio, matando-as com jornais."
e) "Andavam por cima do papel estendido com outras já pregadas no breu."
9 (MAPOFEI-SP) Lista dos advérbios:
bisonhamente
ironicamente
quixotescamente
desassombradamente
laconicamente
radicalmente
estoicamente
perfunctoriamente
sibilinamente
frugalmente
prolixamente
sofregamente
inexoravelmente
puerilmente
sutilmente
tacitamente
Escolha, na lista acima, o advérbio mais adequado a cada uma das ações abaixo
enunciadas, de acordo com o modelo.
Falar com orgulho e arrogância
Falar arrogantemente.
a) Dizer com palavras enigmáticas e difíceis de compreender.
b) Falar de maneira franca e corajosa.
c) Exprimir-se com palavras excessivas.
d) Concordar sem dizer palavras.
e) Agir com a inexperiência de um principiante.
f) Agir com impaciência e ambição.
g) Agir como criança.
h) Insinuar com perspicácia e delicadeza.
i) Eliminar pela base.
j) Eliminar sem se render a rogos.

10 (PUCSP) No trecho:
"Os trens (de) cana apitavam de quando em vez, mas (não) davam (vencimento) à
(fome) das moendas", as palavras destacadas correspondem, mor-

CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
278

fologicamente, pela ordem, a:
a) preposição, advérbio, verbo, substantivo.
b) conjunção, advérbio, substantivo, adjetivo.
c) preposição, advérbio, adjetivo, adjetivo.
d) preposição, advérbio, verbo, advérbio.
e) preposição, advérbio, substantivo, substantivo.

11(PUCC-SP) Os seus projetos são os () elaborados, por isso garantem verbas ()
para sua execução e evitam () -entendidos.
a) melhor - suficientes - mal
b) mais bem - suficientes - mal
c) mais bem - suficiente - mal
d) melhor - suficientes - mau
e) melhor - suficiente - mau

12 (VUNESP) Observe os seguintes fragmentos:
" viver em voz (alta)." e
"que ligasse o rádio um pouco (alto)..."
Indique a classe gramatical das palavras destacadas e o processo de derivação
que ocorre no segundo fragmento.

13 (UMC-SP) Em: " uma cerca (de pedra-seca), do tempo dos escravos" e "Tudo é
mato, crescendo "sem regra.", as locuções destacadas são, respectivamente:
a) adjetiva e adjunto adnominal; adverbial e adjunto adverbial.
b) adverbial e objeto indireto; adjetiva e predicativo.
c) adjetiva e adjunto adverbial; adverbial e adjunto adnominal.
d) adjetiva e complemento nominal; adverbial e adjunto adnominal.
e) adverbial e adjunto adnominal; adjetiva e complemento nominal.

14 (CESGRANRIO-RJ) Assinale a alternativa em que a locução destacada tem
valor adjetivo.
a) " Comprei móveis e objetos diversos que entrei a utilizar (com receio)."
b) " Azevedo Gondim compôs sobre ela (dois artigos)."
c) " Pediu-me (com voz baixa) cinqüenta mil-réis."
d) " Expliquei em (resumo) a prensa, o dínamo, as serras..."
e) " Resolvi abrir o olho para que vizinhos (sem escrúpulos) não se apoderassem
do que era delas."


CAPÍTULO 12
ESTUDO DOS ADVÉRBIOS
279

*********

CAPÍTULO 13
ESTUDO DOS PRONOMES
280


- nota da ledora: gravura de página inteira, um negativo de ultra-sonografia
uterina, com dois gêmeos, com o seguinte diálógo, entre os dois:
- Você acredita em vida após o parto?
- Não sei. Nunca ninguém voltou pra contar. - fim da nota.


A diversidade dos pronomes os transforma numa ferramenta muito útil na
comunicação cotidiana, falada ou escrita. Observe que, no curto diálogo do
anúncio acima, ocorrem três pronomes: você, eu (elíptico, em "(eu) Não sei") e
ninguém. Trata-se de uma classe de palavras cuja freqüência e funcionalidade
merecem uma investigação detalhada, como passaremos a fazer em seguida.

CAPÍTULO 13
ESTUDO DOS PRONOMES
280


1 CONCEITO

Pronomes são palavras que representam os seres ou se referem a eles. Podem
substituir os substantivos ou acompanhá-los, para tornar-lhes claro o sentido. Em
"Eu pus os meus pés no riacho e acho que nunca os tirei" (da canção "Força
estranha", de Caetano Veloso), o pronome meus acompanha o substantivo pés,
indicando noção de posse. O pronome os substitui o substantivo pés.
Os pronomes permitem, ainda, identificar o ser como sendo aquele que utiliza a
língua no momento da comunicação (eu, nós), aquele a que a comunicação é
dirigida (tu, você, vós, vocês, Vossa Senhoria, Senhor) ou também como aquele
ou aquilo que não participa do ato comunicativo, mas é mencionado (ele, ela,
aquilo, outro, qualquer, alguém, etc.). O pronome também pode referir-se a um
determinado ser, relacionando-o com as pessoas do discurso. Pode estabelecer
outras relações, além da de posse, já citada, como a idéia de proximidade com a
primeira pessoa (esta blusa, isto), com a segunda pessoa (essa blusa, isso) e com
a terceira pessoa (aquela blusa, aquilo).
Quando um pronome faz as vezes de um substantivo, ou seja, quando o
representa, é chamado de pronome substantivo. E o caso do pronome os do trecho
da canção "Força estranha". Esse pronome, que substitui o substantivo pés, é,
justamente por isso, pronome substantivo. Também há pronomes que
acompanham os substantivos a fim de caracterizá-los ou determiná-los, atuando
em funções típicas dos adjetivos. São, justamente por isso, chamados pronomes
adjetivos. É o caso do pronome meus, do mesmo trecho. Esse pronome
acompanha, determina o substantivo pés.
Há seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, in-
definidos e interrogativos. Você vai estudar agora cada um deles.

