Alergia alimentar
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| Nenhum alimento deve ser excluído com o intuito de evitar alergias. As castanhas, por exemplo, são boas fontes de gorduras do bem |
Tratamento e cura
Não existe medicação para tratar as alergias alimentares. Substâncias medicamentosas só são utilizadas para tratar sintomas mais graves em caso de ingestão do alimento. O tratamento para esse problema é a exclusão do alergênico da dieta.
A boa notícia é que como a maioria das alergias aparece na infância, há grandes chances de que ela desapareça após um período. De maneira geral, 85% das crianças com alergia ao leite, ovo, trigo e soja desenvolvem tolerância até os 5 anos de idade e, por isso, essas manifestações são menos comuns em adultos. "Já as alergias a peixe, crustáceos, castanhas e amendoim costumam durar para o resto da vida", constata a nutricionista Raquel Mendonça.
Nada de exclusão social
Que crianças adoram docinhos, bolos e outras guloseimas, todos já sabem. O problema é que os pequenos que sofrem de alergias alimentares não podem consumir a maioria desses produtos. A tendência é que em eventos sociais, essas crianças fiquem privadas do consumo dessas delícias. Cabe aos pais contornar a situação. "A mãe não deve deixar de levar a criança à escola ou às festas, mas sim orientar a todos e, principalmente a criança, que existem alimentos que ela não pode comer e que sua dieta deve ser controlada", enfatiza Raquel Mendonça.
A arquiteta Regina Soares sabe bem como é isso. Seu filho, Caio, hoje com 6 anos, teve alergia a ovo e leite aos 10 meses. Ao descobrir o problema, a mãe, que sempre foi cuidadosa com a própria alimentação, procurou informações em literatura e com profissionais da área da saúde para entender a situação. "Nós participamos de eventos sociais, mas sempre adaptando o cardápio do meu filho para as restrições alimentares dele. Nas festas, tínhamos de levar o bolo e o brigadeiro de soja dele separados, e nas aulas de culinária da escolinha as receitas tinham de ser adaptadas para que ele pudesse participar com as outras crianças", explica. É importante entender que, em um evento social, a comida não deve ser a atração principal, mas sim o convívio com outras pessoas, e que essa interação é fundamental para a criança, e por isso os pais não devem privá-la de uma vida normal, com as devidas precauções.
Aproximadamente 85% das crianças com alergia a leite, ovo, trigo e soja desenvolvem tolerância até os 5 anos de idade
Orientação gratuita
Fundado em janeiro de 2005, o Instituto Girassol é uma ONG que apoia, orienta e divulga informações sobre necessidades nutricionais especiais para profissionais da área da saúde e a população em geral. Cerca de 20 pessoas por dia entram em contato com esses profissionais, por telefone ou web site, a fim de obter orientações.
"Os pacientes ou familiares que entram em contato conosco têm dúvidas diversas, desde como adquirir algum produto (dieta especial) necessário para o seu tratamento, até dúvidas em relação à doença", explica Fabíola Suano, diretora científica do Centro de Estudos do Instituto Girassol. Além disso, o Instituto desenvolve material informativo para profissionais de saúde e livro de receitas para crianças alérgicas. Todos esses materiais ficam disponíveis no site gratuitamente. O contato pode ser feito de segunda a sexta-feira pelo telefone 0800.773.9000, ou pelo site www.girassolinstituto.org.br
Sem pânico!
Se o potencial alergênico desses oito alimentos é tão alto, o melhor a fazer é não inseri-los na dieta a fim de evitar futuros problemas, certo? Errado! As profissionais que participaram desta reportagem foram unânimes. Nenhum alimento deve ser excluído com o intuito de evitar alergias. Como já foi dito, apenas pessoas com predisposição genética, agravada pelo fato da introdução precoce desses alimentos na dieta, é que apresentarão o problema. Não há motivo para pânico e muito menos para privar-se dos diversos benefícios que esses alimentos proporcionam à saúde. "Alimentos como leite, ovo e trigo, por exemplo, fazem parte do nosso hábito alimentar e a exclusão deles, sem orientação, pode levar a deficiências nutricionais importantes", alerta a nutricionista Glauce Hiromi Yonamine.
Alergia ou intolerância?
Não confunda, pois são coisas totalmente distintas! A alergia envolve o mecanismo imunológico, enquanto a intolerância atinge apenas o trato gastrointestinal. O leite de vaca é um exemplo muito prático dessa situação. Muitos se dizem alérgicos à lactose. "Esse termo é errado, pois a lactose é um carboidrato [açúcar] e não uma proteína", explica Glauce Hiromi Yonamine.
Nesse caso, a intolerância acontece porque o corpo tem dificuldade em digerir a lactose. Quem sofre desse problema não produz uma enzima (a lactase) em quantidade suficiente para digeri-la. "Esse carboidrato, quando não digerido, fermenta no intestino causando desconforto abdominal, diarreia, flatulência e distensão abdominal", afirma a nutricionista Raquel Mendonça.
O tratamento é feito com a retirada da lactose da dieta, entretanto, produtos lácteos como iogurtes e queijos podem ser consumidos. "Nesse tipo de produto, a lactose é transformada em ácido láctico pelo processo de fermentação e, por isso, eles costumam ser bem tolerados, assim como preparações contendo baixa quantidade de leite ou até mesmo leite com baixo teor de lactose, em alguns casos", acrescenta a profissional.
Com a alergia, além da retirada total da proteína alergênica da dieta, a pessoa não pode ingerir nenhum tipo de preparação que leve o alimento. Além disso, cosméticos e medicamentos que contenham esses alimentos em suas formulações também não devem ser utilizados.
Cheios de saúde
Veja por que os alimentos abaixo estão longe de serem considerados vilões:
Leite: possui proteínas, cálcio e vitamina D. O consumo é importante para a prevenção de osteoporose
Trigo: é fonte de energia, vitaminas do complexo B, ferro, selênio e cromo. A exclusão sem necessidade pode acarretar deficiências nutricionais.
Ovo: tem vitaminas B2 e B12, ácido pantotênico, ácido fólico, selênio e biotina.
Soja: contribui para o fornecimento de vitaminas B1, B2 e B6, ácido fólico, cálcio, fósforo, magnésio, ferro e zinco. Funciona como repositor hormonal natural em mulheres na menopausa.
Peixes: fontes de proteínas de alto valor biológico (proteína de boa qualidade) e ácidos graxos poli-insaturados, especialmente ômega-3, que controla o colesterol, previne doenças cardiovasculares e regula processos inflamatórios. Na criança é importante para a formação da retina e para o desenvolvimento neuropsicomotor.
Crustáceos: são fontes de proteínas de alto valor biológico e boa digestão. Ricos em vitaminas B3 e B12, zinco, potássio, fósforo, selênio e iodo. Consuma com moderação.
Amendoim: é fonte vitaminas B3 e E, magnésio, manganês e cromo, principalmente.
Castanhas: são alimentos calóricos, mas trazem benefícios à saúde. São fontes de ácidos graxos monoinsaturados e poli-insaturados, importantes para o controle do colesterol, prevenindo doenças cardiovasculares. A castanha do Brasil, por exemplo, é rica em selênio, um nutriente antioxidante.
Fonte: Glauce Hiromi Yonamine, nutricionista das Unidades de Alergia, Imunologia e Gastroenterologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (ICr-HCFMUSP)


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