quarta-feira, 5 de maio de 2010

Folha: "Católica, negra e quase judia"

** Folha - Gilberto Dimenstein
Católica, negra e quase judia
Católica , negra e nordestina, Maria dos Santos, 69 anos, chegou a São Paulo num pau de arara junto com a mãe e seis irmãos. Aprendeu não só a cozinhar e a reinventar
a culinária judaica da Europa oriental mas também a passar as receitas para os judeus. "Agora me sinto um pouco judia."
A mistura desses improváveis ingredientes fez com que Maria dos Santos inspirasse um livro que ainda está em andamento e será intitulado "Cozinha Judaica da Maria".
Ela fugia da fome do sertão e encontrou uma família que escapava da perseguição antissemita da Europa -e o encontro se deu na cozinha.
A história desse encontro começa com o fato de que Brenka Szmuck, traumatizada com as dificuldades de sobrevivência, não queria sua única filha (Dziana) metida
na
cozinha. Teria de estudar e fazer faculdade - a moça graduou-se em matemática.
Mais tarde, a filha se casou sabendo muito de números, mas nada de culinária, muito menos das receitas judaicas. Brenka tornou-se, então, professora da Maria dos

Santos, incapaz de entender aqueles nomes de comidas cheios de consoantes (gefilte fish, varenyke, kneidale).
Dona Brenka morreu. Na família, a única depositária das receitas tradicionais era Maria dos Santos. Logo se tornou uma espécie de consultora para todos, requisitada

especialmente nas festas religiosas. Até fez suas próprias adaptações, com gosto nordestino.
Nos jantares de Pessach, quando não se come farinha de trigo, ela oferecia um esplendoroso quindão -algo que nem remotamente passaria pelas mesas dos guetos na
Europa.
Em outros momentos, tascava pimenta numa feijoada. "Sem carne de porco", faz a ressalva. Conta-se que, algumas vezes, era ela quem acendia as velas do shabat.
Um dos beneficiários desses quitutes era o produtor teatral Léo Steinbruch, filho de Dziana. "Sempre achei engraçado aquela sergipana manter a tradição culinária

de uma família de judeus", diz Léo.
Conversando sobre Maria com seus amigos judeus, descobriu que aquele não era um caso isolado -havia outras empregadas que aprendiam a culinária judaica, detentoras

das receitas típicas, algumas já com um sabor brasileiro.
Nascia, assim, o projeto de um livro que, coordenado por Léo e em desenvolvimento pela jornalista Viviane Lessa, será batizado de "Cozinha Judaica da Maria". Quer

tirar da invisibilidade essas mulheres que misturam culturas pelas panelas.
É toda uma história de encontros de culturas, cujo cenário é a cozinha, em meio a nomes de comidas impronunciáveis, repletos de consoantes. "Aprendi a cozinhar,

só não me peça para falar os nomes", brinca Maria dos Santos.
PS- Não se sabe quando o livro vai sair. Mas coloquei um trecho no www.catracalivre.com.br.
Renata Coutinho

"Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado, um amigo que espera;
esquecido, uma alma que perdoa; destruído, um coração que chora."
(Rabindranath Tagore)

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