2 PRONOMES PESSOAIS

Os pronomes pessoais indicam diretamente as pessoas do discurso. Quem fala
ou escreve assume os pronomes eu ou nós, emprega os pronomes tu, vós, você,
vocês, Vossa Excelência ou algum outro pronome de tratamento para designar a
quem se dirige e ele, ela, eles ou elas para fazer referência à pessoa ou ao assunto
de que fala.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as funções que exercem nas
orações, dividindo-se em pronomes do caso reto e pronomes do caso oblíquo.
Também são considerados pessoais os chamados pronomes de tratamento.
Para estudar os pronomes pessoais, será necessário fazer referências a vários
termos da análise sintática. Se você tiver dúvidas sobre eles, procure esclarecê-
las na parte do livro dedicada a Sintaxe.

CAPÍTULO 13
ESTUDO DOS PRONOMES
281
PRONOMES PESSOAIS DO CASO RETO
São do caso reto os pronomes pessoais que nas orações desempenham a
função de sujeito ou predicativo do sujeito:
Primeira pessoa: eu (singular) - nós (plural)
Segunda pessoa: tu ( singular) - vós (plural)
Terceira pessoa: ele, ela ( singular ) eles, elas ( plural)

Na língua culta, formal - falada ou escrita -, esses pronomes não devem ser
usados como complementos verbais. Frases como "Vi ele na rua", "Encontrei ela
na praça", "Trouxeram eu até aqui", comuns na língua oral cotidiana, não são
aceitas no padrão formal da língua. Na língua culta, devem ser usados os
pronomes oblíquos correspondentes: "Vi-o na rua", "Encontrei-a na praça",
"Trouxeram-me até aqui".

PRONOME PESSOAL DO CASO OBLÍQUO

São do caso oblíquo os pronomes pessoais que, nas orações, desempenham as
funções de complemento verbal (objeto direto ou indireto) ou complemento
nominal. A forma dos pronomes do caso oblíquo varia de acordo com a
tonicidade com que são pronunciados nas frases da língua, dividindo-se em
átonos e tônicos.

PRONOMES OBLÍQUOS ÁTONOS
primeira pessoa : me (singular); nós ( plural)
segunda pessoa: te ( singular); vós (plural)
terceira pessoa: o, a, se, lhe, (singular); os, as, se, lhes (plural)

Os pronomes me, te, nos e vos podem complementar verbos transitivos diretos
ou indiretos. Em "Ela me ama", o me complementa o verbo amar, que não pede
preposição (amar alguém). Em "O livro me pertence", o me complementa o verbo
pertencer, transitivo indireto (pertencer a alguém). Os pronomes o, a, os e as
atuam exclusivamente como objetos diretos; as formas lhe e lhes como objetos
indiretos. Não é possível dizer, na língua culta, "Eu lhe amo". Como os pronomes
me, te, nos e vos, o pronome se pode ser objeto direto ou indireto. Nesse caso, é
reflexivo, ou seja, indica que o sujeito pratica a ação sobre si mesmo ("Ela se
cortou"). Esses pronomes também podem assumir várias outras funções, que
serão estudadas mais adiante, na parte dedicada a Sintaxe.
Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combinar-se com os pronomes o,
os, a, as, dando origem a formas como mo, mos, ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos,
lha, lhas;

CAPÍTULO 13
ESTUDO DOS PRONOMES
282

no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Observe o uso dessas formas nos
exemplos que seguem:
- Compraste o livro?
- Ora, entreguei-to ontem, não te lembras?
- Não deram a notícia a vocês?
- Não, não no4a deram.
No português falado no Brasil, essas combinações não são usadas. Na língua
literária, no entanto, seu emprego não é raro, como se vê em Gonçalves Dias
("Não te esqueci, eu to juro."), ou em Fernando Pessoa ("Dobrada à moda do
Porto fria? Não é prato que se possa comer frio, mas trouxeram-mo frio."). Na
língua oral de Portugal, essas combinações são freqüentes.
Os pronomes o, os, a, as podem sofrer adaptações fonológicas depois de certas
terminações verbais:

quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o pronome assume a forma lo, los, la ou las,
ao mesmo tempo que a terminação verbal é suprimida:
fiz + o = fi-lo fazeis + o = fazei-lo dizer + a = dizê-la
e quando o verbo termina em som nasal, o pronome assume as formas no, nos,
na, nas:
viram + o = viram-no retém + a = retém-na
repõe + os = repõe-nos
tem + as = tem-nas

PRONOMES OBLÍQUOS TÔNICOS

Primeira pessoa mim ( singular), nós ( plural )
Segunda pessoa ti (singular), vós ( plural)
Terceira pessoa ele, ela, si( singular),